Já está no ar, pelo canal da Roadie Crew no YouTube, mais um episódio do programa “Ranking Crew”. Neste 24° episódio, os apresentadores RicardoBatalha, Daniel Dutra e Leandro Nogueira Coppi, listam seus álbuns favoritos e comentam a discografia do Europe, nome de maior sucesso do hard rock sueco na história.
Assista, comente, concorde ou discorde e escreva o seu ranking pessoal do Europenos comentários do vídeo abaixo! Estamos aqui para nos divertir e reviver grandes álbuns da nossa cena.
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Para aqueles que começaram a curtir a sonoridade típica do metal underground por volta da virada para os anos 2000, o multi-instrumentista estadunidense Joel Grind muito rapidamente se tornou uma espécie de referência. Afinal, ele vinha atuando em vários projetos musicais diferentes, todos focados no lado mais brutal da mistura metal/punk, e sempre com qualidade inquestionável, o que tornava difícil não apreciar o seu trabalho. Vale destacar que, desde os primeiros dias, tanto Joel quanto os fãs pareciam perceber que o Toxic Holocaust seria o projeto principal, aquele ao qual o músico dedicaria o maior tempo e as melhores ideias. Essa impressão começou a se confirmar quando, em 2003, o Toxic Holocaust lançou seu álbum de estreia, Evil Never Dies. Lançado através do pequeno selo alemão Witches Brew (que conta hoje com bandas como Insulter, Fyrecross e Morphetic em seu cast), os pouco mais de trinta minutos de música violenta ali contidos cativaram um bom público ao redor do mundo, e causaram alvoroço instantâneo no undergroud. Antes admirado pelos novos fãs, Joel aos poucos se transformava em ícone mesmo entre seus velhos ídolos e admiradores antigos da música brutal, o que foi se confirmando a cada novo lançamento. Conversamos com Joel sobre o passar dos anos e o mais recente trabalho de estúdio, Primal Future: 2019.
Para começar, gostaria de dizer que aprecio muito a maneira como tem trabalhado sua música com o Toxic Holocaust. Especialmente desde que iniciou a segunda década, sinto que trabalhou elementos diferentes em cada álbum, mas sempre mantendo um núcleo bastante coeso.
Joel Grind: Muito obrigado! Bem, desde que comecei o Toxic Holocaust, sempre tive a ideia de que essa banda seria coisa minha, um projeto solo, por assim dizer, já que sabia que sempre permaneceria com a banda. Certo, com isso vale dizer que sempre tive uma visão muito clara daquilo que queria alcançar com a minha música. Eu tinha minhas bandas favoritas, conhecia muito bem a minha sonoridade favorita, basicamente eu sabia como as músicas deveriam ser e como a produção deveria soar, tudo parecia muito claro na minha cabeça desde o começo. Mas, a verdade é que as coisas começam a mudar conforme os anos passam. Veja, o Toxic Holocaust foi criado como meu projeto solo, mas ao longo dos anos fui conhecendo muitos outros músicos com quem trabalhei em estúdio, com quem dividi os palcos. Com o passar dos anos, quer dizer, depois de passar tantos anos tocando esse tipo de música, a influência dessas pessoas que você conhece ao longo do caminho acaba transformando aquela sua visão inicial. Claro que não é uma mudança drástica, afinal de contas todos nós sempre estávamos interessados basicamente no mesmo tipo de som, mas pessoas diferentes trazem referências diferentes, então isso acaba te transformando aos poucos, e acho que é por isso que você pode sentir essa diferença ao longo dos anos. Quanto ao núcleo em comum, é porque sempre serei eu tocando, sempre estarei lá como força motriz do Toxic Holocaust, então certas coisas jamais mudarão.
Bom, para começarmos a falar sobre essas ‘mudanças’ ao longo dos anos, voltaremos até 2011, quando saiu Conjure And Command. Além da capa diferente, em preto e branco, sinto que naquele disco você incorporou mais elementos do black metal dos anos 80 do que havia em An Overdose of Death… (2008) e Hell On Earth (2005).
Joel: Sim, eu diria que você está absolutamente certo quanto a isso. Veja, eu sempre declarei que algumas das minhas principais referências quanto a música que queria fazer com o Toxic Holocaust eram Venom e Bathory, que são o melhor do black metal dos anos 80. Claro, eu também amo aqueles primeiros registros do Sodom e tantas outras coisas, então acho que mais cedo ou mais tarde essas referências apareceriam de forma mais clara na minha música, e foi justamente isso que aconteceu quando trabalhei em Conjure And Command.
Primal Future: 2019 – eOne/Hellion – NAC
Lembro que na época algumas pessoas até estranharam isso, mas não é como se fosse algo totalmente novo na sua música.
Joel: É verdade, eu lembro disso também. Mas é como você disse, não era algo novo para mim, eu amo esse tipo de música, e já havia declarado isso muitas vezes. Além disso, não é como se fosse a primeira vez que alguns elementos de black metal apareciam no Toxic Holocaust, acho que só foi a vez em que eles apareceram mais claramente. Ainda sinto que aquele foi um momento importante na história dessa banda, e um passo importante para mostrar nossa música.
Depois disso, sinto que Chemistry of Consciousness (2013) foi um álbum bem mais focado no velho e bom crossover thrash.
Joel: Novamente, tenho que concordar. Inclusive, acho que foi nele que encontrei o ápice daquela forma mais caótica e direta do Toxic Holocaust. Não lembro se tem alguma música que ultrapasse os três minutos naquele disco…
Tem apenas uma, Rat Eater, mas ela não alcança os quatro minutos.
Joel: É verdade. Então veja, é isso que digo, naquele álbum alcançamos o nosso melhor nessa fórmula mais direta, músicas curtas e brutais, bem crossover mesmo. Claro que Conjure And Command tem muito disso também, os primeiros registros e até mesmo esse novo também trazem essa característica, mas sinto que Chemistry of Consciousness levou essa fórmula à um novo patamar.
Agora sou eu quem precisa concordar com você.
Joel: Isso é bom, isso significa que estamos na mesma página naquilo que se refere à música (risos).
Quanto ao novo álbum, a primeira grande mudança é que ele é o primeiro após muito tempo fora da Relapse Records, certo?
Joel: Sim, minha parceria com a Relapse durou até Chemistry of Consciousness, então, quando finalmente comecei a pensar em um novo disco, sabia que precisaria encontrar um novo selo para lançá-lo.
Você sente que isso, de alguma maneira, influenciou a maneira como trabalhou nas novas músicas?
Joel: Talvez, não sei dizer ao certo, mas talvez a consciência de que um ciclo havia se fechado tenha corroborado de alguma forma na minha vontade de fazer algo diferente dessa vez. A verdade é que desde o primeiro momento, desde que comecei a trabalhar nos primeiros riffs para Primal Future: 2019 já sabia que queria fazer algo diferente dos seus antecessores. Então, sinto que o novo álbum foi algo de voltar às raízes, uma sensação despertada pelo fato de, depois de tantos anos, não ter uma gravadora, estar no 20º aniversário e querer voltar para o jeito que comecei, quanto estava trabalhando como em um projeto solo.
Imagino que os velhos fãs até esperavam que algo assim fosse acontecer em algum momento.
Joel: De fato, eles estavam esperando por isso, e até pedindo. A verdade é que desde que fiz The Yellowgoat Sessions (N.R: álbum solo lançado em 2013), eu sempre era questionado pelos fãs, perguntando ‘quando você vai fazer um solo do Toxic Holocaust de novo?’. Então, aqui estamos nós.
Uma das coisas que mais curto nesse novo registro é que soa como um disco mais ‘crust’ em certos momentos, e digo isso quanto às estruturas musicais.
Joel: Entendo o que você quer dizer, e novamente preciso concordar. Veja, uma das bandas que mais amo é o Discharge. Aqueles caras simplesmente lançaram as bases de como a música brutal deveria soar, o d-beat, os vocais, os riffs, tudo em um ambiente caótico e uma produção apenas boa o suficiente para ouvir cada elemento. É muito difícil conseguir algo como o Discharge, Venom, Sodom e Bathory conseguiram nos anos 80, sonoramente falando, pois, todo mundo usa novos equipamentos nos estúdios de gravação, mas ainda podemos acessar aquela energia na composição, e foi justamente esse caminho que tentei seguir neste novo álbum.
A despeito disso que falamos, a faixa de fechamento, Cybernetic War é bem na cola do hard’n’heavy dos anos 80, não acha?
Joel: Nossa, se você me falasse isso há uns dez anos atrás, eu te odiaria do fundo do meu coração (risos gerais). Você sabe, quando somos muito jovens, isso pode soar como uma ofensa (risos). Mas, você está certo mais uma vez, essa música tem aquela vibração do hard rock dos anos 80 com algo de metal clássico do mesmo período, e tenho que te dizer que isso foi intencional. Eu queria que o ouvinte tivesse aquela sensação de estar em uma máquina do tempo, assistindo a um daqueles filmes de ficção científica dos anos 80, mas com uma trilha sonora melhor (risos). Sei lá, como se eu tivesse escrito uma música para o Blade Runner original (N.R: filme de 1982, dirigido por Ridley Scott), ou algo assim.
Agora que você mencionou, senti ‘vibrações oitentistas’ na arte da capa. Ela me fez pensar em coisas como luzes de neon e partidas de ‘laser tag’, por exemplo.
Joel: Bem, acho que faz muito sentido. Essa dicotomia, ou esse contraste entre o futuro e o passado é algo que queria explorar nesse álbum. Você sabe, nos anos 80 existia um clima muito estranho no ar, as pessoas tentavam viver sua vida com alegria e leveza, os filmes no cinema indicavam uma época feliz e cortês, e ao mesmo tempo, estávamos preocupados com o dia em que uma bomba nuclear cairia dos céus sobre as nossas cabeças. Existia o medo de uma guerra química ou biológica, de um acidente radioativo, enfim, era um cenário abastecido por luzes de neon que burlavam o nosso cérebro e vendiam certa alienação, enquanto tentávamos lidar com o medo do dia a dia. Enfim, nada muito diferente do que vivemos hoje. Acho que o artista (N.R: Steve Crisp, que já trabalhou com Benediction e Righteous Pigs, entre outros) trabalhou muito bem nessa ideia.
Apesar disso, você não diria que este é um álbum conceitual, certo?
Joel: Pois é, eu não diria que é um álbum conceitual porque uma música não está diretamente conectada a outra, sabe? Tipo, não é como se existisse uma narrativa sendo desenvolvida capítulo por capítulo em cada canção, então não acho que seja certo dizer que é um álbum conceitual. Porém, existe um tema central que percorre várias canções, que é esse espelho do passado, presente e futuro sob um aspecto da ficção científica, essa coisa do homem sempre desenvolver novas tecnologias para controlar e subjugar o próprio homem. No passado, temíamos a época que vivíamos, e temíamos o futuro que teríamos. Hoje, não é diferente, mas vejo que inevitavelmente estamos rumando para o futuro que não queremos. As armas químicas continuam sendo usadas de forma nem tão velada assim, a radiação ainda é uma ameaça, os vírus ainda podem ser usados como armas, e criamos a guerra cibernética, ou seja, não eliminamos nenhum risco e ainda criamos novas ameaças. É meio que essa visão que norteou meu pensamento nesse novo álbum.
Na vida, nem tudo pode ser sempre levado a sério. Às vezes é necessária uma boa dose de bom humor para seguir adiante, caso contrário, fica muito difícil se manter de pé. Pensando assim, o projeto internacional Warkings surgiu, em 2018. Aqui, a música é a única coisa levada à sério, já que todo o conceito da banda, do apelo lírico à imagem, tudo foi trabalhado com muito bom humor. O conceito é básico: Quatro antigos guerreiros, desencarnados em épocas e lugares diferentes, se reuniram para tocar heavy metal. Juntos no Warkings, estão o Viking (The Viking, baixo), o Tribuno Romano (The Tribune, vocal), o Espartano (The Spartan, bateria) e o Cruzado (The Crusader, guitarra). Nem eles mesmos sabem a razão de saberem tocar, mas aí estão, em turnês e lançando discos, como convém aos personagens que encarnam nos palcos. E é praticamente impossível tirá-los do personagem, como revela essa bem-humorada conversa com The Viking, que como um bom guerreiro lendário (desencarnado) nórdico, nos forneceu os detalhes desse interessante projeto que une músicos da Alemanha, Suíça e Áustria.
Certo, não é todo dia que temos a chance de conversar com uma banda formada por lendários guerreiros desencarnados, então, acho que temos um bocado de História para cobrir aqui, certo?
The Viking: Ah, pode ter certeza disso. Embora ainda tenha sido apenas em 2018 que possuímos esses corpos frágeis para encarnar nossa música, há toda uma existência para ser coberta nessa conversa, então, por onde devo começar?
Como foi a formação da banda?
The Viking: Foi naturalmente confusa, como você pode imaginar (risos). Digamos que não éramos exatamente o tipo de cidadãos que gostar de perambular por aí e fazer amigos. Tirando talvez o tribuno (N.R: The Tribune, o vocalista), pois, você sabe, ele é mais um político do que qualquer outra coisa (risos), então ele não será necessariamente seu amigo, mas estará cheio de sorrisinhos e gentilezas enquanto planeja cravar uma adaga nas suas costas.
“Até tu, Tributus”?
The Viking: Pois é, você pegou o espírito (risos gerais). Mas veja, nós éramos todos guerreiros lendários. Vivemos em diferentes eras históricas, nascemos e travamos nossas batalhas em diferentes lugares do mundo. Um dia, eventualmente, morremos com a mesma bravura com a qual vivemos. Eu, claro, fui recebido com honras e cerveja no Valhalla, e os outros estavam no Paraíso, no Elísio ou qualquer coisa que o valha, são muitos nomes confusos com esses caras (risos). Bem, após muito beber e lutar, ou, no caso do Crusader (N.R: guitarrista), após muito beber suquinho de uva e tocar arpa para os anjinhos (risos gerais), acabamos nos encontrando em um desses salões do além-vida. O nosso primeiro impulso foi, claro, sentar a porrada um no outro até não poder mais, porém, o Tribune nos convenceu que conversar poderia ser um bom caminho. Eu concordei, desde que tivesse cerveja, e então começamos a nos entender. Cada um de nós contou as suas histórias, e vimos que todos tínhamos lutado duras batalhas e ostentado vidas honradas em nossas épocas, e embora não diga isso com orgulho algum, fui capaz de reconhecer a bravura daqueles homens. Assim, decidimos que talvez fosse uma boa ideia nos unirmos para contar essas histórias para os fãs de heavy metal, pois não existem pessoas mais valorosas e bravas no mundo atual do que os fãs de metal.
Morgana – Napalm Records – IMP
Parece uma boa ideia.
The Viking: Acho que sim, pois no fim das contas existiam tantas boas histórias para contar! Travamos tantas batalhas durante nossa vida, e que maneira poderia ser melhor para contar essas histórias do que o metal, que é épico, pesado, intenso, poderoso… Era tudo o que precisávamos, sinceramente. Então, colocamos as nossas diferenças de lado em nome das histórias e da música, e começamos com o Warkings. E foi isso, começamos em 2018, e não aconteceu nada antes, estávamos mortos por vários séculos (risos).
O que tornou o power metal a plataforma perfeita para contar essas histórias?
The Viking: Acho que não existe nenhuma boa história que não possa ser narrada com uma boa música power metal rolando ao fundo. Você sabe, o equilíbrio perfeito das melodias cativantes do hard com o peso do heavy metal, a possibilidade de passar de um ambiente musical totalmente intenso e rápido para uma parte cadenciada e intencionalmente épica, acho que esse gênero musical é o que melhro apresenta todos esses elementos para uma banda como nós. Podemos partir de uma canção mais vigorosa e rápida sobre uma antiga batalha repleta de violência e sangue para uma balada que versa sobre a saudade que o guerreiro tem da sua casa e da sua família, e tudo isso soa natural, sem parecer forçado nem de um lado e nem do outro. Quando se trata de contar histórias, o power metal é a melhor plataforma, não tenho dúvida.
Bem, não deixa de ser bastante fortuito lançar seus álbuns justamente em uma época em que o power metal está novamente chamando atenção no cenário, com várias novas bandas aparecendo, além de tantas clássicas que permanecem ativas.
The Viking: É verdade. E posso afirmar com toda certeza que todos nós somos grandes fãs de power metal, é o estilo que mais ouvimos. Veja, nosso guitarrista é absolutamente incrível, sei que ele poderia tocar qualquer tipo de música em qualquer banda que quisesse, mas ele escolheu tocar power metal porque ama o estilo, e sinto que isso é verdade para todos nós. Além disso, nunca fizemos promessas, apenas entregamos aquilo que de melhor conseguimos produzir. Tentamos soas únicos e originais, tentamos chamar a atenção das pessoas com a nossa música sem copiar ninguém, mas é como você disse, existem tantas boas bandas novas além de tantas ótimas bandas do passado, é difícil. Então, acho que a melhor maneira de criar a nossa música com uma cara própria é justamente não se policiar demais sobre isso, simplesmente deixar fluir. Pegamos um bom momento no cenário, e estamos tentando aproveitar lançando o máximo de músicas que conseguimos, mas sem deixar a qualidade de lado.
Soa como uma atitude bastante honesta.
The Viking: Sim, a ideia é essa mesmo. Somos guerreiros honrados, certo? (risos). E veja, não quero enganar os seus leitores, então quero deixar uma coisa bem clara aqui: nós não estamos apresentando nenhuma revolução no metal, não temos nada realmente novo na nossa música, nada disso. Temos sim música honesta, e feita da melhor maneira que somos capazes de fazer, então, se é isso que vocês apreciam, deveriam dar uma chance para nós.
Liricamente, também gosto da proposta de vocês. Abordar batalhas históricas com foco em uma determinada civilização do passado não é exatamente uma novidade no metal, como Nile, Ex-Deo, Amon Amarth e tantos outros bons nomes comprovam. Agora, misturar tudo em um mesmo caldeirão não é algo tão comum assim.
The Viking: É verdade. Bem, fico feliz que goste disso, dessa mistura de épocas e povos, mas você não imagina o pesadelo que é isso a cada vez que começamos a escrever um novo álbum (risos).
Por quê?
The Viking: Bem, porque todos querem contar as suas próprias histórias, por isso (risos). Lembra que no início da nossa conversa eu disse que a primeira coisa que quisemos fazer quando nos conhecemos era brigar um contra o outro como se não houvesse amanhã? Pois é, sempre que começamos a trabalhar em novas letras, essa vontade retorna com força total (risos gerais). Esses caras são tão ridículos, é claro que um viking vai ter sempre as melhores histórias sobre batalhas (risos).
Quanto a isso, imagino que você, o Crusader e o Spartan devem ter ótimas histórias de batalhas, mas quanto ao Tribune, ele é basicamente um político, certo? Deve ser entediante ouvi-lo discursar por horas a fio sobre qualquer pequeno assunto que vier à tona…
The Viking: Ah, meu bom amigo, vejo que você entende a minha dor (risos). É realmente entediante passar os dias entre um discurso e a expectativa de outro discurso dele, que homem prolixo (risos gerais). Mas, cá entre nós, espero que ele não nos ouça, afinal… Você sabe, ele pode ser apenas um político, mas tem a força de todo o exército romano agindo sob suas determinações, então, vamos deixar isso entre nós (risos gerais).
Bem, imagino que tenha sido divertida essa jornada até aqui.
The Viking: Ah, muito mesmo, é até difícil de dizer. Você sabe, quando nos unimos e começamos a escrever músicas, acabamos chamando a atenção de um selo que apostou em nós, mas o que realmente esperávamos? Acho que foi tudo além do que pensamos, e muito rapidamente. Lançamos o primeiro álbum (Reborn) em 2018, e então saímos para fazer muitos shows, e rapidamente veio o segundo (Revenge, 2020), o terceiro mais rápido ainda (Revolution, 2021), e assim tem sido a nossa vida desde então. Não dá tempo para pensar muito, é apenas ação e ação, e eu gosto muito disso. Claro que daqui para frente espero que possamos demorar mais para lançar outro álbum, pois estamos todos com saudade de tocar ao vivo, queremos sair em turnê. Quem sabe um dia tenhamos a chance de tocar no Brasil, hein? Seria uma grande honra, vocês têm plateias famosas por aí, e eu adoraria conferir tudo de perto com o Warkings.
Muito obrigado pela conversa, foi divertida.
The Viking: Eu que agradeço o interesse, foi muito gentil, de verdade! Enquanto passamos o dia divulgando o novo álbum, convido seus leitores para conferirem nossa música, e nos deixem saber o que estão pensando. É música honesta, feita por pessoas que amam o que fazem, então, espero que curtam. E, se vocês conseguirem se divertir ouvindo nosso álbum, teremos cumprido a nossa missão.
Depois de um hiato de oito anos, o festival Monsters of Rock retornou para a sua sétima edição, e os fãs brasileiros foram agraciados com quase 12 horas de música com origem nos anos 1960, 1970, 1980 e 1990. Tudo ligado por um fio condutor que ia do rock’n’roll clássico a variações do heavy metal.
Foi isso que Doro, Symphony X, Candlemass, Helloween, Deep Purple, Scorpions e KISS entregaram durante quase todo o dia 22 de abril, um sábado de temperatura agradável para as 60 mil pessoas que lotaram o Allianz Parque. A ROADIE CREW esteve lá, e você pode acessar as resenhas – uma para cada show – ao longo desta página. Divirta-se!
DORO
Não é lá muito comum no Brasil festivais começarem antes de o relógio virar para depois de meio-dia, e assim coube a Doro Pesch apresentar ao público tupiniquim uma tradição europeia ao abrir a sétima edição… Clique aqui para ler a resenha do show.
Doro Pesch (Foto: Rafael Andrade/Roadie Crew)SYMPHONY X
Em um festival com artistas clássicos dos anos 1960, 1970 e 1980, o Symphony X, oriundo da década de 1990, ganhou status de caçula. Isso e o fato de levar ao Monsters of Rock a única amostra de prog metal do dia… Clique aqui para ler a resenha do show.
Russell Allen (Foto: Rafael Andrade/Roadie Crew)CANDLEMASS
A única incógnita quanto a recente edição do Monsters of Rock era saber como seria a recepção do público para o Candlemass. Isso porque nas redes sociais grande parte, principalmente de fãs do Saxon, não pegou bem… Clique aqui para ler a resenha do show.
Leif Edling (Foto: Rafael Andrade/Roadie Crew)HELLOWEEN
Um dos melhores espetáculos da atualidade, sem dúvidas é um show do Helloween. E desde que a gangue dos reis alemães do power metal aumentou com o retorno dos icônicos Michael Kiske e Kai Hansen, essa já é a quarta vez… Clique aqui para ler a resenha do show.
Kai Hansen, Michael Weikath e Markus Grosskopf (Foto: Rafael Andrade/Roadie Crew)DEEP PURPLE
Depois do Helloween, começou de fato a noite dos monstros do rock – levando-se em consideração, inclusive, a propaganda do festival que trazia o que mais pareciam ser dois dinossauros futuristas. E se o septeto alemão teve uma merecida recepção de gala, como o Deep Purple apagaria… Clique aqui para ler a resenha do show.
Roger Glover, Ian Gillan e Simon McBride (Foto: Rafael Andrade/Roadie Crew)SCORPIONS
Para manter o nível mostrado por um gigante feito o Deep Purple, somente tendo similar moral com o público e equivalente longevidade, experiência, relevância, qualidade e integridade. E os pioneiros do hard alemão Scorpions têm todos esses predicados. Clique aqui para ler a resenha do show.
Klaus Meine (Foto: Rafael Andrade/Roadie Crew)KISS
Certa vez, Paul Stanley disse que há duas experiências que todos precisavam ter ao menos uma vez na vida: ir à Disney e assistir a um show do KISS. Nós, meros mortais, não iríamos mesmo discordar, mas acontece que ele está coberto de razão… Clique aqui para ler a resenha do show.
Gene Simmons e Paul Stanley (Foto: Rafael Andrade/Roadie Crew)
O vocalista original do Anthrax, Neil Turbin, se apresentou pela primeira vez em São Paulo com sua turnê de comemoração dos 40 anos de Fistful of Metal. O show aconteceu no Jai Club no último 23 de abril e, com as participações de Azul Limão, Hammathaz, Selvageria, Warsickness e Vingança Suprema, acabou virando um festival. Quando as portas da casa se abriram, o público ainda estava chegando. No entanto, quem chegou mais cedo pode conferir as ótimas apresentações do Vingança Suprema e Warsickness, que conseguiram fazer um bom aquecimento para o que viria a seguir.
O Selvageria foi a próxima a se apresentar. A banda paulistana de speed/thrash formada por Danilo Toloza (bateria e vocal), Cesar Capi (guitarra) e Tomas Toloza (baixo) subiu ao palco ao som de Metal Invasor seguida por Trovão de Aço. A roda veio mesmo a faixa Selvageria. O repertório se baseou nos dois full-length da banda, Selvageria e Ataque Selvagem, e no split Metal Invasor. Não faltaram as já conhecidas Águias Assassinas, Cavaleiro da Morte, Legião Invisível e Hino do Mal. A banda já é destacada no underground e conseguiu agitar o show todo. Os moshpits não deram trégua, e o público ficou satisfeito.
Uma das mais aguardadas da noite certamente foi o Azul Limão, e a banda clássica do metal brasileiro com seu som anos 1980 chegou sob o barulho das sirenes. O público que foi tomar um ar na parte externa do bar voltou correndo para prestigiar a apresentação dos cariocas. Marcos Dantas, único integrante da formação original, recrutou Trevas (vocal), André Delacroix (bateria, ex-Metalmorphose) e, como convidado especial no baixo, Lucas Chuluc (Trovão, Álcool). Começaram com uma mais recente, Na Pressão, que foi muito bem recebida, e muitos já sabiam até a letra.
Seguiram com um clássico, Rotina, lançada no álbum Ordem & Progresso (1987). Com uma levada mais cadenciada, era hora de mais uma antiga, Sangue Frio, que fez todo mundo bater cabeça. Trevas aproveitou para apresentar a banda antes de anunciar Nunca Se Renda, de Na Pressão (2022). Foi bom ver que as músicas novas funcionaram bem ao vivo e tiveram uma ótima aceitação dos fãs. Então, Delacroix puxou um solo de bateria enquanto aguardavam Marcos afinar a guitarra. O show estava quase chegando ao fim, e eles ainda tocaram Coração de Metal e fecharam com Vingança. O Azul Limão mostrou que não perdeu a pegada, num show excelente de uma banda super entrosada. Não foi à toa que os quatro foram muito ovacionados.
Atualmente formado por Fernando Xavier (vocal), que surgiu com uma faixa preta pintada no rosto, Thales Stat e Rodrigo Marietto (guitarras), Anderson Andrade (baixo) e Lucas Santos (bateria), o Hammathaz foi a penúltima banda a se apresentar na noite. Com influências de thrash, death e metalcore, a banda iniciou sua apresentação com New Blood, seguida por um som novo, Dear Death. A banda faz um som mais moderno, com muito groove e afinações baixas, e seguiu com So it Comes, Self-Chained e The End. O pessoal estava agitando, mas quando tocaram um dos hinos do metal nacional, Roots Bloody Roots, do Sepultura, a casa veio abaixo. Fizeram um ótimo cover, e não precisa nem dizer como ficou o moshpit. Simplesmente, o bicho pegou. O grupo ainda mandou mais sons próprios para fechar o set, False Gods, Farewell e Bringing Hell, numa performance intensa com composições bem elaboradas, aliada a músicos muito bons. Foi uma grata surpresa do evento.
Depois de quase uma hora para troca de palco, finalmente o show da atração principal da noite iria acontecer. Neil Turbin subiu ao palco acompanhado por Thales Statkevicius (guitarra, Hammathaz), Jaeder Menossi (guitarra, Interstellar Experience), Bill Martins (baixo, Hellish War) e Rafael Gonçalves (bateria, Brave) para celebrar os 40 anos do clássico Fistful of Metal, além de outras músicas de sua carreira. Abriu com Give ‘Em Hell, de sua carreira solo e que é uma pancada, mostrando que seus vocais estão em dia. São 40 anos do Fistful of Metal, lembrou o vocalista para então anunciar Death from Above. O público estava insano, e as rodas, violentas. Uma combinação perigosa. “São Paulo, como vocês estão? Ripper Owens e UDO estão fazendo show hoje, entretanto, aqui está sold out! Muito obrigado”, disse Turbin.
Ele apresentou mais um som da sua carreira, Crimson Warrior, que é bem rápida, e foi intercalando músicas solo que poucas pessoas conhecem, mas que conseguem sempre uma recepção intensa, principalmente dos fãs que se aglomeram quase em cima do palco. A seguinte foi I’m Eighteen, de Alice Cooper, que ganhou uma versão pesadíssima no debut do Anthrax. E não parou por aí. A dobradinha Across the River/Howling Furies não deixou ninguém parado, e os ânimos na pista começaram a ficar exaltados.
Mas Neil não queria aliviar, e a empolgação se manteve lá em cima com a faixa Anthrax. Uma pausa para apresentar a banda antes de voltar com Riders of the Apocalypse, da sua banda, Deathriders. Neil explicou que a próxima era uma de suas composições que acabou não gravando, Armed and Dangerous, que deu aquela acalmada, pelo menos no início.
Hell Ride foi mais uma do Turbin, um som bem metal e com solos absurdos executados de forma primorosa pelo guitarrista Jaader. A todo momento, o simpático vocalista perguntava o que os fãs gostariam de ouvir. Decide por Subjugator, que provavelmente o Anthrax nunca tocou ao vivo. Uma verdadeira volta aos anos 1980, assim como Soldiers of Metal, primeiro single da banda, e Raise Hell. Uma sequência matadora que deixou o público em êxtase. Fight to the Death veio a seguir, em mais uma da carreira solo que conseguiu agitar a galera.
Mais uma vez, o cantor perguntou o que os fãs queriam ouvir, e colocou o microfone para um fã gritar “Panic, porra!”. Será que o público tinha gás para mais? Quando começou Deathrider, não restou dúvidas que ainda havia energia para mais. O show ia chegando ao fim, mas ainda faltava a clássica Metal Thrashing Mad para fechar Fistful of Metal na íntegra. Parecia o fim, mas os fãs estavam sedentos por mais. O vocalista, que fazia sua estreia no Brasil, não deixou por menos e presenteou os fanáticos com Gung Ho, que saiu em Spreading the Disease (1985), já com os vocais de Joey Belladonna. Foi um desfecho para ninguém botar defeito!
Turbin continua com uma voz potente e fez um show no qual os verdadeiros fãs voltaram no tempo. Como se não bastasse, acabado a apresentação, ele retribuiu o carinho atendendo os fãs e distribuindo palhetas. E no dia seguinte ainda fez um descontraído meet & greet no The Metal Bar, em Pinheiros.
Liderando o vocal da banda Torture Squad há quase uma década, Mayara Puertas é um show à parte. A presença de palco e técnica vocal mostram que sua presença na banda não apenas garantiu a continuidade de um trabalho de alto nível, como elevou ainda mais a qualidade do som de um dos nomes mais importantes do metal brasileiro.
Sendo uma das grandes mulheres da música no Brasil, Mayara foi convidada para ser a mediadora da palestra da cantora holandesa Simone Simons, no domingo, dia 30 de abril no WAVES STAGE (SUMMER STAGE) das 16:20 às 17:20. No Summer Breeze Open Air Brasil, Simons, que tem uma atividade paralelamente como blogueira de estilo de vida através do SmoonStyle, estará presente para um bate-papo sobre mulheres no metal e a vida em geral. Em seu blog, ela escreve sobre sua moda, maquiagem, perfumes, alimentação e experiências com o Epica e em sua vida pessoal. “Devemos passar mensagens para que outras pessoas possam aprender e verificar atempadamente sobre o que é importante na vida. Todos podemos cair, mas no fim devemos nos reerguer. A vida é aprender. Deveríamos viver em mais harmonia com o outro, a natureza e nós mesmos “, declarou Simons , que também é fotógrafa.
Mayara Puertastambém estará no Summer Talk, que acontece no sábado, dia 29 de abril às 20h. Produtores musicais, artistas e diretores de grandes empresas de ensino e distribuidora digital estarão presentes no Summer Talk, falando sobre Viver da Música. Em um bate papo dinâmico, irão trazer dicas e informações sobre as diversas áreas da música e como fazer e lançar seus produtos musicais. Participantes: Paulo Portela (CEO School of Rock Brasil/Portugal/Espanha), Fernando Quesada (Diretor Geral School of Rock Brasil e Ex Shaman/Noturnall), Arthur Fitzgibbon (CEO One Rpm), May Puertas (Vocalista Torture Squad e produtora musical) , Alex Batista (CEO Fx Render Produção Visual) e Carol Hallack (Sócia Produtora Sala de Estar)
Nascida em 1993, em Santo André no ABC Paulista, Mayara canta desde pequena tendo sua iniciação musical com canto popular e piano influenciada pela família que sempre esteve muito ligada às artes musicais. Ainda na infância se interessou por tocar piano, violão e guitarra. Antes de dedicar-se a música, Mayara estudou Administração e Design Gráfico, além de por anos ter assessorado bandas publicando e produzindo conteúdo em sites de Rock e Heavy Metal como Whiplash.Net. Sua carreira como vocalista de metal tem início em meados de 2011 e em 2012 foi convidada a assumir o posto de vocalista da banda de Death Metal Necromesis, onde registrou o EP “Echoes of a Memory” (2014) e o álbum completo “The Poet’s Paradox ” (2015) lançado pela Shinigami Records, com participação assiduamente das colaborações com riffs, e também arranjos de teclados e violões para as músicas. Deixou a banda em 2015, tendo como seu último registro um tributo ao Bathory, no qual registrou uma versão de Man of Iron com vocais limpos, guturais e rasgados.
No mesmo ano foi chamada a fazer parte do Torture Squadcomo vocalista oficial lançando o EP “Return of Evil” (2016) e o álbum “Far Beyond Existence” (2017), as turnês de divulgação se estenderam pela América Latina e Europa. Desde 2019 Mayara também integra o projeto de Rock Experimental “Fanttasma” do produtor Lopes Casanegra (Ex- Torture Squad ) e colabora com a guitarrista Paula Carregosa em um novo projeto.
Após o debut “Cenas Brutais” (2021) e o EP “T3RROR” (2022), Yasmin Amaral (vocal e guitarra) e Tamyris Leopoldo (baixo e backing vocals) novamente se juntaram para criar mais uma obra de crossover/hardcore e thrash metal com a Eskröta. Contando ainda com o baterista Jhon França, que deixou a banda recentemente, o trio apresenta o segundo full-length, “Atenciosamente, Eskröta“. “Esse lançamento traz um posicionamento diferente, pois as músicas têm um lado hardcore mais presente e os shows que vamos fazer estão alinhados com isso. Temos uma turnê com Bayside Kings e outra com o Dead Fish a caminho”, explica Yasmin Amaral, que foi a responsável por produzir as nove faixas do repertório.
“A faixa ‘Homem é assim mesmo’ foi a primeira a tomar corpo e a ideia partiu do vídeo da influenciadora Hana Khalil, em uma série em que ela trata sobre feminismo. O vídeo basicamente frisa o quão nocivo é o comportamento da sociedade de sobrecarregar as mulheres em diversas funções e amenizar a vivência do homem com frases como: ‘deixa pra lá, homem é assim mesmo’. Então negamos tudo isso, homem não deve ser assim mesmo, precisamos mudar nossa forma de pensar. O thrash que envolve essa composição também condiz muito com a atmosfera de revolta que queremos passar”, explica Yasmin Amaral.
Com a capa a cargo de Hueller Figueredo, o material finalizado com mixagem e masterização pelo Estúdio Toth, de Danilo Souza e Fernando Uehara, ambos membros do Bullet Bane, conta com a participação de Milton Aguiar, vocalista da Bayside Kings na faixa “Pertencer e Conquistar”. “Esta música é bastante especial pra mim, pois minhas referências aqui foram mais peculiares, como o Pense (Hardcore Melódico) e Dick Dale (Surf Rock), que me influenciaram na construção dela como um todo”, revela Yasmin Amaral. “A letra fala da centralização das movimentações no Sudeste e sobre quem não está inserido nesse ‘CEP’, que engloba São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, e muitas vezes acaba ficando esquecido. Para quem é do interior de São Paulo algumas oportunidades já ficam mais difíceis, imagine para quem mora no Nordeste/Norte e é invisibilizado muitas vezes?”, questiona.
Outra faixa de destaque é “Instagramável”, programada para sair em videoclipe. “A ‘Instragramável’ foi a última música a ser escrita, literalmente um dia antes da gravação da voz. O assunto é autoexplicativo e mostra o nosso desconforto com o padrão de beleza das coisas e das pessoas na internet e como isso acaba machucando a nossa autoestima e nos estimulando a consumir sem freio. Já era um som mais denso, então achei que merecia um tema mais pesado”, detalha a vocalista e guitarrista.
Repertório: 1. Cena Tóxica 2. Fila do Osso 3. Pertencer e Conquistar (feat. Milton Aguiar) 4. Fantasmas 5. Parece fácil 6. Instragramável 7. Combater seus atos 8. Homem é assim mesmo 9. Mosh Feminista
AGENDA A Eskröta fará uma extensa turnê pelo Brasil, com início em 29 de abril em Curitiba (PR) ao lado do Napalm Death. Além disso, fará sua estreia no SESC Belenzinho em 26 de maio, com ingressos disponíveis a partir do dia 16 de maio.
Certa vez, Paul Stanley disse que há duas experiências que todos precisavam ter ao menos uma vez na vida: ir à Disney e assistir a um show do KISS. Nós, meros mortais, não iríamos mesmo discordar, mas acontece que ele está coberto de razão. Na música, não há nada parecido com o espetáculo do quarteto. Não há nada que sequer chegue perto, e foi isso que Stanley, Gene Simmons, Tommy Thayer e Eric Singer entregaram no encerramento do Monsters of Rock.
Encerramento de uma história, aliás. Claro, há quem não acredite que agora a banda irá mesmo pendurar guitarras, baixo e baquetas, e por outro lado há quem não queira que isso acontece, afinal, um mundo sem o KISS é, com o perdão do trocadilho, um mundo sem heróis. Na reta final da turnê de The End of the Road, que, paralisada em 2020 por causa da pandemia, ganhou mais 50 datas em 2023, quando o quarteto de Nova York completa cinco décadas de vida, o KISS voltou ao Brasil pela segunda vez no período de um ano para um espetáculo sem muitas novidades.
Gene Simmons, Tommy Thayer e Paul Stanley (Foto: Rafael Andrade/Roadie Crew)
A rigor, a troca de “Tears Are Falling” por “Makin’ Love” no repertório, e um duelo de guitarra entre Stanley e Thayer no fim de “Calling Dr. Love”. Mas a rigor, também, foram quase duas horas de pura magia (e qualquer semelhança com a Disney não é mera coincidência), pois basta o “You wanted the best, you got the best; the hottest band in the world.. KISS!” ecoar nos alto-falantes para todo e qualquer problema ficar para trás – e todos temos problemas, então talvez agora você entenda por que se trata de uma experiência que qualquer deveria ter ao menos uma vez na vida.
Você pode ter visto o show em 2022 ou mesmo dois dias antes nesta perna final chamada “The Final 50”, mas o cair da cortina, revelando Starchild, The Demon, Spaceman e Catman descendo do topo do palco como se fossem super-heróis, continua sendo uma emoção única – e me desculpem os puristas, mas Ace Frehley e Peter Criss foram ao vento e perderam o assento. Duas vezes.
Gene Simmons e Tommy Thayer (Foto: Rafael Andrade/Roadie Crew)
Bom, o KISS ainda faz essa entrada triunfal ao som de “Detroit Rock City”, e os “get up” e “get down” da letra ganharam os backing vocals de luxo de 60 mil fãs num êxtase que continuou em “Shout it Out Loud”, acompanhada pelas mesmas dezenas de milhares de vozes e também por palmas, muitas palmas no refrão. “Deuce” trouxe, no enorme telão de alta definição no fundo do palco, imagens de arrancar lágrimas durante a coreografia no fim da música; e deixou a pergunta: como pôde a crítica, nos anos 1970, ignorar músicas de tamanha qualidade somente por causa do visual e do lado teatral da banda?
“War Machine”, na qual Singer sempre dá uma aula de bom gosto, até baixou um pouco a bola ao deixar no público um ar mais contemplativo, mas “Heaven’s on Fire” e “I Love it Loud”, esta com direito a Simmons cuspindo fogo, logo passaram novamente a quinta marcha. Apesar dos esforços de Stanley, “Say Yeah” continuou não sendo a melhor escolha para representar “Sonic Boom” (2009), e já que vão mesmo falar de backing tracks para a voz, que a banda jogasse logo com “Modern Day Delilah”.
Eric Singer e Paul Stanley (Foto: Rafael Andrade/Roadie Crew)
A bem da verdade, no entanto, foi o momento do show que, somado a “Cold Gin” e ao solo de Thayer, com os foguetes disparados da guitarra que “derrubaram” os três telões no teto do palco, serviu para dar um respiro a um público cansado da maratona de shows – àquela altura, muitos já estavam de pé há mais de seis horas, pelo menos. Nada, porém, que “Lick it Up” não resolvesse. Funcionou como uma injeção de ânimo, assim como “Psycho Circus”, que veio depois de “Makin’ Love”, simplesmente arrasadora, e “Calling Dr. Love”.
E como os solos individuais não são simples solos, o de Singer teve bateria levitando, piscadelas de olho para o público e um encerramento com a parte final de “100,000 Years”. Simmons, por sua vez, fez sua mise-en-scène demoníaca, vomitando sangue até a plataforma onde ele estava ser erguida até o teto, de onde mandou “God of Thunder” com a apoio dos telões que mostravam seu rosto ensanguentado, num formato de desenho animado para gente grande, cantando toda a letra.
Paul Stanley (Foto: Rafael Andrade/Roadie Crew)
O que fazer depois de todo esse espetáculo teatral? Ir para a galera, o que fez Stanley ao usar a tirolesa para voar sobre a plateia até o fim da pista VIP, onde estava montado o palco que o receberia para “Love Gun” e “I Was Made for Lovin’ You”, num momento de suar os olhos, especialmente na segunda. E os olhos seguiram marejados em “Black Diamond”, reforçada pelo literal poder de fogo de um show do KISS e o que mais um grande espetáculo pode oferecer. Por exemplo: a bateria levitando e revelando a imagem dos dois gatos dourados, assim como está na foto interna de “Alive II” (1977) – sim, o KISS já fazia isso na década de 1970. O resto sempre foi imitação.
Hora do bis, e um piano branco de cauda é colocado no centro do palco para Eric Singer fingir que está tocando enquanto canta (de verdade) “Beth” – a maldade da hora manda dizer que é um forcinha para Criss receber mais um cheque de direitos autorais. Banda no palco, foto oficial tirada com 60 mil fãs ao fundo, e “Do You Love Me” vem a seguir para fazer a festa da pista com enormes balões brancos com o logo da banda e avatares de cada integrante.
Gene Simmons (Foto: Rafael Andrade/Roadie Crew)
O encerramento pode ser óbvio, mas é tão óbvio quanto o show de luzes e de fogos no Castelo da Cinderella no fim de cada dia em Magic Kingdom, na Disney. Ou seja, faz muita se emocionar e chorar. “Rock and Roll All Nite”, o hino nacional (ou mundial, mesmo) do rock’n’roll tem como companhia muita pirotecnia, muito papel picado e um grand finale com serpentinas, digamos assim, e Stanley quebrando uma guitarra que será vendida por alguns milhares de dólares a algum fã abastado.
Ainda assim, não se compara às lembranças do maior espetáculo musical da Terra. Lembranças que ficarão eternamente na memória (e que custaram somente o preço do ingresso). Acabou? Sinceramente, parece que sim. Honestamente, tomara que não. Um mundo sem o KISS é um mundo sem super-heróis.
Eric Singer (Foto: Rafael Andrade/Roadie Crew)
Setlist 1. Detroit Rock City 2. Shout it Out Loud 3. Deuce 4. War Machine 5. Heaven’s on Fire 6. I Love it Loud 7. Say Yeah 8. Cold Gin 9. Tommy Thayer Solo 10. Lick it Up 11. Makin’ Love 12. Calling Dr. Love 13. Psycho Circus 14. Eric Singer Solo/100,000 Years 15. Gene Simmons Solo 16. God of Thunder 17. Love Gun 18. I Was Made for Lovin’ You 19. Black Diamond Bis 20. Beth 21. Do You Love Me 22. Rock and Roll All Nite
Para manter o nível mostrado por um gigante feito o Deep Purple, somente tendo similar moral com o público e equivalente longevidade, experiência, relevância, qualidade e integridade. E os pioneiros do hard alemão Scorpions têm todos esses predicados. Atualmente, os velhinhos vivem grande fase com o seu novo álbum, Rock Believer (2022), que agradou a gregos e troianos, principalmente pelo vigor e punch das faixas. A entrada do exímio baterista sueco Mikkey Dee, que por décadas foi o “mötor” propulsor da idolatrada banda do saudoso Lemmy Kilmister, no lugar de James Kottak, deu um gás energizante a Klaus Meine, Rudolf Schenker, Matthias Jabs e Pawel Maciwoda.
E falando em Rock Believer e em gás, foi com Gas in the Tank, música de abertura desse ótimo disco, que o quinteto surgiu no palco dando início ao seu show. Essa música tem uma letra que retrata bem a pegada do disco, “Vamos tocar mais alto, tocar com mais força / Descontraídos e um pouco sombrios / Me dê um riff sujo, meu amigo / Tem que ter mais gasolina no tanque”, diz o refrão – agora, que é engraçado é ouvir Meine ao vivo cantando “Let’s play it louder” e devido ao seu sotaque entender “Laura, Laura”.
Confesso que acho cansativa a sequência formada pelas quatro músicas seguintes. Primeiro a dobradinha Make it Real e The Zoo do clássico álbum Animal Magnetism (1980), ambas desnecessariamente longas ao vivo, ainda mais encaixadas em início de set – embora seja legal ver Maine em uma terceira guitarra na primeira e Jabs ao talkbox na outra; Em segundo a instrumental Coast to Coast – curiosamente a única de Lovedrive (1979) -, e Seventh Sun, música arrastada do novo álbum. Por mim, daria para tirar ao menos uma ou duas dessas e encaixar algo mais energético, como, por exemplo, as ótimas e pouco lembradas Hit Between the Eyes, de Crazy World, e Rhythm of Love, um dos hits de Savage Amusement (1988).
Depois de uma ótima retomada com mais uma das boas de Rock Believer, falo de Peacemaker, e a clássica Bad Boys Running Wild, primeira a ser tocada de Love at First Sting, um dos álbuns mais queridos da banda, veio um momento de calmaria com um solo de guitarra de Matthias Jabs seguido da balada Send Me An Angel. Depois dessa, aconteceu um dos pontos altos do show, através de outra balada, uma das mais famosas da carreira do Scorpions, Wind of Change, que foi dedicada ao povo ucraniano, que ainda se vê refém de uma guerra descabida promovida pelo lunático presidente russo Vladimir Putin.
Dando sequência, a banda mandou dois ‘hardões’, Tease Me Please Me (minha favorita do repertório montado) e a faixa-título de Rock Believer. Depois dessas, Klaus, Matthias e Rudolf foram descansar um pouco enquanto Maciwoda e Mikkey faziam uma breve jam session antes de o carismático baterista roubar a cena com um solo que estremeceu o Allianz Parque e empolgou a multidão. Impressionante como os anos passam e Mikkey Dee parece não envelhecer e nem perder a energia e a pegada absurda com a qual estamos acostumados a vê-lo massacrar sua bateria.
Falando em vitalidade, também é impressionante o quanto Rudolf Schenker está longe de aparentar estar prestes a completar inacreditáveis 75 anos de vida. Fisicamente, o guitarrista está muito bem, é visível, inclusive, o quanto ele certamente malha. Se lá atrás Mikkey agita o tempo em seu kit, lá na frente a coisa não é diferente com Rudolf. E por falar em agitar, não teve quem ficasse parado com as duas músicas que encerraram a primeira parte do show, as sempre comemoradas Blackout e Big City Nights.
A volta para o bis não poderia ser outra senão com os dois grandes hits da carreira do Scorpions, a balada que até sua avó conhece, Still Loving You, e aquela que tem um dos riffs mais simples e ao mesmo tempo marcantes do rock, Rock You Like A Hurricane, ambas de Love at First Sting. Que responsabilidade teve o Scorpions, que tirou de letra manter o nível apresentado pelo Deep Purple e ainda fazer um belo aquecimento para quem aguardava a atração principal da noite: KISS!
Setlist
1. Gas in the Tank
2. Make it Real
3. The Zoo
4. Coast to Coast
5. Seventh Sun
6. Peacemaker
7. Bad Boys Running Wild
– Delicate Dance (solo de guitarra)
8. Send Me An Angel
9. Wind of Change
10. Tease Me Please Me
11. Rock Believer
– New Vision (solo de bateria)
12. Blackout
13. Big City NightsBis
14. Still Loving You
15. Rock You Like A Hurricane
Depois do Helloween, começou de fato a noite dos monstros do rock – levando-se em consideração, inclusive, a propaganda do festival que trazia o que mais pareciam ser dois dinossauros futuristas. E se o septeto alemão teve uma merecida recepção de gala, como o Deep Purple apagaria, no bom sentido, o primeiro incêndio da noite? Bom, aqueles quatro senhores – Ian Gillan (vocal), Roger Glover (baixo), Don Airey (teclados) e Ian Paice (bateria) – e o “jovem” da turma – Simon McBride (guitarra) – fizeram bonito, muito bonito. E foi recompensado com a reverência vinda de pista e arquibancada.
O início do show pode ser óbvio, realmente o de sempre, mas quantas bandas podem abrir o set esquentando o público com uma música do quilate de “Highway Star”? A plateia, obviamente, soltou a voz num coro para acompanhar a melodia mais cantável do solo de guitarra, e McBride começou aqui a mostrar que seguiria bem mais do que Steve Morse, seu antecessor, as linhas originais de Ritchie Blackmore.
Ian Gillan e Simon McBride (Foto: Rafael Andrade/Roadie Crew)
Talvez pelo fato de, aos 44 anos, ter crescido com a música do Purple, ao contrário de Morse, que entrou para a banda em 1994 com Dixie Dregs e uma carreira solo consolidada nas costas, além do status de um dos melhores guitarristas do mundo – lembremos: depois de ganhar por cinco anos seguidos a eleição de melhor do ano pela Guitar Player, de 1982 a 1986, ele foi considerado hors-concours pela revista. Clique aqui para conferir uma entrevista com Don Airey e saber um pouco mais sobre a saída de Morse e a entrada de McBride.
Resumo da ópera, a dinâmica não foi afetada, e o novo dono das seis cordas trouxe uma nova vida diferente a Gillan e Glover (ambos com 77 anos) e Paice e Airey (74 anos). Mais do que em “Pictures of Home”, sempre bem-vinda, e em “No Need to Shout”, única do excelente “Whoosh!” (2020), último disco de inéditas, isso ficou muito perceptível em “Uncommon Man”, extraída de “Now What?!” (2013) e dedicada ao saudoso Jon Lord. Responsável por uma introdução em forma de solo, McBride mostrou que o seu lado ‘shredder’ – sim, ele é tecnicamente desse nível – não ultrapassa a velocidade permitida por uma banda como o Deep Purple.
Roger Glover (Foto: Rafael Andrade/Roadie Crew)
Prova inconteste, “Lazy” – antecedida por uma introdução de Airey, servido, no palco mesmo, com uma taça de vinho de tinto por uma garçom – trouxe o guitarrista irlandês perfeitamente adaptado até mesmo aos improvisos que Glover, Paice e Airey (e antes Lord) sempre fizeram com maestria com quem fosse nas seis cordas. Sem contar um Gillan muito mais confortável com o tom encontrado para músicas que o fizeram ser o “Silver Voice”, além do feeling extraordinário do vocalista na maravilhosa “When a Blind Man Cries”, que, nesta nova fase da veterana banda inglesa, provavelmente ganhou a versão mais bluesy de sua história. Foi de arrepiar.
Agradável surpresa no repertório, “Anya”, do subestimado “The Battle Rages on…” (1993), apresentou à plateia, especialmente a quem tem na ponta da língua apenas os clássicos, uma das melhores melodias de teclado e guitarra da banda. E foi depois dela, já para um Allianz Parque praticamente lotado, que a coisa realmente pegou fogo. Em seu solo, agora sim, Airey fez o de sempre no geral – inserindo a icônica introdução de “Mr. Crowley”, que gravou com Ozzy Osbourne – e o que costuma fazer quando vem aqui – inserir música brasileiro, para o delírio do público.
Don Airey (Foto: Rafael Andrade/Roadie Crew)
Desta vez, porém, o tecladista foi além, num medley de colocar um sorriso de orelha a orelha no rosto com “Sampa” (Caetano Veloso), “Brasileirinho” (Waldir Azevedo), “Tico-Tico no Fubá” (Zequinha de Abreu) e “Aquarela do Brasil” (Ary Barroso). Foi aplaudidíssimo até as primeiras notas de “Perfect Strangers”, que transformaram os aplausos em ovação. Ao longo do show, era possível ver os sorrisos nos rostos de Gillan, Airey e, especialmente, Glover diante daquele mar de gente, mas a música que dá nome ao disco da volta, lançado em 1984, deu novo significado à euforia de quem assistia a uma performance mais do que honesta…
… Era uma apresentação de quem total domínio sobre o que está fazendo e para quem está fazendo. Se “Space Truckin’” ganhou milhares de vozes no refrão “Come on! Come on! Come on! Let’s go space truckin’!”, o que veio a seguir foi de arrepiar mesmo para quem diz que está saturado de “Smoke on the Water”. Ouvir (e se juntar a) aquelas 60 mil vozes para cantar o refrão de um dos maiores clássicos da história da música foi emoção pura, e o sorriso de felicidade (e talvez até incredulidade) de Gillan tornou tudo ainda mais inesquecível.
Ian Paice (Foto: Rafael Andrade/Roadie Crew)
E ainda havia o bis, que começou com “Hush” e o seu “Na, na-na-na; na-na-na, na-na-na” na medida para manter o pique lá em cima – registre-se: Joe South foi quem deu vida à canção, mas quem cuidou foi o Deep Purple. E pai é quem cria… Com a noite já caindo, a saideira veio com “Black Night”, e adivinhe o que aconteceu no “Ô-ô-ô-ô, ô-ô-ô, ô-ô-ô-ô-ô, ô-ô”? Sim, isso mesmo. Foi o desfecho perfeito do show de uma banda a qual devemos agradecer por ainda estar fazendo música e subindo ao palco para nos agraciar com o que de melhor foi e é feito no rock. Atualmente, todo show do Deep Purple a que você assiste pode ser último. Fica a dica. Entendeu?
Setlist 1. Highway Star 2. Pictures of Home 3. No Need to Shout 4. Simon McBride Solo 5. Uncommon Man 6. Lazy 7. When a Blind Man Cries 8. Anya 9. Don Airey Solo 10. Perfect Strangers 11. Space Truckin’ 12. Smoke on the Water Bis 13. Hush 14. Roger Glover Solo 15. Black Night