O guitarrista Steve Morse, conhecido por seu trabalho no Deep Purple e no Dixie Dregs, comentou abertamente sobre como a artrite tem impactado sua forma de tocar guitarra. Aos 71 anos, o músico segue ativo, mas afirma que a condição física o obrigou a adaptar sua técnica e repensar sua rotina musical.
Em entrevista ao site American Musical Supply, Morse refletiu sobre os desafios que enfrenta atualmente. O guitarrista reconheceu que pode parecer estranho para músicos mais jovens ouvir um veterano falar das dificuldades físicas do instrumento, mas ressaltou que continua tocando porque a música é parte essencial de sua vida.
“Imagino que isso deva ser frustrante para um guitarrista jovem que esteja ouvindo um cara mais velho falar sobre como ficou difícil tocar. Mas não se preocupe, não estou ocupando o lugar de ninguém — estou fazendo a minha própria coisa. A verdade é que é difícil continuar tocando. E a razão pela qual quero continuar é porque isso realmente faz parte de mim, é uma grande parte de quem eu sou.”
O músico revelou em 2024 que o punho da mão direita já não possui cartilagem, consequência de décadas de prática intensa. Segundo ele, a artrite se tornou um obstáculo significativo, levando-o a buscar diferentes tratamentos e a modificar praticamente todos os aspectos de sua técnica.
“A questão da artrite é enorme. Eu tentei todos os tratamentos que encontrei. Na verdade, estou viajando mais de mil milhas para tentar outra coisa. Mudei minha técnica, mudei o padrão de palhetada, mudei tudo o que pude para conseguir lidar com qualquer desafio.”
O guitarrista contou que, em certos momentos, chegou a pensar que sua carreira poderia ter acabado. Porém, recordações de outros músicos que superaram limitações físicas serviram de inspiração.
“Houve um momento em que pensei: ‘cara, acabou para você’. Mas lembro de quando eu era garoto e fui ver uma banda chamada Hydra em Atlanta. O baixista tinha o braço amputado aqui e estava tocando normalmente no show. Aquilo ficou na minha memória. Quando começo a reclamar que algo dói, penso naquele cara tocando com um coto. E também no Jeff Healey, que era cego e criou a própria técnica.”
Para Morse, a capacidade de adaptação é uma característica fundamental dos seres humanos — algo que ele observa inclusive na natureza.
“Os seres humanos se adaptam. Aprendi muito observando coisas na fazenda, vendo formigas ou outros animais. Eles continuam tentando e sempre encontram um caminho. Nunca param. Acho que uma das grandes lições é não desistir enquanto ainda há fôlego.”
Em outra entrevista, concedida ao Music Radar, o guitarrista explicou que precisa mudar constantemente a forma de tocar durante os shows para reduzir a dor.
“Precisei desenvolver novas maneiras de segurar a palheta e de atacar as cordas, porque diferentes ossos da articulação doem mais ou menos dependendo do ângulo. Durante o show, vocês vão me ver mudando de posição o tempo todo.”
Ele também afirmou que manter-se ativo exige uma grande dose de determinação.
“É preciso praticar essas diferentes formas de segurar a palheta, mudar o ângulo, dobrar o braço ou tocar a partir do cotovelo. É muita coisa. Você precisa realmente querer tocar para lidar com o avanço da artrite.”
Pensando no futuro, Morse admite que talvez não consiga manter por muito tempo a rotina intensa de apresentações, mas ainda vê espaço para continuar criando música.
“Não sei o que vai acontecer. Quando acordo, não sei se vou conseguir mexer a mão ou não. Até agora consegui fazer todos os shows. Acho que minha fase de rotina pesada de apresentações está chegando ao fim. Mas ainda vejo um futuro compondo e talvez tocando com ajuda de outros músicos.”
Steve Morse iniciou sua carreira em meados dos anos 1970 com o Dixie Dregs, grupo de jazz-rock que recebeu diversas indicações ao Grammy. Na década seguinte formou a Steve Morse Band, também indicada ao prêmio, e passou pelo Kansas antes de entrar para o Deep Purple em 1994.
Ele deixou o Deep Purple em 2022 para cuidar da esposa, que faleceu em 2024. Ao sair da banda, Morse já era o guitarrista que permaneceu por mais tempo na história do grupo.