Por Fernando Queiroz
Fotos: Daniel Agapito
Metalcore? Death metal? Metal progressivo? Todos esses rótulos podem ser atribuídos ao Rivers of Nihil, mas, ao mesmo tempo, nenhum faria realmente jus. O único adjetivo e rótulo que posso usar é “excelente” – ou, se formos usar uma locução adjetiva, “metal excelente”. E isso foi comprovado agora, em sua primeira passagem pelo Brasil. A banda já havia dito em entrevistas que tentou vir em outras ocasiões, mas acabou não conseguindo. Dessa vez, deu certo!
O show foi num sábado de muita chuva, daquelas que param e voltam num piscar de olhos, e com o caos dos bloquinhos de carnaval (o metrô de São Paulo parecia uma balada pública). O local escolhido para a apresentação, La Iglesia, por sorte fica em um ponto com boas possibilidades de se esconder dos pés d’água enquanto esperávamos abrir as portas. Escondidos da chuva, já se via uma boa quantidade de gente esperando para entrar – o show teve ingressos esgotados e, mesmo em uma casa pequena, isso é uma vitória, visto que a banda não tem a notoriedade merecida no país. Por sorte, nada atrasou, e tudo foi extremamente tranquilo em relação à organização. Logo, todos nos acomodamos como pudemos dentro do local abarrotado de gente; sair do lugar que eu estava para comprar um refrigerante foi uma odisseia.

Pontual, a apresentação começou às 20h30 como programado. A formação que se apresenta desde 2022 e foi oficializada em 2023 (Andy Thomas, ex-Black Crown Initiate, ficou um ano como membro convidado até ser efetivado) era completa, sem quebra-galhos, então a experiência era exatamente a que se esperava! Deveria ser perfeito, não? Bem, foi. Sem pegadinhas aqui, tivemos tudo de melhor, incluindo Patrick Corona, o saxofonista que grava e excursiona com eles, mesmo sem ser membro oficial – algo que nunca entendi bem o motivo, já que está há muitos anos nessa função.

A performance era impecável tecnicamente, tanto no instrumental, quanto no som – talvez estivesse um pouco alto demais, como ouvi algumas pessoas dizendo, mas pelo menos em termos de equalização, não dava para reclamar. Adam Biggs, baixista original, que em 2022 assumiu os vocais, cantava tanto as músicas antigas – algumas pessoas dizem que foi até melhor que o vocalista original, Jake Dieffenbach – quanto as do último disco, o autointitulado Rivers of Nihil. A turnê é deste disco, mas o setlist foi variado: começaram com a faixa-título, mas logo já pularam para uma de suas músicas mais famosas, The Silent Life, com um sensacional solo de saxofone. Acreditem em mim, é muito difícil tocar aquelas músicas! Muito! Tempos malucos quebrados, variações “estranhas”, coisas assim não tão convencionais. Fizeram tudo com perfeição. Outros destaques ficaram por conta de Sand Baptism e Death Is Real, duas de minhas preferidas – uma pena não terem tocado Old Nothing, mas tudo bem! Teve até mesmo um mosh. Mosh em show de música progressiva com um sax tocando é algo bem maluco, não? Mas funcionou bem, exceto por ter ficado muito bem apertado, ainda mais do que já estava. Se eu precisasse realmente apontar um ponto negativo, seria a duração. Apenas pouco mais de uma hora de apresentação quando tocaram a saideira, Where Owls Know My Name. Se tivéssemos mais quarenta minutos de show ainda teria sido uma ótima duração e acabado em um bom horário. Fora isso, sem defeitos!

Esse show era, até então, uma aposta. Uma que a Solid Music resolveu arriscar e, para nossa sorte, não só deu certo com foi um sucesso! Agora sabemos que, sim, a banda tem seu público, e não é mais uma aposta. Essa formação, com Adam Biggs no baixo e vocais, Brody Uttley e Andy Thomas nas guitarras e Jared Klein na bateria, junto a Patrick Corona no saxofone, é a mais completa, firme e bem entrosada que já tiveram, e ter essa primeira experiência em solo brasileiro com esses músicos juntos foi um privilégio. Esperamos que não demorem a voltar, possivelmente em um local maior ou algum festival.
Termino como comecei: não sei se é metalcore, death metal, metal progressivo ou todos ao mesmo tempo. Não importa, pois é o que eu disse: eles fazem, na verdade, música pesada com excelência em estúdio e garantem a experiência desejada ao vivo.

Setlist
Rivers of Nihil
The Silent Life
A Home
The Void From Which No Sound Escapes
American Death
Sand Baptism
Clean
Soil & Seed
Death Is Real
Water & Time
House of Light
Where Owls Know My Name
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