O Megadeth lançou, nesta sexta-feira (03), seu novo single Tipping Point, primeiro de seu próximo e último álbum de estúdio, simplesmente intitulado Megadeth. O disco será lançado no dia 23 de janeiro de 2026 pelo selo Tradecraft em parceria com a BLKIIBLK, da Frontiers Label Group. A produção novamente foi dividida entre Dave Mustaine e Chris Rakestraw, produtor que também esteve nos dois discos anteriores do grupo, Dystopia (2016) e The Sick, The Dying… And The Dead! (2022).
Tipping Point, música de autoria de Dave Mustaine, Teemu Mäntysaari e John Clement, chega acompanhada de videoclipe (veja abaixo). No vídeo desolado, mas esperançoso, produzido por Rafael Pensado e dirigido por ele e por Leo Liberti, da Leo Liberti Films, Mustaine está trancado em uma prisão sendo torturado de maneira extrema, enquanto a banda se apresenta na mesma prisão. Ao final, o frontman persevera no mal e vai embora para um novo dia.
“Todos nós temos diferentes ‘pontos de inflexão’ (tipping point) e eles podem variar de dia para dia”, diz Mustaine. “Acho que estamos todos sendo levados ao limite agora, e é fácil se apoiar nesse sentimento. Mas é importante não deixar as coisas te derrubarem.”
Com exclusividade à ROADIE CREW, Leo Liberti, um dos diretores do vídeo, falou das filmagens: “O clipe foi gravado em uma prisão abandonada de Nashville (EUA). Lá havia as prisões de quem ia para a cadeira elétrica, lugares sem luz, ambientes densos”.
Sobre o conceito do videoclipe, Liberti explica: “Além dessas prisões, a pior prisão mesmo é a que a gente cria. Então, esse clipe quis mostrar os demônios que a gente tem. Eles têm as diversas formas na cabeça; criamos demônios, cada um do seu jeito. Se você parar para analisar, a cadeira elétrica (no vídeo) não tem nenhuma amarra. A gente se sente perseguido por várias coisas, mas, no final, essas coisas não existem. No fim, o portão da prisão está aberto, ele nunca foi fechado; a gente é que vai criando portões e ficando aprisionado em nosso pensamento, em nossa imaginação. O clipe fala exatamente isso”.
Ainda sobre o contexto do vídeo, ele disse: “O legal é que você pode ver o Dave dentro da prisão e o vê tocando fora dela, uma coisa muito louca, e ele cantando também em um reflexo de espelho quebrado. Então, o que foi gravado não foi ele, foi a gente que gravou o reflexo dele, o que prova mais ainda essas coisas mentais, que não são reais”.
Pegando o gancho, Leo Liberti entrou na questão dos efeitos especiais: “Falando sobre a relação dos efeitos especiais e a questão hoje em dia da I.A. (inteligência artificial), ela nunca vai substituir a criação, nunca vai substituir a parte humana. Hoje em dia é muito difícil o limiar de a gente entender o que é VFX e o que é I.A., até porque todos os softwares, os motores dos softwares hoje em dia, são feitos por I.A.; hoje não tem mais como fugir disso. Mas, na verdade, a I.A. já é uma coisa antiga. Por exemplo: se você assistir algo na Netflix, todo motor de dar play, tudo é I.A. Há décadas a I.A. existe; agora que ela ficou um pouco mais famosa, porque o pessoal começou a deixá-la para o consumidor final, para gerar imagem e tal. Esse é o lance. Usei muito VFX para mostrar o pensamento da gente, e eu sou um cara que defende muito o lance do trabalho artístico e o uso da I.A. em algum momento como ferramenta do VFX, e não criar um prompt. Até porque a I.A. ainda não está foda, como prompt, para você conseguir fazer uma coisa dessas; você precisa usar o VFX. Mas, às vezes, usar a I.A. para, por exemplo, limpar um cenário, ajudar a fazer um track, criar algo assim, mas sempre como ferramenta”.
Confira o videoclipe de Tipping Point:
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Em agosto, Dave Mustaine emitiu um comunicado anunciando o álbum de despedida do Megadeth, e a última turnê mundial: “Há tantos músicos que chegaram ao fim da carreira, seja de forma acidental ou intencional. A maioria deles não consegue sair em seus próprios termos, no auge, e é exatamente aí que estou na minha vida agora. Eu viajei o mundo, conquistei milhões e milhões de fãs e a parte mais difícil de tudo isso é me despedir deles.”
Ele acrescentou: “Mal podemos esperar para que vocês ouçam este álbum e nos vejam em turnê. Se houve um momento perfeito para lançarmos um novo disco, é agora. Se houve um momento perfeito para rodarmos o mundo, é agora. Este também é o momento perfeito para dizer que este será nosso último álbum de estúdio. Fizemos muitos amigos ao longo dos anos e espero ver todos vocês em nossa turnê global de despedida.”
Mustaine finalizou dizendo: “Não fiquem bravos, não fiquem tristes, fiquem felizes por todos nós, venham celebrar comigo nos próximos anos. Fizemos juntos algo realmente maravilhoso e que provavelmente nunca mais vai acontecer. Criamos um estilo musical, começamos uma revolução, mudamos o mundo da guitarra e a forma como ela é tocada, e mudamos o mundo. As bandas em que toquei influenciaram o planeta. Eu amo todos vocês por isso. Obrigado por tudo.”
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