
Texto e fotos: Christian Ravel
O Iron Maiden completa 50 anos e mostrou que continua sendo a melhor banda de heavy metal do planeta. A prova veio no último dia 3 de julho, em Belfort, França, com um show incrível. A fera foi solta e não fará prisioneiros!
No meio de sua jornada pela Europa em comemoração aos 50 anos de carreira, o Iron Maiden fez sua primeira parada na França para se apresentar no Eurockéennes, um dos festivais de rock mais antigos e respeitados do país, em um evento especial de uma única noite. Berço de muitas bandas de metal – incluindo os pioneiros do death metal francês Crusher -, Belfort e toda a região leste do país, próxima à Alemanha e à Suíça, receberam a melhor banda de heavy metal do mundo: Iron Maiden!

Nesta turnê especial, o Maiden apresenta seus maiores singles, desde o homônimo álbum de estreia até Fear Of The Dark, além de raridades que há muito tempo não eram tocadas ao vivo. Com vídeos como novo recurso visual, o show prometia proporcionar uma experiência totalmente nova para todos os fãs!
Ainda na manhã daquela quinta-feira, a fila de fãs dedicados crescia sem parar. A paciência deles, porém, logo seria recompensada: assim que os portões se abriram, começou a corrida para garantir lugar junto às grades. A península de Malsaucy – local fantástico, situado em um parque cercado por água – é ampla, e os fãs precisaram percorrer uma longa distância até à frente do palco. Outros optaram por parar na tenda de merchandising para comprar camisetas da turnê ou outras lembranças.

O The Raven Age abriu o show entregando uma ótima performance, apesar do horário cedo e da luz do dia. Com pintura facial e todos vestidos de preto, subiram ao palco com Forgive and Forget, seguida por Hangman. Com pouco tempo disponível, a banda deu o seu melhor. Matt James comandava o palco como poucos, enquanto os demais entregaram um set realmente impressionante. Depois de mais algumas músicas de Blood Omens, seu lançamento mais recente, o grupo se despediu com Fleur De Lis. Curto, mas eficiente, o show do The Raven Age foi a introdução perfeita para o momento mais aguardado: Iron Maiden!

Quando o sol se pôs, os primeiros acordes de Doctor, Doctor ecoaram, e, como uma só voz, 35.000 pessoas cantaram a poderosa letra do maior sucesso do UFO, usado há décadas como introdução dos shows do Maiden. Sorrisos tomaram todos os rostos e a excitação atingiu o auge. A música termina e as luzes se apagam. Explosões irromperam aqui e ali, e The Ides of March começou, acompanhada por um vídeo no enorme telão atrás do palco mostrando os primeiros anos da banda e os lugares onde tudo começou (Cart & Horses, Ruskin Arms, a famosa Acacia Avenue…), encerrando com a capa de Killers projetada sobre as paredes de tijolos londrinos, enquanto a suave introdução de Murders in the Rue Morgue era iniciada. O Iron Maiden invadiu o palco e os sorrisos que vimos nos rostos mostraram que o show havia começado e a comunhão com o público se estabeleceu. Ao final da música, Steve saudou a plateia público com seu gesto de baixo-metralhadora. Que começo! Wrathchild veio na sequência, seguida pela magnífica Killers.

Eddie surgiu no palco empunhando seu machado, tentando decapitar alguns músicos, mas sem sucesso. Como vingança, Bruce – que havia deixado o palco por alguns segundos – retorna e acerta a “cabeça” de Eddie! Nossa querida mascote sai derrotada, e o foco volta para os músicos e sua virtuosidade.
Nova música, novo cenário! Paris no século XVIII e as escadarias da famosa Ópera Garnier: isso mesmo, Phantom of the Opera (minha favorita) foi a próxima, e o resultado foi um sucesso. A magia das guitarras gêmeas e a performance vocal de Bruce tornam esse momento especial. Escuridão total e a voz grave introduzindo The Number of the Beast ecoou por todo o festival. Um enorme clamor se ergue, e a multidão enlouquece! Milhares de pessoas cantando “6-6-6 / the number of the beast!” — é algo que você precisa ver para acreditar!

Deixamos o diabo e a atmosfera sulfúrica do inferno para uma terra de gelo e frio com The Clairvoyant, primeira faixa de Seventh Son of A Seventh Son tocada na noite. Eu adoro essa música, mas não é minha favorita ao vivo, pois é um pouco lenta e menos épica do que outras faixas. De qualquer forma, ainda é prazeroso ouvir velhas canções. Uivos na noite e batidas de coração podiam ser ouvidos, as luzes revelam uma pirâmide gigante atrás da banda: Powerslave inicia uma maratona de três músicas do álbum homônimo. Eu queria músicas épicas e fui totalmente recompensado! Com uma máscara no rosto, Bruce domina o palco como ninguém, e o gênio do Iron Maiden entra em ação. Os primeiros acordes de 2 Minutes to Midnight soaram, e foi mais um clássico em que a plateia e a banda se uniram sob o olhar atento do mercenário Eddie.

No final da música, Bruce, com um cantil na mão, procurava vinho tinto em vez de água porque “há água, água por toda parte… A próxima música é sobre o que não fazer se um pássaro fizer cocô em você…”. Rime of the Ancient Mariner começou e os fãs podiam admirar no telão um enorme veleiro cortando as ondas por todo o palco. A princípio, duvidei do uso de vídeos em vez dos característicos cenários clássicos nesta turnê, mas aqui é possível apreciar o excelente trabalho de animação que dá vida às músicas. Simplesmente de tirar o fôlego! Dave e Adrian dividiam os solos, Janick continuava dançando, Steve ditava o ritmo no baixo, e o novo baterista, Simon Dawson, que toca de forma diferente de Nicko McBrain, batia forte na bateria. Após essa obra-prima, algo mais clássico foi bem-vindo, e Run To The Hills é a música perfeita para reunir todos os fãs! Se você conhece os clássicos, sabe do que estou falando!

Voltamos a um tom mais sombrio com Seventh Son of A Seventh Son. Mais uma vez, uma escolha perfeita e outra grande performance vocal de Bruce. Com 67 anos, ele ainda tem a energia de um jovem! Alguma magia negra ou vinho francês pode ser seu segredo! A banda iniciou a introdução de um dos títulos mais aguardados nos shows, e Bruce acenou com a bandeira inglesa (ele também usou a francesa) para The Trooper. Mal se ouvia os vocais de Bruce, pois a plateia cantou a música inteira. Outra obra-prima veio na sequência com Hallowed be Thy Name, uma das melhores músicas do Iron Maiden, na minha opinião. Mais uma vez, o vídeo foi incrível, mostrando uma forca e Bruce vestido como prisioneiro em uma gaiola. Quando finalmente escapa, ele é caçado pela Morte até ser enforcado. Tudo era impressionante.

O show caminhava para o fim e Iron Maiden começou a ecoar nas caixas de som. Se havia uma última chance para bangear, era nessa agora! Steve Harris e seus companheiros davam tudo de si, enquanto um Eddie gigante surgia atrás da bateria, pronto para “jantar” alguns fãs! As luzes se apagaram, o show acabou… por enquanto!
O discurso de Churchill começa, assim como o rugido dos motores do Spitfire. Aces High nos levaria para um combate aéreo de quatro minutos e trinta segundos! “Piloto para o baterista, derrube-os!”. “Sem rendição”, disse o primeiro-ministro, e todos nós nos sentimos vazios depois dessa. Mas ainda encontramos energia para a maravilhosa Fear Of The Dark, música na qual a banda interagia e se comunicava facilmente com os fãs – que ainda estavam de pé e prontos para mais!

A única música de Somewhere in Time, Wasted Years, encerrou o concerto. A capa do single transformou todo o palco em uma enorme sala de controle de nave espacial. Essa música tem um significado especial para os membros da banda, e deve ser meio triste para todos encerrar o show assim. Mas anime-se, Belfort! Você sabe o que dizem: “Sempre olhe para o lado bom da vida!”
O Iron Maiden deu uma de suas melhores performances em anos e, ao deixarmos o local ao som das palavras de conselho do Monty Python, todos estávamos gratos por estar lá e por termos nos divertido tanto. A generosidade da banda esteve em seu ponto mais alto mais uma vez e esperamos uma turnê mundial completa num futuro próximo, com alguns shows no Brasil!

Devido ao cronograma do festival, o Avatar se apresentou depois do Iron Maiden, em um palco diferente. Embora a maior parte do público tenha saído após o show do Maiden, muitas pessoas permaneceram para ver a banda sueca, especialmente os mais jovens. Como de costume, a performance da banda foi surpreendente e cheia de truques. Energia total foi entregue em Dance Devil Dance. Os fãs responderam, e a magia do metal permaneceu no ar naquela noite! O Avatar tocou duas músicas novas (provavelmente estarão presentes no próximo álbum): Captain Goat e In the Airwaves, e seguiu com outros sucessos da banda até encerrar com a espetacular Hail the Apocalypse.
![]()
Clique aqui para seguir o canal ROADIE CREW no WhatsApp

