IN FLAMES – SÃO PAULO (SP)

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Por Fernando Queiroz

Fotos: Gustavo Diakov

O Brasil nunca esteve tão bem servido de shows de melodic death metal antes. Nos últimos anos, tivemos muitas experiências com bandas desse gênero vindas da Suécia e da Finlândia – a estreia do Insomnium no país, diversas vindas do Dark Tranquillity, do Amorphis e do Hypocrisy, entre outras. Agora, em 2026, o Bangers Open Air novamente nos trouxe a oportunidade de ver alguns desses grupos: um é o Arch Enemy, outro, o In Flames. Esse último ganhou um show próprio, com setlist completo, dias antes do festival, sobre o qual aqui falaremos. A última vez dos suecos no país havia sido em 2023, e após quase três anos (e muitos, mas muitos mesmo, pedidos para a inclusão deles no festival), já era hora de voltarem. Com casa cheia e público fiel, vejamos como foi!

O mês de abril foi um presente para quem gosta de shows. Não apenas pela quantidade deles, mas pelo clima – não estava um calor absurdo, nem frio, e na hora dos shows, à noite, uma temperatura sempre amena e agradável em geral. Foi assim nesse dia. Não menos que meia hora antes da abertura das portas da Audio, uma honesta fila se encontrava já esperando para entrar; não era quilométrica, mas dava para ver que, ao menos, não estaria vazio, pelo contrário. O próprio horário ajudou, e a produção ainda foi “uma mãe”, pois o evento que estava programado para abrir ao público às 19h, na verdade foi liberada a entrada cerca de vinte minutos antes. Logo, os muitos presentes com camisetas do próprio In Flames e de outras bandas do gênero entraram e se acomodaram.

Sim, tivemos banda de abertura! Nesse caso, uma muito condizente com o dia: o Throw Me to the Wolves, ouso dizer que uma das únicas bandas de melodic death metal com grande atividade hoje no Brasil, foi corretamente escolhida para o ato. Geralmente, temos baixo público durante aberturas, mas dessa vez não foi o caso; a casa não estava cheia ainda, mas longe de tocarem para pouca gente – na verdade, já estava com mais da metade do espaço preenchido. E os brasileiros não decepcionaram! Entregaram um show pesado, com músicas rápidas, nas quais você vê clara influência do próprio In Flames. Se existe algo próximo do “Gothenburg sound” no Brasil, são eles. Passaram, porém, por problemas técnicos durante a apresentação: o som durante todo o tempo ficou alto demais nos graves, com baixo e bateria estourando e pouca guitarra audível; na verdade, cada batida mais forte nas cordas do baixo parecia uma caixa de bateria. O vocal do excelente Diogo Nunes era realmente a única parte realmente bem regulada. A performance compensou. Uma banda perfeitamente entrosada, que sabe o que quer, sabe o que faz e conhecia o público para quem estava tocando. No fim das contas, apesar do problema no som, entregaram um bom ato de abertura, esquentando, em cerca de quarenta minutos, o público para o que viria a seguir.

Programado para as 21h10 a atração principal atrasou exatos dez minutos; mas foi tão exato, que pareceu até programada essa demora. Às 21h20 as luzes se apagaram e, com a casa cheia, o público gritou em massa, pois ia começar. Finalmente, os pioneiros da cena de Gotemburgo (SUE) do In Flames vieram ao palco – e não estavam para brincadeira! Já começamos com um clássico, do longínquo ano de 2000, Pinball Map, do disco que mais os alçou ao sucesso, Clayman. Passaram, então, para algumas canções um pouco mais recentes, das décadas de 10 e 20 deste século, The Great Deceiver e Deliver Us, mas logo voltaram para as antigas, com The Quiet Place. Claramente a banda respeita tanto seu presente, quanto seu passado, e mesmo que tenha se modernizado ao longo dos anos, não deixa o som mais old school de fora. O álbum mais contemplado foi seu último, Foregone, de 2023, já que ainda estão em turnê dele. Compreensível, e até muito bom, pois muitos dizem que é um disco que traz uma certa nostalgia do passado da banda.

Mesmo com apenas dois integrantes que datam dos anos 90, e com muitas mudanças nesse ínterim, a banda está muito afiada. Bem entrosados, os dois mais recentes membros, o baixista Liam Wilson e o baterista Jon Rice, tocaram com precisão e com muita energia no palco. Muito legal para mim, também, poder finalmente ver Chris Broderick ao vivo, ele que gravou meu disco preferido do Megadeth (Endgame, 2009); Björn Gelotte, sempre carismático com sua barba imensa e uma linda Les Paul branca, fazia igualmente bonito na dupla. Mas o destaque é sempre Anders Fridén! Ele faz o gutural parecer algo fácil, ao mesmo tempo que alterna com os limpos facilmente, e tem presença de palco de um verdadeiro frontman. Mais que isso, ainda desfila simpatia nas poucas vezes que falou com os fãs – poucas, mas que ajudaram a manter o ótimo andamento do show, sem quebras de ritmo na apresentação, e tudo muito constante e conciso. Fez brincadeiras, e até mesmo pegou o celular de um fã na grade para filmar o show! Os fãs respondiam à animação da banda, com cantos de “olê, olê, olê, In Flames!”, e sabiam cada palavra de cada letra – fosse na pista ou nos camarotes, tudo era cantado em coro.

Terminaram com um clássico do disco Come Clarity, a ótima Take This Life, sem saírem do palco para bis nem nada do tipo. Foi uma hora e dez minutos, mais ou menos, de show; parece curto, mas com o andamento das músicas e a dinâmica rápida da apresentação, sem muito “blá blá blá” e com muita música, tivemos quinze faixas escolhidas a dedo.

Bem, quem não pôde vê-los lá, tem ainda a chance de ir ao Bangers Open Air, mas a experiência mais próxima, e o show completo, só quem estava ali teve. Se os side-shows do festival forem um demonstrativo da qualidade do evento como um todo, este ano será uma edição histórica!

Setlist

Pinball Map

The Great Deceiver

Deliver Us

The Quiet Place

In the Dark

Voices

Cloud Connected

Trigger

Only for the Weak

Meet Your Maker

State of Slow Decay

Alias

The Mirror’s Truth

I Am Above

Take This Life

 

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