ANGRA – NAGOYA (JAPÃO)

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Texto, fotos e vídeos: Hélio Nozaki

A turnê comemorativa dos 20 anos do icônico álbum Temple of Shadows, da banda brasileira Angra, passou pelo Japão para uma sequência de três shows com ingressos esgotados. A jornada teve início em Osaka, passou por Nagoya e se encerrou em Tóquio.

A equipe da revista ROADIE CREW acompanhou a apresentação em Nagoya, realizada em uma quarta-feira (18 de junho), em uma noite excepcionalmente quente, com os termômetros atingindo 35 °C pela primeira vez no ano.

Nagoya, a quarta maior cidade do Japão, está localizada na província de Aichi, que abriga a maior concentração de brasileiros no país: atualmente, cerca de 61 mil brasileiros vivem na região (de um total aproximado de 212 mil no Japão).

O show aconteceu no tradicional Club Quattro, localizado no oitavo andar de um edifício comercial no bairro de Sakae, coração pulsante da cidade.

Com capacidade para 500 pessoas (em pé), a casa começou a receber o público pontualmente às 18h, uma hora antes do início do show. A entrada foi organizada conforme a numeração dos ingressos — os fãs eram chamados em blocos de cinco, de forma ordenada e eficiente. Aqueles que adquiriram os ingressos primeiro puderam entrar antes e garantir os melhores lugares próximos ao palco.

Na fila, foi possível notar que o público japonês era esmagadoramente predominante, com uma proporção estimada de 80% japoneses e 20% brasileiros. Outro detalhe interessante foi a alta presença feminina, representando cerca de 40% da plateia. A maioria dos presentes, com idade média em torno dos 40 anos, aguardava calmamente sua vez vestindo camisetas do Angra e de outras bandas como Dream Theater, Iron Maiden e Noturnall. Muitos vieram diretamente do trabalho — era comum ver pessoas de camisa social e até terno.

O comportamento do público japonês, notadamente mais contido e disciplinado, contrasta com o que estamos acostumados a ver nos shows de metal no Brasil. No entanto, uma vez dentro da casa, a vibração e a paixão se revelaram com intensidade surpreendente.

Às 19h00 em ponto, a banda subiu ao palco. Embora o setlist já fosse previsível para os fãs que acompanham a turnê, uma surpresa animou o início da noite: Nothing to Say, do álbum Holy Land, foi escolhida para abrir o show — no lugar de Faithless Sanctuary, habitual nas últimas apresentações.


A resposta do público foi imediata: a calma observada momentos antes deu lugar a gritos, punhos erguidos e uma vibração intensa. Em seguida, a banda mergulhou no repertório completo do Temple of Shadows, executado na íntegra, e encerrou com o bis obrigatório : Carry On e Nova Era.

Dois momentos de interação se destacaram. O vocalista Fábio Lione revelou que sua faixa favorita do álbum é No Pain for the Dead, anunciando-a com entusiasmo. Já Rafael Bittencourt, agradeceu ao público japonês, lembrando que fazia sete anos desde a última visita da banda ao Japão. Ele destacou que foram os fãs japoneses os primeiros a apoiar o som do Angra, levando o álbum Angels Cry ao topo das paradas locais no início da carreira da banda. “Talvez, sem esse apoio, o Angra nem estivesse aqui hoje tocando”, disse o guitarrista e fundador.

A performance da banda foi impecável: músicos soltos, entrosados e extremamente técnicos, como de costume. Fábio Lione, em especial, brilhou — além do talento vocal de sempre, mostrou carisma de sobra e uma forte conexão com o público.

Destaque também para a excelente qualidade do som e a acústica da casa, que contribuíram para uma experiência musical ainda mais impactante.

Após duas horas de show, cheias de energia, emoção e reverência, o público japonês demonstrou todo seu amor pelo Angra — uma devoção que impressiona e emociona.

Como brasileiro vivendo há cinco anos no Japão, me senti profundamente orgulhoso ao ver uma banda nacional ser recebida com tanto carinho, respeito e admiração. Definitivamente, não é para qualquer um. 

Angra はマジでヤバい!

 

 

 

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