Categoria: Roadie News

  • MONSTERS OF ROCK: HELLOWEEN

    MONSTERS OF ROCK: HELLOWEEN

    Por Leandro Nogueira Coppi Fotos: Rafael Andrade (*exceto onde indicado)

    Um dos melhores espetáculos da atualidade, sem dúvidas é um show do Helloween. E desde que a gangue dos reis alemães do power metal aumentou com o retorno dos icônicos Michael Kiske e Kai Hansen, essa já é a quarta vez, desde 2017, que o septeto germânico nos honra com seu concerto tão ímpar. E dessa vez havia um sabor especial nessa nova visita da banda ao Brasil, já que foi justamente na terceira edição do Monsters of Rock, realizada lá nos idos de 1996, que o Helloween fez a sua tão esperada (e tardia) estreia no país.

    Mantendo a elogiável pontualidade do festival, às 15h a introdução mecânica que anunciava o início do show do Helloween começou a rolar no som mecânico enquanto a mascote Jack O. Lantern surgia nos telões em uma versão mecanizada. A histeria foi geral para essa que sempre foi uma banda respeitada pelos brasileiros. Pena que a aparição dos músicos no palco aconteceu de modo tragicômico. Isso porque a cortina com o logotipo do Helloween, que já não estava lá muito bem estendida, atrapalhou a entrada dos músicos ao demorar absurdamente para terminar de descer. Quando a mesma saiu de cena, Kiske, Hansen, Andi Deris, Michael Weikath, Markus Grosskopf, Sascha Gerstner e Daniel Löble já haviam surgido no palco atacando com Dr. Stein. Outra fator negativo foi que no início da apresentação o som estava um pouco embolado. Sem perder tempo e agora sem Deris no palco, Kiske e Cia. disparam outra porrada do clássico Keeper of the Seven Keys Part II, de 1988: Eagle Fly Free. Nessa, a cozinha formada por Löble e Grosskopf teve grande destaque.

    São vários os detalhes que tornam o show do Helloween algo bastante atrativo, até mesmo para quem não é fã. A banda dispõe de um belíssimo palco em que o grande destaque é a abóbora gigante que ornamenta o praticável de bateria de Dani Löble. Além disso, os próprios instrumentos chamam atenção, principalmente as guitarras de design futurista de Gerstner e o baixo em formato de abóbora do não menos simpático Grosskopf, um dos membros originais. Além disso, o show do Helloween ainda proporciona imagens bastante divertidas nos telões que se sincronizam perfeitamente com as músicas que vão sendo tocadas e mostram Jack O. Lantern sempre situações hilárias. Isso sem contar a interação dos músicos com seu público e o bom humor estampado no rosto dos mesmo, que tocam sorrindo o tempo todo – exceto Weikath, que tem um perfil mais compenetrado ao vivo. Voltando ao set, agora sem Kiske e com Deris de volta, foi a vez do público curtir Power. Nessa, foi muito engraçado observar o telão e ver Jack exibindo seus bracinhos musculosos e um par de halteres ao seu redor. 

    Devemos lembrar que atualmente o Helloween divulga o seu homônimo e mais recente álbum de estúdio, lançado em 2021, no entanto, o grupo priorizou os clássicos em seu setlist. Tanto é que antes da próxima música Deris perguntou aos fãs se eles estavam interessados em ouvir “heavy metal ‘old school’”. Com o público estando de acordo, o frontman deixou o palco para Hansen detonar nos vocais de trecho de Ride the Sky e em Heavy Metal (Is the Law), dobradinha essa pertencente ao álbum de estreia do Helloween, Walls of Jericho, de 1985, época em que o guitarrista era também o vocalista único do grupo.

    Com os dois vocalistas principais de volta, agora sentados em cadeiras por alguns instantes, o Helloween emocionou os fãs com a execução de Forever and One (Neverland), música do álbum The Time of the Oath, de 1996, que foi o segundo trabalho de Deris na banda em substituição de Michael Kiske, e que foi dedicado ao ex-baterista Ingo Schwichtenberg, que no ano anterior cometeu suicídio – nessa, aliás, Hansen, ficou atrás de Löble filmando o público com seu celular. Em seguida, mais uma vez o público se arrepiou quando o teclado sampleado deu início a outra power ballad: If I Could Fly.

    O momento seguinte do show foi propício para Sascha Gerstner brilhar. Sozinho no palco ele fez um breve, melódico e bem climático solo. Em seguida, ele e seus parceiros mandaram a curta e agradável Best Time, música com certo viés retro-wave de autoria do próprio Sascha em parceria com Deris. Única música do repertório pertencente ao novo álbum, Helloween, essa tem uma divisão vocálica no refrão em que uma frase paralela é exclusivamente cantada pelo próprio Sascha.

    Para o desfecho de sua apresentação, o Helloween reservou dois de seus maiores sucessos. O primeiro deles, como sempre bastante comemorado pelos fãs, foi Future World. Antes do próximo, Löble entreteve o público com um breve solo, depois disso, o restante da banda retornou ao palco e, sob chuva de balões laranjas estampados de um lado com a cara de Jack e do outro com a face de uma irônica abóbora de Halloween, festejou com todo o estádio ao som da queridinha dos fãs, a atemporal I Want Out. Jamais haverá melhor opção para o Helloween encerrar seus shows do que esse hino do power metal!

    Por ser um festival, o Helloween teve apenas 55 minutos de palco, mesmo assim, entregou ao público um dos melhores shows do festival. E é aquilo, quando um show é rápido e deixa um gostinho de quero mais, é claro que atendeu as expectativas! 

    Setlist Intro (Halloween)
    1. Dr. Stein
    2. Eagle Fly Free
    3. Power
    4. Ride the Sky
    5. Heavy Metal (Is the Law)
    6. Forever and One (Neverland)
    7. If I Could Fly
    8. Solo de guitarra (Sascha Gerstner)
    9. Best Time
    10. Future World
    11. I Want Out
           
  • MONSTERS OF ROCK: CANDLEMASS

    MONSTERS OF ROCK: CANDLEMASS

    Por Leandro Nogueira Coppi Fotos: Rafael Andrade 

    A única incógnita quanto a recente edição do Monsters of Rock era saber como seria a recepção do público para o Candlemass. Isso porque nas redes sociais grande parte, principalmente de fãs do Saxon, não pegou bem com a escolha dos mestres suecos do doom metal como substitutos da lenda da New Wave of British Heavy Metal que semanas antes cancelou sua vinda à América do Sul quando do anúncio da aposentadoria dos palcos do guitarrista Paul Quinn. Porém bastaram poucos acordes de sua sonoridade sombria e arrastada e o Candlemass, que depois de sete anos estava de volta ao Brasil, já tinha o público nas mãos, tanto os aficionados da velha guarda quanto as novas gerações de headbangers. 

    Quando a tradicional introdução Marche Funebre – tema de Frédéric Chopin usada pelo Candlemass no ótimo álbum Nightfall (1987) – começou a rolar no som ambiente do estádio da Sociedade Esportiva Palmeiras, o líder e baixista do grupo escandinavo Leif Edling, que, diga-se, envelheceu bastante, surgiu no palco coreografando a plateia para a dramática introdução. Seus companheiros vieram em seguida e, para surpresa dos que conhecem bem a banda, fazendo parceria na guitarra com Mappe Björkman não estava Lars Johansson, mas sim o requisitado Fredrik Åkesson, ‘axeman’ do Opeth, que tem seu nome marcado também por trabalhos com Talisman, Human Clay, Ghost e, entre outros, o Krux, com que já havia tocado com o próprio Edling – completando o line up estavam os veteranos Johan Längquist (vocal) e Jan Lindh (bateria). Mesmo tendo lançado em novembro de 2022 o seu 13° álbum de estúdio, Sweet Evil Sun, o Candlemass abriu mão de músicas desse novo trabalho e priorizou os clássicos de sua carreira, começando por Mirror Mirror de Ancient Dreams (1988), seguida de Bewitched, do mencionado Nightfall.

    Apesar de o doom metal ser um tipo de som que obviamente climatiza melhor com a noite do que com o dia, o céu estava levemente nublado e o clima um pouco frio, então caiu bem para a apresentação do Candlemass. Apresentação essa que, aliás, me lembrou muito o show dos reis ingleses do gothic/doom Paradise Lost, feito sob as mesmas condições climáticas na segunda edição do próprio Monsters of Rock, realizada no longínquo ano de 1995. Ainda que muitos fãs sintam falta do figuraça Messiah Marcolin, mais emblemático de todos os vocalistas que passaram pelo Candlemass, Längquist mostrou carisma e uma voz poderosa ao vivo – podemos considerá-lo como o cantor original do Candlemass, mesmo que na época em que ele gravou Epicus… fosse tido como um mero músico contratado. E ele tirou de letra e com bom humor a entrada errada de música cometida por Björkman, guitarrista que aparentemente está uma mistura de Yngwie Malmsteen e Pepeu Gomes.

    Dando sequência ao set, o Candlemass contemplou o público com uma de seu aclamado álbum de estreia, Epicus Doomicus Metallicus (1986): a climática Under the Oak. Depois de outra de NightfallDark Are the Veils of Death, veio a que garantiu um dos melhores momentos do show, Crystal Ball, também de Epicus Doomicus Metallicus, a qual Åkesson teve grande destaque.

    A trinca final preparada pelo Candlemass foi implacável com mais uma de Nightfall, The Well of Souls, e outras duas pérolas de Epicus Doomicus MetallicusA Sorcerer’s Pledge Solitude. Saldo final, não teve uma pessoa sequer ao nosso redor que tivesse manifestado qualquer crítica negativa quanto a apresentação do Candlemass e nem reclamado a ausência do Saxon. Pelo contrário, o público reconheceu a qualidade musical e a experiência do grupo sueco e se despediu do quinteito com muitos aplausos. Ufa, deu bom! 

    Setlist Intro (Marche Funebre)
    1. Mirror Mirror
    2. Bewitched
    3. Under the Oak
    4. Dark Are the Veils of Death
    5. Crystal Ball
    6. The Well of Souls
    7. A Sorcerer’s Pledge
    8. Solitude
  • MONSTERS OF ROCK: SYMPHONY X

    MONSTERS OF ROCK: SYMPHONY X

    Em um festival com artistas clássicos dos anos 1960, 1970 e 1980, o Symphony X, oriundo da década de 1990, ganhou status de caçula. Isso e o fato de levar ao Monsters of Rock a única amostra de prog metal do dia reforçaram a minha curiosidade para ver como se sairiam Russell Allen (vocal), Michael Romeo (guitarra), Michael Pinnella (teclados), Michael LePond (baixo) e Jason Rullo (bateria). E o resultado final pode ser resumido em uma palavra: decepção.

    Não com a banda, mas por causa do som que teimou em sabotar o quinteto de Nova Jersey (EUA) desde o início da apresentação, que começou às 12h30 – aliás, faça-se o registro: o festival fez jus às suas origens em Castle Donington, na Inglaterra, e mostrou pontualidade britânica em todas sete atrações. A situação ao longo dos 40 minutos de show se tornou tão irritante que, durante “Set the World on Fire (The Lie of Lies)”, a última do set, Allen não escondeu que estava putaço e atirou o pedestal do microfone no fundo do palco.

    Symphony X
    Michael Romeo (Foto: Rafael Andrade/Roadie Crew)

    Uma pena, porque o Symphony X, sem novidades para apresentar, enxugou o repertório sem deixar de baseá-lo no disco mais recente, o ótimo “Underworld” (2015), que cedeu quatro das sete músicas, e manter o pé fincado em sua fase mais madura. De um passado mais distante, apenas “The Divine Wings of Tragedy” (1996) marcou presença, e com uma única representante, porque as duas canções restantes vieram de “Paradise Lost” (2007).

    Enfim, já na abertura, com a excelente “Nevermore”, não se ouvia a guitarra de Romeo, muito menos o baixo de LePond, e o teclado de Pinnella só se juntou à voz de Allen e à bateria de Rullo já no fim. Quando foi finalmente possível ouvir Romeo, o som saía estridente e muitas vezes falhava, enquanto o que vinha do instrumento de LePond era um som gorduroso, mas cheio de estalos que estragavam a audição de “Sea of Lies”, que muito bem poderia ter feito a alegria dos eventuais fãs das antigas.

    Symphony X
    Russell Allen (Foto: Rafael Andrade/Roadie Crew)

    Além disso, em grande parte do show, a voz de Allen soterrava os outros instrumentos – a bateria, por exemplo, ficava apenas com bumbos audíveis e um som de caixa fraquinho, fraquinho. Só não foi pior porque Allen canta demais, mas os problemas de áudio – e talvez a escalação perdida da banda no meio do cast – minaram o ânimo do vocalista, que sugeriu um público sob efeito de marijuana por estar tão apagado. Digamos que foi um bom humor ácido, mas a verdade é que foi mesmo frustrante não poder apreciar ótimas músicas como “Serpent’s Kiss”, “Kiss of Fire” e “Set the World on Fire (The Lie of Lies)” em condições normais de temperatura e pressão.

    Setlist
    1. Nevermore
    2. Serpent’s Kiss
    3. Sea of Lies
    4. Without You
    5. Kiss of Fire
    6. Run With the Devil
    7. Set the World on Fire (The Lie of Lies)

    Symphony X
    Michael Pinnella e Michael LePond (Foto: Rafael Andrade/Roadie Crew)

  • MONSTERS OF ROCK: DORO

    MONSTERS OF ROCK: DORO

    Não é lá muito comum no Brasil festivais começarem antes de o relógio virar para depois de meio-dia, e assim coube a Doro Pesch apresentar ao público tupiniquim uma tradição europeia ao abrir a sétima edição do Monsters of Rock às 11h30. E apesar do sábado ensolarado, o público obviamente ainda era tímido em tamanho nas dependências do Allianz Parque. No entanto, quem se dispôs a prestigiar o evento desde a primeira nota mostrou disposição, especialmente aqueles que estavam no gargarejo da pista VIP.

    Assim, a recepção à Rainha do Metal – porque, sim, Doro é de fato e de direito a Metal Queen – e sua banda – formada pelo brasileiro Bill Hudson e por Bas Maas (ex-After Forever) nas guitarras, Stefan Herkenhoff no baixo e o fiel escudeiro Johnny Dee (ex-Britny Fox) na bateria – acabou sendo inversamente proporcional à quantidade de fãs presentes. E com a experiência de quem entrou na cena em 1980, Doro mostrou que não é boba: jogou para a galera com um set de 40 minutos que privilegiou seus anos de Warlock.

    Doro Pesch
    Bill Hudson, Stefan Herkenhoff, Doro Pesch e Bas Maas (Foto: Rafael Andrade/Roadie Crew)

    Das dez músicas, nada menos que sete saíram dos quatro discos de estúdio de sua ex-banda. Tudo bem que a vocalista alemã é sinônimo de Warlock, mas sua longeva carreira solo poderia ter sido mais bem explorada. Afinal, não é à toa que o show terminou com “All for Metal”, de seu mais recente álbum de inéditas, “Forever Warriors” (2018), quando todos acreditavam que o fim havia chegado com o clássico “All We Are”, do último trabalho do Warlock, “Triumph and Agony” (1987).

    No entanto, e apesar de “Revenge” e “Raise Your Fist in the Air” terem sido bem recebidas, especialmente a segunda, com a plateia sob o comando da própria Doro, a maiorias dos fãs queria mesmo era ouvir o material bem mais antigo. Claro, a já mencionada “All We Are” é sempre responsável por uma festa, mas “Fight for Rock” e “Hellbound” não ficam atrás. Além disso, é sempre um prazer ouvir (e cantar) “Burning the Witches”, faixa-título do álbum de estreia do Warlock, lançado em 1984 e que deu início ao reinado de Doro.

    Doro Pesch
    Doro Pesch (Foto: Rafael Andrade/Roadie Crew)

    Aliás, é preciso destacar o carisma da alemã. Aos 58 anos, Doro parece uma criança no palco, tamanha a alegria que esbanja por estar tocando heavy metal. Se o eterno sorriso no rosto é contagiante e absolutamente sincero, é porque a paixão pelo estilo é realmente de corpo e alma. Doro vive e respira o estilo de música do qual somos todos fãs. Dá gosto de ver, e não duvido que a própria banda agite o tempo todo exatamente para tentar acompanhá-la. Foi assim desde o início, com a dobradinha “I Rule the Ruins” e “Earthshaker Rock”, e ao fim do show só dava para pensar: “É apenas heavy metal, mas eu gosto!”.

    Setlist
    1. I Rule the Ruins
    2. Earthshaker Rock
    3. Burning the Witches
    4. Fight for Rock
    5. Raise Your Fist in the Air
    6. Metal Racer
    7. Hellbound
    8. Revenge
    9. All We Are
    10. All for Metal

    Doro Pesch
    Doro Pesch (Foto: Rafael Andrade/Roadie Crew)

  • GLENN HUGHES: ‘Burn’ (Deep Purple) na íntegra no show em Belo Horizonte

    GLENN HUGHES: ‘Burn’ (Deep Purple) na íntegra no show em Belo Horizonte

    Glenn Hughes, que segue excursionando pelo mundo celebrando sua obra no Deep Purple, voltará ao Brasil na turnê em que apresenta o álbum “Burn” (1974) na íntegra, além de outros sucessos de sua passagem pela banda inglesa, que rendeu ainda os álbuns “Stormbringer” (1974) e “Come Taste the Band” (1975)”. Solid Music e Caveira Velha Produções promovem o show do dia 5 de novembro em Belo Horizonte (MG); os ingressos antecipados estão á venda pelo Clube do Ingresso. “Estou muito feliz em retornar à América Latina. É sempre incrível me apresentar pra vocês e eu mal posso esperar pra ver os sorrisos e rostos emocionados novamente. Estou trabalhando com um time incrível e é seguro dizer que será uma turnê incrível!”, comentou Glenn Hughes.

    Se existem alguns sinônimos para o que se convencionou chamar de Classic Rock, a música “Burn” é um bom exemplo. A faixa-título do álbum, gravado pelo Purple em 1973 em Montreaux (SUI), é um dos destaques do repertório, ao lado de outras composições marcantes, como “Mistreated”, “Might Just Take Your Life”, “You Fool No One”, “Lay Down, Stay Down”, além de “Sail Away”, “What’s Goin’ On Here” e a instrumental “‘A’ 200”.

    O chamado The Voice of Rock, que nasceu em 21 de agosto de 1951, em Cannock (ING), teve início na música tocando trombone na orquestra da escola, passou para a guitarra, mas se tornou baixista e vocalista. Em 1973, após passar por bandas menores e pelo Trapeze, com o qual gravou “Trapeze” (1970), “Medusa” (1970) e “You Are the Music… We’re Just the Band” (1972), recebeu o convite do guitarrista Ritchie Blackmore e do baterista Ian Paice para substituir o baixista Roger Glover no Deep Purple. Porém, acabou também dividindo o posto de vocalista ao lado de David Coverdale, que substituiu Ian Gillan na banda.

    “Se eu gosto de cantar e tocar baixo mundo afora? Isso é minha vida, amo o que faço. Minha vida é se apresentar ao vivo, sou um dos músicos que menos recusa um convite para subir ao palco”, disse Hughes certa vez à revista Roadie Crew.

    O fim do grupo, em 1976, levou Hughes a uma carreira solo que começou no ano seguinte, com o funkeado “Play Me Out”, e só foi retomada em 1992, com “Blues”, que marcou a volta do vocalista, baixista, músico e compositor totalmente livre do vício nas drogas – especialmente cocaína – que o consumiu nos anos 70 e 80. Um vício que abreviou a passagem de Hughes pelo Black Sabbath de Tony Iommi, entre 1985 e 1986.

    Prolífico, principalmente nas últimas três décadas, Hughes colocou a sua voz especial num sem-número de álbuns ao longo de 50 anos de carreira, incluindo também trabalhos com Pat Thrall, Black Country Communion, California Breed, Joe Lynn Turner, John Norum, Gary Moore, Richie Kotzen, Voodoo Hill, Phenomena e muitos, muitos outros. Um privilégio para todos nós.

    Serviço – Glenn Hughes em BH:
    Data: 5 de novembro (domingo)
    Local: Mr. Rock
    Endereço: Av. Teresa Cristina, 295 – Prado, Belo Horizonte/MG
    Ingressos online em https://www.clubedoingresso.com/evento/glennhughes-bh
    Produção: Solid Music e Caveira Velha Produções

  • REVOLUTION SAINTS lança álbum com nova formação; ouça “Eagle Flight”

    REVOLUTION SAINTS lança álbum com nova formação; ouça “Eagle Flight”

    POR ASSESSORIA 

    Revolution Saints, a banda centrada ao redor do vocalista/baterista Deen Castronovo, retornou com uma nova formação e um novo álbum, “Eagle Flight”. Castronovo se junta no Revolution Saints MK II a novos companheiros, o baixista Jeff Pilson e guitarrista Joel Hoekstra, e “Eagle Flight” é a nova declaração musical que anuncia essas chegadas.

    Revolution Saints foi inicialmente montado por Serafino Perugino, presidente e head de A&R [Artista & Repertório] da Frontiers Records, a fim de mostrar a impressionante voz de Deen Castronovo (Journey, Bad English, Hardline). Castronovo sempre foi um baterista muito respeitado, mas os fãs que notaram seus vocais de apoio ao longo de sua carreira, compareceram aos shows do Journey e o viram assumir os vocais principais em ‘Mother, Father’ durante o set da banda perceberam que ele também tinha um voz incrível. Revolution Saints sempre foi um veículo para mostrar ao mundo os incríveis talentos de canto de Deen.

    Para os três primeiros álbuns do Revolution Saints, “Revolution Saints”, “Light In The Dark” e “Rise”, Deen esteve acompanhado do baixista/vocalista Jack Blades (Night Ranger) e guitarrista Doug Aldrich (ex-Whitesnake, DIO). Produzidos por Alessandro Del Vecchio, esses três discos trouxeram de volta o clássico estilo de rock melódico que eletrizou e encantou legiões de fãs não só nos anos 80 e 90 como ainda hoje! Inspiradores vocais, melodias crescentes e ganchos cativantes são encontrados em abundância nesses três álbuns.

    Revolution Saints MK I deixou uma marca inapagável no mundo do rock melódico, porém era hora do MK II nascer. Deen, tendo recentemente voltado ao Journey, estava se sentindo revigorado, inspirado e pronto para cantar. Preencher os lugares ocupados por Blades e Aldrich não seria uma tarefa fácil, mas, felizmente, os caras certos para o trabalho foram encontrados! Joel Hoekstra é o atual membro do Whitesnake, Trans-Siberian Orchestra e Iconic, assim como do seu próprio projeto solo, Joel Hoekstra’s 13, e é um guitarrista absolutamente deslumbrante, capaz de tocar múltiplos estilos. Jeff Pilson, atualmente integrante do Foreigner, Black Swan e The End Machine, também é conhecido por seu tempo no Dokken e, claro, por seu mais recente trabalho de produção. Dois excelentes músicos complementando o canto e bateria de Deen era exatamente o que o Revolution Saints MK II precisava e é isso que temos aqui. Como nos três primeiros álbuns, Alessandro Del Vecchio cuida da produção assim como contribui nos teclados e vocais de apoio.

    Os fãs dos três primeiros lançamentos do Revolution Saints vão encontrar muito do que apreciar com o novo e rejuvenescido Rev Saints e seu mais novo álbum, “Eagle Flight”!

    Ouça o disco:

    Eagle Flight está disponível online em todas as plataformas, e em CD na Wikimetal Store.

    “Eagle Flight” tracklist: 1. Eagle Flight 2. Talking Like Strangers 3. Need Each Other 4. Kids Will Be Kids 5. I’ll Cry For You Tonight 6. Crime Of The Century 7. Set Yourself Free 8. Sacred 9. Once More 10. Save It All

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  • Está no ar o episódio #9 do BATALHA DE ÁLBUNS da Roadie Crew no YouTube; assista ao vídeo

    Está no ar o episódio #9 do BATALHA DE ÁLBUNS da Roadie Crew no YouTube; assista ao vídeo

    Já está no ar, pelo canal da Roadie Crew no YouTube, o episódio #9 do quadro Batalha de Álbuns. No Batalha de Álbuns, os comentaristas colocam três grandes discos lado a lado em disputa. Com a mesma quantidade de músicas na track list, uma a uma, na ordem, vão sendo confrontadas. O objetivo final dos apresentadores é montar um imaginário disco com a track list perfeita, formada pelas músicas vencedoras.

    No episódio #9 do Batalha de ÁlbunsRicardo BatalhaLeandro Nogueira Coppi e Daniel Dutra põem em jogo as músicas dos álbuns Highway to Hell, Back in Black Flick of the Switch do AC/DC. Assista abaixo e ao final do episódio corra no Spotify da Roadie Crew e confira a Crewlist, nossa playlist com a “Tracklist Perfeita” com o resultado dessa edição do Batalha de Álbuns.

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  • Seis motivos por que o SUMMER BREEZE será incrível

    Seis motivos por que o SUMMER BREEZE será incrível

    Se você ainda não teve a oportunidade de estar em um festival europeu, trouxemos um festival europeu até você! A contagem regressiva já começou para a edição de estreia do Summer Breeze no Brasil.

    Surgido na Alemanha, um dos maiores e mais respeitados festivais da Europa chega ao Brasil onde aproveitará para comemorar seus 25 anos de existência. O Summer Breeze acontece no próximo final de semana – sábado (29) e domingo (30) – no Memorial da América Latina, em São Paulo, e será histórico! Você não pode ficar de fora, pois o Summer Breeze receberá mais de 40 bandas do Brasil e do exterior e oferecerá experiências incríveis, nunca antes vivenciadas em um festival sul-americano. No caso de você ainda não ter se convencido a ir, a Roadie Crew te dá seis motivos para você não ficar de fora do Summer Breeze.

    LINE UP DIVERSIFICADO

    Tem para todo mundo! O Summer Breeze mesclará em quatro palcos bandas de diversos estilos da música pesada, unindo nomes consagrados, outros ainda não tão conhecidos no Brasil, alguns que farão sua estreia em solo brasileiro e também vários “pratas da casa”.

    Se sua pegada é curtir bandas já consagradas em seus respectivos gêneros, o Summer Breeze terá shows de nomes que dispensam apresentações, tais como Testament, Skid Row, Blind GuardianAvantasiaKreatorAcceptStone Temple Pilots, Grave DiggerStratovariusApocalyptica, SepulturaKrisiunNapalm DeathEvergreyProject 46Benediction, The Winery Dogs e outros; Agora, se você é daqueles que adoram garimpar novas bandas ou aquelas não tão novas mas que ainda não são muito familiares ou que nunca tocaram no Brasil, terá várias opções, como a sensação do momento na Austrália e na Europa Parkway Drive, o músico francês de synthwave Perturbator, que começou tocando guitarra em bandas de black metal e desde 2012 produz música eletrônica inspirada na cultura cyberpunk e em filmes como AkiraGhost in the Shell The Running Man, os mestres suecos do melodic hard rock do H.E.A.T., e muito, muito mais. Agora, se você também apoia o metal nacional e quer ver bandas tupiniquins em um festival dessa magnitude, terá no menu shows de Tuatha De DanannSinistraBittencourt ProjectBrutal Brega (projeto de João Gordo do Ratos de Porão), Crypta, os mencionados SepulturaProject46 e Krisiun, além do estreante Electric Gypsy, vencedor do concurso “New Blood”, e membros do ShamanViper Angra prestando homenagem ao saudoso maestro do rock Andre Matos.

    GASTRONOMIA TÍPICA

    Está cansado de ir a festivais e matar a fome apenas com os tradicionais e simplórios hot dogs? Então prepare-se para uma culinária diversa e para saborear pratos típicos da Alemanha, país de origem do Summer Breeze!

    CULTURA GEEK E ARTE DE RUA

    Se você acha que o Summer Breeze é só mais um festival de música pesada, engana-se! Cultura geek e arte de rua também são bem-vindas e marcarão presença! No Summer Breeze você poderá liberar seu lado ‘nerd’ e se divertir na feira de games e comics com as novidades do mercado. Agora, se seu perfil é mais radical, dê um rolê na Feira de Cultura Urbana e Tattoo e curta também as instalações artísticas.

    CRIANÇAS TAMBÉM TÊM VEZ NO SUMMER BREEZE

    No Summer Breeze, papais e mamães curtem boa música enquanto os pequenos roqueirinhos gastam energia no Espaço Kids com brinquedos e monitores treinados.

    VOCÊ PERTINHO DE SEU ÍDOLO

    Sabe quando você está curtindo um grande festival e a distância que o separa do palco lhe faz sonhar em ver seu ídolo de perto? Assim como acontece nesse e em outros festivais na Europa, o Summer Breeze lhe possibilitará realizar seu sonho de estar próximo de seus ídolos em sessões de autógrafos que irão rolar com as bandas.

    PALESTRAS E VÍDEO PREMIÈRE

    Além de ver os shows de suas bandas preferidas do evento, o Summer Breeze também promoverá workshops e palestras de ninguém menos do que Bruce Dickinson (Iron Maiden) no sábado e de Simone Simons (Epica) no domingo – ótima oportunidade para quem está começando a carreira de músico. Com exclusividade, o Summer Breeze também promoverá a estreia do 2° episódio do documentário “Andre Matos – O Maestro do Rock”.

    PENSA QUE ACABOU? 

    Fala a verdade, esses seis motivos para você não perder o Summer Breeze são ou não são tentadores? Mas pensa que acabou? Engana-se novamente! Além de tudo isso, o Summer Breeze oferece ainda Lounges Premium com todos os amenities e comodidades, lojas com diversos produtos do universo rock, merchandising variado do festival e das bandas participantes, várias ativações iradas de patrocinadores e também área de descanso com muita sombra e água fresca. Mas calma que não acabou! Além de todos os shows que você poderá curtir no Memorial da América Latina, shows paralelos acontecerão na Audio após o Summer Breeze.

    Ufa… Ufa nada! Tem muito mais atrativos esperando por você nos próximos sábado e domingo no Summer Breeze. Está aí um festival que ficará marcado para sempre na história da música pesada no Brasil! 

    Nos vemos lá? Então corra e adquira agora mesmo o seu ingresso em https://www.ticket360.com.br/summerbreeze

    SERVIÇO

    SUMMER BREEZE BRASIL – 1ª EDIÇÃO

    Data: 29 e 30 de abril de 2023

    Local: Memorial da América Latina

    Endereço: Av. Mário de Andrade, 664 – Barra Funda, São Paulo

    Horário: 10h (abertura dos portões); 11h (início dos shows)

    Acesso a pessoas com deficiência Classificação etária: 16 Anos – Menores de 16 Anos somente acompanhado dos pais ou responsável legal.

    Vendas online: www.ticket360.com.br

    Ponto Físico de venda sem taxa de contribuintes: Bilheteria360

    Avenida Francisco Matarazzo, 694 – Água Branca, São Paulo – SP, 05001-100

    – Considerando a segurança dos consumidores, não serão admitidos objetos tais como:

    ●       garrafas de plástico com tampa;

    ●       garrafas de plástico sem tampa;

    ●       garrafas de vidro;

    ●       embalagens rígidas e com tampa (exemplo: potes de plásticos do tipo “tupperware”);

    ●       latas;

    ●       capacetes;

    ●       armas de fogo ou armas brancas de qualquer tipo;

    ●       cadeiras/banquinhos;

    ●       guarda-chuvas;

    ●       objetos pontiagudos;

    ●       objetos perfurantes ou cortantes (tesoura, estiletes, pinças, cortadores de unha);

    ●       fogos de artifício, dispositivos explosivos, sinalizadores e dispositivos incendiários de qualquer espécie;

    ●       Objetos de vidro, plástico ou metal (perfume, cosméticos, inclusive desodorantes de qualquer tipo, pasta ou escova de dente);

    ●       Bebidas (em qualquer tipo de recipiente);

    ●       Skate, bicicleta ou qualquer tipo de veículo motorizado ou não;

    ●       bandeiras, faixas ou cartazes contendo mensagens ou símbolos com ações comerciais;

    ●       bandeiras, faixas ou cartazes de qualquer tamanho material, natureza, com qualquer tipo de mensagem e qualquer um;

    ●       objetos de vidro, plástico ou metal (perfumes, cosméticos, inclusive desodorantes de qualquer tipo, pasta ou escova de dente);

    ●       bastão de selfie (extensor para tirar autorretrato);

    ●       tripés ou qualquer tipo de acessório para câmeras, como sticks de iluminação, etc.

    ●       itens que podem ser utilizados para marketing de emboscada

    ●       substâncias venenosas e/ou tóxicas, drogas ilegais;

    ●       máquinas fotográficas e filmadoras profissionais, além de drones de qualquer tipo;

    ●       malas de viagem, banners, panfletos, cartazes grandes e ponteiros laser.

    ●       Qualquer um que seja qualificado para a lista de eventos, segurança e prejuízo do público, objetos, colaboradores, fornecedores, etc.

    – Não será permitido o acesso com alimentos e bebidas que representem intuito de promoção ou que possam representar riscos à segurança. No entanto, será considerado um limite de até 03 (três) itens por, dando-se preferência a:

     (a) alimentos industrializados devidamente lacrados (exemplos: biscoitos, torradas, barras de cereais etc.);

    (b) frutas cortadas e acondicionadas em embalagem transparente e não rígida, do tipo “Zip Lock”; e

    (c) pacotes acondicionados em embalagem transparente e não rígida, do tipo “Zip Lock”.

    (d) garrafas plásticas sem tampa somente com água. Haverá pontos de abastecimento de água filtrado, gratuitos em todo o festival.

    Qualquer quantidade que exceder este limite poderá ser descartada na entrada do evento.

    Guia completo com todos os termos e condições pode ser encontrado no site:

    https://summerbreezebrasil.com/termos-e-condicoes-2/

      Como chegar: Ônibus Através das linhas 175P-10, 178A-10, 208M-10, 748R-10, 8615-10, 875P-10 Metrô O Memorial tem uma saída da Estação Barra Funda dentro de suas instalações. A Estação Barra Funda fica na Linha 3 do Metrô. Trem Através da Linha 8 – serviço 710 Serviços de Aplicativo Todos os principais serviços de aplicativo de transporte atendem a região como Uber, 99 taxi, etc. Carro ou Moto Principais vias de acesso ao local são Avenida Mário de Andrade e Rua Tagipuru. Não há estacionamento no local, mas a região conta com diversos parques de estacionamento privados. A organização do Summer Breeze encoraja os fãs do festival a utilizarem, sempre que possível, o transporte público ou privado coletivo.
    Summer Breeze 2019
  • BRUCE DICKINSON – Rio de Janeiro (RJ)

    BRUCE DICKINSON – Rio de Janeiro (RJ)

    Uma noite para guardar na memória. E guardar com carinho, afinal, não é toda hora que se tem a oportunidade de ouvir clássicos de uma das maiores bandas da história do rock, o Deep Purple, na voz de um dos melhores vocalistas da história do heavy metal, Bruce Dickinson (Iron Maiden), e na companhia de uma orquestra com 40 integrantes. E se “Concerto for Group and Orchestra” (1969) – curiosamente, a estreia de Ian Gillan e Roger Glover no quinteto inglês – talvez seja o álbum do Purple menos revisitado pelos fãs, a experiência de ouvir tudo isso ao vivo ajudou a reforçar ainda mais a genialidade do saudoso Jon Lord.

    A turnê Concerto for Group and Orchestra and the Music of Deep Purple trouxe ao Rio de Janeiro – felizmente, já que a cidade vem sendo gradativamente largado às traças – trouxe Dickinson ao lado de uma baita banda – Kaiter Z Doka (guitarrista que acompanhava Jon Lord), Tanya O’Callaghan (baixo, Whitesnake), John O’Hara (teclado, Jethro Tull) e Bernard Welz (bateria, Jon Lord, Don Airey) – e a orquestra regida pelo maestro Paul Mann, cujos trabalhos incluem London Symphony Orchestra e Royal Philharmonic Orchestra, entre outras.

    Bruce Dickinson
    Visão geral do palco do Concerto for Group and Orchestra and the Music of Deep Purple (Foto: Daniel Croce/Roadie Crew)

    A orquestra formada por brasileiros “não tem nome. Nós achamos esses músicos na rua, então vamos chamá-los de ‘nameless ones’”, brincou o vocalista, antes de explicar o conceito da obra composta por Lord há mais de 40 anos. E foi assim que começou “Concerto for Group and Orchestra, First Movement: Moderato – Allegro”, em que orquestra e banda, oriundas de mundos musicais díspares, se estranham e acabam entrando numa competição por espaço de destaque. E foi lindo testemunhar, especialmente, o esmero com a obra de Lord, que estava anos-luz à frente do tempo ao juntar rock e erudito no fim dos anos 1960.

    O tom melancólico e, como Dickinson fez questão ressaltar no início, triste de “Concerto for Group and Orchestra, Second Movement: Andante” marcou o momento de transição para banda e orquestra, trazendo o vocalista de volta ao palco para o único momento não instrumental da suíte – e cantando a letra que Gillan escreveu menos de 24 horas antes de o Purple se apresentar com a Royal Philharmonic Orchestra no Royal Albert Hall, em Londres, no já distante dia 24 de setembro de 1969.

    Bruce Dickinson
    Bernard Welz, Tanya O’Callaghan, Paul Mann, Bruce Dickinson, John O’Hara e Kaiter Z Doka (Foto: Daniel Croce/Roadie Crew)

    E o vocalista mostrou que mesmo um palco tomado por uma orquestra e outros quatro instrumentistas não é suficiente para controlar sua hiperatividade: encenou, gesticulou, mexeu com a plateia e fez caras e bocas sempre que não estava com o microfone em mãos. Mas o vazio deixado por Dickinson foi bem preenchido em “Concerto for Group and Orchestra, Third Movement: Vivace – Presto”. A parte final é a simbiose entre grupo e orquestra, que se tornaram uma única entidade para encerrar um espetáculo aplaudido de pé pelos presentes. Sim, emocionante.

    Depois de 15 minutos de intervalo, era hora da parte “Music of Deep Purple” da noite. Ou quase. Como o cantor não era um qualquer, houve espaço para a sua carreira solo, e com um início arrasador. A fusão de banda e orquestra em “Tears of the Dragon” foi de arrancar lágrimas. Não bastasse Dickinson ter cantado uma barbaridade, os arranjos fizeram com que a música – presente em “Balls to Picasso” (1994) e seu maior sucesso individual – se apresentasse numa versão imbatível. O Hammond comandando a parte reggae ficou incrível, por exemplo.

    Bruce Dickinson
    Bruce Dickinson em de seus inúmeros momentos teatrais (Foto: Daniel Croce/Roadie Crew)

    O coro “Olê, olê, olê! Brucê, Brucê!” ecoou com força na casa, e Dickinson, mesmo agradecido, respondeu com um “devo dizer que há 40 membros na orquestra e quatro integrantes da banda no palco”. Justo, porque sem eles “Jerusalem”, da obra-prima “The Chemical Wedding” (1998), teria sido mais do mesmo. E graças principalmente à orquestra, diga-se, porque foi ela quem amplificou uma canção que já nasceu pronta para receber arranjos ainda mais grandiosos de cordas e afins.

    Ok, agora sim era hora da música do Deep Purple, com seis atos que privilegiaram o genial, absoluto e obrigatório “Machine Head” (1972). A começar por “Pictures of Home”, introduzida pelo humor britânico de Dickinson: “Imagine que você está bêbado depois de tomar algumas cervejas do Iron Maiden produzidas pela Bodebrown… Isso significa que você tem dinheiro, porque elas são caras, mas acontece que você está bêbado no Corcovado, ou em qualquer outra montanha, e está escuro. O seu celular não tem sinal. Também está frio, porque neva no Rio de Janeiro, e você percebe que está perdido. É hora de sussurrar imagens do lar”.

    Bruce Dickinson
    Bruce Dickinson (Foto: Daniel Croce/Roadie Crew)

    Doka e Welz já haviam ido respeitosamente um pouco além de Ritchie Blackmore e Ian Paice na primeira parte do show, e O’Hara brilhou do início ao fim, a bem da verdade, mas a partir daí a banda definitivamente deixou de lado o papel de coadjuvante. E isso ajudou Tanya em especial, uma vez que a baixista, além do bom gosto (que timbre bonito!), esbanjou empolgação e sinceridade ao mostrar que estava mesmo curtindo o que tocava. Sentimento que aflorou na lindíssima “When a Blind Man Cries”, depois de Dickinson ameaçar uma “música de cabaré do Tom Jones” e desistir por um “blues de todas as noites em Londres”.

    “Hush” – canção de Joe South que o Purple tomou para si com propriedade em “Shades of Deep Purple” (1968) e, principalmente, com a versão presente em “Nobody’s Perfect” (1988) – e “Perfect Strangers” – do homônimo álbum da volta, em 1984 – colocaram mais lenha na fogueira que era a animação do público, ora cantando, ora fazendo corinho. Poderia ter acabado assim que todo mundo iria feliz para casa, mas teve o bis. E que bis.

    Bruce Dickinson
    O maestro Paul Mann e o tecladista John O’Hara (Foto: Daniel Croce/Roadie Crew)

    Dickinson nunca escondeu que Gillan sempre foi seu vocalista favorito, mas, fã confesso do Purple, havia espaço para David Coverdale e Glenn Hughes no repertório, e “Burn” fez a casa cair. Não literalmente, claro, mas a ponto de fazer uma integrante da seção percussiva da orquestra, no fundo do palco, se acabar de tanto dançar, digamos assim, porque a faixa-título do disco de 1974 não é exatamente uma música para dançar. Ainda assim, ela acabou contagiando os colegas ao lado, que também passaram a aproveitar cada segundo da experiência de um show de rock.

    O fim de fato era óbvio até para quem não havia resistido à curiosidade de pesquisar qual seria o repertório. E como uma batuta entregue por Mann, Dickinson regeu a plateia em “Smoke on the Water”, aquela música cujo riff de guitarra era o único que Jake Harper sabia tocar na série “Two and Half Men”. Isso diz muito sobre um dos maiores clássicos da música em todos os tempos. A catarse foi inevitável – nem precisava de um dos raros “Scream for me, Rio” que Dickinson soltou durante a noite, apesar de ter feito a alegria dos pentelhos que passaram o espetáculo gritando –, e os sorrisos nos rostos foram a melhor resposta do público.

    Bruce Dickinson
    A baixista Tanya O’Callaghan (Foto: Daniel Croce/Roadie Crew)

    Setlist

    1. Concerto for Group and Orchestra, First Movement: Moderato – Allegro
    2. Concerto for Group and Orchestra, Second Movement: Andante
    3. Concerto for Group and Orchestra, Third Movement: Vivace – Presto
    Intervalo
    4. Tears of the Dragon
    5. Jerusalem
    6. Pictures of Home
    7. When a Blind Man Cries
    8. Hush
    9. Perfect Strangers
    Bis
    10. Burn
    11. Smoke on the Water

    O guitarrista Kaiter Z Doka (Foto: Daniel Croce/Roadie Crew)

     

    Bruce Dickinson
    O batera Bernard Welz (Foto: Daniel Croce/Roadie Crew)

  • OSTROGOTH se apresentará pela primeira vez no Brasil em setembro

    OSTROGOTH se apresentará pela primeira vez no Brasil em setembro

    A Caveira Velha Produções será responsável pela única apresentação da tradicional banda belga de heavy metal, Ostrogoth, no Brasil. O evento, agendado para 13 de setembro no Legends Music & Bar, em São Paulo, ainda contará com a presença do Creatures, Gravedancer e Rider,

    Não é surpresa ver James Hetfield (Metallica) usando a camiseta do Ostrogoth. Assim como ele, muitos fãs de metal sabem que a cena belga dos anos 80 revelou grandes nomes, como Acid, Crossfire, Warhead, Killer, Cyclone e o Ostrogoth, criado em meados de 1979 na cidade de Gante. Além do fundador e baterista Mario Pauwels, o grupo atualmente traz Josey Hindrix (vocal), Fré Ost e Bram Engelen (guitarras) e Gerry Krenryg (baixo). O primeiro registro da discografia, que traz os clássicos “Ecstasy and Danger” (1984), “Too Hot”(1985) e “Feelings Of Fury” (1987), veio há exatos 40 anos, com o EP “Full Moon’s Eyes”. Na época, a banda se apresentou na primeira edição do “Heavy Sound Festival”, realizado na cidade de Bruges em maio de 1983 e que contou com Golden Earring, Killer, Anvil, Uriah Heep, Gary Moore e Baron Rojo. No repertório do show, faixas como “Queen of Desire”, “Ecstasy and Danger”, “A Bitch Again”, “Scream Out”, “Lords of Thunder”, “The New Generation”, “Do It Right”, “Too Hot”, “Full Moon’s Eyes” e outras.

    Aberturas
    O trio paulistano Gravedancer, formado em 2020, apresenta um som influenciado por Venom, Piledriver, Bulldozer e Celtic Frost. Após as demo-tapes “Ripping Metal” (2021) e “Unholy Bond” (2021), ambas lançadas pela Helldprod Records (Portugal), e do split “Salvete Infernum” (c/ Sanguinário, 2021), o grupo prepara o álbum de estreia, “The First Rite”.

    Já o Rider, que conta com César Caçador (vocal), Luke D. Couto e Caio Egds (guitarras), Klébio Moura (baixo) e Alan Caçador (bateria), surgiu em 2011 na cidade de Osasco (SP) e pratica um som com fortes influências do heavy metal tradicional dos anos 80, especialmente de nomes como Iron Maiden, Saxon e Tokyo Blade. O grupo, que tem em sua discografia o EP “Streets of Nowhere” (2013) e atualmente promove “Midnight Line” (2020), já se apresentou ao lado de bandas como Exciter, Skull Fist, Steelwing, entre outras.

    Vindo de Curitiba (PR), o Creatures foi criado em 2019 pelo guitarrista Mateus Cantaleäno, objetivando praticar um som que mescla hard rock com o heavy metal clássico. Além da parte musical, a banda, que promove o álbum “Creatures” (2021), também se preocupa com a estética e identidade visual em suas artes, vídeos e figurinos, com referências aos anos 70 e 80. Ao vivo, ao lado de Cantaleäno estão Marc Brito (vocal), Luke Couto (baixo) e Sidnei Dubiella (bateria).

    Serviço – Ostrogoth:
    Atrações: Ostrogoth, Creatures, Gravedancer e Rider
    Data: 13 de setembro (quarta-feira)
    Horário: a partir das 18h
    Local: Legends Music & Bar
    Endereço: Rua Inácio Pereira da Rocha 367 – Vila Madalena
    Ingressos: https://www.clubedoingresso.com/evento/ostrogoth-sp