Por Luiz Tosi, Leandro Nogueira Coppi e Fernando Queiroz
Fotos: @jessfotografa | MHermes Arts
A principal mudança estrutural do Bangers Open Air em relação às edições anteriores foi o rearranjo para dois dias de festival, os tradicionais sábado e domingo.
Mas isso não significou menos música. Pelo contrário. Para compensar – e, de quebra, valorizar quem comprou seu ingresso cedo e apostou no evento –, o BOA 2026 estreou um novo capítulo: a Pré-Party Oficial Bangers Open Air, realizada na sexta-feira (24), na Audio Club, funcionando como a largada oficial do fim de semana.
O formato foi fechado e com acesso restrito aos chamados “Bangers Lovers” (compradores de Blind Ticket e Early Bird), além de convidados e imprensa. No palco, um line-up que já daria conta de uma noite inteira por si só: Primal Fear, Tankard, Matanza Ritual, Seven Spires (com participação de Roy Khan) e Trovão. Sem ingressos avulsos, a casa encheu cedo – sinal claro de que a ideia funcionou e de que a expectativa pelo festival já estava lá em cima antes mesmo de o portão principal abrir.
TROVÃO
Nada mais simbólico do que a fita de inaguração da recente edição do Bangers Open Air ter sido cortada por um Trovão! E o
Trovão, neste caso, é a banda paulistana que, com dois discos lançados — sendo
Diamante, de 2025, o mais recente —, vem causando forte impacto no público headbanger com seu hard ‘n’ heavy profundamente mergulhado no metal dos anos 1980, inclusive no que diz respeito à estética e ao visual.

Felizmente, o palco da Audio era grande o suficiente para receber uma banda formada por seis integrantes. O que foi ótimo, já que Gustavo “Trovão” Eid (vocal), Alexandre Gatti — que lembra bastante o baixista Johnny Rod (King Kobra, ex-W.A.S.P.) quando era jovem — e Igor Senna (guitarras), Lucas Chuluc (baixo), Alan Caçador (bateria) e José Lucas Fuza (teclado) simplesmente dominaram o palco, com a “linha de frente” — alusão proposital à música
Linha de Frente — se movimentando o tempo todo e contagiando o público, embora em alguns momentos, a plateia na pista parecesse em transe, vidrada diante de uma banda que mais parecia ter vindo de algum lugar do passado.
O experiente Gustavo (ex-Selvageria e Tiger) tem um estilo peculiar de cantar e uma presença de palco marcante. E, embora toda a banda mereça elogios, vale destacar também as linhas inspiradas criadas por Fuza, que acrescentam personalidade ao som do Trovão. No repertório, apareceram músicas dos dois álbuns, embora a maior parte tenha vindo de Diamante. Até o Fim e Seres da Noite, por exemplo, têm potencial para se tornarem clássicos do heavy metal nacional. Em suma, foi um show de aura retrô, que matou a saudade de quem viveu os anos 1980 e deu aos mais jovens um gostinho do que representou aquele período para o heavy metal.
SEVEN SPIRES
Adrienne Cowan é velha conhecida dos brasileiros. Esteve aqui diversas vezes com o Avantasia, Roy Khan, e outros projetos. Sua banda, o
Seven Spires, por outro lado, nunca tinha vindo. Em 2026, a história mudou, não com uma, mas duas apresentações. A primeira exatamente essa, na Pré-Party do Bangers Open Air. Foi impressionante ver como eles já têm um público dedicado, e o fã-clube brasileiro esteve em peso na grade para vê-los.

Poucos minutos após o Trovão tocar, foi a hora de os norte-americanos brilharem com seu metal sinfônico lúdico, quase um musical da Disney. Quase! Assim fizeram, com direito a participação mais que especial. Com a Audio lotada, iniciaram com
Wine-Stained Tongues, seguida de
Almosttown, faixas de seu último disco,
A Fortress Called Home, álbum que mais focaram no setlist, ao lado de
Emerald Seas, ambos com três músicas cada no repertório.

Logo de cara, você já ficava impressionado com a facilidade com que a cantora alterna entre guturais e vocais limpos, sendo ela mesma a “Bela” e a “Fera”! O momento mais esperado, porém, foi na saideira,
This God Is Dead, quando o ex-frontman do Kamelot, Roy Khan, se juntou a eles. Uma estreia sólida no Brasil, que conquistou o público, fossem eles fãs ou não!
Uma curiosidade? O ex-baterista da banda é ninguém menos que Chris Dovas, hoje integrante do Testament!
MATANZA RITUAL
Se alguém esperava novidade, não era aqui que iria encontrar. Que bom, pois nem precisava. O Matanza Ritual repetiu, na Pré-Party, exatamente aquilo que já havia mostrado no próprio Bangers 2025: um show direto, pesado e sem qualquer tipo de concessão. A fórmula é conhecida, mas cheia de personalidade, e continua funcionando como poucas. Jimmy London segue comandando tudo com aquela presença bruta, meio deboche, meio caos controlado.
Jimmy, Antônio Araújo (guitarra, ex-Korzus) e Amílcar Christófaro (bateria, Torture Squad) contaram com Renan Campos no baixo substituindo Felipe Andreoli (Angra) e mantiveram o nível lá em cima, com precisão e peso de sobra.

O repertório, ancorado nos clássicos do Matanza, e reforçado pelas faixas mais recentes do excelente
A Vingança É o Meu Motor, a banda manteve o clima de porrada do começo ao fim, com diversas rodas abrindo fácil e público comprando cada refrão.
Nada reinventado, nada polido demais. Só o Matanza sendo o Matanza. E, no fim das contas, é exatamente isso que todo mundo quer ver.
TANKARD
Se antes tivemos o bom e velho heavy metal tradicional, o metal sinfônico e o rock‘n’roll, agora era hora da brutalidade — alcóolica! O thrash metal foi representado por ninguém menos do que os “mestres cervejeiros” do Tankard, uma das bandas mais emblemáticas e importantes do gênero, conhecida como um dos representantes do chamado “Teutonic Four of Thrash” – ao lado de Kreator, Sodom e Destruction.
Desde o primeiro segundo de música rolando – a clássica
Zombie Attack, executada após a introdução com
El Condor Pasa (If I Could), de Simon & Garfunkel – já dava para ter uma noção do quanto aquele tipo de som funcionaria ao vivo, com o público todo batendo cabeça, até mesmo quem não é chegado nesse estilo mais pesado.

Motivos para o público festejar com a banda não faltaram:
Alien,
Chemical Invasion,
Rectifier,
Minds on the Moon,
A Girl Called Cerveza,
The Morning After e o hino dos borrachos
(Empty) Tankard fizeram a Audio tremer.
Não demorou, claro, para abrirem os famosos moshpits em quase todas as canções. Carismático, o vocalista bonachão Andreas Geremia, o popular Gerre, se comunicava com a plateia o tempo todo e nem mesmo a pausa para a troca de pedais da bateria de Gerd Lücking — ex-técnico de som do Tankard, que em 2024 assumiu o posto de Olaf Zissel, após mais de 30 anos atrás dos tambores do grupo —, pouco antes de
Beerbarians, esfriou o clima. As onze músicas tocadas foram pouco para uma banda desse calibre e legado longevo, mas já bastaram para dar uma amostra do que viria no domingo, quando se apresentariam no palco Sun do Bangers Open Air.
PRIMAL FEAR
Quem estava incumbido de fechar a noite eram os também alemães do Primal Fear. Mesmo país, mas estilos diferentes, saindo do thrash para o power metal. Infelizmente, tocaram para um público já bem abaixo dos anteriores, pois o horário, 1h20 da manhã, não ajudava. Mesmo assim, entregaram seu show primorosamente como sempre fazem!

Com um setlist bem reduzido, de apenas dez músicas – pouco para uma banda desse gênero como atração principal –, focaram em clássicos como
Nuclear Fire,
Seven Seals e a icônica
Metal Is Forever, que acabou se tornando seu hino. Os vocais de Ralf Scheepers, afiados como sempre e o carisma e a técnica de Thalia Bellazecca, guitarrista italiana mais nova integrante do grupo ao lado de André Hilgers, mostram por que seguem firmes e fortes após quase três décadas; aliás, impressionante como Scheepers, com mais de 60 anos de idade, ainda canta igual a como fazia antigamente, em seus dias mais jovem – um verdadeiro jovem senhor!
O ponto negativo era que, pela segunda passagem seguida deles pelo país, o baixista e líder Matt Sinner não esteve presente; contornaram bem a situação, mantendo a formação “em família”, pois quem veio em seu lugar foi Dirk Schlächter, que integra o Gamma Ray, banda que revelou o próprio Ralf.
A cobertura completa dos dois dias de
Bangers Open Air você confere em breve no site da
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