Por Marcelo Gomes
Fotos: Rafael Andrade
No dia 28 de setembro, São Paulo recebeu no Terra SP a última apresentação da turnê The Unholy Trinity Tour – Latin America 2025, que percorreu quatro cidades brasileiras. O evento reuniu o Nidhogg, Deicide e Behemoth, três grandes nomes do metal extremo mundial em uma noite marcada pela intensidade sonora. O público presenciou desde a teatralidade obscura e ritualística até a brutalidade crua e direta, resultando em um espetáculo de alto impacto visual e musical que marcou a noite dos fãs sedentos por música extrema.

Com o público ainda chegando, a responsabilidade de abrir a noite coube ao Nidhogg, que apresentou uma performance visceral e repleta de simbolismos, marcada por uma conexão direta com o público brasileiro. Formada por Nidhogg (vocal), Dariusz Daron Kupis (guitarra), Jacek Kieller (guitarra), Jakub Boruta Śliwowski (baixo) e Paweł “Pavulon” Jaroszewicz (bateria), a banda polonesa entregou uma apresentação sombria e ritualística. Embora poucos conhecessem o som do quinteto, o visual impactante de Nidhogg prendeu a atenção de todos. Pintado de preto, com lentes brancas nos olhos e uma coroa de espinhos na cabeça, o vocalista impressionou não apenas pela estética, mas também pela teatralidade que marcou o repertório profano apresentado.

O setlist, que incluiu faixas como Narcissus, Mental Lycanthropy and the Calling of Shadows e Dracula, na qual Nidhogg simulou beber sangue de uma taça antes de mergulhar em Transilvania, criou um clima apocalíptico e teatral. O vocalista demonstrou gratidão ao público durante Sic Luceat Lux, agradecendo o apoio ao black metal polonês, e entregou uma performance física e intensa em Wilczyca e Horda, chegando a rastejar pelo palco. Após a execução de Jeszcze Zemści Się Ziemia, explicando que o título significa “a Terra terá sua vingança”, o clímax veio quando Nidhogg relatou ter começado a ouvir metal aos 8 anos, destacando que a primeira banda pela qual se apaixonou era brasileira. Nesse contexto, fez duras críticas à guerra entre Rússia e Ucrânia antes de encerrar o show com o clássico do Sepultura, Territory. O vocalista ainda vestiu uma camisa do Brasil durante a execução da música, gesto que conquistou definitivamente a plateia.

O Deicide se apresentou logo após o Nidhogg, trazendo seu death metal direto, cru e impiedoso. Formado atualmente por Glen Benton (vocal e baixo), Jadran “Conan” Gonzalez (guitarra), Taylor Nordberg (guitarra) e Steve Asheim (bateria), o grupo não se deu ao luxo de formalidades: sem cerimônia, subiu ao palco antes do horário previsto para passar o som. Com tudo aparentemente pronto, iniciou a apresentação incendiando a pista com When Satan Rules His World, que abriu espaço para rodas insanas, principalmente na pista comum. O caos foi imediato, com o público respondendo massivamente à brutalidade dos riffs e à força da bateria.

Entretanto, um problema técnico deixou Benton visivelmente irritado, a ponto de abandonar o palco por alguns minutos. Contudo, a falha acabou servindo de combustível. O retorno foi ainda mais brutal, com Carnage in the Temple of the Damned, seguida por Bury the Cross… With Your Christ e Behead the Prophet (No Lord Shall Live), promovendo um verdadeiro pandemônio no espaço. Nesse momento, a pista premium também já contava com rodas, e Benton retribuiu o entusiasmo distribuindo algumas palhetas. Sem alívio, o setlist alternou clássicos icônicos, como Once Upon the Cross e Sacrificial Suicide, com faixas igualmente intensas, como They Are the Children of the Underworld e Scars of the Crucifix, sempre levando o público ao limite. O encerramento, com Dead by Dawn e Homage for Satan, funcionou como golpe final, deixando a plateia exausta e satisfeita, confirmando o Deicide como uma das bandas mais brutais do death metal mundial.

O show do Behemoth representou o ápice de uma jornada extrema de metal, consolidando a banda polonesa como uma das maiores do gênero. Após as apresentações intensas de Nidhogg e Deicide, o Behemoth subiu ao palco com uma presença imponente, misturando elementos de death metal, ocultismo e teatralidade visual que prenderam a atenção do público até o fim. A formação atual, composta por Nergal (vocal e guitarra), Seth (guitarra), Orion (baixo) e Inferno (bateria), abriu a apresentação com The Shadow Elite, mergulhando a plateia em uma atmosfera densa, seguida por Ora Pro Nobis Lucifer e Demigod, que incendiaram os fãs já exaustos, mas dispostos a entregar suas últimas energias da noite.

O show prosseguiu com uma sucessão de sons devastadores. The Shit ov God e Conquer All antecederam a primeira interação de Nergal com os fãs, momento em que agradeceu a presença de todos e destacou que, a cada retorno ao Brasil, o público se mostrava ainda maior. Seguiram-se a avalanche sonora de Blow Your Trumpets Gabriel e Ov Fire and the Void, recebidas calorosamente e com mais rodas na pista. Nergal comandava o público como um sacerdote blasfemo, impondo presença a cada gesto, enquanto Inferno executava sua bateria de forma impiedosa, fazendo tremer as estruturas do Terra SP. O lado mais ritualístico apareceu em Lvciferaeon e na hipnótica Bartzabel, que trouxe um contraste sombrio e arrastado antes da explosão de Wolves ov Siberia e Once Upon a Pale Horse.

Na reta final, o Behemoth parecia não ter piedade e não economizou em seus petardos. Christians to the Lions e Cursed Angel of Doom incendiaram os presentes, preparando o terreno para o fim apoteótico de Chant for Eschaton 2000, com direito a Seth cuspindo “sangue” nos fãs e levando o público à loucura. Para o bis, O Father O Satan O Sun! foi mais do que uma música: foi um hino para o encerramento solene e avassalador que coroou a noite. Se o Deicide trouxe a brutalidade crua e o Nidhogg a teatralidade obscura, o Behemoth fechou o ciclo com um espetáculo completo – feroz, calculado e imersivo –, reafirmando-se como um dos nomes mais imponentes da cena extrema mundial.

O evento demonstrou a força do metal extremo ao reunir três bandas que promoveram uma verdadeira devastação sonora. O Nidhogg surpreendeu pelo impacto visual e pela conexão com o público; o Deicide reafirmou sua brutalidade direta e implacável; e o Behemoth encerrou a noite com um espetáculo completo, unindo música, performance e estética. A diversidade de estilos e a intensidade das apresentações consolidaram a turnê como um marco para os fãs brasileiros do gênero, reafirmando São Paulo como um dos principais palcos para o metal extremo na América Latina.

Nidhogg setlist:
Narcissus
Mental Lycanthropy and the Calling of Shadows
Dracula
Transilvania
Sic Luceat Lux
Wilczyca
Horda
Jeszcze Zemści Się Ziemia
Wyrocznia
Territory
Deicide setlist:
When Satan Rules His World
Carnage in the Temple of the Damned
Bury the Cross… With Your Christ
Behead the Prophet (No Lord Shall Live)
Once Upon the Cross
From Unknown Heights You Shall Fall
Sacrificial Suicide
Satan Spawn, the Caco-Daemon
Sever the Tongue
In Hell I Burn
They Are the Children of the Underworld
Scars of the Crucifix
Dead by Dawn
Homage for Satan

Behemoth setlist
The Shadow Elite
Ora Pro Nobis Lucifer
Demigod
The Shit ov God
Conquer All
Blow Your Trumpets Gabriel
Ov Fire and the Void
Lvciferaeon
Bartzabel
Wolves ov Siberia
Once Upon a Pale Horse
Christians to the Lions
Cursed Angel of Doom
Chant for Eschaton 2000
O Father O Satan O Sun!

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