Autor: Alessandro Bonassoli

  • UDO DIRKSCHNEIDER: MY WAY [8,5/10]

    UDO DIRKSCHNEIDER: MY WAY [8,5/10]

    Aos 70 anos de idade, Udo Dirkschneider, lendário primeiro vocalista do Accept, certamente não pensa em aposentadoria. Em My Way ele entrou no grupo de artistas que decidem homenagear seus ídolos. Sim, um disco de covers! Junto com seu filho Sven (bateria), os também ex-Accept Peter Baltes (baixo) e Stefan Kaufmann (que tocou ainda no U.D.O., primeira era da carreira solo do baixinho), ele surpreende. A começar por Kein Zurück, do duo synth-pop Wolfsheim, primeira vez de Udo cantando em seu idioma natal.

    Produzido por Martin ‘Mattes’ Pfeiffer, o repertório ainda traz as inesperadas – e boas – versões para Nutbush, de Tina Turner, e The Stroke (Billy Squier), esta já coverizada pelos também alemães do Bonfire em 1991. No lado pesado, He’s A Woman, She’s A Man (Scorpions), No Class (Motörhead), Hell Bent For Leather (Judas Priest) e Man On A Silver Mountain (Rainbow) são ótimas.

    E quando a fonte é rock? Ouça Faith Healer (Alex Harvey Band), T.N.T. (AC/DC), Hell Raiser (The Sweat), Rock And Roll (Led Zeppelin), We Will Rock You (Queen), Fire (Crazy World Of Arthur Brown) e Paint It Black, o clássico dos Rolling Stones predileto de bandas metal. A surpresa final é o vocal clean de Udo, sem seu drive característico, para My Way, de Frank Sinatra.

  • PLUSH: PLUSH [9,0/10]

    PLUSH: PLUSH [9,0/10]

    Elas são jovens, todas com menos de 21 anos de idade. Poderiam ter investido em músicas pop, mas preferiram fazer rock pesado.

    E Moriah Formica (vocal e guitarra), Bella Perron (guitarra), Ashley Suppa (baixo) e Brooke Colucci (bateria) sabem como fazer. Isso já se viu no videoclipe do single Hate, que deu o impulso inicial para o quarteto.

    Ficou claro que os riffs poderosos e a voz forte da talentosíssima Moriah serão a marca do grupo. E quando saiu o segundo single – a impactante Athena – o punch era ainda mais pesado.

    Não pense no “conceito” grunge, mas imagine somar a densidade de Alice In Chains e Soundgarden. Will Not Win é outra prova disso, enquanto Champion é ‘rock anthem’ para show em estádio lotado.

    Se o Plush não é heavy metal, obviamente há músicas mais acessíveis. Mas isso não é negativo, como se ouve em Found A Way e I Don’t Care, e na balada não romântica Sober, com potencial para virar hit.

    Destaco ainda Better Off Alone e Walk Away. Plush é uma agradável surpresa em tempos nos quais, infelizmente, o rock não é mais destaque nas paradas, rádios e na mídia em geral.

  • SECRET CHORD: AURORA [9,0/10]

    SECRET CHORD: AURORA [9,0/10]

    Se nem só do poderoso Moonspell vive a música pesada de Portugal, o Secret Chord, formado em Vila Nova de Poiares, distrito de Coimbra, é uma boa opção.

    Raquel Subtil (vocal), Carlos Pereira e João Conceição (guitarras), Nuno Fidalgo (baixo) e Afonso Martins (bateria) unem o metal sinfônico com discretas doses do chamado metal alternativo.

    E Aurora, que sucede o EP Dimensions of A Dream (2017), dá a certeza de que não é só mais um desejando ser Tristania ou Epica, ainda que o formato ‘beauty and the beast’ seja uma característica.

    A bela e imponente voz de Raquel encanta, enquanto os guturais de Pereira não são excessivos. As excelentes Everything Repeats e Lack of Content retratam isso. Empowerment, com a participação de Miguel Inglês (vocal do Equaleft, outro bom grupo das terras de além-mar), Sickness e Egocentric Lust também são destaques.

    Não deixe de ouvir O Pastor, single disponibilizado em streaming após Aurora. O cover do Madredeus, maior expoente internacional da música portuguesa, é uma preciosidade.

  • KINGCROWN: WAKE UP CALL ROAR! ROCK OF ANGELS – IMP. [5,5/10]

    KINGCROWN: WAKE UP CALL ROAR! ROCK OF ANGELS – IMP. [5,5/10]

    Os franceses Jo Amore (vocal), Bob Saliba e Ced Legger (guitarras), Seb Chabot (baixo) e David Amore (bateria) investem em um power metal melódico que pode agradar a galera que curte essa linhagem.

    Mas, mesmo tendo sido produzido por Roland Grapow (Masterplan, ex-Helloween), o segundo trabalho deles pouco acrescenta.

    Todos os arranjos típicos do estilo – quer seja da escola alemã, quer seja da escola norte-americana – estão bem feitos, mas falta algo para realmente empolgar.

    The Awakening, que conta com solo gravado por Grapow, poderia ser um ponto atrativo. Mas a irritante voz de Amore, que busca tons desnecessariamente altos, impede maior empatia.

    Para não dizer que tudo é desperdício ou que estou de má vontade, me rendo à A New Dawn e To The Sky And Back.

    Ainda assim, pelo fato da primeira de algum modo me lembrar Back To Back, gravada pelo Pretty Maids em… 1984!, e da segunda ter solos realmente legais.

    É complicado gostar de algo que, em uma música sim e na outra também, você fica pensando “parece com a banda X”, “soa como o grupo Y”.

  • FELSKINN: ENTER THE LIGHT [8,0/10]

    FELSKINN: ENTER THE LIGHT [8,0/10]

    Hard rock, muita melodia e um forte clamor AOR se fundem no som criado pelos suíços do Felskinn. Isso está consolidado nas doze músicas de Enter The Light, quarto trabalho de Andy Portmann (vocal), que reformulou o grupo em 2019 trazendo Martin Rauber (Wolfpakk) e o guitarrista Tom Graber (ex-Crystal Ball), o baterista Ronnie Wolf (Lunatica) para se unirem a ele e Beat Chaub (baixo).

    Escutando o álbum gravado na Dinamarca – onde foi mixado e masterizado por Jacob Hansen (Volbeat, Arch Enemy, Evergrey) – é difícil ficar indiferente aos solos de Graber e a voz de Portmann, como já acontece em Darkness in Your Eyes, faixa de abertura. Recomendo também The Saviour is Born, a faixa título, Your Life is Mine, Send The Angels Down, Life Beyond The Line, Where e SixFiveFour.

    Não tenho nada contra baladas ou faixas mais acessíveis, mas teria deixado de fora apenas World Will End, que não tem a mesma qualidade das demais. No entanto, o fato principal é que o Felskinn mantém a tradição de boas bandas vindas da Suíça.

    Near orbit incident / 3D illustration of exploding artificial moon space station

  • EMERALD SUN: KINGDOM OF GODS [7,0/10]

    EMERALD SUN: KINGDOM OF GODS [7,0/10]

    Histórias de heróis, legiões, guerreiros e deuses. Nem precisaria explicar, mas é power metal que os gregos do Emerald Sun praticam.

    Stelios “Theo” Tsakiridis (vocal), Teo Savage e Pavlos Georgiadis (guitarras), Fotis Toumanidis (baixo) e Nick Kaklanis (bateria) estão desde o já distante ano de 2000 investindo no estilo que tenta voltar às boas.

    Em Kingdom of Gods, quinto álbum do quinteto você não ouvirá nada de inovador ou extraordinário. É o pacote básico do gênero, incluindo refrãos e os típicos coros (muitos!), além daquele ar “épico” tão difundido, principalmente entre várias bandas europeias.

    Os integrantes não comprometem e fazem exatamente o que os fãs de power metal esperam. Gaia, Legions of Doom, Book of Genesis, We Will Die on Our Feet, Heroes on the Rise são o retrato de tudo isso.

    Não é que a banda seja ruim, mas falta peso, falta metal, deficiência que amplia o tom datado demais. . Minha nota final aumentou graças ao meio ponto que concedi à Raise Hell, na qual o Emerald Sun ousou sair da zona de conforto.

  • SONS OF SOUNDS: SOUNDPHONIA [7,0/10]

    SONS OF SOUNDS: SOUNDPHONIA [7,0/10]

    A mãe de Roman, Wayne e Hubert Beselt era diretora da Universidade de Música de Novosibirsk, na Sibéria. O pai do trio era músico profissional.

    As chances de os irmãos crescerem para outras profissões eram, convenhamos, poucas. Não deu outra. Em 2006, já morando na Alemanha, eles montaram o Sons of Sounds e, entre 2008 e 2020, lançaram quatro álbuns.

    Agora, o produtor e multi-instrumentista Marc Maurer, que já havia tocado com Wayne (guitarra) em outros grupos, entrou como baixista, deixando Roman livre para ser o competente vocalista que é. Soundphonia é o primeiro registro do agora quarteto e nele é fácil notar a habilidade de todos.

    Seja nos riffs de Wayne ou na batida segura de Hubert, é nítida a importância da educação musical ainda na infância. Em faixas como a ótima Frequency of Life, Wolfskind, Forever, Reset, Time Machine, Peace Be With You ou Streetmutt as influências de Iron Maiden e Judas Priest não enganam. É heavy metal de qualidade.

  • DIEVERSITY: AGE OF IGNORANCE [7,0/10]

    DIEVERSITY: AGE OF IGNORANCE [7,0/10]

    A banda alemã Dieversity surgiu em 2010 na cidade de Würzburg e ainda busca seu espaço. Com Age of Ignorance, Robin Mattner (voz), Daniel Heß e Olav Langer (guitarras), Michael Steger (baixo), Chris Walter (teclados) e Dominik Waldorf (bateria) dão mais um passo na competitiva cena do metal moderno.

    As composições vão na linha de grupos como Skyfire, Silent Descent e Righteous Vendetta, entre outros, mas volta e meia também são perceptíveis estruturas que lembram Soilwork.

    O destaque maior é para as imponentes vocalizações de Mattner. O cara vai do vocal super rasgado e agressivo ao timbre limpo com uma facilidade que chega a assustar.

    É caso da ótima End of Line, primeiro single que saiu para dar uma amostra do que seria esse novo álbum. Nesta e em outras a performance do cantor traz à mente a técnica que Chester Bennington usava no Linkin Park com maestria.

    Vale menção também às habilidades de Waldorf nas baquetas. Pulling My Strings, a pesadíssima Clouds of Misery e The Bitter Taste of Sin são uma amostra do potencial que o Dieversity tem para vencer.

  • CROSSPLANE: FASTLANE [8,5/10]

    CROSSPLANE: FASTLANE [8,5/10]

    Marcel Mönnig (vocal e guitarra), Alexander Störmer (guitarra), Andrew Barret (baixo) e Mark “Bridgeman” Brückmann (bateria) obviamente têm no Motörhead a referência máxima. Ou seja: não há como ouvir as 11 faixas de Fastlane, novo trabalho dos alemães, e não gostar.

    É aquela soma vitoriosa de atitude punk, rock’n’roll sujo e sem frescuras, muitos riffs, peso, velocidade, jeans, camiseta e jaqueta de couro.

    Ainda tem a semelhança da voz de Mönnig com a do saudoso Lemmy Kilmister que tempera tudo isso, deixando Make Beer Not War, Rock Out e as ótimas Can’t Get You Out of My Mind e All Hells is Breaking Loose ainda melhores.

    E se nas demais há semelhança vocal, em Rock’n’Roll Will Never Die fiquei com a certeza de que tio Lemmy baixou nas gravações do álbum.

    Mas calma que ainda tem a faixa-título, uma correria que faz a gente imaginar um moshpit gigante, além de Epidemic, Life is a Monster, Black is my Blue Sky, Search and Destroy e Fields of Bone. Sim, destaquei TODAS as músicas de Fastlane. Agora me dê licença. Vou ali colocar gelo no pescoço, pois o headbanging foi daqueles.

  • CANDLEBOX: WOLVES PAVEMENT ENTERTAINMENT – IMP. [7,0/10]

    CANDLEBOX: WOLVES PAVEMENT ENTERTAINMENT – IMP. [7,0/10]

    Post-grunge? Ok, o Candlebox estourou nos EUA em 1993 a partir de Seattle usando algumas características do grunge, mas com um som mais comercialmente aceitável.

    Rótulos à parte, na real o que Kevin Martin (vocal e único da formação original), Brian Quinn e Island Styles (guitarras), Adam Curry (baixo) e BJ Kerwin (bateria) fazem é rock, transitando entre faixas de peso e outras mais radiofônicas.

    Isso fica claro nas 11 músicas de Wolves, primeiro trabalho desde Disappearing In Airports (2016). E o grupo intercala suas duas facetas com a segurança e a maturidade de quem tem mais de 30 anos de estrada. A interessante Criminals é o retrato exato dessa receita.

    Perfeita para palcos, All Down Hill From Here fala sobre o dia a dia de quem já passou “metade da vida em uma banda de rock”. Let Me Down Easy é puro Foo Fighters, enquanto Nothing Left To Loose tem aquele clima Motörhead: rock sujo e sem firulas. Don’t Count Me Out, We, Sunshine e My Weakness têm menos peso, mas não são descartáveis.