
Acompanhe a seguir a cobertura do primeiro dia do
Bangers Open Air 2026, com os textos das apresentações em ordem cronológica em que os shows aconteceram ao longo do sábado, 25 de abril, nos palcos
Ice,
Sun,
Waves e
Hot. As coberturas completas sobre toda a experiência do
Bangers Open Air, da
Pre Party, que aconteceu na última sexta-feira (24), e do segundo dia de festival, realizado no domingo (26), estão disponíveis nos links abaixo.
KORZUS (Ice Stage)
Por Leandro Nogueira Coppi
Fotos: Bel Santos
O corte simbólico da fita de inauguração do Bangers Open Air ficou em boas mãos na edição de 2026. Korzus, no Ice Stage, e Lucifer, no Sun Stage, receberam essa missão e corresponderam à altura. Como ainda não desenvolvi o dom da onipresença, acabei perdendo o show da banda estrangeira, mas fui feliz na escolha pelo Korzus, de quem sou bem mais fã. O veterano grupo paulistano de thrash metal anunciou recentemente sua nova formação, oficializando Jean Patton e dando as boas-vindas a Jéssica Falchi. Ambos os guitarristas foram muito bem recebidos pelo público, que aguardava ansiosamente para ver a nova formação ao vivo – especialmente quem não assistiu ao show de estreia no Party On Till Wacken, realizado dias antes.

Infelizmente, muita gente ainda estava do lado de fora do Memorial da América Latina quando, ao meio-dia, o Korzus surgiu no palco. Com um setlist matador, porém um pouco diferente do apresentado na estreia, Marcello Pompeu e seus parceiros foram acompanhados por muito headbanging de quem conseguiu entrar a tempo de ver clássicos como
Agony,
P.F.Y.L.,
Victim of Progress,
Mass Illusion (com direito à conhecida introdução narrada por Roger Moreira, do Ultraje a Rigor, produtor do álbum homônimo),
Catimba, Guilty Silence,
Discipline of Hate,
Correria e a inédita
No Light Within, entre outras.
A nova formação parecia estar junta havia anos, tamanha a segurança e o entrosamento demonstrados no palco. As imagens projetadas no telão, especialmente durante as músicas de
Mass Illusion, também causaram impacto. Ao fim da apresentação, assistida e curtida da pista por Sílvio Golfetti, guitarrista original do Korzus, Patton confidenciou a este repórter que o conteúdo exibido ao fundo era criação de Jessica. Pelo visto, o Korzus foi certeiro na escolha dos músicos que o acompanharão nesta nova fase.
LUCIFER (Sun Stage)
Por Antonio Carlos Monteiro
Fotos: Roberto Sant’Anna
Lucifer foi o nome ideal para estrear o palco Sun debaixo do sol infernal do meio-dia que castigava São Paulo naquele sábado. Mas, trocadilhos 5ª. série à parte, o fato é que o quinteto entrou em cena totalmente renovado. Após a separação da vocalista Johanna Platow do baterista Nicke Andersson (Entombed, Hellacopters), todo o time foi trocado, só ficando a cantora. A banda passou a ser majoritariamente feminina com as entradas de Coralie Baier (guitarra) e Claudia Gonzalez (baixo) – os também novatos Max Eriksson (guitarra) e Kevin Kuhn (bateria) completam o time.

Tocando para um público majoritariamente de fãs que já conheciam seu trabalho, o quinteto entrou em cena com o jogo ganho. E não decepcionou. Comandado por uma vocalista afinadíssima e completamente inquieta em cena, o Lucifer fez um show de uma hora parecer que passou em dez minutos, tal a qualidade da apresentação. Ajudou muito nisso o som simplesmente perfeito, em que tudo se fazia ouvir com clareza e volume perfeitos.
Em uma apresentação mais do que coesa, os destaques ficaram para o fim, com a instigante e grudenta
Bring Me His Head e uma interessante versão de
Goin’ Blind, do Kiss, que manteve as características originais, mas ficou com a cara do Lucifer. Um ótimo início de festa!
EVERGREY (Hot Stage)
Por Marcelo Gomes
Fotos: Bel Santos
O Evergrey subiu ao palco do festival logo após o Korzus com a missão, nada simples, de mudar o clima – e conseguiu. Ao abrir com
Falling from the Sun, a banda demonstrou que apostaria mais na densidade emocional do que na agressividade direta.
Where August Mourn e
Weightless aprofundaram essa atmosfera melancólica, ao passo que
The World Is on Fire e
Eternal Nocturnal trouxeram o peso moderno da nova fase. Um dos pontos mais relevantes foi a presença do novo guitarrista, Stephen Platt, que assumiu após a saída de Henrik Danhage; sua execução mostrou-se precisa e adequada ao estilo da banda. O contraste em relação ao show anterior evidenciou que o público soube apreciar as diferentes dinâmicas propostas pelo festival.

Na sequência,
Call out the Dark e
King of Errors reacenderam a energia do público, equilibrando emoção e riffs marcantes, ao passo que
Architects of the New Weave evidenciou como o material recente dialoga bem com os clássicos. A reta final, com
Leaving the Emptiness e
OXYGEN!, encerrou o set de forma intensa, com o público já envolvido pela proposta mais introspectiva da banda. Mesmo sem recorrer a efeitos pirotécnicos, o Evergrey apresentou um show coeso e carregado de sentimento, demonstrando que sua principal força reside na capacidade de criar atmosferas e impactar emocionalmente o público.
SUJERA (Waves Stage)
Por Fernando Queiroz
Fotos: Andre Santos
Vencedores do concurso New Blood dessa edição, o Sujera veio da Zona Leste de São Paulo representar o hardcore no festival. Muitos podem ter achado estranha a presença deles lá, dada a sua proposta de som (eu mesmo achava), mas a verdade é que seu som é pesado e com atitude; não apenas faz parte desse nosso universo, mas há um público convergente entre o metal e o HC. Prova disso foi a quantidade de fãs fiéis que compareceram ao Auditório Simon Bolivar, onde ficava o palco Waves – não apenas um público grande, mas enérgico e que, mesmo com o espaço limitado para fazer seus bate-cabeças, agitou muito.

Mascarados, com a proposta de ser “da quebrada”, pela falta de uma definição melhor, os músicos fizeram seu trabalho com muito esmero, incluindo vários estilos ao seu som, do punk ao hardcore, e até nu metal e rap. A parte estranha foi quando colocaram um funk carioca de introdução para uma música – quebrou um pouco o clima. Uma excelente qualidade de som, com a boa acústica do espaço, tornou aquele um momento importante para o festival, não apenas pela representação do gênero, mas para provar que uma banda underground brasileira pode, sim, fazer música com qualidade sem perder o peso e a atitude.
VIOLATOR (Sun Stage)
Por Antonio Carlos Monteiro
Fotos: Bel Santos
É thrash metal old school que você procura? Esta é a sua banda. Alto, rápido, gritado e com seus músicos se movimentando de forma incessante em cena. Os brasilienses estão na ativa desde 2002, e 24 anos não são 24 dias. A experiência acumulada nesses anos todos se reflete claramente na performance de Poney Ret Crucifier (vocal e baixo), Capaça Bloody Nightmare (guitarra), Cambito Chains Killer (guitarra) e Batera Bone Crusher (bateria), que não param quietos um instante sequer.

Aliado à sonzeira, uma característica arriscada, mas que faz parte da história da banda desde sempre: o posicionamento político explicito. Desde uma bandeira da Palestina exposta em um dos amplificadores até o discurso político de Poney antes de apresentarem False Messiah, a banda não perdia a oportunidade de se posicionar.
O fato é que, independentemente do engajamento político do quarteto, a galera agitou com o Violator, mostrando a força do underground no maior festival de metal da América Latina. Ponto pra banda.
FEUERSCHWANZ (Ice Stage)
Por Fernando Queiroz
Fotos: Andre Santos
Como quase toda banda que é uma sátira, muitos vão odiar, enquanto outros amarão. Provavelmente, essa foi uma das atrações do festival que mais dividiu opiniões. Como sempre digo, o power metal (e, nesse caso, o folk também) se reinventou muito bem nos últimos anos incluindo doses de humor em sua música – e no caso dos alemães do Feuerschwanz, que faziam sua estreia no Brasil, essa dose foi cavalar.

Com oito integrantes no palco, sendo duas fazendo apenas performance, sua apresentação foi hilária, e um show de carisma. Fantasiados como paródias de guerreiros medievais, apresentavam seu último disco,
Knightclub, do ano passado. É nele, aliás, que estão algumas de suas músicas mais populares. Para dizer a verdade, não eram muitos lá que conheciam bem o grupo, mas o interessante foi ver o domínio que eles têm da plateia, a ponto de ver até gente que torcia o nariz antes, agitando durante a uma hora que tiveram para se apresentar – um bom exemplo foi quando fizeram sua versão de
Dragostea Din Tei, do O-Zone, falando a frase “festa no apê” durante o refrão (essa é aquela música que o cantor Latino popularizou no Brasil como
Festa no Apê). Risadas não faltaram! Foi um daqueles shows do qual você sai leve.
ENGINEERED SOCIETY PROJECT (Waves Stage)
Por Antonio Carlos Monteiro
Fotos: @biancatatamiya | MHermes Arts
E o público descobriu o Waves Stage! Se em outras edições o Auditório Simon Bolivar não teve um público à altura de suas dependências, nesta edição o que se viu foram shows lotados, o que combinava perfeitamente com o clima intimista que um show em teatro proporciona.
E foi o caso da Engineered Society Project, banda que poucos conheciam, mas que todos deviam saber quem é. O quarteto de Houston (EUA) faz um metal que mescla características modernas e tradicionais, tem ótimos instrumentistas e um vocalista absolutamente único. Kris Keyes entrou em cena trajando uma espécie de capa com estampa que simulava chamas e ostentava uma bengala envolta no mesmo tecido. Com uma maquiagem propositalmente exagerada, ele caminhava pelo palco, interagia com os parceiros e com a plateia – chegou a, no meio de uma música, se aproximar da beira do palco para posar para uma foto junto a um fã mirim. E sempre de sorrisão cicatrizado na cara.

Destaque também para o guitarrista Jo Jo Brown, extremamente técnico e criativo – sabe aqueles caras que você vê no palco e conclui que tocar guitarra é muito fácil? É ele.
O excelente show do Engineered Society Project serviu para provar que um festival como o Bangers não serve apenas para conferir nomes clássicos que já conhecemos, mas também para conhecer novos grupos.
JINJER (Hot Stage)
Por Marcelo Gomes
Fotos: Roberto Sant’Anna
Apesar de um leve atraso, o Jinjer subiu ao palco do Bangers Open Air com uma confiança absurda. Abriram com Duél e deixaram evidente que fariam valer a pena cada minuto da apresentação. Green Serpent e Fast Draw destacaram-se pela precisão, com a banda transitando entre groove e técnica com naturalidade; Vortex e Disclosure! evidenciaram a eficiência de seu som ao vivo, especialmente pela presença magnética da vocalista Tatiana Shmayluk. O contraste entre peso e melodia tornou-se ainda mais evidente em Tantrum e Teacher, Teacher!, mantendo o público atento a cada mudança de dinâmica. Tratou-se de uma apresentação sem espaços para dispersão, marcada por constantes variações rítmicas e de intensidade.

Na parte final,
Hedonist e
Perennial trouxeram maior carga emocional, preparando o terreno para a sequência formada por Someone’s Daughter e Pisces, esta última recebida como um dos pontos altos do show. O encerramento com
Sit Stay Roll Over ocorreu de forma direta e intensa, consolidando um setlist equilibrado entre técnica, agressividade e identidade. O Jinjer encerrou sua participação com uma performance consistente e dinâmica, destacando-se como um dos momentos mais sólidos do festival.
TORTURE SQUAD (Sun Stage)
Por Fernando Queiroz
Fotos: Bel Santos
Não tenha dúvidas: o Torture Squad promete e entrega. Escalado em cima da hora, após o Fear Factory cancelar a vinda ao festival por problemas de saúde, o grupo brasileiro surgiu como uma escolha prática e segura. Conforme havia sido divulgado, a banda preparou um repertório “best of” para a apresentação. E, de fato, entregou o melhor de seu bom e velho death/thrash metal ao revisitar a carreira com músicas de todas as fases de sua trajetória.

Mesmo competindo em horário com o Black Label Society, que se apresentava no palco Hot, Mayara Puertas, Amílcar Christófaro, Castor e Renê Simionato contaram com um público considerável, que agitou junto no meio da tarde sem se preocupar com o forte calor. Como sempre, o Torture Squad mostrou por que é um dos grandes representantes da nossa cena.
Sempre que vejo a banda, faço questão de destacar o carisma de Mayara Puertas diante da plateia. Ela é mais do que uma vocalista incrível: é uma frontwoman nata, que esbanja presença e carisma. Somente um grupo experiente e talentoso conseguiria, mesmo incluído às pressas, assumir a responsabilidade e manter a confiança dos fãs, ainda que prejudicado por um som um pouco desregulado e embolado em comparação aos demais que haviam passado pelo mesmo palco.
MARENNA (Waves Stage)
Por Luiz Tosi
Fotos: @biancatatamiya | MHermes Arts
Um dos poucos representantes do hard/AOR – estilo mais melódico e acessível – num ano em que o line-up do festival focou em vertentes mais brutas e tradicionais do metal, o Marenna apareceu como um respiro que muita gente nem sabia que precisava.
Nem mesmo um leve atraso por problemas técnicos (mas que, num set curto, foi o suficiente para limar uma faixa) tirou o brilho dos gaúchos. Com um hard rock moderno, mas de alma oitentista, cheio de melodia, refrãos bem construídos e uma preocupação quase artesanal com arranjos, o show empolgou logo de cara com Voyager, abrindo o caminho de forma segura para – com o perdão do trocadilho – a viagem que viria pela frente.

A partir daí, a banda correu atrás do prejuízo sem se afobar nem perder a classe, com números como Never Surrender, How Long, Runaround e o “hit pronto” You Need To Believe, que conquistaram o ótimo público no Auditório Simón Bolívar – que, mesmo sentado, cantava em plenos pulmões.
Foi uma excelente apresentação. O único crime foi, novamente com o perdão do trocadilho, não terem tocado a minha favorita deles, a ótima Perfect Crime. Foram cerca de quarenta minutos que passaram rápido. Um show direto, coeso, honesto e extremamente apaixonado de uma banda pronta para voos e palcos ainda maiores.
KILLSWITCH ENGAGE (Ice Stage)
Por Marcelo Gomes
Fotos: Andre Santos
O Killswitch Engage transformou o palco em um verdadeiro campo de batalha, misturando peso, melodia e carisma em doses cavalares. Logo de cara, Fixation on the Darkness e In Due Time já colocaram o público em movimento, enquanto The End of Heartache trouxe um momento coletivo de catarse. Detalhes como o baterista tocando descalço e Adam Dutkiewicz enrolado com a bandeira do Brasil criaram um clima de conexão ainda mais próximo com o público, que respondeu à altura. Aftermath, dedicada ao In Flames, e Rose of Sharyn reforçaram o lado mais emocional da banda, sem perder o peso característico.

A segunda metade do show foi uma sequência quase imbatível: Hate by Design, The Signal Fire e I Believe mantiveram a energia elevada, enquanto clássicos como The Arms of Sorrow e This Fire garantiram a conexão com os fãs de longa data. Homenagens também marcaram presença, com My Curse homenageando Zakk Wylde e o Black Label Society. O vocalista Jesse Leach desceu literalmente para a galera em My Last Serenade e o cover de Holy Diver fechou a apresentação, em meio a sinalizadores nas rodas que deram um espetáculo visual à altura da intensidade sonora.
OZZY OSBOURNE TRIBUTE (Waves Stage)
Por Fernando Queiroz
Fotos: @biancatatamiya | MHermes Arts
O Bangers Open Air tem seu histórico de tributos em diversas edições. A desse ano não poderia ser de outra personalidade que não Ozzy Osbourne, o ícone máximo do gênero que tanto amamos! Falecido em julho de 2025, se há alguém que merece tributos é o Príncipe das Trevas.
Amilcar Christófaro na bateria, Fernando Quesada no baixo, Yohan Kisser na guitarra e Mateus Schanoski nos teclados formavam a banda base dessa homenagem. Junto a eles, simplesmente nosso “Ozzy brasileiro”, o querido Tomé, que encarna perfeitamente o padrinho do heavy metal há muitos anos com o cover Ozzmosis.

Mas não parou por aí! Também tivemos grandes e icônicos nomes do metal nacional participando durante todo o show, como Hugo Mariutti, Mayara Puertas, João Luiz, Gustavo Marabiza, Dona Fran, Rafaela Reoli e Jean Patton – nomes do mais alto calibre da nossa cena! Com cerca de dez minutos de atraso, pois Amilcar tinha acabado de tocar com o Torture Squad no palco Sun, o que vimos foi um desfile de sucessos da carreira de Ozzy, passando por todas as suas fases, com cada música sendo tocada de forma “ao pé da letra”, com muito respeito à obra do cantor inglês. Ozzy é eterno, e sua música será ouvida e homenageada por muitos anos.
CRYPTA (Sun Stage)
Por Antonio Carlos Monteiro
Fotos: Bel Santos
Acredite quem quiser, este que vos fala jamais tinha tido oportunidade de conferir um show da Crypta. Isso acabou no Bangers Open Air. E confesso: deveria ter ido antes! Um time que tem uma igual à de como Fernanda Lira (vocal e baixo), Tainá Bergamaschi (guitarra), a recém-efetivada Victoria Villareal (guitarra) e Luana Dametto (bateria) só poderia entregar um show como o que se viu no Sun Stage: coeso, muito bem ensaiado e com a segurança que só os bons (e os que tocam direto) conseguem ostentar.
O destaque da banda sem dúvida é Fernanda Lira. Além de ser uma excelente frontwoman, interpretando cada letra e não economizando nas caras e bocas, é uma excelente baixista. Impossível desgrudar os olhos dela durante toda a apresentação.

Uma curiosidade: ao final do show, o fã-clube The Outsiders deu a Victoria o título de “brasileira por consideração”, com direito a CPF e cartão do SUS.
Outra: segurança que estava exatamente embaixo do centro do palco não usava protetor auricular. Perguntado, devolveu na lata: “Eu gosto da banda!”
Heavy metal é isso aí, caso alguém não saiba.
BLACK LABEL SOCIETY (Hot Stage)
Por Marcelo Gomes
Fotos: Roberto Sant’Anna
Um dos shows mais esperados do dia foi o do Black Label Society. Antes de começar, Zakk Wylde subiu ao palco com seus bonecos e fazendo suas brincadeiras características. É inegável o carisma do guitarrista, que foi o fiel escudeiro de Ozzy Osbourne por décadas e construiu uma base de fãs gigante pelo mundo. Aqui não foi diferente: Zakk tem mais que fãs, tem uma legião completamente devota. Funeral Bell abriu o set já com riffs densos, seguidos por Name in Blood e Destroy & Conquer, em um show carregado de peso e atitude.

Um dos destaques da apresentação foi o cover de No More Tears, no qual o público pôde ouvir aquele solo icônico direto das mãos de seu criador. Além disso, Zakk, ao piano, prestou uma bela homenagem a Dimebag Darrell e Vinnie Paul com a emocionante In this River. Em seguida, aproveitou a execução de Fire it Up para improvisar no solo. Junto com seu parceiro de banda, Dario Lorina, duelaram, fizeram duetos com as guitarras nas costas e entregaram tudo que se espera de guitar heroes. Como não poderia faltar, a recém-lançada Ozzy’s Song chegou para selar de forma definitiva a parceria e a amizade com o Príncipe das Trevas. Teve tempo ainda para uma breve jam que incluiu trechos da música Black Sabbath, reforçando a forte influência dos criadores do estilo, para então encerrar com Stillborn de maneira explosiva, deixando o público com a sensação de ter testemunhado um show histórico.
SEVEN SPIRES (Waves Stage)
Por Fernando Queiroz
Fotos: @biancatatamiya | MHermes Arts
A parte mais triste – e até diria que foi uma injustiça – de todo o festival foi o Seven Spires tocar no palco Waves. Digo com propriedade que, se tivessem feito a apresentação no palco Sun, seria um sucesso de público. Bastava ver como o teatro estava lotado no horário deles.

A banda que revelou o batera Chris Dovas para o Testament levou em peso o público do metal sinfônico para seu show. Essa foi a primeira passagem dos norte-americanos pelo Brasil (embora não o primeiro show, ocorrido no dia anterior, na pré-party do festival); a expectativa era grande, com pessoas usando camisetas do “Seven Spires Brasil”, seu fã-clube brasileiro. A vocalista Adrienne Cowan, que já coleciona passagens por nossas terras com outros projetos, como ninguém menos que o Avantasia, mostrou porque é tão requisitada em diversos trabalhos de muitos artistas: faz um excelente gutural, e alterna de forma impressionantemente natural seu lindo vocal limpo. Claro, tem suas limitações, sua voz rasgada é sempre aguda. Quem a ajuda em partes mais graves é o baixista Peter de Reyna, que também faz as dobradinhas – enquanto Adrienne faz os limpos, Peter faz os guturais. Um dos melhores shows do dia, e talvez do festival como um todo!
TANKARD (Sun Stage)
Por Leandro Nogueira Coppi
Fotos: Andre Santos
O Tankard foi uma das cinco atrações da Pré-Party do Bangers Open Air, realizada na Audio, também em São Paulo, na noite anterior ao início do festival – as outras foram Trovão, Seven Spires (com participação de Roy Khan), Matanza Ritual e Primal Fear. Horas antes de subirem ao palco do Bangers, durante o dia os simpáticos Andreas “Gerre” Geremia (vocal) e Andy Gutjahr (guitarra) já circulavam pelo Artist Village – área reservada aos artistas, imprensa e convidados do festival –, tomando banho de sol tranquilamente, sem serem abordados. Pareciam ter recarregado as baterias, pois, às 19h, se juntaram ao baixista Frank Thorwarth e ao novo baterista Gerd Lücking (ex-técnico de som do grupo, que assumiu as baquetas após a saída de Olaf Zissel, integrante da formação por 20 anos), e, com muita energia desfilaram seu thrash metal quadragenário.

Com um setlist ligeiramente modificado, tanto nas músicas escolhidas quanto na ordem de execução, o quarteto agitou os fãs. Contando com um som bem melhor no Sun Stage do que na Audio, onde esteve mais alto do que o necessário, e sem o pedal do bumbo de Gerd voltar a apresentar problemas, esta apresentação do Tankard foi mais agradável de assistir.
No repertório, clássicos do thrash metal teutônico não faltaram:
One Foot in the Grave,
The Morning After,
Rapid Fire,
Die with Your Beer in Your Hand,
A Girl Called Cerveza e
Chemical Invasion fizeram a alegria dos thrash maniacs. O momento mais divertido, claro, ficou para a derradeira
(Empty) Tankard. Em contrapartida,
Ex-Fluencer e
Beerbarians, do último álbum,
Pavlov’s Dawg, não empolgaram tanto. Poderiam ter mantido
Alien,
Rectifier e
Minds on the Moon, ou até resgatado a esquecida e, para mim, melhor música do Tankard:
Under Friendly Fire, do ótimo
Beast of Bourbon (2004). Que os reis da cerveja foquem agora em um novo álbum, afinal, já se passaram quatro anos desde
Pavlov’s Dawg.
IN FLAMES (Ice Stage)
Por Marcelo Gomes
Fotos: Bel Santos
O In Flames chegou incendiando o Memorial da América Latina com seu death metal melódico. A abertura com a clássica Pinball Map e a poderosa The Great Deceiver estabeleceu um ritmo implacável que manteve a intensidade das rodas em alta desde o primeiro momento. Clássicos como The Quiet Place e Cloud Connected vieram na sequência, mostrando a força do material mais antigo ao lado de músicas mais recentes, como In the Dark e Voices. As rodas não paravam e contavam agora com sinalizadores que deram um clima ainda mais explosivo.

Sem alívio, a banda engatou uma sequência poderosa com Trigger, Only for the Weak e Meet Your Maker, deixando a pista literalmente em chamas. State of Slow Decay e Alias reforçaram essa mistura de eras, antes da reta final, praticamente sem respiro: The Mirror’s Truth, I Am Above e o encerramento com Take this Life. O vocalista Anders Fridén ainda fez um pedido ao público: que fossem bons uns com os outros, pois vivemos em um mundo mais louco do que nunca. Um final avassalador e inspirador para seus fãs. Depois dessa devastação sonora, restou a pergunta: será que o público ainda teria gás para o Arch Enemy?
HANGAR (Waves Stage)
Por Antonio Carlos Monteiro
Fotos: Andre Santos
Banda criada por Aquiles Priester em seus tempos de Porto Alegre/RS, o Hangar sempre se mostrou o grupo do coração do baterista. E isso ficou claro no show que a banda fez no Waves Stage do Bangers Open Air, saindo de um hiato de alguns anos.
Acompanhando o baterista estavam o excelente vocalista Pedro Campos, os guitarristas Cristiano Wortmann e Guto Delage, o baixista Nando Mello e o tecladista Fábio Laguna, muitos deles fazendo parte da banda há diversos anos – Nando está no Hangar desde 1999, Laguna, desde 2001.

O início acabou sendo um pouco tenso, já que um problema na guitarra de Wortmann retardou o começo do show, obrigando a banda a cortar The Reason of Your Conviction do setlist. Mas isso não serviu para diminuir o ímpeto do sexteto, que recheou seu set de convidados: Eduardo Martinez, guitarrista da banda de 1999 a 2016, Theo Vieira, vocalista e que já colaborou com a banda como coprodutor, e as vocalistas Gabi Feliciano e Vanessa Lockhart foram chamados ao palco em diferentes momentos para participar do show – sempre com brilhantismo.
Um dos destaques acabou sendo foi a releitura que a banda lançou no final do ano passado de Prisioneiro do Alvorecer, tema gravado pela banda Spartacus, da qual Aquiles fez parte no início dos anos 90.
O público que lotou o palco Waves saiu de lá de alma lavada, na certeza de ter assistido a uma das melhores apresentações do festival.
ARCH ENEMY (Hot Stage)
Por Fernando Queiroz
Fotos: Bel Santos
“Tamo junto, Brasil!” Foi com essa frase no telão que o show do Arch Enemy foi encerrado à frente de milhares de pessoas.
É difícil ter noção do quão importante a apresentação do Arch Enemy, fechando o primeiro dia de Bangers Open Air, foi para a história do festival – mais que isso, para o metal em geral. Essa pode não ter sido a primeira apresentação da banda com a nova vocalista Lauren Hart, mas, até agora, foi a mais importante; o motivo está no histórico do anúncio da cantora para o cargo à frente do grupo. Explico: eles estavam parados após a saída repentina de Alissa White-Gluz no começo desse ano e, até então, não havia indícios de que havia uma substituta. Foi apenas com o anúncio de sua participação como ato principal da primeira noite do evento que começaram as especulações, e a certeza de que já tinham a escolhida. A partir daí, é história, mas o que posso dizer com firmeza é que a escolha da estadunidense para o posto foi comemorado pela maioria dos fãs. Entendem o ponto? A movimentação do Arch Enemy em relação à divulgação de seu futuro começou com o Bangers! Isso não é pouca coisa.

Outro ponto que é necessário tocar: essa foi a primeira vez que uma banda de death metal foi uma das headliners do evento, e isso se torna ainda mais icônico por se tratar de um grupo do gênero com uma mulher assumindo o microfone. Sim, caros leitores, isso é icônico. Mas chega de tagarelar e vamos ao show!
Ainda durante a apresentação anterior, com os também suecos do In Flames no palco ao lado – diga-se de passagem, que grande noite para o death metal da Suécia! –, já podia se ver um pano cobrindo o palco Hot. A inscrição nele era “pure fucking metal”. Aquilo elevou ainda mais a ansiedade.

Foi pontualmente às 20h40 que as luzes se apagaram e a última introdução da noite começou. O pano frente ao palco finalmente desceu, foi retirado pela equipe, e lá estava o novíssimo Arch Enemy no palco! Logo nas primeiras notas e nas primeiras estrofes cantadas por Lauren Hart ficou claro que a escolha dela foi certeira. Abriram emblematicamente com Yesterday Is Dead and Gone, e a performance já mostrava que estavam em um momento melhor agora, e até mesmo em Will to Power, da fase recém-acabada, a nova vocalista deu uma aula de como interpretar a faixa; parecia que tinha sido feita para ela – ou para Angela Gossow, ex-vocalista e atual empresária da banda, a quem Lauren mais se assemelha cantando, em se tratando dos antigos cantores que por lá passaram. E o mesmo pode ser dito de War Eternal, uma das mais famosas da fase “MKIII” deles – vale lembrar que a primeira fase da banda foi com Johan Liiva nos vocais, ainda nos anos 90, mas somente após sua saída e a entrada de Angela a coisa decolou. Mas foi em Ravenous que o público realmente se empolgou. Clássico absoluto!

O show manteve o nível altíssimo de qualidade do começo ao fim, e os fãs entendiam isso. Quando Lauren ficou sozinha no palco para falar com o público, ela chorou. Literalmente. Estava claramente tímida, e pudera!, essa era sua primeira vez à frente da banda em um festival tão grande; primeiro grande show e com uma responsabilidade tão grande. Mas logo isso passou, pois começaram os coros de “Lauren, Lauren!”.
Passearam por toda sua carreira, mas era nítido o foco na “fase Angela”. Também foi apresentada, pela primeira vez aqui, a nova música, lançada poucas semanas antes, a espetacular To The Last Breath, que causou tanta polêmica por motivos bobos. Mas deixemos isso de lado! O importante era que tudo corria da melhor forma possível: banda afiada, vocalista que cantava fácil, e performava como se já fosse veterana no cargo. Quando ela pegou a bandeira com o símbolo da banda e desfilou com ela no palco, era como olhar para “aquela” banda que fez história como uma das pioneiras do death metal com vocais femininos.

Sim, houve quem dissesse que o som estava extremamente alto. E eu concordo! Foi um ponto a se criticar, pois acabou gerando desconforto. Apesar disso, estava muito bem mixado e equalizado. Ouvia-se cada instrumento perfeitamente.
Encerrarem o show com Nemesis, executada com perfeição, foi de lavar a alma. “One for all / All for one / We are one, nemesis”. Assim, com esse icônico refrão que virou quase um lema da banda ao longo dos anos, o primeiro dia de Bangers Open Air era fechado da melhor forma possível. Uma banda afiada, renovada, com nova energia e, em especial, agora com aprovação universal à formação. Foi isso que tivemos. De todas as edições do festival, é possível dizer que esse foi um dos pontos mais altos até hoje.
“Tamo junto, Brasil!”, eles disseram
“Sim! Tamo junto, Arch Enemy!”, nós respondemos.
Setlist:
Yesterday Is Dead and Gone
The World Is Yours
Ravenous
War Eternal
Dream Stealer
To the Last Breath
Blood Dynasty
My Apocalypse
Bury Me an Angel
The Eagle Flies Alone
No Gods, No Masters
I Am Legend/Out for Blood
Dead Bury Their Dead
Snow Bound
Nemesis
ONSLAUGHT (Sun Stage)
Por Leandro Nogueira Coppi
Fotos: Andre Santos
Enquanto o Arch Enemy apresentava ao Brasil sua nova vocalista Lauren Hart no palco Hot, quinze minutos depois do início do show dos suecos o Onslaught, talvez maior representante do thrash metal inglês, invadia o Sun Stage, localizado do outro lado da passarela de acesso. Ativo desde o início dos anos 1980, o Onslaught mostrou no Bangers Open Air por que segue como referência quando o assunto é peso aliado a velocidade. Surgido em Bristol e responsável por discos importantes como
Power from Hell e
The Force, o grupo atravessou mudanças de formação, hiatos e retornos sem perder a identidade agressiva. No festival, a banda apostou justamente nisso: som direto, execução afiada e intensidade constante, sem depender de efeitos externos para conquistar o público.

Liderado pelo vocalista Sy Keeler, o quinteto – que contava com Nik Sampson, que esteve na primeira edição do festival (ainda como Summer Breeze) com o Benediction – entregou uma apresentação digna de sua história. No entanto, o público parecia já demonstrar sinais de cansaço, visto que sua resposta aos britânicos foi um tanto quanto apática.
O repertório valorizou diferentes momentos da carreira e funcionou muito bem diante da plateia, sempre receptiva ao metal mais pesado. Logo de cara,
Let There Be Death abriu os trabalhos impondo ritmo acelerado, enquanto
66’Fucking’6 apareceu entre os momentos de maior resposta do público, que até abriu rodas. A reta final elevou ainda mais a temperatura com
Metal Forces, antes do encerramento com
Onslaught (Power from Hell), ligação direta com as origens da banda. Em um festival repleto de nomes históricos, os britânicos provaram que ainda carregam autoridade no gênero.
OVERDOSE (Waves Stage)
Por Antonio Carlos Monteiro
Fotos: @biancatatamiya | MHermes Arts
Quem conhece heavy metal nacional tem a obrigação de conhecer – e reverenciar – o Overdose. A banda faz parte da história do metal nacional por ter gravado o split que lançou o Sepultura no mercado fonográfico, Bestial Devastation / Século XX, em 1985. De lá pra cá, os belo-horizontinos soltaram meia dúzia de álbuns completos, deu algumas paradas e desde 2024 a banda voltou totalmente renovada – e com sangue nos olhos!!
E quem pensou que depois do show lotado do Hangar no Waves Stage o lugar ia esvaziar, enganou-se completamente. Diante de uma plateia que em parte permaneceu e em parte se renovou, o quinteto também encarou um teatro cheio para sua apresentação – e em horário conflitando com o headliner da noite, Arch Enemy.

Não demorou para uma galera esquecer que estávamos num local com confortáveis poltronas e se amontoar na frente do placo – tentaram até abrir uma roda naquele espaço minúsculo, o que obviamente deu miseravelmente errado.
Enquanto isso, o grupo capitaneado pelo guitarrista e fundador Claudio David desfilava peso, energia e, principalmente, muita criatividade. Claudio se vale de regiões harmônicas poucas vezes ouvidas no metal e faz do som do Overdose algo único. Além disso, toca sempre com um sorrisão no rosto, completamente feliz por estar ali – não por acaso, surgiram gritos de “olê, olê, olê, Claudiôôô, Claudiôôô!!” Ele é mais um daqueles que faz todos pensarem que tocar guitarra é um negócio simples.
No repertório, destaque para Violence, que a banda não tocava há 20 anos, além das novas João Sem Terra e Século XXI. Foi, no fim das contas, um show à altura da importância banda.
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