BLACKBERRY SMOKE – SÃO PAULO (SP)

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Por Marcelo Gomes

Fotos: Belmilson Santos

Depois de longos sete anos de espera, finalmente o Blackberry Smoke retornou ao Brasil com sua turnê “Rattle, Ramble and Roll South America Tour 2026”. Dessa vez, a apresentação foi na Audio Club, que recebeu um enorme público, quase atingindo lotação máxima. Eu, que estive na estreia da banda em 2019, pude notar que eles têm fãs diferenciados. Trata-se de um público realmente fervoroso, que não esconde suas influências. Muitos deles vestiam camisetas do Blackberry Smoke, obviamente; no entanto, também havia diversas camisetas de Lynyrd Skynyrd, Allman Brothers e outras simplesmente com a inscrição “Southern Rock”, além de botas e, em alguns casos, chapéus.

Sem atração de abertura, pontualmente às 20h30 Charlie Starr (vocais e guitarra), Paul Jackson (guitarra), Richard Turner (baixo), Brandon Still (teclados), Benji Shanks (guitarra e mandolim) e Kent Aberle (bateria), que substituiu o fundador Brit Turner, falecido em 2024, subiram ao palco e abriram com a vibrante Good One Comin’ On, seguida pela poderosa Workin’ for a Workin’ Man e pela visceral Payback’s a Bitch, entregando o melhor do southern rock.

Acompanhados pelas palmas do público, atacaram Hammer and the Nail, do álbum mais recente, Be Right Back (2024). A pegada mais country embalou o público, e alguns chegaram a levantar seus chapéus em reverência. Foi o suficiente para que a banda fosse ovacionada. Charlie aproveitou para agradecer e lembrar que estavam celebrando 25 anos de carreira, antes de anunciar Till the Wheels Fall Off, que mantém a mesma vibe com um pouco mais de peso. O coração do rock sulista pulsou forte com Lucky Seven e Hey Delilah. A versatilidade do Blackberry Smoke ficou evidente, transitando com facilidade entre o country, o rock e o blues, sempre com a autenticidade que os caracteriza.

Quando tocaram Pretty Little Lie, a casa veio abaixo. Já considerada um clássico, a música foi cantada em coro pelo público, que tomou conta da Audio Club e, mais uma vez, ovacionou a banda. Na sequência, o groove de You Hear Georgia não deixou ninguém parado, mas foi em Waiting for the Thunder que os fãs mostraram que dominavam a letra em um momento de arrepiar.

De posse de seu violão, Charlie apresentou Sure Was Good, faixa de 2001 que trouxe uma breve pausa na euforia com sua pegada semiacústica. Logo em seguida, houve espaço para improviso e experimentação antes de Sleeping Dogs. Durante sua execução, a banda surpreendeu ao inserir trechos de Come Together, dos Beatles. Em alguns momentos, o público cantava tão alto que chegava a superar a voz de Charlie, o que impressionou. Após apresentar os integrantes, o vocalista dedicou a bela Azalea ao saudoso Brit Turner.

Outro momento marcante aconteceu em Prayer for the Little Man, que trouxe ainda mais carga emocional, reforçando a sensação de que cada música havia sido escolhida cuidadosamente. O mesmo ocorreu com One Horse Town, outro clássico do Blackberry Smoke que transformou a Audio Club em um grande karaokê. Mais uma vez ovacionados, houve até um coro de “olé, olé, olé, olé, Smoke, Smoke”, acompanhado pelo violão de Charlie. Aproveitando a ocasião, tocou Ain’t Got the Blues, que, como o título sugere, flerta fortemente com o blues e foi amplamente celebrada pelos fãs.

A banda demonstrava estar muito feliz com a recepção calorosa dos brasileiros, tanto que atendeu a pedidos e tocou Sunrise in Texas, de Michael Tolcher, em uma versão marcante. Declarando seu carinho pelos fãs, despediram-se com Run Away From it All, deixando o público visivelmente eufórico. Em meio aos aplausos e chapéus erguidos, a banda deixou o palco, enquanto o público clamava por mais.

Charlie abriu o bis dizendo: “Não tenho palavras suficientes para agradecê-los; este é o melhor show da turnê!”. Em seguida, dedicou Poison Whiskey, clássico do Lynyrd Skynyrd, aos saudosos Ronnie Van Zant (ex-vocalista) e Gary Rossington (ex-guitarrista), o que fez o público vibrar. Encerraram com Ain’t Much Left of Me, que culminou com trechos de When The Levee Breaks, do Led Zeppelin, finalizando a noite de maneira épica.

Após 25 anos de estrada, a banda mostrou que o tempo apenas aprimorou sua química e sua capacidade de emocionar. Com um setlist impecável, energia contagiante e momentos de pura entrega, o Blackberry Smoke conquistou o público paulistano, que deixou a Audio Club com sorrisos estampados no rosto e a sensação de ter vivido uma noite verdadeiramente especial, fazendo valer cada minuto dos sete anos de espera. Agora, resta torcer para que o retorno não demore tanto a acontecer.

Setlist

Good One Comin’ On

Workin’ for a Workin’ Man

Payback’s a Bitch

Hammer and the Nail

Till the Wheels Fall Off

Lucky Seven

Hey Delilah

Pretty Little Lie

You Hear Georgia

Waiting for the Thunder

Sure Was Good

Sleeping Dogs

Azalea

Prayer for the Little Man

One Horse Town

Ain’t Got the Blues

Sunrise in Texas (Michael Tolcher)

Run Away From It All

Poison Whiskey (Lynyrd Skynyrd)

Ain’t Much Left of Me

 

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