Em maio de 2018, ANNEKEVANGIERSBERGEN realizou dois concertos com arranjos orquestrais em conjunto com a Residentie Orkest The Hague. Agora, esses shows especiais estarão disponíveis para todos, com o lançamento de Symphonized, um álbum ao vivo de 11 faixas que será lançado em 16 de novembro.
O vídeo promocional da faixa inédita Zo Lief, tirada de Symphonized, pode ser visto abaixo.
Anneke comenta: “A música Zo Lief é sobre segurar e deixar partir.
“Sempre achei que seria uma mãe bem tranquila, mas lidar com as transições acaba sendo mais desafiador do que o esperado.
“Toda vez que meu filho Finn saúda entusiasticamente uma nova etapa de sua independência, tenho que admitir que deixar de lado o apego dos pais não é tão fácil.
“A tradução em inglês do título da música é So Sweet, e esta é a primeira vez que eu lanço uma música na minha língua nativa como artista solo.
“Escrevi e demonstrei Zo Lief há alguns anos, e Gijs Kramers fez um arranjo sutil para a orquestra. O vídeo foi filmado na costa holandesa do Mar do Norte pelo diretor Mark Uyl“.
Symphonized traz material de toda a carreira de Anneke, incluindo músicas do VUUR, THE GENTLE STORM e THE GATHERING, além de seus álbuns solo.
Anneke comenta: “Em vez de lançar uma coletânea do tipo ‘best of’ para celebrar meus 25 anos no palco, um álbum com reinterpretações orquestrais pareceu muito mais interessante. Duas músicas da minha nova banda de metal progressivo VUUR também receberam maravilhosos arranjos orquestrais. Eu fiquei muito surpresa com o quanto da intensidade e energia da música pesada do VUUR ainda está presente. A execução da minha música com uma orquestra tem sido uma experiência impressionante. Estou muito feliz que ambos os shows foram gravados, e que exista uma chance de revivê-los com este álbum ao vivo”.
Anneke continua: “Symphonized foi gravado em maio do ano passado, em dois locais nos Países Baixos: o 013 (Tilburg) e Paard (The Hague), enquanto eu me apresentava ao lado da maravilhosa Residentie Orkest The Hague, conduzida por Arjan Tien. A orquestra é uma das principais da Holanda, e regularmente participa de projetos em parceria”.
“Quando o diretor artístico Sven Arne Tepl me convidou para criar novas versões de músicas que eu já havia gravado, fiquei imediatamente entusiasmada. Eu pensei que seria o prelúdio perfeito para o meu aniversário de 25 anos nos palcos, que ocorre no ano que vem, já que fiz minha estreia no palco com THE GATHERING em 1994. Os arranjos foram escritos por Marijn van Prooijen e Gijs Kramers. Em vez de uma banda com acompanhamento sinfônico adicional, optamos por usar apenas os instrumentos da orquestra, e estou muito orgulhosa do resultado!”
O quinteto de Heavy Metal curitibano, HateFall lançou em seu canal oficial do YouTube mais um lyric vídeo, agora para a faixa: “Avalon” música que está no tracking list do primeiro EP da grupo, “Light & Fire” lançado esse ano.
“A faixa Avalon reflete o viés Medieval e Folk da HateFall, se diferencia por ser composta e arranjada com notas mais alegres e dançantes, misturadas ao som de instrumentos típicos da música medieval como a Bağlama, da Turquia, e o Bouzouki, da Irlanda, ambos usados na gravação. Todo o contexto é construído no cenário das Brumas de Avalon, clássico da literatura fantástica, a melodia traz também elementos para ouvidos mais apurados, como o uso da Bombarda e instrumentos de percussão orientais. Avalon é uma viagem ao mundo medieval, apenas ouvindo se consegue entender!”. Afirma o vocalista da HateFall, Helio Funnes.
Agora em novembro a banda HateFall vai lançar o EP “Light & Fire” na Galeria do Rock em São Paulo. Em uma ação inédita, promovida pela web rádio Rock Freeday na famosa loja de discos: Die Hard. Em breve mais informações.
Esta tempestade Death Metal vem do sul de nosso país e está prestes a lançar seu mais novo trabalho, o Exterminate estará também nos dias 10 e 11 de novembro em São Paulo para um grande feito. Serão duas apresentações no festival Satanic War e que celebrará um encontro histórico com grandes bandas da cena brasileira. Convidamos o Marcelo Feijó e o Adriano Martini para falarmos sobre o inicio do Exteminate até os dias atuais e claro! Falarmos sobre o que está por vir no seu mais novo álbum “Pray For A Lie” com riqueza de detalhes.
Marcelo Feijó, Foto por: Day Montenegro
Nasce em Porto Alegre, berço de grandes bandas do estilo, o brutal Exterminate. Como foi o inicio das atividades? De quem partiu a grande vontade de montar a banda?
Marcelo Feijó – Então, o Exterminate surgiu do nome do álbum do Angel Corpse (Exterminate) banda no qual somos muito fãs. Eu e o Rafael (Guitarrista) já vínhamos de uma outra banda. Então decidimos montar o Exterminate. Logo que montamos a banda tentamos alguns músicos, mas não deu muito certo. Então, entraram na banda, Iuri Ravel (Bateria) e Adriano Martini (Vocal e Guitarra). Em conjunto começamos a compor.
Antes de formar o Exterminate, vocês já tinham participado de alguma outra banda?
Marcelo Feijó – Sim! Rafael e eu (Marcelo) tínhamos uma banda que se chamava SACRILEGY, na época chegamos a gravar uma fita demo, mas logo não deu certo. Adriano já tocava no Mental Horror. Chegou na banda com toda a sua experiência somou muito a banda. Já o Iuri tocava com bandas por hobby. E depois se dedicou totalmente ao Exterminate.
Apesar da banda ser formada 2007 o primeiro registro de vocês veio 2 anos depois com a demo “Insane Fate”. Como foi visto pela cena esse primeiro registro? Houve uma boa distribuição deste material?
2009 – Insane Fate “Demo”
Marcelo Feijó – Sim, levamos esse tempo para lançar algo de concreto, pois todos na banda estavam ocupados com suas vidas profissionais. Costumávamos ensaiar uma vez a cada 15 dias. Depois as coisas foram ajustando-se, começamos a ensaiar mais seguido e as composições foram fluindo mais naturalmente. Lançamos o INSANE FATE, que foi lançado totalmente independente, e teve uma ótima aceitação do publico. Muitas cópias dos cd nós dávamos para as pessoas para poder mostrar o nosso trabalho. Mas muitas foram também vendidas. A tiragem foi esgotada, fizemos mais algumas e depois com o tempo a MUTILATION relançou esse material.
Depois de um longo tempo a banda em 2012 contra-ataca com o EP “Ascension” com uma ótima produção e contanto com o apoio da Mutilation Records e Cianeto Discos. Como surgiu essa parceria com as gravadoras?
Marcelo Feijó – Divulgamos muito o INSANE FATE, e depois desse tempo, foi lançado o ASCENSION. Colocamos uma capa mais profissional, a musica ASCENSION foi como um bônus. Tivemos o contato da Cianeto Discos e Mutilation para poder lançar e, para nós foi algo incrível pois nós não esperávamos um apoio forte em pouco tempo.
O EP foi muito bem comentado na mídia especializada, lembro-me de ter lido ótimas resenhas e comentário a respeito. Qual a sua visão sobre este trabalho? A divulgação e distribuição foi satisfatória?
Marcelo Feijó – Ficamos muito satisfeito com o resultado que nós obtivemos do EP. Foi um trabalho feito com muito esforço. Pensamos em algo mais cru e brutal. A gravação e mixagem ficou toda sob a responsabilidade de Sebastian Carsin (Studio Hurricane). Sempre queremos mais, e achamos que poderia de nossa parte ser bem mais divulgado. Mas quando entraram as gravadoras conosco, eles deram o empurrão que faltava. Foram muitas cópias vendidas e uma ótima divulgação. Não podemos reclamar.
2012 – Acension “EP”
O EP “Ascension” foi um divisor de águas na carreira do Exterminate? O trabalho que fez o nome da banda ir mais longe?
Marcelo Feijó – Acredito que o EP fez o nome Exterminate aparecer na cena. Mas o que abriu muitas portas com certeza foi o álbum Burn Illusion. Começamos a nos destacar muito mais e os show começaram a aparecer mais facilmente.
Quanto aos shows para divulgação na época, nos fale como foram…
Marcelo Feijó – Foi uma faze que topávamos tocar em qualquer lugar com qualquer tipo de equipamento. Nos convidavam e nós aceitávamos na hora. Queríamos tocar, tocar e tocar. Divulgar ao máximo o nosso trabalho. Quebramos a cara muitas fezes, mas também acertamos umas outras. Parando para pensar como foi, realmente não podemos reclamar muito. Quem tinha quer correr atrás éramos nós.
Durante a divulgação do EP o Iuri Ravel deixa a banda, como a banda reagiu tendo seu baterista de tanto tempo fora do line-up? Qual o motivo que o fez sair?
Marcelo Feijó – Nós todos além de tocarmos juntos, somos grandes amigos. O Iuri é um cara extremamente talentoso e um cara divertidíssimo, onde íamos ele sempre estava lá com suas brincadeiras num clima muito bom entre todos. Tivemos a oportunidade na época de fazer o show de abertura da banda Nile. Ficamos muito felizes pelo convite, começamos a ensaiar quase que diariamente. Mas quis o destino profissional de trabalho do Iuri que começou apertar o tempo para ele. Então como ele achou que ia acabar prejudicando a banda, resolveu sair. Para esse show tivemos que contar com Sandro Moreira (Mental Horror, Rebaelliun) para tocar, e posteriormente Sandro ficaria efetivo com a banda.
Adriano Martini, Foto por: Day Montenegro
Esse foi o motivo para que a banda demorasse 3 anos para o lançamento do debut “Burn Illusion”?
Marcelo Feijó – Depois que tivemos esse show com o Nile, paramos a banda por alguns meses. Nesse tempo parado conversamos com Sandro que aceitou entrar definitivamente para o Exterminate. Sandro vinha de uma cirurgia em um dos seus joelhos, fez aquele show para nós com sangue nos olhos. Com tudo certo, começamos os ensaios, montar as músicas e tivemos um tempo bem maior para poder juntar dinheiro para poder gravar. Acredito que esses fatores foram o motivo de levar esse tempo para poder lançar o Burn Illusion.
Quando recebi o “Burn Illusion” em mãos fiquei surpreso em ver que o baterista que assumiu as baquetas da banda era o Sandro Moreira. Como está sendo a experiência de tocar ao lado deste monstro?
Marcelo Feijó – Sandro quando entrou para o Exterminate já trouxe toda a sua bagagem e experiência para mostrar para nós. Ele é um cara extremamente técnico e rápido. Se encaixou com a banda em muito pouco tempo. Não demorou muito e Sandro já estava criando suas idéias de baterias para nós podermos montar as músicas.
E o lançamento do debut você dessa vez contou com o apoio de várias gravadoras de peso no Brasil, Cianeto Discos, Mutilation Records e Rapture Records. Um lançamento vindo destas gravadoras não poderia ser diferente, fizeram um belíssimo digipack. Essa parceria entre todas essas gravadoras partiu de uma iniciativa da banda?
Marcelo Feijó – Depois que lançamos o Ascension, procuramos a Mutilation Records para saber se eles tinham interesse em lançar nosso álbum. Foram aparecendo mais interessados e pedimos para esses interessados entrarem em contato com a Mutilation para fazer essa parceria. Depois de tudo resolvido o Burn Illusion chega nas lojas.
2015 – Burn Illusion “Primeiro Álbum”
E ainda vocês contaram com mais dois suportes de peso, a Heavy Metal Rock e Aplace. Com todo esse time de peso envolvido em seu trabalho, a divulgação deve ter sido muito forte, não é? Qual o ganho em termos de reconhecimento a banda teve ao se aliar a estas grandes e respeitadas gravadoras?
Marcelo Feijó – Com certeza todo o suporte é muito bem-vindo. Heavy Metal e Aplace são parceiras mais do que nunca. Mas temos uma afinidade muito grande com Marcio Jameson Kerber das lojas Aplace. Ele é um grande amigo nosso e está sempre nos ajudando muito. Sempre que precisamos chamamos ele para nos auxiliares em alguma coisa, pois ele tem muita experiência com bandas. Quando você se une a uma grande gravadora você tem que dar o seu melhor, para ganhar o melhor da mesma. Então sempre estamos trabalhando o mais correto possível para poder ter sempre o melhor da gravadora, divulgação, mídia, ajudas financeiras e por aí vai.
E a respeito do público, como tem sido a receptividade de “Burn Illusion”?
Marcelo Feijó – O Burn Illusion foi feito uma tiragem de 1.000 cópias. Conforme foi chegando nas lojas já foi saindo muito rapidamente. Então começou a divulgação boca a boca e em pouco tempo a Cianeto não tinha mais para vender. Nós da banda já não temos mais. Toda a tiragem se esgotou. Foi muito bom ver um trabalho feito com tanto esforço ter o reconhecimento do público.
Rafael Lavandoski, Foto por: Day Montenegro
Falando da veia lírica do Exterminate, vi fortes letras contra o cristianismo a exemplo da música “God Of Deception”. Quais as temáticas predominantes nas composições da banda? Quais são suas influências literárias que influenciam direta ou indiretamente nas composições?
Adriano Martini – Eu diria que não somente sobre o Cristianismo, costumo falar do ser humano, da humanidade em geral, o lado sombrio que cada um de nós tem. Claro a temática cristã é um prato cheio. Mas procuro diversificar. Quanto a leitura, costumo a ler de tudo, ficção cientifica até ocultismo, e claro uso também experiências do cotidiano para fazer as letras.
Já que estamos falando de influencias, quais as principais influências musicais de vocês? Bandas que fizeram e ainda fazem parte de suas formações…
Adriano Martini – Eu curto muito Morbid Angel, Hate Eternal, Krisiun (Mestres), Iron Maiden, Deep Purple, Jhetro Trull, Led … Escuto tudo e qualquer tipo de rock.
Marcelo Feijó – Procuro escutar música que inspire a compor que vai do jazz, rock, Heavy e tudo que tenha o som metal no meio.
Sempre faço essa mesma pergunta aqui para todos que entrevisto. Como você vê a cena atualmente no Brasil?
Marcelo Feijó – Cara, o Brasil é um celeiro de bandas fodas. Temos muitas bandas boas por todo o lugar. O nosso underground é muito bem servido. Eu poderia citar algumas bandas que estão aí na luta. Amaduscia, Havock 666, Cauterization, Blood work, Carcinosi, Dyingbreed, Mental Horror, Rebaelliun, Chaoslance. E Wolflust e Hideous Monarch que chegaram a pouco tempo e estão mostrando bons trabalhos.
Exterminate, Foto por: Divulgação
Agora falando de seu mais novo trabalho que está para vir, “Pray For A Lie”, como foi toda concepção deste segundo álbum?
Adriano Martini – Posso dizer que ele surgiu de forma totalmente espontânea todos opinaram nas músicas. Esse CD tem a mão de todos da banda. Foi muito massa fazer esse trabalho. E o resultado esta incrível.
Marcelo Feijó – Trabalhamos muito para que o cd chegasse no ponto que queríamos. Montamos nossas idéias e mostramos para o nosso produtor Sebastian Carsin que entendeu perfeitamente a proposta da banda e tivemos um excelente resultado.
Sandro Moreira, Foto por: Day MontenegroVocê poderia nos falar a respeito desta obra que está por vir?
Adriano Martini – Esse disco está num clima bem anos 90! Gravamos tudo de forma analógica no Huricane Studios com o Sebastian Carsin. E cara, ele ficou realmente incrível! Tudo o que você vai ouvir ali é natural e orgânico! Acredito que conseguimos atingir nosso objetivo!
O que podemos esperar do “Pray For A Lie”? No que se baseia o título?
Adriano Martini – Esse disco traz uma visão do que é o fanatismo e as crenças em divindades, santos e entidades. As pessoas necessitam disso! Mas não se ligam que elas mesmas são seu Deus. Bem o mal o inicio o fim. Esse disco traz isso! Mostra a verdade do ser humano, verdade que diz que você não precisa viver enfiado numa igreja para ser uma pessoa de bem, ou seguir uma determinada religião …seja você mesmo! Seja seu próprio Deus.
Quem assina o lançamento deste segundo álbum? Quais são as suas expectativas?
Marcelo Feijó – O álbum PRAY FOR A LIE será lançado pela Mutilation Records em novembro. Estamos muito focados para este lançamento, pois queremos alcançar o que o Burn illusion não alcançou. Falo de divulgação, mídias, shows, conhecer lugares novos tocando. E possivelmente mais pra frente pensar em tocar fora do Brasil. Queremos tocar, tocar e tocar.
2018 – Pray For A Lie “Segundo Álbum”
A banda virá em breve para São Paulo para um feito histórico na carreira, serão dois shows dentro do mesmo festival, “Satanic War Festival” onde vocês se apresentarão com bandas renomadas de nossa cena como Madness, Chaoslace e Havok 666. Vocês apresentarão algumas músicas do novo álbum nestas apresentações? Com certeza estarei lá para conferir de perto a tormenta.
Marcelo Feijó – Com certeza vamos tocar algumas musicas do novo álbum. Estamos ansiosos pelos shows. Afinal vai ser dois dias de muito metal e poder fazer parte desse festival vai ser insano. Sempre é bom dividir o palco com essas grandes bandas da cena nacional. São bandas de grande talento na luta como todos nós para levar seu trabalho para todos os cantos. Vai ser uma honra poder conhecê-lo pessoalmente. Poder trocar idéias com você e tomarmos algumas cervejas juntos e escutar um bom metal da morte.
Meu amigo Marcelo, muito obrigado por esta oportunidade de trazer aos leitores da Roadie Crew essa entrevista, e dias 10 e 11 novembro estarei em Jandira para prestigia-los. As últimas palavras são suas…
Marcelo Feijó – Eden, eu que agradeço muito a você e a Roadie Crew por essa oportunidade. É uma honra para o Exterminate. Convidamos a todos nos dias 10 e 11 de novembro para irem no Satanic War Festival para prestigiar todas as bandas que vão estar mostrando seu som, seu trabalho para o publico. Compareçam, apoiem as bandas comprem materiais, só assim as bandas conseguem se manter e buscando seu espaço. Muito obrigado a todos e nos vemos lá em Jandira. Grande abraço.
Segue abaixo um teaser da Lyric Video da música Blind Faith que fará parte do novo álbum Pray For A Lie que estará disponível ainda este mês:
https://youtu.be/6MQg7hTe8xQ
Foi num workshop promovido por Vinny Appice (Appice, Black Sabbath, Heaven and Hell, Dio e tantos outros) em Belo Horizonte, em 2015, que o baterista começou a forjar uma aliança com o Concreto. Naquela oportunidade, o batera se empolgou tanto com a execução das músicas Mob Rules, Heaven and Hell e Holy Diver ao lado dos mineiros que, passando por cima do protocolo, pediu para tocarem mais uma, no caso, Paranoid. Ídolo do quarteto de rock/metal, Appice, numa inversão de papéis, acabou se tornando fã confesso do grupo. Disposto a repetir a dose, gravaram juntos as quatro faixas do EP Lama, lançado pelo Concreto neste ano. E não parou por aí. Na turnê que acontecerá neste mês no Brasil, o mestre das baquetas deixou claro que o Concreto será sua banda de apoio na apresentação na capital mineira, no dia 18, no Stonehenge Rock Bar – em todas as outras datas, será acompanhado pelo vocalista Nando Fernandes, o guitarrista Edu Ardanuy e o baixista Fernando Giovannetti. Por motivos de logística, Appice e a banda mineira não conseguirão ensaiar para o show que visa reproduzir o clássico álbum Mob Rules (1981) e outras músicas da prolífica carreira do batera. Mas a química de outrora e a confiança depositada do grupo formado por Marcelo Loss (baixo e voz), Túlio de Paula (guitarra e voz), Adriano Fidélis (guitarra) e Teddy Almeida (bateria) – este último voltará a ceder seu posto para o ícone – são suficientes para se imaginar mais uma passagem histórica de Appice em BH. Em entrevista à ROADIE CREW, Marcelo Loss e Túlio de Paula ressaltam o desafio de tocar o Mob Rules na íntegra, o reencontro com o ídolo e alguns planos do Concreto para o futuro.
Marcelo, o Vinny vem ao Brasil com uma banda para vários concertos, mas em Belo Horizonte ele não abriu mão de contar com vocês. Qual a expectativa para o show?
Marcelo Loss – É a melhor possível. Até porque o Vinny abriu mão de tocar com a banda que vai acompanhá-lo nos outros shows da turnê, formado por grandes músicos brasileiros, para tocar em Belo Horizonte com a gente. Prova que realmente ele curtiu tocar conosco em 2015, e rolou essa empatia que resultou no nosso EP Lama, em que ele tocou a bateria nas quatro músicas.
Vocês conseguirão ensaiar com ele?
Túlio de Paula – Infelizmente não conseguiremos. Não haverá tempo hábil para isso. O Vinny vai chegar em Belo Horizonte na hora do almoço, e tocaremos à noite. Mas como ele é um cara muito generoso, mantém contato com a gente por e-mail falando sobre o repertório, os finais das músicas e que confia na gente e que vamos fazer um bom trabalho. E pediu para, na hora do show, olharmos sempre para ele, que vai nos guiar. Então, estamos muito tranquilos com relação a isso. E ele se propôs a fazer uma passagem de som mais longa, para acertamos alguns detalhes.
Concreto e Vinny Appice
O entrosamento adquirido em ocasiões anteriores também conta nessa hora, certo?
Marcelo Loss – O que mais conta nessa hora é realmente a química que rolou entre o Vinny e a banda Concreto quando estivemos juntos em 2015. Com a falta de ensaio, existe mesmo é aquela sintonia dos músicos em cima do palco, olho no olho, prestando atenção em como serão os finais das músicas e coisas do tipo. Estamos com uma expectativa muito boa para isso.
O que representa o álbum Mob Rules para vocês?
Túlio de Paula – O Mob Rules, para mim, significa um disco muito foda do Black Sabbath. Curiosamente, não era dos discos que escutei muito. A gente está redescobrindo esse disco, que é espetacular. Os caras estavam num nível muito alto, voando mesmo. O Dio cantando como nunca, o Vinny destruindo a bateria… O Geezer (Butler) e o Tony Iommi então, não precisa nem falar. Era um nível altíssimo, músicas maravilhosas. Está sendo muito desafiador reproduzir esse disco com um cara que o gravou. Um desafio muito saboroso para nós.
Mas vocês conhecem o álbum de cabo a rabo, certo? Até porque ele será tocado na íntegra.
Marcelo Loss – Sim, o plano é tocar o álbum Mob Rules na íntegra, além de outros sucessos que ele gravou com o Black Sabbath e com o Dio. O curioso é que esse disco nem é um dos favoritos para nós. Sempre ouvimos muito o Live Evil (1982) e não tínhamos tanta intimidade com o Mob Rules. Tanto que, quando ele nos disse que faria turnê desse disco, ficamos um pouco apreensivos, pensando que íamos ter muito trabalho com as músicas. Mas tem sido muito bacana redescobrir esse álbum.
Quando vocês gravaram o EP Na Lama, o Vinny queria até saber das letras das músicas. Como foi isso para vocês?
Túlio de Paula – Um sonho realizado. A ficha custa a cair. Um cara do nível do Vinny Appice tocando quatro músicas nossas, cantadas em português, é de uma generosidade enorme da parte dele. Foi superprofissional. Foi ele quem falou que queria gravar músicas nossas. Ao encontrar-se com um amigo nosso em Los Angeles, o Vinny tocou no assunto. Falou para esse amigo nosso entrar em contato com a gente. Para nós foi de uma satisfação enorme. Quatro músicas gravadas por um cara do nível dele, um monstro da bateria, da história do heavy metal mundial. Foi uma felicidade muito grande para nós.
Vinny Appice
Vocês já tocaram com ele em outras ocasiões. Têm boas recordações? Como é o Vinny, um cara brincalhão ou mais sério, na dele?
Marcelo Loss – Temos as melhores recordações possíveis do nosso encontro com o Vinny em 2015. Naquela oportunidade, rolou uma química muito legal no palco e também no pessoal. O Vinny é um cara muito legal, simples e acessível. Foi muito legal conhecer um artista que a gente é fã desde criança, estar com ele no palco, e o cara conversar com a gente de igual para igual. Foi algo impagável. Esperamos repetir agora com um show completo. Na outra ocasião foram apenas quatro músicas. E agora serão 15. Teremos mais oportunidades para curtir esse momento.
O disco ficou com aquele gostinho de “quero mais”. Vocês pensam em fazer mais músicas para um disco completo em breve?
Túlio de Paula – A gente pensa em gravar músicas novas para completar um disco e lançá-lo no ano que vem. Nos últimos anos lançamos só EPs e DVDs. Teremos novas músicas a serem gravadas para um lançamento em 2019.
A parceria com Vinny pode resultar em outro álbum no futuro?
Marcelo Loss – Quem sabe. Essa relação que estamos construindo com o Vinny é realmente um sonho, ter essa oportunidade de trabalhar com um artista que a gente é fã. Temos muito orgulho de ter esse cara nosso novo EP. Se tiver outra oportunidade de repetir a dose, vai ser um prazer.
Quando vocês olham para trás e veem tudo o que o Concreto conquistou, há algo que mudariam?
Túlio de Paula – Quando a gente olha para trás, temos uma satisfação muito grande e uma saudade das coisas que passaram. Eu, Marcelo e Adriano, meu irmão, tocamos juntos há 32 anos. Na maioria desse tempo, fizemos músicas autorais. A gente era criança quando tudo começou. Iniciamos por causa do Rock in Rio de 1985, quando todo mundo queria ter uma banda. E acho que não mudaríamos nada. A gente aprende muito com erros. Foram muitos erros, muitos acertos, muitas coisas deliciosas, saborosas, gratificantes, momentos que a gente guarda na memória, shows antológicos. Muita coisa boa passa pela cabeça, e fica a certeza de que tudo valeu a pena.
Vinny e Concreto
O que podemos esperar do Concreto para 2019? O que está em pauta?
Marcelo Loss – Para 2019, precisamos finalizar nosso quinto álbum. Neste ano e nos anos passados soltamos apenas EPs. E os fãs mais tradicionais ainda cobram o quinto álbum físico. Também teremos o show de comemoração dos 20 anos dos nosso primeiro CD, A Calma da Alma, lançado em 1998. Era um plano para 2018, mas foi um ano que passou muito rápido. E esse show com o Vinny passou por cima de tudo. Tivemos que adiar esses planos por hora. E então, para 2019, queremos lançar um novo disco e fazer essa comemoração do nosso primeiro álbum.
SERVIÇO
VINNY APPICE E CONCRETO
Dia 18 de novembro. Abertura da casa às 16h; show principal previsto para 20h
No Stonehenge Rock Bar – rua Tupis, 1448, bairro Barro Preto, em BH
Está chegando ao fim a bem sucedida turnê mundial do ótimo Machine Messiah, décimo quarto ‘full lenght’ do Sepultura, que assim que chegou ao mercado, em 13 de janeiro de 2017, imediatamente caiu nas graças de público e crítica. E o fato de o grupo ter sido recebido com casa cheia em São Paulo no último sábado, 27, quase dois anos após correr os palcos do mundo divulgando-o, foi só mais uma amostra de que o Sepultura realmente vive uma das melhores fases de sua carreira na era Derrick Green. Não à toa, muita gente (inclusive este repórter) considera Machine Messiah o melhor álbum com Green. Em seu mais recente show, a banda compartilhou desse bom momento com outras duas respeitadas formações nacionais dividindo com elas o palco da Audio. Assim sendo, MX e Eminence tiveram uma boa oportunidade para também mostrar ao vivo os seus novos trabalhos. Dias antes, inclusive, ambos os grupos foram entrevistados pelo guitarrista do Sepultura em edições distintas de seu programa “Pegadas de Andreas Kisser”, que vai ao ar pela 89FM – A Rádio Rock – uma atitude muito legal de Andreas e do próprio Sepultura de abrir espaço para divulgar outras bandas.
Para um público ainda em número razoável, quem abriu a noite foi o lendário MX. Trata-se de um dos grandes expoentes da histórica região do ABC, que foi efervescente no cenário paulistano durante os anos 80/90. Atualmente, o veterano grupo divulga seu mais recente álbum A Circus Called Brazil, que foi lançado no primeiro semestre de 2018 e que, assim como Machine Messiah, também tem obtido ótima repercussão. Após introdução mecânica, de cara o MX mandou duas cacetadas de seu quinto álbum de inéditas, tido por muitos como um dos grandes lançamentos do metal nacional no ano: Murders e Mission. Essas e mais Lucky, mostraram que o thrash metal do MX segue cortante, veloz, empolgante e bem trampado. Seus clássicos dois primeiros álbuns não foram ignorados e com isso os bangers da velha guarda tiveram motivos para comemorar o arsenal que foi descarregado de Simoniacal (1988) e de Mental Slavery (1989). Deles, a banda mandou a própria Mental Slavery, Fighting for the Bastards, Dark Dream e as pérolas Jason e Dirty Bitch. Um set avassalador!
Além da qualidade musical e da boa performance em palco, um dos difereciais nos shows do MX é a construção vocal, em grande parte liderada pelo carismático baterista Alexandre Cunha, mas com efetivo suporte de Alexandre “Morto” Favoretto (baixo) e Alexandre “Dumbo” Gonçalves, que divide a rifferama com Décio Jr. O legal é que, ao invés de se limitarem apenas aos vocais de apoio, muitas vezes quando não estão na função principal no microfone, eles se alternam. Em termos técnicos, o volume dos instrumentos estava bastante alto e contrastava com um dos ‘mics’ frontais, que estava praticamente inaudível. Entretanto, esses detalhes não prejudicaram o desempenho do MX, que tem em seus integrantes músicos bastante entrosados. A se basear por essa apresentação e também pelo resultado mostrado no impactante A Circus Called Brazil, posso afirmar que o MX está em alta e que ainda oferecerá muita coisa boa aos amantes do thrash metal.
Depois de o MX ter esquentado os amplificadores, não levou nem vinte minutos para que o Eminence assumisse o palco. Formado no longínquo ano de 1995 e com experiência internacional na bagagem, o grupo estava de volta a São Paulo pela terceira vez, agora para divulgar seu recém lançado EP Minds Apart, material de alto nível, que foi mixado pelo renomado Tue Madsen (Meshuggah, Heaven Shall Burn, Moonspell e outros). Bruno Paraguay (vocal), o fundador Alan Wallace (guitarra), Davidson Mainart (baixo) e o ex-Overdose André Márcio (bateria) contaram com uma boa qualidade de som e mostraram ao público paulistano que BH, que é historicamente conhecida por suas icônicas bandas de death e de thrash metal, está revigorada e bem representada pelo peso do metal atual.
As novas Minds Apart e Obey caíram bem ao vivo e se enquadraram perfeitamente a um repertório que, exceto pelo debut Chaotic System (1999), exibiu um pouco de cada um dos outros três álbuns do Eminence: Humanology (2003), The God of All Mistakes (2008) e The Stalker (2013). Não demorou para que o público correspondesse ao som do grupo conterrâneo do Sepultura e logo na segunda música do set, Veins of Memories, formasse uma pequena roda na pista. Além do peso que abre leque para momentos de velocidade e outros de groove, a sonoridade do Eminence possui aqueles “climões”, favorecidos em certas partes por bom uso de sampler, além de recursos como megafone, item que foi utilizado pelo comunicativo e competente Paraguay. Perto do fim do set, especificamente em Day 7, Mainart teve problemas com o baixo, mas antes da próxima tudo foi resolvido. Com tudo novamente nos conformes, o Eminence se despediu com Devil’s Boulevard e foi agraciado com a participação do público, que agitou com punhos erguidos essa música presente em The God of All Mistakes.
A essa altura, os fãs da atração principal já dominavam quase que por completo a pista e um dos camarotes. A espera deles, que durou meia hora após a apresentação do Eminence, acabou tão logo Polícia do Titãs deu lugar a uma introdução que lembrava a do álbum Mass Illusion (1991) do Korzus. Um a um, Derrick Green, Andreas Kisser, Paulo Jr. e Eloy Casagrande foram entrando e assumindo suas posições no palco. Ovacionado, o Sepultura deu início com uma dobradinha de Machine Messiah, formada pelas agressivas I Am the Enemy e o carro-chefe do álbum, Phantom Self. Nessa atual turnê, tem sido muito legal ver a banda aderindo ao uso de uma rampa que dá acesso à plataformas laterais. Derrick foi o primeiro a usufruí-la quando subiu pra tocar percussão no início da bem recebida Kairos. E nem deu tempo de os fãs fazerem o tradicional coro “Sepultura, Sepultura…”, pois logo a pista se tornou um caos quando o primeiro clássico da noite, Territory, foi tocado.
Na primeira pausa – agora sim com o coro gritado em uníssono -, Kisser agradeceu ao público dizendo que Machine Messiah se tornou um álbum muito especial para o Sepultura. No entanto, ele alertou que muita coisa antiga seria tocada. Foi o gancho para anunciar aquela que foi o primeiro ‘hit’ da banda: a atemporal Inner Self, de Beneath the Remains (1989). Nem é preciso que eu diga o que se tornou a pista neste momento, não é mesmo? Depois dessa, foi a vez de Derrick dar o seu discreto boa noite e anunciar mais uma de Machine…, a climática Sworn Oath, que considero ser uma das músicas mais impactantes do álbum. E se Casagrande impressionava a cada música – o que não é novidade alguma -, nessa, em específico, ele simplesmente destruiu a batera. A primeira surpresa da noite fez o público voltar doze anos no tempo: era hora de relembrar Dante XXI, álbum o qual Andreas assumiu que por um bom tempo a banda deu uma “negligenciada” de tocá-lo ao vivo. Graças a essa atitude nostálgica, False voltou para o repertório três após ter sido tocada pela última vez.
Antes de anunciar a próxima, Andreas ressaltou que o Sepultura está encerrando o ciclo de Machine Messiah e relembrou que em 2018 o grupo está celebrando 20 anos de Derrick Leon Green na banda – nem parece que já faz tanto tempo que vi o primeiro show do vocalista com o Sepultura em solo brasileiro no “Barulho Contra a Fome” (evento que aconteceu na Arena Anhembi (SP), em 15 de agosto de 1998, e que contou com as participações do ex-integrante Jairo Guedz e de Mike Patton (Faith No More), Jason Newsted (ex-Metallica), Carlinhos Brown, do lendário ator e cineasta José Mojica Marins (Zé do Caixão) e de índios xavantes, além das bandas Pavilhão 9, Squaws e Tolerância Zero). Emocionado, o cara que quando entrou para o Sepultura era chamado por Andreas, Paulo e Igor Cavalera como “Predator”, se ajoelhou para agradecer os aplausos dos fãs. Para comemorar, foram tocadas três seguidas de seu primeiro álbum no Sepultura: a própria Against, Choke – música a qual fez a audição em demo e lhe garantiu a vaga deixada por Max Cavalera – e Boycott.
Roorback (2003), que é outro álbum pouco representado nos shows, também foi relembrado através da inesperada Corrupted, que Andreas dedicou ao pessoal da roda na pista, que, conforme ele mesmo disse, estava realmente “foda”. A emocionante faixa título que abre Machine Messiah e que conta com uma das melhores (senão a melhor) performances vocais de Green, veio na sequência proporcionando um clima de arrepiar. É uma pena lastimável a banda não ter gravado um videoclipe para essa música, pois ela “pede” por um. Dali pra frente, nenhum pescoço passou ileso ao bombardeio de clássicos da primeira fase do Sepultura. A rajada foi impiedosa com Desperate Cry, Refuse/Resist e Arise – dedicada por Andreas Kisser aos aplaudidos MX e Eminence.
Terminada a primeira parte do show, Derrick, Andreas, Paulo e Eloy voltaram para o bis tocando outra sequência matadora: Troops of Doom, Slave New World, Resistant Parasites, Ratamahatta e o hino Roots Bloody Roots. Com o bom humor que lhe é peculiar no final de cada show, o quarteto escolheu se despedir com a divertida You Make My Dreams (Daryl Hall & John Oates) rolando no som ambiente. Encerra-se assim, de maneira positiva, o ciclo de Machine Messiah, e surge a partir de agora uma boa expectativa para saber o que o Sepultura será capaz de apresentar em seu próximo álbum. A noite valeu também para o público conferir de perto o bom momento que vivem MX e Eminence, que em 2018 lançaram trabalhos de alto calibre. Esses três shows evidenciaram que a velha guarda do metal nacional ainda tem muita lenha pra queimar e bons anos pela frente chutando bundas em nome da música pesada!
Dois dias antes de se apresentar no Mister Rock, na última quarta-feira (31), em Belo Horizonte, Max Cavalera dizia a este que vos escreve que a capital mineira seria a sede de um “exorcismo”, em que Max Possessed – sua alcunha no prólogo da história do Sepultura – estaria presente. À beira dos 50 anos de vida – a serem completados em 2019 –, o vocalista e guitarrista não poupava palavras para descrever o sentimento de nostalgia e empolgação, não apenas em revisitar, ao lado de seu irmão e baterista Iggor, a era de ouro do grupo que ajudaram a fundar – dos clássicos Beneath the Remains (1989) e Arise (1991), além de algumas surpresas – como também usufruir da cidade onde nasceram e deram os primeiros passos para transformar uma banda de “moleques com a cara pintada e vestimentas pretas” num fenômeno mundial. A véspera do show foi de passeios com a família. Vinte quatro horas depois, começava o “exorcismo”.
Às 22h da quarta-feira, hora prevista para o início do massacre sonoro, o público, em ótimo número na casa, entoava a plenos pulmões: “Sepultura”. Para muitos, a alma do grupo oitentista estava ali naquele lugar, representada na figura da dupla (e também em outro ex-integrante, que daria as caras no apoteótico desfecho). Com cerca de 15 minutos de atraso, eis que emerge o chamado “Soufly + Iggor”. Sim, isso porque o guitarrista Marc Rizzo e o baixista Mike Leon, ambos do conjunto que acaba de lançar seu 11° disco, Ritual, completavam a formação da turnê “89/91 Era”. A única diferença realmente era Iggor em vez de Zyon, filho de Max.
E antes mesmo de se darem conta de que Max Possessed estava ali, os fãs testavam seus pescoços ao som de Beneath the Remains. Uma paulada sem dó nem piedade, seguida de Inner Self, com seu hipnótico riff inicial – quem nunca bateu cabeça na vida ao ouvir essa música, bom headbanger não é. Como o vocalista havia mencionado, ao vivo as canções ficam mais rápidas do que as originais dos álbuns. Mas se o público se deleitava com cada nota neste começo arrebatador, era hora de recompensar Max. Afinal, ele estava em casa e queria ser presenteado em seu retorno. Por isso, deu a ordem: “Abre a roda ae, caralho!”. Missão dada, missão cumprida. O mosh comeu solto inúmeras vezes dali em diante.
Sem tempo para respirar, veio o terceiro ato da orquestra de torcicolos, Stronger Than Hate, com Mike Leon demonstrando toda sua técnica ao fim da música. Mass Hypnosis foi executada de forma furiosa, com Iggor alucinado no bate estaca. É surreal o quanto esse batera é brutal ao vivo; passam-se os anos, a brutalidade só aumenta.
É de salientar ainda que o Mister Rock estava com um ótimo som naquela noite, apesar de a casa continuar sendo um caldeirão, com o próprio Max destacando isso e suando bastante naquele calor infernal.
Depois de mais duas porradas de Beneath the Remains – Slaves of Pain e Primitive Future –, Max perguntava a seus súditos: “estão preparados para o Arise?”.. Com a galera nas mãos, ele já sabia a resposta. E aí começou a sequência de petardos daquela pérola de 1991. A faixa-título, executada à velocidade da luz, não dava trégua, nem para o público, nem para a galera do bar, concentrada na parte mais atrás e que também vibrava intensamente naquela onda de insanidade que parecia não ter fim.
Depois de mais uma gama de clássicos, como Dead Embryonic Cells e Desperate Cry – em que a casa quase veio abaixo –, vieram as primeiras surpresas. No meio da dobradinha Orgasmatron e Ace of Spades, o vocalista vociferava um lembrete a todos os metaleiros: “Se não existisse Motörhead, não existiria Metallica, não existiria Slayer, não existiria Sepultura, não existiria porra nenhuma”. O mestre tem toda razão. Ah sim, antes disso, mandou todo mundo gritar “uai”, como bom mineiro que é.
O cover de Polícia, dos Titãs, foi executada apenas por Max e Iggor, com Leon e Rizzo retornando em Refuse/Resist, a única de Chaos A.D. (1993). O vocalista não deixou de prestar uma homenagem aos familiares presentes no show e também ao bairro Santa Tereza, onde tudo começou. Nesse clima de nostalgia e de ressaltar a importância de suas raízes, todo mundo já estava ciente de que o final não seria aquele clichê com Roots Bloody Roots.
Não, senhor. Em BH, o apocalipse thrash tem outro nome: Troops of Doom (e me perdoem os fãs de Roots Bloody Roots, a troca foi muito melhor). Para a festa ser completa, nada mais justo do que convidar o guitarrista Jairo Guedz, integrante nos idos do Sepultura – nos discos Bestial Devastation (1985) e Morbid Visions (1986). Trajando a camisa do Clube Atlético Mineiro – o Galo Doido também faz parte de suas raízes –, Max deixou as guitarras para Jairo e Rizzo e se concentrou apenas no vocal na última devastação da noite.
Com menos de uma hora e meia de show – mas que pareciam três horas –, o Max Possessed deixava o palco do Mister Rock com a alma lavada e mais possesso do que nunca.
A banda finlandesa de metal sinfônico AMBERIAN DAWN lançou o videoclipe oficial da música Cherish My Memory, originalmente encontrada no álbum Magic Forest de 2014.
O tecladista e mentor do AMBERIAN DAWN, Tuomas Seppälä, comenta: “Queríamos celebrar nossa próxima turnê europeia com o LACUNA COIL, e decidimos fazer um novo videoclipe.
“Eu queria tentar novas maneiras de gravar e mixar música para conseguir um novo som, e nós selecionamos esta música para ser rearranjada e remixada. Então nós gravamos a música novamente e adicionamos mais alguns teclados e partes orquestrais, por exemplo. Nosso guitarrista Emil Pohjalainen fez a mixagem, e o lendário engenheiro de masterização americano Ted Jensen fez a masterização.
“Eu realmente gosto do nosso novo som e espero que você goste também … e também goste de assistir este vídeo. Vejo você em breve na turnê”.
O oitavo álbum do AMBERIAN DAWN, Darkness Of Eternity, foi lançado em novembro passado pela Napalm Records. Foi o terceiro trabalho de estúdio a apresentar a vocalista Päivi “Capri” Virkkunen após a saída de Heidi Parviainen.
A banda de hard rock britânica MAGNUM lançará um novo álbum ao vivo, Live At The Symphony Hall“, em 18 de janeiro de 2019, através do SPV / Steamhammer, nos formatos 2CD digipak, 3LP gatefold, download e stream.
Todo amante da música sabe que o concerto de encerramento de uma longa turnê é sempre um evento muito especial: durante semanas, a plateia lê o quanto a banda foi celebrada em seus shows anteriores, noite após noite, e ficam ainda mais animados para ver seus heróis com seus próprios olhos. Do outro lado, depois de ter tocado esses numerosos concertos, a banda está em excelente forma, perfeitamente sintonizada e, claro, eles querem se superar em seu show final. Um desses finais da turnê aconteceu em 19 de abril de 2018 no Symphony Hall, de Birmingham. Foi lá que o MAGNUM completou sua turnê Road to Eternity, que consistiu em 42 shows, e se apresentou no mais alto nível.
“Uma noite realmente mágica”, confirma o guitarrista Tony Clarkin, “especialmente porque o show foi uma espécie de jogo em casa para nós, já que todos nós somos da região entre Birmingham e Wolverhampton, embora nos últimos 20 anos tenhamos tocado em Birmingham apenas uma vez. Nesse aspecto, foi um momento especial para o MAGNUM, em mais de um sentido”.
O DROWNED se apresentará junto ao Hangar dia 8 de dezembro em Belo Horizonte. O show acontecerá no Mister Rock a partir das 19:00 e conta ainda com Imago Mortis, Devil Dust, Sacrificed, Immortal Opus e Trevose.