TESTAMENT – SÃO PAULO (SP)

Por Leandro Nogueira Coppi Fotos: Belmílson Santos Neste mês de agosto, o Brasil foi o destino final da turnê atual do Testament. Com produção da Liberation, o gigante norte-americano do thrash metal retornou ao país quase um ano e meio depois da última visita, marcada principalmente pela apresentação no Summer Breeze — festival que em 2025 passou a se chamar Bangers Open Air. O encerramento aconteceu na noite do último domingo (24) em São Paulo, com um Carioca Club lotado, reforçando o prestígio que a banda mantém junto ao público brasileiro. Ao lado do Death, o Testament figura entre os grupos mais respeitados da música pesada, seja pela discografia impecável, livre de tropeços como St. Anger, Risk ou Illud Divinum Insanus, seja pela integridade moral, nunca cedendo às pressões de modismos ou exigências da indústria fonográfica. Após um período prolongado de temperaturas baixas, a capital voltou a registrar calor. Mesmo com o “veranico” em declínio, o fim de semana permaneceu quente — sensação que se intensificou dentro do Carioca Club, tomado por fãs de várias gerações que aguardavam a volta de Chuck Billy (vocal), Alex Skolnick (guitarra), Eric Peterson (guitarra), Steve DiGiorgio (baixo) e Chris Dovas (bateria) ao país. Tanto do lado de fora quanto dentro da casa, fãs especulavam sobre a possibilidade de um show especial, com repertório diferente das apresentações anteriores no Rio de Janeiro, Brasília, Belo Horizonte, Curitiba e Limeira, já que São Paulo marcava o fim da turnê — antes do retorno da banda à estrada no fim de setembro e da “Thrash of the Titans Tour”, que a partir de outubro unirá Testament, Obituary, Destruction e Nervosa. A ansiedade aumentou ainda mais após o anúncio, feito antes dos dois últimos shows no Brasil, do novo álbum Para Bellum, previsto para 10 de outubro via Nuclear Blast. No mesmo dia, a banda lançou o single Infanticide A.I. e muitos esperavam testemunhar sua estreia ao vivo nesses dois shows. Mas, antes de descobrirmos de fato o que o Testament havia preparado para o último show no Brasil, a incumbência de abrir a noite ficou com uma verdadeira instituição da música extrema nacional: o Genocídio. Formado em São Paulo em algum momento de 1986, o grupo é referência tanto para os fãs de death metal quanto para os apreciadores de sua fase doom/gothic metal, sendo reconhecido como parte fundamental da cena pesada brasileira. Ao literal abrir das cortinas, pontualmente às 19h, Murillo Leite (vocal e guitarra), Wanderley Perna (baixo), Wellington Simões (guitarra) e o novo baterista, Herbert Loureiro, começaram tocando a furiosa faixa-título do novo álbum do “Genô”, Fort Conviction, lançado em abril de 2024. Sem perder tempo, e agitando bastante — especialmente Perna e Simões —, deram sequência com outra música nova: a igualmente agressiva Aside. Foi um início estrondoso, embora com qualidade de som irregular, soando abafada. Felizmente, a partir da música seguinte tudo se ajustou. Na primeira pausa, Murillo comentou: “Não está escrito aqui” — referindo-se à ausência de um backdrop ou de qualquer elemento visual com o nome da banda, esquecendo-se do logo no bumbo da bateria de Herbert —, “mas nós somos o Genocídio. Estamos aqui desde 1986. Esperamos que vocês estejam curtindo e vão curtir com a gente os próximos minutos”. Em seguida, do presente para o passado o quarteto conduziu a plateia — ainda tímida, que chegou a ensaiar um coro com o nome da banda —  a uma viagem de 35 anos, revisitando o álbum de estreia, Depression, com a curta e cavernosa Synthetic Screams, de pegada grindcore. Uma nova reação do público foi imediata: “Genocídio / Genocídio…” ecoava agora em alto e bom som, fazendo jus à história e ao legado da banda. A sequência trouxe a indispensável Pilgrim, música que abre Posthumous (1996), disco em que o Genocídio explorou novos caminhos, mesclando suas raízes no death metal com elementos do gothic e do doom metal. Uma das músicas mais impactantes do set foi The Sole Kingdom of My Own, do novo álbum. Era de arrepiar ouvir o instrumental inicial em notas dramáticas, enquanto Murillo, como num canto gregoriano maquiavélico, deixava o gutural de lado para brilhar com um barítono gótico que lembrava cantores como Andrew Eldritch (The Sisters of Mercy), Aaron Stainthorpe (My Dying Bride), Tilo Wolff (Lacrimosa) e Peter Steele (Type O Negative). Fica aqui um pedido: que o Genocídio mantenha sempre essa música no repertório! De volta à porradaria, as duas seguintes foram verdadeiros cruzados no queixo: Kill Brazil, de In Love with Hatred (2013), e Rebellion, do álbum de mesmo nome, lançado em 2002.  Rumo à parte final do show, outro ponto alto foi quando o Genocídio apresentou sua ousada versão de aura gótica para a belíssima Never Tear Us Apart, clássico dos anos 1980 dos australianos do INXS, recebida com entusiasmo pelos headbangers presentes. Contrastando com esse breve momento romântico (por que não?), a porradaria sonora voltou a rolar solta com as duas músicais finais. A primeira delas, Uproar, me remeteu de imediato a uma memorável época do metal nacional, quando conheci o Genocídio através do clipe dessa faixa presente no segundo álbum da banda, Hoctaedrom (1993) — marcado na história por ter sido antecipado por um EP lançado em 1991, o primeiro trabalho de uma banda brasileira a ganhar versão em picture disc (fruto da parceria entre a Hellion do Brasil e a Hellion da Alemanha). The Clan, faixa-titulo do sexto álbum de estúdio do Genocídio, lançado em 2010, encerrou a apresentação. Em apenas meia hora, o grupo mostrou vitalidade para seguir dedicando ainda bons anos de metal pesado aos fãs – e, quem sabe, também com novos lançamentos.

Em conversa exclusiva com a Roadie Crew, Murillo Leite comemorou à recepção do público: Foi uma noite muito especial para o Genocídio. O Carioca Club estava abarrotado e o público respondeu ao nosso set com muito entusiasmo. Estávamos há quase três anos sem tocar em São Paulo e esse hiato acabou criando uma sinergia incrível”.

Ele também comentou a resposta para o cover do INXS e compartilhou o gesto simpático que a banda recebeu do vocalista Chuck Billy: “O cover do INXS surpreendeu a muitos presentes e vimos diversos vídeos das pessoas curtindo essa “novidade”. Mas, para nós, a maior novidade e um motivo de enorme orgulho foi ter o camarim visitado pelo Chuck Billy, que veio nos parabenizar pela performance. Certamente, isso jamais sairá das nossas mentes. Histórico!”.

A meia hora seguinte foi reservada à preparação do palco para os anfitriões, enquanto a plateia tapeava a ansiedade no trivial: confraternizar com os amigos, circular pelos estandes de merchandise, tomar uma gelada ou simplesmente aproveitar para fazer um pit stop no banheiro. Nesse meio-tempo, o público seguia aumentando, e o calor ambiente tanto ajudava a queimar umas calorias quanto derrubava a pressão de alguns — como para este que vos escreve. Antes da entrada dos “Globetrotters” do thrash metal, o técnico de som brasileiro foi ao microfone e pediu que todos agitassem bastante durante o show do Testament. De quebra, soltou um spoiler: a banda incluiria no setlist uma música exclusiva para São Paulo. Aqueles que, como comentei no início desta reportagem, estavam sedentos por novidades — e quem ali não estava? — ficaram ainda mais empolgados. Será que teríamos a inclusão da nova Infanticide A.I.? Pensei. De repente, veio o prenúncio de que o show estava prestes a começar: no som mecânico começou a tocar a irreverente Fight For Your Right (To Party), do Beastie Boys, usada como aquecimento na turnê. Assim que terminou, pontualmente às 20h a plateia explodiu em euforia quando ecoou a introdução de Practice What You Preach, terceiro álbum do Testament. Naquele instante, não pude deixar de recordar o início da relação da banda com o Brasil. A história remonta a 1989, graças a Walcir Chalas — então proprietário da loja Woodstock Discos, também dono do selo Woodstock (responsável pelo lançamento de álbuns clássicos do heavy metal mundial no Brasil) e apresentador do programa Comando Metal, na rádio 89FM — e o holandês Eric de Haas (que, aliás, estava presente no show do último domingo). Na época, faltava um mês para o lançamento de Practice What You Preach (por sinal, meu favorito até hoje!), mas o Testament antecipou a chegada do disco tocando três músicas no extinto Projeto SP, em São Paulo: a própria faixa-título, Sins of Omission Greenhouse Effect. Naquela noite, as lendárias bandas Overdose e MX, responsáveis pela abertura, não tiveram uma recepção tão positiva dos anfitriões nos bastidores quanto o Genocídio teve dessa vez. Pelo menos não por parte do baterista original, Louie Clemente, que, durante a passagem de som, provocou uma confusão e quase chegou às vias de fato com o batera e vocalista do MX, Alexandre da Cunha — mas isso é papo para outra ocasião. Foi nesse clima de memória e expectativa que Chuck Billy, Eric Peterson e Alex Skolnick — o trio remanescente da formação de Practice… —, mais Steve DiGiorgio e Chris Dovas surgiram no palco, visivelmente contagiados pela recepção calorosa dos fãs. Esbanjando simpatia e agitando bastante, abriram a apresentação justamente com Practice What You Preach e, logo em seguida, emendaram a vibrante Sins of Omission — minha favorita de toda a discografia, executada por DiGiorgio com palheta (algo que não é muito comum nele). A resposta veio imediata: o público uniu-se em coro, entoando “Tes-ta-ment / Tes-ta-ment” em alto e bom som. No embalo, Dovas entrou no jogo marcando no bumbo, enquanto Skolnick se divertia na tentativa de acompanhar com o riff de Shout at the Devil, do Mötley Crüe. Billy aproveitou para comentar que a noite anterior no Rio de Janeiro havia sido uma loucura. Pronto, tirou o pino da granada que acendeu o bairrismo, culminando nas primeiras vaias ao público carioca (claro, era brincadeira dos paulistas – pero no mucho). Percebendo a provocação, Billy riu e convocou todos a detonarem na próxima música: Perilous Nation. Antes, ele fez sinal para DiGiorgio assumir a dianteira. O “viking hippie”, com sua calça boca de sino e empunhando um belo baixo fretless (sem trastes ou marcações), avançou até a beira do palco, bateu nas cordas inflamando ainda mais o público e, sob os olhares de Peterson, deu início ao ótimo riff criado originalmente por Greg Christian, baixista da formação clássica. Depois de detonar a trinca inicial, parecia que — assim como nos outros shows pelo Brasil, Chile e Argentina — estava concluída a homenagem ao álbum Practice What You Preach. Mas Billy tratou de surpreender a todos ao dizer: “Como vocês estão? Certo, esse foi um trechinho do disco Practice What You Preach. Então essa noite pensamos em algo extra especial para vocês, ok? Tudo bem, vamos tentar essa agora”. Em seguida, anunciou The Ballad, pegando o público de surpresa. Petersou iniciou o dedilhado da música, uma das famosas baladas thrashers que se tornaram marca registrada do Testament. Logo depois, Skolnick se juntou a ele, também dedilhando, até emendar no belo solo ‘clean’ que antecede a entrada dos demais instrumentos — com destaque para a cativante linha de baixo criada por Greg Christian e revivida com maestria por DiGiorgio —,  e a bela melodia vocal de Chuck Billy que, na minha visão, sempre foi e ainda é o melhor vocalista de thrash metal de todos os tempos. É assombroso o que ele, no alto de seus 63 anos, continua cantando! Ah, Billy também é o melhor ‘air guitarist’ das redondezas — pena que ele não esteja usando mais seu microfone de meio pedestal, com o qual se divertia nos shows emulando com precisão imaginária os riffs e solos de Alex e Eric.

Aliás, o Testament em si é um supergrupo, no qual cada um dos cinco integrantes tem brilho próprio e é até difícil decidir para qual olhar durante o show. O ideal é assistir de um ponto mais central, de onde se possa ter uma visão panorâmica e uma imersão na performance completa, já que em qualquer lateral há sempre a sensação de estar perdendo algo. Antes de dar sequência, Chuck Billy alertou o técnico de iluminação, dizendo que as luzes brancas atrapalhavam lá de cima do palco. Após pedir para desligá-las, ele anunciou: “Vamos tocar outra musica, uma do Brotherhood of the Snake agora. Chama-se The Pale King. Mesmo durante a execução, o grandalhão voltou a pedir que as luzes claras fossem desligadas.

No encerramento de The Pale King, um momento curioso: Alex Skolnick soltou sua guitarra no ar e a segurou rapidamente, exibindo sua ESP LTD AS-1FR Lime Burst, modelo signature. E já que o assunto agora é Skolnick, 2025 marca 20 anos desde seu retorno ao Testament, após 13 anos afastado  — período em que teve uma breve passagem pelo Savatage e se aventurou no jazz. Mais recentemente, ele até se arriscou como rapper sob o alter ego Skoly-D, disparando versos ácidos contra Donald Trump, a mídia conservadora e a desinformação política nos EUA. Na guitarra, é de brilhar os olhos e ouvidos o que esse cara de eterna alvi mexa continua tocando, extraindo timbres muito bonitos de suas guitarras. Além disso, hoje sua presença de palco está muito mais vibrante e desinibida do que nos primeiros anos da banda.

Prosseguindo, Chuck Billy apontou para o microfone de Peterson, o único que esteve com ele em todos os discos do Testament, e lhe perguntou: “Você quer falar? Frases ou declarações?”. Em seguida, apresentou o companheiro: “Deem as boas-vindas ao senhor Eric Peterson!”. Sob aplausos, o guitarrista — fundador e principal compositor da banda —, agradeceu: “Porra, estou muito feliz de estar aqui. Último show, porra, obrigado a todos por terem vindo. A próxima música vem de muito, muito tempo atrás. Então eu e o Alex, tipo, (tínhamos) o quê, 16, 19 anos? Sorrindo, Alex respondeu: “Eu estava no ensino médio!”. Peterson então retomou: “Pois é, a gente compôs essa música. Depois que a escrevemos, queríamos sair, mas a mãe dele disse: ‘Não, você vai ficar de castigo!’. Acho que ele ficou de castigo e nos trancaram no quarto dele”. Alex completou: “A gente fugiu pela janela; pulamos pela janela; e aí voltamos e escrevemos essa música”. Peterson finalizou a lembrança com bom humor: “Mas a gente se divertiu pra caralho! Fugíamos pela janela dele a maior parte do tempo, fumávamos maconha…” Nesse momento, Chuck riu e simulou o gesto de puxar um baseado, enquanto Peterson anunciava: Mas a música que compusemos se chama The Hauting!” — presente em The Legacy, álbum de estreia do Testament, lançado em 1987. Imagine o nível de talento de dois jovens guitarristas para criar uma música dessa qualidade, com riffs e solos inspirados, e progressões intrincadas e complexas. Depois de The Hauting, as cavalares Rise UpD.N.R. (Do Not Resuscitate) Low mantiveram todos agitando na pista e vibrando nos camarotes.

Originário dos Pomo, povo indígena do norte da Califórnia, Chuck Billy — cujo primo de primeiro grau é Stephen Carpenter, guitarrista do Deftones — iniciou uma sequência especial com músicas escritas com orgulho em homenagem à sua herança nativa. A primeira foi apresentada assim: “A próxima música que tocaremos é dedicada a todo o meu povo, a todos os nativos americanos do mundo, a todos os povos indígenas do mundo, e também a todos que merecem a chance de ter sua voz ouvida. Então, se você tem algo a dizer, não tenha medo de dizer pra caralho! Você precisa usar essa voz para ser ouvido. Vocês são todos minha família. Vocês são todos o nosso sangue. Essa se chama Native Blood!”.

Cada palavra reverberou pelo Carioca Club, criando um clima de união e emoção. Foi de arrepiar, tanto quanto quando Billy anunciou a próxima: “Vamos tocar outra dedicatória aqui. Vamos dedicar esta ao Brent (Hinds), (ex-guitarrista) do Mastodon — que faleceu no último dia 20 de agosto em um acidente de moto. Perdemos um verdadeiro herói, um gênio da guitarra.”
Em seguida, pediu que todos uivassem ao seu comando, e a cada solicitação durante a música. Assim aconteceu em Trail of Tears, faixa do álbum Low, de 1994.

Depois desse momento de emoção, Chuck apresentou Alex Skolnick, que tomou a palavra: “São Paulo, obrigado! (em bom português!) Eu não poderia estar mais feliz. Ontem à noite estivemos no Rio. Foi um dos melhores shows da turnê” — e tome vaia! Rindo, Alex brincou: “Acho que devemos desculpas, mas agora é sua vez. Mas, queremos dizer que não poderíamos estar mais felizes em terminar a turnê aqui em São Paulo. E isso é inteiramente possível graças ao Brasil. Obrigado aos nossos promoters brasileiros, Marcos e Simone (da Liberation). A turnê aconteceu não só no Brasil, (mas) temos muitos amigos no Brasil — músicos e outros amigos. Em nossa próxima turnê, teremos como apoio a Nervosa, aqui mesmo de São Paulo. A primeira vez que tocamos no Brasil foi com uma pequena banda chamada Sepultura (na verdade, como dito anteriormente, foi com MX e Overdose, não com o Sepultura), e eu desejei um feliz aniversário ao Andreas (Kisser) esta noite” — 0 guitarrista estava completando 57 anos. Depois disso, Skolnick mencionou a presença de Fernanda Lira, da Crypta, e anunciou um dos grandes hits do Testament dos anos 90: Electric Crown, música presente no último álbum que ele havia gravado antes de deixar a banda: The Ritual, de 1992. Nessa, que é uma das músicas mais contagiantes do Testament, foi incrível ver o público fazendo coro junto com o solo brilhante de Alex.

Como todos os integrantes estavam animados para interagir com os fãs, Chuck Billy deu a vez a Steve DiGiorgio. Com o mesmo carisma de seus parceiros, ele se dirigiu ao público em português: “E aí, São Paulo? Tudo bem, meu rei, filho da puta?” — provocando uma gargalhada geral. “Vamos… Do caralho!”.

Então, ele caminhou até a beira do palco e, sendo filmado por Peterson com o celular, iniciou a “brincadeira”. Com acompanhamento de Chris Dovas, executou as linhas iniciais de Kelly Conlon para a música Symbolic, do Death, banda da qual fez parte — embora não no álbum Symbolic. A ovação do público permaneceu até que DiGiorgio desse início a Souls of Black, do álbum de mesmo nome, cuja introdução também foi criada por Greg Christian, um dos baixistas mais subestimados do thrash metal.

Em seguida, a banda tocou uma das baladas mais bonitas do heavy metal: a emocionante Return to Serenity. Assim como Electric Crown, do mesmo álbum The Ritual, essa pérola conta com um dos solos mais bonitos do gênero, além de um lindo acompanhamento melódico na guitarra — uma verdadeira obra de arte guitarrística assinada por Mr. Alex Skolnick.

Restava Chris Dovas ter seu momento particular no show. Após ser anunciado por Chuck, ele iniciou um solo de batera que, instantes depois, recebeu a colaboração de DiGiorgio, que surgiu atrás do praticável segurando uma baqueta e batendo-a em alguns pratos enquanto Dovas dominava o restante do kit. Substituir dois gigantes como Gene Hoglan e Dave Lombardo, bateristas que o antecederam, seria uma tarefa hercúlea, porém Dovas vem tirando de letra. Antes desconhecido do grande público, o jovem baterista de apenas 27 anos tem mostrado que o Testament não errou ao abrir mão de deixar a vaga aos cuidados de algum veterano tarimbado do instrumento. Nesta recente turnê pelo Brasil, ele aumentou a ansiedade dos fãs quanto a sua performance de estreia em Para Bellus, álbum que já está gravado, só esperando pelo dia do lançamento.

Após o solo de Dovas, que foi bastante aplaudido, Chuck, Alex, Eric e Steve se juntaram a ele em First Strike is Deadly. Lembra que o técnico de som havia antecipado que a banda havia incluído uma surpresa para São Paulo? Pois bem, Chuck falou a respeito: “Já que é a última noite da turnê, pensei em me arriscar um pouco no set. Oh, oh… Se prepare Alex! Essa é uma daquelas noites insanas, sabem? Estamos nos divertindo muito. Acho que agora São Paulo está acima do Rio!” — a euforia dos paulistanos foi intensa neste momento. “Cheguem junto. Temos algo especial para vocês agora. Essa música se chama Dog Faced Gods!”. Foi a primeira e única vez nesta turnê na América Latina que a banda tocou essa música do álbum Low, primeiro sem Alex Skolnick — talvez por isso Chuck pediu para que ele se preparasse. Já caminhando para o fim da apresentação, veio outro hino do Testament e do thrash metal que quase fez a casa tremer: Over the Wall, de The Legacy. Em seguida, foi a vez de um clássico já dos anos 2000: More than Meets the Eye, de The Formation of Damnation (2008), disco que marcou o retorno da banda com músicas inéditas após quase dez anos desde o lançamento de The Gathering. Ao final dessa, Chuck Billy comoveu o público com suas falas de agradecimento: “Aqui vamos nós, São Paulo! Nos divertimos esta noite. Muito obrigado, esse é o jeito mais bonito de se encerrar uma turnê, aqui em São Paulo, Brasil.” Sob aplausos, ele prosseguiu: “Esperamos voltar o mais rápido possível para o Brasil. Temos um novo álbum vindo por aí chamado Para Bellum, chegando em 10 de outubro. Estejam certos de conferi-lo, pessoal, certo?”. Mas ainda não era hora de se despedir do Brasil: havia mais uma carta na manga. Para encerrar a noite, Billy anunciou outra das queridinhas dos fãs: Into the Pit. No refrão final dessa que foi a única representante do segundo álbum The New Order (1988) — considerado por muitos como o ápice da discografia da banda — Fernanda Lira, da Crypta, invadiu o palco e se juntou aos backing vocals, arrancando aplausos. Em seguida, Chuck Billy apresentou novamente seus companheiros, agradeceu ao público e, em tom de brincadeira, pediu aos paulistas que gritassem “Fuck you, Rio!”. E foi prontamente atendido! A provocação não passou de uma farra, uma gozação descontraída para encerrar a festa. Depois da tracidional foto, da distribuição de palhetas, baquetas e setlists, e de alguns instantes a mais confraternizando com os fãs, o quinteto deixou o palco, encerrando quase duas horas de um show que ficará na memória. Saldo final: o Testament entregou, na minha ótica, o melhor show que já fez em São Paulo — e também com o melhor repertório. E vale destacar: mesmo deixando de fora músicas que costumam ser consideradas indispensáveis, como Disciples of the Watch Trial By Fire, a apresentação foi altamente impactante. Se a banda se atrevesse a dar uma de Guns N’ Roses e estendesse o set para três horas, não haveria dúvida de que o público encararia o calor sem hesitar para celebrar outras joias do thrash metal, como Hail Mary, True American HateBurnt OfferingsThe Preacher3 Days in Darkness e outras mais. O Testament encerrou a turnê reafirmando por que segue sendo um dos nomes mais respeitados do gênero: intensidade, entrega, musicalidade de alto nível e uma conexão honesta e direta com os fãs. Genocídio – setlist: Fort Conviction Aside Synthetic Screams Pilgrim The Sole Kingdom of My Own Kill Brazil Rebellion Never Tear Us Apart (cover do INXS) Uproar The Clan Testament – setlist: Practice What You Preach Sins of Omission Perilous Nation The Ballad The Pale King The Haunting Rise Up D.N.R. (Do Not Resuscitate) Low Native Blood Trail of Tears Electric Crown Souls of Black   Return to Serenity – Solo de bateria  First Strike is Deadly Dog Faced Gods Over the Wall  More than Meets the Eye Into the Pit   Clique aqui para receber notícias da ROADIE CREW no WhatsApp.