Por Leandro Nogueira Coppi
Disponível no catálogo da Netflix, o documentário A Origem dos Red Hot Chili Peppers: Nosso Irmão Hillel revisita os primeiros anos do Red Hot Chili Peppers a partir de um olhar mais humano do que musical. A produção mergulha na relação entre os integrantes durante a juventude, destacando a conexão construída muito antes da fama.
Voltado especialmente para quem aprecia a fase inicial do grupo, marcada pelos discos Freaky Styley e The Uplift Mofo Party Plan, o filme mostra como a banda nasceu de uma amizade intensa entre adolescentes que encontravam uns nos outros uma espécie de família. Esse aspecto ganha ainda mais peso ao considerar o contexto pessoal de integrantes como Anthony Kiedis e Flea, que cresceram em ambientes instáveis.

O grande eixo narrativo gira em torno da figura de Hillel Slovak, guitarrista original da banda, cuja influência segue presente décadas após sua morte. O documentário funciona como uma homenagem direta ao músico, reunindo depoimentos de pessoas próximas e de nomes importantes na trajetória do grupo — entre eles, o próprio John Frusciante, guitarrista da atual formação, que admite ter se inspirado fortemente no estilo de Slovak ao gravar o clássico Blood Sugar Sex Magik, mesmo em um período em que era frequentemente apontado como responsável por renovar o som da banda.
Outro ponto de destaque é o material de arquivo. A produção apresenta imagens e registros raros do início da trajetória do grupo em Los Angeles, inclusive de quando os integrantes ainda nem dominavam seus instrumentos, mas já estavam imersos na cena cultural da cidade. A influência do rap, da dança e do funk aparece com força, com menções a nomes como George Clinton, Gary Allen e até Grandmaster Flash, citado como referência para a forma de cantar de Kiedis.
Mais do que um resgate histórico, o documentário também levanta uma reflexão sobre a forma como bandas surgiam naquele período: movidas por amizade genuína e afinidade pessoal, em contraste com a lógica mais profissional e estruturada que domina a indústria atualmente.
Mesmo para quem não tem grande familiaridade com a fase retratada — ou nem admiração pela banda em si —, o filme se sustenta como um retrato sensível sobre juventude, pertencimento e criação artística.
Foto (head): Ebet Roberts
