JAYLER E DIRTY HONEY – SÃO PAULO (SP)

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Por Guilherme Goes

Fotos: Belmilson dos Santos

 

Neste sábado, 4 de abril, o Allianz Parque será palco da aguardada nona edição do festival Monsters of Rock. Reconhecido como um dos maiores eventos dedicados ao gênero no Brasil, o festival promete matar a saudade dos rockeiros paulistanos, que aguardam ansiosamente por mais uma oportunidade de celebrar juntos a paixão pelo som pesado. Nesta edição, o line-up equilibra nomes consagrados e novidades da cena, reunindo desde lendas como Guns N’Roses, Extreme e Lynyrd Skynyrd até destaques mais recentes, como Halestorm.

 

Além disso, como já é tradição, a produtora Mercury promove shows secundários de forma paralela ao espetáculo principal na cidade. Desta vez, os escolhidos para comandar o pré-festival foram os britânicos do Jayler, uma das revelações do rock atual, e os californianos do Dirty Honey. A apresentação aconteceu na Audio, casa localizada na região da Barra Funda, em São Paulo.

 
Convidado para o Monsters of Rock, Eddie Trunk, lendário apresentador e radialista norte-americano, foi o mestre de cerimônias também na noite que reuniu Jayler e Dirty Honey | Foto: Bel Santos (Roadie Crew)

 

A marca Eisenbahn, uma das patrocinadoras do festival, promoveu uma ação de marketing no local, distribuindo vouchers que permitiam ao público experimentar a cerveja. Além disso, uma réplica gigante do mascote desta edição do Monsters of Rock estava exposta no hall de entrada do clube, tornando-se o principal ponto para fotos entre os fãs. O público também pôde conferir anúncios das próximas atrações da Mercury para 2026, como Megadeth em sua turnê de despedida, além de shows de Helloween e Opeth.

 

No início da noite, a adesão do público ainda era tímida, com poucos fãs na pista. Por conta disso, o show do Jayler teve início com cerca de 30 minutos de atraso, aguardando a chegada de mais pessoas. Assim, por volta das 21h, já com a casa mais preenchida, James Bartholomew (vocal), Tyler Arrowsmith (guitarra), Ricky Hodgkiss (baixo) e Ed Evans (bateria) subiram ao palco com um visual fortemente influenciado pelo Led Zeppelin e abriram a apresentação com Down Below. A faixa tem um riff enérgico, acompanhado de vocais que remetem diretamente a Robert Plant. Ainda na primeira música, James também demonstrou habilidade na gaita, além de uma presença de palco explosiva, se movimentando intensamente e interagindo com o público na beira do palco , conquistando a plateia logo de início.

   

Na sequência, The Getaway manteve o alto nível, destacando um riff pegajoso, linhas de baixo precisas e um solo marcante de Tyler. O guitarrista seguiu em evidência em No Woman, que começa com um solo e evolui para um riff poderoso. Nessa faixa, o vocalista também assumiu a guitarra pela primeira vez na noite, evidenciando sua versatilidade como músico.

   

A influência de Led Zeppelin é evidente em todos os aspectos do Jayler – da sonoridade ao figurino, passando pela postura de palco. Embora isso já seja perceptível desde o início, nada escancarou tanto essa referência quanto Alectrona, cuja estrutura instrumental remete diretamente a Whole Lotta Love, além de vocais agudos e intensos. Era como assistir a uma versão contemporânea do lendário grupo britânico. Durante a execução da faixa, o telão de LED, que até então exibia apenas o nome da banda, passou a apresentar uma arte com uma divindade feminina, gerando uma atmosfera psicodélica no espaço.

   

Após uma breve interação com o público, a banda apresentou uma música inédita, Riverboat Queen, que mostrou uma leve influência country e novamente destacou o uso da gaita. Já Lovemaker, uma das mais conhecidas do repertório, contou com forte participação do público, que acompanhou o refrão com entusiasmo. Em seguida, Need Your Love, ainda mantendo a temática romântica, desacelerou o ritmo, apostando em uma pegada mais voltada à balada.

 

 

Na reta final, Over the Mountain trouxe uma sonoridade que, curiosamente, remete aos primeiros trabalhos do Black Sabbath. Para encerrar, a escolhida foi The Rinsk, marcada por longas interações de guitarra entre Tyler e James. Neste momento, o vocalista desceu até a plateia e continuou tocando em meio ao público, elevando ainda mais a conexão com os fãs.

 

Sem dúvidas, o Jayler se mostra uma banda poderosa, com uma performance cativante e altamente energética. É particularmente interessante observar como um grupo jovem consegue revisitar, com tanta competência, a estética e a sonoridade do rock dos anos 1970, mantendo-a viva para novas gerações.

 

 

Após uma breve pausa para ajustes técnicos e visuais, Marc LaBelle (vocais), John Notto (guitarra), Justin Smolian (baixo) e Jaydon Bean (bateria) subiram ao palco já incendiando o público, que respondeu com palmas ao som de Gypsy, um rock com fortes influências setentistas. Se o Jayler bebe claramente da fonte do Led Zeppelin, o Dirty Honey deixa evidente sua inspiração em Aerosmith, especialmente na performance de LaBelle, que domina o pedestal do microfone e incorpora maneirismos que remetem diretamente a Steven Tyler.

 

 

Na sequência, California Dreamin’ manteve a energia lá em cima, com um riff divertido e um solo bem trabalhado. Já em Heartbreaker o vocalista fez questão de dedicar a música às “lindas mulheres brasileiras”, embalando a plateia com uma levada mais sensual e um refrão fácil de acompanhar , o que resultou em um coro generalizado ao final. Em contraste, Scars trouxe um peso maior, com um riff arrastado que praticamente transmitia uma vibe doom metal, mas ainda assim sendo uma música acessível. Nesse momento, Jaydon Bean teve espaço para brilhar com um breve solo de bateria.

 

 

Na sequência, The Wire manteve o ritmo acelerado da apresentação, acompanhada por mais interação com o público , incluindo a já clássica brincadeira com os pedidos de “come to Brazil!” das redes sociais. Em Tied Up, o destaque ficou por conta do riff extremamente pegajoso, além da participação do público, que acompanhou com palmas, e da linha de baixo bem marcada. Já Don’t Put out the Fire começou mais cadenciada, evoluindo para uma pegada blues. Em um dos momentos de maior interação da noite, o vocalista levou uma cadeira até o meio da plateia para cantar junto dos fãs.

 

 

Another Last Time trouxe uma sonoridade mais voltada ao blues rock com clima de balada, remetendo ao estilo que bandas como Aerosmith e Bon Jovi exploraram nos anos 1990. Um dos grandes destaques do repertório, a música foi acompanhada em peso pelo público, com direito com alguns ligando as lanternas de seus celulares e iluminando o ambiente. O clima mais intimista, no entanto, durou pouco: a banda rapidamente retomou a intensidade com Won’t Take Me Alive e When I’m Gone, ambas carregadas de energia e com forte pegada rock’n’roll.

 

Após um breve bis, o grupo retornou ao palco com um presente especial para os fãs paulistanos: a execução inédita do single Lights Out. Para encerrar a noite em alta, a escolhida foi Rolling 7s, um dos maiores sucessos da banda, garantindo um final explosivo para a apresentação.

 

 

Mais do que aquecer o público para o festival principal, o evento paralelo do Monsters of Rock evidenciou que o rock segue vivo  –  e muito bem representado por uma nova geração. Jayler e Dirty Honey demonstraram respeito às raízes do gênero, ao mesmo tempo em que incorporam elementos contemporâneos à sua sonoridade. O estilo permanece forte; talvez o que ainda falte seja um maior apoio do público às novas bandas, que muitas vezes acabam ofuscadas pela reverência aos nomes clássicos.

 

Setlist Jayler Down Below The Getaway No Woman Alectrona Riverboat Queen Lovemaker Need Your Love Over the Mountain The Rinsk

 

Setlist Dirty Honey Gypsy California Dreamin’ Heartbreaker Scars Get a Little High Tied Up Don’t Put out the Fire The Wire Another Last Time Won’t Take Me Alive When I’m Gone Lights Out Rolling 7s

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