Categoria: Releases CDs & DVDs

  • SCARLET PEACE – Tempus Fugit [9,0/10]

    SCARLET PEACE – Tempus Fugit [9,0/10]

    Depois de 14 anos do lançamento de seu debut o Scarlet Peace vem com seu novo álbum Tempus Fugit e nos apresenta a banda muito mais amadurecida e mesmo se mantendo fiel ao doom metal, mostrou uma evolução surpreendente.

    Este trabalho nos traz composições soberbas em climas que vão da obscuridade a mais misantrópica melancolia, em uma execução impecável de suas músicas que nos conquista deste os primeiros riffs.

    Doom metal muito bem feito que nos leva em uma viajem muito interessante em seu conteúdo lírico e por todas as passagens que vão de atmosferas muito mórbidas à riffs puramente influenciados pelos mestres do Black Sabbath.

    E ouvindo mais atentamente percebemos que a banda conseguiu unir os climas mais sombrios com partes mais energéticas assim tornando esse trabalho ainda mais interessante, pois tiveram o cuidado para não tornar este CD maçante e cansativo.

    A participação do James Freitas com seus maravilhosos teclados foi de extremo bom gosto e deu aquele toque especial que as músicas realmente precisavam, notamos perfeitamente que esse tecladista conseguiu capitar de forma magistral todo clima que a banda passa em suas ótimas músicas.

    Os músicos desta banda com certeza devem respirar e transpirar doom metal todo o tempo, sentimos ouvindo este álbum muita paixão que obviamente nos transmite muita emoção a cada faixa que se sucede. É difícil sentir tal sensação e este álbum conseguiu passar esse sentimento de forma primorosa.

    Este definitivamente é um trabalho onde destacaria exatamente todas as músicas, todas elas são tão boas e estão em uma ordem que se completam tão perfeitamente que nos deixa em uma situação muito difícil de escolher determinadas músicas, com guitarras executadas com muita competência e precisão, bateria com uma qualidade excelente e muito bem encaixada, o baixo que está audível e que também se destaca pelas ótimas incursões de seus fraseados e que algumas vezes faz belíssimos duetos com as guitarras.

    A parte vocal é uma das coisas mais belas deste material, entre seus rasgados e guturais há uma harmonia maravilhosa com os vocais limpos e todo instrumental, todos os detalhes deste trabalho foram sabiamente pensados para ser um grande álbum, e digo, acertaram em cheio.

    Percebemos muito cuidado neste CD também em sua apresentação gráfica, uma capa que nos chama atenção e também que se encaixa em todo contexto musical/lírico do Scarlet Peace apresentado aqui, a capa foi assinado pelo renomado artista plástico Paulo Frade que também é professor de artes visuais, ele definitivamente absorveu a mensagem da banda e transmitiu de uma forma incrível nesta capa.

    E ainda falando da capa, é uma belíssima pintura onde retrata a passagem entre a vida e a morte com o barqueiro conduzindo uma alma recém-morta através do rio Styx para o mundo dos mortos. Já que a temática que compõe este álbum é a vida e a morte em um estado de coma, lembranças de vida, angustia, decepção, ganância, sofrimento e dor, além de sonhos e pesadelos terríveis.

    E falando das músicas aqui presentes sob a temática apresentada acima podemos destacar entre todas ótimas faixas a Tempus que começa um coral e vocal rasgado perfeitamente unidos que traz um clima triste e ainda sim muito belo. Com sua letra em português em veia poética muito bem escrita. Um ótimo início.

    Entre a Razão e a Fé é uma composição onde a banda questiona a fé e afirma que a razão destrói qualquer forma de crença sem causas verdadeiras, …como uma droga ingerida eliminando, assim, a dor da vida… Todo esse forte conteúdo lírico sob uma execução instrumental angustiante e muito viajante. Uma interpretação vocal que nos traz de fato muita dor.

    Remembrances Of Pain inicia com de forma energética com belas dobradas de bumbos e riffs rápidos que logo o clima sombrio e lento devolve à música aquele clima soturno do estilo. Destaco aqui o talento de seu baixista que nesta faixa dá uma aula com seus fraseados que se destacam e abrilhantam muito esta composição.

    So Silent começa com teclados maravilhosos que se misturam com riffs de guitarras muito cativantes e que nos faz balançar nossas cabeças mesmo que inconscientemente, é uma música belíssima com melodias intensas e muito sentimentais. O riffs destas guitarras são lindos e que conquista a atenção de qualquer um que ouvir.

    Quis trazer para vocês um pouco deste ótimo álbum, e reforço que foi difícil decidir quais faixas destacar, todas as músicas deste trabalho são magnificas e muito envolventes que nos arrebata por completo. Um álbum que apesar de seus setenta minutos ao final nos deixa com mais vontade de ouvir mais e mais.

    Este trabalho precioso feito pelo Scarlet Peace mostra que o doom metal está muito bem representado no país pela competência, determinação e paixão pelo estilo. 2018 foi de fato um ano em que o doom retomou seu lugar com maravilhosos lançamentos a exemplo deste que lhes apresentei agora.

  • BONFIRE – Legends [8,0/10]

    BONFIRE – Legends [8,0/10]

    Por Matheus Vieira

    Chame os amigos. Coloque a cerveja para gelar e curta este disco em um volume considerável. Pois é. A palavra festa é a que melhor define a essência deste novo disco dos veteranos hard rockers alemães da Bonfire, batizado de Legends (o segundo álbum dos caras do ano, já que eles lançaram Temple of Lies, apenas com inéditas, em abril de 2018).

    A ideia do material é simples: homenagear nomes dos anos 70 e 80 que influenciaram diretamente a carreira da banda. Assim, os atuais membros da Bonfire – sim, desde sua fundação em 1986 pelo guitarrista Hans Ziller, diversos músicos passaram por seu line-up – fizeram uma gigantesca seleção de covers, distribuída em dois Cds, cuja produção apresenta um bom nível, sem exageros e de acordo com a proposta. Entre os escolhidos, destaque para canções do Rainbow, TOTO, UFO, Grave Digger, Running Wild, Survivor, entre outros.

    Para mim, a versão mais bacana ficou para Eyes Of A Stranger, do Queensrÿche. Aqui, não há espaço para aquela discussão cover x autoral. A ideia é apenas comemorar. Afinal, você, leitor, também “entrou para o universo do rock” por influência de alguém, não é mesmo? Curta sem dores de cabeça.

  • DARKNESS SETS IN – Vol.3 [10/10]

    DARKNESS SETS IN – Vol.3 [10/10]

    Como escrito na review do Volume 2, esses dois novos volumes são realmente ótimos guias para todos que querem conhecer as ótimas bandas que a Bahia tem, e de diversos estilos.

    Este volume 3 realmente se completa com o volume anterior pela extrema qualidade das bandas participantes, bandas as quais tem toda nossa admiração, pois sabemos das grandes dificuldades que as mesmas passam por estar em um estado onde o monopólio musical é vergonhosamente aceito.

    Acredito que por esta situação e pela não conformidade das mentes verdadeiramente pensantes, as bandas realmente levam a sério o que fazem, sangue nos olhos mesmo. E é realmente incrível como a cena nesta terra é de fato fortíssima e proliferando bandas por todo o estado, que diga-se de passagem, bandas de um profissionalismo ímpar.

    Não somente a Bahia, mas todo o Nordeste pode se sentir maravilhosamente bem representado, me dá muito orgulho em saber que o metal está realmente vivo e sendo levado a sério e mais orgulho ainda é notar através destas compilações que independentemente dos distintos estilos, estão todos unidos por uma só causa. Parabéns por mostrar a todo Brasil e pro mundo que podemos ser muito mais fortes juntos, vocês são o exemplo verdadeiro disso. Hail!

    A Black Order Productions deu seu magnifico exemplo que espero muito que seja seguido por todo país.

    Trago para vocês neste review o Volume 3 que mais uma vez me arrebatou e me fez viajar entre as bandas renomadas e novas promessas que farão a cena brasileira estremecer muito em breve.

    BEHAVIOR – Ancient Cult Of The Obscene: Ótima banda que está na ativa desde 2008 e que já tem em sua bagagem dois trabalhos lançados e um split. Um grande representante da cena extrema da Bahia. Seu death metal permeia entre o brutal e o old school com riffs muito bem executados, uma faixa que foi muito bem escolhida para abrir esta terceira parte. Essa música também faz parte no ótimo CD Morbid Obsession.

    DREARYLANDS – Redemption: Quando o assunto na Bahia é metal, saiba que por lá não tem firulas. Essa banda é prova disso pois faz um heavy/power metal pesado e com melodias muito cativantes, entre seus membros existem pessoas muito importantes no cenário local e que fizeram parte de minha formação como headbanger. Estou falando do ótimo baterista Louis que fez parte de diversas bandas e que está na banda desde os tempos do Shadows e especialmente o Leo “Lion” Leão que além de ser um vocalista talentosíssimo é um verdadeiro guerreiro na luta pela disseminação do metal baiano por todo estado e por todo Brasil, e também vale mencionar que o Leo é um radialista muito respeitado e que me apresentou muitas bandas novas em seu programa. Sim, eu era seu ouvinte assíduo de todas as semanas.

    THE CROSS – Unto The Deep: Essa é a primeira banda de doom metal de toda a América do Sul, são percussores do estilo em nosso continente e que a sua volta às atividades deixou uma legião de fãs por todo mundo muito felizes. E nessa volta a banda veio com muito mais vontade e peso, pois seu doom metal é de fato único. Essa banda com certeza não poderia estar de fora dessa compilação, pois além de sua ótima música eles são grandes representantes e exemplo que de perseverança em nosso país. A faixa escolhida para acrescentar nesta coletânea é uma música inédita que fará parte de seu próximo EP Still Falling.

    VEULIAH – The Edge: Essa é uma banda que faz death metal numa linha mais melódica, um trabalho excepcional feito pelos seus virtuosos integrantes. Essa banda com certeza bebeu da fonte dos antigos álbuns do Malefactor, notamos uma forte influência das linhas de vocais do Lord Vlad nesta música. E não é pra menos, essa banda conta em seu line-up com um ex-Malefactor, o Luciano Veiga nos seus competentíssimos teclados. Essa música faz parte do seu último álbum lançado em 2013 Chaotic Genesis.

    PAPA NECROSE – Wake Up To Hell: Brutalidade degenerada, uma banda que faz um death metal cheio de riffs muito energéticos e que segue uma linha mais old school. Ouvindo essa banda tenho a sensação de estar ouvindo as clássicas bandas do passado dentro do estilo. Entre seus ótimos integrantes temos aqui o já comentado no volume 2 Marcio Jordanne e o virtuoso guitarrista Carlos Silva, que também é um luthier muito requisitado e também faz parte do line-up do grande Eternal Sacrifice sob o pseudo Charles Lucxor Persponne.

    MORTIFERA – Hell Is Here: Agora é a vez da brutalidade extrema do sul do estado da Bahia, precisamente da cidade de Ilhéus. Essa banda apresenta um death metal empolgante e com uma qualidade muito boa, fiquei surpreso e impressionado ao ouvir essa faixa. No início até pensei que se tratava de um cover, já que o Headhunter D.C. tem uma música com mesmo nome. Espero muito conhecer mais desta banda muito em breve, sua participação nesta compilação foi absurdamente boa.

    SECOND FACE – Religion Infanticide: Essa é uma banda antiga na Bahia, esses insanos de Itabuna fazem um grindcore muito bom, com seus riffs que nos remetem a grandes nomes do estilo como Napalm Death e até mesmo Defecation. Vocais e um instrumental bem encaixados que fazem desta participação uma grande contribuição e nos deixou com aquela sensação de querer ouvir mais dessa banda.

    GODSLAYER – Viking Metal: Outra surpresa desta compilação, banda que com certeza é muito influenciada por Amon Amarth e Mithotyn, a música é muito bem construída e cheia de passagens que realmente nos remetem a era dos guerreiros que empunham suas espadas pela defesa da honra. Uma ótima participação aqui.

    HUMAN – Evolution At Any Cost: Heavy metal glorioso, melodias maravilhosas e uma essência puramente oitentista. A música começa com um clima melancólico e lindo que se mescla a um pesado instrumental feito por membros que amam o que fazem. Ouvindo essa música viajei entre muitos clássicos imortais como Dio, Omen, Candlemass e a velha fase do Grave Digger. Nem preciso escrever aqui a minha felicidade ao ouvir esta participação, e essa música faz parte do seu ótimo álbum lançado em 2016 Sad Modern World.

    BLESSED IN FIRE – The Rising: Liderada pelo renomado Sidiney “Grim” Falcão, músico e produtor musical muito competente, essa banda faz um estilo bem diferenciado chamado mystic metal, mas se você acha que pela nomenclatura se trata de algo como black metal e estilos parecidos, saiba que não. A banda nessa música viaja entre a melodia do heavy metal e o peso agressivo do power metal, e também com partes que a banda usa blastbeats de forma impressionante que surpreendentemente se encaixam perfeitamente na sua proposta musical. Posso dizer que é uma banda pioneira na composição e execução de seu estilo. Realmente único.

    METALWAR – Follow The Sun: E pra fechar este volume 3 foi escolhido o ótimo power metal tradicional vindo de Feira de Santana, Metalwar, que executa com extremo profissionalismo seu estilo muito pesado. Em sua rede social a banda declara “No keyboards, No Balads”, então já deu pra sentir que a agressividade aqui é real. Com solos muito bem feitos e uma sonoridade que horas versam com o thrash metal, essa foi uma ótima escolha pra finalizar este volume 3.

    Considerações finais:

    Esta compilação assim como volume 2 nos mostraram como a Bahia é uma usina em plena produção de músicas pesadas e feitas com verdadeiro sentimento underground. Ouvimos aqui vários estilos dentro do metal que hora nos impressionou, hora nos arrebatou e nos emocionou. Grandes nomes junto às novas promessas que honestamente nos deixou muito felizes. Esperamos muito que o volume 4 venha nos apresentar mais bandas deste estado do nosso grande país que fazem suas músicas com raça, talento e muita determinação.

    Parabéns para todas as bandas participantes, nossas sinceras congratulações a todo estado da Bahia. Estejam sempre firmes e fortes.

  • DARKNESS SETS IN – Vol. 2 [10/10]

    DARKNESS SETS IN – Vol. 2 [10/10]

    Depois de muitos anos após o Volume 1 essa maravilhosa compilação promovida pela Black Order Productions está de volta.

    Meus parabéns ao Lord Vlad mentor deste trabalho que uniu várias bandas de muita qualidade, que fazem parte do cenário underground baiano, mostrando para o Brasil e para o mundo que a Bahia é também um celeiro de grandes grupos de metal, e uma cena que vem se renovando e se mantendo firme e forte.

    A gravadora, de uma forma ousada, lançou simultaneamente dois volumes, sim, o Volume 2 e o Volume 3, que apresentam produções impecáveis. Essas coletâneas não devem ser vistas apenas como duas compilações e sim como dois ótimos guias para quem quer conhecer ótimas bandas que a Bahia tem, e de diversos estilos do metal.

    O ponto mais notável é que nestas produções a gravadora não privilegiou essa ou aquela banda. Esse trabalho nos transmite muita honestidade com abertura de espaço para novas bandas que não possuem discos lançados e nos apresenta atrações que, com certeza, são agradáveis promessas para a cena brasileira.

    Neste review estão as minhas impressões a respeito do Volume 2 deste lançamento.

    MALEFACTOR – Sodom And Gomorrah: Essa banda liderada pelo mentor da compilação trouxe para esta coletânea uma faixa de seu mais novo trabalho Sixth Legion. Uma ótima escolha, essa música traz um Malefactor revigorado e muito mais visceral. Foi uma ótima escolha para começar a coletânea, pela qualidade técnica e musical da banda, e pela execução de forma primorosa.

    AZTLÁN – Blood Offering: Essa música é perfeita na minha opinião, death metal feito com uma qualidade soberba. A temática aqui retratada pela banda é muito interessante e combina muito bem com sua música. Vale ressaltar que esta é uma “One Man Band” e seu membro fundador é um músico que tem muita história no underground baiano, e já passou por bandas renomadas como Malefactor (como session member), Deformity BR e Martyrdom.

    INSAINTIFICATION – Cowards At War: Thrash/death metal maravilhoso, pesado e até mesmo brutal. A banda apostou em uma ótima faixa extraída de seu álbum Diseased e que com certeza foi uma ótima escolha. Vale ressaltar que o Insaintification tem entre seus ótimos membros os renomados Daniel Beans e Tony Assis que integram o Headhunter D.C.

    VERMIS MORTEM – Inhuman Entities: A banda traz para essa coletânea um black metal de altíssimo nível e sua contribuição para nos traz a faixa pertencente ao single recém lançado. E que também tem em seu line-up o baterista Daniel Beans que demonstra muita versatilidade em sua função.

    ERASY – Sea Of Madness: Esses feirenses fazem um esplendido doom metal e dão um toque todo especial a esta compilação com a música escolhida que foi extraída de seu primeiro álbum, The Valley Of Dying Stars. Uma música que nos faz viajar entre seus vocais rasgados e riffs verdadeiramente sabáticos.

    INNER CALL – 2012: Essa banda tem me impressionado há algum tempo: heavy metal muito bem feito, sem melodias maçantes e chatas, e sim, pesado e visceral não deixando a veia dos anos 80 se perder. A música foi muito bem escolhida para fazer parte da compilação, pois se trata de uma faixa que também integra o ótimo CD Elementals lançado em 2017.

    SUFFOCATION OF SOUL – Life Invader: Banda da cidade de Poções interior da Bahia que tem conquistado o mundo com seu thrash metal na veia oitentista executado com maestria. Essa música demonstra uma banda afiadíssima e merecedora de toda ótima repercussão que estão obtendo. A música selecionada para estar aqui faz parte do seu novíssimo EP Macabre Existence.

    GOD FUNERAL – Where Everyone Is Equal: Death metal na veia dos velhos e saudosos tempos do estilo. Uma banda que vem arrebatando muitos fãs pelo mundo com sua música muito bem executada. Lançou recentemente o seu primeiro EP e está tendo uma grandiosa aceitação. O grupo tem entre seus integrantes o guitarrista George Lessa, que tem ótimas passagens em diversas bandas e que no God Funeral mostra o seu grande talento. A música escolhida para esta compilação é a faixa dá título ao seu EP.

    MARTYRDOM – Tetragrammaton: Essa é outra ótima banda oriunda de Feira de Santana, celeiro de grandes nomes de nossa cena. Banda com muitos anos de experiência e que com certeza não poderia estar de fora desta celebração. Com seu death/doom metal permeado com climas obscuros e frios, a musica escolhida para marcar com honra sua participação foi retirado seu ótimo álbum Ritual Místico De Adoração À Sabedoria Ancestral, lançado este ano.

    PROFANNO – Infiés: Ótima banda que faz um death metal brutalíssimo, cheio de técnica e uma execução de bateria impressionante feita por Marcio Jordanne, baterista que tem se tornado uma referência em todo país pela técnica e por trabalhos realizados junto a diversas bandas como Devouring, Rotten Cadaveric Execration e Papa Necrose. Não esquecendo que a banda conta também com outra persona muito grata e que tem uma carreira honrada, o Fulvio Alsan, que passou por grupos como Sower e Deformity BR.

    SADES – The Snow: Despois de passarmos por diversos estilos nesta maravilhosa realização promovida pela Black Order Productions, agora chegou a hora de muita melancolia e um clima negro feito por almas certamente doentias. A música apresentada aqui gravita entre partes rápidas e brutais até o mais mórbido e doentio doom metal. Uma excelente escolha para fechar este volume 2 com louvor.

    Considerações finais:

    Apesar da fábrica que prensou este material ter errado feio trocando a ordem de algumas faixas, a Black Order Productions, por respeito ao publico e por ter uma extrema responsabilidade, anexou ao CD um flyer muito bem elaborado com a ordem correta das faixas e expressando a sua decepção e indignação pela falta de profissionalismo por parte da fábrica. Um flyer que se torna parte integrante do belíssimo material gráfico desta realização que foi assinado pelo importante Marcelo Almeida (Other World).

  • FLESH HUNTER AND THE ANALASSAULTERS – The Plague [8,0/10]

    FLESH HUNTER AND THE ANALASSAULTERS – The Plague [8,0/10]

    Saindo nacionalmente o segundo álbum da banda Flesh Hunter and the Analassaulters batizado de “The Plague”. Um trabalho calcado na extrema violência. As músicas apresentadas são verdadeiras tormentas caóticas que vão agradar em cheio os amantes do estilo Black Metal com um toque Thrash Metal old school.

    E também notamos o legado que o mestre Tom Warrior perpetuou com seus famosos “Uhhhh” nas músicas. Já as guitarras combinam muito com as levadas enlouquecidas do baterista Vaginal Rapist, que neste CD demonstra todo seu talento nas baquetas. E este trabalho definitivamente mostra que a cena chilena está com ótimas bandas, apesar dos brasileiros sempre focarem mais na Europa e Estados Unidos. Bom, a América do Sul está repleto de ótimas bandas extremas e esta banda é prova disso.

    A música “The Entity” inicia com uma introdução muito mórbida e logo a destruição e o caos mostram sua força infame, “Born To Be Rat” com seus riffs a lá Hellhammer nos transmite muita energia e é impossível não destacar essa faixa como uma das melhores deste álbum.

    Também destaco aqui as músicas “On The Path Of The Burning Ground”, “A Rising Flood Of Perpetual Chaos” e “Warriors Prophecy” que são composições que notamos muita criatividade em meio a toda bestialidade brutalmente incorporada, ouvimos claramente desde o mais cru Raw Black Metal até riffs que nos rementem às clássicas bandas do passado como Possessed, Slayer, Celtic Frost e Sodom.

    Nesta versão nacional a gravadora adotou pelas cores vermelho e preto em todo material gráfico que combinou perfeitamente com as características desse álbum.

  • KURGAALL – Satanization [8,0/10]

    KURGAALL – Satanization [8,0/10]

    Essa é uma banda formada em 2005 na Itália pelo conhecido Lord Astaroth que já foi membro de muitas bandas como Provocator, Nagark, Bowel Stew, Horrid e Vulgaris. Ou seja um músico com muita experiência e knowhow no que faz. Satanization é o quarto álbum da carreira do Kurgaall que executa um black metal bem distinto da sonoridade das tradicionais bandas italianas como Evol e Opera IX por exemplo. O Kurgaall faz um som muito mais rápido e energético, os vocais do Lord Astaroth expressam a verdadeira maldade em seus rasgados tradicionais ao estilo, só que aqui feito com uma magnifica eficiência.

    Os outros membros que compõem esta ótima banda também não ficam para trás, são ótimo músicos e que conseguiram trazer a este álbum uma sonoridade muito cativante. Este álbum tem climas muito interessantes, com suas guitarras muito bem trabalhadas cheios de riffs que vão do tradicional black metal até fraseados com melodias intensas que nos faz perceber uma certa influência do Heavy Metal.

    É um trabalho muito mórbido e penetrante e suas letras proferem palavras da mais absoluta maldade em sua música que soam como hinos de guerra. Um banho de sangue cristão em uma pálida noite mistica.

    Para este lançamento a gravadora Hammer Of Damnation fez um trabalho excepcional, produziu um digipack luxuoso e muito bonito e nos chama a atenção pela alta qualidade em toda sua composição. Traz um encarte muito rico contendo letras, informações e muitas fotos. Falando das fotos, as mesmas são imagens que mostram o lado sodomítico do Lord Astaroth, isso mesmo, confira!

    Entre suas músicas empaladoras, sanguinárias e blasfemas destaco aqui a ótima “Satanization”, música que nomeia este álbum e que inicia uma suave execução de piano e que logo o caos diabólico anunciado pela voz do Lord Astaroth toma conta de tudo, pois vem uma tormenta destruidora fazendo dessa música logo de cara uma das melhores deste álbum.

    “Demystification Of Christ” também não soa muito diferente no que se referente ao caos, essa música remove qualquer esperança cristã referente a sua pseudo salvação em um instrumental impiedoso.

    “Nox Diaboli” não se trata de uma música e sim de um hino em louvor as negras entidades que habitam entre o inferno e este mundo, ouvindo este hino além das letras ritualísticas sentimos a paixão e amor ao oculto nas asseverações proferidas pelo seu membro fundador, “…Nox Diaboli, Lucifer Rex Mundi…”.

    “Widow’s Son” é uma música bem diferenciada de tudo que vinhamos escutado até aqui, seus vocais limpos e muito bem encaixados combinaram perfeitamente com todo instrumental e para minha surpresa essa música tem a participação de uma lenda, o Mortiis, que deu seu toque todo especial nessa composição.

    Dadas as premissas acima, você vai encontrar neste excelente lançamento um black metal envolvente e muto bem feito, uma gravação muito profissional e hinos arrebatadores que vão de declarações de guerras até a mais oculta adoração aos cultos profanos em louvor a Satanás. Um trabalho feito com muito esmero que contou com o grande talento do Kurgaall e a extrema competência da Hammer Of Damnation para materializar este artefato.

  • BAPTISM – The Devil’s Fire [8,0/10]

    BAPTISM – The Devil’s Fire [8,0/10]

    Este é o quinto álbum desta banda finlandesa que faz um Black Metal muito bem produzido. A gravadora My Dark Desires Records trouxe aos seguidores desta suprema arte uma produção impecável, um CD que logo de cara nos desperta curiosidade apenas por ver a belíssima capa. A música encontrada aqui não fica atras, uma obra maligna muito bem executada.

    As músicas, além de serem muito bem construídas, estão em um nível altíssimo de qualidade da gravação. Posso dizer que este trabalho do Baptism é de longe o melhor de sua carreira.

    Como mencionado acima, a capa é de fato um trabalho artístico extraordinário que foi assinado pela Misanthropic Art Illustrations e o encarte muito bem acabado contendo todas as letras ficou a cargo do Artem Grigoryeu.

    Destaco aqui a intro “Natus Ex Ignis” que tem um clima sombrio, uma atmosfera muito negra e, ao mesmo tempo, angustiante. “Satananda” começa uma incursão de bateria de nos deixar boquiabertos que logo se funde as suas guitarras extremamente pesadas e empaladoras, com seus riffs muito bem construídos exalando a verdadeira essência do obscuro Black Metal.

    “The Sacrament Of Blood And Ash” já começa numa pegada tipica do estilo, rápido, frio e avassalador, uma música empolgante que nos cativa por definitivo. As partes com vocais limpos combinam muito bem com o vocal extremamente blasfemo do Lord Sargofagian, que fez um trabalho muito competente aqui.

    “Devil’s Fire” é uma faixa que que definitivamente se destaca neste material, não é atoa que o mesmo nomeia este álbum. Riffs impregnantes executados com primor. Dá pra sentir ouvindo essa música o alto nível técnico destes integrantes e posso dizer que eles conhecem de fato o que se propõem a fazer.

    Destaco aqui também as ótimas músicas “Abyss”, “Cold Eternity”, “Malignant Shadows” e a faixa que fecha este opus maligno “Buried With Him” que demonstram o potencial desde trabalho que está sendo espalhado por todo planeta e agora aqui no Brasil. São músicas que gravitam entre o brutal e o melancólico em uma sinfonia majestosa e infernal

  • AD ASTRA PER ASPERA – Volume Two (Compilation) [9,0/10]

    AD ASTRA PER ASPERA – Volume Two (Compilation) [9,0/10]

    Este CD é uma ótima compilação de bandas que fazem parte do cast da gravadora Hammer Of Damnation. Neste trabalho a gravadora apresenta aos fãs do metal extremo de todo o mundo um pouco das bandas que estão sendo apoiadas pela HOD.

    Logo quando recebemos o material, a apresentação gráfica nos chamou atenção por sua capa muito bem feita e apesar do encarte ser simples, todas as informações necessárias estão aqui para aqueles que se interessarem em conhecer mais das bandas presentes.

    Esta gravadora vem se destacando pelo ótimo trabalho e por estar sempre atuante no cenário brasileiro e do exterior, assim promovendo as bandas de forma muito profissional e honesta. Ao iniciar nossa audição já nos deparamos com grandes bandas que vamos deixar aqui nossas impressões.

    1 – ETERNAL SACRIFICE – The Three Mashu’s Seals, The Conquest Of The Ganzir and Arzir Gates (Hazred Area): O CD inicia com esta banda oriunda de Salvador e que já fincou definitivamente sua bandeira entre os maiores nomes do black metal nacional. A música aqui apresentada faz parte do seu novo trabalho recém lançado pela HOD e que está tendo excelentes criticas ao redor do mundo, afinal estamos falando de uma banda que detém muito conhecimento musical e lírico. Uma faixa digna de estar abrindo essa compilação e mostrando todo seu poder. O Eternal Sacrifice realmente se destaca e abrilhanta de forma honrosa esta compilação. “The Three Mashu’s Seals…” é uma música que nos faz viajar entre seus climas majestosos, apresentando trabalhos de guitarras maravilhosamente bem executadas, teclados soberbos, bateria muito bem encaixada e os vocais do Naberius que é um show a parte, entre seus rasgados e vocais limpos podemos dizer que essa banda tem de fato uma sonoridade única.

    2 – EXTERMÍNIO – Alcateia Macabra: A faixa abre com uma introdução no mínimo perturbadora e que logo é seguido por uma música ríspida e crua em uma velocidade absurda que combina com suas partes mais lentas. Dá pra notar que essa banda é influenciada pelos mestres do grande Sarcófago. Sua música é realmente fria, crua, obscura e brutal com vocais que passam a sensação do caos absoluto que se encaixa com perfeição à sua proposta musical. Banda oriunda do Mato Grosso do Sul que está na ativa desde 2004.

    3 – EVIL – Uralter Hass: Está faixa é bem crua e essa música foi tirada do K7 “The Fall From Endless Grave”. Uma sonoridade direta, um trabalho simples e perfeita para os amantes do Black Metal subterrâneo.

    4 – GOAT PRAYERS – Bringdown The Celestial Lair: Ótima banda que faz um Black Metal muito bem executado. O seu inicio nos remete aos gloriosos e antigos trabalhos do Mayhem. No decorrer da música, vem partes cadenciadas que tornam essa música de fato muito empolgante e em meio a frieza de suas guitarras com riffs cortantes, notamos um clima muito mórbido com seus teclados. E também encontramos aqui belos dedilhados em meio a trovões que logo o caos toma conta de tudo e o torna uma excelente participação nesta compilação.

    5 – HAMMERGOAT – The Black Death, The Bubonic Plague: A participação desta banda trás um peso absurdo a está compilação, um som brutal e altamente recomendado para fãs do Blasphemy. Direto e reto em sua mensagem, fazem um som devastador, uma faixa curta porém muito expressiva.

    6 – SULPHURIS OBLIVIO – Endvra: Essa música quando inicia ficamos bem surpresos, contrasta com tudo que vinhamos ouvindo até aqui. O trabalho apresentado é um som depressivo e com uma melodia muito soturna. Os amantes do Doom Metal vão gostar muito desta participação. Confesso que achei a música um pouco repetitiva, mas não deixa de ser uma ótima música e é uma banda de fato interessante.

    7 – TOTEMTABU – Caixão De Lotus: Essa banda executa um som que se assemelha muito o Dark Metal e nos remete demais ao Bethlehem. Pois flutua entre o brutal e o depressivo, com vocais enlouquecidos e desesperados que dá uma sensação de muita angustia e dor. Realmente recomendo para amantes do Dark Metal feito no passado.

    8 – WALSUNG – Ashes To Ashes: Essa faixa foi uma participação primorosa, um pesadíssimo Pagan Black Metal com muita influencia de velho Doom Metal envolto em muita melodia mórbida e um clima muito negro. Essa música é muito bem feita e sua execução é impecável.

    9 – OPUS BELICO – Opening The Wargates Of Ares: Essa participação já inicia com guitarras extremamente contantes e depois a banda mistura partes cadenciadas com blastbeats ultra rápidos,. A musica em si não fica só nisso. Tem muitas passagens diferenciadas e dá pra sentir que é uma banda com muito conhecimento musical. A gravação deixou um pouco a desejar, pois com certeza se fosse gravada com um pouco mais de esmero, seria uma das melhores músicas apresentadas aqui. O vocal é muito forte e potente entre seus guturais e rasgados, o ponto fraco é que a voz está muito alta e por isso fica um pouco fora de tudo. Não deixa de ser uma boa participação, espero ouvir mais dessa banda em breve, pois essa música é bem construída apesar da gravação.

    10 – RAVENDARK’S MONARCHAL CANTICLE – Holocausto Manicomial: A música inicia com muita melancolia e depois vem uma brutalidade bestial que toma conta de tudo. O ódio com certeza é um dos fatores que faz parte desta composição e o torna revoltoso. Gostei muito desta faixa, me remeteu as várias vertentes do metal extremo em uma só música como Grind, Death Metal, Black Metal com uma pegada dos clássicos dos anos 90.

    11 – CARPATUS – From a Dreadful Past: Introspectivo, misantrópico e gélido. Foram essas as sensações ao ouvir esta ótima música. Essa banda consegue unir a rispidez do Black Metal com melodias intensas e obscuras, como uma forte névoa em uma noite fria e muito escura. Essa é uma participação que se destaca aqui, música muito bem feita e bem executada por todos os membros que formam essa grande banda.

    12 – DETHRONED CHRIST – Wolves: Trovões e Lobos sedentos por sangue uivando sob a luz da lua que anuncia o caos, de fato é o que essa música nos trás, o caos em um som completamente negro e sanguinário. O CD fecha aqui com uma demonstração do poderio bélico que compõe o Cast da gravadora. Essa banda fecha com honra a compilação, com muita maldade, brutalidade e um som que não foi feito para os fracos. Nota-se aqui a influencia do extremo feito em nosso país nos anos 80 e 90 por bandas como Sexthrash e Sarcofágo.

    Considerações finais: Esta compilação é uma demonstração de que o subterrâneo nacional está mais vivo do que nunca e com grandes bandas.

    O próprio material já nos alerta em seu encarte: BLACK METAL FOR PASSION – NOT FOR FASHION!

  • IN NOMINE SATANIS – Ajoelhado No Altar Da Ignorância [8,0/10]

    IN NOMINE SATANIS – Ajoelhado No Altar Da Ignorância [8,0/10]

    Este é o primeiro álbum desta banda que executa um Black Metal ríspido, cru e brutal. O In Nomine Satanis vem de São Luís com muita sede de sangue cristão, pois este álbum é uma declaração de guerra contra todos os dogmas impostas pelo nazareno. Sua música é fria e diabólica em uma sonoridade verdadeiramente Black Metal, os seguidores desta vertente do metal com certeza devem estar muito orgulhosos com o trabalho realizado neste opus, pois esses músicos são impiedosos nas composições, muito bem executadas. A banda se preocupou em fazer uma gravação muito digna, ouvindo este trabalho podemos ouvir claramente cada instrumento sem deixar perder a essência negra e suja. Este é um ótimo artefato que prova que o Black Metal nacional está no mesmo nível das tão “adoradas” bandas europeias. Recomendo que você ouça com atenção para comprovar o que estou escrevendo aqui. A capa, diga-se de passagem, perturbadora com cristãos empalados pelo próprio senhor das trevas reflete claramente a temática deste álbum, a ilustração foi feita pelo Eduardo Andrade que com certeza captou de forma brilhante a mensagem proferida pela horda. E todo ótimo design foi feito pelo Gleidson Oliveira (Insane Abomination) que trás as letras e todas informações técnicas. O trabalho apresentado aqui pelo In Nomine Satanis é muito bem produzido, que sirva de exemplo para todas as bandas que querem de fato se profissionalizar, o CD já abre com uma intro “Your God Is Not Here”, um clima sombrio em meio aos trovões e cristãos sofrendo tormentas inimagináveis, seus gritos de desespero e dor dão um toque ainda mais assustador. “In Nomine Satanis” música que leva o mesmo nome da horda e é uma belíssima composição que de cara mostra todo potencial de seus músicos, uma música que une melancolia e brutalidade com vocais muito bem encaixados. Este CD é realmente uma grande realização e para ser o primeiro trabalho oficial, posso dizer que estes membros desempenharam suas funções com extrema competência. Destaco aqui também as músicas “Besta Interior”, “Destruindo O Ideal Cristão”, “A Praga Da Destruição” que são verdadeiros hinos nos melhores moldes do estilo. Este trabalho chama muita atenção pela alta qualidade nas músicas e em toda sua concepção. Espero que não demore para que esta banda nos traga mais um álbum. Black Metal feito com a preocupação de trazer aos amantes do estilo um álbum autentico e de fato maldito.

  • HERETIC EXECUTION – Chaos Aura [9,5/10]

    HERETIC EXECUTION – Chaos Aura [9,5/10]

    Chaos Aura é o titulo que descreve de forma muito clara o que encontramos neste ótimo trabalho, banda oriunda de um dos berços mais promissores do metal extremo nacionais, Salvador, essa banda veio para deixar a sua marca no underground nacional. O Death metal executado aqui é muito sombrio e brutal, tem momentos que notamos que essa banda com certeza é muito influenciada pelos mestres do Incantation. Com uma sonoridade miasmal e muito impregnante, faz com essa banda se destaque de fato na cena, suas músicas são muito bem construídas e estudadas para soar soturno e obscuro com suas partes hora rápidas, hora melancólicas e nos faz viajar em sua introspecção misantrópica. Uma banda que tenho certeza que ainda vamos ouvir falar muito. A Kill Again Records acertou em apostar neste lançamento, uma banda com um incrível nível técnico e muito conhecimento em sua proposta musical. O Heretic Execution é formada por quatro membros entre eles o renomado Eucini Santy que foi de outra ótima banda, o Escarnium que é muito reconhecida fora de nosso país. Neste trabalho o Eucini acumulou duas funções distintas, guitarra e bateria, que posso afirmar que os executou com extrema competência. Os vocais do Disgracedeath dá um toque muito especial às músicas, pois é um vocal de uma essência muito negra. O Leonardo Reis fez um trabalho muito bom nas quatro cordas, o seu baixo é muito latente em todo o CD, impossível  de não ser notado. E as guitarras do lead Israel Ferrão além de formar um par perfeito com o Eucini, seus solos são demasiadamente caóticos e cortantes, também melódicos como na faixa “Necrotic Trinity”… Death Metal até os ossos! A apresentação gráfica do CD é muito boa, uma capa que nos chama a atenção e só de olhar já percebemos que se trata de uma banda brutal e extrema, o mesmo foi assinado pelo conhecido artista Andrey Faley da Kroms Art, já todo ótimo layout deste álbum ficou a cargo do multi-instrumentista Eucini Santy que mostrou ter muito talento gráfico. O encarte trás todas as letras e informações além de ótimas fotos da banda, vale à pena conferir. Este trabalho nos trás nove faixas de pura maledicência, um tracklist que foi pensado em fazer deste CD um trabalho para nos cativar e nos fazer querer ouvir ainda mais, não sendo um material massante e enjoativo. As faixas de fato se completam com muita perfeição. A primeira faixa “From The Degraded Side” inicia com uma intro atormentadora e que logo entra um instrumental cadenciado e pesadíssimo que se encaixa com o vocal de forma impressionante, depois essa música toma muita energia com partes rápidas com blastbeats impecáveis dentre as partes lentas e cadenciadas… Death Metal como deve ser… Mais tradicional impossível. E destaco aqui as ótimas faixas que vão te fazer bater cabeça onde você estiver, “Deadly Vociferetions” que p… q… p… é uma música que me fez ouvi-la repetidas vezes, sua pegada e seus riffs que nos remete ao melhor do estilo nos anos 90 e começo de 2000 nos arrebata de imediato. “Deluded By The Christ Coming” já começa destruindo tudo, decepando cabeças e eliminando qualquer esperança cristã referente ao seu deus, um teor lirico forte e blasfemador que faz dessa música uma desgraça para os fracos. “Sepiternal Anguish” inicia com guitarras limpas que logo uma aura negra e diabólica toma conta da música, os harmônicos artificiais aplicados nos riffs que nos remete aos trabalhos do já mencionado aqui Incantation. “Necrotic Trinity” começa com intro que traduz bem o que o cristianismo nos trouxe até os dias de hoje, guerras, mortes, discórdias e alienação… ao invés de sua ilusória salvação. A sétima faixa nos deixa boquiabertos com a sua composição, uma execução de violão clássico maravilhosamente muito bem executada dentro de uma clima enevoante e noturno. Death Metal feito para quem realmente ama Death Metal, não são músicas para modistas e simpatizantes. Música para verdadeiros cultuadores do não sagrado Death Fucking Metal.