
Por Alessandro Bonassoli
Com Children Of The Abyss o Finita prova que deu um passo à frente na cena brasileira. O quinteto de Santa Maria (RS) foi bem mais longe do que criou em Voices From Sanatorium (2015) e nos EPs Lie (2018) e Above Chaos (2022). Eram bons trabalhos, com certeza, mas com eles a banda era “mais uma” no sempre disputado e difícil mercado nacional. Com as novas 11 canções, Luana Palma (voz), Bruno Portela (guitarra), Fernando Back (baixo), Guilherme Pereira (teclado) e Pablo “Pablijo” Castro (bateria) se credenciam para voos muito mais altos.
Desde o surgimento, em 2010, eles convivem com vários rótulos indicados pelo público e pela mídia underground. Citados ora como gothic ou black metal sinfônico, ora como doom ou death melódico, eles se autodenominam dark metal. A expressão, me explicou Portela, é uma forma de abraçar todos os segmentos pelos quais o Finita acabou ficando conhecido. O nome, de acordo com o guitarrista, foi uma sugestão dos parceiros do grupo A Sorrowful Dream, de Porto Alegre. A meu ver, porém, o que eles fazem é, na verdade, HEAVY METAL com múltiplas influências. Portela se disse surpreso com minha afirmação pois, segundo ele, jamais a banda havia sido situada no nome original da música pesada. “Mas, ao mesmo tempo, consigo fazer a conexão, porquê a nossa base é heavy metal. Começamos tocando, além das nossas músicas, covers de Scorpions, Iron Maiden, Metallica”, relatou.
Um dos destaques imediatos do Finita é Luana, com sua voz que vai muito bem tanto em arranjos a la Nigthwish quanto em impressionantes guturais. Basta ouvir Godess Of Disharmony para ter certeza. Quer seja no formato operístico, quer seja na versão from hell, ela se afirma como uma das maiores cantoras de metal no Brasil em todos os tempos.
As influências de King Diamond, principalmente nos teclados, surgem na fantástica Witch´s Laugh. Nela a vocalista impressiona, tanto no refrão onde, literalmente, insere uma risada sombria, quanto na conclusão, cantada em português, que é maravilhosamente assustadora. E arranjos “kingdiamondianos” parecem guiar também as poderosas War Curse e Propehcy, que é outra aula de interpretação disponibilizada por Luana.
Sobre isso, Portela revela que sempre curtiu as partes de guitarra e a estética do Rei Diamante. Mas garante que, se a influência existe, é de “forma indireta”. O líder do Finita, entretanto, curtiu a comparação. “É um artista completo e tem a questão do macabro, do teatro [nas temáticas, no visual pessoal do artista dinamarquês e no palco]; as músicas são muito bem pensadas. Fiquei muito feliz com a relação mas, ao mesmo tempo, surpreso”, relatou.
E as composições do guitarrista têm sim uma grandiosidade além do que estamos acostumados a ouvir na média das bandas brasileiras, exatamente como Diamond faz. No outro lado, Luana, Back, Pereira e Castro correspondem com performances que valorizam ainda mais os arranjos. É assim, por exemplo, na brilhante Fortuna, cantada na língua pátria, em Quicksand e Sketch Art. Todas te fazem querer estar em um show da Finita o quanto antes possível. E quem já teve essa experiência assegura que a presença de palco do quinteto gaúcho vale o investimento. Eu certamente estou ansioso por uma oportunidade de assistir ao vivo esta que, definitivamente, é uma das melhores bandas nacionais. Nos videoclipes abaixo você pode ter uma ideia do poderio do quinteto.
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