Categoria: Destaques

  • Há exatos 42 anos, BRUCE DICKINSON era oficializado como vocalista do IRON MAIDEN; ouça a audição

    Há exatos 42 anos, BRUCE DICKINSON era oficializado como vocalista do IRON MAIDEN; ouça a audição

    O dia 26 de setembro é especial na história do Iron Maiden e de Bruce Dickinson. Foi em uma data como esta, que no ano de 1981 as duas partes cruzaram seu caminho e marcaram para sempre a história do heavy metal. Bruce foi recrutado da banda Samson, com a qual se juntou em 1979. Após o “Reading Festival”, Bruce foi questionado pelo lendário empresário do Iron MaidenRod Smallwood, se estaria interessado em fazer um teste para o Maiden

    A princípio, Bruce se manteve reticente, porém acabou concordando com o teste desde que aceitassem uma condição sua: exigiu usufruir de sua liberdade criativa. A audição de Bruce com o Iron Maiden aconteceu no início de 1981 em uma sala de ensaios localizada no distrito de Hackney, em Londres.

    Antes de ligar o microfone, Bruce quis ouvir os outros membros do grupo tocando algumas músicas do repertório da banda. Eles aceitaram e mandaram Prowler, SanctuaryRunning Free Remember Tomorrow. Sentindo-se preparado, mais tarde Dickinson foi convidado a tocar as músicas do Maiden junto com a banda.

    Se ele se saiu bem? Bom, o fato é que no dia 26 de setembro de 1981, Bruce Dickinson foi oficializado como o novo vocalista do Iron Maiden. Exatamente um mês após ser efetivado no cargo, precisamente no dia 26 de outubro de 1981, Bruce Dickinson fez a sua estreia ao vivo com o Iron Maiden, em show realizado no Palazzo dello Sport, em Bologna, na Itália, pela “Killer World Tour”.

    Em 2021, Bruce Dickinson recordou sua audição para vocalista do Iron Maiden em entrevista à Rolling Stone“Fiz duas audições, na verdade. A primeira foi apenas em uma sala de ensaio. Eles me pediram para aprender quatro músicas e eu pensei: “Bem, eles só têm dois álbuns. Vou aprender todas.” Então nós focamos em um monte delas, e então começamos a fazer uns covers antigos, de Thin Lizzy e Deep Purple, porque conhecíamos todos eles.”

    Bruce explicou o plano que a banda lhe passou: “Então eles tiveram que sair e fazer alguns shows com o antigo cantor, Paul [Di’Anno], na Suécia. Aí, pensei: “Bem, isso deve ser meio difícil porque eles acabaram de ter esse tipo de dia muito divertido comigo.” E então eles voltaram e disseram: “OK, bem, nós o demitimos e agora queremos fazer um teste em um estúdio de gravação apenas para ter certeza de que não estamos ouvindo coisas”.

    E disse ainda: “Eu fui e lá estava o grande e saudoso Martin Birch. E eu cantei mais de quatro faixas de apoio que eles gravaram ao vivo no Japão. E estava Siskel e Ebert, dois polegares para cima, e eu estava dentro naquela noite. Então todos nós fomos para um show do UFO, eu acho, em um teatro em algum lugar e bebemos muita cerveja. E depois o resto é história. O trabalho árduo, na verdade, começou no dia seguinte.”

    E o resultado da audição do substituto de Paul Di’Anno você pode conferir abaixo. O link a seguir exibe a fita com a gravação da audição de Bruce, cantando as músicas KillersTwilight Zone Wrathchild.

    https://www.youtube.com/watch?v=MBWnaH-Toyw  
  • CANNIBAL CORPSE lança novo e perturbador clipe para “Chaos Horrific”

    CANNIBAL CORPSE lança novo e perturbador clipe para “Chaos Horrific”

    Ícone do death metal, o Cannibal Corpse lança seu novo e inquietante videoclipe, para a faixa-título de seu esmagador 16° álbum de estúdio, Chaos Horrific, que acaba de ser lançado pela Metal Blade Records.

    Desde 1988, o Cannibal Corpse tem permanecido na vanguarda do death metal, moldando e definindo o gênero. Em 2021, eles voltaram a levantar as apostas com o antecessor Violence Unimagined. Este ano, eles retornam com o igualmente monstruoso Chaos Horrific, consequentemente começando o próximo capítulo de seu legado. Produzido novamente pelo guitarrista Erik Rutan, que já produziu seis álbuns da banda, Chaos Horrific é, sem dúvida, uma saída completa de death metal no estilo Cannibal, direto aos temas, que incluem guerra zumbi, redefinição da raça humana através de mutilações em massa e a vingança violent de vítimas de tráfico humano. Sua arte de capa foi feita pelo colaborador de longa data, Vince Locke.

    Assista ao videoclipe de Chaos Horrific:

    Chaos Horrific estará disponível em CD digipak, box set deluxe (vinil marmorizado Dried Blood, livreto 24p 12″, quebra-cabeça, pin, pôster e impressão de arte – limitado a 1500 cópias), cassete (limitado a 500 cópias), digitalmente e em vinil, nas seguintes variantes:

    – 180g Black (EU exclusive) – Burned Flesh Marble (EU exclusive) – Slate Blue Marble (PIAS exclusive – limited to 600 copies) – Charcoal Brown Marble (Sound Pollution exclusive – limited to 500 copies) – Pearl Violet Marble (EU exclusive – ltd. 500 copies) – Bloodsun Marble (EU exclusive – ltd. 500 copies) – Clear Red & Yellow Splatter (EMP exclusive – ltd. to 300 copies) **SOLD OUT** – Clear & White/Blue Splatter (EU exclusive – ltd. to 300 copies) – Turquoise & White Splatter (Napalm exclusive – ltd. 300 copies) – Clear Orange & Red Splatter (Nuclear Blast exclusive – ltd. 300 copies) – Clear Blackdust (Eyesore exclusive – ltd. 300 copies) – Red Blackdust (Metal Blade Shop exclusive – ltd. 300 copies) **SOLD OUT** – Fog Marbled (US exclusive) – “Charred Remains” (US exclusive) – Orange/Red Inkspots (US exclusive) – Black & Brown Marble (US Band store exclusive) **SOLD OUT** – Silver w/ Red Streaks (US Band store exclusive) – Electric Smoke (US tour exclusive)

    Faça a pré-encomenda em cannibalcorpse.store e Metal Blade em metalblade.com/cannibalcorpse 

    Coincidindo com o lançamento de Chaos Horrific, o Cannibal Corpse embarcará em uma turnê norte-americana de um mês com o Mayhem. A caminhada começará em 22 de setembro em Nashville, Tennessee, e se estenderá até 21 de outubro em Louisville, Kentucky. O apoio será fornecido por convidados especiais, Gorguts e Blood Incantation! Os ingressos já estão à venda. Veja todas as datas confirmadas abaixo.

    CANNIBAL CORPSE w/ Mayhem, Gorguts, Blood Incantation: 9/22/2023 Marathon Music Hall – Nashville, TN 9/23/2023 The Fillmore – Charlotte, NC 9/24/2023 The Mill & Mine – Knoxville, TN 9/26/2023 Stage AE – Pittsburgh, PA 9/27/2023 Rebel – Toronto, ON 9/28/2023 L’Olympia – Montreal, QC 9/29/2023 The Palladium – Worcester, MA 9/30/2023 Brooklyn Steel – Brooklyn, NY 10/02/2023 The Royal Oak – Detroit, MI 10/03/2023 Hard Rock Live – Gary, IN 10/04/2023 The Fillmore – Minneapolis, MN 10/06/2023 Mission Ballroom – Denver, CO 10/07/2023 The Complex Salt – Lake City, UT 10/09/2023 Temple Theatre – Tacoma, WA 10/10/2023 Knitting Factory – Spokane, WA 10/11/2023 Knitting Factory – Boise, ID 10/13/2023 The Warfield – San Francisco, CA 10/14/2023 SOMA – San Diego, CA 10/17/2023 The Aztec Theatre – San Antonio, TX 10/18/2023 The Factory – Dallas, TX 10/20/2023 The Eastern – Atlanta, GA 10/21/2023 Paristown Hall – Louisville, KY

    CANNIBAL CORPSE: George “Corpsegrinder” Fisher – vocais Erik Rutan – guitarra Rob Barrett – guitarra Alex Webster – baixo Paul Mazurkiewicz – bateria

    http://www.cannibalcorpse.net

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    Foto: Alex Morgan

  • Tiroteio em Oklahoma (EUA) encerra show solo de VINCE NEIL, vocalista do MÖTLEY CRÜE

    Tiroteio em Oklahoma (EUA) encerra show solo de VINCE NEIL, vocalista do MÖTLEY CRÜE

    Neste final de semana, um episódio insólito prejudicou o show solo do vocalista Vince Neil, frontman do Mötley Crüe. O veterano cantor de hard rock se apresentava no State Fair Grandstands, na cidade americana de Oklahoma, quando após apenas duas músicas (Shout at the Devil Live Wire), um tiroteio interrompeu sua apresentação. 

    O incidente acarretou em uma pessoa gravemente ferida, atingida por um tiro no peito, e outras duas sendo presas. De acordo com a polícia local, uma dessas duas pessoas acabou sendo liberada.

    Neil e os músicos de sua banda foram retirados do local e o show não teve continuidade.

    Em sua conta no Twitter/X, Vince Neil compartilhou seu espanto com a situação:

    “Uma noite louca em Oklahoma City. A 3/4 do set, as pessoas começaram a correr. Disseram-nos para entrar no camarim. Havia atiradores alvejando as pessoas. Obrigado aos fãs pela compreensão. Felizmente, estamos todos bem! Obrigado a todos que compareceram. Por favor, fiquem seguros!”

     

    Ainda de acordo com a polícia, tudo aconteceu após uma briga que no Bennett Event Center, localizado próximo ao recinto em que Vince Neil estava tocando. Jeff Cooper, tenente da polícia de Oklahoma declarou que um jovem está sob custódia em relação ao tiroteio. Locais detalharam que após os tiros pessoas corriam desesperadamente para sair da feira aonde Neil se apresentava. Segunda uma testemunha, pessoas e crianças choravam em meio à confusão. Cooper afirmou que o tiroteio foi um incidente isolado e não o caso de um atirador ativo.

     
  • SETEMBRO NEGRO FESTIVAL – São Paulo (SP)

    SETEMBRO NEGRO FESTIVAL – São Paulo (SP)

    Por Samuel Souza

    Fotos: André Santos

    Pontualidade, qualidade e diversidade no universo da música extrema, com bandas tanto consagradas quanto emergentes, receberam apoio crucial de um público intenso e fervoroso, demonstrando que tamanho não importa quando se trata de valorizar quem está na correria. A décima quinta edição do Setembro Negro Festival foi um sucesso esclarecedor, atraindo amantes fiéis de toda parte do Brasil, além de headbangers vindos de países vizinhos e até de continentes distantes. O Carioca Club, palco desse encontro histórico, vibrou com a energia ardente da legião de fãs que o inundou, tornando cada dia e cada noite ainda mais quente e memorável.

    Durante o festival, não faltaram momentos emocionantes, como testemunhar até mesmo os mais experientes e veteranos maníacos derramando lágrimas durante o incrível desempenho do Triumph of Death. Por outro lado, também houve muitos sorrisos estampados nos rostos dos participantes, todos unidos pela paixão pela música extrema. Essa notável iniciativa, liderada pela Tumba Productions, mais uma vez, deixou claro que o underground pode e deve ser abordado com profissionalismo, respeito e excelência. O Setembro Negro Festival não só cumpriu suas promessas, como também reforçou sua posição como um evento indispensável no calendário dos amantes da música pesada.

    7 de setembro

    Este ano marcou a pré-festa, um termo meio apático e requintado demais para um feriado de sete de setembro que reuniu um bom número de fãs e bandas que realmente mereciam atenção. Logo, estamos realmente falando que aqui começou de fato o festival.

    De Feira de Santana/BA, o Erasy subiu ao palco às 15h55 em ponto (esqueça, todas entram no horário, então não vamos mais falar sobre isso daqui pra frente…), com suas fortes influências da escola setentista e, claro, sabbatical. Chamou atenção o chapéu enorme de bruxo do guitarrista Léo Carvalho, além das músicas “Under the Moonlight” e “Change Your Medication”, mostrando que esses caras sabem fazer sludge doom com precisão.

    Com a presença da máquina de metralhar, o sobrenatural baterista Sandro Moreira, os porto-alegrenses do Burn the Mankind fizeram jus à escola que o estado possui em executar metal extremo. Tecnicamente precisos, o death metal com ares de grindcore desconcertante, esporrou uma avalanche sonora sem meios termos. “The Gun”, “The Red Rise” e “Everyone is Blind”, com seus pesos e contratempos, ganharam o público, que boa parte, aparentemente não os conhecia. Entregaram uma versão violentíssima para “Morrer” do R.D.P.

    Do interior de São Paulo, da vizinha Sorocaba, o Warshipper possui quatro álbuns lançados, e do mais recente, deste ano, mandaram ver na sequência “Religious Metastasis” and “Migrating Through Personality Spectra”, além de revisitar coisas mais antigas como a música que leva o próprio nome da banda. Boa parte dos presentes os conhecia e as saudações ecoaram bem pela casa, ainda mais quando essa mescla de death e thrash metal é feita e executada de forma bem encorpada.

    Formado em 1983, os também porto-alegrenses do Leviaethan vêm realizando shows para celebrar seus 40 anos em atividade. Integram a primeira geração do thrash metal brazuca e discos como “Smile!” (1990), que abre a primeira sequência do set, é um clássico underground. Tocaram duas músicas novas, entre elas, “Hell is Here”, dando uma revigorada a sua extensa carreira. Não faltaram músicas do também clássico “Disturbed Mind” (1992). Prestes a completar 60 anos, o baixista e vocalista Flávio Soares ainda tem muita lenha pra queimar.

    Veteranos da cena norueguesa, mas sempre apostando em algo fora da curva, o In The Woods… foi uma grata surpresa em aparecer neste cast, substituindo o trio norte-americano Primitive Man. Da formação original, apenas o baterista Anders Kobro, que já iniciou os trabalhos com “Heart of the Ages”, faixa-título do álbum de estreia de 1995, seguido pela bela “Empty Streets” do penúltimo disco. Com sonoridade ímpar, não perderam tempo e resgataram também “Yearning the Seeds of a New Dimension” e encerraram com a canção que batiza a banda, lá da demo-tape de 1993, que até hoje roda por aqui.

    Os canadenses do Voivod sempre foram um ponto de intervenção no metal. Tantos anos de estrada e discos seminais deram a eles uma espécie de aura cult pós-apocalíptica, seja pela modernidade envelhecida, digamos assim, que entregam em suas canções. E esse desconcerto que mescla prog com punk, deu o tom com “Killing Technology”, já ovacionada pela maioria e logo a roda se fez presente! Os remanescentes Snake e Away, vocalista e baterista, respectivamente, são o extrato de carisma e apreço para com o público, mas em certo momento, deu a impressão de certo “cansaço”. Com uma vasta discografia, foram assertivos em revisitar “Macrosolutions to Megaproblems”, “Rebel Robot” e “Voivod”. Não passaram batidos e homenagearam o falecido membro-fundador Denis D’Amour, que faleceu em 2005. Era a grande expectativa da noite e os fãs da banda saíram satisfeitos. Na parte externa do Carioca e lá na rua, havia muita gente se confraternizando. Eram 22 horas e um pouquinho, um ótimo horário para voltar pra casa e preparar o corpo e o espírito para aguentar a maratona de mais três dias pela frente.

    Sexta, 8 de setembro

    Sexta-feira, dia 08, sol fervendo na moleira e a turma do esquenta já cercava o Carioca Club. Foi bacana presenciar que, no horário marcado para às 14 horas, a grade e a pista estavam com um público atento ao Podridão, quebrando tudo com seu death metal tradicional. O trio lançou há pouco seu terceiro álbum “Cadaveric Impregnation”, um petardo do estilo. Os timbres lindos da guitarra, com peso e nitidez, além dos vocais cavernosos, deram um toque acima da média na apresentação deles. Metal da Morte de gente grande, sem dúvida!

    Sem muito respiro, o Parasital Existence, hermanos do Uruguai, também fez bonito. Brutal e cirúrgico, levou o público na mão, pois era evidente a felicidade do trio em tocar ali e apresentar uma avalanche primitiva do seu death metal que bebe forte na escola noventista à la Cannibal Corpse.

    Profundo e pesado, os cearenses do Pantáculo Místico trouxeram o momento fúnebre em meio à tormenta. Iniciaram com duas músicas do recente álbum auto-intitulado, uma espécie de grimório oculto traduzido no velho doom metal, evidenciado pelas linhas de teclado taciturnas que permeiam o estilo. Urrado em português, as reverências ao quinteto foram seguidas de aplausos quando deixaram o palco. Mais um ponto para a Tumba, diga-se!

    Mais death metal tradicional com a entrada dos franceses do Mercyless. Os mais desavisados, lá quando foram anunciados, pensaram se tratar do homônimo sueco, mas eles são tão veteranos quanto. Abriram com a recente “Rival of the Nazarene”, reafirmando a proposta anticristã que possuem desde o álbum de estreia “Abject Offerings”, apresentando aqui “Without Christ” e “Burned at the Stake”. Eles estouraram um pouquinho seu tempo, mas nada atrapalhou o que vinha pela frente. Mas, sabe-se lá o que se passou por trás das cortinas!

    Metade do evento, era a vez dos paulistanos do Torture Squad subirem ao palco, em contraponto curioso que boa parte do público deixou a pista para se hidratar e/ou descansar. Mesmo assim, o quarteto possui seu público cativo e bombardeou com as precisas “The Unholy Spell” e “Horror and Torture”. A qualidade sonora do show é um dos pontos altos deles. Nitidez exata!

    Pela segunda vez no fest, o Purgatory da Alemanha ostenta um ciclone sem precedentes em fazer death metal. Conhecido por muitos dos presentes, o guitarrista René Kögel é rigoroso na execução de riffs que entrelaçam peso e violência. Com sorrisos de orelha a orelha, o vocalista Mirko Dreier agradeceu muito o público, que aos poucos voltava para preencher a pista do Carioca.

    A série de veteranos segue com o trio sueco Defleshed, trazendo àquela característica típica do país, mas eles possuem um quê mais subversivo no thrash metal mesclado com um death que avança em algo mais contemporâneo. Tiveram problemas com o som no início, com microfonias que também afetaram o Mercyless. Mesmo assim, o baixista/vocalista Gustaf Jorde, compreensível, se conectou facilmente com a audiência e lidou bem com a situação.

    Da velha escola grega, o Nightfall carrega toda uma essência particular em fazer metal extremo recheado de extremos. Da formação original, o vocalista Efthimis Karadimas ofertou uma performance teatral, com uma máscara à la Fantasma da Ópera e um suporte de microfone que emula uma adaga. Eles abriram com “Killing Moon”, do mais recente álbum “At Night We Prey”, que dominou praticamente todo o set. Mas foi com “As Your God is Failing Once Again”, que os fãs mais ortodoxos se identificaram, uma canção presente em “Macabre Sunsets”, um álbum que circulou bem por aqui. Fecharam com a também clássica “Ishtar (Celebrate Your Beauty)”. Destaque para as pesadas linhas de baixo de Vasiliki Biza e a versatilidade de trazer à tona aquele jeitão despojado do rock gótico.

    Não há dúvidas de que o Immolation era também o grande destaque daquela noite. Esses norte-americanos se tornaram, ao longo da bem-sucedida carreira, um torpedo dizimador quando o assunto é tocar death metal com maestria. Isso se traduz às claras pela desenvoltura assustadora que o guitarrista Robert Vigna aplica, chegando até mesmo a exteriorizar uma certa alegria no rosto a cada nota. Priorizaram o último álbum “Acts of God”, descendo a marreta logo com “An Act of God” e “The Age of No Light”. Estamos falando de um quarteto tecnicamente coeso e mesmo que em algum ou outro momento “o som parecia mais baixo”, toda aquela porrada era bem audível. Ross Dolan, vocalista/baixista, também sabe demonstrar simpatia e agradeceu imensamente o envolvimento dos fãs ali no mosh e nas grades. Para encerrar, “Father, You’re Not A Father” é um daqueles hinos estabelecidos do estilo. Que sonzeira da porra ao vivo!!!

    Com um pouquinho de atraso, os holandeses do Picture subiram ao palco para celebrar um encontro de gerações e estilos dentro do festival. É certo dizer que a pista deu uma esvaziada, mas também foi preenchida por outra turma que parecia estar ali para cantar em uníssono músicas como “Message From Hell”, “Night Hunter”, “Diamond Dreamer” e “Heavy Metal Ears”. Impossível não citar o figurino “tiozão” do baterista Laurens Bakker, com uma espalhafatosa camiseta com a bandeira do Brasil. Rinus Vreugdenhill, baixista e também da formação original, se empolgou e tocou literalmente no meio dos fãs. O “novo” vocalista Peter Strykes segurou bem os momentos em que seu microfone apresentou falhas, restabelecendo a ordem na também clássica “Eternal Dark”.

    Pouco depois da meia-noite, os amantes do Metal com suas camisas pretas ainda estavam nas imediações do Carioca Club, aproveitando ao máximo. A segunda noite do Setembro Negro encerrou com saldo positivo… E ainda havia mais dois dias para extrair as últimas energias da turma, que não se intimidou e chegou cedo no sábado, dia 9, atraindo ainda mais público ao evento.

    Sábado, 9 de setembro

    Figura conhecida na cena underground, Cláudio “Slayer” trouxe seu projeto Open the Coffin para o Carioca já com um número considerável de presentes. Com sua tradicional pá de coveiro e total referência às vozes da morte, ouvimos um verdadeiro tributo ao pedal HM-2, uma ferramenta intrínseca ao Old Skull Death Metal, como podemos ver e ouvir nas faixas “The World Is a Casket” e “Cold as a Corpse”. Foi um grande show!

    Creio que a maioria da turma não conhecia os dinamarqueses do Thorium, e talvez por isso, a pista do local ficou um pouco mais vazia. Apresentam um Death Metal forte, com instrumental acima da média. O vocalista Michael H. Andersen me lembrou de certa forma o estilo bonachão de Kam Lee. Achei as guitarras um pouco saturadas e estridentes em certos momentos e, curiosamente, dois rapazes que estavam ali na frente da grade simplesmente receberam as guitarras de presente. Isso mesmo, os caras terminaram o show e deram os dois instrumentos para dois sortudos! Os rapazes saíram correndo tremendo para o guarda-volumes. Eles ganharam a noite.

    Da Itália, o Violentor trouxe aquele ar subversivo ao ambiente com seu Thrash Metal, sem negar as claras influências punk, evidenciadas principalmente nas músicas extraídas do mais recente álbum “Manifesto di Odio”, cantadas na língua pátria, o que deixou seu som ainda mais peculiar. Eles também revisaram suas músicas em inglês, e a presença constante do vocalista e guitarrista Alessio Medici, antes e depois dos shows, no meio da turma, os aproximou de um público que parecia estar guardando energia para mais tarde.

    A presença do duo Test ali no Setembro Negro dividia opiniões, o que era fácil de perceber pela diferença de público, com um número relevante de pessoas do lado de fora da casa. Mesmo assim, eles apresentaram seu grindcore experimental para uma plateia atenta. A configuração do palco, com a bateria na lateral, de frente para o vocal/guitarra, reforçou o conceito minimalista que eles mantêm há tempos.

    Já passava das 17h30 e agora, realmente, o clima começava a esquentar. Os portugueses do Holocausto Canibal passaram como um trator desgovernado, atropelando tudo e todos. É Grindcore com Brutal Death Metal, com uma nítida influência de bandas como Suffocation, mas com o detalhe de que as músicas deles são bem mais curtas… Eles tocaram mais de 20 faixas! Apresentaram uma sequência inumana com “Êxodo Mortuoso”, “Epicédio Madrigaz” e “Sinaxe do Sepúlcro Tafófobo”, do disco mais recente. O quarteto causou um grande impacto e saiu dali ovacionado!

    Clássico absoluto do Metal em todo o mundo, “Bloody Vengeance” do Vulcano, estava na lista das grandes expectativas do festival, afinal, o fato de ser tocado na íntegra com o vocalista original, Angel, trazia um sabor mais do que especial aos fãs da banda. De início, os shows com Luiz Louzada nos vocais foram certeiros, com “Witches’ Sabbath”, “Total Destruição” e “Guerreiros de Satã”. O público já se matava entre cabeçadas e cotoveladas! Então, Louzada chamou o emblemático Angel para juntos dividirem “Dominios of Death”. Visivelmente emocionado e anunciando que estaria prestes a comemorar 60 anos de idade, com seus vocais característicos e despojados, ele arrebatou a audiência com “Spirits of Evil”, “Ready to Explode”, “Holocaust” e “Incubus”. Que sequência meus amigos! Para encerrar, Angel e Louzada mandaram ver em “Death Metal” e “Bloody Vengeance”. Zhema e seus guerreiros realmente destruíram tudo!

    De Los Angeles, o Sadistic Intent é um caso curioso de uma banda que não lançou sequer um álbum completo, mas suas demos e EPs lhes conferem, há mais de 36 anos, uma aura absurda de intimidade com todo o Death Metal subterrâneo. Os irmãos Rick (guitarra) e Bay Cortez (baixo e vocal) integraram os shows ao vivo do Possessed e reafirmam aqui que toda a carga maligna e violenta de seu som não é coisa de menino. Foi uma apresentação digna, bruta e genuína. “Lurking Terror” e “Existence” arrancaram cabeças dos headbangers ali presentes!

    Os suecos do Sacramentum paralisaram suas atividades há mais de 20 anos e emergiram das trevas frias em turnês tocando o primeiro álbum “Far Away from the Sun” de 1996 na íntegra. Aqui no Setembro Negro, tiveram que fazer alguns cortes, mas músicas como “Blood Shall Be Spilled” e “When Night Surrounds Me” estavam presentes. Eles possuem aquele toque de Dissection, e o público respondeu à altura aos remanescentes guitarrista Anders Brolycke e ao vocalista Nisse Karlén, trazendo ainda a presença da baixista Julia von Krusenstjerna, da banda de Heavy Metal feminina Mystik.

    Houve uma breve pausa para recarregar as energias, e não demorou muito para ouvirmos a clássica introdução de exorcismo do disco “The Day of Wrath” da também lendária Bulldozer. A essa altura, a casa já estava tomada e muito quente! E foi com “Cut-Throat” que o trio italiano conquistou todos imediatamente! Foi impossível ficar indiferente a essa sonoridade que marcou toda uma geração, além, claro, do expressivo AC Wild, uma espécie de pastor satânico. Da formação original, o guitarrista Andy Panigada tirou timbres perfeitos, criando um som que mesclava a velha escola com o peso atual. “The Great Deceiver”, “The Final Separation” e “Welcome Death” celebraram os porões infernais e toda a mística dos anos oitenta em grande estilo. Foi realmente emocionante!

    Com cerca de 20 minutos de atraso, aumento da temperatura e cansaço, os headbangers esperavam os alemães do Sodom literalmente sentados no chão. Impaciência, lotação máxima e calor formaram um cenário explosivo que definiu o que aconteceu no Carioca. O quarteto abriu a destruição com “Among the Weirdcong” do bem conhecido álbum “M-16”, e imediatamente, o local veio abaixo. Os longos dez anos de espera foram recompensados com uma troca de energia surpreendente entre todos, especialmente com a volta do guitarrista Frank Blackfire às trincheiras. Ele, que morou no Brasil por anos, não escondeu a felicidade de voltar aqui e não parava de se comunicar em um português que arrancava risadas da plateia. Como um cataclisma nuclear, o Sodom despejou pancadas uma atrás da outra, com “Outbreak of Evil”, “Sodomy and Lust”, “Agent Orange”, “Blasphemer”, “Remember the Fallen”, além de uma homenagem a Lemmy com “Iron Fist”, tirando sangue de supercílios e deixando hematomas em muita gente. Para encerrar, ainda deixaram dois mísseis para devastar o local: “Ausgebombt” e “Bombenhagel”. Não sobrou nada, mas em um clima de vitória pós-guerra, em pedaços, os headbangers lotaram as ruas, dissipando as últimas energias em álcool, espetinhos e x-podrão!

    Domingo, 10 de setembro

    Quarto e último dia do Setembro Negro, iniciando mais cedo, ao meio-dia, era de se esperar um público bem menor nas primeiras horas. Curiosamente, ao chegar nas imediações do Carioca, pôde-se constatar alguns soldados abatidos no campo de batalha, que viraram a noite. Alguns, em covas rasas à própria sorte, outros em barricadas de latinhas e garrafas. Heróis da resistência metálica! Saudades dos meus 15 anos.

    De Belém do Pará, o Inferno Nuclear teve uma baixa na formação às vésperas do festival, mas isso não os abalou e recrutaram reforços (o guitarrista Paulo Bigfoot e o baterista Marcos Luz, respectivamente, Uganga e Trioxine) para apresentar, ainda que para poucas pessoas, um set empolgante do seu Thrash oitentista cantado em português. Encerraram com “Unidos pelo Underground”, uma tônica do evento.

    Considerado um patrimônio do underground paulista, o Siegrid Ingrid entregou um dos melhores sons e timbres durante todo o festival. Estava tudo bem audível e pesado! Da formação original, o guitarrista André Gubber e o carismático Mauro “Punk” são as provas vivas de que o tempo ensina muitas coisas. Deram uma revisada geral em “Pissed Off” e “The Corpse Falls”, discos que mostram bem esse groove entre o moderno e o tradicional que exploram há muitos anos. Não poderia ficar de fora a folclórica “Enéas”, uma crítica bem-humorada representada numa canção que será sempre lembrada por quem segue a banda.

    Já com um público razoável, os candangos do Miasthenia trouxeram toda a mística e ancestralidade em seu Black Metal de longa data e vivências. Agora, praticamente composta por mulheres, a energia vital da banda reverberou bem no local, mesmo que, no primeiro momento, o guitarrista Thormianak tenha tido problemas com seu pedalboard, o que não o intimidou a bater cabeça até o problema ser resolvido. Destaque para a forte “Antípodas”, encerrando com a já clássica “Entronizados na Morte”. Com a forte presença da vocalista e tecladista Hécate, a banda foi aclamada de forma satisfatória.

    Mais uma presença grega no fest, o Lucifer’s Child surpreendeu muita gente e alguns poucos já os conheciam devido ao split com os brasileiros do Mystifier. Há uma forte influência do Black Metal praticado por lá, é uma escola quase impossível de fugir quando este é o assunto. O guitarrista George Emmanuel já perambulou pelo Rotting Christ e Necromantia, por exemplo, mas é importante frisar que o quarteto lembra em muitos momentos o Watain. Um show pesado e intenso!

    Mais suecos no palco, o Demonical pegou uma pista um pouco vazia. A turma ainda estava se hidratando enquanto a banda apresentava o típico Death Metal que é uma referência para muitos. Não sei dizer se a presença do novo vocalista deu a eles uma certa insegurança, com muitas reclamações sobre as luzes do palco. Isso criou um desânimo e os que estavam dentro da casa acabaram saindo também. A banda traz o experiente baixista Martin Schulman, da banda Centinex, que talvez tenha passado despercebido por muitos. “Aeons of Death” e “The Order” tiveram destaque em meio a uma apresentação morna.

    Com uma pegada bem inusitada e também desconhecida para a maioria, o duo Mantar teve uma boa recepção do público. Há elementos distorcidos de um rock´n´roll vagabundo em meio à profundidade alucinógena do Sludge com Black Metal. Hanno (vocal e guitarra) e Erinc (bateria e vocal) sabem realmente onde estão navegando, provocando reações e sentimentos conturbados, não à toa que foram capturados pela Metal Blade.

    O clima psicodisléptico foi elevado ao máximo com os californianos do Acid King. Stoner Doom lento e pesado, o quarteto chegou cedo e antes do show, estavam lá na porta do Carioca vendendo merchandising e sendo cortejados pelos fãs, ainda mais com a simpatia da guitarrista e vocalista Lori Steinberg, estendida no palco. É fato que boa parte da turma aproveitou a brisa sonora para recarregar as energias para o abate final que se aproximava. É redundante dizer que Black Sabbath é realmente um catalisador para esse estilo, algo que era fácil perceber na execução densa de “Mind’s Eye” e “90 Seconds”, presentes no novo disco deles. Foi um show chapado e, digamos, introspectivo!

    Já estava anoitecendo e o calor aumentando quando os alemães do Assassin subiram ao palco para agitar boa parte dos presentes. As rodas de mosh se formaram facilmente, mesmo com a contragosto de alguns que reclamaram pelo fato do vocalista Ingo Bajonczak estar usando uma camisa do Pantera. O carisma veio do inquieto baixista Joachim Kremer, que gritou algumas palavras em português. Ele deve ter aprendido com os brasileiros do Nervochaos, já que chegou a tocar ao vivo com eles. Mesmo sendo uma banda da primeira leva, o som deles soa moderno há algum tempo, mas foi impossível não vibrar com “Fight (to Stop the Tyranny)” e “Assassin” do clássico de 87 “The Upcoming Terror”.

    Os ingleses do Cancer possuem três discos seminais em termos de Death Metal, relançados, inclusive, recentemente no Brasil. John Walker, guitarrista e vocalista da formação original e principal compositor, sabe bem o contexto em que a banda está inserida e entregou uma aula precisa e cirúrgica em riffs pesados, densos e cavernosos. Colegas, que apresentação matadora! Mesmo trazendo músicas recentes, a carga envelhecida veio inflexível com “Blood Bath”, “Tasteless Incest” e “Death Shall Rise”. No meio de toda essa intensidade, “Enter the Gates”, uma canção nova, se encaixou perfeitamente. Encerraram com a impiedosa “Hung, Drawn and Quartered”.

    Com máximo respeito ao Girlschool, a escalação do Triumph of Death coroava então de fato o Setembro Negro Festival. Desde a época que assinava como Satanic Slaughter, o sisudo Tom Warrior carrega a essência do Metal da Morte que determinou toda a forma de fazer Black e Death Metal, daqueles que o gosto é de enxofre e a carne é deliciosamente podre. Quando as primeiras notas da aniquilação iniciaram “The Third of the Storms”, uma vórtice imoderada elevou o Carioca Club aos altares da loucura e da ruína sonora. A massa, em colapso infernal, digladiavam-se entre os tradicionais “urghs” e epístolas como “Massacra”, “Crucifixion”, “Horus/Aggressor”, “Revelations of Doom” e “Messiah”. Sem misericórdia ou compaixão, Warrior acompanhado do guitarrista André Mathieu, da baixista Jamie Lee Cussigh e do baterista Tim Wey, insuflaram o pandemônio como um amigo confiável. “Visions of Mortality”, som do Hellhammer herdado pelo Celtic Frost e gravado em “Morbid Tales”, ainda teve tempo de somar ao set hostil. Para encaminhar de vez ao baixo inferno a legião de demônios presente, “Triumph of Death” arrancou mesmo lágrimas daqueles que velam o profano como ideologia de vida.

    Aos muitos sobreviventes, essa edição do Setembro Negro foi uma prova de fogo e quebras de muitas barreiras. Quem não pecou pelo excesso, soube bem aproveitar estes quatro dias, revezando entre uma saída e outra, goles e outros, doses cavalares de Metal em sua melhor e significativa forma. Entre muitas sensações que ficam, o que será que a Tumba Productions vai preparar para o próximo ano?! Estaremos lá, novamente, para conferir.

     
  • GHOST – ao vivo em São Paulo (SP)

    GHOST – ao vivo em São Paulo (SP)

    Por Leandro Nogueira Coppi Fotos: Rafael Andrade

    Lá se vão dez anos da estreia do Ghost no Brasil, quando de sua apresentação no Rock in Rio – em paralelo, o grupo abriu para Iron Maiden e Slayer em São Paulo (SP) e em Curitiba (PR). Na ocasião, a banda sueca criada pelo visionário Tobias Forge divulgava seu então recém-lançado segundo álbum, Infestissumam. De lá para cá, o grupo formado em 2008 lançou mais três álbuns de estúdio e diversos outros materiais, conquistou o mercado norte-americano com o sucesso estrondoso de seu mais recente ‘full lenght’, Impera (2022), retornou ao Brasil outras três vezes e hoje é considerado um dos maiores nomes do rock. Foi um crescimento avassalador para um grupo que quando surgiu era visto como algo ‘cult’, que nem de longe aspirava um dia alcançar tamanha popularidade. Como resultado desse crescimento, em sua quarta passagem pelo Brasil, que teve apenas São Paulo (SP) no itinerário da “Re-Imperatour Latin America 2023”, o Ghost precisou de uma data extra retroativa na última quarta-feira (20), visto que os ingressos para o show de quinta-feira (21) se esgotaram rapidamente – vale ressaltar que houve problemas no processo de vendas online para essa que até então seria data única. Para a abertura nas duas noites foi escalada a Crypta, banda que recentemente foi elogiada na imprensa pelo próprio Tobias. Infelizmente, conforme explicado pela própria em suas redes, por questões de logística do próprio evento que fugiram do controle das duas bandas e de suas respectivas produções, o grupo brasileiro só teve condições de se apresentar no segundo dia.

    Curiosamente, coincidiu de essa apresentação da Crypta ter acontecido justamente no dia em que divulgamos a nova edição da ROADIE CREW, #276, que traz justamente o quarteto formado por Fernanda Lira, Tainá BergamaschiJéssica Di Falchi Luana Dametto como destaque. Esse show marcava o início da promoção do segundo e novo álbum de estúdio da banda, Shades of Sorrow, que foi lançado no último mês de agosto. Antes mesmo de a banda surgir no palco, seu nome já estava sendo ovacionado. Após o clima sombrio criado com a introdução de abertura do novo disco, a instrumental The Aftermath, o quarteto foi recebido de forma calorosa pelo público que, por sinal, já preenchia em ótimo número as dependências do Espaço Unimed. O grupo correspondeu ao “abraço” mandando com precisão Lift the Blindfold, uma das mais intrincadas do novo álbum. Os elementos principais da capa de Shades of Sorrow ornando o palco davam um clima ainda mais intenso, favorecido pela iluminação que colaborava para o clima das músicas. Em termos de qualidade de som, tudo correu muito bem também.

    O repertório da Crypta para esse show foi pensado de forma a priorizar o novo álbum, então a banda mandou uma rajada de death metal com outras quatro pedradas do disco, Stronghold, The Outsider, Lullaby for the ForsakenPoisonous Apathy. Além da precisão nas execuções, o quarteto soube muito bem preencher o espaço que tinha no palco. Aliás, rolava um impacto visual bem legal quando Jéssica Tainá se aproveitavam da grande extensão do palco e tocavam cada uma em pé em cima de uma das caixas posicionadas nas extremidades. Isso é muito legal, quando uma banda tem segurança no palco e mostra essa noção de movimentação, de ocupação de espaço e de trocas de posições, o que reflete ao público uma performance altamente profissional. 

    Apesar de priorizar o novo álbum, as integrantes da Crypta não deixaram de valorizar seu disco de estreia, Echoes of the Soul, de 2021, e dele começaram por Under the Black Wings. Sem muito tempo para se comunicar, a sempre carismática Fernanda Lira inflamava o público através de gestos ou de algumas falas e agradecimentos rápidos. Já caminhando para o final de sua apresentação, FernandaTaináJéssica Luana descarregaram dois dos carros-chefes de Shades of Sorrow, as bem recebidas The Other Side of Anger Lord of Ruins. Para a despedida, optaram por mais uma do debut, a explosiva e visceral From the Ashes, uma das mais porradas entre os dois discos. Que bom foi ver que, apesar das duras críticas e galhofas que a banda costuma receber no “maravilhoso” mundo virtual da Internet, no ‘face to face’ a coisa é bem diferente e muito mais positiva e saudável. As musicistas da Crypta saíram aplaudidas e o nome da banda foi exaltado por muita gente que fez questão de prestigiar.

    “A noite inteira com certeza foi uma das mais especiais para a banda até hoje”, disse Fernanda com exclusividade à ROADIE CREW. “Foi uma junção de um monte de fatores, primeiro porque esse foi o show que marca o começo de uma nova era da banda; foi o primeiro show da turnê nova que por si já torna tudo muito especial, principalmente por conta da recepção do disco, que tem sido muito massa”. Fernanda não escondeu a felicidade de ter tocado com uma das maiores bandas da atualidade e também com o mencionado elogio que a Crypta recebeu de Tobias Forge em entrevista para a inglesa Metal Hammer. “Eu já tinha me sentido muito feliz em ser conectada com essa banda quando saiu uma matéria gringa que o Tobias Forge falava da Crypta, que era uma banda nova que ele acha legal, e isso foi muito especial. Ser validada por um dos maiores nomes do gênero é um reconhecimento muito bacana, e saber que dividiríamos o palco tornou tudo mais especial”. Empolgada com a recepção do público, o maior para o qual a Crypta já tocou na capital, Fernanda foi só elogios e agradecimentos: “Já sabíamos que seria o maior público que a gente teria tocado em São Paulo. E foi. Apesar de a Crypta e o Ghost serem de gêneros diferentes, chegar lá e ver o nome da banda sendo chamado pelas pessoas antes mesmo de soltarem a intro foi muito especial. Sabíamos que tinha gente ali para nos ver. Tinha gente cantando e quem não sabia cantar estava apoiando. De modo geral, foram muito receptivos com a gente. Por tudo isso, foi uma das noites mais bacanas da nossa história”.

    Depois da apresentação da Crypta, a euforia começou a tomar conta do local quando alguns cantos gregorianos começaram a rolar no som mecânico por longos minutos. O clima para a missa do Ghost estava pronto, faltando apenas o clero surgir no altar. Àquela altura, o calor já era insano, visto que as altas temperaturas têm sido críticas em São Paulo nas últimas semanas. Enquanto a cortina branca não caía e o show não começava, notávamos a predominância de uma nova geração ali presente. Muitos fãs atuais da banda sueca talvez nem tivessem idade para ter visto a apresentação mais recente do Ghost no país, quando de sua apresentação na segunda e última edição do Maximus Festival, realizada em 2017. Nas ambiências, percebíamos também muitos fãs maquiados como os personagens  de Tobias Forge no Ghost, seja como Papa Emeritus, Papa Nihil ou o canastrão Cardinal Copia. Alguns também usavam as máscaras antigas dos “famosos secretos” Nameless Ghouls. Quando a introdução Imperium começou a rolar no som mecânico, a histeria foi geral e ensurdecedora. Assim que a cortina caiu revelando os vitrais de uma Igreja sacro/satânica com os Ghouls já posicionados executando a primeira do último álbum completo de estúdio, Imperia, a contagiante Kaisarion, o local tremeu, porém não mais do que quando Tobias, na persona de Papa Emeritus IV, surgiu correndo pelo palco.

    A sequência com a radiante Rats, hit do álbum anterior, Prequelle (2018), só me confirmou que cada vez mais a sonoridade do Ghost caminha para um viés mais comercial, bebendo de elementos do hard rock e do AOR, algo observado, por exemplo, nos riffs, nas camas de teclado, no uso de três Ghouls (às vezes quatro, considerando a tecladista) ao fundo do palco acrescentando em melodias nas linhas vocais grudentas de Tobias, que acumula experiência em seus trabalhos com outras bandas como SuperiorCrashdïetRepugnantOnkel KankelMagna Carta Cartel Subvision. Prosseguindo, uma mudança no set em relação ao show da noite anterior, o Ghost trocou Faith, também de Prequelle, pela antiga From the Pinnacle to the Pit, de seu terceiro álbum, Meliora (2015). Depois dessa, um dos pontos altos aconteceu com outra do novo álbum, Spillways, que como deu para notar, já se tornou um clássico da banda. 

    Outro momento ímpar do show rolou na antiga Ritual, do debut Opus Eponymous, de 2010. Foi engraçado perto do final da música quando um dos Ghouls, o da guitarra branca, se “empolgou” fritando no solo final e foi “repreendido” pelo baixista. Prontamente ele mostrou ao parceiro um adesivo colado nas costas de sua guitarra com os dizeres “You suck” (em livre tradução, “você é um merda”). Aliás, os Nameless Ghous são uma atração à parte em um show do Ghost. Sempre agitam e interagem, entre eles ou com o público. Nessa nova era do Ghost, o visual dos Ghouls foi repaginado. Deixaram os trajes clericais no passado e hoje adotam uma vibe steampunk, porém declaradamente influenciada por Star Wars, parecendo intencionalmente como pilotos militares de algum exército maligno.

    Depois de um pouco mais de firula instrumental dos Ghouls, Tobias retornou ao palco, agora à moda antiga como o velho Papa Emeritus. Era a vez de mais um hit de Impera: Call Me Little Sunshine. No meio rolou uma paradinha para os fãs cantarem e eles corresponderam à altura! Agora sem turbante e liberando os espíritos com incensário, beneficiado por uma iluminação infernalmente vermelha, Papa Emeritus comandou o caos com o clássico Con Clavi Con Dio. Alguns outros pontos de arrepiar vieram depois de outra das novas, Watcher in the Sky, começando pelo hino Year Zero, mais uma de Infestissuman. Depois foi a vez da bela e emocionante He Is. Próximo do final da instrumental Miasma, Papa Nihil foi ressuscitado e, usando um óculos retro-wave, a finalizou com um solo de saxofone de emocionar. Também ao final de Mary on a Cross, música do EP Seven Inches of Satanic Panic (2019), o público cantou a capella o refrão da música. Papa Emeritus, que ao longo do set ia trocando de figurinos, brincou com o público dizendo: “Não diga “Cross, diga “Mary on A”, de uma forma que soou como se tivesse dito “marijuana”.

    Na sombria Mummy Dust, teve chuva de papel picado caindo e colando na pele dos fãs suados que quase derretiam com o calor descomunal instaurado no recinto. Ao final dessa, Papa Emeritus fez um longo discurso de pouco mais de quatro minutos, incluindo algumas tiradas com o público. Ele falou do calor que fazia e arrancou gargalhadas gerais ao comparar o sentimento bom que todos estavam tendo, ao sentimento que rola “pós-coito”. Também ressaltou que era melhor imaginarmos que estávamos todos nos divertindo do que pensar que a diversão já estava acabando (Sabe aquele papo de valorizar a metade cheia do copo? Então!) Tobias também agradeceu pela presença de todos e fez comentários elogiosos à Crypta, dizendo se tratar de uma ótima banda, pela qual as pessoas ali deveriam sentir orgulho por ser uma das boas bandas brasileiras. Respondendo com aplausos, os fãs do Ghost gritaram o nome da Crypta. Eles também foram bastante elogiados pelo cantor, que também lhes agradeceu por rirem de suas piadas. Disse até que isso significava muito para ele.

    De fato o show estava próximo do fim, mas Tobias assegurou ao público que se eles queriam três músicas para o final, certamente teriam. Após o frotman mandar um “Muito obrigado, Brasil”, em belo e bom português, o dedilhado ouvido revelou Respite on the Spitalfields, música em que o destaque foi o batera, que executou algumas viradas cavaleres. Na volta do bis, a banda mandou uma trinca poderosa formada pela ótima Kiss the Go-Goat, a comemorada Dance Macabre e, para fechar, aquela que esse que vos escreve considera a melhor música do Ghost, a grudenta Square Hammer.

    Emocionados, Tobias e seus oito Nameless Ghouls caminharam de um lado ao outro do palco por alguns minutos agradecendo aos fãs que compareceram e ajudaram a fazer dessa uma grande noite e esse um dos melhores shows que São Paulo recebeu em 2023. Se há uma coisa de negativo a dizer sobre a noite de quinta-feira (21), fica exclusivamente para o calor insuportável que vem afetando os paulistanos. No mais, foi uma noite memorável, tanto para o público, como também para a Crypta, que tocou para o maior número de pessoas em São Paulo, obtendo reconhecimento e respeito das mesmas, quanto para o Ghost, que se despediu do Brasil tendo a certeza de que aqui se encontra uma de suas bases mais fortes de fãs no mundo todo. Palmas para todos! 

    Ghost – set list:
    • Imperium (intro)
    1. Kaisarion
    2. Rats 
    3. From the Pinnacle to the Pit
    4. Spillways
    5. Cirice
    6. Absolution
    7. Ritual
    8. Call Me Little Sunshine 
    9. Con Clavi Con Dio
    10. Watcher in the Sky
    11. Year Zero 
    12. Spoksönat (intro)
    13. He Is
    14. Miasma
    15. Mary on A Cross
    16. Mummy Dust
    17. Respite on the Spitalfields 
    18. Kiss the Go-Goat
    19. Dance Macabre
    20. Square Hammer
    Crypta – set list
    • The Aftermath (intro)
    1. Lift the Blindfold
    2. Stronghold
    3. The Outsider
    4. Lullaby for the Forsaken
    5. Poisonous Apathy
    6. Under the Black Wings
    7. The Other Side of Anger
    8. Lord of Ruins 
    9. From the Ashes
     
  • TRIUMPH OF DEATH anuncia álbum ao vivo tocando repertório do HELLHAMMER

    TRIUMPH OF DEATH anuncia álbum ao vivo tocando repertório do HELLHAMMER

    O impacto dos antepassados suíços do metal extremo Hellhammer ainda ressoa em toda a cena global do metal, tal foi a sua influência nos primeiros gêneros de extremo, death e black metal. Nos 40 anos que se passaram desde seu humilde início em Nurensdorf, na Suíça, em maio de 1982, eles ganharam um status mitologicamente icônico, apesar de existirem por apenas dois anos. No entanto, a banda deixou um corpo de trabalho altamente influente para trás, incluindo as três demos, Death Fiend, Satanic Rites e Triumph of Death (relançada em 2008 como a retrospectiva demo de Demon Entrails), o EP seminal Apocalyptic Raids e duas faixas da lendária compilação Death Metal. À luz desse legado, é quase inconcebível que o Hellhammer nunca tenha tocado essa música no palco.

    O Celtic Frost, grupo sucessor formado pelo membro fundador do Hellhammer, Tom Gabriel Warrior, e pelo ex-baixista do Hellhammer, Martin Eric Ain, tocava esporadicamente uma ou duas músicas do Hellhammer, e a banda atual de Warrior, o Triptykon, tocou ocasionalmente a música do Hellhammer ao vivo, mas o vasto material do grupo pioneiro permaneceu inédito, até o início do Triumph Of Death. Em 2019, Tom Gabriel Warrior afirmou: “O Hellhammer nunca voltará e nunca será reformado. É absolutamente impossível reformar uma banda tão intimamente ligada a um período de tempo muito específico e único. Mas a música de Hellhammer existe, e é uma parte extremamente importante do meu caminho de vida. E eu gostaria de tocá-lo no palco antes da minha morte”.

    A ressurreição da música de Hellhammer foi uma ideia que Tom Gabriel Warrior e Martin Eric Ain discutiram por muitos anos, desencadeada principalmente por sua colaboração renovada no reformado Celtic Frost nos anos 2000. Os primeiros passos para a realização do Triumph Of Death, nomeado após a canção mais infame de Hellhammer e destinado a ser um tributo muito respeitoso e autêntico ao próprio, foram finalmente dados em 2014, e a banda foi oficialmente fundada no outono de 2018.

    O Triumph Of Death consiste de indivíduos que não apenas amam a música em questão, mas realmente a entendem. A formação emula a encarnação final do Hellhammer em abril/maio de 1984, quando o grupo adicionou outro guitarrista. Até o momento, o Triumph Of Death realizou inúmeros concertos notáveis em todo o mundo (inclusivo no Brasil, onde tocou recentemente no Setembro Negro) e trouxe a música seminal do Hellhammer para os fãs antigos e novos. Muitos dos quais pensaram que talvez nunca o vissem ao vivo no palco.

    O lançamento ao vivo de estreia do Triumph Of Death, Resurrection Of The Flesh, é o culminar de três concertos. Gravado na primavera de 2023 no Hell’s Heroes Festival, em Houston EUA, Dark Easter Metal Meeting, em Munique, Alemanha, e no SWR Barroselas Metal Fest, em Portugal, o álbum foi produzido por Tom Gabriel Warrior e V. Santura, do Triptykon. O disco será lançado no dia 10 de novembro, via Noise/BMG.

    Triumph Of Death, Resurrection Of The Flesh captura a banda em seu melhor momento; crua e pesada. As canções podem datar de quatro décadas, mas aqui elas são reveladas como sendo tão vitais hoje quanto quando foram escritas no infame bunker de ensaios da banda na vila rural de Birchwil, na Suíça, no início dos anos 1980. Dos estrondosos acordes de abertura de Third Of The Storms (Evoked Damnation), ao feedback malévolo e mórbido de Triumph Of Death, este álbum é um documento de sessenta minutos do poder avassalador da performance ao vivo do Triumph Of Death, e captura o espírito e a intensidade dessas canções históricas que transcenderam décadas para se tornarem reverenciadas e atemporais.

    Warrior: “Este álbum é, acima de tudo, uma prova da conexão única que existe entre o público e esta banda. A música do Hellhammer foi um símbolo underground entre 1982 a 1984, muitas vezes ridicularizada e evitada, e devemos o fato de que agora somos capazes de executá-la em todo o mundo inteiramente à graça, abertura e entusiasmo daqueles que tornam exatamente esses shows possíveis. Eles nos dão tanto quanto nós lhes demos, e minha gratidão a eles não conhece limites”.

    Clique aqui para ouvir a faixa Messiah e para fazer a pré-encomenda e saber sobre merchandisings exclusivos. Tracklisting 1. The Third Of The Storms (Evoked Damnation) 2. Massacra 3. Maniac 4. Blood Insanity 5. Decapitator 6. Crucifixion 7. Reaper 8. Horus/Aggressor 9. Revelations Of Doom 10. Messiah 11. Visions Of Mortality 12. Triumph Of Death Bonus 7” song (Super deluxe edition only) 13. Decapitator (Live In Houston)   Triumph Of Death Tom Gabriel Warrior – voz e guitarra André Mathieu – guitarra e voz Jamie Lee Cussigh – baixo Tim Iso Wey – bateria www.triumphofdeath.net
    Da esq. p/ a dir.: Jamie Lee Cussigh (baixo), André Mathieu (guitarra/vocais), Tom Gabriel Warrior (voz/guitarra), Tim Iso Wey (bateria)
  • JABÁ está doente e RATOS DE PORÃO pede ajuda financeira para tratamento de seu ex-baixista

    JABÁ está doente e RATOS DE PORÃO pede ajuda financeira para tratamento de seu ex-baixista

    O Ratos de Porão veio a público por meio de suas redes sociais solicitar ajuda financeira para o tratamento de Jabá, lendário ex-baixista da banda punk. Diz o comunicado da banda:

    “Nosso amigo Jabá está passando por um momento difícil e precisa de nossa ajuda. Está internado desde domingo quando passou mal em casa e foi levado às pressas para o hospital; problemas hepáticos e um rim não funcionando é o que temos até agora. Venho em nome dele e da família pedir para quem puder ajudar, seja com que quantia for… Vou passar o pix da irmã dele que está acompanhando-o e com certeza será responsável pelas melhorias que nosso amigo precisa. Fica aqui o nosso agradecimento em nome do nosso amigo que não tem como se sustentar e nem pagar os gastos que terá. Obrigado.

    Pix da Adriana: 132.570.618.38″.

    Jabá fez parte da primeira formação do Ratos de Porão, antes mesmo da entrada de João Gordo como vocalista. O grupo foi formado em 1981 pelos primos Jão (vocal) e Betinho (bateria). Com a entrada de João Gordo em 1983 e a saída de BetinhoJão assumiu a bateria até o ano de 1985, quando se estabeleceu definitivamente como guitarrista da banda. Por sua vez, Jabá permaneceu no grupo até o ano de 1993. Em seu período no R.D.P., gravou os álbuns Crucificados Pelo Sistema (1984), Descanse em Paz (1986), Cada Dia Mais Sujo e Agressivo (1987), Brasil (1989), Anarkophobia (1991) e o ao vivo RDP Vivo (1992). Mais tarde, precisamente no ano de 2004, Jabá se reencontrou musicalmente com Jão na banda Periferia S.A.. 

    Jabá, último da esquerda para a direita, acompanhado de Jão, Spaghetti e João Gordo, formação essa que gravou quatro álbuns do Ratos de Porão
  • GO AHEAD AND DIE lança videoclipe animado para segundo novo single, “Desert Carnage”

    GO AHEAD AND DIE lança videoclipe animado para segundo novo single, “Desert Carnage”

    POR ASSESSORIA 

    A banda de death-crust GO AHEAD AND DIE lançará seu novo álbum Unhealthy Mecanisms no dia 20 de Outubro pela Nuclear Blast Records. O álbum que borbulha agressividade e surgiu da mente dos músicos Igor Amadeus Cavalera (HEALING MAGIC) e Max Cavalera (SOULFLY, CAVALERA CONSPIRACY) é mais um capítulo desta banda que se inspira nas temáticas distópicas e que ajuda o ouvinte a mergulhar na loucura da sociedade moderna e na poluição que devasta as nossas mentes.

    “Desert Carnage” é a faixa que abre o novo álbum Unhealthy Mecanisms. A música que surgiu da mente de Igor Amadeus Cavalera, leva os ouvintes através de uma jornada incendiária através de um deserto apocalíptico com inspirações no ambiente em que vivem no estado do Arizona. Confira o fervoroso single que encapsula alguns dos melhores riffs de Igor no álbum.

    Igor Amadeus Cavalera comentou: “”Desert Carnage” é uma música explosiva e rápida, tão quente quando o deserto de Sonora. O tema barbáro da música surgiu da crueldade e terreno inóspito que é o deserto, tão desolador e cruel quanto um lugar pode ser.”

    Ouça o novo single “Desert Carnage” aqui: https://goaheadanddie.bfan.link/descrge.ema

    Assista ao novo videoclipe, para ‘Desert Carnage’, criado por Costin Chioreanu, aqui:

    Faça a pré-venda da versão importada do álbum Unhealthy Mecanisms aqui: https://goaheadanddie.bfan.link/gaaduhmech.ema

    “Unhealthy Mecanisms” foi produzido por Igor Amadeus Cavalera, enquanto John Aquilino cuidou da gravação em seu Platinum Underground Studio imerso no ambiente místico aos pés das famosas Montanhas Supersticiosas ou “Superstitious Mountains”. A mixagem e a masterização foram mais uma vez realizadas por Arthur Rizk (CAVALERA, SOULFLY, TURNSTILE). Para a arte, a banda recrutou Santiago Jaramillo, da Triple Seis Design, para criar o design inquietante que se encaixa com o título do álbum. O mais novo disco do GO AHEAD AND DIE é um testemunho da saúde mental em declínio ao redor do mundo, e um lembrete de que não estamos sozinhos em nossa dor. A mente está perdida. O pavio está aceso. Hora de incendiar tudo. Abaixo o tracklist para ‘Unhealthy Mechanisms’: 1. Desert Carnage 2. Split Scalp 3. Tumors 4. Drug-O-Cop 5. No Easy Way Out 6. M.D.A. (Most Dangerous Animal) 7. Chasm 8. Cyber Slavery 9. Blast Zone 10. Unhealthy Mechanisms ‘Unhealthy Mechanisms’ estará disponível digitalmente e nos seguintes formatos:
    • CD Acrílico
    • Fita-Cassete Vermelha (Limitada em 400 unid.)
    • Vinil
      • Vermelho com Splatter Preto
      • Branco com Splatter Preto
    GO AHEAD AND DIE é: Max Cavalera | Vocais, Guitarra Igor Amadeus Cavalera | Vocais, Guitarra, Baixo Johnny Valles | Bateria

  • MIKE TRAMP – FOR FØRSTE GANG [7,0/10]

    MIKE TRAMP – FOR FØRSTE GANG [7,0/10]

    Embora Mike Tramp nunca antes tivesse planejado gravar um álbum cantando em seu idioma, o dinamarquês mais conhecido do hard rock (vide White Lion e Freak of Nature) assim o fez em For Første Gang.

    A motivação para isso veio de uma letra que Tramp recebeu de Lars Daneskov, autor de sua biografia “The Vagabond – The Story About Mike Tramp”, de 2005.

    Nesse seu 13° álbum solo de estúdio Tramp oferece uma proposta muito mais intimista, repleta de baladas e canções sofisticadas que caíram bem para seu estilo não muito refinado de cantar.

    Aliás, é nessa sonoridade de viés pop que Tramp muitas vezes parece se dar bem, mais do que no White Lion onde pecava pela falta de versatilidade.

    Embora muitos possam torcer o nariz pelo excesso de baladas, o disco dispõe também de músicas despojadas, como Vejkort, Jeg Holder Fast e Min by (confira esse e outros videoclipes abaixo).

    A decisão de Tramp em cantar em seu idioma resultou em algo mais interessante e assertivo do que o já lançado álbum The Songs of White Lion.

      Vejkort: Min By: 
  • TOY DOLLS – São Paulo (SP)

    TOY DOLLS – São Paulo (SP)

    Por Leandro Nogueira Coppi Fotos: Roberto Sant’Anna

    Cinco anos e uma pandemia depois e o trio Toy Dolls retornou ao Brasil. E tanto para a tresloucada e divertida banda inglesa de punk rock quanto para os fãs a ocasião era especial. Atualmente, o grupo formado em 1979 está comemorando 40 anos do lançamento de seu aclamado álbum de estreia, Dig That Groove Baby. Outro fator especial foi que além de revisitar as cidades de Porto Alegre (RS), Curitiba (PR) e São Paulo (SP), respectivamente, pela primeira vez o Toy Dolls tinha o Rio de Janeiro (RJ) no itinerário. E tudo isso faltando menos de uma semana para seu mentor, o figuraça Michael “Olga” Algar (vocal e guitarra), completar 64 anos. A equipe da ROADIE CREW esteve presente no show de São Paulo e constatou que novamente a base fiel de fãs do Toy Dolls voltou a entupir o Carioca Club, mesmo local em que a banda havia feito sua apresentação anterior em 2018, também com casa lotada. E se naquela ocasião o show do Toy Dolls aconteceu em uma das noites mais frias daquele ano, dessa vez foi o oposto, aconteceu sob um calor desértico. De todo modo, quem presencia um show do grupo, que é completado por Tommy Goober (baixo e vocal) e The Amazing Mr. Duncan (bateria e vocal), se diverte tanto que sai pingando de suor, seja no calor ou mesmo no frio. 

    Em 2018, o Toy Dolls contou em São Paulo com as bandas Faca Preta Os Excluídos para a abertura. Dessa vez, assim como em Curitiba, a missão coube aos veteranos do Skamoondongos, banda formada em meados de 1994. Como o nome do grupo paulistano entrega, o Skamoondongos faz aquela mistura divertida de ska e punk que levanta defunto ao vivo tamanha a carga de energia descarregada no palco, incrementada por um competente naipe de metais. O som dos “moondongos” é forjado sob influência da segunda geração do ska – conhecida como Ska 2Tone (ou simplesmente 2Tone), alcunha essa baseada na gravadora inglesa 2 Tone Records, formada no final dos 70 pelo tecladista do The Specials, Jerry Dammers -, e também na terceira onda. Aliás, quem viveu os anos 90, época do surgimento do Skamoondongos, lembra de outras bandas brazucas da época, como o Anjo dos Becos, por exemplo, que ainda surfa nessa onda – inclusive, o vocalista Pirata, figura respeitada no underground, também estava prestigiando o evento proporcionado pela produtora Powerline.

    No repertório, Axl Rude Krenek (vocal) e Cia. trouxeram músicas de destaque na carreira do Skamoondongos, como Bella CiaoOcupar e Resistir e a antiquíssima Pobre Plebeu, música que integrou a conhecida Coletânea Ska Brasil, sendo destaque nas paradas no verão de 1996/1997 e que mais tarde integraria o debut intitulado Segundo, que saiu pela gravadora Paradox Music. Além de seu contagiante repertório autoral e de críticas à política do Brasil, o Skamoondongos prestou algumas homenagens. A primeira delas veio com a música 2 Tons, cover do Subtones, que foi dedicada a Mingau, baixista do Ultraje a Rigor e ex-Ratos de Porão, que segue internado lutando para sobreviver ao tiro levado na cabeça recentemente. A segunda foi para o Cólera, do finado Redson, com um cover da banda para Medo. Assim como em 2018, mais uma vez a escolha da Powerline para a abertura do Toy Dolls foi assertiva optando agora pelo Skamoondongos

    Sobre a organização em si, um ponto bastante positivo foi o fato de os shows terem começado cedo, com os horários sendo cumpridos à risca. Em uma cidade violenta como São Paulo e sabendo que muita gente depende de transporte público, esses fatores precisam sempre ser levados em conta na hora de definir os horários de um evento, principalmente sendo em final de semana. Pontualmente, às 19h30, um rufar de tambores no som mecânico revelou um hilário “happy birthday to you” em homenagem aos 40 anos do disco Dig That Groove Baby, porém logo a cantiga de aniversário foi atropelada pelo tradicional trecho da romântica Hello, grande hit da carreira do cantor americano Lionel Richie – à essa altura, o Carioca Club estava abarrotado de gente, muitos rindo com a intro; já o calor era imensurável. Ao som de outra introdução, Theme Tune, os ‘nerds’ OlgaGoober Mr. Duncan surgiram pelas escadas ao fundo do palco trajando seus tradicionais terninhos e óculos coloridos. Não demorou e eles deram início ao baile com a dançante Fiery Jack, do comemorado álbum Dig That Groove Baby. A casa veio abaixo: todos cantando em uníssono e se divertindo, principalmente com as coreografias da banda, que ao longo do show incluía passinhos, corridinhas, chutes no alto, giro de instrumentos… Assim que a música acabou, o trio foi ovacionado pelo público e logo mandou Cloughy is A Bootboy!, única do quinto álbum, Wackey Wackey, de 1989.

    Os álbuns Fat Bob’s Feet (1991) e Bare Faced Cheek (1987) também foram relembrados, através de Bitten By A Bed Buggy Fisticuffs in Frederick Street, respectivamenteessa última fica engraçada ao vivo quando banda e público cantam Who’s Down There; parece muito que todos estão cantando “buscapé / buscapé”. Bem, a alegria era geral: punks e headbangers, novos e veteranos, confraternizando em clima total de paz. Infelizmente, isso não foi sempre assim no Brasil, nem mesmo para o próprio Toy Dolls. Na primeira vinda do grupo ao país, há exatos 35 anos, um de seus quatro shows realizados no extinto Projeto SP acabou bem mais cedo do que o previsto por conta de um skinhead que inexplicavelmente acertou um direto no rosto de Olga. Estava na minha, tocando, quando fui atingido. Só depois é que fui saber que tinha sido um deles”, recordou o artista em entrevista concedida à Folha de São Paulo, em 1995, quando do retorno do grupo ao Brasil pela segunda vez. Passados todos esses anos, o Toy Dolls seguiu gravando seus álbuns meio que na surdina, visto que nunca foi midiático, nem se rendeu à nenhuma moda e muito menos integrou o mainstream. E mesmo não tendo o devido reconhecimento como o de outros grupos de sua geração, entre os mais lembrados Ramones, Sex Pistols, e Dead Kennedys, por exemplo, o Toy Dolls é uma banda cult altamente respeitada mundo afora e com uma base fiel e festeira de fãs, principalmente na América do Sul, Espanha e Portugal.

    Dentre as próximas músicas que vieram na sequência, estava Benny the Boxer, do mais recente álbum do Toy DollsEpisode XIII, que foi lançado em 2019. Aliás, desse, OlgaGoober Mr. Duncan apresentaram também a instrumental El CumbancheroOutros dois clássicos do primeiro disco deixaram os fãs histéricos, Up the Garden Path e, principalmente, Dougy Giro. Essa precisou ser recomeçada, pois Goobert teve problemas com a correia de seu baixo. Foi muito engraçado quando o roadie entrou para dar uma ajeitada na peça e foi vaiado pela demora. Claro que as vaias eram em tom humorado, só para ‘sacanear’ o indivíduo, que no decorrer da música ainda ainda meteu um silver tape na correia para dar mais segurança ao baixista. Aqueles que estavam na plateia e também assistiram ao show de 2018, possivelmente se lembram de quando o público já havia zoado a banda ao vaiá-la logo na primeira música, Fiery Jack, que também precisou ser recomeçada assim que um problema na guitarra de Olga foi sanado.

    Depois de em I’ve Got Asthma Olga lembrar o público que ele tem asma e mal consegue respirar, de falar de sua treta com aranhas no camarim em Spiders in the Dressing Room e de o trio mandar a mencionada El Cumbanchero, o frontman chamou seu garçom particular ao palco e recebeu do mesmo uma minúscula garrafa. Olga fez cara feia e ganhou do sujeito desajeitado outra bem maior, porém pequena demais para o cantor de cabelos esmeraldinos. Chegou então o esperado momento em que o atrapalhado garçom ressurge com uma garrafa gigante, quase do tamanho do agora satisfeito cantor. Como em todo show, Olga sentou no objeto inflável que aguçou os sentidos etílicos dos borrachos de plantão e disparou contra os gaiteiros uma chuva, não de “mé” (como diria o digníssimo Mussum), mas sim de papel picado. Claro, era hora de uma das mais esperadas do repertório, The Lambrusco Kid – música que serviu de inspiração para a banda brasileira Lambrusco Kids.

    Inegavelmente, o momento mais esperado pela maioria viria a seguir. E não há quem não tenha fica ensandecido quando o Toy Dolls tocou a sua Enter Sandman, a sua Blitzkrieg Bop, a sua Rock and Roll All Nite: falo da inigualável Nellie The Elephant, grande hit de Dig That Groove Baby. Nessa, os tradicionais “ôooooooooo” foram ensurdecedores – e de arrepiar! Depois de She Goes to Finos, do segundo álbum, A Far Out Disc (1985), Olga perguntou: “vocês acham que estou ficando velho demais para isso? Se acham velhos para isso?”. E aí a banda mandou sua versão do compositor do Sacro Império Romano-Germânico Johann Sebastian Bach para Toccata and Fugue in D Minor, BMW 565. Nessa, o destaque foi Mr. Duncan, que detonou na batera e fritou o chimbal. E por falar na questão técnica do trio, convenhamos, embora teoricamente o som incomparável do Toy Dolls, um punk rock que ora parece trilha sonora de desenho animado, ora um folk nórdico festivo, ou um hillbilly americano (daria até para imaginar um banjo em algumas músicas do grupo), pareça ser simples e fácil, estamos falando de três grandes músicos, que tocam de modo preciso do começo ao fim. Ouso a dizer até que Olga é um dos guitarristas mais criativos do rock e valorizado no máximo pelos fãs de punk rock. Jão, guitarrista do Ratos de Porão, por exemplo, sempre o cita como sua grande referência na guitarra.

    Depois de Alec’s Gone, única do sétimo álbum, Absurd Ditties (1993), Olga se retirou do palco e Goober Mr. Duncan fizeram uma seção baixo/batera para não deixar o clima esfriar. Não demorou muito, Olga retornou ao palco com chapeuzinho e bandeja de demonstrador de shopping center, mas ao invés de mini-pretzels, distribuiu óculos iguais ao seu para alguns sortudos da pista que estavam colados no palco. Depois disso, ele e Goober pegaram outra guitarra e outro baixo, respectivamente, e após Olga contar de um a quatro em bom português, o trio mandou Harry Cross (A Tribute to Edna), de Iddle Gossip, 3° álbum do Toy Dolls, lançado em 1986. Na sequência, fecharam a primeira parte do show com um cover da instrumental Wipe Out, do The Surfaris, um surf music ao melhor estilo Dick Dale. E claro que nessa teve a tradicional coreografia de Olga Goober girando seus instrumentos simultaneamente. 

    Com a cozinha do Toy Dolls de volta ao palco, Goober apresentou Mr. Duncan ao público e perguntou a todos aonde estava Olga. Atendendo ao chamado dos fãs, o dito cujo ressurgiu no palco ao melhor estilo Rick Nielsen, do Cheap Trick, portando uma guitarra Fender em formato ‘triple neck’. Com ela e acompanhado de seus asseclas, Olga comandou a música que dá nome ao aniversariante álbum quarentão, a dançante Dig that Groove Baby. Assim como na maior parte do show, a pista ficou ensandecida, com muita gente agitando e fazendo rodas. Depois dessa, a banda novamente deixou o palco.

    Após um intervalo um pouco maior do que o anterior, OlgaGoober The Amazing Mr. Duncan se despediram de São Paulo, porém antes de embarcarem para o Rio de Janeiro fecharam com uma trinca formada por When the Saints Go MarchingGlenda and the Test Tube Baby e, sob uma chuva de balões negros estampados com o rosto da mascote da banda, a derradeira Iddle Gossip

    Agradecido e satisfeito com uma hora e vinte de pura diversão e cantorias, o público emanou sua alegria à banda em forma de aplausos de agradecimento. Para muitos ali, o Toy Dolls fez parte da infância e da adolescência. Badauí, vocalista do CPM 22, por exemplo, já declarou que deu seu primeiro beijo ao som dos Dolls. Ou seja, como dito aqui anteriormente, embora o Toy Dolls sempre tenha se mantido no underground – ainda que tenha tido sua música bem explorada em filmes, jogos de PlayStation e como faixa incidental para TV no mundo todo -, é o tipo de banda que agrada a gregos e troianos. Aliás, muito mais gente do que possamos imaginar têm histórias especiais para contar sobre como e/ou em que situação conheceu o grupo inglês. Sobre o disco aniversariante, o clássico Dig That Groove Baby, passados 40 anos vemos o quanto ele envelheceu bem. Também, pudera, o Toy Dolls também segue sendo relevante para a velha guarda e para as novas gerações que vão surgindo e curtindo a música divertida e descompromissada de Olga e sua trupe.

    Toy Dolls – set list
    • Theme Tune  
    1. Fiery Jack
    2. Cloughy Is A Bootboy! 
    3. Bitten By A Bed Bug
    4. Fisticuffs in Frederick Street 
    5. The Death of Barry the Roofer with Vertigo 
    6. Benny the Boxer
    7. Up the Garden Path
    8. Dougy Giro 
    9. I’ve Got Asthma
    10. Spiders in the Dressing Room 
    11. El Cumbanchero 
    12. The Lambrusco Kid
    13. Nellie the Elephant
    14. She Goes to Finos
    15. Toccata and Fugue in D Minor, BMW 565 (Johann Sebastian Bach) 
    16. Alec’s Gone
    17. BAIXO/BATERA, 
    18. Harry Cross (A Tribute to Edna) 
    19. Wipe Out (cover do The Surfaris)                                                                                                                                                           (BIS)
    20. Dig That Groove Baby                                                                                                                                                                                          (BIS)
    21. When the Saints Go Marching 
    22. Glenda and the Test Tube Baby
    23. Iddle Gossip
    • Theme Tune