Foto: Sam JamsenPor Fernando QueirozFormado pelo vocalista Mikael Stanne, o baixista Victor Brandt, o guitarrista Markus Vanhala, o tecladista Santeri Kallio, respectivamente membros de Dark Tranquillity, Dimmu Borgir, Insomnium e Amorphis, ao lado do baterista Vesa Ranta, ex-integrante do Sentenced, o Cemetery Skyline veio com uma proposta bem diferente do que seus membros são acostumados a fazer. Apostando no gothic metal com vocais limpos e trazendo inspirações do gótico dos anos 80 e 90, o álbum Nordic Gothic, lançado em 2024, foi um sucesso, segundo os integrantes, e transformou o projeto que, inicialmente, seria apenas de estúdio, em uma banda. O guitarrista nos concedeu entrevista, em que detalha como está sendo o pós-lançamento do álbum na estrada.Agora, com o álbum lançado há quase um ano, como vocês veem a recepção do público das bandas que vocês fazem parte para com o Nordic Gothic?
Markus Vanhala: Bem, tem sido avassaladora! Quando começamos, nem sequer sabíamos se faríamos algum show com essa banda, pois estávamos todos muito ocupados, mas acidentalmente começamos a fazer alguns, e tem tido muita demanda para isso. Até mesmo o Andy Farrow (Northern Music Co.) começou a ser nosso agente, um cara bem grande, que cuida de Opeth, Katatonia, Paradise Lost. Então, tem havido muitos shows para uma banda que não era para tocar ao vivo. Por exemplo: há pouco, fizemos nosso primeiro show no exterior, em um festival suíço chamado Greenfield, e não sabíamos o que esperar, pois não tínhamos noção se as pessoas nos conheciam na Suíça. Tocamos entre o In Flames e o Slipknot, então o local estava realmente cheio, e acho que estamos tendo um ótimo começo com essa banda.Na turnê, vocês têm apostado no álbum inteiro, claro, mas também adicionam algo inédito ou covers no repertório?
Markus: Na Finlândia temos tocado um cover do Sentenced, que na verdade é uma música tradicional finlandesa, que não é exatamente deles mas eles gravaram, chamada Konevitsan Kirkonkellot. Começamos o bis com essa música, e todos os fãs do Sentenced ficaram loucos. Não queremos tocar covers das bandas de que os membros fazem parte, mas podemos fazer outros covers, claro. Ainda temos algum material não lançado do Nordic Gothic, das nossas sessões, que deixamos para serem lançadas depois. Talvez lancemos um single antes da turnê latino-americana, não sei bem da agenda desse lançamento, é algo da gravadora, e eu só sou um músico. Mas temos algumas ideias em mente. Claro, é muito difícil tocar um show inteiro quando você é uma banda nova e só tem um álbum lançado.No caso de Vesa Ranta, ele vem de uma banda mais parecida com o que vocês fazem, e há uma base de fãs do Sentenced que se animou muito com isso. Há planos de apresentar alguma música deles no futuro ao vivo?
Markus: Vamos ver! O Sentenced provavelmente é a única das nossas bandas que faríamos covers, pois ela acabou há bastante tempo. Não há mais um Sentenced. Então essa é a única que consideramos tocar com o Cemetery Skyline. E como já fazemos essa versão do Sentenced, é possível. Acho que eles nunca tocaram na América Latina, não é? Vesa comentou algo sobre nunca ter ido aí, então seria legal fazer um tipo de tributo.Vocês já vieram para o Brasil com suas outras bandas, como Insomnium, Dark Tranquillity e Amorphis. Essas experiências ajudaram na decisão de vir para cá logo nesse começo do Cemetery Skyline?
Markus: Nós, nórdicos, adoramos o clima daí, essa é a razão (risos). Não, claro, nós ficamos fascinados pela recepção de vocês, pois os fãs na América Latina são muito diferentes do que temos na Escandinávia. Vocês são realmente muito barulhentos, nos dão muita energia, e isso é muito legal. Então, quando nos agendaram para o ProgPower, nós imediatamente falamos que queríamos ir para o sul, e eu ouvi dizer que esse tipo de gothic metal é algo popular por aí. E eu acho muito legal, pois todas as bandas fazem dezenas de shows na Alemanha, estão lotadas de datas, mas o Cemetery Skyline não tem nada marcado lá. Não é que nós odiamos a Alemanha, claro, mas preferimos tocar nesses lugares como América do Sul, Espanha, Malta e Turquia antes de tocar na Alemanha. A Alemanha vai ter que esperar dessa vez.Levando em conta o público das bandas de death metal e até black metal, no caso de Victor Brandt, vocês chegaram a sofrer algum tipo de ofensa de alguns mais fanáticos por terem feito algo gótico?
Markus: Ah, a gente não liga para isso, estamos muito velhos para dar importância para isso. E nós já fazemos muito metal extremo com nossas outras bandas, e estávamos até falando para a Century Media colocar um adesivo no nosso disco falando algo do tipo ‘pense nos membros de Amorphis, Dimmu Borgir, Insomnium, Dark Tranquillity e Sentenced formando um grupo, daí esqueça essas bandas, pois o Cemetery Skyline não tem nada a ver com elas.’ E é exatamente por isso que o Cemetery Skyline existe, porque queríamos fazer algo totalmente diferente, e é isso que mantém a música fresca. E nem faria sentido fazer mais uma banda de melodic death metal, pois já há bandas demais desse estilo com esse grupo de pessoas. E todos nós amamos essa música dos anos 90, do começo daquela década, amamos Type O Negative, Sisters of Mercy, Fields of the Nephilim, e a gente faz música para isso: nós precisamos gostar da coisa, e se mais pessoas curtirem e quiserem seguir a banda, é ótimo.É que sempre penso naquelas histórias que ouvíamos do black metal e death metal nos anos 90.
Markus: Mas acho que agora, nos anos 2020, as coisas são bem diferentes. Lá nos anos 90 sem dúvida as pessoas seriam mais intolerantes a nós fazendo esse tipo de som, mas já somos velhos demais para nos preocuparmos com isso.Foi algo difícil para vocês, tão acostumados com metal extremo, criar um som gótico e imergir nesse gênero e seu público ao vivo? Claro, com exceção do Vesa.
Markus: Foi uma chance, na verdade. Uma oportunidade de fazer algo diferente. Esse foi o motivo de eu ter entrado de cabeça nisso, pois só tem um guitarrista, e essa acho que é a grande diferença das outras bandas em que eu estou. E tem muito mais espaço para os teclados no Cemetery Skyline, o Santeri muitas vezes faz uma segunda guitarra com os teclados, então esse foi o desafio. Mas tudo está indo muito bem e de forma natural, então tem sido fantástico como tem sido fácil e natural. Eu diria que esse nosso som gótico nasceu sob as estrelas certas.Com o resultado do álbum e da aceitação que houve, já há planos para um segundo registro ou talvez uma gravação ao vivo?
Markus: É, eu acho que esse foi um motivo de termos começado essa banda. Havia uma lacuna nesse tipo de som por aqui e formamos este projeto há uns cinco anos, que foi quando tivemos as primeiras ideias. Naquele tempo não tinha quase nada de bandas góticas desse tipo, era algo meio inexplorado por aqui, e foi por isso que fizemos. Nesse meio tempo, parece que o gótico se tornou uma pequena tendência, com ótimas bandas aparecendo, como Unto Others, então começamos num bom momento, pois queríamos só fazer isso num grupo de amigos. E tem ido tudo tão bem, é tão bom estar com essas companhias, que é claro que já estamos planejando um segundo álbum. Eu e Santeri já estamos trabalhando em material novo, até estávamos discutindo com Mikael no último fim de semana como seria a proposta do álbum. Estamos trabalhando nisso, mas não tem nada pronto ainda.Mas sem planos de um disco ao vivo?
Markus: Bem, nós já gravamos alguns shows. Ainda não há planos de lançar, mas temos o material gravado. Gravamos também alguns shows acústicos. Temos material, só não sabemos o que vai ser lançado, nem quando.Para você, em especial, tem sido um desafio conciliar Insomnium, Omnium Gatherum e agora Cemetery Skyline ou você sempre consegue um tempo na agenda?
Markus: Eu nunca tenho tempo! É muito trabalho, pois tenho muitas bandas. Mas eu amo escrever músicas, e esse é o ponto principal. Então, sempre tento arrumar um momento livre para fazer isso, pois não consigo escrever quando estou na estrada, preciso estar sozinho em casa para compor. Antigamente era mais fácil, pois eram só o Insomnium e o Omnium Gatherum. Então, quando o Insomnium estava em turnê, o Omnium Gatherum gravava, mas agora está tudo muito maluco, com todas as bandas fazendo tudo ao mesmo tempo. O novo álbum do Omnium Gatherum já está pronto, e eu deveria estar agora compondo para o novo material do Insomnium, mas acabei compondo coisas para o Cemetery Skyline. Mas a gente sempre acha um tempo para tudo, e não dá para fazer a coisa correndo. E eu adoro ter tantos projetos, porque se não consigo escrever algo para o Insomnium, acabo criando para o Cemetery Skyline, então é assim que meu cérebro funciona. Não tenho controle sobre ele.Como você citou o Insomnium há pouco, sabemos que, depois da saída do Jani Liimatainen da banda, o Tomy Laisto tem tocado com vocês ao vivo. Há planos de torná-lo um membro permanente da banda?
Markus: Eu estava agora há pouco com eles! As coisas têm ido tão bem com o Tomy, que seria estúpido não colocar ele na banda oficialmente. Eu acho que vai acontecer quando for o momento de anunciar o próximo álbum. Aliás, talvez tenha ouvido falar que nosso ex-guitarrista que “desapareceu” mora aí perto de você, não?Sim, é verdade, ele mora por aqui no Brasil.
Markus: Bem, se o vir por aí, mande um ‘olá’. (risos) Mande nossas mais calorosas saudações, pois não temos nenhum contato ou resposta dele há uns dois anos.
Cemetery Skyline no Brasil
Em turnê pela América Latina, o Cemetery Skyline passará pelo Brasil em setembro com a turnê “The Darkest Summer” para show único, em São Paulo. Data: 16 de Setembro de 2025 – Terça-feiraAbertura: 19:00Local: Hangar 110Endereço: Rua Rodolfo Miranda, 110 – Bom Retiro – São Paulo, SPClassificação +18Ingressos:https://www.clubedoingresso.com/evento/cemeteryskylineClique aquipara receber notícias da ROADIE CREW no WhatsApp.