Por Fernando Queiroz
Lançado em setembro de 2007, Dark Passion Play é um dos álbuns mais divisivos do Nightwish. É o primeiro disco lançado após a polêmica demissão de Tarja Turunen, em 2005, e a estreia da sueca Anette Olzon, primeira integrante de fora da Finlândia a passar pela banda. A cantora está longe de ser uma unanimidade entre os fãs, por conta de seu estilo de canto tão diferente de sua antecessora. Mesmo assim, foi um estrondoso sucesso comercial, em especial nos Estados Unidos, onde foi, até aquele momento, o mais bem sucedido da carreira do grupo.
Uma das faixas presentes no disco é Last of the Wilds, música inteiramente instrumental é muito mais voltada ao folk metal – talvez um dos primeiros grandes passos da banda em direção a esse gênero. Apesar de ser a “versão oficial” do disco, poucos meses depois deste sair no mercado internacional, em dezembro do mesmo ano, foi lançado exclusivamente na Finlândia um single chamado Erämaan Viimeinen. A tradução para o inglês é exatamente “last of the wilds”, e se trata da mesma canção, porém com vocais e letra na língua finlandesa.
Quem interpreta essa versão é a cantora Jonsu (nome artístico de Johanna Salomaa), da banda de rock finlandesa Indica, muito popular no país na época. A razão de ter sido gravada com uma vocalista convidada é simples: Anette Olzon é sueca, e não fala finlandês. A canção foi concebida como instrumental, em cima de linhas de de gaita irlandesa de Troy Donockley (que futuramente viria a se tornar membro integral do grupo), e somente depois foi adaptada para ter vocais. Tuomas Holopainen, tecladista e líder da banda, porém, acreditava que letras em inglês tirariam o sentido original da música, e por isso preferiu manter em seu idioma natal, mais como um “presente” a seu público finlandês. O caso é diferente de Kuolema Tekee Taiteilijan, a mais famosa faixa em finlandês do Nightwish, presente no álbum Once, de 2005, que foi feita originalmente dessa forma, e para uma vocalista cuja língua natal é o finlandês.
Apesar de se tratar da mesma música, ela contém algumas poucas diferenças: não há os sons do mar no começo, nem as linhas de kantele (instrumento musical típico finlandês) ao final – além, claro, dos vocais.
Anos depois, em 2010, a revista alemã Metal Hammer distribuiu uma edição especial do single em CD para o mercado alemão, austríaco e suíço, que também incluía a música Escapist – outra música que, aliás, também ficou de fora do álbum final, disponível apenas como bônus japonês do disco, e em singles e compilações posteriores.
Não há, hoje, forma “oficial” de se ouvir essa versão, que não está disponível em nenhum serviço de streaming fora da Finlândia – a não ser que você desembolse um alto valor para comprar o single em disco em sites como o eBay, ou use serviços de VPN para acessar a versão finlandesa de algum streaming. Pode ser conferida, porém, extra-oficialmente em vídeos no YouTube.
Confira a letra em finlandês seguida da tradução para o português.
Finlandês:
Nukkuu korpi, ja nyt, aatoksissain minä matkaa teen
Yli metsien, uinuvan veen
Kuutar taivaan yön valaisee
Maalaa maiseman, pohjoisen siimeksen
Unta onko tää,
Vai kuolema jossa palata sinne saan missä
hiillos jo luovuttaa lumen alla
Kun astun maailmaan, erämaan aikaan
Ensilumi satoi kahdesti
Maalasi sieluni taulun
Tää jylhä kauneus ja ääretön yksinäisyys
Lapsuuteni metsän, taivaan
Kaikuu se haikeus halki tän matkan
Aamun tullen yö tarinansa kertoo
Jylhä on kauneus ja ääretön yksinäisyyteni
Sitä henkeensä halajaa
Kehtoni hauta, hautani paikka
Erämaan viimeinen on
Minne katosivat muut
Suon noidat, neidontornit
Ja varjoissa havisevat puut
Kielon istutin ikihankeen
Ja hiljaisuuden tultua luotin tulevaan
Ensilumi satoi kahdesti
Maalasi sieluni taulun
Tää jylhä kauneus ja ääretön yksinäisyys
Lapsuuteni metsän, taivaan
Kaikuu se haikeus halki tän matkan
Aamun tullen yö tarinansa kertoo
Jylhä on kauneus ja ääretön yksinäisyyteni
Sitä henkeensä halajaa
Kehtoni hauta, hautani paikka
Erämaan viimeinen on

Tradução para o português:
A mata dorme, e agora, em meus pensamentos, eu faço viagem
Sobre florestas, sobre águas adormecidas
A lua no céu da noite ilumina
Pinta a paisagem, o abrigo do norte
É isto um sonho,
Ou morte na qual posso retornar para lá onde
o braseiro já se rende sob a neve
Quando eu entro no mundo, no tempo da natureza selvagem
A primeira neve caiu duas vezes
Pintou a pintura da minha alma
Esta beleza grandiosa e solidão infinita
Da floresta da minha infância, do céu
Ecoa essa melancolia através desta jornada
Com a chegada da manhã, a noite conta sua história
Grandiosa é a beleza e infinita minha solidão
Por ela a alma anseia
Meu berço é um túmulo, meu túmulo é um lugar
O último da natureza selvagem sou
Para onde desapareceram os outros
As bruxas do pântano, as torres das donzelas
E as árvores que sussurram nas sombras
O lírio-do-vale plantei na neve eterna
E com a chegada do silêncio confiei no futuro
A primeira neve caiu duas vezes
Pintou a pintura da minha alma
Esta beleza grandiosa e solidão infinita
Da floresta da minha infância, do céu
Ecoa essa melancolia através desta jornada
Com a chegada da manhã, a noite conta sua história
Grandiosa é a beleza e infinita minha solidão
Por ela a alma anseia
Meu berço é um túmulo, meu túmulo é um lugar
O último da natureza selvagem sou
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