Autor: Éden Lozano

  • DIA MUNDIAL DO ROCK EM MAUÁ – 3º DIA

    DIA MUNDIAL DO ROCK EM MAUÁ – 3º DIA

    NOME DO EVENTO: Dia Mundial do Rock em Mauá

    DATA DO EVENTO: 15-07-2018

    ATRAÇÕES: Bagagem, Encruzilhada, Thrashing, Concept of Hate, Rhegency, Rock Dogs

    SITE/FACEBOOK DO EVENTO: https://www.facebook.com/coletivorockabc

    ENDEREÇO DO EVENTO: Avenida Barão de Mauá 983, Centro

    CIDADE: Mauá

    ESTADO: São Paulo

    HORÁRIO: 12:00

    LOCAL DO EVENTO: Mossoró Rock Bar

    VALOR DO INGRESSO: Entrada Franca

    OBSERVAÇÕES: Primeiro grande evento do Coletivo Rock ABC na cidade de Mauá, construído a partir de uma série de debates públicos ocorridos na cidade junto aos músicos, artistas, produtores e bandas de Rock locais e da Região do Grande ABC. Venha comemorar nos dias 13, 14 e 15 de julho com a gente esta que é uma das datas mais significativas do Rock.

    Durante a final do Mundial de Futebol haverá transmissão da partida!

    Apoio Cultural: Mossoró Rock Bar e Rock Graf.

    Faça a sua parte e ajude com sua presença a fortalecer o Rock autoral da Região

  • DIA MUNDIAL DO ROCK EM MAUÁ – 2º DIA

    DIA MUNDIAL DO ROCK EM MAUÁ – 2º DIA

    NOME DO EVENTO: Dia Mundial do Rock em Mauá

    DATA DO EVENTO: 14-07-2018

    ATRAÇÕES: Angry, Berro, Celofane, Rhino, SetFire, 5°Guerrilha, AudioKaos

    SITE/FACEBOOK DO EVENTO: https://www.facebook.com/coletivorockabc

    ENDEREÇO DO EVENTO: Avenida Barão de Mauá 983, Centro

    CIDADE: Mauá

    ESTADO: São Paulo

    HORÁRIO: 12:00

    LOCAL DO EVENTO: Mossoró Rock Bar

    VALOR DO INGRESSO: Entrada Franca

    OBSERVAÇÕES: Segundo dia do primeiro grande evento do Coletivo Rock ABC na cidade de Mauá, construído a partir de uma série de debates públicos ocorridos na cidade junto aos músicos, artistas, produtores e bandas de Rock locais e da Região do Grande ABC. Venha comemorar nos dias 13, 14 e 15 de julho com a gente esta que é uma das datas mais significativas do Rock.

    Faça a sua parte e ajude com sua presença a fortalecer o Rock autoral da Região!

  • DIA MUNDIAL DO ROCK EM MAUÁ

    DIA MUNDIAL DO ROCK EM MAUÁ

    NOME DO EVENTO: Dia Mundial do Rock em Mauá DATA DO EVENTO: 13-07-2018 ATRAÇÕES: Black Wood, Black Wall e Condenados SITE/FACEBOOK DO EVENTO: https://facebook/coletivorockabc ENDEREÇO DO EVENTO: Avenida Barão de Mauá 983, Centro. CIDADE: Mauá ESTADO: São Paulo HORÁRIO: 19:00 LOCAL DO EVENTO: Mossoró Rock Bar VALOR DO INGRESSO: Entrada Franca

    OBSERVAÇÕES: Primeiro grande evento do Coletivo Rock ABC na cidade de Mauá, construído a partir de uma série de debates públicos ocorridos na cidade junto aos músicos, artistas, produtores e bandas de Rock locais e da Região do Grande ABC. Venha comemorar nos dias 13, 14 e 15 de julho com a gente esta que é uma das datas mais significativas do Rock.

    Faça a sua parte e ajude com sua presença a fortalecer o Rock autoral da Região!
  • CHILDREN OF THE BEAST – Em Salvador/BA

    CHILDREN OF THE BEAST – Em Salvador/BA

    NOME DO EVENTO: Alexandre Afonso Santos da Silva DATA DO EVENTO: 13-07-2018 ATRAÇÕES: CHILDREN OF THE BEAST – IRON MAIDEN TRIBUTE SITE/FACEBOOK DO EVENTO: https://www.facebook.com/events/186879575362707/ ENDEREÇO DO EVENTO: Av. Almirante Marques de Leão, 351, Barra, CIDADE: Salvador, Bahia, Brasil ESTADO: Bahia HORÁRIO: 22h LOCAL DO EVENTO: Groove Bar VALOR DO INGRESSO: Antecipado pelo Sympla: R$ 40,00, Valor na Porta: R$ 50,00 SITE DE VENDA: https://www.sympla.com.br OBSERVAÇÕES: TRIBUTO AO IRON MAIDEN NO DIA MUNDIAL DO ROCK, NO GROOVE BAR EM SALVADOR

    No Dia Mundial Do Rock (13) a banda Children Of The Beast (SP) vai agitar o Groove Bar com um verdadeiro tributo aos ingleses do Iron Maiden em Salvador (Ba). O evento marca os 10 anos de existência da casa, que já é um dos “point´s” da galera rocker da capital.

    O Groove bar se tornou uma referência na noite soteropolitana ao misturar a atmosfera de pub com o espaço e o conforto de uma casa de shows.

    Em um clima de energia e descontração, o Groove Bar acredita que todos os clientes vão curtir e comemorar esses 10 anos com muita música, diversão e atitude!

    Iron Maiden

    A Children of the Beast é o cover oficial do Iron Maiden na América Latina, reconhecida pelo próprio Iron Maiden. Desde 1993 já realizou mais de 1200 shows em todas as regiões do país e também na América do Sul. Participou de importantes programas de TV (Domingão do Faustão, SBT, MTV) e rádio (KissFM e 89 a Radio Rock), além de ter acompanhado os dois ex-vocalistas do Iron Maiden, Paul Di’Anno e Blaze Bailey em shows pelo Brasil.

    Ingressos: Antecipado pelo Sympla: R$ 40,00, Valor na Porta: R$ 50,00 Descrição: 13/07/2018, às 22H | Classificação 18 anos Endereço: Av. Almirante Marques de Leão, 351, Barra, Salvador – BA

  • SABBATH BRAZIL SABBATH “The Brazilian Tribute To Black Sabbath” [10/10]

    SABBATH BRAZIL SABBATH “The Brazilian Tribute To Black Sabbath” [10/10]

    Maravilhoso!!! Tributo merecedor, sem dúvidas, da nota máxima. E o mais impressionante neste tributo é que as bandas não fizeram apenas covers, as bandas marcam suas identidades em cada faixa, assim nos mostrando verdadeiramente a influência que o Black Sabbath tem em suas carreiras e em suas formações como músicos e pessoas. O material gráfico está impecável, um digipack duplo muito bonito. Toda concepção gráfica ficou a cargo do renomado artista gráfico Wanderley Perna. Se você acompanha a cena nacional e também curte muito os mestres sabáticos, este é um cd essencial em sua coleção.

    Vou deixar as minhas impressões ao ouvir atentamente cada faixa por várias vezes:

    CD-1:

    OBSKURE: The Wizard  – Com certeza esta versão deste clássico foi escolhida a dedo para abrir o cd. A participação desta banda cearense de Death Metal foi no mínimo impressionante, pois a musica escolhida é bem complicada para fazer uma versão extrema e mesmo assim não abrir mão em manter as suas características originais. A marcante gaita está aqui. Não poderia ter início melhor.

    LEVIAETHAN: Children Of The Grave – Para este segundo clássico veio uma experiente banda gaúcha que está na ativa desde 1983. As guitarras pesadas, a excelente execução de bateria e os vocais agressivos dão ainda mais brilho para esta música. Realmente deixaram sua marca neste tributo.

    TAILGUNNERS: Heaven In Black – Esta banda paulista apostou em uma música de um álbum não muito popular, TYR, e não desapontou. Fizeram uma participação primorosa, dentro desta versão da música apresentada, a banda exibe muito virtuosismo de seus membros em um Heavy Metal de tirar o folego.

    GENOCIDIO: Tomorrow’s Dream – Esses veteranos da nossa cena nos trouxeram uma versão muito bem feita deste clássico pertencente ao glorioso VOL. 4. Com certeza eles escolheram uma música que se encaixou como uma luva dentro do som extremo que a banda faz.

    UGANGA: Voodoo – Os mineiros do Uganga fizeram uma versão bem interessante desta música. Uma boa participação desta banda neste tributo.

    ANCESTTRAL: Sabbra Cadabra – Essa foi outra participação bem feita. Confesso que esperava mais neste cover, como esta banda tem uma pegada bem violenta em sua música, achei que neste caso faltou um pouco mais da identidade do Ancesttral nesta versão apresentada. Bem executada e merecedora da presença.

    ORQUIDEA NEGRA: Heaven And Hell – Essa banda catarinense de Heavy Metal nos traz uma versão maravilhosamente bem feita, destacando os vocais impecáveis de André Graebin. Realmente me lembrou o mestre Dio. Foi uma execução de alto nível feito por toda banda.

    CHEMICAL DISASTER: Iron Man – Com certeza esses santistas não poderiam ficar de fora, a versão deste clássico conhecidíssimo ficou muito bom. Confesso que esperava um pouco mais de brutalidade nesta versão, afinal, estamos falando de uma banda que é conhecida pelo seu Death Metal brutal. Os guturais do Luiz Carlos Louzada ficaram muito bons e trouxe um pouco das características musicais da banda para esta música.

    HELLISH WAR: Get a Grip – Banda de Power/Heavy Metal de Campinas que fez uma belíssima participação neste tributo. Além da ótima música escolhida, eles passam todo poder da banda através de uma versão que imprimiu o seu poder metálico nesta obra.

    FOR BELLA SPANKA: Digital Bitch – Esta banda mineira me impressionou na versão desta música que faz parte do ótimo álbum Born Again. Os teclados inseridos para esta versão ficaram muito bons, deram um toque frio e meio que melancólico para esta música que tem uma energia eletrizante em sua essência. Ótima participação.

    KING BIRD: Supernaut – Outra ótima participação. A versão para Supernaut ficou super mais pesada e muito bem executada. Um Rock/Heavy violento, nos melhores moldes do estilo.

    SYREN: Black Moon – Esses cariocas simplesmente destroem… Fizeram uma versão muito empolgante. Trouxeram para esta música a cara do Syren, instrumental e vocais muito bem feitos. Eles também apostaram numa música não tão popular e acertaram em cheio.

    KORZUS: Neon Knights – Versão Violenta!!!! Esses paulistanos nunca decepcionam. E dessa vez não foi diferente, a versão para Neon Knights ficou, digamos no mínimo, maravilhosa! Eles também trouxeram todo peso de seu estilo thrash metal que combinou com perfeição à música escolhida por eles.

    PANIC: I – Esses gaúchos não fizeram apenas uma versão desta música, eles trouxeram “A” versão. Ficou do jeito que realmente gosto de ouvir quando uma banda se dispõe a fazer um cover. Trouxeram violência, brutalidade e um Thrash/Death esmagador para esta música do Black Sabbath. O melhor de tudo… mesmo sendo uma versão esmagadora ao ouvir sabemos que se trata do Sabbath.

    MALEFACTOR: War Pigs – E para fechar este empolgante CD-1, vem o grande Malefactor. Esses baianos iniciam a música com muitas alavancadas de guitarras que trouxeram um ar muito caótico. Logo depois, Lord Vlad apresenta um vocal soberbo que vai do agressivo ao afinadíssimo vocal digno das melhores bandas de Heavy Metal tradicionais. Fizeram uma versão com a cara do Malefactor indiscutivelmente. Assim fechando a audição do primeiro capitulo deste tributo, na minha opinião, perfeito até aqui.

    CD-2:

    SILVER MAMMOTH: Symptom Of The Universe – O início da segunda parte desta audição começa com uma versão maravilhosa feita pelo Silver Mammoth, onde trouxeram muitos elementos que vão desde as guitarras pesadíssimas e um instrumental que lembra muito suas influencias setentistas.  Uma excelente versão para esta música que é um clássico indubitável. Destaco aqui o virtuosismo de seus instrumentistas que dão uma um show a parte.

    TAURUS: Cornucopia – Nos traz uma versão muito boa e bem executada, porém, sem muitas novidades em sua versão para esta música. Para uma banda como o Taurus, eles deveriam trazer um pouco mais essa música para o acelerado estilo consagrado da banda.

    MX: The Mob Rules – esta banda de Santo André, uma das mais importantes na história metálica do Brasil, nos apresentou uma versão para esta música dentro do estilo que o MX sempre foi… ao ouvirmos conseguimos identificar com exatidão que é o MX fazendo um cover nos moldes Thrash Metal para o Black Sabbath.

    VULTURE: In For The Kill – Estes paulistas de Itapetininga fizeram uma tenebrosa e brutal versão para esta música. Ficou realmente muito boa com vocais guturais e um instrumental Death Metal. Se eu não conhecesse essa música como sendo do Black Sabbath, com certeza acharia que era uma música do Vulture por conta da versão originalíssima que trouxeram aqui.

    HEADHUNTER D.C.: Electric Funeral – Que versão é esta?!!! A música começa numa brutalidade incrível, exibindo muita técnica aliado aos vocais infernais do Sergio “Baloff” Borges. Esse cover com certeza foi o mais original desta coletânea, pois eles se preocuparam em nos presentear com uma versão Headhunter D.C. para a clássica Eletric Funeral. Além do peso descomunal a banda conseguiu inserir com muita competência blastbeats que ficaram impressionantes. E para terminar, no finalzinho da música a banda nos traz um toque fúnebre e frio que nos deixa com a sensação de querer ouvir mais.

    DROWNED: Sabbath Blood Sabbath – Esses mineiros fizeram uma participação muito boa. O instrumental com o som dos seus  bumbos incessantes não ficou com a cara do Drowned em sua essência. Os vocais ficaram ótimos, muito bem encaixados. Uma boa participação. Agora,  se eles trouxessem a esta música todo seu Thrash/Death metal, está versão seria matadora.

    STEEL WARRIOR: The Shinning – Soberbo!!!! Uma versão que não tenho como descrever de tão bem apresentada. Essa banda catarinense de Itajaí veio aqui para deixar seu nome marcado definitivamente. Na minha opinião, faltou um pouquinho mais de peso, pois pra quem conhece essa banda, sabe que eles poderiam ter abusado um pouco mais. A atuação de seu vocalista é impecável. Ótima versão.

    JAILOR: After Forever – Esses curitibanos não fizeram apenas um cover, não mesmo! Eles fizeram uma execução maravilhosa para esta música. Ao ouvir esta versão não temos como dizer que poderia ser melhor, pois eles trouxeram o Jailor para esta música. Rápida, violenta, virtuosa, agressiva feito nos moldes do melhor que existe dentro do estilo. Essa foi uma das poucas faixas que tive que repetir para acreditar que eles conseguiram trazer essa atmosfera verdadeiramente headbanger para a música After Forever.

    ANTHARES: Hole In The Sky – Sim, uma boa versão. Bem executada, contudo, por se tratar do grande Anthares, banda que fez parte de minha formação metálica, também deixou a sensação que poderia ir além do limite da força e trazer um pouco mais do que conhecemos do Anthares para esta versão. No todo fizeram uma boa participação neste tributo.

    VOODOOPRIEST: TV Crimes – Apesar do instrumental se manter como originalmente é tocado, a banda deu seus toques brutais à música. O destaque ficou à cargo dos vocais ultra macabros em guturais pesadíssimos que combinaram perfeitamente com a música. Nos fazendo pensar o quanto o Black Sabbath estava à frente do seu tempo.

    ATTRACTHA: NIB – Essa banda paulistana de Hard/Heavy Metal, me deixou de queixo caído com esta versão. Ficou ótima e ao mesmo tempo abusada. Sim! A banda conseguiu caracterizar dentro do seu estilo este cover de NIB. Digo até que ficou mais pesado e agressivo que em seus trabalhos oficiais. O Attractha realmente foi matador em sua participação neste tributo.

    REVENGIN: Headless Cross – Esses cariocas simplesmente arrasaram. Trouxeram a belíssima voz da Bruna Rocha com um instrumental que trouxe uma sinfonia soberba. Uma versão até então não tinha escutado nada igual. Altamente recomentado para os amantes de bandas como com o Therion.

    SEXTRASH: Loner – Essa lendária banda mineira realizou uma boa participação, a musica escolhida foi muito boa, porém, por se tratar do poderoso Sextrash senti falta de um pouco mais de ousadia na versão de Loner apresentada. Os vocais ficaram ótimos e trouxe uma atmosfera bem macabra para a música. Se tivesse um pouco mais da brutalidade do Sextrash nesta versão, te digo, seria destruidor.

    ANEUROSE: Psychophobia  – Também apostou numa música desconhecida por muitos do álbum Cross Purposes e fizeram uma versão de tirar o folego, um Thrashing Death violentíssimo. Esses mineiros de Lavras definitivamente mereceram estar neste tributo, pois mostraram que um cover pode ser feito dentro das características da banda que homenageia e não da homenageada.

    DEMONS OF NOX: Paranoid – Para fechar com chave de ouro, a ultima faixa vem com esta banda desconhecida por muitos e até por mim mesmo, que tem entre seus integrantes o ótimo baterista Markus Couttinho, baterista renomado que também é integrante do grande Cold Blood. Essa versão ficou bem pesada e combinou muito bem com os vocais ultra guturais.

    Avaliação final: Este tributo ficou maravilhoso pela qualidade das bandas aqui apresentadas e por toda viagem que estes dois CDs nos trazem. Ouvimos aqui desde um belo Hard Rock até o mais brutal Death Metal, numa sequencia muito bem escolhida que, ao ouvirmos, nos traz mais vontade de ouvir o que vem a seguir. Me fez viajar entre os clássicos do Black Sabbath que cresci ouvindo, executados aqui em uma roupagem mais atual, cheia de peso, brutalidade e melodias obscuras que só o Tony Iommi poderia ter criado.

    Esta é uma obra indispensável na coleção de todos Headbangers do Brasil, uma iniciativa fantástica em realizar um tributo somente com bandas brasileiras e de diversos estilos musicais. Parabenizo a Secret Service Records, selo que realizou com bravura essa obra histórica em nosso glorioso Underground.

    Como já escrito acima o material gráfico ficou muito bom, porém, poderia ser melhor em uma coisa muito importante: mais informações a respeito das bandas participantes, apresentando detalhes dos créditos de quem nos arrebatou neste trabalho. Então, para quem está ouvindo este tributo e quiser saber mais sobre as bandas, terá que acessar a internet ou pesquisar as bandas no Facebook. Coisa que de fato achei ruim, pois como é comum as bandas sempre estarem mudando seus integrantes, o ouvinte que for buscar mais informações da banda que participa deste tributo, pode ter uma informação desatualizada no futuro.

    Se o Iommi e todos que fizeram o Black Sabbath ser maior banda do mundo tiverem acesso a este tributo com certeza vão se orgulhar de ter sido uma grande influencia para todas essas bandas.

  • Ratos de Porão em Osasco/SP

    Ratos de Porão em Osasco/SP

    NOME DO EVENTO: Ratos de Porão em Osasco (SP) DATA DO EVENTO: 2018-07-21 ATRAÇÕES: Ratos de Porão SITE/FACEBOOK DO EVENTO: https://www.facebook.com/events/396657394133687/ ENDEREÇO DO EVENTO: Av. Maria Campos, 462 CIDADE: Osasco ESTADO: São Paulo HORÁRIO: 14h LOCAL DO EVENTO: Embaixada Osasco VALOR DO INGRESSO: R$15,00 + 1kg de alimento SITE DE VENDA: https://goo.gl/Wko6jv

    OBSERVAÇÕES: Ratos de Porão confirma show com preços populares em Osasco (SP) no dia 21 de Julho

    Com produção de “Atomic Driver” e “Orangeira – Agência e Produtora”, a lendária banda brasileira Ratos de Porão, ícone da música pesada internacional e nacional, está pronta mais um grande show em Osasco (SP). Após grandes apresentações pela Ásia e um show antológico na Virada Cultural de SP, João Gordo (vocal), Jão (guitarra), Juninho (baixo) e Boka (bateria) se preparam para tocar no tradicional Embaixada Osasco, no dia 21 de Julho. O Ratos de Porão segue promovendo o último álbum de estúdio “Século Sinistro”, além de outros clássicos da carreira com uma apresentação repleta de energia.

    O show conta com abertura das bandas Ossos Cruzados, Imminent Attack, Trezedog, Com Respeito e BMBC. Os ingressos são a preços populares e custam R$15,00 + 1kg de alimento. Para comprar, o fã deve entrar no site da Ticket Brasil. Confira serviço completo abaixo.

    Confirme presença no evento pelo endereço: https://www.facebook.com/events/396657394133687/

    Com mais 30 anos de estrada, o Ratos de Porão se estabeleceu como um verdadeiro fenômeno global e com o último álbum “Século Sinistro”, segue mantendo a mesma vitalidade, força e irreverência do inicio de carreira. O quarteto possui uma longa discografia com álbuns que se tornaram clássicos absolutos como “Crucificados pelo Sistema” (1984), “Cada Dia Mais Sujo e Agressivo” (1987), “Brasil” (1989) e “Anarkophobia” (1990).

    O mais recente item na longa discografia da banda (que abrange discos de estúdio e ao vivo, coletâneas e um EP) é o álbum Século sinistro, lançado em 2014. As 13 faixas do disco foram gravadas e mixadas com equipamentos analógicos no estúdio Family Mob, em São Paulo, e masterizadas no Fantasy Studios, em San Francisco (EUA).

    O som sempre foi brutal e pesado e, segundo depoimentos da banda em entrevistas recentes, Século sinistro soa mais metal do que o anterior, Homem inimigo do homem, de 2006. Nas letras, como de costume, João Gordo – um dos mais carismáticos e contundentes vocalistas de rock no Brasil – aborda de maneira hiperbólica assuntos do cotidiano como violência urbana, alienação das massas e corrupção no poder. Este ano, além de divulgar o disco novo, o Ratos de Porão comemora o aniversário de três décadas de seu álbum de estreia, Crucificados pelo sistema (1984), primeiro LP individual de uma banda punk na América Latina. O quarteto teve sua trajetória contada no documentário Guidable – A verdadeira história do Ratos de Porão (2008).

    Um dos destaques dos últimos anos, o Ratos de Porão lançou videoclipe para “Prenúncio de Treta”, uma das principais composições de “Século Sinistro”, considerado um dos melhores lançamentos de 2014. Sob a direção de Plinio Scambora, da produtora PIER 66 FILMS, o grupo gastou aproximadamente 10h de filmagem, no Centro Cultural Zapata, em São Paulo.

    Assista o videoclipe: https://youtu.be/vUQs7sEcEg4

    SERVIÇO: Ratos de Porão em Osasco (SP) Data: 21 de julho (sábado) Local: Embaixada Osasco Horário: 14h00 (abertura da casa) Endereço: Av. Maria Campos, 462 Centro – Osasco SP

    INGRESSOS  TicketBrasil ONLINE -> https://goo.gl/Wko6jv PONTOS DE VENDA -> https://goo.gl/zT15uZ

    Antecipado promocional R$15,00 + 1kg de alimento Pista 1º lote antecipado $20 Camarote antecipado $40 Garanta já seu ingresso antecipadamente em até 12x no cartão de crédito. Informações: (11) 96063 4086

  • DEFORMITY BR “Trajetória conquistada com muito sangue, suor e dedicação”

    DEFORMITY BR “Trajetória conquistada com muito sangue, suor e dedicação”

    Com mais de 20 anos de carreira a banda Deformity BR se tornou definitivamente uma das mais importantes e avassaladoras bandas de nosso cenário. Nesta trajetória conquistada com muito sangue, suor e dedicação a Deformity BR está no hall das bandas mais respeitadas do estilo. O seu fundador e mestre em física (não preciso nem mencionar sua inteligência) Yuri Hamayano nos concedeu gentilmente esta entrevista para que possamos saber como a banda superou todas as dificuldades e hoje, após retomados seus batimentos cardíacos, continuam derretendo nossos tímpanos.

    Yuri Hamayano, Foto por: Divulgação

    A Deformity BR foi fundada em 1995 na cidade de Feira de Santana e por todos esses anos a banda se manteve fiel ao estilo. Como surgiu a proposta de fazer o Brutal Death Metal? Fale-nos a respeito dessa criação sangrenta chamada Deformity BR…

    Yuri Hamayano: Eu e Julio (guitarra) somos os fundadores da banda. Nós nos conhecemos em 1993 e participamos de outro projeto juntos. Felizmente aconteceram brigas e divergências nesse projeto, assim decidimos sair para fundar a Deformity. O engraçado é que, no início, não havia nada de Brutal Death Metal. Sequer tínhamos uma ideia clara de como seria o som. Nessa época, as composições tinham uma influência Death/Doom e Lucio já estava fazendo o vocal conosco. Nem sonhávamos com “blast beats”! As músicas eram bem mais lentas e as partes mais rápidas possuíam uma pegada mais tradicional Death Metal. Em 1997 eu tive que me ausentar por um ano para estudos e, nesse interstício, Lucio acabou apresentando bandas mais brutais para Julio, como o Cannibal Corpse, Carcass, Brutal Truth, Napalm Death e Terrorizer. Essas bandas não me chamavam muito a atenção. Eu ainda estava vidrado em bandas como Slayer, Gorefest e Paradise Lost. Além disso, até aquele instante, eu ainda não havia sido apresentado ao conceito “splatter”, mas mesmo assim tive uma brilhante ideia de começar a retratar os acontecimentos com muito sangue, além de eventos brutais e doentios nas letras (também conheci o Mortician nessa época). Quando nos reencontramos, Julio me mostrou as novas composições que definiram o atual estilo da banda; do meu lado, os apresentei minhas novas ideias para as letras – Lucio me explicou que aquilo já existia e era denominado “splatter”. Assim nasciam os clássicos “Agony Yells” e “Bloody Banquet”. Entramos de vez no mundo do Splatter Death Metal e o som foi se tornando cada vez mais brutal, como um carro velho que desce uma ladeira esburacada e sem freios.

    Julio Nascimento, Foto por: Divulgação

    Feira de Santana é uma cidade que foi apelidada como a “Princesa do Sertão” pelo escritor Ruy Barbosa e que é um celeiro de bandas importantíssimas no underground. Como você vê a cena na região atualmente?

    Yuri Hamayano: Se formos bem precisos quanto à geografia, Feira de Santana não está exatamente no sertão da Bahia… kkkkk… Sem me prender a essas questões secundárias, posso estender seu questionamento a todo o interior da Bahia, excluindo apenas a região metropolitana de Salvador. Dessa forma não deixo de citar bandas como a Suffocation of Souls que, dentre as interioranas, ainda é nova, mas já alçou voos mais altos (e fazem um Thrash foda). A cena do interior vai muito bem (em termos de bandas), obrigado! Sempre tivemos ótimas bandas, algumas delas conseguiram sobreviver, outras não; e já existem tantas outras novas… o pessoal não para! Assim, posso citar alguns nomes que me vêm rapidamente à mente, como: Braincancer, Impios, Inside Hatred, Bastard, Kerberus, Sades, Second Face, entre outros; em Feira de Santana, mais especificamente, temos Human, MetalWar, Martyrdom, Pestis, Erasy e Pathfinders que já estão na batalha há algum tempo; outras começando agora, como a Gaia Beta. É muito bom perceber que a cena metálica baiana não está mais restrita à região metropolitana de Salvador. O interior, além das bandas, tem conseguido apresentar ótimos festivais, muitos bons fanzines e uma estrutura foda. Só fico triste porque estamos passando por um momento de baixa de público. Já passamos por outros momentos como esse e percebo que é um movimento cíclico da cena. Imagino que este seja um desses momentos de transição entre gerações. Muitos bangers antigos somem e os novos ainda não se sentiram agentes do próprio cenário. Por isso a importância em acolher e cativar o sangue novo. Aqui em Feira de Santana foi criado um grupo para tentar discutir coletivamente os problemas do cenário, especialmente do interior da Bahia. Já fizemos uma mesa redonda para discutir essas questões com a participação do público e esses esforços já têm resultado em boas ideias. Agora só nos falta pôr mãos à obra e colocar os projetos para frente. Espero que o fortalecimento venha num curto tempo, toda a Bahia ganha com isso!

    Krusius Barreto, Foto por: Divulgação

    A última vez que os vi ao vivo, a banda contava com o Fúlvio (Ex-Sower) e também com um dos vocais mais brutais que eu conheço: Lúcio. Hoje a banda não conta mais com ele no vocal. Qual o motivo desse afastamento?

    Yuri Hamayano: Cara, então já faz muito tempo que você viu uma apresentação nossa! 2002/2003? A saída será irmos a São Paulo para uma apresentação! Kkkkk… Nós temos muito apreço pelos ex-integrantes da banda. No caso do Fúlvio, mesmo tendo ficado conosco por muito pouco tempo, ele conseguiu fazer contribuições importantes, trazendo ideias e experiências. Seria interessante ainda tê-lo na banda… aliás, seria bom se todos os ex-integrantes pudessem continuar juntos conosco na Deformity. Imagine! Uma banda com 20 integrantes! Kkkk… Com relação a Lucio, concordo contigo: é um dos vocais mais brutais e versáteis que eu tive o prazer em conhecer. Infelizmente divergências aparecem e elas vão minando as relações entre as pessoas. Isso é a coisa mais natural do mundo! O estranho é ver as pessoas terem o amadurecimento para conseguir repensar as situações e contornar os problemas. Foi muito triste, pois era inimaginável tê-lo fora da banda. Afinal, havia a amizade de anos, além do fato de a Deformity BR ser caracterizada exatamente por seu timbre. Mas creio que o seu afastamento tenha sido a melhor solução. Estávamos preocupados em como solucionar o problema da carência de uma voz que pudesse ser a nova cara da Deformity. Não saímos à procura de novos vocalistas, mas mesmo assim, com a notícia da saída de Lucio, algumas pessoas demonstraram interesse na posição e ofereceram ajuda – um deles com o vocal tão fudido e versátil quanto o do próprio Lucio (coisa que eu não imaginava que pudesse acontecer). O engraçado é que você não se dá conta da repercussão que sua banda possui até acontecer um evento como esse. Conversamos entre nós e decidimos que o baixista Krusius também assumiria o vocal, afinal ele já estava acumulando essas duas funções em alguns shows que Lucio ficou impossibilitado de viajar. Seu timbre é completamente diferente daquele de Lucio e do que estávamos acostumados. É mais fechado, mais grave. Mesmo assim ficamos supercontentes com o resultado desse novo casamento! Em breve, quanto lançarmos um novo registro fonográfico, vamos compartilhar essa nova experiência com os bangers. Esperamos desde já pelas críticas!

    Diego “Corpsegrinder”, Foto por: Divulgação

    Falando um pouco de você e de sua trajetória como um baterista de um alto nível técnico, você também fez parte do Mystifier. Como foi a experiência de estar dando suporte a essa renomada banda?

    Yuri Hamayano: Alto nível técnico? É mesmo? Kkkk… Para ser sincero, nem sei como é que meu nome apareceu na cabeça de Armando (Beelzebuth)… kkkkk. Um belo dia, Elimar do Thundergod Zine me ligou para dizer que Armando queria conversar comigo e tinha interesse em me ter tocando bateria para alguns shows do Mystifier. Aceitei, afinal quando escutei o “Born… Suffer… Die” e o “Goetia” pela primeira vez, caralho… Amor à primeira vista. Eu nem tinha noção de que aqui, tão perto, havia bandas naquele nível! Como não aceitar? É foda poder tocar com uma banda que se admira! Armando é um cara que sempre pensa à frente. Aprendi muito com ele, com a sua forma estabelecer as metas, com sua forma de pensar a banda. Armando tem um pensamento muito profissional e foi foda observar o processo da Mystifier estando do outro das cortinas. Pena que na época ele estava desanimado para compor e não pude participar desse processo. Mas deu para acumular toneladas de experiências boas. Creio que também tenha deixado a minha marca… kkkk… com minha personalidade metódica… kkkk. Além disso, tive o prazer de tocar em diversos estados brasileiros, ir à Alemanha, conhecer muita gente, montar rede de contatos. O Mystifier foi um agente importante do meu amadurecimento como músico e como integrante do underground!

    Por um tempo pensei que você estaria como membro efetivo do Mystifier. Você esteve de 2006 a 2013 ao lado deles, o que é bastante tempo. Em algum momento você pensou em estar com eles definitivamente?

    Yuri Hamayano: Cara, e foi esse tempo todo mesmo? Fique surpreso aqui! Achava que teria sido até 2011… Aturando Armando (Beelzebuth), realmente muito tempo! kkkk… Na verdade, comecei como um músico contratado. Quando fui para a primeira turnê com eles, eu ganhava por show! Foi ótimo, tocar numa banda que se admira, fazer o que gosta e ainda receber por isso! Kkkk… Fiz duas turnês nesse formato. Depois disso, parece que o dinheiro diminuiu e ele me convidou a ficar como membro fixo na banda… Eu preferia o formato antigo… kkkkkk. Enfim, eu creio que fui considerado como membro da banda… kkkkk. Mas não havia como ficar definitivamente na banda, afinal, após pouco tempo, as viagens para as turnês começaram a se tornar cada vez mais frequentes. Nessa época eu ainda estava no mestrado em Física e tinha certa flexibilidade com o tempo, mas hoje sou funcionário público e tenho uma família– atividades altamente incompatíveis com quem sonha em estar na estrada, trilhando os caminhos do Heavy Metal. Certo dia, Armando me ligou comentando acerca de uns shows… Eu lhe disse que as datas acabavam chocando com um congresso. Ele perguntou sobre a possibilidade de levar outro baterista e foi aí que percebi que o melhor era jogar a toalha.

    1999 Disgrace is Coming “Demo”

    Voltando ao foco, vamos voltar a falar do Deformity BR. Apesar da banda iniciar suas atividades em 1995, o primeiro registro foi a demo “Disgrace Is Coming”, gravado em 1999, que conta com apenas uma música de mesmo nome. Como foi a receptividade por parte do público no lançamento deste registro?

    Yuri Hamayano: O fato interessante é que essa não era a nossa primeira composição à época, como eu já deixei claro anteriormente. Nós a escolhemos por ser mais brutal e insana! Não tínhamos a intenção de gravar apenas uma música, mas os nossos planos eram incertos. Era a nossa primeira vez num estúdio, por que gravar apenas uma música? Uma coisa é certa: o fator financeiro influenciou fortemente a gravarmos apenas “Disgrace is Coming”. A demora em lançar a demo ocorreu por conta de todo o processo de definição de nossa identidade musical, como eu comentei. Além disso, Feira de Santana não dispunha de técnicos que pudessem entender e nos ajudar com o nosso tipo de som. Ao observar que o Malefactor havia acabado de lançar o “Celebrate Thy War”, pensamos na possibilidade de ir ao mesmo estúdio, mesmo com o dinheiro limitado. Sequer tínhamos estrutura para uma gravação: levamos material emprestado de bateria, o estúdio conseguiu um amplificador de guitarra emprestado. Não tínhamos a mínima noção de como seria a “coisa”. Quando pisamos os pés no estúdio, o cara logo nos disse: man, está contando! Kkkk… Aquilo nos desestabilizou. Foi a maior correria para fazer a gravação. Ao final do primeiro dia, tínhamos gravado a bateria e a guitarra para uma única música. Voltamos para casa com a sensação de que deveríamos fazer um esforço com o dinheiro para gravar uma segunda, mas, no dia seguinte, quando retornamos ao estúdio, eis que recebemos a notícia que o amplificador de guitarra já havia sido devolvido. A única opção era gravar o baixo e o vocal e retornar a Feira de Santana. Surpreendentemente, o resultado dessa gravação teve tanta energia, que todos os que tiveram a oportunidade de escuta-la, ficaram impressionados. Foi um material muito mal divulgado, mas serviu como um bom cartão de visitas. Creio que foi com ela que conquistamos o público de Salvador. Lembrando de uma história… Certa vez, convidamos uma guitarrista para tocar conosco. Então levamos a demo para que ele pudesse fazer uma audição – conquistamos o cara no mesmo instante, que ficou surpreso com a desgraça!

    Depois de dois longos anos a banda lança a segunda demo “Fleshless Remains”, com quatro faixas do mais puro e Brutal Death Metal. No seu ponto de vista, foi a partir dessa demo que a banda começou a ser conhecida na cena brasileira? Pelo que tenho visto, essa demo é muito procurada até hoje pelos amantes do estilo…

    2001 Fleshless Remains “Demo”

    Yuri Hamayano: Exatamente isso. Eu tive uma preocupação enorme com a divulgação da “Fleshless Remains”. Catei o contato de muitos zines, mandei para algumas revistas da época, preparei um monte de flyers. Creio que ela tenha chegado à muita gente, principalmente no sudeste do país. Quando comecei a viajar com o Mystifier, notei o quanto essa divulgação havia sido efetiva, pois as pessoas me procuravam para perguntar pela Deformity, enquanto que outras comentavam que trocavam cartas comigo. Em outros momentos, encontrava com pessoas que relatavam possuir a demo… É muito gratificante sentir que as pessoas tiveram acesso ao seu trabalho. Tivemos a preocupação em incluir a faixa “Disgrace is Coming”, já que ela não tinha sido muito divulgada, e percebemos que essa havia ficado mais brutal que as demais. Lucio ficou abusando quanto a isso por um bom tempo. Logo depois de seu lançamento, as fitas K7 entraram em desuso e passamos a divulgar a demo no formato demo-CD. Recentemente, algumas pessoas voltaram a perguntar pelo formato fita K7. Tenho que me organizar para voltar a divulga-la, pois perdi os arquivos da capinha.

    Já com muita visibilidade no extremo underground, a banda, em 2002, foi convidada a participar de um split CD, lançada pelo selo brasiliense Kill Again Records, junto com as bandas: Imperial Devastation, Sangrena e Purgatory. Como foi recebido esse convite por vocês? Como foi participar deste split?

    2002 Killing All The Posers “Split”

    Yuri Hamayano: Isso foi fruto da ótima repercussão da demo “Fleshless Remains”. Conhecíamos o Jaime Amorim do The MetalVox e ele nos deu uma grande ajuda com a divulgação. Ele é uma pessoa muito bem relacionada dentro do underground e usou a sua rede de contatos para nos dar uma força. Com isso, ele facilitou a nossa participação na trilha sonora do filme “Feto morto”, da Black Vomit Filmes (blackvomit.com.br). Outro contato importantíssimo intermediado por Jaime foi com Antonio Rolldão, da Kill Again Rec. Isso possibilitou a nossa ida a Brasília para abrir o show do Vader, além do convite para participar do CD coletânea “Killing all the Posers”. Todos esses três fatos foram recebidos com muito entusiasmo pela banda. A primeira vez a aparecer num CD prensado oficialmente é uma experiência muito empolgante! Não havia como negar essas propostas! Essa coletânea também ajudou bastante em nossa divulgação. As demais bandas são foda… Infelizmente, apenas a Sangrena ainda está em atividade. Agradecemos ao Jaime Amorim (themetalvox.com.br) e a Rolldão pelo suporte, ajuda, e força que eles deram. A Deformity sempre estará em dívida com eles!

    Quatro anos depois (bastante tempo) a banda lança, em 2006, mais uma demo com um título bem interessante (“There’s More Blood Coming”), que nos remete ao título da primeira demo e conta com apenas duas músicas. Qual o motivo para lançar seus materiais com longos espaços de tempo?

    2009 Advanced Tracks For Annihilation “Promo”

    Yuri Hamayano: Pois … lembra quando eu citei o grande Fúlvio? Ele teve participação direta na composição de “Squeezing Necks”, que saiu nessa demo. As contribuições dadas por ele, além da participação de Diego nessa época, começaram a traçar uma nova rota para a Deformity, que culminou no resultado apresentado no EP “Torturing Unfortunate People”, 10 anos após a ideia ser iniciada. Falando novamente acerca da questão temporal, havia dois grandes fatores que sempre foram decisivos para a demora entre os nossos lançamentos. O primeiro deles, já comentado, estava relacionado com a parte técnicas, como a carência de produtores especializados na cidade, escassez de dinheiro à mão para conduzir as ideias, falta de experiência dos músicos e, principalmente, falta de estratégias para a divulgação da banda. “There’s more blood coming” foi o nosso primeiro material gravado em Feira de Santana – para conseguir fazer isso, nós próprios tivemos que lançar mão da produção, mesmo sem entender do assunto, com a ajuda do dono do estúdio que sequer tinha muita experiência com gravação em geral. Ao menos, já se sabia um pouco do que não fazer. O segundo e, talvez, mais preponderante dos fatores era a velocidade com a qual conseguíamos compor as músicas. Para se ter uma ideia, as dez músicas que fazem parte do álbum “AnthroposDeadGoreDisgustingPhagia” refletiam toda a nossa produção desde 1997 até 2006. Uma média de quase uma música por ano! Mas também sempre fomos muito perfeccionistas e queríamos que nossos lançamentos estivessem à altura dos materiais de outras bandas apresentavam materiais muito cuidadosos. Posso até afirmar que essa busca infindável acabou atrapalhando e atrasou muito os lançamentos.

    Essa demo me apresentou o Deformity BR com mais sede de sangue. O Ódio com certeza é um dos sentimentos que temos ao ouvir este famigerado material. Fale-nos a respeito da aceitação e distribuição desta demo…

    Yuri Hamayano: Como eu disse, essas composições eram a nova centelha, pronta a provocar uma nova explosão dentro das nossas composições. Estávamos com vontade de trazer algo mais brutal, mais trabalhado, mais insano. Por outro lado, posso afirmar que o processo de distribuição sempre foi algo difícil para mim. Hoje percebo o quanto falhei nessa tarefa de mostrar ao Brasil o som que estávamos fazendo. Parece que só tive gás para fazê-lo na “Fleshless Remains”. Quanto a “There’s more blood coming”, acabei divulgando mais com a ajuda das viagens que fazia com o Mystifier; a entregava ela direto nas mãos das pessoas! Sua divulgação não foi tão boa quanto a anterior. Mas quem teve acesso, gostou do que escutou e, felizmente, tivemos bons retornos deste material, apesar desta ter sido muito mal distribuída.

    Os fãs, como eu, que seguem a banda desde o início tiveram, finalmente, o prelúdio do que seria a destruição anunciada para o Debut, quando chegou em nossas mãos a Promo “Advanced Tracks to Annihilation”. Ainda assim, de forma completamente independente. Mas, em minha opinião, esse foi o divisor de águas na carreira da banda. Qual a sua visão a respeito desta Promo?

    Yuri Hamayano: A intenção era justamente essa: fazer uma prévia do que estaria por vir no álbum. As músicas que fizeram parte dessa promo foram gravadas exatamente para o álbum. Como percebi que o álbum demoraria um pouco mais a sair, resolvi lançar a promo, apenas para dar uma amostra grátis da pancadaria. Claro, mostrei as músicas antes que essas pudessem passar pelo processo de mixagem, feita pelo mestre Jera Cravo. Eu mesmo passei uma equalização mal feita nas músicas, e as coloquei na promo… kkkk. Eu passei essas músicas para uma quantidade ainda menor de pessoas… apenas para mostrar que estávamos em atividade.

    2010 AnthroposDeadGoreDisgustingPhagia “1º Álbum”

    Apesar de todas as dificuldades, a banda alia-se a Thundergod Productions e, em 2010, foi lançado o tão esperado debut álbum: “AnthroposDeadGoreDisgustingPhagia”. Este álbum finca definitivamente a banda entre os grandes nomes do extremo em nosso país. Por que tanto tempo para lançar esse, como já falei, o tão esperado álbum?

    Yuri Hamayano: O processo para conseguir fechar essa gravação foi parecida com o da demo “There’s more blood coming”, ou seja, um trabalho desgraçado! A bateria foi emprestada de um amigo e um guitarrista foi chamado para timbrar a guitarra. Quando ele chegou ao estúdio, a primeira coisa a notar foi que a guitarra precisava ser regulada. Ou seja, a gravação foi interrompida antes mesmo de começar… kkk. Gravamos apenas seis músicas. Depois que estava tudo pronto, percebemos que aqui só daria para lançar um EP. Quando quisemos gravar mais quatro músicas, já não tínhamos mais a disponibilidade do mesmo amplificador de guitarra. Então esperamos mais um ano até ter novamente condições similares para gravar as demais músicas. Com as músicas gravadas, as levamos para outro estúdio fazer a mixagem. Não deu certo, pois o técnico não conseguia chegar a um resultado animador. A última saída foi levar o material para ser mixado em Salvador, com Jera Cravo. Depois de muitos erros durante a gravação, ele conseguiu fazer mágica e salvar as músicas. O resultado foi esse que todos conhecem! Então iniciamos outra caminhada para fechar uma parceria para o seu lançamento. Mandamos o álbum e tentamos conversar com diversos selos brasileiros, mas essa busca só foi finalizada quando fechamos com o Thundergod Prods. Foi sorte, pois essa parceria investiu uma energia enorme para fazer a divulgação desse material!

    Após o lançamento do debut, li resenhas na mídia especializada que o colocavam entre os mais importantes álbuns nacionais. A distribuição dentro país foi satisfatória para você?

    Yuri Hamayano: Eu acredito que sim, pois os resultados foram muito positivos. Como eu falei, foi uma energia tremenda que foi colocada nesse processo de divulgação. Nós nos preocupamos muito com a distribuição nos meios de divulgação underground. Quem pensa que esse processo de divulgação é simples, está muito enganado. Não basta a disponibilidade de dinheiro – é necessária muita vontade e disposição! Infelizmente, não conseguimos atingir todo o Brasil.

    Quanto ao exterior, esse trabalho também foi distribuído por lá?

    Yuri Hamayano: Com o material prensado em mãos, tive a ideia de aventurar um selo estrangeiro para fazer sua distribuição. Mas parece que o pessoal não viu muita novidade na Deformity. O máximo que consegui foram algumas trocas. Ainda aconteceu uma desventura, na qual trocamos vinte unidades com a Sevared Rec., mas houve algum problema com o serviço de entrega e o pacote nunca chegou em nossas mãos.

    Depois deste grande feito, a banda ficou adormecida por três anos. O que aconteceu?

    Yuri Hamayano: Cara, exatamente nessa época houve problemas pessoais com o Julio, que acabou se afastando dos trabalhos da banda. Estávamos em trio nessa época, então este fato forçou umas férias na banda. O chato é que isso aconteceu exatamente durante o processo de divulgação do álbum. Assim, os projetos que existiam para a divulgação física, com os shows, ficou comprometida. As coisas foram esfriando e a banda quase acabou. Felizmente, conseguimos arrumar a casa, reorganizar a formação, e retornar com gás total!

    2015 Born To Punish The Skies Vol. 2 “Tributo ao Headhunter D.C.”

    Como vocês mesmo escreveram em sua bio, em 2013 a banda retomou seus batimentos cardíacos e retornou ao massacre. Assim, em 2015, a banda ressurge e faz uma participação impecável no tributo ao Headhunter D.C., chamado “Born to Punish The Skies”, tocando a música “From Dream To Nightmare”, apresentando a banda como um quinteto. Entraram na banda dois novos membros: Diego “Corpsegrinder” na guitarra e o Tarcísio Medeiros no Baixo. Como foi este retorno com a banda junto a estes novos membros?

    Yuri Hamayano: A condição essencial para a banda retomar a atividade era ter sangue novo, colocando mais gás na banda. Assim, convidei o Tarcísio, que tocava baixo com a Martyrdom, para fazer parte desse assalto. Ele aceitou no mesmo instante. Até então, Lucio estava acumulando o baixo e vocal, mas precisávamos de alguém que pudesse acrescentar ao nosso trabalho, deixando Lucio mais à vontade para as suas vociferações alucinadas. Ao mesmo tempo, tive a ideia de convidar o Diego. Ele já havia passado Deformity em duas ocasiões distintas: a primeira como guitarrista, em 2000, se não me engano; a segunda, como baixista em torno de 2005, com a saída do Marcello (ex-Martyrdom). Diego tem uma mente doentia e uma facilidade inigualável para compor (para conferir o que estou relatando, basta escutar as músicas da Rotten Cadaveric Execration, sua banda de gore grind). Assim a banda estaria pronta para a sua fase mais sangrenta! Foi justamente a interpretação que Diego deu para a guitarra de “From dream to nightmare” que nos permitiu deixar essa música com a nossa cara! Foi um retorno com uma chave podre! Tivemos a oportunidade de participar do tributo a uma banda que admiramos, tocando uma música do álbum que mais admiro. Acho que conseguimos fazer uma interpretação à altura do que a Headhunter D.C. merece!

    No ano seguinte (2016) a banda, já com sua formação estabilizada, lança o EP “Torturing Unfortunate People”. Esse EP é definitivamente um dos materiais mais Brutais que já ouvi. Fale-nos a respeito da concepção deste trabalho…

    2016 Torturing Unfortunate People “EP”

    Yuri Hamayano: Como eu deixei claro, o processo que culminou nesse EP começou por volta de 2005, mas esse projeto ficou parado até o retorno de Diego à banda. Com seu retorno, tivemos gás o suficiente para retomar duas composições que estavam meio caminho andado, e compomos outras duas. A forma que Diego pensa as composições abre espaço para todos os demais instrumentos, assim como para os arranjos de vox. Assim conseguimos imprimir uma pancadaria completamente diferente do primeiro álbum: mais madurecida. Para fechar a tampa deste caixão, convidamos o guitarrista Victor Porto para fazer os solos, que ficaram animais. Aliás, ele também gravou o solo para a música do tributo ao Headhunter D.C., abrilhantando ainda mais essa. Para aumentar a boa impressão em torno do EP, trabalhamos com a Putrid Design. Claudio seguiu a nossa ideia de uma música torturante e desenvolveu um projeto gráfico tão doentio quanto a nossa música. Tudo completo e fechado para atingir o propósito final. Nós ficamos muito contentes com o resultado e temos consciência de nossos erros e falhas. Isso significa que a experiência está aumentando, assim como a cobrança própria. A expectativa é que o próximo material saia ainda melhor e mais interessante.

    Para o lançamento deste EP a banda contou com a união de três selos “Rise Of Cthulhu”, “Pictures From Hell” e “Sociedade Dos Mortos”. Como surgiu essa parceria? Como está sendo a experiência de trabalhar com estes selos?

    Yuri Hamayano: A parceria surgiu através de Elimar do Thundergod, que fez contato com o Junior da “Pictures  from Hell” e abriu as negociações. O grande Junior aceitou o desafio e buscou a parceria de Gleison do “Sociedade dos Mortos” e Sócrates, que estava estreando com a “Rise of Cthulhu”. Eu já admirava esses caras antes de trabalharmos juntos; agora mais ainda! Quando a equipe viu o material gráfico e escutou as músicas, fizeram a proposta de um lançamento em digipack. Foi a escolha mais acertada para o seu formato. Apesar de termos rodado apenas 500 cópias, o material se esgotou em muito pouco tempo! O único erro nosso foi não ter negociado e estabelecido um projeto de divulgação para o material. Com isso eu tive que me virar, com poucas cópias em mãos, para enviar o material para a mídia especializada. Tentei ser mais abrangente desta vez, escolhendo ao menos um representante de cada região do país, mas não pude enviar para todos zines que tive vontade. Os comentários e impressões foram muito bons, o que é muito gratificante diante do esforço que fizemos para que esse material fosse lançado.

    Como este último lançamento é um EP, logo pensamos: vem o segundo álbum aí, devastador como a banda sempre foi. De fato, podemos esperar mais um trabalho em breve?

    Yuri Hamayano: Com toda a aprendizagem desses quase 23 anos, agora estou mais atento aos projetos e às programações. De fato, já deveríamos estar começando o processo de gravação desse próximo álbum agora para tentar um lançamento em 2019, mas diversos problemas pessoais acabaram atrasando o processo de composição. Temos poucas composições novas, mas eu estou muito animado com todo o processo e espero poder dar início a esses planos de gravação em breve. Uma coisa eu garanto: as músicas estarão tão, ou ainda mais avassaladoras que aquelas presentes no EP. Vou tentar amarrar as letras de maneira mais conceitual e pensar com mais cuidado nos pequenos detalhes. Também espero conseguir desenvolver um projeto gráfico e uma gravação tão bons quanto os que foram apresentados no EP. Já estou conversando com um estúdio aqui da cidade e o cara me apresentou milhões de novas ideias para melhorar o som da guitarra. Parece-me que tudo está sendo mais bem planejado dessa vez. Até lá, estamos preparando uns vídeos para que possamos ter alguma novidade para os bangers.

    O baixista Tarcísio Medeiros já não faz mais parte da banda, assim como o vocalista Lucio. Krusius Barreto acabou assumindo ambas as posições. Como está sendo essa adaptação no vocal? Qual a sua opinião a respeito da atual formação do Deformity BR?

    Yuri Hamayano: Houve uma verdadeira reviravolta na banda nesses últimos dois anos. Inicialmente, não havia planos de mudanças na formação. Tínhamos umas datas para apresentações em Natal e Recife, mas o Tarcísio sinalizou que não teria a possibilidade de estar conosco. Nós não conhecíamos o Krusius, mas eu sabia que ele era baixista e vocalista da banda Ímpios e que estava morando em Feira de Santana. Com isso, fizemos o convite para ele nos ajudar nesses shows e tudo correu bem. Após esse fato, coincidentemente, os fatos convergiram para a saída do Tarcísio. Como eu já comentei, um fato parecido aconteceu com Lucio, que também não pôde participar de alguns shows, tendo a substituição feita por Krusius. Pouco tempo depois, Lucio anunciou o seu desligamento e fomos compelidos a resolver o problema da maneira mais prática: Krusius assumiu ambas as posições. Ele é novo (quase da idade da banda), mas é uma pessoa completamente conectada ao underground, conhecedor do metal extremo, comunicativo e um ótimo músico. Ele entendeu rapidamente a proposta de nosso trabalho e vem dando muitas contribuições para que as engrenagens se mantenham em perfeito funcionamento. A adaptação dele foi um desafio, pois as músicas estão ganhando maior complexidade, enquanto que os arranjos de vocal tiveram que ser repensados para não descaracterizar as músicas e, ao mesmo tempo, permitir certo conforto à sua execução. Quanto ao timbre do vocal, não há o que ser feito. Agora é entrar num estúdio e ver como o timbre harmoniza com as novas composições, mas sou otimista e acredito que já deu certo. Finalmente, posso afinar que essa nova formação, em quarteto, está pronta para continuar derretendo os tímpanos alheios. Estamos muito contentes com o trabalho resultante.

    Yuri Hamayano, muito obrigado por nos dedicar o seu tempo e sua atenção, espero poder ter a oportunidade vê-los por aqui, destruindo tudo. Será um prazer revê-los. Um forte abraço e conte sempre com a Roadie Crew…

    Yuri Hamayano: Éden, nós sequer temos palavras para descrever a felicidade que foi ter novamente o seu contato, ainda mais com um convite como este. Somos muito agradecidos pelo espaço e pela força que você e a Roadie Crew estão dando para a Deformity BR. Quanto à possibilidade de você ver a Deformity ao vivo, atualmente temos buscado meios alternativos para facilitar a nossa ida a algumas localidades mais distantes da Bahia… Se tudo der certo, já temos planos para um giro no estado de SP para o próximo ano. Assim teremos a oportunidade de nos encontrarmos pessoalmente. Dismembraço para você! Hails a todos os bangers!

    Ao ler essa entrevista houve um momento que o Yuri se espantou com a minha afirmação à respeito do seu alto nível técnico como baterista. “Alto nível técnico? É mesmo? Kkkk…”. Abaixo segue uma Drum Cam feito durante as gravações do EP “Torturing Unfortunate People”. Assista e veja se não foi correta a minha afirmação….

    Abaixo segue uma apresentação do Deformity BR no Palco do Rock gravado em fevereiro deste ano (2018). No inicio deste vídeo o áudio na está muito bom, logo tudo se normaliza e podemos conferir toda sua brutalidade ao vivo:

    https://youtu.be/_Rf1RmAhs6Y
  • ERASY “Doom/Stoner Metal que permeia entre o clássico ao brutal nos velhos moldes do estilo”

    ERASY “Doom/Stoner Metal que permeia entre o clássico ao brutal nos velhos moldes do estilo”

    Mesmo ainda desconhecido por muitos aqui no Brasil, a cena Doom/Stoner Metal está viva e com representantes de peso. A Erasy é uma prova disso, com suas músicas que permeiam entre o clássico ao brutal nos velhos moldes do estilo vem cativando muitos apreciadores pelo mundo. O seu fundador Luciano Penelu nos fala à respeito desta banda que ainda vamos ouvir falar muito, muito em Breve!

    Foto por: Divulgação

    A ERASY é uma banda realmente diferenciada e me chamou muito a atenção quanto ao seu estilo, uma sonoridade que remete muito aos macabros acordes de Iommi e com vocais ultra rasgados… como surgiu a ideia da banda?

    Luciano Penelu: Creio que a sonoridade foi surgindo aos poucos, quando a gente se juntava para tocar Black Sabbath. Com o tempo, cada um foi introduzindo sua própria identidade no projeto, expondo gostos e influências, e o resultado é este que temos hoje!

    Ao ouvir o ótimo CD “The Valley Of Dying Stars” fazemos uma viagem entre o clássico e o brutal, uma mistura de estilos feito com muito bom gosto e competência. Como está sendo a divulgação e a reação dos headbangers?

    Luciano Penelu: Ficamos muito gratos pelas palavras! Com relação à repercussão, acreditamos que vem sendo muito positiva. O disco foi resenhado por ótimos zines e revistas especializadas (incluindo a própria Roadie Crew), comentado por bangers do Brasil e do exterior e divulgado em muitos canais especializados em Doom / Stoner Metal. Não poderíamos estar mais satisfeitos.

    ERASY “The Valley Of Dying Stars”

    O estilo apresentado aqui, não é muito comum entre as bandas nordestinas e no Brasil inteiro também, me lembro de ouvir algo dentro desse estilo à muitos anos quando existia a banda Centennial. Quais as suas principais influências? claro além do Black Sabbath que notamos influências em todas as faixas.

    Luciano Penelu: De fato a cena Doom / Stoner / Sludge ainda é bastante restrita, sobretudo no Brasil, mas observamos um crescimento nos últimos anos. Há cada vez mais bandas e mais público interessado nesta vertente lenta e viajada de Metal. Quanto às influências para além do Sabbath, podemos citar Eyehategod, Saint Vitus, Pentagram, Crowbar, Acid King, Bongzilla, entre outras que abriram caminho para que bandas como nós pudessem desenvolver algo nesta linha sonora, que me parece recuperar um pouco da tradição do Doom e injetar nela doses suplementares de peso.

    As letras também são profundas, na banda quem escreve as letras? nos fale um pouco de todo conceito lírico abordado neste trabalho…

    Luciano Penelu: Sou o responsável pelas letras, e posso dizer que elas foram tomando este formato muito naturalmente. Somente depois de prontas pude notar de fato que havia um fio, uma coerência entre as faixas do disco. Creio que assim o foi pois elas abordam temas que combinam perfeitamente com a sonoridade densa e arrastada: a solidão do homem contemporâneo e a falta de perspectiva diante do caos da existência são menções constantes neste disco. Depois veio a ideia do título do álbum e do discurso do personagem de Marlon Brando em Apocalypse Now, que pode ser ouvido em “Telling lies”, ambos extraídos do poema “The hollow men”, de TS Eliot.

    Foto por: Divulgação

    A banda vem do interior da Bahia, a segunda maior cidade do estado onde existem bandas respeitadas pelos seus muitos anos na luta pelo Underground como Deformity BR e o Martyrdom. Como você vê a cena local? e a cena como um todo?

    Luciano Penelu: A cena feirense é de fato muito interessante. Diversas bandas importantes como as que você cita pavimentaram o caminho deste cenário que hoje, podemos dizer, é muito representativo. Produtores locais organizam eventos de Metal constantemente apesar das dificuldades, que, diga-se de passagem, não são feirenses, mas nacionais, como a falta de publico, de uma casa para realizar os eventos etc. Acho que a cena de Feira, apesar de todas as turbulências, é rica e atuante.

    O Baterista Vurmum também é baterista do Martyrdom, quanto a você e os outros membros, tocam em mais algumas bandas? 

    Luciano Penelu: Joilson (baixista) toca na Clube de Patifes, uma tradicional banda de Blues. Eu e Léo (guitarrista) já tivemos outros projetos, mas hoje estamos focados na Erasy.

    Este trabalho está tendo distribuição internacional?

    Luciano Penelu: Não, toda a repercussão internacional veio dos meios digitais, como bandcamp, facebook, etc.

    Foto por: Divulgação

    Há um tempo atrás uma das bandas referência do Doom Metal nacional o The Cross voltou à ativa, e vocês estão na ativa desde 2012. Você sente que possa estar havendo uma retomada do estilo no estado?

    Luciano Penelu: Uma retomada, talvez não, pois creio que ainda é uma vertente muito restrita por aqui. Contudo, gostaria muito que esta cena crescesse e que aparecessem mais e mais bandas na mesma linha.

    Para os fãs do estilo, o surgimento de uma banda como a Erasy é uma prova que o estilo está mais vivo do que nunca. O CD “The Valley Of Dying Stars” lançado em 2016 ainda se encontra disponível? 

    Luciano Penelu: Sim, sem dúvida. Quem se interessar, pode adquirir o disco conosco através do facebook, ou com os nossos parceiros do Resistência Underground e do The Metalvox.

    Quanto ao um novo material, podemos esperar mais um CD em breve?

    Luciano Penelu: Temos um projeto em andamento, que deve ser lançado até o final do ano. Fechamos uma parceria com a Doom Stew Records (EUA) para um compacto de 7”, com músicas inéditas. Estamos muito empolgados com a possibilidade do diálogo internacional e com os caminhos que ele pode abrir para a banda.

    Luciano Penelu, muito obrigado por nos ceder gentilmente esta entrevista e espero pode vê-los aqui em breve para celebrarmos com muitas cervejas o verdadeiro metal imortal e com muitos headbanging… o Espaço é seu…

    Luciano Penelu: Nós é que agradecemos, meu caro! É sempre bom poder divulgar o nosso trabalho, ainda mais quando a palavra é franqueada por um irmão com a sua trajetória dentro do underground. Espero que a gente se encontre em breve para uma cerveja, em São Paulo ou na Bahia!

    Assista abaixo o lyric video de “Sea Of Sadness”. Altamente recomendado para amantes do bom e velho Black Sabbath e que curtam belos vocais rasgados. Assista, ouça e comprove:

  • CORPORATE DEATH “O interior de São Paulo sempre mostrando sua força extrema”

    CORPORATE DEATH “O interior de São Paulo sempre mostrando sua força extrema”

    Damien Mendonça, Aline Lodi e Rafael Cau

    O interior de São Paulo sempre mostrando sua força extrema no underground nacional e o Corporate Death é um excelente exemplo. Com seu estilo calcado em um primoroso Death Metal convidamos os membros Damien Mendonça e Rafael Cau para essa entrevista onde eles nos trazem importantes informações e anunciam que em 2019 serão iniciados os trabalhos para o novo álbum.

    A banda Corporate Death foi fundada em 2001 e desde então vem trilhando o caminho da mais pura Brutalidade com seu excelente Death Metal. Durante todo esse tempo de atividade quais foram as maiores conquistas no seu ponto de vista?

    Damien e Rafael: Primeiramente muito obrigado pela oportunidade e pelo espaço cedido para a banda. Acreditamos que a maior conquista é de tocarmos as pessoas com nossa música. Lutamos para compor, gravar e divulgar nosso trabalho e mesmo com todas as dificuldades de incentivo no Brasil, a resposta positiva do público headbanger é muito gratificante.

    Em 2003 vocês lançaram um Rehearsal e dois anos depois a demo “Ways to the Madness” (2005). Como foi a receptividade do público nessa época?

    Damien e Rafael: Na verdade a gravação da música “Loser” foi um ensaio na casa do Rafael Cau com 1 microfone gravado em fita, e foi lançado só para termos um primeiro registro. Depois disso a banda ficou em hiato e só gravamos o Ways to the Madness pouco mais de 1 anos depois. Tivemos uma repercussão excelente graças às boas resenhas da mídia especializada, e fizermos muitos shows de divulgação.

    Rafael Cau, Aline Lodi e Damien Mendonça

    Vemos que entre os lançamentos do Corporate Death existem longos espaços de tempo. Qual a maior dificuldade enfrentada por parte da banda quanto aos lançamentos de seus álbuns?

    Damien e Rafael: Temos que conciliar as atividades da banda com nossa vida profissional, estudo e família. Infelizmente não conseguimos nos dedicar totalmente ao Corporate Death mas sempre tratamos a banda com seriedade e profissionalismo. Gravar um álbum exige muito tempo, dedicação e principalmente dinheiro. Então trabalhamos com um espaço de tempo razoável para oferecer um material com qualidade.

    O primeiro Álbum “Terminate Existence” é uma obra prima, considerado por muitos um grandioso trabalho e que teve seu lançamento feito por um importante selo a Die Hard. A divulgação do mesmo foi satisfatória?

    Damien e Rafael: Na verdade não foi feita uma divulgação satisfatória na época, além do resultado geral da gravação e mixagem não nos agradar. Temos planos de remixar e relançar o Terminate Existence em breve para a comemoração dos seus 10 anos.

    Acredito que esse álbum logo de cara se tornou uma referência para o estilo pela sua alta qualidade musical e técnica. Para você este álbum foi o fator determinante para a projeção do Corporate Death no mundo?

    Damien e Rafael: A banda está em constante evolução.  Nós amadurecemos muito por causa dele, e após essa experiência evoluímos muito em diversos aspectos. Gostamos muito das composições do Terminate Existence. Esse álbum foi o nosso ponto de partida e com certeza abriu muitas portas.

    Quanto a cena gringa, houve uma distribuição por lá?

    Damien e Rafael: O Terminate Existence é um pouco raro para fora do país. Quem tinha mais contato com o Fausto da Die Hard era o Paulo e todo o trâmite do lançamento foi feito por ele, então temos poucas informações da forma como o álbum foi distribuído, e em geral sobre esse lançamento.

    Rafael Cau, Aline Lodi e Damien Mendonça

    Em 2014 ainda com a mesma formação vocês lançaram o segundo álbum “Angels & Worms” após 6 anos do lançamento do primeiro álbum. Este trabalho foi lançado pelo selo italiano Murdher Records. Este lançamento feito por um selo europeu ajudou a difundir definitivamente o nome Corporate Death no velho continente?

    Damien e Rafael: Na verdade o Angels & Worms foi gravado com Rafael Cau na bateria e já estava bem encaminhado nas composições quando o Paulo Pinheiro deixou a banda. Quanto ao lançamento do Angels & Worms, a Murdher Records fez uma excelente distribuição do nosso trabalho na Europa. Por lá é bem fácil encontrar esse material, mas por aqui é bem raro.

    Esse mesmo álbum nunca teve seu lançamento em nossas terras. Por que não foi lançado no Brasil?

    Damien e Rafael: Hoje em dia os selos especializados em música extrema batalham para lançar o material sempre em parcerias. Na época encontramos alguns selos interessados mas não o suficiente para o lançamento. Lançamos o CD promo (100 cópias) de forma independente e a Murdher Records gostou do trabalho da banda e decidiu lançar o CD.

    Para nossa surpresa o vocalista Flávio Ribeiro se desligou da banda logo após o lançamento de “Angels & Worms”, afinal foram 13 anos à frente do line-up com sua voz poderosa. Qual o motivo desse afastamento tão repentino?

    Damien e Rafael: Todos os anos com o Flávio foram uma excelente fase de nossas vidas. Fizemos ótimas músicas e shows mas devido a algumas divergências e desgaste de ambas as partes ele decidiu deixar a banda. Foi uma época difícil, mas com essa separação seguimos em frente com o Corporate Death e hoje o Flávio continua com seu poderoso vocal à frente da banda Vizaresh onde também toca baixo. O Vizaresh é mais uma força extrema somando no death metal nacional.

    Terminate Existence – 2008

    Para sua substituição vocês nos pegam de surpresa novamente. Entra na banda a Aline Lodi que é muito conhecida por integrar a banda Exhortation e claro, uma vocalista Brutal. Como foi que surgiu a ideia para a entrada desta que pra mim é uma das melhores vocalistas do Brasil?

    Damien e Rafael: Tocamos com o Exhortation em alguns festivais e já conhecíamos o pessoal a algum tempo. A ideia principal quando chamamos a Aline para a banda foi de iniciar uma nova fase no Corporate Death. Não queríamos um vocalista que tentasse imitar o vocal do Flávio e como a Aline tem um vocal com personalidade decidimos fazer o convite. Ela aceitou de imediato o desafio e a cada ensaio sua evolução mostrou que ela foi uma escolha certa para a banda.

    Quando ouvi o Single “Ignorance Prevails” fiquei impressionadíssimo com a adaptação dela na banda. Por um momento parecia que ela sempre foi integrante da banda pois seus vocais caíram como uma luva nas composições da banda. Como foi a repercussão deste material junto aos fãs?

    Damien e Rafael: A repercussão foi muito boa e recebemos um feedback positivo desse single. Isso nos motivou ainda mais para continuarmos com as composições do próximo álbum.

    Logo após este single de 2016 a banda vem com “Reborn” título muito justo ao vermos toda a trajetória da banda. Afinal uma banda reformulada. Este trabalho foi lançado pela união de três selos e para muitos o melhor álbum da banda desde então. O que vocês nos falam a respeito?

    Damien e Rafael: Esse trabalho é muito especial para a banda, como foi dito anteriormente cada álbum marca uma fase de nossas vidas. Reborn é um álbum brutal como os anteriores mas tem uma dinâmica diferente, mostra um Corporate Death mais sólido. Temos muita gratidão com os selos (Misanthropic Records, Cianeto Records e Brutaller Records) por acreditarem na banda e investirem no lançamento desse CD.

    Angels & Worms – 2013

    A Aline Lodi mostrou muita competência neste trabalho, ela está como membro efetivo ou está apenas dando suporte à banda?

    Damien e Rafael: A Aline já faz parte da história do Corporate Death há mais de 4 anos e é membro efetivo da banda sem sombra de dúvida.

    Quanto aos shows para divulgação do álbum, vocês têm viajado e tocado em outros estados Brasileiros?

    Damien e Rafael: Não recebemos muitas propostas para tocarmos fora do estado mas a banda está com a agenda aberta para shows.

    Este álbum também está tendo uma boa divulgação fora do Brasil?

    Damien e Rafael: Sim, estamos recebendo um ótimo feedback de fora sobre o Reborn e os selos contribuem muito para isso.

    Com essa formação destruidora a banda pretende nos brindar com mais trabalho em breve?

    Damien e Rafael: Estamos em processo de composição, com muitas ideias amadurecendo, e pretendemos entrar em estúdio em 2019 para o próximo álbum.

    A banda é originaria de Jundiaí cidade bem perto da capital e que parece ter uma cena bem forte. Como você vê a cena atual?

    Reborn – 2017

    Damien e Rafael: Na nossa cidade os shows são muito raros. Não vemos mais shows lotados como antigamente, mas a cena underground ainda respira, principalmente no interior. O Brasil tem excelentes bandas na ativa, e é a ajuda de todos que nos mantém em pé.

    A banda apresenta temáticas bem fortes em suas letras como anti religião, Niilismo e o lado negro da vida humana. Quem é o compositor mais ativo na questão lírica? e quais as suas principais fontes de inspiração?

    Damien e Rafael: Cada álbum teve um método de composição diferente. Atualmente todos escrevem letras na banda. A principal fonte de inspiração é a fraqueza humana que atribui suas responsabilidades em fantasmas imaginários.

    Meus velhos amigos Damien Mendonça e Rafael Cau, eu agradeço imensamente gentileza em me receber e por toda a atenção à essa entrevista. Um forte abraço e o espaço é de vocês…

    Damien e Rafael: Muito obrigado pela oportunidade dada a nós e às bandas do metal nacional.

    Abaixo o vídeo gravado da apresentação do Corporate Death no Umbra Ad Aeternum Fest 2
  • HEADHUNTER D.C. Comemorando 31 anos em uma entrevista histórica…

    HEADHUNTER D.C. Comemorando 31 anos em uma entrevista histórica…

    No dia 31 de Maio o grande Headhunter D.C. comemorou 31 anos de carreira, e nós da Roadie Crew não podíamos deixar passar esse marco importantíssimo para o Underground mundial, afinal estamos falando de um dos maiores nomes do Death Metal brasileiro que com muita honestidade e paixão vem travando completas batalhas em prol de nossa cena. Para celebrar esses ininterruptos 31 anos, trazemos aqui uma entrevista comemorativa como jamais tínhamos feito até agora. Convidamos o seu frontman Sérgio “Baloff” Borges para nos presentear com informações exclusivas em uma entrevista histórica em ordem cronológica. Isso mesmo, um completo resumo de toda a longa vida do Headhunter D.C..  Dadas as premissas acima, vamos à entrevista… “Long Live the Death Cult”!!!

    A banda surgiu com a dissolução de outra banda, “Túmulo”, fundada pelo guitarrista Paulo Lisboa. Você que acompanhou de perto este início, nos conte mais a respeito, como tudo surgiu na visão do Sérgio Baloff…
    1986-Banda Túmulo: Luciano, Iaçanã, Zé e Paulo Lisboa

    Sérgio “Baloff” Borges: Sem querer ser nostálgico demais (mas já sendo, inevitavelmente…), estávamos numa era mágica, realmente. Uma época de descobertas, fosse de novas bandas, novos materiais ou novos amigos, todo mundo crescendo e aprendendo junto e sendo testemunhas de uma nova revolução musical e ideológica que estava acontecendo no mundo. 1986, quando o Túmulo foi fundado, foi o ano de lançamento de alguns álbuns primordiais e revolucionários, como “Pleasure to Kill”, “Obsessed by Cruelty”, “Darkness Descends”, “Eternal Devastation”, “Beyond the Gates”, “Reign in Blood”, “Morbid Visions” entre outros, e temos orgulho em termos visto esses clássicos sendo lançados e ser influenciados por eles em tempo real. morava bem distante dos outros caras, pro lado do Subúrbio de Salvador, e ainda não os conhecia – eles que, por sua vez, moravam em sua maioria no bairro da Pituba. Certa vez fui à loja Cor & Som pra comprar discos (a primeira loja de Salvador a vender material de Metal mais extremo e underground), e ao entrar vi na porta de vidro da loja um cartaz com os dizeres: “Vem aí Túmulo, aguardem!”. Aquilo me chamou atenção de uma forma especial: primeiro porque o super mal desenhado logotipo da banda me remetia ao primeiro logo do Sepultura, com o “T” em formato de cruz de cemitério, e segundo porque se aquilo remetia ao Sepultura, banda da qual eu já era fã na época (comprei o “Século XX/Bestial Devastation” antes

    1987-Primeiro show do Headhunter D.C., Sérgio “Baloff” dando mosh!!!

    do mesmo chegar às lojas, via fã-clube do Overdose do qual eu fazia parte), então iria me agradar em cheio. Numa outra vez que fui na mesma loja, encontrei pela primeira vez o Zé Paulo e o Iaçanã, e nem sabia que aqueles dois caras eram os fundadores daquela aberração fúnebre do tal cartaz. O primeiro show do Túmulo eu, por algum motivo, não estava presente, mas me sinto como se houvesse estado lá. Conheço as fotos daquele show como conheço a minha carteira de identidade, acredite. Na frente do “palco” – que na verdade eram mesas que separavam a banda do público – estavam figuras emblemáticas de nossa cena, como Eduardo Falsão, Kléber e Eclésio do ThrashMassacre (então ainda sob o nome de “Massacre”), Estevam “Malária” (que um par de anos mais tarde fundaria a loja/selo Maniac) entre outros. No início do ano seguinte conheci o Falsão no show do Vulcano em Itabuna/BA na tour do “Bloody Vengeance” (um dos shows mais brutais e bestiais que já presenciei), com abertura do Krânio Metálico, e pouco tempo depois ele estaria fazendo parte da nova banda do Paulo, o Headhunter. Convidado por um amigo em comum, fui num dos primeiros ensaios da banda (provavelmente o segundo ou terceiro), que acontecia em parceria com o ThrashMassacre no quarto do baterista Iaçanã, que tocava em ambas as bandas. Pro meu azar não rolou ensaio naquele dia devido a um problema no pedal Heavy Metal da Boss do Eclésio, que também era compartilhado por Zé Paulo. A sessão de headbanging ficaria pro próximo ensaio, infelizmente, mas aquela tarde de sábado foi realmente especial pra mim, pois começava uma relação com uma banda que duraria até os dias de hoje. O resto é história…

    1987-Sergio “Baloff”, Ualson Martins, Paulo Lisboa e Eduardo Falsão

    A banda fez seu primeiro registro, “Rehearsal”, ainda sem você como membro, mas claro, você esteve sempre acompanhando tudo de perto. A receptividade desse material na época você considera um marco na história do Headhunter D.C.?

    Sérgio “Baloff” Borges: Esse ensaio de 88 na verdade é o segundo registro da banda a ser espalhado na cena, um registro feito, obviamente, de forma bem precária, underground ao pé da letra, o que era bastante comum entre as bandas da época. Existe um ensaio ainda mais antigo, datado de 87, onde a banda inclusive toca um cover de “Blasphemer” do Sodom, mais “Evil Followers” e “Miserable Priests”, duas das primeiríssimas composições do Headhunter. Parte de ambos os ensaios estão compilados no CD duplo comemorativo dos 20 anos da banda intitulado “The Darkest Archives… From the Death Cult (1987-2007)” lançado pelo selo peruano Crypts of Eternity. Esses materiais eram espalhados na cena via tapetrading, e causou uma ótima repercussão entre os bangers mais radicais da época. É claro que houveram críticas negativas, talvez até pela precariedade dessas gravações, o que é normal e que faz parte do processo de desenvolvimento de uma banda de verdade, com todos aprendendo a tocar juntos e lutando juntos pelo mesmo ideal.

    No final do ano de 1989 você se torna membro efetivo da banda, sendo que no início você era o roadie e já tinha um contato muito especial com todos os membros da época. Como foi que aconteceu tudo para que você se integrasse à banda?

    1989-Sérgio “Baloff” Borges

    Sérgio “Baloff” Borges: A partir de meu primeiro contato com a banda eu não parei mais de freqüentar os ensaios, reuniões, shows dentro e fora de Salvador e demais atividades, era como se eu fosse o quinto membro do grupo, saca? Eu era um misto de roadie e fotógrafo, além do que também dava uma força nas correspondências da banda, mas nesse ínterim eu cheguei a tentar tocar bateria com os caras – cheguei, inclusive, a fazer uma sessão de fotos e figurar em um dos releases da banda como baterista…

    rsrsrsrs… Sim, você havia mencionado comigo que foi quase baterista. Por quanto tempo assumiu essa função na banda antes de se tornar vocalista?

    Sérgio “Baloff” Borges: Exato! Acontece que o Iaçanã era baterista oficial do ThrashMassacre e tocava com o Headhunter como baterista de suporte, então a banda precisava de um baterista efetivo, e como eu sempre no final dos ensaios costumava dar umas porradas na bateria, o Falsão teve a idéia de fazer uns testes comigo enquanto Iaçanã me dava uns toques de como tocar o instrumento. Acabou que no final de 89 o Falsão saiu da banda e eu, que já conhecia todas as músicas e praticamente todas as letras da banda, automaticamente fui convocado para ser o novo vocalista. “Estava escrito”! hahaha… Com isso, Iaçanã se tornou baterista efetivo da banda, então ficou tudo em casa mesmo… hahahahaaa!!!

    Neste mesmo ano a banda lança a clássica demo “Hell is Here”, demo muito procurada até os dias de hoje pelos fãs. Essa demo realmente é um marco na história do metal extremo brasileiro…

    1989-Hell Is Here “Demo Tape”

    Sérgio “Baloff” Borges: Aquela gravação originalmente consiste de 6 músicas as quais integrariam um 12″ EP intitulado “Noise” que jamais fora lançado por motivos de má fé por parte da empresa/gravadora (ir)responsável pelo seu lançamento. Falsão, inclusive, até hoje cita esse acontecimento como fator primordial para o seu descontentamento e posterior distanciamento da banda, o que é bastante compreensível dada tamanha decepção causada a todos na época. Se me lembro bem, esse seria um split 12″ com o ThrashMassacre, mas como eles não conseguiram gravar seu material a tempo, ficou para ser um lançamento exclusivo do Headhunter D.C. mesmo. Das 6 faixas gravadas, 4 foram extraídas para integrarem a primeira demo da banda, “Hell is Here”, tendo sida a primeira demo de Metal Extremo a ser gravada em estúdio profissional na Bahia (e provavelmente em todo Nordeste) e a primeira a ser distribuída por um selo estrangeiro, no caso a Wild Rags dos EUA.

    Logo depois do lançamento da demo um dos fundadores, Eduardo Falsão, decide sair da banda. Foi neste momento que a banda decidiu que você seria o próximo vocalista?

    Sérgio “Baloff” Borges: Na verdade, quando “Hell is Here” saiu eu já era o novo vocalista da banda, inclusive no encarte da fita meu nome já está no lineup, mas com os créditos dos vocais gravados para Eduardo Falsão. Como falei anteriormente, a decisão da banda em me chamar para fazer os vocais foi a mais natural possível pela proximidade que eu já tinha com eles. Não havia como ser diferente! Só fico puto por não ter aprendido a tocar bateria direito… hahahahahaaa!!!

    1991-Born… Suffer… Die… Primeiro álbum

    A banda foi convidada pelo histórico selo Cogumelo Records para o lançamento do debut, “Born…Suffer…Die”, que na opinião de todos que acompanham a banda, esse LP foi o primeiro material de uma banda do Nordeste a conquistar uma visibilidade extrema no país. Como foi recebida pela banda a notícia que a maior gravadora do Brasil estava interessada em lançar o Headhunter D.C.?

    Sérgio “Baloff” Borges:  Aquilo foi mesmo um enorme alcance atingido por uma banda nordestina, afinal estávamos falando do maior e mais icônico selo de Metal Extremo da América do Sul, que abrigou nada mais nada menos que bandas como Sepultura e Sarcófago, isso em finais de 1990, quando assinamos o contrato com o selo. Na verdade uma das primeiras cópias da demo “Hell is Here” enviadas pela banda foi para a Cogumelo, que apreciou muito o material, mas nos solicitou uma gravação com algumas músicas mais recentes e com o novo vocalista para uma melhor avaliação e a possibilidade de um contrato com o selo. Foi então que no dia 27/05/1990 entramos em estúdio e gravamos, ao vivo, as então inéditas “Am I Crazy?” e “Why Wars?” e novas versões para “Hell is Here” e “Death Vomit”, e logo enviamos a promo tape para a Cogumelo, que aprovou o material e assim foi assinado o contrato com o selo.

    1991-Headhunter D.C. com Max Cavalera ao centro

    A gravação foi feita na época no JG Estúdio, em Minas Gerais, onde também gravaram os grandes nomes da época e bandas clássicas até os dias de hoje. Nos conte como foi a experiência de gravar o debut no JG estúdio…

    Sérgio “Baloff” Borges: Tudo era extremamente novo pra gente no que se dizia respeito a estúdios de gravação, e apesar da experiência adquirida pelos caras na gravação da demo, o JG possuía bem mais recursos que o Orion Studio, onde gravamos “Hell is Here” aqui em Salvador. Apesar disso, trabalhar com alguém já renomado naquela época como o Gauguin, que tinha um ‘know how’ em gravações de bandas de Metal e que assinou grandes clássicos do Death/Thrash Metal brasileiro, de certa forma nos trouxe uma segurança quanto ao que viria a ser o resultado final do álbum, diferente de toda aquela incógnita que é trabalhar com gente que não sabe nem pra que lado Black Sabbath vai, quiçá saber o que é Death Metal. Viajamos para Belo Horizonte para gravar “Born…Suffer…Die” um dia após termos aberto o show do Sepultura aqui em Salvador na turnê do “Arise” diante de 2000 pessoas, o que não era nada mal pra uma banda com apenas 4 anos de estrada e que ainda nem tinha um álbum de estréia, e isso nos serviu como uma grande injeção de ânimo rumo a um universo até então novo para nós. Gravamos o álbum em 6 períodos de 6 horas cada, num total de 36 horas para gravarmos e mixarmos, um verdadeiro feito – sangue de pedra mesmo! Acho que toda a pressão sofrida tanto pela falta de experiência quanto pelo curto tempo disponível em estúdio ajudou a deixar nossas músicas com uma sonoridade ainda mais ríspida e crua. É claro que se tivéssemos tido um investimento maior na produção do disco, teríamos um resultado ainda mais pesado e com uma sonoridade que refletisse melhor nossa proposta, mas pra um álbum de estréia ficamos muito satisfeitos com seu resultado final. Acho que diante de todas as circunstâncias que permeavam nossa história, não tinha como exigirmos mais do que aquilo, então temos muito orgulho de nosso début album. A propósito, lembro do saudoso Osvaldo “Pussy Ripper” do SexTrash (R.I.P.) me dando uns toques na véspera do início das gravações do disco, eles que tinham gravado o “Sexual Carnage” há apenas alguns meses. Grandes memórias!

    Em 1992 a Revista Veja, revista de caráter jornalístico muito famosa, fez uma publicação à respeito do Heavy Metal da Bahia onde estampou na página a foto do Headhunter D.C. em uma matéria sensacionalista onde retrataram as bandas da época como vocês, Slavery e etc… como bandas que não sabiam cantar em inglês. Houve alguma espécie de contato da Veja com você? Qual a reação das bandas ao lerem esta publicação?

    1992-Foto publicada pela revista Veja

    Sérgio “Baloff” Borges: Aquilo foi um lixo, e saiu em um encarte especial apenas para o estado chamado “Veja Bahia”, que a revista lançava junto a cada nova edição em cada estado do país. Desde quando eles entraram em contato com a banda eu não concordei em fazermos parte daquela matéria, pois sabia que aquele discurso de “apoiar a cena Metal local” tinha na verdade um outro propósito e caráter, mas acabei sendo vencido em uma votação “democrática” entre os membros da banda. Isso ainda foi entre 92 e 93, e a matéria em questão abordava as letras do “Born…Suffer…Die”. Como esperar que pessoas totalmente leigas e indiferentes ao Death Metal e ao Metal em geral pudessem ter o poder de absorver nossas letras? No aspecto gramatical eles criticaram os textos sem qualquer embasamento real ou critério (uma vergonha para jornalistas de tão conceituada revista!), citando um suposto “erro” em “Am I Crazy?” quando a letra diz “I see felicity”, já que, segundo eles, a palavra certa para ser usada deveria ser (e tão somente ser) “happiness”, pois, ainda segundo eles, a palavra “felicity” só poderia ser usada se fosse sob o contexto de “felicitar” (!?), como se, não bastasse o tiro pela culatra deles, fosse proibido um músico usar a palavra cuja métrica dentro da canção lhe seja mais conveniente. Qualquer Google Translator de hoje em dia vai lhe mostrar que “felicity” significa “felicidade, alegria”, uma visão às avessas do mundo atual em primeira pessoa, para quem não está familiarizado com o contexto lírico de “Am I Crazy?” – e olha que nem internet e muito menos Google tínhamos naquela época… hahaha!!! Nós poderíamos não ter o conhecimento em Inglês que temos hoje, afinal tínhamos menos de 20 anos naquela época e o acesso à língua inglesa ainda era bem escasso, mas desde então eu já possuía uma razoável noção de inglês, além do que a Cogumelo tinha um rígido controle de qualidade nesse sentido já naquela época, então jamais deixaria algo assim passar. Posteriormente ao lançamento dessa matéria infeliz, mandei uma carta com todos os nossos argumentos à redação da revista para que fosse publicada uma retratação na edição seguinte, o que jamais aconteceu – e nem mesmo uma resposta recebemos, nada mais óbvio. De qualquer modo, foda-se a Veja!!!

    1993-Punishment At Dawn “Segundo Álbum”

    Neste ano a banda lança seu segundo álbum, “Punishment At Dawn”, e já apresenta o Headhunter D.C. com 2 novos membros, o Túlio Constantin assumindo a bateria e o Simon Matos assumindo as guitarras junto ao Paulo Lisboa. Qual foi o motivo do afastamento do excelente baterista Iaçanã Lima?

    Sérgio “Baloff” Borges: O afastamento do Iaçanã se deu por razões pessoais que não mais permitiram sua continuidade na banda.

    Nos fale como aconteceu a entrada destes 2 novos membros…

    Sérgio “Baloff” Borges: O Simon (ex-Putrefaction) entrou na banda ainda no final de 91, quando percebemos que necessitávamos de uma segunda guitarra para dar mais peso à banda nas situações ao vivo. Sua estréia na banda em palcos, se me recordo bem, foi em Aracaju/SE. Seu estilo e postura se encaixaram como uma luva na proposta da banda, além do que ele também já freqüentava ensaios e shows do Headhunter D.C. desde praticamente o início, então tratou-se de outra escolha bem natural – sem falar que não existiam tantas opções assim àquela época, então quando surgia uma necessidade de recrutar alguém para a banda, meio que já sabíamos quem iríamos chamar. Já o Túlio foi chamado pra banda ainda em meados/final de 92, mas só estreou mesmo em 93, não me lembro exatamente onde nem em qual mês. Ele é mineiro, tocava no Calvary Death antes de se unir ao Culto e se mudou pra Salvador na época pra se dedicar de perto à banda.

    1993-Paulo Lisboa, Simon Matos, Ualson Martins, Túlio Constantin e Sérgio “Baloff”. Foto por: Nino Andrés

    O segundo álbum também foi lançado pela Cogumelo Records e foi o álbum que mostrou ao mundo o Headhunter D.C. com distribuição em muitos países. Na sua visão, como foi a receptividade deste segundo álbum? Este álbum foi o trabalho que levou o Headhunter D.C. a conquistar novos horizontes?

    Sérgio “Baloff” Borges: Acho que posso dizer que sim. Nos mudamos pra BH no início de 93, ficando assim mais próximos de nosso selo, gravamos o “Punishment…” e foi a partir daí que as coisas começaram a acontecer em maior escala. Finalmente estávamos tocando nos grandes centros de Metal do país (Rio/São Paulo/Belo Horizonte) e saindo em cada vez mais fanzines e revistas, enquanto que no exterior o álbum estava sendo distribuído na Europa pela Black Water da Holanda e nos EUA via Relapse, o que também rendeu excelentes resenhas em zines e revistas lá fora. Algumas dessas resenhas colocaram o álbum como um dos melhores lançamentos já vindos da America do Sul naquela época, o que foi de extrema importância para uma maior projeção do Headhunter D.C. em outros países, além, é claro, de nosso próprio esquema de divulgação do álbum mundo a fora, isso numa época sem internet, sem download, e-mail, mp3, Facebook, Myspace, Whatsapp, Spotity, globalização…, tudo na base do correio e muita, muita paixão pelo Underground.

    Foi neste mesmo ano que a banda decide se mudar para Belo Horizonte… Quais foram os reais motivos que motivaram essa mudança de estado?

    1993-Cartaz da passagem em Santo André/SP

    Sérgio “Baloff” Borges: As principais razões para termos nos mudado para Belo Horizonte naquela época foram mesmo para estarmos mais perto da gravadora e conseqüentemente conquistarmos novos horizontes com a banda, e foi exatamente o que aconteceu. Somos provavelmente a primeira banda de Metal Extremo do Norte/Nordeste a fazermos uma turnê que atingiria as principais cidades do Sudeste do país, numa época em que uma turnê, mesmo em menores escalas do que como acontece hoje, ainda era um sonho distante para as bandas dessas regiões. Se tivéssemos permanecido em Salvador naquele período provavelmente nada teria acontecido. Tivemos a sorte de termos pego a cena mineira ainda fervilhando àquela época, e todas as alianças que fizemos na cena de BH nos ajudaram para que nos sentíssemos em casa àquele período, e bandas como Witchhammer (nossos brothers desde 89), SexTrash (que já havíamos conhecido na ocasião da gravação do “Born…” e que também dividiu o palco conosco em Salvador no mesmo ano de 91), Atack Epiléptico, Maitreya, Pathologic Noise, Aberration, Overdose, Impurity (irmãos desde 1990), Lustful, Chakal, LouCyfer, The Mist, Sinners entre outras estavam entre nossos aliados.

    1996-Promo Tape

    A banda passa por longos anos sem lançamentos, sendo que em 1996 tiveram outra grande mudança em sua formação, começaram a fazer parte da banda o Alberto Alpire no baixo e mais uma vez houve mudança nas baquetas, entrou o André Moysés, e lançaram uma promo tape contendo músicas que viriam a fazer parte da tracklist do próximo trabalho lançado em 2000. Visto que essa formação não perdurou muito tempo…

    Sérgio “Baloff” Borges: Na verdade não foi tanto tempo assim, mas naquela época 3 anos realmente significavam muito mais do que hoje em dia. Além da Promo Tape ’96, que foi lançada com o intuito de mostrar à cena algo de nosso novo material (e acabou servindo como uma pré-produção do “…And the Sky Turns to Black…”), também houve a participação da banda no CD Tributo ao Dorsal Atlântica intitulado “Omnisciens”, quando abrimos a compilação com “Álcool”, e em ambos os lançamentos já contávamos com Alberto Alpire (ex-Kaddish, ex-Obliteration) substituindo Ualson Martins no baixo (um dos principais compositores da banda até final de 93 e que estava à frente do Headhunter D.C. como seu principal contato) e André Moysés (ex-Sepulchral, ex-Mercy Killing, ex-Zona Abissal) no lugar de Tulio Constantin. Fora isso, a banda manteve-se ativa na cena fazendo shows brutais pelo país e mantendo contato com o UG mundial, sempre de forma séria e ininterrupta, inclusive seguindo compondo material para o que viria a ser o próximo álbum.

    1996-Paulo Lisboa, Alberto Alpire, André Moysés, Simon Matos e Sergio “Baloff” ao centro. Foto por: Marcelo Santo

    Quais foram os principais motivos para a banda ter passado por esse hiato de tanto tempo sem lançar um novo álbum?

    Sérgio “Baloff” Borges: Estamos falando de meados dos anos 90, um período tenebroso para o Metal Extremo no Brasil e no mundo, quando as bandas e gravadoras estavam abrindo as pernas pro Grunge e todo mundo estava abandonando suas jaquetas pretas e crucifixos invertidos para ostentar suas camisas de flanela quadriculadas… um horror, na pior concepção da palavra! Daí você pode imaginar o que enfrentamos para manter nosso som e nossa postura intacta perante esse cenário terrível: selos fechando as portas para o Death Metal e chamando o gênero de “morto e enterrado”, bandas abandonando o Metal e rendendo-se ao pula-pula e à batucada e produtores de shows seguindo a onda como abutres na carniça… Pouquíssimas são as bandas que resistiram a esse “furacão trendy” e não sucumbiram à todo esse lixo, e mais uma vez temos orgulho de fazer parte desse seleto grupo de guerreiros que se mantiveram de pé e continuaram acreditando no que faziam. Outro ponto relevante que nos levou a ficar tanto tempo sem lançar um novo álbum foi o fato da Cogumelo não ter investido no terceiro álbum de nosso contrato com o selo, então acabamos por levar cerca de 5 anos até gravarmos o terceiro full length e mais dois até conseguirmos lançá-lo por um novo selo que estivesse disposto a nos dar o suporte que precisávamos e merecíamos.

    2000-And The Sky Turns To Black “Terceiro Álbum”

    A banda vem com força total no 3º álbum, “…And The Skys Turns To Black… (The Dark Age Has Come)”, novamente apresentando mudanças radicais na formação, agora com três novos membros, Alex Mendonça assumindo o baixo, Fábio Nosferatus na guitarra e o renomado baterista Thiago Nogueira na bateria…

    Sérgio “Baloff” Borges: Sim, foi mesmo uma reformulação radical no lineup, mas acho que não poderia ser diferente depois de tanto tempo e de tanta coisa que se passou nesse ínterim – sem mencionar que, pela nossa “tradição” em mudanças de formação, se houvesse sido diferente não seria o Headhunter D.C…. haha! A entrada dos novos membros trouxe o sangue que a banda estava precisando naquele período, e foram essenciais para dar ao álbum a pegada, sonoridade e atmosfera únicos que ele tem, sejam os solos macabros e sentimentais do Nosferatus, as profundas e pesadas linhas de baixo do Alex e a bateria bomB(L)ÁSTica (desculpa pelo trocadilho infame, mas não pude evitar… hahahahaaaa!!!) de Thiago.

    Para esta retomada do Headhunter D.C. aos lançamentos, vocês assinaram com a Mutilation Records, selo reconhecidíssimo por apoiar a cena extrema. Como nasceu a parceria entre a banda e o selo?

    Sérgio “Baloff” Borges: A Mutilation (então ainda sob o nome de Millennium Records) foi o único selo brasileiro entre os quais enviamos material naquela época que manteve a fé no Death Metal. Depois deles, um monte de selos nacionais passaram a lançar (alguns novamente) bandas do gênero, o que é de se esperar de quem segue cegamente as modas e tendências que vez por outra infectam a cena. Foi a Mutilation que nos fez acreditar, de uma forma mais abrangente, que nem tudo estava perdido aqui no Brasil em termos de Death Metal, e ao irmão e parceiro Sérgio Tullula somos eternamente agradecidos por isso. Já são 18 anos de uma parceria a qual eu espero que ainda dure muito tempo! Quando gravamos o “ATSTTB” em 98 fizemos um promo single com duas faixas do álbum a ser destinado apenas aos selos, e foi através desse material que surgiu nosso primeiro contato com a Mutilation.

    2000-Paulo Lisboa, Alex Mendonça, Sérgio “Baloff”, Thiago Nogueira e Fábio Nosferatus. Foto por: Adriana Dibby

    Na minha humilde opinião este trabalho foi de tirar o fôlego. Um trabalho excepcional e me mostrou o Headhunter D.C. como jamais tinha visto. Uma evolução musical extrema… A repercussão deste trabalho foi muito positiva, eu mesmo me lembro de enviar esse CD para o Aad Kloosterwaard (Sinister) que ficou enlouquecido ao ouvir e pediu que eu enviasse para ele, assim o fiz. A distribuição fora do Brasil foi satisfatória? Houve relançamentos fora do país?

    Sérgio “Baloff” Borges: Interessante essa estória sobre o Aad do Sinister, que é uma banda que acompanho desde a sua fase de demos, inclusive o Ualson costumava manter contato com eles, creio que através do próprio Aad. Eu sou um fã incondicional do “…And the Sky…”, e acho que o Paulo Lisboa se superou em termos de talento e criatividade nesse álbum, uma verdadeira máquina de rifferamas deathmetálicos, sem falar nos climas grotescos e decadentes, peso abissal e textos que sintetizam perfeitamente a identidade ideológica da banda. Creio que foi a evolução perfeita do “Punishment At Dawn”, um irretocável sucessor da oferenda de 93. Eu diria ainda que “ATSTTB” é a perfeita criação demoníaca de todas as agruras acumuladas durante a fase negra do Death Metal entre 93 e 98. Esse conjunto de fatores unidos a uma banda 100% compromissada com a verdadeira essência do Metal da Morte criada pelos mestres Possessed faz do álbum o que ele é! A distribuição do álbum no exterior foi bem satisfatória, e mais uma vez a banda alcançou excelentes resenhas mundo a fora. Esse alcance em maior escala intensificou-se ainda mais após o lançamento oficial do disco no território norte-americano via Mercenary Musik/WW3 Records. O álbum foi lançado por lá com nossas versões de “Twisted Minds” do Possessed e “Morbid Visions” do Sepultura como bonus tracks, duas grandes influências nossas.

    A Mutilation Records investiu pesado neste lançamento, houve prensagens em Picture LP e CD com slipcase, além de camisetas oficiais. A saída da Cogumelo Records e a entrada para a Mutilation Records nos mostra ter sido melhor para banda. Como você vê tudo isso?

    Sérgio “Baloff” Borges: Ambos os selos tiveram grande impacto e importância na história da banda em seus respectivos períodos.

    Este trabalho, na sua opinião, marca um reinício? Uma nova fase do Headhunter D.C.?

    Sérgio “Baloff” Borges: Eu não diria um reinício, afinal de contas nunca paramos. “Uma nova fase” representaria melhor tudo o que aconteceu, ou melhor, uma nova era negra para o Culto da Morte do Caçador de Cabeças!

    2002-Brazilian Deathkult Live Violence “Live Tape”

    No auge da divulgação do 3º álbum a banda lança um limitadíssimo live tape, “Brazilian Deathkult Live Violence…”. Este lançamento foi idealizado pelo Eternal Fire Zine/Tape Series, distribuindo assim um registro histórico da passagem da banda na cidade de Itabuna/BA em junho de 1995 que posteriormente foi relançado em CD. A ideia de lançar este material em plena divulgação do até então atual álbum “…And The Sky Turns To Black…” já vinha de antes do mesmo ser concebido?

    Sérgio “Baloff” Borges: Na verdade não, esse live tape acabou saindo mesmo meio que por acaso. Esse lançamento surgiu de um convite do nosso eterno amigo e parceiro (apesar de sumido já há alguns anos) Hugues “Karnage” Vallot do lendário Eternal Fire zine da França em lançar algo da banda em sua ‘live tape series’. Naquele momento o Karnage estava fazendo uma entrevista conosco que sairia em uma das futuras edições do zine (uma das maiores que já respondi), e como tínhamos essa gravação do show de Itabuna em 95 ainda inédita (apesar de fazer parte de minha lista de tapetrading da época), resolvemos lançá-la de forma oficial. Hoje trata-se de um item raríssimo, principalmente por ter sido lançado em apenas 100 cópias limitadas.

    2007-…In Deathmetalic Brotherhood “Split LP”

    2007 foi um ano de muitas realizações para a banda. Vamos começar falando do split “…In Deathmetallic Brotherhood”, onde vocês dividiram um raríssimo vinil de 10” com o Sanctifier. Onde também as bandas registraram covers, Headhunter D.C. tocando uma música do Sanctifier e o mesmo tocando uma música do Headhunter D.C.. Um registro histórico. Essa proposta partiu do selo Legion of Death Records ou das bandas? Como foi participar deste registro até então inédito no Brasil?

    Sérgio “Baloff” Borges: A idéia partiu de mim mesmo, influenciado pelo split 10″ “Desaster In League With Pentacle” e posteriormente passada ao Karnage, que fazia parte da Legion of Death Rekordz e que prontamente comprou a idéia do split, lançando-o em seguida. Trata-se mesmo de um registro histórico e inédito à época aqui no Brasil, e que sintetizou de uma forma pra lá de fudida o elo que temos com o Sanctifier desde eles abriram nosso show em Natal em 93. Foi um prazer e uma honra para nós gravarmos uma música de uma das melhores demos de Death Metal brasileiro da história, “Ad Perpetuam Rei Memoriam”, e honra idem por ter tido uma de nossas músicas gravadas por esses cutulistas dos mares abissais de Natal. Hail Alexandre Emerson & Sanctifier shoggoths!!!

    2007-God’s Spreading Cancer “Quarto Álbum”

    Neste mesmo ano chega nas mãos dos Headbangers o tão esperado “God’s Spreading Cancer…”, o quarto álbum da banda. Que também foi lançado pelo selo alemão Evil Spell Records em um belissimo LP e junto vem um 7” “Long Live The Hunter” como bônus. Como a banda recebeu essa proposta inovadora do selo alemão?

    Sérgio “Baloff” Borges: O Alex Tiebel da Undercover/Evil Spell Records já era nosso amigo e admirador de nosso trabalho, então nos fez a proposta para o lançamento da versão em vinil do álbum. As faixas que integram o 7″ de bonus são os covers do ThrashMassacre, “Angelkiller” (que faz parte do tracklist oficial do álbum original), e Necrovore “Slaughtered Remains”, essa, por sinal, com a bateria gravada pelo nosso atual baterista Daniel Brandão, que também gravou as faixas do split com o Sanctifier. O resultado final do LP ficou fudido, um excelente trabalho da Evil Spell Recs.

    Neste álbum a banda nos traz mais uma nova formação, agora com Zulbert Buery no baixo, persona muito conhecida na cena por ter passado por bandas importantíssimas no underground nordestino como Inoculation, Eternal Sacrifice, Wintermoon… além de ser um velho amigo que sempre acompanhou o Headhunter D.C. muito de perto…

    Sérgio “Baloff” Borges: Sim, a convocação de Zulbert foi outro fato natural dentro da história da banda por todo o elo de amizade que ele já tinha comigo e o Zé Paulo desde praticamente quando retornamos de Belo Horizonte, além do que era um cara que, como nós, também respirava o Death Metal Underground e o tinha como estilo de vida mesmo. Sua entrada na banda trouxe uma notória evolução em nossas linhas de baixo, e creio que isso percebe-se em sua performance em “God’s Spreading Cancer…”

    2007-Zulbert Buery, Paulo Lisboa, Sérgio “Baloff” e Fábio Nosferatus. Foto por: Antenor Pereira

    Este álbum contou com importantes relançamentos fora do Brasil, na europa pela Obscure Domain Productions e nos Estados Unidos pelo selo Ibex Moon Records do renomado Jonh McEntee (Incantation)…

    Sérgio “Baloff” Borges: Exato! Inclua nessa lista também a versão em vinil via Evil Spell Records (Alemanha) e a versão peruana em CD pela Death Cult Records.

    A banda neste ano realizou sua primeira turnê sul-americana, vocês tocaram em muitas cidades do Brasil e cruzaram as fronteiras, passaram pelo Peru, Chile e Bolívia. Como foi essa experiência de estar com os nossos hermanos?

    Sérgio “Baloff” Borges: Essa foi uma turnê realizada sob booking da Morte Pacífica Prods., sendo nossa primeiríssima vez tocando fora do país. Foram cerca de 15 datas em torno de 21 dias entre Sul, Sudeste e Centro-Oeste do Brasil, Chile, Peru e Bolívia, com alguns shows realmente brutais. Por termos feito todo o roteiro por terra, foi uma tour bem cansativa com alguns “perrengues” típicos de um giro nesses moldes, mas que no final realmente valeu a pena e nos serviu como uma grande experiência para o que ainda teríamos pela frente. Destaques para os shows em Maringá/PR com o Holder, Santiago e Iquique no Chile, Santa Cruz de La Sierra na Bolívia com o Bemdesar e outras bandas e em Cuiabá/MT.

    2010-The Darkest Archives… “Coletânea”

    Este ano foi marcado por um lançamento de fato importantíssimo que imortalizou gravações raras de todo conteúdo do passado da banda, foi lançado pela Crypts Of Eternity Productions o CD duplo “The Darkest Archives… From The Death Cult (1987-2007)”. Este selo peruano fez um excelente trabalho… Por ser um material que traz a oportunidade para os fãs terem esse maravilhoso registro em suas coleções, houve algum momento que vocês cogitaram em fazer um relançamento do mesmo aqui no Brasil? Digo isso pela dificuldade em adquiri-lo, já que trata-se de um material importado…

    Sérgio “Baloff” Borges: Sim, realmente cheguei a cogitar fazer esse lançamento no Brasil, tanto pelo cunho histórico quanto por ter sido lançado numa quantidade limitada de 500 cópias que esgotaram-se rapidamente, mas acabou que, talvez por ter saído com um certo atraso (levando em conta que trata-se de um lançamento comemorativo dos 20 anos da banda e só foi lançado em 2010), resolvemos mantê-lo em tiragem e versão únicas. Recentemente tivemos uma proposta de lançar algo parecido em comemoração aos 30 anos, então existe a possibilidade de colocarmos todos aqueles materiais disponíveis novamente em uma nova compilação com algumas adições dos anos posteriores. Vamos aguardar e ver o que acontece…

    2011-Zulbert Buery, Daniel Brandão, Sergio “Baloff”, Paulo Lisboa e George Lessa. Foto por: Frederico Neto

    Também entraram na banda o excelente guitarrista George Lessa que também tocava no Keter e o virtuoso baterista Daniel Brandão, que dispensa comentários. Como aconteceu a entrada desses músicos na banda? Qual foi o ganho evolutivo que a banda teve com a entrada deles na sua visão?

    Sérgio “Baloff” Borges: Na verdade, Daniel Brandão entrou na banda junto com Zulbert, em 2003, realizou diversos shows conosco naquele período, incluindo a tour pelo Nordeste em 2004, mas acabou saindo da banda às vésperas das gravações do “God’s Spreading Cancer…” (daí o motivo do Thiago Nogueira ter gravado o álbum como ‘session drummer’), retornando oficialmente à banda logo após o lançamento do álbum e já participando da tour sulamericana de 2007. A entrada do George Lessa foi um adicional bastante significativo à banda. Entre suas características está uma inteligente e ímpar união de agressividade e técnica, tanto em seus solos quanto em sua forma de tocar riffs e bases. O conheci durante uma apresentação de sua ex-banda, o Keter, e seu talento me chamou tanto a atenção que logo o convidei para substituir Fábio Nosferatus, que havia deixado a banda na época. Obviamente sua postura ideológica e atitude perante a cena também se encaixaram dentro do nosso contexto geral, e por esses aspectos é que ele já está há quase 10 anos conosco. Vale mencionar que recentemente George montou uma nova banda de Death Metal chamada God Funeral, que inclusive acaba de lançar seu début EP. Vale a pena conferir!

    2012-In Unholy Mourning “Quinto Álbum”

    Com essa nova formação estabilizada vocês lançaram através da Mutilation Records mais um álbum, ”…In Unholy Mourning…” Esse lançamento também teve sua prensagem em vários formatos… como foi a distribuição e a repercussão?

    Sérgio “Baloff” Borges: “…In Unholy Mourning…” é nosso álbum que mais conta com diferentes formatos e relançamentos –entre eles um excelente double tape box set via Raw Blackult Prods. da Bolívia –, além do que trabalhamos em cima dele por longos 5 anos entre shows e promoção na cena. A repercussão do mesmo foi ótima, e mais uma vez algumas publicações, daqui e de fora, o colocaram entre os melhores álbuns de Death Metal daquele ano. Mais sobre o que penso acerca desse disco pode ser conferido em um texto que escrevi e que figura o seu booklet nas versões em CD e no encarte da versão em vinil.

    Assim como em “God’s Spreading Cancer…” vocês gravaram para esse álbum mais um cover do antigo ThrashMassacre, pra quem não sabe essa foi uma das primeiras bandas de Metal do estado da Bahia…

    2012-George Lessa, Zulbert Buery, Sérgio “Baloff”, Daniel Brandão e Paulo Lisboa. Foto por: Frederico Neto

    Sérgio “Baloff” Borges: Sim! Foi mais uma forma de ajudar a perpetuar a excelente música dessa que foi a grande pioneira de Metal Extremo na Bahia e uma das pioneiras do Nordeste, junto com Krânio Metálico e Túmulo/Headhunter D.C., da qual eu, inclusive, fiz parte antes de encerrar suas atividades no final de 89/início de 90. Atualmente canto numa banda tributo ao “Bonded by Blood” do Exodus que conta com ex-membros do ThrashMassacre, e com a mesma formação iniciamos os trabalhos de ensaios das músicas originais da banda para o futuro registro desse material em CD e assim eternizar de uma vez o nome e o magistral Raging Thrash Metal Mayhem dessa banda única. Aguardem!

    2013-Headhunter D.C. e Nervochaos na República Tcheca. Foto por: The Heretic Inc.

    Em 2013 a banda passou por terras européias, passando por vários países como Portugal, Bélgica, Alemanha,  Polônia, Espanha, Itália, França, Holanda entre outros. Nos conte como foi essa visita ao velho continente…

    Sérgio “Baloff” Borges: Foi uma experiência inesquecível, cara, e nos fez crescer tanto como banda quanto como indivíduos mesmo. Tivemos alguns shows memoráveis, conhecemos lugares incríveis, grandes encontros com novos e antigos amigos e irmãos de cartas, boas (e não tão boas também…) cervejas e comidas, enfim… espalhamos a palavra do Culto por onde passamos com muito Death fucking Metal e atitude Underground! Vale lembrar também do grande suporte dos irmãos do Nervo Chaos (hails Edu!), que compartilharam essa tour conosco, e do pessoal da Roadmaster Agency, Daniel Duracell (Mortificy/Incarceration) e Vlad e Dario, que tocam no War-Head. Muito grato por tudo, brothers! A idéia é retornarmos ao Velho Mundo quando estivermos com o novo álbum em mãos, dessa vez passando por países pelos quais não passamos em 2013.

    A turnê realmente foi muito bem sucedida, tanto que por causa dessa passagem por lá a banda fez o seu segundo álbum ao vivo “Death Kurwa! – Live In Warsaw”, lançado em 2016 pela Bestial Invasion Records da Suécia…

    2013-Death Kurwa “Álbum Ao Vivo”

    Sérgio “Baloff” Borges: Na verdade “Death Kurwa! – Live in Warsaw 2013” não foi nem de longe um álbum programado. Como pode perceber, não é um disco gravado profissionalmente e nem possui uma grande qualidade de gravação, mas que de alguma forma merecia ser lançado e disponibilizado aos fãs por se tratar de algo histórico na carreira da banda. O CD foi lançado principalmente para acompanhar a edição de jubileu do legendário Necroscope Zine da Polônia a convite de nosso grande amigo e velho apoiador da banda na Europa, seu editor Adam Stasiak, mas acabou sendo lançado oficialmente pelo selo escocês Bestial Invasion Records e também pode ser adquirido de forma avulsa. Logicamente que ainda não é o álbum ao vivo definitivo do Headhunter D.C., digamos que se trata de um “bootleg oficial” (se é que podemos assim chamar… haha!), mas é algo que fiquei muito satisfeito pelo seu contexto e importância histórica, principalmente por ser um registro de nossa primeiríssima turnê européia, então ele tinha que ser lançado. Esse live foi captado de forma caseira através de uma camera de vídeo (infelizmente não foi possível gravar o show em sua íntegra devido a problemas com a câmera, daí o porquê de várias músicas terem ficado de fora), e ficou na gaveta por algum tempo até surgir a ideia e o convite do Adam de lançar o CD junto com o zine – e nesse caso contamos com a coincidência de termos a gravação de um show na Polônia a ser lançado junto a um zine polonês. O resultado é um CD 666% ao vivo, pesado, grotesco, rude, sujo, alto, cru, com a verdadeira atmosfera underground e sujeito a todas as possíveis falhas e imperfeições técnicas de um verdadeiro show de Death Metal Underground, orgânico e feito com sangue nos olhos. Definitely no fucking overdubs here!

    2015-Born To Punish The Skies VOL.1″Tributo”

    Em 2015 a banda recebe uma grandiosa e merecida homenagem de bandas do mundo inteiro em um tributo dividido em dois volumes chamado “Born To Punish The Skies… A Deathmetallic Brotherhood in Darkest Mourning for God – Tribute to Headhunter D.C.”, e além dessa homenagem ser prestada com suas músicas tocadas por todas estas bandas, as mesmas ainda descrevem a importância que o Headhunter D.C. tem em suas influências e em suas carreiras… Este é um registro realmente emocionante… o que você tem a dizer para todas as bandas que realizaram esta homenagem?

    Sérgio “Baloff” Borges: A emoção em ver/ouvir isso se transformando em realidade foi grande, cara, e a honra, maior ainda. É quase indescritível a sensação de ter dois CDs lançados em homenagem e reconhecimento à sua banda, e o que é ainda mais fudido, com tantas versões de suas músicas com uma imensa qualidade, e não estou falando apenas em qualidade de gravação, mas de criatividade e performance também, de versões que nos fazem sentir que foram feitas a partir do mesmo princípio do qual as músicas originais foram criadas: da paixão pela música negra da morte, sem a qual nada do que se é feito soa 100% real. Acho que conseguimos expressar esse sentimento com exatidão através dos textos escritos por mim (no volume 1) e pelo Paulo Lisboa (no volume 2), através dos quais também contamos um pouco da nossa história sob uma ótica não encontrada nas conhecidas biografias da banda. Cada uma das bandas contidas em ambos os volumes nos passaram muita verdade com suas versões, até porque são bandas que possuem um vínculo muito próximo de nós, são bandas irmãs, que possuem ideias e ideais basicamente iguais aos nossos, e isso também pesou bastante na escolha de cada uma delas, independente de serem fãs ‘diehard’

    2015-Born To Punish The Skies VOL.2″Tributo”

    do Headhunter D.C. ou de serem diretamente influenciadas por nossa música. Eu mesmo coordenei e produzi o tributo a convite do Sérgio Tullula da Mutilation Records, idealizador do projeto e responsável pelo seu lançamento, e achei bastante natural que eu tenha sido convidado para esse processo, pois apesar de não se tratar de um lançamento nosso, mas sim uma compilação com outras bandas, cada um dos CDs estaria emanando puro Headhunter D.C. quando estivesse sendo colocado no player ou tendo seu booklet folheado, então nada mais natural que fosse um de nós que estivesse diretamente envolvido nisso. A todos só posso dizer que confiram ambos os volumes e não se arrependerão. Cópias ainda disponíveis através da banda. Morte total 666% garantida!

    2017-Sérgio “Baloff” e Nebiros (Mortem) em Lima (Peru)

    Vocês fazem sua segunda turnê sul-americana ao lado da renomada Mortem. Quais foram os países visitados desta vez?

    Sérgio “Baloff” Borges: Mais uma vez a tour passou por Chile e Peru, mas dessa vez tivemos a honra de tocarmos na terra do Mortem, Lima, e atingimos outras cidades chilenas além de Santiago. Apesar de menor que a tour de 2007, esse giro nos trouxe excelentes frutos, entre eles a oportunidade de finalmente dividirmos o palco por duas fudidas vezes com as bestas andinas, um desejo que era  compartilhado já há algum tempo entre ambas as bandas. Posso dizer que as jams que fizemos juntos em ambos os shows de Lima e Santiago, com o Nebiros tocando guitarra conosco no cover do Death “Zombie Ritual” e eu cantando com eles seu clássico “Summoned to Hell” (com o qual participamos do CD tributo ao Mortem há alguns anos via Heavier Recs.) foram absolutamente e definitivamente antológicas. Hail The True Mortem!!! Meu muito obrigado aos irmãos Ricardo Lucas do Crypts of Eternity Zine/Prods., Leo Thrash, baterista da banda chilena Ejecutor, e Armin Obando da Veins Full of Wrath Prods. por terem sido os grandes responsáveis por essa mini tour. Salve!!!

    E neste mesmo ano a banda tem uma grande baixa em sua formação, a saída do membro fundador da banda, o Paulo Lisboa, por motivos claramente pessoais… Me lembro que foi uma surpresa, eu como fã da banda nunca imaginaria acontecer esse desligamento…

    2017-Ao Vivo em Lima (Peru)

    Sérgio “Baloff” Borges: Sim, infelizmente o Paulo saiu oficialmente da banda em julho de 2017, logo após a mini turnê no Chile e Peru com o Mortem e logo após a banda ter completado 30 anos de existência. Esta notícia caiu como uma bomba em nosso Culto e atingiu todos nós em cheio, especialmente falando sobre mim mesmo, já que eu e o Zé Paulo temos uma amizade/parceria muito forte desde o começo do Headhunter D.C., então tem sido muito difícil para mim ter que lidar com sua ausência na banda; você sabe, subir em um palco e tocar sem ele depois de tantos anos juntos se apresentando ao vivo, viajando mundo a fora, ou mesmo compor sem suas opiniões ou não podermos mais contar com seu enorme talento e genialidade dentro da banda… isso é muito triste para mim e para todos os outros caras da banda, e mesmo que já estivéssemos de alguma forma preparados para a sua partida, as coisas não foram e não têm sido fáceis para nós desde então. Na verdade Paulo já estava basicamente afastado das atividades da banda desde algum tempo, tendo inclusive se ausentado em 3 shows antes de deixar a banda, sendo substituído por Yury Duplat (Old Chaos, ex-Keter) em um show no Brasil, enquanto nos dois últimos shows no Chile tivemos que tocar com apenas uma guitarra porque ele teve que voltar ao Brasil logo após o show de Lima devido ao seu emprego – sem mencionar que ele também não participou do processo de criação do próximo álbum. A razão para isso, segundo ele, estava relacionada à logística, já que ele mora em uma cidade a 350 km de Salvador, e fazer viagens entre as duas cidades mais as turnês estava se tornando cada vez mais difícil para ele com o passar dos anos, então nós não poderíamos fazer nada além de respeitar sua decisão e continuar sem ele. Apesar de tudo, nossa amizade permanece intocável como nos velhos tempos, afinal de contas temos uma amizade/irmandade que transcende o Metal e o Underground. Desejo-o o melhor em sua vida, sempre!

    2017-Paulo Lisboa em Lima (Peru)

    O Paulo Lisboa está tocando em alguma banda que não exija muito de seu tempo?

    Sérgio “Baloff” Borges: Ainda antes de sair do Headhunter D.C. ele já tocava em uma banda da cidade onde vive que toca covers de clássicos do Heavy Metal, o Steel Fist. Em uma das últimas vezes em que nos falamos ele comentou comigo que estava para entrar em uma banda de Heavy Metal tradicional da cidade de Irecê, mas não tive mais notícias quanto a isso.

    O que você tem a dizer para o Paulo Lisboa por todos estes anos que vocês estiveram lado a lado lutando pelo Headhunter D.C.?

    Sérgio “Baloff” Borges: Um grande e sincero MUITO OBRIGADO POR TUDO! E que foi uma honra estar a seu lado por tanto tempo tocando, criando e desenvolvendo o mais genuíno Metal da Morte que pôde sair do fundo de nossos corações negros e de nossas almas obscuras! A huge THANK YOU, master!!!

    2018-Sérgio “Baloff” Borges. Foto por: Rafael Almeida

    A banda tem previsão de quando nos brindará com mais um álbum?

    Sérgio “Baloff” Borges: Estamos trabalhando duro em cima do material que dará vida em forma de morte total ao nosso próximo álbum. Em primeira mão, digo aqui que o provável título do album será “In Death Metal We Trust”, mas ainda estamos estudando isso. O álbum contará com 9 músicas inéditas e uma intro, num total de 10 ataques profanos de Culto da Morte e extinção à cristandade. Alguns novos títulos são: “Unblessed by the Unsacred” (a qual inclusive temos incluído em nosso atual repertório de shows), “One Thousand Apocalypses”, “Rise of the Damned” e a (possível) faixa-título, uma parceria entre eu e George Lessa. A previsão de gravação é entre outubro e novembro de 2018 e lançamento no primeiro trimestre de 2019. Aguardem!

    E para substituição do Paulo Lisboa a banda hoje conta com o renomado guitarrista Tony Assis, integrante de bandas como Insaintification e Ungodly, ex-Carnified e ex-Mystifier. Como está sendo a experiência de tê-lo no line-up atual? Pois a responsabilidade dele é grande, afinal substituir Paulo Lisboa não é tarefa fácil…

    Sérgio “Baloff” Borges: Sim, felizmente pudemos contar com o apoio de Tony Assis, que prontamente atendeu ao nosso chamado e substituiu oficialmente o Paulo, já tendo feito três apresentações ao vivo conosco em Dezembro passado e Março desse ano. Tony é um velho amigo e fã da banda desde o começo dos anos 90, tendo inclusive feito uma turnê conosco em 2004 substituindo nosso então guitarrista Fábio Nosferatus – sem mencionar que ele é um músico muito talentoso e que se encaixa muito bem em nosso contexto geral, então acho que fizemos a escolha certa. De alguma forma o novo guitarrista possui muita influência e inspiração no Paulo, pois o Tony sempre foi fã e acompanhou o desenvolvimento da banda muito de perto – posso até dizer que Zé Paulo foi um dos grandes responsáveis por ele ser um guitarrista de Metal Extremo, então de alguma forma o estilo e essência do Paulo permanecerão bem vivos dentro do Headhunter D.C..

    2018-Tony Assis. Foto por: Rafael Almeida

    No site Whiplash! o Bem Ami Scopinho se refere ao “…In Unholy Mourning…” como o melhor álbum da banda até então. Este também é o melhor para você?

    Sérgio “Baloff” Borges: Sim, concordo, mas não será assim por muito tempo, pois uma nova era de blasfêmia e profanação deathmetálica está se aproximando com níveis de brutalidade ainda mais assombrosos que da última vez!

    Nestes 31 anos ininterruptos quais foram as maiores realizações do Headhunter D.C.?

    Sérgio “Baloff” Borges: Eu acho que cada passo dado ao longo de todos esses anos, por menores que possam parecer, foram e continuam sendo como grandes conquistas para nós, seja um show, uma tour, um novo material composto ou gravado ou um novo deathmetalhead de um longínquo país atingido por nosso som… tudo é muito valorizado por nós, pois somos nós quem sabemos, em primeiro lugar, o que passamos para estarmos aqui após 3 longas décadas sendo honestos com nós mesmos e com o nosso público. Fazer Death Metal no Nordeste e se manter vivo e ativo por um período tão longo é uma prova de resistência, e desde 1987 que nós sabemos, com autoridade e muito conhecimento de causa, o que é resistência total!

    Para quem não sabe, no dia 31 de Maio a banda comemorou 31 anos de existência, sem se vender a modismos, fazendo sempre a sua proposta musical e ideológica desde o início… Essa pergunta sempre faço às bandas que entrevisto aqui. Como você vê a cena atual no Brasil e no Mundo?

    2018-Zulbert Buery. Foto por: Rafael Almeida

    Sérgio “Baloff” Borges: A velha pergunta sobre nossa visão da cena… rsrsrsss! Essa é uma questão cuja resposta pode variar em questão de meses, conforme o desenvolvimento da própria cena e de nossas próprias experiências dentro da mesma. Mas há muitos anos que preciso enxergar essa questão da atual cena numa inevitável comparação com os anos 80 e 90 tanto sob a ótica do headbanger fã diehard de Metal quanto também a do “músico” de Metal, ainda que um seja exatamente a extensão do outro. Digo isso (e tão somente por mim apenas, numa ótica totalmente pessoal) porque a visão do deathbanger Sérgio Baloff é intrinsecamente voltada pro lado ideológico da cena, do lado radical e primordial do Underground, no qual quantidade jamais foi sinônimo de qualidade, porém hoje vivemos numa época em que a globalização deu uma visibilidade e acessibilidade ao Metal nunca antes imaginadas, e essa nova realidade sempre terá os dois lados da moeda. Hoje em dia o público de Metal é inevitavelmente maior que o de 25, 30 anos atrás, e com ele veio um leque maior de fontes de informação e acessibilidade – ainda que nem todos consigam absorver essa que, a princípio, seria uma vantagem em relação às gerações anteriores –, porém, em contrapartida e desproporcionalmente a essa equação, o que vemos atualmente são os shows cada vez mais vazios (pelo menos essa é uma reclamação geral que tenho visto aqui no país), o que significa que trata-se de uma questão mais complicada do que se imagina. Essa questão do público também se correlaciona com a questão da estrutura física da cena, pois com um bom público comparecendo aos shows os produtores se estruturarão mais e mais para eventos de maior qualidade, e assim bandas e público saem ganhando. Como vê, não trata-se de um assunto tão simples de se abordar conforme a cena vai crescendo de forma desenfreada com suas conseqüências positivas e negativas, no qual até mesmo a tese sobre uma questão cultural poderia ser inserida, mas o mais importante nisso tudo é que cada um que se diz fazer (e que faça realmente) parte da cena cumpra o seu papel de forma honesta e real para que um dia possamos ter uma cena realmente digna para todos os envolvidos. E àqueles do tipo “não faço parte de nenhuma cena” ou “não existe nenhuma cena atualmente”, é melhor mesmo que fiquem em casa dando continuidade às suas vidinhas virtuais!

    2018-George Lessa. Foto por: Rafael Almeida

    Falando um pouco da parte lírica e ideológica da banda… Quando penso em inimigos reais do nazareno, vem um nome na minha cabeça – Headhunter D.C. –, pois o conteúdo lírico são reais profanações. Você como principal compositor, quais as suas principais influências?

    Sérgio “Baloff” Borges: Nada mudou, e a nossa campanha de repúdio à cristandade só cresce e se fortalece a cada ano e a cada lançamento. O atual mundo decadente e hipócrita que vivemos, gerado pela podridão das religiões, só alimenta cada vez mais nossa repulsa contra esse câncer que merece e deve ser extirpado. Minhas influências e fontes de inspiração vêm basicamente de minhas próprias vivências, experiências e de tudo aquilo que eu vejo, sinto e que me rodeia em meu dia-a-dia – e muitas vezes essa atmosfera quase irrespirável pode estar mais próxima de você do que qualquer um possa imaginar. Tenho bebido muito da fonte nietzscheana e de bandas como Immolation (godz!) em seus primeiros álbuns, mas para esse próximo álbum tenho absorvido e exposto muito de meus próprios conhecimentos, posicionamentos ideológicos e experiências vividas ao longo de minha vida, e tenho estado muito satisfeito com o que tem sido gerado aqui em termos líricos. Spreading the Cult like a plague!!!

    Está previsto para este ano se não me engano outro relançamento histórico na carreira da banda, virá uma edição especial do álbum “Punishment At Dawn” que ainda trará um DVD para a comemoração dos 25 anos deste trabalho. Você tem a data correta de quando este material estará disponível? Terão shows para celebrar mais este marco na bem sucedida carreira do Headhunter D.C.?

    2018-Daniel Brandão. Foto por: Rafael Almeida

    Sim, a idéia da Cogumelo é fazer uma edição comemorativa dos 25 anos do álbum (completados esse ano de 2018) nos mesmos moldes da reedição de 25 anos do “Born…”, com áudio remasterizado, os mesmos bônus da primeira edição em CD e mais um DVD com algum show da época, o que já estamos providenciando desde já. Não existe uma previsão de data de lançamento, mas é certo de que saia esse ano.

    “Chifres para Cima… Cruzes para Baixo”… Meu velho amigo Sérgio “Baloff” Borges, saiba que foi um imenso prazer poder realizar esta entrevista comemorativa e poder prestar a minha homenagem a esta que pra mim é uma das maiores bandas do mundo, o grande Headhunter D.C.. “Hail aos 31 anos de puro massacre e resistência”…

    Sérgio “Baloff” Borges: Foi um prazer, Mr. Éden, e agradeço aqui a você e mais uma vez à Roadie Crew pelo espaço, oportunidade de expormos nossas idéias e real suporte ao longo dos anos. “United we stand, together we are strong”, já dizia o Destruction em “Eternal Ban”! Espero que eu tenha sido bastante claro em minhas respostas para aqueles a quem nossa longa história possa interessar. De últimas novidades, participaremos de um tributo em CD duplo ao Black Sabbath apenas com bandas brasileiras via Secret Service Records, para o qual gravamos uma versão para a clássica “Electric Funeral”, numa sincera homenagem aos verdadeiros pais do Heavy Metal. Lançamento previsto para Junho/Julho. Confiram! Também planejamos lançar ainda esse ano, e possivelmente antes do próximo full length, um 7″ EP com uma faixa inédita e provavelmente um cover e uma regravação, ainda em comemoração aos 30 anos da banda. Enfim, aguardem nosso próximo álbum e serão testemunhas de um novo capítulo de trevas na história do Culto da Morte! Grande abraço a todos e morte aos posers! Death Metal eternal!!! In Death Metal We Trust!!!!!!!!!!…

    Abaixo trouxemos exclusivamente para esta entrevista comemorativa uma galeria com fotos que contam toda história da banda em imagens escolhidos pelo próprio Sérgio “Baloff” Borges:

    Também para celebrar estes 31 anos de existência, trazemos aqui um show completíssimo, divididos em 3 partes, que apresenta a nova formação da banda e já nos mostra o que virá em mais um grande álbum em breve!!!  Show gravado em 16/12/2017 no Groove Bar, Salvador/BA: https://youtu.be/FogAQG_CXZo https://youtu.be/dhkeYZmE__Y https://youtu.be/3xi-2SFs5mg

    Confira também uma belíssima entrevista com o Headhunter D.C. feito pelo Leonardo M. Brauna na Edição 217. Para adquirir esta edição e ler a entrevista Clique Aqui