Problemas políticos e sociais do Brasil, surf e punk rock. O fotógrafo Guilherme Calissi reuniu todos estes temas em The Calabouço – Stupid Tour, um filme com ares de documentário que será exibido pela primeira vez em São José dos Campos nesta sexta-feira, 29 de junho, no Quintal Skatepark.
O evento começa às 18 horas e a entrada custa R$ 10. Após a exibição, haverá shows de três bandas que participaram da trilha sonora da produção: a local Lo-Fi, The Boneyard Club e We Suck as a Band.
Prata da casa, o L0-Fi completa uma década de atividades em 2018, com três turnês pelos Estados Unidos no currículo, além de 11 registros lançados – entre álbuns, splits e EPs. O power-trio, formado por Thiago (Guitarrista e Vocalista), Rogério (baixo) e Marcelo (bateria), participa em The Calabouço com “Die Young Blues” do disco We Murder, “The Separation of Music and Sports”, do Long Hair, Cold Drinks, e um cover do Billy Joe, “Ragged Old Truck”, gravou no split K7.
Com objetivo de fazer um filme voltado para o surf com trilha sonora punk rock, conta o diretor Calissi, as cenas de esporte são intercaladas com momentos da realidade brasileira, como os casos de corrupção, o submundo da Cracôlandia e o preconceito instalado em diversos setores da sociedade.
Em aproximadamente 40 minutos de duração, filmado na estética preto e branco, o mini-doc mostra atletas e free surfers em ação, como Dávio Figueiredo, Wesley Santos, Sidney Guimaraes, Murilo Graciola, Gilmar Teixeira e Dadá Figueiredo.
SERVIÇO
Exibição do documentário The Calabouço com shows das bandas Lo-Fi, The Boneyard Club e We Suck as a Band nesta sexta-feira, 29 de junho, às 18 horas, no Quintal Skatepark (Avenida Lineu de Moura, 1751 – Urbanova). Entrada: R$ 10 (somente em dinheiro). Informações: (12) 99645-0105.
Esta foi a primeira edição do Sweden Rock Festival após a venda do evento para uma grande empresa de entretenimento. Isso causou certa apreensão aos frequentadores, dado o risco de a organização mudar sua filosofia de priorizar o conforto do público ao invés de um maior lucro, que certamente viria se vendesse um número superior de ingressos e abarrotasse o local de gente. Pois, infelizmente, foi exatamente o que aconteceu este ano. Colocaram milhares de ingressos extras à venda, segundo eles, devido à inclusão do IRON MAIDEN no cast – a banda inglesa sempre foi considerada grande demais para o SRF. Mesmo assim, os ingressos se esgotaram em tempo recorde.
Além disso, outros fatores que prejudicaram a comodidade do público foram a redução do número e a mudança dos locais dos banheiros. Antes, estes eram distribuídos próximos aos palcos e agora passaram a estar disponíveis apenas em dois locais, o que causou longas filas.
Outro tema que deixou o público cativo do festival de cabelo em pé quando a venda foi anunciada foi a possível guinada do cast para bandas mais modernas, seguindo a tendência da maioria dos festivais europeus e americanos, o que graças a São Rock não aconteceu. Além de uma trinca de headliners fantástica, completada por JUDAS PRIEST e OZZY OSBOURNE, ainda tivemos os maiores representantes da nova leva de bandas de hard e sleaze da Suécia: HARDCORE SUPERSTAR, CRASHDÏET, H.E.A.T. e CRAZY LIXX! Enfim, um belo cast, que reverencia as grandes bandas e abre espaço para a nova geração, sem desviar da essência do evento.
DIA 1:
A abertura aconteceu no feriado em que o país celebra o Dia da Suécia, e o ASTRAL DOORS, prata da casa, fez as honras com a execução do hino sueco.
Sob um sol escaldante, seguimos para conferir mais uma ótima reencarnação do Thin Lizzy, o BRIAN DOWNEY’S ALIVE AND DANGEROUS. Brian, que foi o primeiro e único baterista da seminal banda irlandesa, está em plena forma no auge de seus 67 anos e, por meio de clássicos como “Jailbreak”, “Rosalie” e “Massacre” mostrou todo o seu enorme talento e originalidade. Acompanhado dos jovens Brian Grace e Phil Edgar nas guitarras e do clone do saudoso Phil Lynott, Matt Wilson no baixo e vocais, desfilaram pela brilhante discografia do Thin Lizzy, nos lembrando da importância do seu legado para o rock. Afinal, quantas bandas o Thin Lizzy não influenciou e influencia até hoje, com suas canções repletas de riffs icônicos, com aquela cozinha impecavelmente grooveada, melodias vocais cativantes e as tradicionais guitarras gêmeas?!
Todos estavam visivelmente felizes no palco e Wilson acabou indo pra galera na energética “The Rocker”! O final com “Black Rose” e “Waiting For Na Alibi” fez o público sair mais do que satisfeito…
Uriah Heep
Na sequência fomos conferir o CYHRA, considerado por alguns como “supergrupo”, já que é formado pelos ex-In Flames Jesper Strömblad e Peter Iwers (guitarra e baixo, respectivamente), pelo ex-Amaranthe Jake E (vocais), pelo ex-Annihilator Alex Landenburg (bateria) e Euge Valovirta na segunda guitarra. Infelizmente, Iwers deixou a banda dias antes e o CyHra se apresentou como um quarteto, com as linhas de baixo pré-gravadas. Considerando que o som dos caras já é bem moderno, cheio de efeitos e samplers, a ausência de um baixista “de carne e osso”, somada a um exagero de vocais pré-gravados, tornou a apresentação bastante artificial, digamos…
Como infelizmente o THE QUILL cancelou sua apresentação por conta de um problema de saúde do vocalista Magnus Ekwall, fomos acompanhar o retorno de um dos nomes mais importantes do power metal sueco, após um hiato de 10 anos: NOCTURNAL RITES. O som estava abafado, mas não chegou a comprometer a boa apresentação dos veteranos, que promovem seu novo disco “Phoenix”. O grande destaque ficou para a ótima “Still Alive” do álbum “Grand Illusion” de 2005.
Outro que teve que cancelar sua apresentação por problemas de saúde foi JOE LYNN TURNER, devidamente substituído pelos QUIREBOYS, liderados pelo estiloso vocalista Spike com sua voz rasgada, que parece ser regada a muito cigarro e uísque. Os britânicos fizeram o melhor show do dia, executando todos os hits como “There She Goes Again” e deliciosa “Mona Lisa Smiled”! Spike, que pulava e dançava mesmo com um dos pés imobilizado, não perdeu a chance de fazer uma piada irônica com os americanos. Ele disse apontando para a bota “Era para eu estar sentado no palco, mas, hey! Eu não sou americano!”.
Ainda tivemos um intenso show do BULLET e o encerramento do warm-up que ficou por conta do HARDCORE SUPERSTAR.
Helloween
DIA 2:
Muitos costumam chegar ao festival apenas no segundo dia, quando os dois palcos principais abrem. Como dessa vez tivemos um número de pessoas muito maior do que o normal, isto impactou no trânsito para chegarmos ao local. Por conta disso, perdemos praticamente todo o show do CRAZY LIXX, mas chegamos a tempo de pegar o final com “21’ Till I Die”. Foi o suficiente para comprovarmos que a evolução apresentada no excelente último disco “Ruff Justice” de 2017, também aparece na performance ao vivo dos caras. Uma banda muito mais madura e coesa do que aquela que vimos em 2007, quando estrearam no SRF. E que venha muito mais!
No caminho para o Sweden Stage para o show do BATTLE BEAST já ficou evidente que aquele seria o dia mais lotado da história do festivallen… Mesmo no comecinho da tarde, enquanto muita gente ainda não tinha chegado, já havia longas filas para comer e beber. Quanto aos finlandeses do Battle Beast, fizeram um show que agradou a quem já era fã, com destaque para a performance teatral da talentosa vocalista Noora Louhimo, com seu timbre rouco à la Bonnie Tyler.
Um dos shows que eu mais queria ver era do AVATARIUM, cujo mentor Leif Edling (Candlemass) criou uma mistura absolutamente original de doom metal com classic/hard/heavy dos anos 70 – leia-se Uriah Heep, Deep Purple, Black Sabbath e afins. E eles não decepcionaram!
Ao som de uma sombria introdução instrumental, a banda, formada pelo ex-Evergrey e Royal Hunt, Marcus Jidell (guitarra), Lars Sköld (bateria), Mats Rydström (baixo), Rickard Nilsson (órgão) e a bela e talentosíssima Jennie-Ann Smith (vocais), entrou no palco com o pé na porta executando a sensacional “Into The Fire / Into The Storm”, que também abre “Hurricanes and Halos” (2017). Emendaram com a emocionante “Pearls And Coffins” e aqui vale destacar a baita ousadia em tocarem uma música tão densa e introspectiva logo no início do set em um festival, onde certamente havia muita gente que estava conhecendo a banda ali. No entanto, o poder e suavidade da voz de Jennie-Ann se destacaram, chegando a dar um nó na garganta da plateia, tamanho feeling em sua interpretação. Sua figura serena em uma roupa branca esvoaçante contrasta de uma forma hipnotizante com o peso e intensidade das composições.
Avatarium
Também mandaram a pesadíssima “Moonhorse”, que bebe direto na fonte dos pais do Heavy Metal – Black Sabbath – e a excelente “The Sky At The Bottom of The Sea”, com uma influência escancarada de Uriah Heep. Um show fantástico de uma banda que ainda tem muita história pra contar…
Continuando na vibe dos 70’s, GLENN HUGHES fez um show impecável celebrando sua memorável passagem pelo Deep Purple. Além dos óbvios clássicos como “Stormbringer”, “Mistreated” e “Burn”, o público ainda foi brindado com a bela “You Keep On Moving” – em que Hughes lembrou que foi composta com seu parceiro David Coverdale – e a surpresa “Might Just Take Your Life”. O set ainda trouxe músicas gravadas na era Gillan como “Lazy”, “Smoke On The Water” e “Highway Star”, maiores sucessos da banda.
Hughes continua com sua voz em dia, além de ter a mesma energia no palco de 20 anos atrás! A bela “This Time Around”, que foi executada no show dessa tour em São Paulo, fez muita falta no set, mas nada que comprometesse a excepcional apresentação.
Os australianos do ROSE TATOO, que, aliás, figuram entre as principais influências do Guns N’Roses, executaram um show alto astral com seu rock’n’roll simples e direto fazendo a galera que os assistia no palco principal cantar e dançar ao som da clássica “Nice Boys”.
Chegava o momento de um dos principais nomes da edição deste ano tomar o palco: HELLOWEEN, com a tour Pumpkins United que trouxe de volta à banda Michael Kiske e Kai Hansen. Assim como aconteceu nos shows no Brasil, as boas vindas ficaram por conta da épica “Halloween”, que é simplesmente perfeita como abertura, mesmo que tendo tido algumas partes cortadas. A sequência com “Dr. Stein” já ganhou de vez o extasiado público! A nostalgia que bate ao ouvir esses hinos do metal executados ao vivo é inevitável… São músicas que marcaram a adolescência de muitos ali presentes e por isso tem um significado especial para estes fãs.
O medley de “Starlight/Ride The Sky/Judas/Heavy Metal (Is The Law)”, cantado pelo criador do power metal (ou metal melódico, como preferir), Kai Hansen, foi avassalador. Outros destaques foram o hit “Power” do aclamado “The Time Of The Oath” de 1996, “How Many Tears” com os três vocalistas cantando juntos e a empolgante “Eagle Fly Free” com belas imagens no telão.
Apesar de ter sido um set curto (comparando-se com o daqui) e de não tocarem nenhuma do espetacular “Master Of The Rings”, disco de estreia de Andy Deris, foi um showzasso!
Sem perder tempo, nos posicionamos em frente ao palco principal para o show mais esperado deste ano: a maior banda de heavy metal da história, IRON MAIDEN! Após a já esperada execução de “Doctor Doctor”, clássico do UFO, dois figurantes vestidos de soldados retiram as cortinas que cobriam partes do palco revelando um cenário de campo de batalha, com a bateria de Nicko atrás de uma parede de folhas como se estivesse camuflada! Eis que os PAs ecoam o épico discurso proferido pelo ex-Primeiro-Ministro do Reino Unido, Winston Churchill, durante a II Guerra Mundial, enquanto uma réplica enorme de um Spitfire, avião de caça britânico, sobe por trás da parede de amplificadores anunciando o hino “Aces High”.
Steve Harris, Adrian Smith, Dave Murray, Nicko McBrain, Janick Gers e Bruce Dickinson (vestido como piloto de avião da II Guerra) entram com a energia a mil por hora aos sons de tiros e explosões! A esta altura a multidão já estava enlouquecida! A sequência com “Where Eagles Dare” foi um presente para os fãs e, após “2 Minutes To Midnight”, Bruce diz que aquele era o último show na Escandinávia e que todos até ali tiveram 100% dos ingressos vendidos. Disse que aquela seria a última vez que falaria ao público naquela noite, já que o set list, por si só, iria contar uma história.
Iron Maiden
O imenso backdrop que mudava a cada música trazia agora o mascote Eddie como guerreiro escocês, abrindo alas para “The Clansman” do álbum “Virtual XI”. Há quem diga que, embora esta música tenha sido originalmente gravada por Blaze Bayley, parece que foi feita para Bruce Dickinson cantar. Aliás, é algo impressionante o pique que esse cara tem! Ele pula e corre de um lado para o outro sem parar, enquanto canta de forma irretocável.
A próxima mudança de backdrop anunciava a idolatrada “The Trooper”. Eddie entrou caracterizado como soldado da cavalaria inglesa e lutou com os caras no palco. Bruce que sempre agita uma surrada bandeira da Inglaterra nessa canção, dessa vez também saudou os donos da casa com a bandeira da Suécia.
Chega o momento em que o palco muda completamente… Lustres e candelabros descem das estruturas e em questão de segundos o campo de batalha vira uma igreja, com enormes vitrais ilustrados com as capas dos álbuns e singles da banda. A essa altura já ficava claro que estávamos presenciando a maior produção que o Iron Maiden já teve! Tudo isso preparou o clima para a fantástica “Revelations”, com Bruce agora usando uma batina.
A sequência veio com a inusitada “For The Greater Good”, “The Wicker Man” e “Sign Of The Cross” (que não era tocada desde 2001), em que o vocalista traz um enorme crucifixo iluminado. Um gigantesco boneco do homem-alado Ícaro surge atrás da bateria, revelando aquele que talvez tenha sido o ápice deste histórico concerto: “Flight Of The Icarus”, que não era tocada desde 1986! Nessa música o vocalista usa dois lança-chamas acoplados aos seus braços, completando o visual que deixou os 36 mil headbangers de queixo caído.
A batida “Fear of The Dark”, em que Bruce cantou usando uma máscara e segurando uma lanterna, foi seguida pela maligna “The Number Of The Beast”, dessa vez com o palco transformado em um verdadeiro inferno com uma muralha de fogo e um backdrop com um rio de lava e figuras macabras.
Na sequência veio a clássica “Iron Maiden” e um Eddie demoníaco gigantesco emergiu atrás da bateria! Uma breve pausa para recuperarmos o fôlego e a banda então retorna com a trinca final: “The Evil That Man Do”, “Hallowed Be Thy Name” e “Run To The Hills”. Certamente a maior e mais teatral produção de um dos maiores ícones do Metal. Os caras parecem vinho… Quanto mais velhos, melhor ficam… Impressionante. Show histórico e irretocável!
Iron Maiden
E ainda tinha mais pela frente, afinal o principal representante do thrash metal europeu estava prestes demolir o palco Rock! O KREATOR, que pela primeira vez se apresentava a noite no SRF, dessa vez veio com um palco surpreendentemente bem produzido com uma iluminação insana, totalmente sincronizada com a bateria, várias telas de LED em forma de espelhos medievais, corpos pendurados ao fundo, muita pirotecnia e seu famoso mascote encapetado em uma versão gigante pendurado sobre a bateria.
Pauladas como “Phobia”, “Hordes of Chaos” (com direito a chuva de fitas prateadas) e “Violent Revolution” (em que figurantes mascarados acenderam sinalizadores para completar a imagem do caos), fizeram com que encontrássemos energia extra para bangear depois de 13 horas de maratona! Até um empoeirado circle pit rolou em plena madrugada sueca.
Como já havíamos assistido os alemães em outras duas edições do festival, a ideia era também conferir um pouco do H.E.A.T, que tocava no mesmo horário no palco Sweden. Nós até demos uma chegada lá, mas não teve jeito… Tivemos que correr de volta para o palco Rock, pois fomos praticamente sugados pelo atropelo do Kreator. Simplesmente não dava para perder o que estava acontecendo ali.
Em “Fallen Brothers”, as telas projetavam imagens de ícones do rock já falecidos, como Dio, Lemmy, Phil “Animal” Taylor, “Fast” Eddie Clarke, Paul Baloff, Bon Scott, Phil Lynott, David Bowie, etc. Ao anunciar a última música, Mille Petroza brinca dizendo que aquela seria a última chance um matar o outro, dando a deixa para o rolo compressor “Pleasure to Kill”. Que show brutal!
No caminho para o ônibus ainda paramos para ver um pouquinho da lenda COVEN, criadores do occult rock.
Coven
DIA 3:
No terceiro dia de festival o corpo já está pedindo arrego. Tudo doía! Fora a dificuldade em pular da cama depois de dias dormindo uma média de 4, 5 horas por noite. Mas basta lembrar que aquilo tudo logo iria acabar para dar o gás necessário.
A festa começou com um excelente show das veteranas do VIXEN, a única banda representante do hard rock dos anos 80 no line-up deste ano. “Rev It Up” já serviu para esquecer o cansaço e entrar no clima novamente. Em “I Want You To Rock Me”, incluíram um cover de “Perfect Strangers” que ficou bem legal. Nem parece que há menos de seis meses a vocalista Janet Gardner teve que se submeter a uma cirurgia de emergência para tratar um hematoma subdural e colocar uma placa de titânio na cabeça, enquanto que a guitarrista Britt Lightning, que substituiu a saudosa Jan Kuehnemund, parece já estar totalmente a vontade em seu posto.
A baixista Share Pedersen cantou “I Don’t Need No Doctor”, cover do Humble Pie e o final veio com o hit “Edge Of A Broken Heart”. Excelente trilha para o café-da-manhã.
Mais uma vez o PRETTY MAIDS iria se apresentar no palco principal, agora promovendo seu último trabalho, “Kingmaker”, de 2016. Como já era esperado, foi um show impecável, em que misturaram muito bem músicas de diferentes fases da banda, como “Back To Back” e “Red, Hot And Heavy” do disco homônimo de 1984, as clássicas “Rodeo” e “Future World” e a maravilhosa “Little Drops of Heaven”, de “Pandemonium”. Aliás, vale ser destacado o quanto essa música é forte ao vivo. Uma das melhores composições dos anos 2000, fácil!
Pretty Maids
Os caras do TURBONEGRO com seus trajes inusitados lotaram o palco Rock, enquanto os veteranos do URIAH HEEP fizeram a alegria dos fãs no palco Sweden, mesmo com desnecessários solos de guitarra e bateria.
O vocalista Bernie Shaw disse que depois de tantos anos de banda e passando mais de 200 dias por ano na estrada, as coisas ficam um pouco repetitivas. Por isso, de tempo em tempo incluem alguma música no set que não tocavam há 10, 15 anos! A deste dia seria “Between Two Worlds”, do álbum “Sonic Origami” de 1998.
O encerramento, como não podia ser diferente, veio com a empolgante “Easy Livin’”. Interessante a rapidez com que a equipe de apoio socorreu um fã que passou mal durante o show.
O STONE SOUR abriu seu show no palco principal com a nova “Whiplash Pants” com faíscas saindo pra todo lado. Corey Taylor já foi pra galera logo de cara! A sequência foi com a ótima “Absolute Zero” em que já deu pra ver que o cara estava cantando muito bem, enquanto que a banda mostrou todo seu peso em “Cold Reader”. Destaques para “Tired”, uma das composições mais intensas da banda, “Bother”, que segundo o vocalista foi o primeiro contato de muita gente com a banda, e os hits “Through Glass” e a nova “Song #3”. Sem dúvida, Stone Sour é um dos candidatos a headliners do futuro.
Uma das coisas que tornam o Sweden Rock tão especial é que sempre trazem algumas excelentes bandas “esquecidas” para o cast. Já tivemos a reunião do Triumph, do Axe, do Great King Rat, entre outros. Esse ano isso se repetiu com HEAVY LOAD, simplesmente primeira banda de heavy metal da Suécia e primeira banda de viking metal do mundo, e que não se apresentava desde 1985.
E os caras continuam em plena forma, como deu pra ver logo na abertura com “Heavy Metal Angels”. Clichês da década de 80 estavam presentes, como a frase escrita na boina que o carismático vocalista Ragne Wahlquist usava: “Guitar is my sword”. Certamente grandes nomes como Manowar beberam muito dessa fonte.
Chegou a hora de dar adeus para uma das maiores lendas da história da música. OZZY OSBOURNE estava prestes a fazer o que muito provavelmente foi seu último show na Suécia e, como não poderia ser diferente, acompanhado de seu fiel escudeiro Zakk Wylde.
As luzes se apagam e começa um vídeo emocionante com imagens de todas as fases da carreira do madman. Ozzy entra no palco ao som de “O Fortuna” de Carl Orff, vestindo um exuberante sobretudo brilhante. Saúda a plateia e dá início à festa com a célebre frase “Let the madness begin!”, emendada pelo cortante riff de “Bark At The Moon”.
Ozzy Osbourne
O show é aquela sequência de hits eternos que todos esperam, como “Mr. Crowley”, “I Don’t Know” e a espetacular “Fairies Wear Boots” do Sabbath. Desnecessário falar sobre o absurdo talento de Zakk Wylde como guitarrista, mas ninguém tem a pegada do mestre Tony Iommy. As músicas do Black Sabbath tocadas por ele têm 1.000 kg a mais…
Em “Suicide Solution” bateu forte a saudade daquele show da segunda edição do saudoso Monsters of Rock em 1995, quando Ozzy estava em sua melhor forma! Zakk fez um solo de guitarra intercalando com riffs eternos de “Miracle Man”, “Crazy Babies”, “Desire” e “Perry Mason”. A banda completada por Blasko (baixo), Adam Wakeman (teclados e, sim, filho de Rick Wakeman) e Tomy Cufletos (bateria) – que participou das duas últimas turnês do Black Sabbath – sem dúvida é uma das melhores formações da carreira solo do senhor Osbourne.
“Shot In The Dark” fez todo mundo cantar, mesmo com um solo desnecessariamente exagerado de Wylde, e deu um nó na garganta pensar que possivelmente estávamos ouvindo “Crazy Train” ao vivo pela última vez. A saideira veio com a emocionante “Mama, I’m Coming Home” e o hino absoluto “Paranoid”.
Demos nosso inevitável adeus ao madman, com um sentimento de enorme gratidão pelo seu legado não apenas à música, mas também pelo estilo de vida rock’n’roll. E, enquanto os PAs ecoavam a versão de “Changes” cantada por Ozzy e sua filha Kelly Osbourne, não podíamos deixar de imaginar a possibilidade dele mudar de ideia e fazer a No More Tours 3, 4 e 5… Não custa sonhar, não é!?
Corremos para ver um pedacinho do LUGNET na tenda! Pena que só deu tempo de conferir a linda “Tears In The Sky”, muito bem executada pelo novo vocalista, Johan Fahlbergs (Jaded Heart), e “All The Way”, música que abre o excelente disco de estreia de 2016. Que venha logo o segundo trabalho desses suecos!
DIA 4:
O último dia começou com o animadíssimo show do THE NEW ROSES! O vocalista avisou que a festa começaria ali, e ele tinha razão. Com um rock’n’roll despretensioso, porém muito bem feito e com muita personalidade, os caras certamente ganharam muitos novos fãs! “Every Wildheart”, “Dancing On A Razor Blade” e “Life Ain’t Easy (For A Boy With Long Hair)” fizeram todo mundo balançar! Quem assistiu provavelmente saiu com a mesma opinião: esses caras fazem música muito boa e ponto final! Outra banda que ainda está só começando e que tem muita lenha a queimar…
The New Roses
O Rock vive!
Os veteranos do southern rock DOC HOLLIDAY, fizeram uma boa apresentação cujo ponto alto foi o hit de seu segundo trabalho, “Southern Man”. Acabou não sendo possível assistir outro importante nome da nova leva de hard/sleaze da Suécia, o CRASHDÏET, que se apresentava no mesmo horário.
CIRCUS MAXIMUS é uma banda que vem crescendo nos últimos anos, principalmente após seus dois últimos lançamentos, “Nine” e “Havoc”. Os caras fazem um som extremamente técnico, com ótimas melodias e muito peso, tudo isso recheado com aquela pegada prog metal sem os exageros de alguns representantes do gênero. Para entender o som dos caras, escute a fantástica “I Am”, que também está entre as melhores composições dos anos 2000.
Assim como foi a apresentação dos noruegueses no Hangar 110 em São Paulo há dois anos, este também foi um excelente show, daqueles que nem se vê passar o tempo e que deixa aquele gostinho de quero mais! Destaque para o monstro Truls Haugen na bateria e para os belíssimos solos do guitarrista Mats Haugen. Um dos melhores momentos deste ano.
O retorno do STEELHEART ao SRF trouxe a tour do último disco, o razoável “Through Worlds Of Stardust” de 2017. O vocalista Michael Matijevic, famoso por seu absurdo alcance vocal e por ter participado da trilha sonora do filme “Rockstar”, continua cantando muito, e os sucessos “I’ll Never Let You Go” e “She’s Gone” foram o ponto alto da apresentação, mostrando que os ultra agudos de outrora ainda estão lá.
O metal tradicional teve mais um representante com o TORCH, liderado pelo peculiar vocalista, o “Papai Noel do inferno”, Dan Dark! O cara não para de agitar um segundo. Destaque para a excelente “Eletrickiss” que é Accept puro.
Havia certa expectativa para o show do STRATOVARIUS, uma banda que marcou a década de 90 liderando o renascimento do power metal. Ame ou odeie, era impossível passar despercebido.
Com apenas Timo Kotipelto (vocais) e Jens Johansson (teclados) da formação clássica, a banda fez um show morno, cheio de altos e baixos. As antigas como “Forever Free”, “A Million Light Years Away” e “Speed of Light” empolgavam, apesar do som baixo e super abafado.
Já as mais novas davam aquela derrubada na energia, mostrando o quanto Jörg Michael, Jari Kainulainen e Timo Tolkki fazem falta. A excepcional “Hunting High And Low” fechou o set, que deixou de fora o hit “Kiss Of Judas”. Decepcionante.
Outro grande anúncio deste ano foi YES FEATURING ARW, versão da lendária banda inglesa de rock progressivo com Jon Anderson (vocal), Trevor Rabin (guitarra) e Rick Wakeman (teclados), que entrou com sua tradicional e espalhafatosa capa dourada e vermelha! Destaques para as sensacionais “Hold On”, “Changes” e o mega-hit “Owner of A Lonely Heart”, na qual o som da guitarra de Rabin foi impressionante. Uma bela comemoração dos 50 anos de uma das mais importantes bandas da história.
Para fechar com chave de ouro, mais uma banda que participou da criação do Heavy Metal: os habitués da casa, JUDAS PRIEST!
Dessa vez, os caras se superaram. Após o petardo “War Pigs” executado no som mecânico, entraram quebrando tudo com a excelente “Firepower”, faixa-título do aclamado disco novo. E dali em diante o que se viu foi um show que todo fã sonha, sendo que a primeira hora foi praticamente inteira de lados-B, como “Grinder”, “Sinner”, “The Ripper”, “Bloodstone” e a inusitada “Saints In Hell”, de Stained Class de 1978, quando imagens de fantoches diabólicos passavam no enorme telão no centro do palco.
As surpresas continuaram com “Tyrant” e a emocionante “Night Comes Down”. É exatamente isto que uma banda com uma discografia tão extensa e de tanta qualidade deve fazer. É muita preguiça ficar tocando as mesmas 15, 20 músicas por décadas, sendo que existem tantas outras canções que os fãs adorariam ouvir. Imagine por exemplo se o KISS fizesse uma turnê tocando “Magic Touch”, “Naked City”, “Mr. Speed”, “Heart Of Chrome”, etc?! Infelizmente, acho que não veremos isso…
Voltando ao Judas, Richie Faulkner (guitarra) cresceu muito no palco e ocupou bem o gigantesco buraco deixado pela ausência de Glenn Tipton, que devido à progressão da sua doença (Parkinson), foi obrigado a abandonar a turnê. Ele foi competentemente substituído pelo aclamado produtor Andy Sneap.
E, na parte final do show, mandaram os grandes clássicos que não podem ficar de fora, como o rolo compressor de “Painkiller”, quando foram exibidas imagens de Tipton no telão. Emocionante.
Judas Priest
Um dos maiores frontman da história, Rob Halford, disse que amava muito o público e que tinha um cara que também amava muito a Suécia, trazendo então Glenn Tipton ao palco, que caminhou cuidadosamente à frente e deu início ao hino “Metal Gods”. Momento de êxtase absoluto! Ainda com Tipton, emendaram “Breaking The Law” e encerraram esta aula-magna de heavy metal com a tradicional “Living After Midnight”, despedindo-se com a mensagem “The Priest will be back”!
Assim foi encerrado mais uma histórica edição do que para muitos é o melhor festival do mundo, com os grandes mostrando para a nova geração como se faz. Keep the fire burning!
A tradicional banda sueca de black metal Dark Funeral, atualmente formada por Heljarmadr (vocal), Lord Ahriman e Chaq Mol (guitarras), Adra Melek (baixo) e Jalomaah (bateria), retornará ao Brasil para um show especial no próximo dia 21 de outubro, a partir das 18h, no Manifesto Bar, em São Paulo.
Criado em Estocolmo em 1993 pelos guitarristas Blackmoon e Lord Ahriman, o grupo se destacou na segunda leva do black metal por apresentar um metal extremo, diferentemente do que vinham fazendo bandas como Cradle of Filth e Dimmu Borgir, que utilizaram mais de teclados em suas composições.
O grupo, atualmente celebrando seus 25 anos de carreira, fará um repertório englobando os antigos clássicos como “Open the Gates”, “The Secrets of the Black Arts”, “Vobiscum Satanas”, “The Arrival of Satan’s Empire”, “Atrum Regina” e “My Funeral”, além de faixas mais recentes, de “Where Shadows Forever Reign” (2016). “A América do Sul como um todo é um lugar bem especial para nós, temos muitos fãs por aí. Lembro da energia da plateia, da intensidade dos shows. As pessoas foram muito legais conosco. Por isso é sempre especial quando voltamos para tocar aí”, declarou Lord Ahriman (Mikael Svanberg) em entrevista à revista Roadie Crew.
O Manifesto Bar fica na rua Iguatemi, 36, no bairro do Itaim Bibi, em São Paulo. Fone: (11) 3168-9595. Aceita cartões: Visa, Mastercard e Dinners / Débito (Visa Electron, Maestro, Rede Shop). Censura: 16 anos. Possui acesso a deficientes, ar condicionado, wi-fi e valet service na porta. Site: manifestobar.com.br
A Shadowside finalizou a primeira parte da tour de seu novo CD, “Shades of Humanity”, em uma passagem pelos EUA ao lado da banda canadense Anvil, que influenciou bandas como Megadeth, Slayer, Anthrax e Metallica.
A turnê marcou a estreia oficial do baixista sueco Magnus Rosén (ex-Hammerfall) nos palcos com a banda brasileira, com shows em importantes casas dos Estados Unidos como o The Bossanova Ballroom (Portland, OR), The Phoenix Theater (Petaluma, CA), Count’s Vamp’d (Las Vegas, NV), Reggies Rock Club (Chicago, IL), El Club (Detroit, Michigan), Rock Star Pro Arena (Dayton, OH) e o lendário The Roxy Theatre (Los Angeles, CA).
A Shadowside havia realizado sua última tour nos EUA em 2009 e durante esta viagem da banda ao país percorreu mais de 22.000 Km durante 46 dias de viagem, passando por 20 estados com 29 shows, fazendo desta a maior tour da banda já realizada em solo americano até então.
A turnê teve convidados especiais, como o multi-instrumentista Douglas Jen no baixo durante 11 shows, devido à ausência temporária do baixista Magnus Rosén por compromissos inadiáveis. Magnus retornou aos palcos com a Shadowside no dia 3 de junho, no show realizado no icônico The Roxy Theatre, em Los Angeles, que teve a participação especial de Daniel Stilling, diretor cinematográfico do aclamado clipe “Alive” (disponível em https://www.youtube.com/watch?v=EF9Tv5USAYg), na ocasião somando o peso de mais uma guitarra ao quarteto, em um momento nostálgico com o baterista Fabio Buitvidas, relembrando sua antiga banda Acid Storm, do final dos anos 90, que teve um trabalho à época produzido por Stilling.
Durante toda a passagem pelos Estados Unidos, a Shadowside captou fotos e vídeos exclusivos de shows e bastidores que serão publicados durante as próximas semanas nas mídias sociais da banda, assim como blogs e diários da turnê.
De volta ao Brasil, a banda já está negociando as datas da tour brasileira, que está prevista para o mês de outubro, e agendando a sequência da turnê em outros países. Mais detalhes serão divulgados em breve.
Os contatos para shows devem ser feitos através da Furia Music Produções pelo e-mail [email protected], e os jornalistas interessados no presskit do grupo e agendamento de entrevistas devem entrar em contato através do email [email protected].
Websites:www.shadowside.netwww.facebook.com/shadowsidebandwww.youtube.com/shadowsideofficial
A mensagem da música ‘Descaso’, presente pelo Escombro no EP Eutanásia Social, é direta no ponto de diversas problemáticas do Brasil: a violência física e moral causada à população pelas atitudes e descaso dos governantes. A crítica fica ainda mais explícita neste lyric vídeo que o quarteto hardcore paulista do cast da Artico Music acaba de lançar. Você pode conferir o ‘lyric vídeo’ abaixo.
Testa, um dos apresentadores e idealizadores do programa Meninos da Podrera, é quem assina a produção do lyric. Manchetes de jornais que evidenciam corrupção, violência e negligências sociais usadas no vídeo servem para reforçar a situação triste em que vive grande parcela dos brasileiros. O vocalista Jota reforça a ideia. “A música fala de algo que acontece diariamente e as noticias estão ali para comprovar”.
O lyric video de ‘Descaso’ sucede o video-clipe de ‘Entre Lobos’, o primeiro single de Eutanásia Social. O EP, disponível pela Artico nas plataformas de streaming e também à venda com o Escombro e na loja do selo (www.articoshop.com.br) em CD físico, é um dos mais aclamados lançamentos hardcore de 2018 no Brasil, devido ao peso e críticas sociais pontuais.
Nos palcos, o próximo compromisso da banda é dia 7 de julho, na terceira edição do festival Hardcore Por Um Mundo Mais Digno Fest, em São Paulo. A partir das 16 horas, no Jai Club, o Escombro terá a companhia de Institution, Santa Morte, Never Look Back e Fim da Aurora.
A lendária banda portuguesa de gothic metal MOONSPELL anunciou o lançamento de seu novo material ao vivo, intitulado Lisboa Under The Spell.
Você pode conferir o vídeo ao vivo da faixa Alma Mater, retirada de Lisboa Under The Spell abaixo.
Gravado na arena Campo Pequeno em sua cidade natal, Lisboa, em 4 de fevereiro de 2017, o registro revela o inimitável vínculo entre o MOONSPELL e 4.000 de seus fãs, em uma apresentação ‘sold-out’ que é pura adrenalina, capturada para toda a eternidade no enorme pacote DVD / Blu-ray / 3CD, que será lançado em 17 de agosto via Napalm Records.
A banda comentou o lançamento: “Estamos entusiasmados em anunciar o lançamento do nosso novo álbum ao vivo, intitulado Lisboa Under The Spell! Foi gravado ao vivo na nossa deslumbrante Capital, Lisboa, e não é nada menos do que uma jornada épica de mais de três horas cheias de ação! Nós tocamos Wolfheart, Irreligious e Extinct na íntegra, contamos com um grupo de convidados, convocamos nossas maiores forças para estar à altura da tarefa, e é incrível lançar o tão aguardado material ao vivo do MOONSPELL, que virá repleto de material incrível, CDs bônus dos shows, um documentário profundo sobre a banda, o som de alta qualidade, um toque dramático e a pintura humana de milhares de bruxas e lobos portugueses sob o feitiço. Um grande documento do que nós somos dentro e fora dos palcos. Não perca, e visite Lisboa através dos olhos dos fãs do MOONSPELL e do genial trabalho do diretor Victor Castro“.
O primeiro de uma série de videoclipes com cenas dos bastidores de Gravity, o sexto álbum de estúdio dos galeses BULLET FOR MY VALENTINE, pode ser visto abaixo. O disco será disponibilizado no dia 29 de junho.
Gravity será lançado através do novo selo do BULLET FOR MY VALENTINE, a Search And Destroy, a marca lançada em 2014 pela Spinefarm e pela empresa internacional de gerenciamento de artistas Raw Power Management. A sequência de Venom, de 2015, marca a estreia de BULLET FOR MY VALENTINE com o novo baterista Jason Bowld (PITCHSHIFTER, AXEWOUND), que esteve em turnê com o grupo nos últimos dois anos, e o baixista Jamie Mathias (anteriormente REVOKER), que se juntou à banda depois que o último disco foi concluído.
“Ao longo dos últimos 12 meses, tenho pensado muito sobre a palavra ‘contemporâneo’”, disse Matt Tuck, vocalista do BULLET FOR MY VALENTINE. “E eu sinto que esse é um disco contemporâneo. Não é uma coisa de velha escola. Nós já fizemos isso, então vamos seguir em frente e tornar a banda mais interessante. Nós não queremos alienar ninguém… mas nós não queremos mais escrever a mesma coisa, os ‘metalheads’ vão gostar disso. Eu realmente sinto que as partes eletrônicas mais calmas tornam os momentos mais pesados ainda mais esmagadores. É sobre envolver o ouvinte e levá-los a uma jornada, mexendo com suas cabeças um pouco…”.
Recentemente, o BULLET FOR MY VALENTINE completou uma extensa turnê norte-americana com o BREAKING BEJAMIN e o AVENGED SEVENFOLD.
O grupo COHEED AND CAMBRIA, anunciou detalhes sobre o seu novo álbum e disco de estreia pela sua nova gravadora, a Roadrunner Records. The Unheavenly Creatures contará com quinze canções, um verdadeiro épico de 78 minutos, que mostrará o COHEED AND CAMBRIA retornando à narrativa conceitual de “The Amory Wars”. Na semana passada a banda lançou pré-vendas para o imersivo versão Vaxis – Act 1: The Unheavenly Creatures Limited Edition Deluxe Box Set do álbum. As pré-vendas do álbum padrão The Unheavenly Creatures começarão na sexta-feira, 29 de junho, com novas músicas do próximo LP chegando na próxima semana.
Com lançamento previsto para 5 de outubro, o box inclui um romance de ficção científica ilustrado de capa dura com mais de 80 páginas, com imagens em cores surpreendentemente realísticas de Chase Stone, bem como a história completa Act 1, escrita pelo vocalista Claudio Sanchez e sua esposa, Chondra Echert. O conjunto também abriga uma máscara de plástico rígido (que pode ser usada) do personagem principal da trama The Unheavenly Creatures, uma cópia em CD do álbum, bem como o álbum bônus exclusivo, The Crown Heights Demos, mostrando as músicas em sua forma original. Itens adicionais incluem um pôster desdobrável de três painéis de capa expandida do álbum, e o The Unheavenly Creatures Black Card, que permitirá a todos os titulares de cartão acesso antecipado a ingressos nas datas principais da nova turnê do COHEED AND CAMBRIA.
No dia 10 de agosto, a banda alemã VAN CANTO lançará o seu sétimo álbum de estúdio, Trust in Rust, via Napalm Records. O ‘lyric video’ oficial para a faixa de abertura do disco, Back In The Lead pode ser visto abaixo.
Desde 2006, eles vez trazendo o poder do vocal puro para o mundo do metal. Agora composto por sete membros, Trust In Rust do VAN VANTO cobre uma ampla gama de estilos, do melódico ao bombástico, mostrando toque típico da banda em baladas, no hard rock e nos hinos do speed metal. As versões cover, desde Ride The Sky do HELLOWEEN (com a participação de Kai Hansen do HELLOWEEN e GAMMA RAY) até Hells Bells do AC/DC, dão aos ouvintes uma visão completamente nova da banda vocal. O som de Trust In Rust reflete as experiências variadas do VAN CANTO na estrada, com poder ininterrupto e paixão pela voz humana em heavy metal.
O VAN VANTO comenta sobre o novo álbum: “Se você lança sete álbuns em 12 anos, você não conseguirá enferrujar. No entanto, o novo álbum é mais áspero e mais metal. É um trabalho composto por todos os sete membros da banda, cheios de novas ideias mas sem perder o bom e velho estilo VAN CANTO. Ainda estamos animados com o que estamos fazendo e acreditamos em nós mesmos – Trust in Rust!”
Com mais de 20 anos de carreira a banda Deformity BR se tornou definitivamente uma das mais importantes e avassaladoras bandas de nosso cenário. Nesta trajetória conquistada com muito sangue, suor e dedicação a Deformity BR está no hall das bandas mais respeitadas do estilo. O seu fundador e mestre em física (não preciso nem mencionar sua inteligência) Yuri Hamayano nos concedeu gentilmente esta entrevista para que possamos saber como a banda superou todas as dificuldades e hoje, após retomados seus batimentos cardíacos, continuam derretendo nossos tímpanos.
Yuri Hamayano, Foto por: Divulgação
A Deformity BR foi fundada em 1995 na cidade de Feira de Santana e por todos esses anos a banda se manteve fiel ao estilo. Como surgiu a proposta de fazer o Brutal Death Metal? Fale-nos a respeito dessa criação sangrenta chamada Deformity BR…
Yuri Hamayano: Eu e Julio (guitarra) somos os fundadores da banda. Nós nos conhecemos em 1993 e participamos de outro projeto juntos. Felizmente aconteceram brigas e divergências nesse projeto, assim decidimos sair para fundar a Deformity. O engraçado é que, no início, não havia nada de Brutal Death Metal. Sequer tínhamos uma ideia clara de como seria o som. Nessa época, as composições tinham uma influência Death/Doom e Lucio já estava fazendo o vocal conosco. Nem sonhávamos com “blast beats”! As músicas eram bem mais lentas e as partes mais rápidas possuíam uma pegada mais tradicional Death Metal. Em 1997 eu tive que me ausentar por um ano para estudos e, nesse interstício, Lucio acabou apresentando bandas mais brutais para Julio, como o Cannibal Corpse, Carcass, Brutal Truth, Napalm Death e Terrorizer. Essas bandas não me chamavam muito a atenção. Eu ainda estava vidrado em bandas como Slayer, Gorefest e Paradise Lost. Além disso, até aquele instante, eu ainda não havia sido apresentado ao conceito “splatter”, mas mesmo assim tive uma brilhante ideia de começar a retratar os acontecimentos com muito sangue, além de eventos brutais e doentios nas letras (também conheci o Mortician nessa época). Quando nos reencontramos, Julio me mostrou as novas composições que definiram o atual estilo da banda; do meu lado, os apresentei minhas novas ideias para as letras – Lucio me explicou que aquilo já existia e era denominado “splatter”. Assim nasciam os clássicos “Agony Yells” e “Bloody Banquet”. Entramos de vez no mundo do Splatter Death Metal e o som foi se tornando cada vez mais brutal, como um carro velho que desce uma ladeira esburacada e sem freios.
Julio Nascimento, Foto por: Divulgação
Feira de Santana é uma cidade que foi apelidada como a “Princesa do Sertão” pelo escritor Ruy Barbosa e que é um celeiro de bandas importantíssimas no underground. Como você vê a cena na região atualmente?
Yuri Hamayano: Se formos bem precisos quanto à geografia, Feira de Santana não está exatamente no sertão da Bahia… kkkkk… Sem me prender a essas questões secundárias, posso estender seu questionamento a todo o interior da Bahia, excluindo apenas a região metropolitana de Salvador. Dessa forma não deixo de citar bandas como a Suffocation of Souls que, dentre as interioranas, ainda é nova, mas já alçou voos mais altos (e fazem um Thrash foda). A cena do interior vai muito bem (em termos de bandas), obrigado! Sempre tivemos ótimas bandas, algumas delas conseguiram sobreviver, outras não; e já existem tantas outras novas… o pessoal não para! Assim, posso citar alguns nomes que me vêm rapidamente à mente, como: Braincancer, Impios, Inside Hatred, Bastard, Kerberus, Sades, Second Face, entre outros; em Feira de Santana, mais especificamente, temos Human, MetalWar, Martyrdom, Pestis, Erasy e Pathfinders que já estão na batalha há algum tempo; outras começando agora, como a Gaia Beta. É muito bom perceber que a cena metálica baiana não está mais restrita à região metropolitana de Salvador. O interior, além das bandas, tem conseguido apresentar ótimos festivais, muitos bons fanzines e uma estrutura foda. Só fico triste porque estamos passando por um momento de baixa de público. Já passamos por outros momentos como esse e percebo que é um movimento cíclico da cena. Imagino que este seja um desses momentos de transição entre gerações. Muitos bangers antigos somem e os novos ainda não se sentiram agentes do próprio cenário. Por isso a importância em acolher e cativar o sangue novo. Aqui em Feira de Santana foi criado um grupo para tentar discutir coletivamente os problemas do cenário, especialmente do interior da Bahia. Já fizemos uma mesa redonda para discutir essas questões com a participação do público e esses esforços já têm resultado em boas ideias. Agora só nos falta pôr mãos à obra e colocar os projetos para frente. Espero que o fortalecimento venha num curto tempo, toda a Bahia ganha com isso!
Krusius Barreto, Foto por: Divulgação
A última vez que os vi ao vivo, a banda contava com o Fúlvio (Ex-Sower) e também com um dos vocais mais brutais que eu conheço: Lúcio. Hoje a banda não conta mais com ele no vocal. Qual o motivo desse afastamento?
Yuri Hamayano: Cara, então já faz muito tempo que você viu uma apresentação nossa! 2002/2003? A saída será irmos a São Paulo para uma apresentação! Kkkkk… Nós temos muito apreço pelos ex-integrantes da banda. No caso do Fúlvio, mesmo tendo ficado conosco por muito pouco tempo, ele conseguiu fazer contribuições importantes, trazendo ideias e experiências. Seria interessante ainda tê-lo na banda… aliás, seria bom se todos os ex-integrantes pudessem continuar juntos conosco na Deformity. Imagine! Uma banda com 20 integrantes! Kkkk… Com relação a Lucio, concordo contigo: é um dos vocais mais brutais e versáteis que eu tive o prazer em conhecer. Infelizmente divergências aparecem e elas vão minando as relações entre as pessoas. Isso é a coisa mais natural do mundo! O estranho é ver as pessoas terem o amadurecimento para conseguir repensar as situações e contornar os problemas. Foi muito triste, pois era inimaginável tê-lo fora da banda. Afinal, havia a amizade de anos, além do fato de a Deformity BR ser caracterizada exatamente por seu timbre. Mas creio que o seu afastamento tenha sido a melhor solução. Estávamos preocupados em como solucionar o problema da carência de uma voz que pudesse ser a nova cara da Deformity. Não saímos à procura de novos vocalistas, mas mesmo assim, com a notícia da saída de Lucio, algumas pessoas demonstraram interesse na posição e ofereceram ajuda – um deles com o vocal tão fudido e versátil quanto o do próprio Lucio (coisa que eu não imaginava que pudesse acontecer). O engraçado é que você não se dá conta da repercussão que sua banda possui até acontecer um evento como esse. Conversamos entre nós e decidimos que o baixista Krusius também assumiria o vocal, afinal ele já estava acumulando essas duas funções em alguns shows que Lucio ficou impossibilitado de viajar. Seu timbre é completamente diferente daquele de Lucio e do que estávamos acostumados. É mais fechado, mais grave. Mesmo assim ficamos supercontentes com o resultado desse novo casamento! Em breve, quanto lançarmos um novo registro fonográfico, vamos compartilhar essa nova experiência com os bangers. Esperamos desde já pelas críticas!
Diego “Corpsegrinder”, Foto por: Divulgação
Falando um pouco de você e de sua trajetória como um baterista de um alto nível técnico, você também fez parte do Mystifier. Como foi a experiência de estar dando suporte a essa renomada banda?
Yuri Hamayano: Alto nível técnico? É mesmo? Kkkk… Para ser sincero, nem sei como é que meu nome apareceu na cabeça de Armando (Beelzebuth)… kkkkk. Um belo dia, Elimar do Thundergod Zine me ligou para dizer que Armando queria conversar comigo e tinha interesse em me ter tocando bateria para alguns shows do Mystifier. Aceitei, afinal quando escutei o “Born… Suffer… Die” e o “Goetia” pela primeira vez, caralho… Amor à primeira vista. Eu nem tinha noção de que aqui, tão perto, havia bandas naquele nível! Como não aceitar? É foda poder tocar com uma banda que se admira! Armando é um cara que sempre pensa à frente. Aprendi muito com ele, com a sua forma estabelecer as metas, com sua forma de pensar a banda. Armando tem um pensamento muito profissional e foi foda observar o processo da Mystifier estando do outro das cortinas. Pena que na época ele estava desanimado para compor e não pude participar desse processo. Mas deu para acumular toneladas de experiências boas. Creio que também tenha deixado a minha marca… kkkk… com minha personalidade metódica… kkkk. Além disso, tive o prazer de tocar em diversos estados brasileiros, ir à Alemanha, conhecer muita gente, montar rede de contatos. O Mystifier foi um agente importante do meu amadurecimento como músico e como integrante do underground!
Por um tempo pensei que você estaria como membro efetivo do Mystifier. Você esteve de 2006 a 2013 ao lado deles, o que é bastante tempo. Em algum momento você pensou em estar com eles definitivamente?
Yuri Hamayano: Cara, e foi esse tempo todo mesmo? Fique surpreso aqui! Achava que teria sido até 2011… Aturando Armando (Beelzebuth), realmente muito tempo! kkkk… Na verdade, comecei como um músico contratado. Quando fui para a primeira turnê com eles, eu ganhava por show! Foi ótimo, tocar numa banda que se admira, fazer o que gosta e ainda receber por isso! Kkkk… Fiz duas turnês nesse formato. Depois disso, parece que o dinheiro diminuiu e ele me convidou a ficar como membro fixo na banda… Eu preferia o formato antigo… kkkkkk. Enfim, eu creio que fui considerado como membro da banda… kkkkk. Mas não havia como ficar definitivamente na banda, afinal, após pouco tempo, as viagens para as turnês começaram a se tornar cada vez mais frequentes. Nessa época eu ainda estava no mestrado em Física e tinha certa flexibilidade com o tempo, mas hoje sou funcionário público e tenho uma família– atividades altamente incompatíveis com quem sonha em estar na estrada, trilhando os caminhos do Heavy Metal. Certo dia, Armando me ligou comentando acerca de uns shows… Eu lhe disse que as datas acabavam chocando com um congresso. Ele perguntou sobre a possibilidade de levar outro baterista e foi aí que percebi que o melhor era jogar a toalha.
1999 Disgrace is Coming “Demo”
Voltando ao foco, vamos voltar a falar do Deformity BR. Apesar da banda iniciar suas atividades em 1995, o primeiro registro foi a demo “Disgrace Is Coming”, gravado em 1999, que conta com apenas uma música de mesmo nome. Como foi a receptividade por parte do público no lançamento deste registro?
Yuri Hamayano: O fato interessante é que essa não era a nossa primeira composição à época, como eu já deixei claro anteriormente. Nós a escolhemos por ser mais brutal e insana! Não tínhamos a intenção de gravar apenas uma música, mas os nossos planos eram incertos. Era a nossa primeira vez num estúdio, por que gravar apenas uma música? Uma coisa é certa: o fator financeiro influenciou fortemente a gravarmos apenas “Disgrace is Coming”. A demora em lançar a demo ocorreu por conta de todo o processo de definição de nossa identidade musical, como eu comentei. Além disso, Feira de Santana não dispunha de técnicos que pudessem entender e nos ajudar com o nosso tipo de som. Ao observar que o Malefactor havia acabado de lançar o “Celebrate Thy War”, pensamos na possibilidade de ir ao mesmo estúdio, mesmo com o dinheiro limitado. Sequer tínhamos estrutura para uma gravação: levamos material emprestado de bateria, o estúdio conseguiu um amplificador de guitarra emprestado. Não tínhamos a mínima noção de como seria a “coisa”. Quando pisamos os pés no estúdio, o cara logo nos disse: man, está contando! Kkkk… Aquilo nos desestabilizou. Foi a maior correria para fazer a gravação. Ao final do primeiro dia, tínhamos gravado a bateria e a guitarra para uma única música. Voltamos para casa com a sensação de que deveríamos fazer um esforço com o dinheiro para gravar uma segunda, mas, no dia seguinte, quando retornamos ao estúdio, eis que recebemos a notícia que o amplificador de guitarra já havia sido devolvido. A única opção era gravar o baixo e o vocal e retornar a Feira de Santana. Surpreendentemente, o resultado dessa gravação teve tanta energia, que todos os que tiveram a oportunidade de escuta-la, ficaram impressionados. Foi um material muito mal divulgado, mas serviu como um bom cartão de visitas. Creio que foi com ela que conquistamos o público de Salvador. Lembrando de uma história… Certa vez, convidamos uma guitarrista para tocar conosco. Então levamos a demo para que ele pudesse fazer uma audição – conquistamos o cara no mesmo instante, que ficou surpreso com a desgraça!
Depois de dois longos anos a banda lança a segunda demo “Fleshless Remains”, com quatro faixas do mais puro e Brutal Death Metal. No seu ponto de vista, foi a partir dessa demo que a banda começou a ser conhecida na cena brasileira? Pelo que tenho visto, essa demo é muito procurada até hoje pelos amantes do estilo…
2001 Fleshless Remains “Demo”
Yuri Hamayano: Exatamente isso. Eu tive uma preocupação enorme com a divulgação da “Fleshless Remains”. Catei o contato de muitos zines, mandei para algumas revistas da época, preparei um monte de flyers. Creio que ela tenha chegado à muita gente, principalmente no sudeste do país. Quando comecei a viajar com o Mystifier, notei o quanto essa divulgação havia sido efetiva, pois as pessoas me procuravam para perguntar pela Deformity, enquanto que outras comentavam que trocavam cartas comigo. Em outros momentos, encontrava com pessoas que relatavam possuir a demo… É muito gratificante sentir que as pessoas tiveram acesso ao seu trabalho. Tivemos a preocupação em incluir a faixa “Disgrace is Coming”, já que ela não tinha sido muito divulgada, e percebemos que essa havia ficado mais brutal que as demais. Lucio ficou abusando quanto a isso por um bom tempo. Logo depois de seu lançamento, as fitas K7 entraram em desuso e passamos a divulgar a demo no formato demo-CD. Recentemente, algumas pessoas voltaram a perguntar pelo formato fita K7. Tenho que me organizar para voltar a divulga-la, pois perdi os arquivos da capinha.
Já com muita visibilidade no extremo underground, a banda, em 2002, foi convidada a participar de um split CD, lançada pelo selo brasiliense Kill Again Records, junto com as bandas: Imperial Devastation, Sangrena e Purgatory. Como foi recebido esse convite por vocês? Como foi participar deste split?
2002 Killing All The Posers “Split”
Yuri Hamayano: Isso foi fruto da ótima repercussão da demo “Fleshless Remains”. Conhecíamos o Jaime Amorim do The MetalVox e ele nos deu uma grande ajuda com a divulgação. Ele é uma pessoa muito bem relacionada dentro do underground e usou a sua rede de contatos para nos dar uma força. Com isso, ele facilitou a nossa participação na trilha sonora do filme “Feto morto”, da Black Vomit Filmes (blackvomit.com.br). Outro contato importantíssimo intermediado por Jaime foi com Antonio Rolldão, da Kill Again Rec. Isso possibilitou a nossa ida a Brasília para abrir o show do Vader, além do convite para participar do CD coletânea “Killing all the Posers”. Todos esses três fatos foram recebidos com muito entusiasmo pela banda. A primeira vez a aparecer num CD prensado oficialmente é uma experiência muito empolgante! Não havia como negar essas propostas! Essa coletânea também ajudou bastante em nossa divulgação. As demais bandas são foda… Infelizmente, apenas a Sangrena ainda está em atividade. Agradecemos ao Jaime Amorim (themetalvox.com.br) e a Rolldão pelo suporte, ajuda, e força que eles deram. A Deformity sempre estará em dívida com eles!
Quatro anos depois (bastante tempo) a banda lança, em 2006, mais uma demo com um título bem interessante (“There’s More Blood Coming”), que nos remete ao título da primeira demo e conta com apenas duas músicas. Qual o motivo para lançar seus materiais com longos espaços de tempo?
2009 Advanced Tracks For Annihilation “Promo”
Yuri Hamayano: Pois … lembra quando eu citei o grande Fúlvio? Ele teve participação direta na composição de “Squeezing Necks”, que saiu nessa demo. As contribuições dadas por ele, além da participação de Diego nessa época, começaram a traçar uma nova rota para a Deformity, que culminou no resultado apresentado no EP “Torturing Unfortunate People”, 10 anos após a ideia ser iniciada. Falando novamente acerca da questão temporal, havia dois grandes fatores que sempre foram decisivos para a demora entre os nossos lançamentos. O primeiro deles, já comentado, estava relacionado com a parte técnicas, como a carência de produtores especializados na cidade, escassez de dinheiro à mão para conduzir as ideias, falta de experiência dos músicos e, principalmente, falta de estratégias para a divulgação da banda. “There’s more blood coming” foi o nosso primeiro material gravado em Feira de Santana – para conseguir fazer isso, nós próprios tivemos que lançar mão da produção, mesmo sem entender do assunto, com a ajuda do dono do estúdio que sequer tinha muita experiência com gravação em geral. Ao menos, já se sabia um pouco do que não fazer. O segundo e, talvez, mais preponderante dos fatores era a velocidade com a qual conseguíamos compor as músicas. Para se ter uma ideia, as dez músicas que fazem parte do álbum “AnthroposDeadGoreDisgustingPhagia” refletiam toda a nossa produção desde 1997 até 2006. Uma média de quase uma música por ano! Mas também sempre fomos muito perfeccionistas e queríamos que nossos lançamentos estivessem à altura dos materiais de outras bandas apresentavam materiais muito cuidadosos. Posso até afirmar que essa busca infindável acabou atrapalhando e atrasou muito os lançamentos.
Essa demo me apresentou o Deformity BR com mais sede de sangue. O Ódio com certeza é um dos sentimentos que temos ao ouvir este famigerado material. Fale-nos a respeito da aceitação e distribuição desta demo…
Yuri Hamayano: Como eu disse, essas composições eram a nova centelha, pronta a provocar uma nova explosão dentro das nossas composições. Estávamos com vontade de trazer algo mais brutal, mais trabalhado, mais insano. Por outro lado, posso afirmar que o processo de distribuição sempre foi algo difícil para mim. Hoje percebo o quanto falhei nessa tarefa de mostrar ao Brasil o som que estávamos fazendo. Parece que só tive gás para fazê-lo na “Fleshless Remains”. Quanto a “There’s more blood coming”, acabei divulgando mais com a ajuda das viagens que fazia com o Mystifier; a entregava ela direto nas mãos das pessoas! Sua divulgação não foi tão boa quanto a anterior. Mas quem teve acesso, gostou do que escutou e, felizmente, tivemos bons retornos deste material, apesar desta ter sido muito mal distribuída.
Os fãs, como eu, que seguem a banda desde o início tiveram, finalmente, o prelúdio do que seria a destruição anunciada para o Debut, quando chegou em nossas mãos a Promo “Advanced Tracks to Annihilation”. Ainda assim, de forma completamente independente. Mas, em minha opinião, esse foi o divisor de águas na carreira da banda. Qual a sua visão a respeito desta Promo?
Yuri Hamayano: A intenção era justamente essa: fazer uma prévia do que estaria por vir no álbum. As músicas que fizeram parte dessa promo foram gravadas exatamente para o álbum. Como percebi que o álbum demoraria um pouco mais a sair, resolvi lançar a promo, apenas para dar uma amostra grátis da pancadaria. Claro, mostrei as músicas antes que essas pudessem passar pelo processo de mixagem, feita pelo mestre Jera Cravo. Eu mesmo passei uma equalização mal feita nas músicas, e as coloquei na promo… kkkk. Eu passei essas músicas para uma quantidade ainda menor de pessoas… apenas para mostrar que estávamos em atividade.
2010 AnthroposDeadGoreDisgustingPhagia “1º Álbum”
Apesar de todas as dificuldades, a banda alia-se a Thundergod Productions e, em 2010, foi lançado o tão esperado debut álbum: “AnthroposDeadGoreDisgustingPhagia”. Este álbum finca definitivamente a banda entre os grandes nomes do extremo em nosso país. Por que tanto tempo para lançar esse, como já falei, o tão esperado álbum?
Yuri Hamayano: O processo para conseguir fechar essa gravação foi parecida com o da demo “There’s more blood coming”, ou seja, um trabalho desgraçado! A bateria foi emprestada de um amigo e um guitarrista foi chamado para timbrar a guitarra. Quando ele chegou ao estúdio, a primeira coisa a notar foi que a guitarra precisava ser regulada. Ou seja, a gravação foi interrompida antes mesmo de começar… kkk. Gravamos apenas seis músicas. Depois que estava tudo pronto, percebemos que aqui só daria para lançar um EP. Quando quisemos gravar mais quatro músicas, já não tínhamos mais a disponibilidade do mesmo amplificador de guitarra. Então esperamos mais um ano até ter novamente condições similares para gravar as demais músicas. Com as músicas gravadas, as levamos para outro estúdio fazer a mixagem. Não deu certo, pois o técnico não conseguia chegar a um resultado animador. A última saída foi levar o material para ser mixado em Salvador, com Jera Cravo. Depois de muitos erros durante a gravação, ele conseguiu fazer mágica e salvar as músicas. O resultado foi esse que todos conhecem! Então iniciamos outra caminhada para fechar uma parceria para o seu lançamento. Mandamos o álbum e tentamos conversar com diversos selos brasileiros, mas essa busca só foi finalizada quando fechamos com o Thundergod Prods. Foi sorte, pois essa parceria investiu uma energia enorme para fazer a divulgação desse material!
Após o lançamento do debut, li resenhas na mídia especializada que o colocavam entre os mais importantes álbuns nacionais. A distribuição dentro país foi satisfatória para você?
Yuri Hamayano: Eu acredito que sim, pois os resultados foram muito positivos. Como eu falei, foi uma energia tremenda que foi colocada nesse processo de divulgação. Nós nos preocupamos muito com a distribuição nos meios de divulgação underground. Quem pensa que esse processo de divulgação é simples, está muito enganado. Não basta a disponibilidade de dinheiro – é necessária muita vontade e disposição! Infelizmente, não conseguimos atingir todo o Brasil.
Quanto ao exterior, esse trabalho também foi distribuído por lá?
Yuri Hamayano: Com o material prensado em mãos, tive a ideia de aventurar um selo estrangeiro para fazer sua distribuição. Mas parece que o pessoal não viu muita novidade na Deformity. O máximo que consegui foram algumas trocas. Ainda aconteceu uma desventura, na qual trocamos vinte unidades com a Sevared Rec., mas houve algum problema com o serviço de entrega e o pacote nunca chegou em nossas mãos.
Depois deste grande feito, a banda ficou adormecida por três anos. O que aconteceu?
Yuri Hamayano: Cara, exatamente nessa época houve problemas pessoais com o Julio, que acabou se afastando dos trabalhos da banda. Estávamos em trio nessa época, então este fato forçou umas férias na banda. O chato é que isso aconteceu exatamente durante o processo de divulgação do álbum. Assim, os projetos que existiam para a divulgação física, com os shows, ficou comprometida. As coisas foram esfriando e a banda quase acabou. Felizmente, conseguimos arrumar a casa, reorganizar a formação, e retornar com gás total!
2015 Born To Punish The Skies Vol. 2 “Tributo ao Headhunter D.C.”
Como vocês mesmo escreveram em sua bio, em 2013 a banda retomou seus batimentos cardíacos e retornou ao massacre. Assim, em 2015, a banda ressurge e faz uma participação impecável no tributo ao Headhunter D.C., chamado “Born to Punish The Skies”, tocando a música “From Dream To Nightmare”, apresentando a banda como um quinteto. Entraram na banda dois novos membros: Diego “Corpsegrinder” na guitarra e o Tarcísio Medeiros no Baixo. Como foi este retorno com a banda junto a estes novos membros?
Yuri Hamayano: A condição essencial para a banda retomar a atividade era ter sangue novo, colocando mais gás na banda. Assim, convidei o Tarcísio, que tocava baixo com a Martyrdom, para fazer parte desse assalto. Ele aceitou no mesmo instante. Até então, Lucio estava acumulando o baixo e vocal, mas precisávamos de alguém que pudesse acrescentar ao nosso trabalho, deixando Lucio mais à vontade para as suas vociferações alucinadas. Ao mesmo tempo, tive a ideia de convidar o Diego. Ele já havia passado Deformity em duas ocasiões distintas: a primeira como guitarrista, em 2000, se não me engano; a segunda, como baixista em torno de 2005, com a saída do Marcello (ex-Martyrdom). Diego tem uma mente doentia e uma facilidade inigualável para compor (para conferir o que estou relatando, basta escutar as músicas da Rotten Cadaveric Execration, sua banda de gore grind). Assim a banda estaria pronta para a sua fase mais sangrenta! Foi justamente a interpretação que Diego deu para a guitarra de “From dream to nightmare” que nos permitiu deixar essa música com a nossa cara! Foi um retorno com uma chave podre! Tivemos a oportunidade de participar do tributo a uma banda que admiramos, tocando uma música do álbum que mais admiro. Acho que conseguimos fazer uma interpretação à altura do que a Headhunter D.C. merece!
No ano seguinte (2016) a banda, já com sua formação estabilizada, lança o EP “Torturing Unfortunate People”. Esse EP é definitivamente um dos materiais mais Brutais que já ouvi. Fale-nos a respeito da concepção deste trabalho…
2016 Torturing Unfortunate People “EP”
Yuri Hamayano: Como eu deixei claro, o processo que culminou nesse EP começou por volta de 2005, mas esse projeto ficou parado até o retorno de Diego à banda. Com seu retorno, tivemos gás o suficiente para retomar duas composições que estavam meio caminho andado, e compomos outras duas. A forma que Diego pensa as composições abre espaço para todos os demais instrumentos, assim como para os arranjos de vox. Assim conseguimos imprimir uma pancadaria completamente diferente do primeiro álbum: mais madurecida. Para fechar a tampa deste caixão, convidamos o guitarrista Victor Porto para fazer os solos, que ficaram animais. Aliás, ele também gravou o solo para a música do tributo ao Headhunter D.C., abrilhantando ainda mais essa. Para aumentar a boa impressão em torno do EP, trabalhamos com a Putrid Design. Claudio seguiu a nossa ideia de uma música torturante e desenvolveu um projeto gráfico tão doentio quanto a nossa música. Tudo completo e fechado para atingir o propósito final. Nós ficamos muito contentes com o resultado e temos consciência de nossos erros e falhas. Isso significa que a experiência está aumentando, assim como a cobrança própria. A expectativa é que o próximo material saia ainda melhor e mais interessante.
Para o lançamento deste EP a banda contou com a união de três selos “Rise Of Cthulhu”, “Pictures From Hell” e “Sociedade Dos Mortos”. Como surgiu essa parceria? Como está sendo a experiência de trabalhar com estes selos?
Yuri Hamayano: A parceria surgiu através de Elimar do Thundergod, que fez contato com o Junior da “Pictures from Hell” e abriu as negociações. O grande Junior aceitou o desafio e buscou a parceria de Gleison do “Sociedade dos Mortos” e Sócrates, que estava estreando com a “Rise of Cthulhu”. Eu já admirava esses caras antes de trabalharmos juntos; agora mais ainda! Quando a equipe viu o material gráfico e escutou as músicas, fizeram a proposta de um lançamento em digipack. Foi a escolha mais acertada para o seu formato. Apesar de termos rodado apenas 500 cópias, o material se esgotou em muito pouco tempo! O único erro nosso foi não ter negociado e estabelecido um projeto de divulgação para o material. Com isso eu tive que me virar, com poucas cópias em mãos, para enviar o material para a mídia especializada. Tentei ser mais abrangente desta vez, escolhendo ao menos um representante de cada região do país, mas não pude enviar para todos zines que tive vontade. Os comentários e impressões foram muito bons, o que é muito gratificante diante do esforço que fizemos para que esse material fosse lançado.
Como este último lançamento é um EP, logo pensamos: vem o segundo álbum aí, devastador como a banda sempre foi. De fato, podemos esperar mais um trabalho em breve?
Yuri Hamayano: Com toda a aprendizagem desses quase 23 anos, agora estou mais atento aos projetos e às programações. De fato, já deveríamos estar começando o processo de gravação desse próximo álbum agora para tentar um lançamento em 2019, mas diversos problemas pessoais acabaram atrasando o processo de composição. Temos poucas composições novas, mas eu estou muito animado com todo o processo e espero poder dar início a esses planos de gravação em breve. Uma coisa eu garanto: as músicas estarão tão, ou ainda mais avassaladoras que aquelas presentes no EP. Vou tentar amarrar as letras de maneira mais conceitual e pensar com mais cuidado nos pequenos detalhes. Também espero conseguir desenvolver um projeto gráfico e uma gravação tão bons quanto os que foram apresentados no EP. Já estou conversando com um estúdio aqui da cidade e o cara me apresentou milhões de novas ideias para melhorar o som da guitarra. Parece-me que tudo está sendo mais bem planejado dessa vez. Até lá, estamos preparando uns vídeos para que possamos ter alguma novidade para os bangers.
O baixista Tarcísio Medeiros já não faz mais parte da banda, assim como o vocalista Lucio. Krusius Barreto acabou assumindo ambas as posições. Como está sendo essa adaptação no vocal? Qual a sua opinião a respeito da atual formação do Deformity BR?
Yuri Hamayano: Houve uma verdadeira reviravolta na banda nesses últimos dois anos. Inicialmente, não havia planos de mudanças na formação. Tínhamos umas datas para apresentações em Natal e Recife, mas o Tarcísio sinalizou que não teria a possibilidade de estar conosco. Nós não conhecíamos o Krusius, mas eu sabia que ele era baixista e vocalista da banda Ímpios e que estava morando em Feira de Santana. Com isso, fizemos o convite para ele nos ajudar nesses shows e tudo correu bem. Após esse fato, coincidentemente, os fatos convergiram para a saída do Tarcísio. Como eu já comentei, um fato parecido aconteceu com Lucio, que também não pôde participar de alguns shows, tendo a substituição feita por Krusius. Pouco tempo depois, Lucio anunciou o seu desligamento e fomos compelidos a resolver o problema da maneira mais prática: Krusius assumiu ambas as posições. Ele é novo (quase da idade da banda), mas é uma pessoa completamente conectada ao underground, conhecedor do metal extremo, comunicativo e um ótimo músico. Ele entendeu rapidamente a proposta de nosso trabalho e vem dando muitas contribuições para que as engrenagens se mantenham em perfeito funcionamento. A adaptação dele foi um desafio, pois as músicas estão ganhando maior complexidade, enquanto que os arranjos de vocal tiveram que ser repensados para não descaracterizar as músicas e, ao mesmo tempo, permitir certo conforto à sua execução. Quanto ao timbre do vocal, não há o que ser feito. Agora é entrar num estúdio e ver como o timbre harmoniza com as novas composições, mas sou otimista e acredito que já deu certo. Finalmente, posso afinar que essa nova formação, em quarteto, está pronta para continuar derretendo os tímpanos alheios. Estamos muito contentes com o trabalho resultante.
Yuri Hamayano, muito obrigado por nos dedicar o seu tempo e sua atenção, espero poder ter a oportunidade vê-los por aqui, destruindo tudo. Será um prazer revê-los. Um forte abraço e conte sempre com a Roadie Crew…
Yuri Hamayano: Éden, nós sequer temos palavras para descrever a felicidade que foi ter novamente o seu contato, ainda mais com um convite como este. Somos muito agradecidos pelo espaço e pela força que você e a Roadie Crew estão dando para a Deformity BR. Quanto à possibilidade de você ver a Deformity ao vivo, atualmente temos buscado meios alternativos para facilitar a nossa ida a algumas localidades mais distantes da Bahia… Se tudo der certo, já temos planos para um giro no estado de SP para o próximo ano. Assim teremos a oportunidade de nos encontrarmos pessoalmente. Dismembraço para você! Hails a todos os bangers!
Ao ler essa entrevista houve um momento que o Yuri se espantou com a minha afirmação à respeito do seu alto nível técnico como baterista. “Alto nível técnico? É mesmo? Kkkk…”. Abaixo segue uma Drum Cam feito durante as gravações do EP “Torturing Unfortunate People”. Assista e veja se não foi correta a minha afirmação….
Abaixo segue uma apresentação do Deformity BR no Palco do Rock gravado em fevereiro deste ano (2018). No inicio deste vídeo o áudio na está muito bom, logo tudo se normaliza e podemos conferir toda sua brutalidade ao vivo: