
Por Fernando Queiroz
Fotos: Gabriel Ramos
Venho batendo nessa tecla há algum tempo: o humor foi a salvação do power metal, gênero até não muito tempo atrás estagnado. O Alestorm é um dos representantes desse movimento de renascimento do estilo e uma das bandas mais populares hoje em dia dentro dele. E em sua terceira passagem pelo Brasil provou sua força! Foi uma longa turnê pela América Latina, e São Paulo foi a última parada. Em cada cidade, esconderam uma palheta em algum lugar aleatório – quem achar, achou, mas dado o tamanho daqui, é provável que nunca seja realmente encontrada por algum fã. Isso mostra bastante como eles levam a carreira, sempre no jeito mais brincalhão possível, e criam uma conexão muito legal com sua base de fãs. Exatamente por isso, em plena quinta feira, lá estavam estes, que felizmente não deixaram o show ‘flopar’, mesmo com tanta concorrência ao longo do mês.
Surpreendentemente, quando chegamos ao local o que vimos foi bastante movimento; não tanto quanto, como esperado, teríamos em um sábado ou até em uma sexta, mas havia um público fiel: pessoas vestidas em trajes temáticos de piratas ou até mesmo um sujeito com uma fantasia de banana (sim, a fruta)! Na sua maior parte, era formado por um público jovem, na faixa dos seus vinte e tantos anos, e ouvi alguns falarem que era seu primeiro show. Bem, diria que é um bom sinal; é ótimo ver uma renovação de pessoas frequentando esses eventos. O que não foi bom, foi o atraso para a entrada, de cerca de meia hora. Será que isso iria se refletir na entrada deles no palco? Por sorte, não.
A primeira coisa que vimos quando entramos na casa era simplesmente um pato amarelo gigante de borracha no palco! Sem brincadeira, aquilo me tirou um riso sincero. Bem, ao menos o ambiente leve estava garantido. Pontualmente, às 21h, luzes se apagam, música de fundo cessa, e finalmente, sem delongas, começa o show.

Abriram a apresentação com Keelhauled, do disco Black Sails at Midnight, segundo da banda, e logo de cara já dava para sacar qual era a deles; vestimentas coloridas, bastante foco na cor verde, saia escocesa e um hilário micro short de praia por parte do guitarrista Máté Bodor; ter dois tecladistas no palco também foi um diferencial interessante – um, na verdade, era o próprio vocalista Christopher Bowes, usando um ‘keytar’, algo bem inusitado e legal de se ver. Bem, era diversão garantida, e o público com certeza percebia isso. A casa não estava cheia, longe disso, mas para uma quinta-feira, era um público bem saudável, e que chegava a mais da metade da pista. E fazia barulho como em uma casa lotada, vale dizer. Seguiram o show com foco variado – não deixaram seu último álbum, The Thunderfist Chronicle, de fora, claro, incluindo quatro músicas dele: Killed to Death by Piracy, Banana, Frozen Piss 2 e The Storm. Os nomes das canções, aliás, são um espetáculo à parte!

Com quase duas horas de show, vinte e uma músicas tocadas, dá para dizer que, ao menos nesse sentido, ninguém poderia ficar triste! Havia rodinhas de “bate cabeça”, que mais eram pessoas rodando e se abraçando, algo bem leve; também gente dançando como piratas. Saíram do palco depois de Shit Boat (No Fans), e logo voltaram para um longo bis, com quatro músicas: Drink, Wooden Leg, Fucked With an Anchor e a saideira Rumpelkombo. Pouco tempo depois de terminar, vale dizer, todos da banda desceram para atender os fãs que ficaram esperando, mesmo cansados e esgotados em final de turnê.

A performance da banda foi o que se esperava, com músicas muito bem tocadas e uma interação também com ótimo humor. O som, porém, era um problema: tudo extremamente baixo – e em vários momentos a voz de Bowes quase não podia ser ouvida –, além de diversas falhas em alguns instrumentos ao longo da apresentação. Infelizmente, é algo recorrente na VIP Station, que definitivamente não é um bom local para fazer esse tipo de show, tanto por estrutura, quanto pela própria localização problemática; esses problemas de som realmente prejudicaram bastante a apresentação, não dá para negar. Mesmo assim, musicalmente foi uma ótima experiência, e a produção de palco, extremamente cômica, deixou um clima leve. Admito, não é um show para todos – é tudo muito exagerado, apostando no humor sempre, então tem que ir já pensando nisso, em uma grande brincadeira. Na verdade, não seria errado dizer que é um show que funcionaria muito bem em festivais, para quebrar o ambiente denso; quem já os viu nos festivais europeus de verão confirma isso. No fim das contas, uma boa noite, um bom show, que foi muito prejudicado pela qualidade bem abaixo de som, mas que valeu a pena.

Setlist
Keelhauled
Killed to Death by Piracy
The Sunk’n Norwegian
Uzbekistan
Mexico
Under Blackened Banners
Banana
Zombies Ate My Pirate Ship
Hangover
Frozen Piss 2
Magnetic North
Nancy the Tavern Wench
Alestorm
1741 (The Battle of Cartagena)
The Storm
P.A.R.T.Y.
Shit Boat (No Fans)
Drink
Wooden Leg!
Fucked With an Anchor
Rumpelkombo


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