Autor: Éden Lozano

  • CASCH – High Level Low Profile [9,0/10]

    CASCH – High Level Low Profile [9,0/10]

    O selo Voice Music, do ex-guitarrista do Korzus, Silvio Golfetti,  acaba de lançar o CD da banda CASCH. O CASCH faz um Rock n’ Roll pesado e muito bem executado, pois claro, os integrantes dessa banda são veteranos no estilo e muito renomados que com certeza você que está lendo já os conhece… Estou falando de nada mais e nada menos que os irmãos Schevano, o Marcelo Schevano que integra as bandas Carro Bomba e Golpe de Estado, assumindo os vocais, a guitarra e os teclados. Seu irmão Ricardo Schevano que integra o Baranga e aqui assume com muita competência o baixo e para fechar esse line-up de estrelas está também neste trabalho o Rolando Castello Jr. assumindo a as baquetas e que também integra as bandas Patrulha do Espaço e Aeroblues. Com esse time de peso este trabalho já se torna muito promissor, e é de fato um trabalho muito bom e falando também de sua apresentação gráfica, esse CD vem numa luxuosa embalagem Digipack e um encarte muito bem produzido. Este material tem que estar em sua coleção com toda certeza, afinal estamos falando de uma obra prima. A musicalidade como já disse acima, única, você irá se surpreender com a energia que este trabalho nos trás, eletrizante e que faz você balançar sua cabeça mesmo que inconscientemente. A pegada dessa banda é um Rock n’ Roll com influências setentista e oitentista, mas com uma roupagem moderna o que o deixa ainda mais furioso. Se você gosta de bandas como Motörhead, Black Sabbath, Deep Purple e também os gloriosos tempos do Rush, essa banda é pra você com certeza absoluta. Ao colocar a bolachinha brilhante no aparelho de som e damos o play… este CD já inicia com “High Level, Low Profile”. Música muito cativante e energética, é a faixa título. a segunda faixa é “God”… e que musica é essa? Simplesmente fantástica e arrebatadora. Começa com uns teclados cheio de efeitos com timbres que remetem muito as bandas progressivas e clássicas do passado e logo vem um instrumental pesado e com os vocais muito bem encaixados. E mesmo a faixa se chamando “God” não vá imaginando uma letra fraca e com um certo teor cristão… não mesmo… a letra é fortíssima e que expressa toda raiva e questionamentos atuais… “In The Name Of God… We´re Gonna Kill Us All”… “Who Is This Almighty God?… Who I’m Gonna Die And Kill For…”, já deu pra sentir que o assunto aqui é direto e reto. “Earth Spinning Backwards” é uma música que nos passa muita introspecção com sua melodia muito bonita e envolvente, uma obra pra ouvir com atenção e se possível sozinho em sua sala. Depois de um clima melódico e até mesmo um pouco soturno vem “Big Paul’s Basement” retomando a energia do belíssimo Rock apresentado até aqui. Essa música nos faz viajar nos tempos áureos de bandas como o Kiss… com um refrão impregnante que começamos a cantar mesmo que sem querer. E para fechar este CD com chave de ouro “Flesh”, um trabalho muito bem construído. Nessa música os membros da banda não pouparam peso e virtuosismo. Os teclados em meio aos compassos complicadíssimos dessa música é impressionante. Nosso país é um celeiro de músicos muito talentosos e que mostra ao mundo todo nosso poder. Termino este review afirmando em letras garrafais: IN CASCH WE TRUST!!!!

  • HEADHUNTER D.C. – Toda discografia comentada por Sérgio “Baloff” Borges

    HEADHUNTER D.C. – Toda discografia comentada por Sérgio “Baloff” Borges

    Esta seção foi criada para que as bandas comentem suas próprias discografias, uma seção inovadora que já existe na revista impressa por alguns anos e que estamos trazendo até você no formato digital. Agora convidamos o nosso amigo Sergio Baloff para participar comentando toda discografia do HEADHUNTER D.C. Com certeza você ficará surpreso com todas as curiosidades e informações aqui escritas. Boa Leitura!

    Nome: Sérgio “Baloff” Borges” Ano de Nascimento: 1971 Bandas que Integrou: Thrash Massacre (1989),  Exodus Attack (Bonded By Blood Tribute – Atualmente)

    “Hell is Here” – Demo 1989 (Death/Wild Rags):

    As músicas da demo “Hell is Here”, na verdade, foram extraídas do advance tape de um 12″ EP intitulado “Noise” com 6 faixas que jamais fora lançado por problemas com a empresa contratada para seu lançamento na época, que simplesmente sumiu com a fita master e com o dinheiro pago pela banda. A princípio se trataria de um split 12″ LP com nossa banda-irmã ThrashMassacre, mas como esta não gravou a sua parte os caras decidiram lançar como material individual. “Hell is Here”, a demo, já trazia um Headhunter D.C. bastante evoluído tecnicamente se comparado com os ensaios gravados e espalhados na cena anteriormente, resultado de 2 anos de intensos e freqüentes ensaios e um número bem razoável de shows numa cena local que ainda estava engatinhando. Essa evolução já era notada através da grande performance do baterista Iaçanã (que, por sinal, tinha a metranca mais rápida entre as bandas do Brasil na época) e do guitarrista/fundador Paulo Lisboa, basta ouvir algumas intrincadas convenções do baterista e as ultra velozes palhetadas e solos do guitarrista ao longo da demo, que davam brutalidade e ao mesmo tempo uma variedade ainda pouco ouvida entre as bandas do estilo naquele período. As influências de Grindcore trazidas por Eduardo “Falsão”, que à época já ouvia muito Napalm Death, Unseen Terror, E.N.T. e Atavistic, eram bem nítidas. “Headhunter D.C.” e a faixa-título são as minhas preferidas. Talvez se o produtor do estúdio fosse mais familiarizado com Metal (algo impossível por aqui naquele tempo) o resultado tivesse sido melhor, com mais peso nas guitarras, por exemplo, mas ainda acho que o resultado final foi bem satisfatório para a época. É relevante mencionar que a demo teve algumas cópias distribuídas nos EUA na época pela Wild Rags Records, um grande feito para uma banda brasileira naqueles tempos, e que já mostrava a preocupação da banda em espalhar seu trabalho fora do país. Um clássico em se tratando de demos de Death Metal no Brasil, sem dúvida! Apesar dos vocais terem sido gravados por Eduardo “Falsão” Dantas (também conhecido na época como “Metal Killer”), meu nome já constava no lineup da banda na capinha da demo, já que eu já havia entrado em seu lugar quando do seu lançamento. Em tempo: existem duas versões da demo “Hell is Here” espalhadas na cena, uma com a faixa “Open Your Eyes” e outra com “Prepare to Die” no lugar desta.

    Studio Reh. – Promo 1990 (self released):

    Meu primeiro registro como vocalista do Headhunter D.C., essa promo foi gravada a pedido da Cogumelo para uma avaliação do novo material e da nova formação antes de assinarmos contrato com o selo. Datada de 27/05/1990 e gravada ao vivo em um pequeno estúdio de ensaios no subúrbio de Salvador, a promo conta com 4 faixas, sendo uma nova versão para “Hell is Here”, “Death Vomit” e duas músicas inéditas: “Am I Crazy?” (a última assinada por Eduardo “Falsão”) e “Why Wars?”, as quais mostram uma pegada ainda mais brutal e deathmetalizada da banda, com vocais mais podres e vomitados. Uma estória engraçada sobre essa promo é que na noite anterior à sua gravação eu enchi a cara como se não houvesse amanhã, dormi literalmente na sarjeta e acordei passando mal de tanta ressaca. Como ainda levaria anos até que o celular fosse inventado e chegasse ao Brasil, fui me arrastando e vomitando no ônibus até o estúdio com o intuito de informar aos caras que eu não tinha a mínima condição de gravar naquele dia. Chegando lá, vi que os caras já haviam montado tudo para a gravação e me disseram que eu gravaria naquele dia nem que fosse deitado no chão. 1 litro de Coca-Cola e 20 minutos largado no chão do estúdio depois, lá estava eu berrando feito um condenado com a cabeça doendo a ponto de ter um AVC! Tal situação inflenciou bastante e de forma positiva no resultado da voz na gravação: extremamente podre! Hahahahahahaaa!!!!!!

    “Born…Suffer…Die” – LP 1991 (Cogumelo):

    Em 3 de maio de 91 abrimos o show do Sepultura em sua “Arise World Tour” na Concha Acústica do Teatro Castro Alves para um público de aproximadamente 2.000 pessoas – meu terceiro ou quarto show com o Headhunter D.C. -, e logo no dia seguinte rumávamos para Belo Horizonte para a gravação de nosso primeiro álbum pelo maior selo de Metal Underground da América do Sul à época e no mesmo estúdio onde o próprio Sepultura e bandas como Sarcófago, Mutilator, Chakal, Holocausto e SexTrash também gravaram… nada mal para uma banda baiana no início dos anos 90 que acabara de completar 4 anos de existência, né? (risos) “Born…Suffer…Die” foi a prova definitiva de que não estávamos pra brincadeira e que éramos capazes de representar o Metal do Nordeste perante o Brasil com muita competência e sangue nos olhos, fazendo os preconceituosos do Sul e Sudeste engolir a seco o seu discurso de que não havia Metal fudido do lado de cá do país! Reproduzirei aqui uma parte do texto escrito para a reedição comemorativa de 25 anos do álbum: ““Born…Suffer…Die” foi gravado em 16 canais no estúdio JG (João Guimarães) sob a produção e engenharia de som do renomado Gauguin, que ali mesmo já havia sido responsável por gravações de algumas gemas do Death Metal brasileiro, como “I.N.R.I.”, “Abominable Anno Domini” e “Sexual Carnage”, e traz dez faixas e uma intro de puro Brutal Death Metal brasileiro, cru, extremo, caótico, mas muito bem executado, com alguns toques de raging Thrash. Bandas como Possessed, Death, Slayer, Sodom, Kreator, Dark Angel e ainda Morbid Angel e Napalm Death podem ser lembradas no decorrer das músicas, influências essas que unidas a um vocal extremamente característico, alternando grunhidos guturais com berros rasgados infernais no melhor estilo Quorthon/Angelripper/Mille Petrozza, guitarras com palhetadas à velocidade da luz, riffs alucinantes e solos muito bem sacados, baixo marcante e vigoroso e uma bateria capaz de fazer rachar os céus, fazem deste um álbum único. Desde um dos eternos hinos da banda, a faixa de abertura “Am I Crazy?”, cuja letra nada mais é do que uma visão ao avesso do mundo em que vivemos, passando pelas grandes regravações de “Hell is Here”, “Headhunter D.C.” “Suicidal Soldier” e “Prepare to Die”, as grindcore “Death Vomit” e “Disunited” e as inéditas “Decomposed”, “Beneath the Hate” e “Winds of Death”, as quais já mostravam uma maior evolução dentro do conceito da banda de se fazer Brutal Death Metal, até o genial petardo Deathrash “Why Wars?”, uma música não pacifista, mas inteligentemente consciente sobre os males que a inconseqüente ambição humana pode gerar, o que se ouve é um desfile do mais puro e genuíno Metal da Morte brasileiro executado por uma banda já dona de uma identidade bastante própria, apesar de seus então apenas 4 anos de atividades. O título do álbum, idéia do vocalista Baloff, foi tirado do refrão da música “Hell is Here”, e retrata muito bem o ciclo da sofrida existência humana nos dias atuais, e a capa, um trabalho magnífico assinado por Kelson Frost, que entre outras fez as fantásticas capas do “The Hangman Tree” do The Mist e “Rotting” do Sarcófago, juntamente com a clássica “foto do portão” da contra-capa, completam a obra com muito bom gosto. O álbum, que pode ser considerado como o primeiro registro vinílico de puro Death Metal do Norte/Nordeste, é aclamado pela mídia especializada Underground do país e pelos deathbangers brasileiros, logo tornando-se uma referência desse tipo de música no Brasil. Fora do país, algumas resenhas em zines e magazines estrangeiros já apontavam a banda como uma grande revelação do Death Metal sulamericano, e o álbum, uma verdadeira jóia do estilo. O zine belga Final Holocaust, por exemplo, publicou em uma de suas edições da época: “Realmente inacreditável a brutalidade contida neste álbum! Todas as 11 faixas são simplesmente de um excelente Death Metal com vocais extremos e doentios. Sem dúvida um dos melhores lançamentos vindos da América do Sul”. Ouvindo o álbum com a devida atenção, não há como duvidar disso” (por Luiz “Angelkiller” Jr.).

    “Punishment At Dawn” – LP 1993 (Cogumelo/Black Water):

    “Punishment At Dawn” surgiu como um contraponto ao que se fazia na América do Sul naquela época em se tratando de Death Metal, e mais uma vez estávamos remando contra a maré das tendências metálico-musicais que reinavam na cena. Era a época do Grunge, do Pantera e do Black Metal escandinavo, e nós, em meio a todo esse cenário instável no Metal Underground, continuávamos nos mantendo fiéis ao Death Metal e desenvolvendo uma música cada vez mais brutal e mórbida, com bastante influência do Death Metal europeu via Morgoth, Dismember, Carcass, Unleashed, Sinister, Merciless, Entombed, mas ainda com a sempre presente inspiração nos mestres Possessed e seus discípulos Death, Morbid Angel e Immolation. Também recorrerei a parte do texto da reedição do álbum em CD para abordar mais detalhes sobre o mesmo: “Com material novo em mãos a banda entra, em Maio de 1993, no 108 Studio para dar início às gravações do novo opus. Gravado e mixado por Tarso Senra (“Bestial Devastation”, “Warfare Noise”, “Schizophrenia”, “I.N.R.I.”, “Immortal Force”), “Punishment At Dawn” vê a luz do dia (ou a escuridão da noite, como queiram…) três meses mais tarde, e traz oito faixas de um Death Metal forte e poderoso feito com altíssima classe (ainda que sujo, furioso e violento como deve ser), algo ainda pouco visto/ouvido na América do Sul àquela época, quando as bandas eram mais influenciadas pela sonoridade primitiva e caótica de bandas como Sarcófago do início, Expulser e Sextrash. Temas como a altamente convidativa ao total headbanging faixa de abertura “Forgotten Existence” (até hoje obrigatória nos shows da banda), “Hallucinations”, “Bloodbath”, “Searching For Rottenness” e “Terrible Illusion” eram os novos hinos dos caçadores de cabeça em prol da causa do verdadeiro Metal da Morte Underground pelo qual empunham a bandeira com muita luta e dedicação. As letras, em sua grande maioria escritas pelo baixista Ualson Martins, lidam com alucinações, paranóia, insanidade e demais problemas que a doente mente humana é capaz de desencadear, como suicídio e assassinatos em série, além de retratarem através de contos mórbidos os sonhos de uma geração perdida. Já em “Deadly Sins Of The Soul”, uma obra-prima de Doomy Death Metal, e a faixa-título, a banda dá mostras daquilo que viria a ser sua incessante luta contra os dogmas ilusórios do cristianismo” (por Luiz” Angelkiller” Jr.). “Punishment At Dawn” foi como um prelúdio para como o Headhunter D.C. soaria dali pra frente e creio que moldou a personalidade da banda rumo a uma postura cada vez mais fincada nas raízes do Death Metal, musical e ideologicamente falando. A propósito, aguardem a sua edição comemorativa de 25 anos em CD/DVD vindo ainda nesse segundo semestre de 2018!

    “Promo Tape ’96” – Promo 1996 (self released):

    Gravamos essa promo com o intuito de mostrar à cena algo de nosso mais novo material à epoca, durante um longo período de quase 7 anos sem lançarmos um álbum de inéditas e de um impasse quase interminável com a Cogumelo. Nesse período a cena estava mais pra lá do que pra cá, e pouquíssimas bandas ainda tinham “bolas” pra continuar se assumindo como Death Metal e nós, orgulhosamente, fazíamos parte desse raro grupo de bravos deathbangers. Desse novo material, as 3 primeiras músicas a serem escritas foram “…And the Sky Turns to Black…”, “Contemplation (to the fire)” (que viria a fazer parte do “God’s Spreading Cancer…”) e “Falling in Perdition”, as quais foram gravadas para fazerem parte da promo. Pela primeira vez estávamos tocando com a afinação em Dó (2 tons abaixo), o que nos trouxe um peso maior para as cordas e consequentemente um vocal mais grave e mais gutural. A promo foi gravada ao vivo no Mutti Studio em Salvador em Dezembro de 95, e apesar de se tratar de um estúdio de ensaios de pequeno/médio porte sua qualidade de gravação nos agradou bastante. Gravamos 3 takes de cada música e escolhemos os melhores para fazerem parte do tracklist. Espalhamos bastante cópias da fita na época, e, de bônus, costumávamos incluir nossa versão para “Álcool” do Dorsal Atlântica, com a qual participamos do tributo à banda intitulado “Omnisciens” no mesmo ano. Todas as 3 músicas foram compostas por Paulo Lisboa e as letras, com exceção de “Contemplation…”, também de Paulo, são assinadas por mim, marcando o início de uma era em que eu assinaria todos os textos desde então. Essa promo tape dava uma ideia de como viria o Headhunter D.C. em seu próximo trabalho.

    “…And the Sky Turns to Black… (the dark age has come)” – LP/CD 2000 (Mutilation/Mercenary Musik/WW3):

    “ATSTTB”, na verdade, começou a ser gerado ainda entre 1994 e 1995, quando as primeiras músicas começaram a ser escritas. Depois veio a promo 96, que também serviu como uma espécie de pré-produção do álbum, a sessão de fotos do mesmo, realizada em 97 e o álbum em si finalmente vindo a ser gravado em 1998 para só em 2000 ser lançado oficialmente pela Mutilation Records (ex-Millennium Records). Isso mostra que, apesar do grande hiato entre “PAD” e este, nós nos mantivemos extremamente ativos em termos de composição do novo material, além dos frequentes shows por todo o país. Já contando com 3 novos membros, entre eles o baterista Thiago Nogueira (ex-Scrupulous), cuja carreira de músico profissional deu um grande salto desde então, o álbum foi gravado e mixado no Periferia Studio (o mesmo onde foi gravado o “The World is So Good…” do Mystifier) em Salvador entre Agosto e Setembro de 1998, e trata-se de um verdadeiro divisor de águas na carreira da banda e também na própria cena Death Metal brasileira e sulamericana. Foi o disco que catapultou o nome do Headhunter D.C. para o cenário mundial, e boa parte disso deve-se ao lançamento oficial do álbum nos EUA via Mercenary Musik/WW3 Records. Musicalmente falando, “ATSTTB” marca, de fato, uma nova era nas composições da banda, trazendo um Headhunter D.C. ainda mais brutal, pesado, mórbido, obscuro e profano, abusando de estruturas decadentes, mesclando passagens extremamente velozes graças aos blasts explosivos com um bumbo só (influência de Pete Sandoval, diferente da atual técnica de alternância de dois bumbos entre as batidas de caixa) com mudanças bruscas de ritmos caindo para andamentos mais cadenciados e soturnos. Os solos alavancados de Paulo, assim como os profundamente sentimentais de Fábio Nosferatus (meu primo, por sinal) também ajudam a desencadear essa variação entre a brutalidade inteligente e os climas densos gerando uma atmosfera assombrosa ímpar, característica do álbum. Já os textos, a partir daí assumem definitivamente uma natureza ateísta, niilista e anticristã que viriam a caracterizar de vez o lado ideológico do Headhunter D.C. (vide a faixa título – a minha preferida -, “Eternal Hatred” e “Beyond the Deepest Lie”), enquanto que “The Glory” traz uma espécie de louvor e contemplação à morte através de um texto poetizado, talvez dando aí, e de fato, início ao “Culto da Morte” propriamente dito, lírica e conceitualmente falando. Impossível falar do álbum e não mencionar a ‘doomy & gloomy’ “Conflicts of the Dark and Light”, que se tornou desde então uma das músicas preferidas pelo público e uma das mais pedidas nos shows, realmente uma excelente e inspirada composição de Mr. Lisboa. Fatos estranhos e trágicos rondaram as sessões de gravação do álbum, entre eles uma crise de epilepsia brutal de um dos funcionários do estúdio, um acidente de carro com morte na rua do estúdio e 6 (seis!) máquinas de ADAT queimadas em sequência, o que fez o engenheiro de som e dono do estúdio parar com as gravações do dia por “alguma coisa estranha estar acontecendo ali”… Tenso! (risos!) Enfim, mais um disco do qual temos um orgulho enorme em tê-lo lançado por tudo o que o permeou, por tudo o que ele significou para a sua época e continua significando para nós e para a cena brasileira, um grande “fuck off and die” para todos os posers, wimps e trendies que insistiam em dizer que o Death Metal estava morto e enterrado! Uma nova edição do álbum em gatefold black vinyl está a caminho via Crypts of Eternity Records do Perú. Aguardem!

    “Brazilian Deathkult Live Violence… 14 Years of Brutality!” – Live Tape 2002 (Eternal Fire Live Tapes Series):

    Trata-se da gravação de um show histórico realizado em Itabuna/BA no dia 09/06/1995 ainda durante a turnê do segundo álbum, quando tocamos com o Mordeth de São Paulo e a local Scrupulous abrindo a noite. Essa gravação já vinha sendo espalhada via tapetrading há algum tempo, até que surgiu a proposta do Karnage do Eternal Fire zine da França de lançá-la em cassete através de sua Eternal Fire Live Tapes Series. O show foi gravado direto da mesa de som e tem uma qualidade bem razoável para os recursos da época, mostrando a crueza e energia da banda ‘on stage’, sem mencionar a participação do público, agitando e berrando o tempo todo. Saudades do tempo em que se colocava 500 pagantes em um show de Metal Extremo – imagine sendo no interior do estado, como foi esse! O setlist é baseado nos dois primeiros álbuns e conta também com um cover de “Buried Alive” do Venom. Em 2013 teve uma versão em CD lançada pela Eternal Hatred Records com o seu áudio masterizado e disponibilizado na íntegra com duas faixas a mais que na versão em tape: “Am I Crazy? (cut off)” e um solo de bateria que não estava na programação do show e que teve de ser improvisado pelo então baterista André Moysés enquanto eu vomitava horrores atrás do palco. Maionese fudida! Hahahahaaa!!!

    “…In Deathmetallic Brotherhood” Split 10″ – EP 2007 (Legion of Death):

    Mais uma parceria com nossos irmãos franceses Karnage e Shaxul do Eternal Fire zine, dessa vez pelo seu selo Legion of Death Rekordz. Trata-se de um split em vinil com nossos velhos parceiros potiguares do Sanctifier, inspirado no split Pentacle/Desaster “…In League With…” no qual cada banda participava tocando um cover da outra mais uma música inédita. Em nosso caso, nós adicionamos uma faixa ao vivo e o Sanctifier gravou duas faixas inéditas para o lançamento. Compus “Hymn to Babylon” (com letra em parceria com meu irmão Luiz “Angelkiller” Borges Jr.) exclusivamente pra esse split, e o cover do Sanctifier escolhido foi “Cycle of the Entity”, enquanto que eles gravaram um cover de “Am I Crazy?. Gosto muito da gravação desse split (realizada no estúdio Casa das Máquinas, em Salvador, entre final de Novembro e inicio de Dezembro de 2005), uma das melhores que já fizemos, com bateria e guitarras super pesadas e na cara. A faixa inédita é puro Headhunter Death Cult Metal, 666% fincada nas raízes do gênero! Gosto muito de sua letra, cheia de luxúria, perdição, blasfêmia e exaltação aos prazeres mundanos da carne, um verdadeiro hino à velha Babilônia: “Lembremos da Babilônia, o paraíso terreno, uma nova era de luxúria está para surgir / Retribua amor com amor, combata fogo com fogo, somos filhos da Babilónia, não precisamos de nenhum Messias…”. Recentemente o Apokalyptic Raids a gravou para o segundo volume do tributo ao Headhunter D.C. e ficou foda, a cara deles! Em tempo: as mãos da capa são dos meus primos Fábio Nosferatus (ex-Headhunter D.C.) e Léo Lima, que por sinal são irmãos. Nada mais condizente  com o título do split!

    “God’s Spreading Cancer…” – LP/CD 2007 (Dying Music/Obscure Domain/Evil Spell/Deathcult):

    Acompanhando as comemorações dos 20 anos da banda, “GSC” foi gravado, mixado e masterizado entre Fevereiro e Março de 2006 no estúdio Casa das Máquinas em Salvador e produzido por Thiago Nogueira, que também gravou todas as sessões de bateria, apesar de não fazer mais parte da banda àquele periodo. Mais uma vez vínhamos de um longo espaço de tempo desde o último trabalho, mas como foi dito no texto que acompanha o álbum escrito por mim, muitas foram as razões para mais essa demora em oferecermos um novo disco de estúdio à cena, entre elas todas as dificuldades enfrentadas por uma banda do Nordeste brasileiro que optou pela honestidade e sinceridade em seu trabalho, sem mencionar a fidelidade aos seus princípios, ao invés de se deixar levar pelas tendências de ocasião que levaram tantas bandas de nossa época à decadência – ainda que em vida -, caso contrário estaríamos com um belo contrato assinado há bem mais tempo e lançando álbuns com muito mais freqüência. Outro aspecto relevante que cito no texto é a nossa necessidade de um tempo especial para a inspiração  certa no tempo certo, o que vale até hoje, afinal não fazemos música efêmera e descartável como muito vemos (e ouvimos) por aí. Não sei bem como começar a falar do álbum em si, mas a primeira palavra que me vem à cabeça é “violento”! Violento em suas músicas, com sua abordagem extremamente brutal e ‘in your face’ (“Stillborn Messiah”, “Celebrate the Chaos”, “Inner Demons Rise!”); violento em suas letras, um verdadeiro assalto contra tudo o que é hipocritamente chamado “sagrado” (“Disgrace to the corpse of God, buried and forgotten in a decrepit tomb…” – “God is Dead”); violento em sua capa, uma grande obra de manipulação digital assinada por Alcides Burn, que conseguiu, com extrema maestria, dar forma visual através de sua arte a um sonho blasfemo que eu tive durante o processo de composição do álbum. Brutal Unholy Death Metal ‘to the bone’, pesado, rápido e mórbido como deve ser! Talvez eu deixasse as guitarras um pouco mais na cara se eu tivesse a oportunidade de remixá-lo algum dia, mas num geral sou muito satisfeito com a sonoridade do mesmo. Pouca gente sabe, mas o título do álbum foi tirado da letra de “Love is Magick” de Raul Seixas, cujo trecho original teve que ser mudado por exigência da Censura Federal da época, acusando-o de apologia ao anticristianismo ou algo idiota assim. O trecho original diz: “Love is the answer, I am God’s spreading cancer, under will Love is the law”. Achei isso fantástico e “roubei” para nós! (risos!) Meus destaques vão para “God is Dead”, “Long Live the Death Cult” (dedicada ao Possessed), a faixa-título, “Stillborn Messiah”, “Inner Demons Rise!”… bem, vou parar senão vou acabar citando todas as faixas do álbum… hahahahaaa!!!

    “The Darkest Archives… From The Death Cult (1987 – 2007)” – Double CD 2010 (Crypts of Eternity):

    Esse é um CD duplo comemorativo dos 20 anos da banda contendo diversos materiais raros dos meus arquivos pessoais, incluindo aí demos, promos, ensaios, lives, takes inéditos de estúdio, cortes de programas de rádio e demais “achados arqueológicos”. Aliás, foi uma verdadeira busca arqueológica mesmo para pesquisar, reunir e compilar todo esse material, o que rendeu um atraso de 3 anos em seu lançamento – bem, em se tratando de Headhunter D.C. um atrasozinho desse não é nenhuma novidade, não é mesmo? (risos!) Muitos desses materiais eram até então inéditos em lançamentos nossos, e alguns só eram conhecidos pelas mais antigas gerações que viveram o circuito do tapetrading do final dos 80s/inicio dos 90s, mas num geral foi uma ótima oportunidade a todos os fãs e admiradores da banda para conhecer mais da longa trajetória da banda e acompanhar, através de um único lançamento, a evoluçao do Headhunter D.C. desde os seus primórdios em 87 até 2007. Além de tudo isso, o CD duplo vem com um excelente ‘memorabilia’ da banda em seu booklet, com fotos raras de época e do decorrer dos anos, flyers e cartazes de shows, letras de quatro de  nossas primeiríssimas músicas, “Evil Followers”, “Miserable Priests”, “Fuck Off the False” e “Terrorists” (que também fazem parte da compilação via gravaçoes de ensaios de 87 e 89) e fotos do show comemorativo de 20 anos da banda aqui em Salvador, entre outras imagens raras. Um belíssimo trabalho do selo peruano Crypts of Erernity, um dos nossos grandes aliados na cena atual. Foram apenas 500 cópias disponíveis e rapidamente se tornou ‘sold out’. Seria ótimo tê-lo lançado em vinil triplo ou quádruplo… quem sabe algum dia em um box especial de 35 anos da banda?

    “…In Unholy Mourning…” – LP/CD 2012 (Mutilation/Evil Spell):

    Nosso último album de estúdio, “…IUM…” foi talvez o maior desafio enfrentado por mim até aqui desde que entrei para a banda no final de 1989, pois além de não apenas gravá-lo e produzi-lo, tive que compor todas as canções do álbum. Apesar de também ter assinado algumas músicas no “GSC” e também a faixa inédita do split com o Sanctifier, ainda não me considerava como um compositor de músicas de Death Metal como o Paulo tão magistralmente o foi para a banda, e logicamente senti o peso dessa responsabilidade, mas encarei o desafio com a força que o Death Metal me provém e fui à luta! Dessa vez a maldição dos 7 anos foi quebrada, mas mesmo assim levamos 5 anos desde o último trabalho, muito pela indisponibilidade do Paulo para se dedicar a escrever os novos sons devido à grande carga de trabalho em seu emprego como professor em Jacobina/BA. Naturalmente as novas músicas soavam com uma atmosfera ainda mais carregada e profana e foi essa característica que também deu a “IUM” a cara e a sonoridade que ele tem. Antes de entrarmos em estúdio para gravarmos o disco, fizemos uma pré-produção do álbum num estúdio de ensaios na Cidade Baixa onde gravamos todas as faixas ao vivo, algumas ainda sendo arranjadas e com suas letras ainda a serem finalizadas, mas no final alcançamos o nosso objetivo que era o de justamente termos as músicas registradas antes de sua gravação definitiva para que pudéssemos moldá-las conforme as idéias fossem surgindo. Essa gravação foi recentemente disponibilizada num box em cassete duplo limitado pelo selo boliviano RawBlackult Prods. O álbum, que marcou a estréia do guitarrista George Lessa (God Funeral, ex-Keter), foi gravado, mixado e masterizado por Jera Cravo no Studio 60 entre Fevereiro e Maio de 2011, desta vez sem acontecimentos trágicos relevantes… haha! Um fato marcante a ser mencionado foi a participação de cerca de 30 pessoas, entre membros de bandas, editores de zines e demais irmãos e irmãs de nossa cena local gravando um coro (chamado por mim de “Choir of the Damned”) em “Hail the Metal of Death!”, o famoso (ou “infame”, de preferência…) “SALVE!!!” sempre berrado pelo público presente nos shows. Memorável e impagável, algo que definitivamente entrou para a história de nossa cena baiana. Enfim, o que se ouve no álbum é puro Unholy Death Metal (se eu usasse aqui o termo “old school” seria chover no molhado, então dispenso…), com características de todos os nossos trabalhos anteriores, mas com uma carga de morbidez e obscuridade ainda maior e maiores níveis de brutalidade profana. Gosto muito de “Cursed be Thou”, “Deny the Light” (que possui um riff de 87!), “A Dream of Blasphemy” e “Lightless…”, essa última lenta, fúnebre, obscura, niilista em sua essência. Quanto às letras, tive a ideia de disponibilizar as suas traduções em português em um booklet extra em sua primeira versão em digipack de luxo via Mutilation, onde todos aqui no Brasil poderiam ter uma percepção mais aprofundada de nosso lado ideológico, o qual sempre foi tão priorizado por nós quanto à nossa própria música. Posso até dizer que se trata de nosso melhor álbum até o momento, porém um novo capítulo do Culto da Morte está para ser escrito, portanto aguardem…

    “Death Kurwa! Live in Warsaw 2013” – Live CD 2016 (Necroscope zine/Bestial Invasion):

    Outro lançamento não programado e feito meio que por acaso. Surgiu após o convite de nosso parceiro, irmão e velho apoiador da banda Adam Stasiak do tradicional zine polonês Necroscope para participarmos de sua edição de jubileu #30 com um CD acompanhando o zine. Coincidentemente tínhamos essa gravação do show de Varsóvia em 2013 captada por uma câmera de vídeo que sequer captou o show todo, mas como tinha um áudio bem razoável, ambas as partes concordaram em usá-lo. Para completar a pareceria, surgiu o selo Bestial Invasion Records do Reino Unido que se propôs a prensar o CD de forma oficial e disponibilizá-lo também de forma avulsa através de seu catálogo. Apesar de todo o “acaso” em seu lançamento, trata-se de um registro importante e histórico de nossa primeira tour européia. O que se ouve ali é um verdadeiro show de Death Metal, sujo e cru, sem máscaras nem retoques, sujeito a todos os defeitos e imperfeições de um real evento subterrâneo, do Underground para o Underground! Destaque para a participação insana dos mais loucos maníacos poloneses gritando “kurwa!” o tempo todo, o que para nós seria como o nosso “fudido!” e coisas do gênero. De bônus incluímos “Forgotten Existence”, gravada ao vivo em Jacobina em 2008.

  • ETERNAL SACRIFICE – A Pré-venda  do tão esperado novo álbum Já Disponível!!!

    ETERNAL SACRIFICE – A Pré-venda do tão esperado novo álbum Já Disponível!!!

    8 anos após seu segundo full lenght “Iluminados por Thanatherous Aleph… Musickantiga”, um dos maiores nomes do Black Metal nacional está volta! Completando nada menos que um quarto de seculo de existencia, o Eternal Sacrifice retorna com seu terceiro album de estudio, levando o Pagan Black Metal a um patamar jamais alcançado por outra banda em termos de produção sonora e grafica. “Ad Tertium Librum Nigrum” apresenta 10 novas musicas em aproximadamente 1 hora de um estilo unico que consolidou o Eternal Sacrifice na Vanguarda do Black Metal brasileiro. De acordo com o membro fundador Naberius ” “Ad Tertivm Librvm Nigrvm” é a maior prova que força e perseverança sempre vencem, é um álbum repleto de simbologias e sortilégios, feito exclusivamente para aqueles que apreciam as canções da mão esquerda.” Definitivamente, Ad Tertivm Librvm Nigrvm é uma obra indispensavel para aqueles que vivenciaram os gloriosos anos 90 e ainda para os que procuram conhecer sobre esta era dourada. Um lançamento em digipack luxuoso de 6 paineis + slipcase e encarte de 20 paginas! Para esta pre venda, a Hammer Of Damnation preparou um kit exclusivo contendo: – Digipack – Camisa exclusiva (somente para quem adquirir o kit durante a pre venda) – Poster

    Os kits são limitados em 50 unidades e serão vendidos somente durante a pre venda e exclusivamente pela Hammer Of Damnation, durante os dias 08 de Agosto a 08 de Setembro (ou enquanto durar o estoque). Envios a partir de 14 de Setembro. Valor: R$60 (frete grátis para todo o Brasil) Pedidos: www.hodrecs.com | [email protected]
  • CAUTERIZATION – Há mais de 10 anos honrando o Extremo Underground Brasileiro!

    CAUTERIZATION – Há mais de 10 anos honrando o Extremo Underground Brasileiro!

    Arquitetado inicialmente para ser um projeto e que culminou em uma das mais promissoras bandas brasileiras o Cauterization vem ao logo de sua carreira trilhando um caminho de muito sucesso no underground. O fundador Mauro Trojillo, baterista desta máquina de guerra nos concede uma entrevista e nos fala como a banda está nestes últimos tempos após o lançamento do seu debut “Id Katharsis”. E também nos traz novidades à respeito do EP lançado em 2011 chamado “Males Infestus”…

    Mauro Trojillo, Foto por: Divulgação

    O Cauterization é uma banda que está em uma luta incansável pelo fortalecimento da cena extrema brasileira e se destacou de tal forma que hoje é uma referencia no estilo. Nos fale como surgiu a banda e como foi esse início…

    Mauro Trojillo – Saudações a todos!!! CAUTERIZATION surgiu da vontade de produzir um som que agradasse nossos ouvidos, nada mais, era apenas pra ser um projeto meu e da Maysa, Onde iríamos apenas ensaiar e gravar, não haveria shows, mas após lançarmos nosso primeiro EP Males Infestus, a coisa tomou um outro rumo..

    Em 2011 a banda lançou o comentadíssimo “Males Infestus”, material que apresentou ao mundo seu ótimo Death Metal, que também foi lançado na Polônia. Como foi a repercussão desse material lá fora? Trouxe bons frutos?

    Mauro Trojillo – Então como comentei na pergunta anterior, esse EP que saiu inicialmente em formato independente, mas teve uma grande repercussão após o seu lançamento, foi lançado na polônia em tape, na Áustria em digipack e depois outra versão em cd no Brasil. Através desse material a banda tornou-se bem mais conhecida, e começamos a receber convites para participarmos de festivais e shows importantes.

    Ainda durante o processo de divulgação de “Males Infestus” a banda nos surpreende com brutal vídeo clip para a música “Infernal Battlefield”…

    Mauro Trojillo – Outro fator que alavancou o Ep Males Infestus foi nosso vídeo clip que teve uma quantidade de visualizações pra nós além do que esperávamos, e hoje já passou dos 70.000 views. Foi feito em 2 finais de semana, e levou quase 9 meses pra ser editado, mas com o resultado final além do esperado.

    Maysa Rodrigues & Mauro Trojillo, Foto por: Divulgação

    Com esse material poderoso em mãos a banda fez grandes shows, inclusive ao lado dos ícones Immolation, Incantation e Autopsy. Como foi a experiencia de dividir o palco com estes grandes nomes logo no início da banda?

    Mauro Trojillo – Cara, isso pra nós foi surreal, porque a banda tinha praticamente apenas 3..4 anos e já estávamos tocando com bandas que nunca iríamos imaginar que um dia estariamos tocando junto em um festival como: Incantation, Immolation, Gorgoroth, Krisiun, Câncer, etc..

    A banda com certeza tem uma trajetória de muito sucesso desde o inicio e isso é provado, pois em 2013 a banda assina com o selo Austríaco Metal Music/Morbid Syndicate para o relançamento do “Males Infetus” por toda Europa em uma edição luxuosa Digipack. Como a banda recebeu esta notícia que seu primeiro EP teria mais uma nova versão agora por um selo muito renomado na Europa? Você considera esse EP o material que fato foi fator determinante para a solidificação da banda no cenário mundial?

    Mauro Trojillo – Pra nós, ficamos extremamente surpresos, primeiro por se tratar de uma gravadora gringa, e por querer relançar novamente esse material que era de 2011, mas fizeram um trabalho espetacular, lançando o ep num luxuoso digipack acompanhado por pôster, patch, Button,.. realmente eles fizeram uma grande divulgação e nos trouxe uma maior visibilidade nível mundo.

    Houve alguma proposta para uma turnê no velho continente para divulgação deste material?

    Mauro Trojillo – Sim, tivemos convites de turnês na Alemanha, Chile, Inglaterra,. Mas infelizmente nossos trabalhos acabaram por inviabilizar nossa ida.

    Três anos depois a banda vem com outro assalto foi lançado outro EP “NASU” em 2014. Uma edição limitada em 7” lançada pela Misanthropic Records. Como foi a distribuição deste material? Como surgiu essa parceria com o selo?

    Mauro Trojillo – Tínhamos a vontade de lançar um material em vinil, e como estávamos com 2 musicas novas prontas, gravamos, enviamos a Misanthropic Recs que prontamente aceitou a proposta em lançar em parceria com a LAB SIX, a distribuição ficou por cargo dos selos, quais foram mais divulgados no Brasil, mas mandamos muitas copías pro exterior com distribuição pela MORBID SYNDICATE e outros selos também. Foi feita também uma camiseta oficial qual foi fabricada 250 cópias em parceira com o selo e a Brutal Wear. Nossa  parceria surgiu normalmente, pois eu já tinha contato com o Marco Amaral já algum tempo.

    Mauro Trojillo & Maysa Rodrigues, Foto por: Divulgação

    Como foi a recepção do público referente ao “NASU”?

    Mauro Trojillo – A recepção foi muito legal, NASU trouxe um som um pouco mais rápido e brutal do que o primeiro Ep, e com musicas mais longas também.

    Neste EP a banda conta a participação do conceituadíssimo Fábio Sperandio…

    Mauro Trojillo – Fabio sempre foi nosso amigo, eu tinha contato com ele desde os primórdios do CURSED CELEBRATION, e sempre tivemos o apoio da LAB SIX, e além disso sempre o admiramos como músico e pelo trabalho no OPHIOLATRY, e aí ele nos brindou com uma participação de um solo devastador na música NASU!

    Nessa trajetória vitoriosa e intensa da banda, em 2017 a banda lança o tão esperado Debut “Id Katharsis” que teve uma produção impecável. Como foi toda concepção deste trabalho?

    Mauro Trojillo – Após o lançamento do NASU, começamos a compor musicas novas, nesse material seguimos uma linha de som mais voltada pro Death Metal comparando aos outros trabalhos, e creio que alcançamos o estilo de som que iremos seguir daqui pra frente. Procuramos gravar em um grande Studio qual sou amigo do dono a tempos, Studio 3EM1 em Londrina/PR, lá gravamos bateria, guitarra e os vocais da Maysa, o baixo e os backing vocals do Wesley foram gravados aqui em nossa cidade, e depois mandamos tudo para o Sebastian Carsin fazer a mixagem e masterização, qual chegou ao resultado que queríamos.

    Para esta realização a banda contou a Misanthropic Records e também assinou com os selos Hammer Of Damnation e Cianeto. Como surgiu essa aliança de peso?

    Mauro Trojillo – Essa parceria aconteceu normalmente pois a Cianeto já havia lançado uma versão do nosso primeiro EP MALES INFESTUS, a Misanthropic tinha lançado nosso segundo EP NASU, e convidei a Hammer of Damnation para ingressar nesse último lançamento por ser um selo em grande ascensão nacional e mundial e o Luiz ser um grande amigo das antigas, Ou seja todos são antigos aliados nossos!

    2011 – Males Infestus “EP”

    A banda surpreendeu neste CD também por todo visual gráfico, esse ótimo trabalho ficou por conta de quem?

    Mauro Trojillo – Pra cada lançamento procuramos fazer uma capa com um artista brasileiro diferente, já tínhamos trabalhado com o Marcelo Vasco, Rafael Tavares e pra esse ultimo procuramos o grande Marcos Miller, que ultrapassou todas nossas maiores expectativas em relação a arte da capa, realmente ficou fantástica!

    Esse CD também teve uma boa distribuição fora do país?

    Mauro Trojillo – Conforme informações dos selos que lançaram esse ultimo material “ID KATHARSIS”, a Cianeto enviou quase que toda sua cota para o exterior, a Hammer of Damnation também tem uma ótima distribuição fora do Brasil, eu enviei também várias copias para países como Polônia, Chile, Singapura, EUA, etc… e tivemos muitas mensagens de pessoas fora do Brasil que apreciaram o material.

    Infelizmente logo depois deste lançamento memorável o Well Moia sai da banda. Quais foram os motivos para este afastamento?

    Mauro Trojillo – Wesley Moía não estava mais interessado em permanecer na banda e após as gravações preferiu se retirar.

    Já há algum nome para substitui-lo?

    Mauro Trojillo – Não temos planos de colocar ninguém, pelo menos por enquanto a formação permanecerá como uma dupla.

    2014 – Nasu “7′ EP”

    Desde o inicio da banda a Maysa Rodrigues tem estado ao seu lado lutando com todas forças pelo Cauterization. Como se iniciou essa parceria tão sólida entre vocês?

    Mauro Trojillo – Sim, fomos apresentados na época por 1 amigo em comum, e após um primeiro encontro, percebemos que tínhamos idéias parecidas e resolvemos marcar 1 ensaio pra ver o que sairia, e deu no que deu..rsrs.

    O vocal dela é de fato um dos melhores do estilo, tanto que 2011 ela se destacou como uma das melhores vocalistas em vários veículos especializados. Como ela recebeu essa notícia desse reconhecimento pela sua competência?

    Mauro Trojillo – Nós ficamos muito surpresos com a noticia, visto que a banda tinha apenas 3 anos de atividade e apenas um EP lançado.

    Claro que além de ser dona de uma voz poderosa, ela é uma guitarrista muito técnica e talentosa…

    Mauro Trojillo – Sim, Maysa começou a tocar guitarra muito cedo, com 15 anos já integrava uma banda de Death Metal chamado SARCOMA tocando guitarra e cantando, e também é formada na faculdade de Música.

    Agora falando de você, fundador da banda e baterista. Quando começou essa paixão pelo instrumento que executa? Quais suas principais influências?

    Mauro Trojillo – Eu desde muito cedo sempre tive uma paixão pela bateria, me lembro quando era criança eu construía umas baterias feitas de latas de tinta, latas de Nescau.. hahaha, mas só consegui comprar minha primeira batera aos 18 anos(se é que podemos chamar aquilo de bateria hahaha), e fui tentando tocar alguma coisa, nunca fiz aulas de bateria, aprendi sozinho, fui trocando de bateria e comprando uma melhor, depois com o aparecimento da internet, ficou bem mais fácil em termos de informação. Cara… tenho muitos bateristas que tenho como referência, acho que os principais mesmo foram no inicio: Dave Lombardo/Slayer, Igor Cavalera/Sepultura, DD Crazy/Sarcofago, Mick Harris/Napalm Death,… acho que esses são os primeiros mesmo que eu escutava e pirava, aí depois vieram pra acabar com tudo os monstros: Max Kolesne/Krisiun, Inferno/Azarath, Tony Laureano/Angelcorpse, Derek Roddy/Hate Eternal, e muitos outros…

    2017 – Id Katharsis “Debut Album”

    Falando um pouco da temática da banda. No que se baseia as letras do Cauterization? Quem é o principal compositor? E quais as inspirações?

    Mauro Trojillo – As letras são praticamente 99% feitas pela Maysa, as vezes faço algum “esqueleto” e mando pra ela e ela incorpora suas idéias e finaliza a letra, mas sempre conversamos a respeito, e damos um titulo juntos.

    Como está sendo os shows para divulgação do álbum?

    Mauro Trojillo – Infelizmente, alguns meses antes do novo álbum sair, Maysa mudou-se para o exterior, então não fizemos nenhum show de promoção do ID KATHARSIS.

    O Brasil está repleto de bandas muito boas e comprometidas com a cena. Como você vê a cena hoje em relação às bandas e o público?

    Mauro Trojillo – Essa é uma questão realmente complicada, atualmente os shows no Brasil, principalmente de bandas nacionais, dão um publico realmente pequeno, não sei se o problema é a nova geração que está mais atenta em ficar nas redes sociais e assistindo os shows pelo youtube, ou os mais velhos que não saem de casa pra ir em shows, só sei que que isso apenas desestimula os organizadores e as bandas de fazerem shows e tours, mas isso é uma questão que pode envolver muitos fatores, como o financeiro também, pois nosso país se encontra numa situação financeira extremamente delicada…

    Você também é membro de outras duas bandas, Wolflust e Industrial Noise, nos fale um pouco sobre elas…

    Mauro Trojillo – O INDUSTRIAL NOISE é uma banda que tenho desde 93, iniciou como um projeto e depois em 98 virou banda, tocamos sem parar até 2008, e retornamos agora ano passado, e estamos ensaiando direto pra gravar um novo material que sairá em breve!! Total grindcorenoise old school sem firulas!! O WOLFLUST é uma banda minha com um antigo amigo Carlos(ex- NO BLEST), tínhamos planos de montar um projeto a vários anos, e em 2017 começamos a ensaiar, trata-se de um DEATHBLACKWAR METAL, seguindo os moldes dos gods: Blasphemy, Sarcófago, Hellhammer, Angelcorpse,.. e também estamos prestes a gravar nosso primeiro registro que sairá ainda em 2018!! Aguardem por esse ataque bélico profano!!!!

    O que podemos esperar do Cauterization para o futuro?

    Mauro Trojillo – CAUTERIZATION encontra-se temporariamente “pausado”, pelo fato de como disse na questão anterior a Maysa está morando fora do país, então daremos uma leve pausa, até porque nesse ano a banda completou 10 anos de atividades ininterruptas, sempre ensaiando, compondo, lançando material e fazendo shows, e temos planos pro relançamento do primeiro EP MALES INFESTUS num formato comemorativo desses 10 anos! Aguardem!

    Grande Mauro Trojillo, agradeço imensamente pela entrevista cedida e conte sempre com o apoio da Roadie Crew… Um forte abraço!!! O ESPAÇO É SEU…

    Mauro Trojillo – Grande e velho amigo Éden, obrigado pelo grande apoio que sempre deu ao CAUTERIZATION, e pelo fudido espaço!!! ONLY THE STRONGEST SURVIVE!!!! METAL FOR PASSION!!! NOT FASHION!!! FUCK THE WEAKS!!!!

    Abaixo segue o belíssimo video clip da música “Infernal Batllefield”. Confiram: https://youtu.be/peeT_Sshw1c
  • GOD FUNERAL – Com os dois pés fincados na velha escola do Death Metal!

    GOD FUNERAL – Com os dois pés fincados na velha escola do Death Metal!

    Formado em 2017, o God Funeral acabou de lançar seu primeiro registro o EP “Where Every One Is Equal”. Este trabalho nos trás uma banda que faz Death Metal old school com muita competência. O seu fundador George Lessa cordialmente no cede essa entrevista para falarmos à respeito desta criação fúnebre. Com muitos anos na cena extrema underground brasileira o mesmo nos fala como surgiu e como seguem os caminhos obscuros da banda. Com certeza essa uma banda que veio pra fazer a diferença e mostrar que nossa cena está muito forte… e… ainda vamos ouvir falar muito do God Funeral.

    Foto por: Rafael Almeida

    Formado em 2017 por você, o God Funeral já se destaca na cena como uma grande promessa. Nos fale, como surgiu a ideia para criar a banda?

    George Lessa: Saudações Eden! Em primeiro lugar gostaria de agradecê-lo pelo espaço concedido para falarmos um pouco sobre o God Funeral! A ideia surgiu após eu sair do antigo projeto que eu participava, que permaneci durante 12 anos da minha vida. Como sempre gostei de compor, comecei uma nova etapa com o surgimento da banda. Para esse projeto, quis fincar os dois pés na velha escola do Death Metal, tanto em termos de som como na identidade visual do material.

    Você faz no God Funeral um Death Metal realmente diferente, digo isso, pois a sonoridade e execução das músicas não parecem com as bandas que o conhecemos tocando. Estas composições apresentadas aqui têm alguma influência especifica?  Ou são composições que ficaram guardadas com você?

    George Lessa: Na verdade a sonoridade vem do meu background como amante do Death Metal, procurando manter as composições primitivas e rudes, como o Death Metal deve soar. Procurei diferenciar dos projetos que participo/participei, para não fazer mais do mesmo, senão para mim não teria sentido montar uma nova banda. O EP “Where Everyone is Equal” conta com composições minhas e de meu parceiro de guitarra Yury Duplat. Tocamos juntos por mais de 10 anos em outro projeto, então isso facilitou bastante no processo de criação. Com relação as letras, todos da banda contribuíram de forma efetiva,

    Os integrantes do God Funeral são músicos de peso, todos eles possuem um histórico bem promissor por já terem sido membros de bandas renomadas. Você que os recrutou? ou tudo aconteceu a partir de todos?

    George Lessa: Após dar início a banda com a ajuda de Yury Duplat, montamos uma primeira formação, que não chegou a ensaiar em estúdio, mas rendeu uma parceria na faixa “Macabre Mortuary”. Os riffs dessa música foram compostos por mim e Alex Rocha (Poisonous / Ex-Impetuous Rage). Posteriormente, chamamos Caio Nobrega (Vermis Mortem) que é nosso amigo a muitos anos e Luciano Crux (Blessed in Fire) para a participar da banda, estabilizando a seguinte formação:

    Caio Nobrega: Baixo/Voz

    George Lessa: Guitarra

    Yury Duplat: Guitarra

    Luciano Crux: Bateria

    Foto por: Rafael Almeida

    A letras são bem interessantes, tem uma veia realmente fúnebre e herética. Quais as suas inspirações para criação do conteúdo lírico? Quem é o principal compositor?

    George Lessa: Todos participaram de forma ativa no processo de composição das letras. Temas mórbidos, anticristianismo e o que há de mais pútrido no ser humano nos serviu de fonte de inspiração para o trabalho.

    Você hoje é um membro fundamental no renomado Headhunter D.C. e nos diga, como está sendo essa conciliação entre duas bandas?

    George Lessa: Tenho dividido bem meu tempo entre as bandas, cumprindo com todos os compromissos de cada uma. O Headhunter D.C. exige bastante dedicação dos membros, mas até o momento não tive problemas em conciliar.

    O Metal Extremo na Bahia tem se mostrado muito forte, realmente este estado tem nos apresentado muitas e muitas bandas extremas. O que você acha que contribui aí para o surgimento de tantas bandas e de muito boa qualidade?

    George Lessa: Sinceramente, acredito que as adversidades e dificuldades que são impostas as bandas da Bahia (por não fazer parte do eixo principal de eventos no Brasil), fazem com que as mesmas procurem fazer o melhor, para que tenham o reconhecimento do seu trabalho no restante do país.

    Como você vê a cena atual em Salvador?

    George Lessa: Se tratando de Death Metal, Salvador e região metropolitana tem muitas bandas boas e ativas, lançando material oficial e participando de eventos. Posso citar bandas como o Poisonous, Heretic Execution, Devouring, Rottenbroth, Infected Cells, Morbid Pervesion, Behavior, entre outras…todas com material lançados com o suporte de selos e tendo uma boa repercussão fora do estado.

    Foto por: Rafael Almeida

    Para o seu primeiro trabalho a banda lança um EP magnifico em dois formatos K7 e CD, um grande feito para uma banda relativamente nova…

    George Lessa: Muito obrigado pelas palavras irmão ,,/! O God Funeral é uma banda nova, mas como já tenho uma boa experiência com bandas, tudo fluiu mais rapidamente. É diferente de quando você é moleque e monta sua primeira banda e ainda não sabe que caminhos trilhar para que as coisas se encaminhem da maneira correta.

    Para o CD a banda conta com parcerias importantes e entre elas um selo mexicano, o Dark Recollections. Como surgiu essa parceria?

    George Lessa:  Em 2017, enquanto estava em tour com o Headhunter D.C. no Chile e Peru, tive a oportunidade de conhecer pessoalmente o Jimmy Sanchez. O que para mim foi uma grande honra, pois considero o Dark Recollections um dos selos mais fodas do mundo. Após divulgar os primeiros vídeos de ensaios da banda, ele se demonstrou solicito em fechar uma parceria conosco, o que realmente me deixou muito orgulhoso em poder contar com o poderoso suporte do selo. Com relação aos outros dois selos, o Funeral Rites e Headcrusher, são parceiros antigos, com os quais já tive oportunidade de trabalhar anteriormente.

    Agora com o “Where Everyone Is Equal” lançado a banda pretende fazer um tour para divulgação?

    George Lessa: Estamos começando a marcar alguns shows aqui na Bahia, para que possamos mostrar nosso trabalho no palco. Conforme as oportunidades forem surgindo, compareceremos para espalhar a doença.

    Foto por: Rafael Almeida

    A concepção gráfica ficou belíssima, todo esse ótimo trabalho ficou a cargo de quem?

    George Lessa: A capa do material e nosso logo foram desenhados por Marcio Menezes (Blasphemator Art), que definitivamente contribuiu de forma inestimável para a qualidade da identidade visual do EP e da banda com o seu talento. A sessão de fotos foi feita por Rafael Almeida, fotógrafo extremamente competente daqui de Salvador, mandou muito bem também!

    Como estamos falando de um EP, que diga-se de passagem, que foi uma ótima estreia, nos diga, já há possibilidade do Debut em breve?

    George Lessa: O foco no momento é a divulgação do EP, naturalmente iremos ensaiar novas composições durante esse processo. Espero que em 2019 possamos lançar o Debut. Temos muito trabalho ainda pela frente.

    “Where Everyone Is Equal” é um titulo bem interessante, qual o contexto por trás desse título?

    George Lessa: O título se refere ao fim de tudo, onde todos os defeitos/virtudes do ser humano não vão interferir no seu final. Onde todos se igualam? Se igualam após mortos…todos serão devorados e apodrecerão após a morte ceifar a sua vida.

    Nobre George Lessa, muito obrigado por nos ceder esta entrevista e saiba que espero ansioso pela passagem do God Funeral por aqui… Um forte abraço e o espaço é seu…

     George Lessa: Eu que agradeço o precioso suporte irmão! Muito obrigado pelo espaço e oportunidade! Espero em breve poder tocar com o God Funeral no Sudeste, seria fudido!! Forte abraço!!! Obrigado a todos que cederam um pouco do tempo para ler a entrevista também ,,/!

    Confiram o Lyric vídeo da faixa título “Where Everyone is Equal”, produzido pelo nosso guitarrista Yury Duplat!
  • ESTADO REVOLTOSO – Eles Caminhavam com a Morte [7,0/10]

    ESTADO REVOLTOSO – Eles Caminhavam com a Morte [7,0/10]

    Essa banda Goianiense aposta num som direto e reto, sem frescuras e simples… mas com o peso na medida certa pra sua proposta musical e o mais cativante é a criatividade destes três Insanos. Com seu lirismo em português e músicas muito bem construídas vão nos arrebatando e quando nos damos conta, percebemos que já escutamos o álbum algumas vezes. Apesar de no encarte não estarem as letras, nós conseguimos entender perfeitamente cada palavra cantada, num vocal rasgado impecável. A veia Old School está nítido aqui, é um material para os amantes do Old Death, Black Metal. Afinal a própria banda descreve que suas principais influencias são: Sarcófago, Sextrash, Expulser, Bathory entre outros grandes nomes perpétuos. A temática da banda é muito interessante e ouvindo temos a certeza que eles realmente tem embasamento nas letras proferidas. Como a própria banda informa: “A nossa temática transita entre pesadelos, fatores ocultos, as tragédias do cotidiano no mundo, contra a hipocrisia imposta pelo cristianismo e suas igrejas, contra o sistema governamental que manipula e destrói em massa.” Formada em 2015 e após três anos de sua criação infame, estes maniacos nos oferta este material de essência muito negra chamado “Eles caminhavam com a Morte”, a produção gráfica apesar de apresentar simples, é muito bem feita e foi concebido pelo Emerson Maia e todo lay-out feito pelo então conhecidíssimo Hioderman Z’Artan, que se tornou uma referencia para as bandas do estilo. A “Intro” começa com passos obscuros de um ser infernal que abre as portas do limbo e a sensação que temos que libertaram as mais assombrosas hostes para devorar uma virgem… pois o choro e desespero dela são muito audíveis, daí… vem “As Chamas Rompem a Escuridão” que começa imponente com suas guitarras muito bem executadas em instrumental direto e logo o Roger Faust (guitarra e vocal) profere uma letra muito forte “Já não dá pra perceber, de onde vem pra onde vai, essa forma decadente, das entranhas do abismo e por trás das máscaras, tuas mágoas me devoram…” e seguindo o este ótimo trabalho vem a terceira faixa que carrega o título do CD “Eles Caminhavam com a Morte” que se inicia com extrema frieza e crueldade, e assim todas as sete faixas parecem se completar em uma orgia poética entre letras misantrópicas e blasfêmias. Traduzindo o ódio, a profanação, o desespero e o vazio da alma são sentimentos latentes nesta criação e também não podemos deixar de falar que existe uma veia protesto em algumas letras. Espero muito que essa banda nos apresente ótimos materiais no futuro como apresentou seu Debut. Pois para um Debut, podemos dizer…”Chegaram com força total!!!”

  • ETERNAL SACRIFICE – Naberius comenta toda discografia da horda com exclusividade…

    ETERNAL SACRIFICE – Naberius comenta toda discografia da horda com exclusividade…

    Esta seção foi criada para que as bandas comentem suas próprias discografias, uma seção inovadora que já existe na revista impressa por alguns anos e que estamos trazendo até você no formato digital. Para a estréia convidamos o Naberius, mentor e lider da banda Eternal Sacrifice que inclusive estará lançando ainda este ano seu novo álbum “Ad Tertivm Librvm Nigrvm” que também foi comentado aqui.

    Nome: Magister Templii Lhorde Haadas Naberius Ano de Nascimento: 1973 Bandas que Integrou: Bestial Reincarnation, Mallignant Assenssion, Disgorgement, Inoculation, Wintermoon, Mortius (Teclados/Backing Vocal), Aborym (atual), Blessed in Fire 1998, Transcendental Mágick 1995 (atual-projeto solo)

    “The Magician Alcandro”Demo Ensaio 1996

    A banda foi formada em 1993, e dois anos depois não tínhamos nada gravado porque sofremos baixas na formação durante o percurso. Logo em 1994 o guitarrista Gadianton saiu da banda, éramos quatro: Naberius (V), Gadianton (G), Zaebos (B) e Zaraphiel (D), com a saída do guitarrista, ficamos meio “órfãos”… Zaebos passou a ser guitarrista e começamos uma busca por baixista. Em 1995 entrou um baixista o Grim e um guitarrista, o Charles, e com essa formação gravamos um ensaio, qual eu (Naberius) toquei teclado também e fizemos nosso primeiro show, por sinal fora de Salvador, em Aracajú/Se. “The Magician Alcandro” foi um registro sonoro impactante, apesar das dificuldades de produção sonora, a falta de experiência em registros, é possível sentir através dela uma relação muito emocional com a música obscura e o pensamento ocultista ao mesmo tempo. Talvez tenha sido o primeiro registro de uma banda de Metal Negro Ritualístico, necromântico como gosto de rotular, pois nela tinha encarnado um pouco desse feeling absorvido das nossas influencias intelectuais e sonoras.

    “Aradia… O Segredo Pagão de Elêusis” – Demo 1997

    Esse foi um dos nossos materiais que mais repercutiram no underground da época, principalmente pela qualidade da gravação, que não era maravilhosa, mas foi gravado em um estúdio com canais separados, ou seja, hoje o que parece tão comum, nos anos 90 do século XX era uma batalha conseguir esse feito. Assim como tivemos uma considerável melhora na execução de nossas músicas e a entrada de uma tecladista. Era uma demo cheia de simbologia e referências musicais únicas, aliás essa sempre foi a marca da banda, ter em sua história uma sonoridade muito peculiar, sem deixar de traduzir Metal Negro com atmosfera sombria, tétrica e satânica como deve ser. Nessa demos tivemos uma formação que durou por algum tempo: Naberius (V), Charles (G), Zaebos (G), Grim (B), Gaya (K) e Zaraphiel (D). Gravamos 9 músicas, mas lançamos apenas 6.

    “Live in the Occult Ritual of Fire” Live Demo 1998

    Nesse mesmo ano, fizemos alguns shows em nossa cidade e fora. Aqui tocamos num festival, qual fui um dos organizadores e que se chamou “The Occult Ritual of Fire”, num dos melhores espaços para shows que tínhamos aqui em Salvador na época a Faculdade de Economia da UFBA ao lado de outras bandas de Black Metal da cidade, aliás o momento era o auge do Black Metal por estes lados com uma quantidade enorme de bandas. Gravamos esse show diretamente da mesa de som, e como o resultado foi muito bom e o show foi um dos mais inspirados de todos nós, com aquela formação ideal (até aquele momento), resolvemos lançar o registro e divulgar aos amigos e apreciadores de nosso som, nela colocamos inclusive músicas inéditas que não estavam nas demos anteriores e esse foi nosso último registro com o que considero a formação mais produtiva da banda nos anos 90.

    “Beautiful Leaves of Supreme Pagan Art (Opera Sexualis)” –  Promo Tape 1999

    Como toda banda de Metal, nós passamos por sérias dificuldades, pois perdemos quase metade da banda em 1998. Primeiro Zaraphiel o baterista, depois Zaebos o baixista e ficamos um bom tempo de hiato. Decidido, falei com Charles e começamos um saga de novas composições, pois o principal compositor das músicas da banda era o Zaebos, me meti no meio com Charles e compusemos um álbum inteiro, arrojado, desafiador e cheio de empolgação, ensaiamos e achamos a fórmula perfeita para gravar nossas músicas. Surgiu no meio disso tudo a possibilidade de tocarmos com novo baterista de uma banda que estava findando, mas não deu certo. A banda então sofreu mais uma revolução, Grim que era baixista passa a ser tecladista em lugar de Gaya (que resolveu deixar a banda), entra um novo baixista em seu lugar o Nahash, um guitarrista no lugar de Zaebos, o Okkultus e um baterista em lugar de Zaraphiel, o Frater. Com essa formação, deu tudo certo e gravamos uma promo com uma qualidade ótima, com certeza nossa melhor gravação, nosso melhor registro sonoro em seis anos de existência. A intenção era enviar para o selos e conseguir um contrato de gravação para lançarmos nosso primeiro álbum – quanta ilusão! Sabendo que tudo estava num contexto muito diferente, as bandas naquele momento pagavam tudo do bolso, gravação, produção, o escambal, se duvidasse até lançavam o cd de forma independente, mas esse salto ainda não era possível para nós. Foram quatro músicas em 13 minutos de um som verdadeiramente novo e a certeza que dali pra frente daríamos um passo gigante em nossas pretensões. Formação: Naberius (V), Charles (G), Okkultus (G), Nahash (B), Grim (K) e Frater (D), essa formação era a oficial e que gravou de fato o material, que foi mantida por um bom tempo, o suficiente para darmos nosso próximo passo que foi gravar, por conta própria, o primeiro álbum “MusickantigA…”, mas aí é outra história…

    “Ignis Mallus” – Promo CD 2001

    A formação estável, álbum completamente composto e gravado, começamos uma saga atrás de selos que se dispusessem a lançar o material, afinal já tínhamos feito metade de todo trabalho, “vai ser fácil!” Que nada, foi o memento em que os problemas começaram. Primeiro pela formação que mudou quase toda, saíram: Grim, Nahash, Okkultus e Charles, praticamente todos de uma vez, ficando apenas eu (Naberius) e Frater. Começa uma nova revolução, muita gente começa a circular na banda, tentativas de alianças, pois não é nada fácil encontrar integrantes que se adequem aos temas que a banda aborda e o tipo de som que toca, a estética visual que a banda assume, tudo isso necessita de alguém que se enquadre nesses requisitos, se identifique com eles e queira seguir este caminho. Foi um período turbulento, tocando com músicos emprestados de outras bandas e participações de ex-integrantes que vez por outra nos dava uma força, foi complicado. Lançamos um promo cd para tentar lançar o material e finalmente conseguimos através de um selo lendário aqui de Salvador, a Maniac Records. Aos poucos fomos conseguindo novos integrantes, primeiro Luctuus Perpetuus (G) e Kastiphas (K) e ainda contávamos com participações em show com outros integrantes, sob a promessa de lançamento do primeiro álbum para o ano seguinte, o que não aconteceu. Ignis Mallus foi o registro de 3 músicas retiradas da gravação do álbum e pouco circulou para o publico “comum”, foi um trabalho mais direcionado, ainda assim muitos tiveram acesso ao material na época.

    “Incitatvs – Opera of Evil Dawn” – Demo Ensaio 2002

    Esse período era o da aposta que lançaríamos nosso primeiro álbum, o que não aconteceu. Como estávamos compondo novas músicas e até, elaborando um segundo álbum. Estávamos em alta ebulição criativa, junto com Charles (havia saído da banda, mas continuava compondo para a banda junto comigo), compusemos quase que todas as musicas do segundo álbum juntos e reescrevemos algumas musicas de Zaebos. Nessa época ingressaram um guitarrista (irrelevante) e um baixista, o Corozon. Com Naberius (V), Luctus (G), Corozon (B), Kastiphas (K) e Frater (D) gravamos um ensaio, com a participação do guitarrista (irrelevante) e lançamos com uma musica que depois ficamos impedidos de executar. A qualidade do ensaio era muito boa, e resolvemos fazer um material gráfico e lançar para que nossos amigos e apreciadores ficassem a par de como estavam nossos trabalhos naquele momento. Gravamos três musicas autorais e um cover que costumávamos tocar com frequência com nossa releitura “Black Funeral” Mercyful Fate.

    “The Necromantical Complex of Aradia and Incitatvs” –  Compilation CD – 2003 Esse material foi lançado com as duas demos: “Aradia…” e “Incitatvs”. Foram inseridas a mais músicas que foram gravadas na época da demo “Aradia…” e o material saiu encartado com o zine Adjacer Aspide aqui de Salvador do amigo Rildo Santana. Ganhou uma capa exclusiva com encarte e informações. No zine também tinha uma extensa entrevista com a banda.  

    “MusickantigA… Prédicas do Vero Báratro (Cantata Lugubre, The Revive Rapture of the Shadows Cult) Atto I” – Debut Álbum 2003 – Maniac Rec.

    E, finalmente, em 2003 é lançado nosso álbum, gravado em 2000 pela antiga formação, por esses e outros motivos, apenas Naberius e Frater figuram as páginas do encarte com suas faces. Musickantiga é o auge de todos os nossos esforços de dez anos de existência, ele veio para brindar toda esta saga e nos mostra como uma banda cheia de ideias, de vontades, de propósitos, porém sem deixar de lado toda aura mística que criamos em volta de nossas músicas, de nossos contextos e foi um álbum que teve uma excelente receptividade de crítica, uma álbum que esgotou no mesmo ano e deverá ser reeditado ainda este ano de 2018 através da Oskure Chaos, sob a licença da Naberius Black Art Rec. O álbum é total full com 74 minutos de um primeiro ato, ou seja, um álbum conceitual que só se completará através do segundo ato, que foi nosso segundo álbum… Um álbum cheio de simbologia, paganismo e escuridão. Na época tivemos muitos amigos que colaboraram na produção do álbum como André Laws, artista plástico que pintou a capa do disco e fez as fotos da banda, e nosso antigo irmão Éden Lozano que fez toda a arte gráfica do álbum na época. Demorou pra caraaaaaalho, mas saiu, também, deu um trabalho (risos).

    “Sonatta Satanicka 666” – MCD 2004 – Maniac Rec.

    Nosso contrato com a Maniac era para dois álbuns, pois a mesma deveria custear toda a produção do disco etc… Nesse meio tempo, fomos convidados por eles pra lançar um EP, a fim de mostrar aquelas músicas novas do segundo álbum e mostrar que tínhamos bala na agulha. Obviamente, eles estavam bem satisfeitos com os resultados efetivos do primeiro álbum e queriam ver nossa performance com uma gravação um pouco melhor. Nessa época Charles retornou à banda por um tempo e participou das gravações, qual tinha uma composição do nosso antigo guitarrista Okkultus junto comigo (Naberius) e lançamos o “Sonatta Satanicka 666” contendo duas músicas que estariam em nosso segundo álbum e mais duas músicas que compusemos exclusivamente para este material, qual chamamos de interlúdio entre o Atto I e o Atto II do conceito. A formação que gravou o MCD foi: Naberius (V), Luctuus (G), Charles (G), Orias (B) novo baixista que entrou em lugar de Corozon, Kastiphas (K) e Frater (D). Após lançarmos o MCD a Maniac rompeu com o contrato, alegando que não possuía mais condições de assumir a produção do segundo álbum e ficamos por conta própria novamente.

    “Iluminados por  Thanatherous Aleph… MusickantigA (Macabre Operetta: The Magickal Revival of Books, Pacts and Holy Writings) Atto II” – Full-Lenght 2010 – Blasphemy Prod.

    Entre 2004 e 2009, passamos por poucas reformulações, tocamos em alguns lugares, mas tudo que desejávamos mesmo era gravar nosso segundo álbum. Quatro, cinco anos é muito tempo para uma banda ficar sem produzir, sem lançar material novo, mas creio todos saberem o quanto é difícil uma banda independente se manter por tantos anos no underground, mantendo a dignidade, a ideologia e tudo mais. Nossa principal dificuldade sempre foi mesmo a formação, não diferente neste período onde o Charles voltou a sair da banda, seguido mais tarde por Luctuus, foi nesse momento que Orias decide assumir as guitarras, abandonando o baixo. E por volta de 2008 entram Lady Mortis para segunda guitarra e Lord Musifin para o baixo completando nossa banda. O álbum já estava completamente composto com uma música a mais composta por Kastiphas e então começamos a aperfeiçoa-lo até gravarmos no final de 2009 e produzir tudo que pudemos. Gravamos e saímos oferecendo para alguns selos e o que ficou mais próximo do que desejávamos foi a Blasphemy Prod. (Natal/RN). Em 2010 o álbum é lançado com excelente produção, que na época tivemos grandes parceiros como na arte gráfica o Alex Souza, nas fotografias Alex Allen e na composição da capa por minha colega de UFBA a artista plástica Inês Regina. Gravaram o álbum, portanto: Naberius (V), Orias (G/B), Lady Mortiis (G), Lord Musifin (B), Kastiphas (K/B) e Frater (D), antes mesmo do álbum ser lançado, Lord Musifin deixou a banda e de lá pra cá nunca mais acertamos um baixista fixo na banda, só gente enrolada. “iluminados…” foi um álbum também fulltime, e completou a história iniciada no primeiro álbum. Com certeza fomos a primeira banda de Black Metal a realizar um projeto dessa magnitude no país, dois álbuns conceituais e um ep de interlúdio o que justifica nos rotularmos como Opera Pagan Black Metal Art.

    “Eternal Angels Sacrifice of the Black Moon” – Split 3way – Omeyocan Prod (MEX) – 2011 

    Esse lançamento foi feito no México em 2011, e traz o mesmo material editado no MCD “Sonatta Satanicka 666”. Foi um convite feito pela banda Black Angel do Peru, qual além da própria Black Angel contou com a mexicana Septic Moon. O material bem aceito em ambos países e muito procurado até hoje. Nesse período estávamos em plena divulgação do álbum novo, contanto com um novo baixista, o Malefikus, tocamos em muitos lugares e fizemos uma boa divulgação de ambos materiais.

    Priests from Hell – Split Tape – Odio & Repulsíon (CHI) – 2011

    Ainda em 2011, o mesmo material foi lançado em tape no Chile, porém dessa vez apenas Eternal Sacrifice e Black Angel. Pro tape, com capa bem elaborada em papel gráfico de alta qualidade, assim como o material sonoro que já possuía uma excelente gravação de ambas as bandas. Tanto o Split 3way, quanto a tape estão disponíveis em nossas mãos até hoje aos que se interessarem em adquirir, assim como temos cópias finais do segundo álbum “Iluminados…”

     

    “Ad Tertivm Librvm Nigrvm” – Full-Lenght 2018 – Hammer of Damnation

    De 2014 pra cá, ficamos apenas compondo e trabalhando nas músicas novas. É notório que uma banda de Metal no Brasil dificilmente se sustenta por si só, e foi preciso nos dedicar aos nossos trabalhos formais e repensar nossa carreira, reestruturar nossos objetivos também e passamos um bom tempo estudando, refletindo sobre o que realmente nos dá prazer nessa arte, além de digerir algumas baixas, mais uma vez na banda. Mais ou menos em 2011, Kastiphas (K) resolveu deixar a banda por algumas incompatibilidades de ideias e insatisfações pessoais. Em 2014 foi a vez de Lady Mortiis (G) e a banda seguiu como um quarteto. O Baixista Malefikus ficou entre idas e vinda, até que foi sacado definitivamente em 2016, e nesse mesmo ano, algum tempo antes Charles (G) retornou mais uma vez a banda em lugar de Lady Mortiis. Em 2017 iniciamos a pré- produção do terceiro álbum, qual traria mais uma vez uma obra conceitual, desta vez compusemos músicas que nos identificam, mas que ao mesmo tempo mostra uma banda um pouco diferente, com métrica compositiva também diferente, mas que aquele que conhece sua discografia consegue reconhecer as linhas de pensamento da banda, sua originalidade e sua fidelidade ideológica cultivada durante todos esses anos. Támbém foi o álbum em que meus trabalhos artísticos ficaram de fora, trouxemos um ar novo para a arte gráfica do álbum sob o olhar de outro artista plástico como Marcio Menezes (Blasphemator Art) que se encarregou da capa e todos os desenhos do encarte, da genialidade de Alan Luvarth que conseguiu traduzir perfeitamente o conceito da obra na arte gráfica do encarte, e na fotoeternalgrafia fantástica de Frederico Neto que já trabalhou com bandas como Headhunter D.C. e Malefactor. O álbum será lançado no auge da carreira da banda por um selo de respeito no cenário mundial a Hammer of Damnation, em plena comemoração de 25 anos da horda, sempre rompendo obstáculos e quebrando tabus, paradigmas e padrões, criando ideias únicas, unidos a uma musicalidade idem. “Ad Tertivm Librvm Nigrvm” é a maior prova que força e perseverança sempre vencem, é um álbum repleto de simbologias e sortilégios, feito exclusivamente para aqueles que apreciam as canções da mão esquerda. Album gravado por: Naberius (V), Charles (G), Orias (G/B), Kastiphas (K) e Frater (D).

    Contato para assessoria de imprensa: www.sanguefrioproducoes.com/contato Sites relacionados: https://hodrecs.com/ https://www.facebook.com/eternalsacrifice666/ https://sanguefrioproducoes.com/artistas/ETERNALSACRIFICE/59
  • GOD FUNERAL – Where Everyone is Equal [9,0/10]

    GOD FUNERAL – Where Everyone is Equal [9,0/10]

    Capitaneado pelo renomado guitarrista George Lessa, muito experiente em sua função e muito conhecido por integrar o respeitadíssimo Headhunter D.C. e ter passado pelo Keter, esse guitarrista nos apresenta sua nova banda que diga-se de passagem, já começou com extrema supremacia. A qualidade de suas composições são de fato infernais e nos trás um Death Metal maldito, uma sonoridade que vai da extrema brutalidade ao mais fudido old school. Formado em 2017 a banda esbanja experiência e certeza do que se propõe a fazer, afinal os músicos que formam esta banda maligna são músicos de renome e que já perpetuaram seus nomes no profano hall do extremo underground nacional… São eles, Yury Duplat (Old Chaos), Caio Nóbrega (Ex-Behavior/Old Chaos/Vermis Mortem) e o Luciano Crux (Ex-Blessed in Fire), então já vimos que apesar do God Funeral ter apenas pouco mais de um ano de existência os seus integrantes são veteranos e conhecem muito bem seus instrumentos. Este EP atualmente está disponível em K7 lançado pela Blasphemy Productions e a partir na segunda semana de agosto estará disponível em CD e que contará com a aliança feita pelo selos Funeral Rites, Headcrusher e o mexicano Dark Recollections. Este material começa com “Damnation Prayer” uma intro muito fúnebre e direta em seu recado… afinal deus está morto… logo em seguida vem a faixa que dá nome ao EP “Where Everyone is Equal” que já começa sem nenhuma piedade, uma brutalidade muito bem executada com riffs impregnantes que vão desde partes rápidas com Blastbeats às partes mais cadenciadas. Os vocais são malvados e exprimem muito bem a mensagem da banda. Em “Macabre Mortuary” é definitivamente a música que se destaca neste poderoso material, ouvindo essa profanação temos uma viagem aos primórdios do estilo só que uma roupagem atual e muito autentica, com certeza essa banda vai dar muito o que falar dentro e fora de nosso país. Death Metal poderoso, direto e blasfemo para o verdadeiros amantes do estilo, sem dúvida a nova promessa da música extrema nacional. A faixa Buried Alive é muito caótica com suas alavancadas destruidoras e que é logo seguido por uma brutalidade sangrenta… “God’s Funeral” é um hino de guerra indubitavelmente, com seu clima totalmente profano nos mostra uma composição muito coesa. E uma música para ostentar o nome da banda não pode ser diferente, recomendadissimo!!! Nossas congratulações para estas impuras almas que formam esta criação infernal pra desgosto do nazareno chamado GOD FUNERAL!!! Que venha logo full-lenght!!! Hail!!!

  • BLACKNING – Eyes in the Mirror [9,0/10]

    BLACKNING – Eyes in the Mirror [9,0/10]

    Este excelente EP chegou em nossas mãos através dos amigos Zozi Fernando e Cleber Orsioli, para vocês muito obrigado pelo ótimo material cedido. Esta banda quem tem em sua carreira dois álbuns fantásticos, numa trajetória que vem desde 2013 fazendo Thrash Metal de altíssima qualidade. Neste EP não é diferente, o Thrash Metal apresentado aqui é soberbo, a execução de seus membros neste trabalho é impressionante, então se você é fã das melhores bandas do estilo, prepare-se, pois com certeza será tomado de assalto por esta banda. A artilharia aqui é pesada, estou avisando… O som desta banda é pura violência. Ouvindo este trabalho podemos dizer que o Brasil está bem representado no estilo, pois é uma banda muito autêntica e muito competente e apesar deste EP trazer apenas 3 músicas, dá pra ter uma ideia do que virá no terceiro álbum da banda. Ao apertar o play, o EP começa com uma porrada, “Crowd Control”, com seus riffs rápidos e muito energéticos se encaixam perfeitamente com uma linha bateria impressionante, uma máquina… Traduzindo… Thrash Metal sem frescura e direto ao ponto. Notamos também certas influências do metal tradicional como a fase mais foda do Judas Priest em seu álbum Painkiller. A música que vem em seguida nos mostra uma banda afinadíssima, possui muita técnica e riffs que é inevitável não balançarmos nossas cabeças, o vocal é muito forte e incisivo como o estilo exige e a última música deste EP é uma homenagem ao lendário Motorhead, um cover destruidor de “Mean Machine”… se o Lemmy estivesse vivo com certeza viria ao Brasil para parabenizar essa banda pessoalmente. Ouça em volume altíssimo e prepare-se para ouvir umas das melhores bandas de Thrash Metal do país.

  • LENDAS OCULTAS – Orgen Eugnas [8,0/10]

    LENDAS OCULTAS – Orgen Eugnas [8,0/10]

    Esses heréticos são oriundos de Brasilia e estão na ativa desde 1999 e nos trás um trabalho muito digno, um Black Metal muito frio e cheio de climas verdadeiramente satânicos. Este opus é altamente indicado para os verdadeiros amantes do estilo, pois suas músicas são cruas e muito diretas, se você que está lendo gosta de bandas sem firulas, esse CD tem que estar em sua coleção definitivamente. Quando esse material chegou em nossas mãos, vimos uma excelente concepção gráfica que traduz perfeitamente seu conteúdo sonoro, o mesmo ficou à cargo do artista gráfico Z’Artan que também lidera a Anaites Records, ou seja um artista com múltiplos talentos. Esta obra contém 7 hinos de total profanação e amor ao oculto, esse trabalho realmente foi feito com muita dedicação e seriedade. A “Intro – Sangue de Moloch” nos chama atenção para o que virá a seguir, com climas mórbidos e vociferações caóticas… nos deparamos com sua música realmente caótica, pois “Reino de Sombras” já se inicia numa tormenta infernal, um verdadeiro assalto de maldade com suas guitarras cortantes como adagas afiadas e uma bateria muito direta com blastbeats desgraçados que se encaixam perfeitamente com as blasfemações vomitadas em sangue pelo vocalista Lord Dantalion. A música “Não Existe Idolatria Cristã” começa com uma guitarra muito bem executada e logo vem outra tormenta com partes rápidas e partes cadenciadas muito cativantes. Estas negras almas são verdadeiras hostes infernais e trás nessa música uma verdadeira declaração de guerra ao cristianismo, digo isso não só pela música, mas pelo seu conteúdo lírico: “Satanismo, força e honra das cinzas do caos e da desordem… Sempre lutaremos com armas em punho para o combate… Com o sangue dos inimigos derramado no caminho… Espadas empunhadas em frente a batalha…”. Então se você não é um seguidor convicto das artes negras, esse material não é para você. A faixa “Rituais Demoníacos” é definitivamente o ápice deste negro material, essa música nos fez gostar ainda mais deste CD. O baixista que também é guitarrista, Bellicus, nos mostra muita segurança e conhecimento no que faz, realmente uma música para ser apreciada. Não vamos dizer aqui que essa Horda parece com outras bandas ou fazer uma comparação, pois a música do Lenda Ocultas tem identidade própria e notamos isso no decorrer de todo material. Para finalizar a banda nos brinda com um cover do Behexem “Mouth Of Leviathan”… preciso falar mais alguma coisa?!