Por Marcelo Gomes
Fotos: José Luiz Alves
Neil Turbin, lendário ex-vocalista do Anthrax, retornou ao Brasil para sua segunda apresentação no país. Nesta ocasião, o palco escolhido foi o Manifesto Bar, em São Paulo, espaço tradicional para shows de rock e metal, também conhecido como “Templo do Rock”. Turbin, que marcou a história do thrash metal com sua passagem pela banda na década de 80, trouxe um repertório repleto de clássicos e faixas de sua carreira solo, demonstrando que ainda se encontra em excelente forma. Contudo, o evento foi marcado por alguns contrastes: uma performance energética da banda diante de um público pequeno e pouco expressivo, possivelmente devido à falta de divulgação sobre o horário de início, que ocorreu às 22h, momento pouco favorável para uma noite de domingo.
Celebrando os 40 anos do EP Armed and Dangerous, Turbin subiu ao palco acompanhado por músicos competentes da cena brasileira: Thales Statkevicius (guitarra), Jaeder Menossi (guitarra), Bill Martins (baixo) e Kaynan Bonini (bateria). Apesar do horário tardio, a energia do vocalista compensou a espera. A abertura com Give Em Hell evidenciou que sua potência vocal permanece intacta. Em seguida, Turbin relembrou o clássico álbum Fistful of Metal e anunciou Death from Above, mantendo a atmosfera pesada. O repertório prosseguiu com Crimson Warrior, rápida e agressiva, seguida por uma releitura super pesada de I’m Eighteen, do Alice Cooper.

A sequência Across the River / Howling Furies conseguiu animar, preparando o público para um clássico como Armed and Dangerous, apresentada pelo vocalista como uma de suas composições que destoava do estilo do primeiro álbum. O set também incluiu Riders of the Apocalypse, do Deathriders, além de uma série de hinos de Fistful of Metal, como Subjugator, Soldiers of Metal e Anthrax, que resgataram a fase mais crua do início dos anos 80. Da carreira solo, destacou-se Hell Ride, com solos de grande destaque executados por Jaeder Menossi.

Para intensificar a celebração, Turbin convidou ao palco o guitarrista Gustavo Dübbern, da banda Cerimônia, com quem executou Raise Hell e Panic. O momento foi marcado por um clima festivo, uma vez que coincidia com o aniversário do músico convidado. Na sequência, apresentou Fight to the Death, outra de sua carreira solo bem recebida pelo público. Na reta final, vieram Deathrider e Metal Thrashing Mad, que completaram a execução integral de Fistful of Metal. Para encerrar, Turbin entregou uma performance matadora de Gung Ho.

De modo geral, Neil Turbin comprovou que mantém uma voz potente e uma presença de palco inabalável, conduzindo os fãs a uma verdadeira viagem no tempo. Os músicos que o acompanharam tocaram com precisão e energia, elevando o nível do setlist. Como pontos negativos, destacaram-se o horário tardio e a presença de um público reduzido e pouco participativo. No entanto, tais fatores não abalaram a entrega do vocalista, que conduziu a apresentação como se fosse a última. Ao término do espetáculo, Turbin ainda demonstrou generosidade ao atender fãs, conceder autógrafos, tirar fotos e distribuir palhetas, gesto que fortaleceu ainda mais sua conexão com os presentes.

Setlist
Give ‘Em Hell
Death from Above
Crimson Warrior
Armed and Dangerous
I’m Eighteen
Across the River / Howling Furies
Riders of the Apocalypse
Subjugator
Soldiers of Metal
Anthrax
Hell Ride
Raise Hell
Panic
Fight to the Death
Deathrider
Metal Thrashing Mad
Gung Ho
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