Por Marcelo Gomes Fotos: Roberto Sant’AnnaApós uma turnê bem-sucedida que percorreu cinco cidades brasileiras, o Epica finalmente desembarcou em São Paulo para encerrar sua jornada no Terra SP. O show, realizado no último dia 14, chegou para promover seu mais recente trabalho, Aspiral (2025), e ainda contou com a banda italiana Fleshgod Apocalypse abrindo a noite e aquecendo o público para o que viria a seguir. Com um público apaixonado e lotando o local, o evento não apenas celebrou a música pesada, mas também criou momentos de conexão profunda, especialmente com uma dedicatória tocante a um ícone do metal nacional.A noite começou com o Fleshgod Apocalypse, que trouxe em seu lineup Francesco Paoli nos vocais e baixo, Veronica Bordacchini nos vocais, Francesco Ferrini no piano, Fabio Bartoletti na guitarra e Eugene Ryabchikov na bateria. Juntos, criaram um som brutal e orquestrado, misturando elementos clássicos com extrema agressividade. Seu setlist foi uma montanha-russa de emoções. Francesco Ferrini, em seu piano com volume levemente baixo, deu início a Ode to Art (de’ Sepolcri) e logo Veronica, empunhando a bandeira da Itália e com seu canto operístico, tomou conta do ambiente arrancando aplausos com sua belíssima voz.A calmaria durou pouco, dando espaço para o metal extremo e vocais guturais de Paoli em I Can Never Die. A combinação de erudito e extremo que consagrou a banda arrancou muitos aplausos. Minotaur (The Wrath of Poseidon) elevou a intensidade, com riffs pesados e blast beats insanos. Ao final, Eugene saiu de sua bateria e foi incitar o público enquanto Ferrini foi à bateria marcar o início de The Fool. Os italianos têm uma performance incrível, algo teatral que eleva a experiência para o espectador. A pesada Pendulum teve seu destaque com um dueto de arpejos entre guitarra e piano de tirar o fôlego. Mantendo o ritmo, executaram Sugar, mais uma daquelas que deixou o público boquiaberto com a precisão dos músicos.Muito feliz com a recepção paulistana, Paoli foi ao microfone para agradecer e desafiar o público a fazer a melhor dança em Morphine Waltz para então ganhar uma bandeira da banda. Antes mesmo de começar, o baixista achou uma vencedora em meio aos participantes. A beleza sombria de No ganhou participação mais efetiva tanto em seu simples refrão, “no”, quanto em partes mais cadenciadas. Não foi diferente em Bloodclock, que manteve a agressividade. Para acalmar um pouco os ânimos, Veronica agradeceu os fãs em português e mandou um “vocês são foda pra caralho” antes de tocarem a épica Epilogue, iluminada pelos celulares erguidos do público. Momento icônico do show deles tanto pela performance, quanto pela participação do público, que ovacionou a banda em meio a essa catarse.Com o público nas mãos, tocaram a pedrada The Violation, última canção autoral do repertório. O set fechou de forma inusitada com Blue (Da Ba Dee), cover de Eiffel 65 que arrancou risos principalmente quando o baterista foi ao piano e tocou as primeiras notas. O público, inicialmente surpreso, se jogou na brincadeira, transformando o final em uma festa inesperada. No geral, o Fleshgod Apocalypse não apenas aqueceu o ambiente, mas também conquistou novos fãs com sua performance precisa e carismática, que deixou todos ansiosos pelo headliner.Então, veio o momento mais aguardado: o Epica assumiu o palco e transformou o Terra SP em um templo de metal sinfônico. Formado por Simone Simons (vocais), Mark Jansen (guitarras e vocais guturais), Coen Janssen (teclado), Isaac Delahaye (guitarra), Rob van der Loo (baixo) e Ariën van Weesenbeek (bateria), os holandeses fizeram uma seleção impecável de clássicos e faixas recentes, começando com Cross the Divide, que explodiu como uma bomba, com o público indo à loucura e cantando os primeiros versos junto com Simone. O visual do palco estava fantástico, com as projeções nos painéis de led proporcionando uma imersão completa ao espetáculo.A noite prometia, e seguiram com a empolgante Unleashed. Depois, em Sensorium os riffs pesados e vocais guturais de Mark Jansen fizeram o público pular sem parar. Era como se não houvesse amanhã. Foram ovacionados com a casa toda gritando o nome da banda. Do trabalho mais recente, Aspiral, tocaram Apparition, que manteve o clima intenso, mas foi em The Last Crusade que a emoção tomou conta de todos. Mark falou que era um dia muito especial porque era aniversário do grande Andre Matos e recordou a importância do músico brasileiro e destacou que Matos havia colaborado com a banda em estúdio. Dedicada ao saudoso vocalista e maestro, a música se transformou em um tributo poderoso, provando que seu talento atravessou fronteiras.Deixando a emoção de lado, o setlist continuou com The Obsessive Devotion e Fight to Survive, faixas que destacaram a versatilidade do Epica, misturando orquestrações grandiosas com partes agressivas, e, claro, com o público participando ativamente. Durante a execução de Arcana, os fãs prepararam uma surpresa: soltaram balões vermelhos em formato de coração, surpreendendo a banda. Um dos pontos altos da noite foi Aspiral, sem a menor dúvida, que trouxe uma sofisticação sinfônica e permitiu a Simone Simons expressar de forma belíssima a dramaticidade de sua voz encantadora. Fecharam o set principal com Design Your Universe, uma epopeia com vários momentos emocionantes que traz em sua letra motivação para seguir o próprio caminho e manter a esperança.O bis trouxe os três pilares do Epica em sua forma mais grandiosa: a emocionante Cry for the Moon, cantada do começo ao fim pelo público; Beyond the Matrix, que tirou todo mundo do chão e fez a casa tremer; e a clássica Consign to Oblivion, que encerrou a noite de forma apoteótica, com peso, emoção e uma grande roda na pista. A reação do público foi simplesmente arrebatadora: dos cantos aos headbangers, passando pelos momentos de contemplação, todos saíram de alma lavada, sentindo que testemunharam algo mágico.Encerrando a turnê brasileira, o Epica deixou São Paulo com uma marca indescritível, provando que é uma das maiores bandas de metal sinfônico do mundo. Com performance impecável, uma conexão profunda com o público e aquele equilíbrio perfeito entre peso e melodia, Fleshgod Apocalypse e Epica criaram uma noite que vai ecoar na memória dos fãs por anos. A combinação das duas bandas foi tão boa que o sentimento que ficou foi um só: Epica e Fleshgod, voltem logo ao Brasil!Setlist Fleshgod ApocalypseOde to Art (de’ Sepolcri) I Can Never Die Minotaur (The Wrath of Poseidon) The FoolPendulum Sugar Morphine Waltz No Bloodclock Epilogue The Violation Blue (Da Ba Dee) (Eiffel 65 cover)Setlist EpicaCross the Divide
Unleashed
Sensorium
Apparition
The Last Crusade
The Obsessive Devotion
Fight to Survive
Arcana
Unchain Utopia
Aspiral
Design Your Universe
Cry for the Moon
Beyond the MatrixConsign to Oblivion
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