DOGMA – SÃO PAULO (SP)

Escrito por

em

,

Por Marcelo Gomes

Fotos: Roberto Sant’Anna

Depois de meses marcados por especulações, mudanças internas e toda a polêmica envolvendo a separação que movimentou os fãs ao redor do mundo, a chegada da Dogma a São Paulo carregava muita expectativa. O show realizado no Manifesto Bar marcou o encerramento da turnê latino-americana Time to Rise e serviu como uma espécie de reafirmação da identidade da banda. As “freiras endiabradas” subiram ao palco determinadas a provar que continuam mais fortes do que nunca. O resultado foi uma apresentação intensa, provocativa e carregada de personalidade, que deixou o público extasiado do início ao fim. O evento trouxe ainda a abertura poderosa do The Heathen Scÿthe, que aqueceu a noite com seu ritual pagão.

O The Heathen Scÿthe, que recentemente retornou de uma turnê pela Asia e, em breve, embarca pela América do Sul, subiu ao palco e entregou um verdadeiro espetáculo. Com um som que mescla a agressividade do heavy/power metal com toques industriais, a banda transformou a apresentação em um ritual. Formada por Tato Deluca (vocal), Paulo Roveri (guitarra), Bruno Luiz (guitarra), Fernando Giovanetti (baixo), Flavio Sallin (teclado) e Marcus Dotta (bateria), os paulistanos apresentaram, além de boas músicas, uma performance incrível, cheia de teatralidade e figurinos que caracterizam os músicos dentro da temática da banda, que fala sobre paganismo.

Do início com The Offering e Into the Fire até o encerramento pesado com Runes & Blood, o sexteto paulista passeou por faixas como The Magus, The Heathen Scÿthe, Carmina Pagani, Welcome (To the Dead), Alexandria S.O.S., S.O.L.O.M.O.N. e Servants of Heka, alternando peso, melodias e passagens eletrizantes. Nos figurinos e na presença de palco, a banda brilhou com uma estética pagã, vestes ritualísticas, maquiagem marcante, elementos cênicos e uma teatralidade que transformou o show em um verdadeiro ritual, conquistando o público com uma apresentação marcante e poderosa.

Depois de uma longa troca de palco, em meio a gritos, celulares erguidos e uma ansiedade visível por todos os cantos do Manifesto Bar, a Dogma finalmente tomou o palco. A introdução com Forbidden Zone e Feel the Zeal foi suficiente para incendiar o público. Logo no início, ficou claro que a banda não estava interessada em fazer apenas mais uma apresentação de encerramento de turnê. A conexão com os fãs brasileiros, construída ao longo das visitas desde 2024, atingiu um novo patamar naquela noite. A recepção calorosa foi respondida com uma performance segura e confiante, enquanto o público ocupava cada espaço disponível na casa, cantando, gritando e reagindo a cada movimento das integrantes.

O primeiro grande momento de interação aconteceu durante My First Peak, quando a vocalista Lilith interrompeu brevemente a apresentação para saudar os presentes com um animado “boa noite, São Paulo! Vocês estão comigo?” A resposta fez o chão tremer. Pouco depois, durante Made Her Mine, a cantora arrancou risos e gritos ao declarar: “Brasil, nós gostamos muito de vocês, e vocês são muito gostosos. Mas Lamia (guitarra) é muito gostosa e, quando olho para ela, gostaria que ela fosse minha”, fazendo uma provocante referência ao título da música. A química entre as integrantes e a naturalidade com que conduziram esses momentos ajudaram a tornar o espetáculo ainda mais envolvente.


A atmosfera sensual sempre fez parte da estética da Dogma, e não foi diferente durante Banned. Com fortes influências de tango, a faixa trouxe uma interpretação carregada de teatralidade e movimentos cuidadosamente coreografados, adicionando uma camada extra de provocação à performance. Em seguida, Fate Unblinds, primeiro single do próximo álbum, mostrou que a banda continua evoluindo sem abandonar as características que conquistaram seu público. A recepção foi extremamente positiva, demonstrando que o material inédito já encontrou espaço entre os fãs. A provocação seguiu forte com Carnal Liberation, quando Lilith, sem rodeios, soltou: “Estou me sentindo bem safada!”, mostrando que a nova vocalista estava completamente entregue à personagem.

Em um momento descontraído, a apresentação foi interrompida para celebrar o aniversário do empresário Ian Di Leo. Chamado ao palco, recebeu os parabéns do público e até ganhou bolo, em meio à divertida confraternização. A pausa durou pouco, e logo retornaram com Free Yourself, ocasião em que Lilith agradeceu o carinho dos fãs e destacou a felicidade de encerrar a turnê latino-americana justamente em São Paulo. Durante Bare to the Bones, em meio à performance eletrizante, Lilith surpreendeu ao se deitar no palco para autografar um item de um fã sortudo na primeira fila. Então, fizeram uma versão de Like a Prayer, clássico de Madonna, e o Manifesto Bar veio abaixo. O público cantou cada verso, criando um dos momentos mais loucos da noite.

Os fãs também tiveram a oportunidade de conhecer duas faixas inéditas. My Matricidal apresentou mais uma amostra do futuro da banda, enquanto Mariachi surpreendeu ao incorporar influências mexicanas em uma construção instrumental pesada e sombria. O resultado foi uma composição diferente do habitual, mas perfeitamente integrada à identidade da Dogma. O peso da execução colocou a plateia para bater cabeça em uma das passagens mais intensas do show.

A reta final com Pleasure from Pain, Father I Have Sinned e The Dark Messiah consagrou essa nova fase do grupo. A essa altura, as integrantes já haviam conquistado completamente o público, que respondeu com gritos incessantes e repetidos coros com o nome da banda. A ovação recebida após Father I Have Sinned foi particularmente impressionante e demonstrou que o público brasileiro estava completamente entregue às freiras.

Tendo acompanhado todas as passagens da banda pelo Brasil desde 2024, é possível afirmar, sem hesitação, que esta foi a apresentação mais impactante e empolgante dela que presenciei e nunca vi uma reação tão histérica do público. Mais segura, entrosada e confortável com sua própria identidade, a banda entregou exatamente o que os fãs esperavam: peso, teatralidade, carisma e provocação. O encerramento da turnê Time to Rise encontrou em São Paulo o palco ideal para uma celebração grandiosa, deixando o público enlouquecido e a sensação de que um novo e promissor capítulo da história da Dogma está apenas começando.

Setlist The Heathen Scÿthe

The Offering

Into the Fire

The Magus

The Heathen Scýthe

Carmina Pagani

Welcome (To the Dead)

Alexandria S.O.S.

S.O.L.O.M.O.N.

Servants of Heka

Runes & Blood


Setlist Dogma

Forbidden Zone

Feel the Zeal

My First Peak

Made Her Mine

Banned

Fate Unblinds

Carnal Liberation

Free Yourself

Bare to the Bones

Like a Prayer (Madonna)

Make Us Proud

My Matricidal

Mariachi

Pleasure From Pain

Father I Have Sinned

The Dark Messiah

 

 

? Clique aqui e siga o CANAL “Roadie Crew” no WhatsApp

? Clique aqui e faça parte do GRUPO da ROADIE CREW no WhatsApp