SYMPHONY X: A ARTE DO METAL PROGRESSIVO EM TRÊS DÉCADAS DE CARREIRA

Por Beatriz Jarry Três décadas após sua formação e prestes a iniciar uma turnê imperdível, a banda americana Symphony X permanece como um dos nomes mais sólidos e respeitados do metal progressivo. Desde 1994, o grupo construiu uma identidade própria ao unir técnica refinada, peso e composições ambiciosas, criando um repertório que atravessa gerações tornando-se referência dentro do gênero. Sua discografia revela uma trajetória consistente e em constante evolução. O ano de 2026 marca um período de novidades para a banda, tanto em relação a turnês quanto a novos lançamentos e composições. A seguir, Russell Allen fala conosco sobre o momento atual do Symphony X, seus próximos passos e o que os fãs podem esperar desta nova fase, reforçando que, mesmo com uma longa história já escrita, o grupo segue olhando para frente, com a mesma ambição criativa que o colocou entre os gigantes do gênero. O Symphony X está celebrando trinta anos de carreira com uma turnê especial pela América Latina em 2026. Os fãs latino-americanos são conhecidos por sua paixão e energia. Como é celebrar o trigésimo aniversário do Symphony X com uma turnê por cidades como Curitiba, São Paulo e Rio de Janeiro? Russell Allen: Ah, é incrível. Quero dizer que a história que temos aí é muito boa. Lembro bem da primeira vez em que tocamos aí. Eu senti, e acho que toda a banda sentiu, algo tipo: ‘Uau, realmente temos algo aqui! Isso é incrível!’ E isso aconteceu numa época em que realmente não estávamos felizes. Não que não tivéssemos isso em outros lugares no mundo onde a banda tocava, mas aquilo foi algo enorme para nós. Então, acho que é totalmente apropriado celebrar com vocês, e estamos animados para ir aí tocar de novo e apresentar algumas músicas que não tocamos há muito tempo, há uns vinte anos. Então, isso vai ser empolgante. Definitivamente, vamos montar um bom setlist. Antes de ir vê-los, teremos um cruzeiro de prog, então temos bastante trabalho pela frente. Temos muitas coisas diferentes que queremos realizar. Então, a banda tem ensaiado bastante, de verdade. Estamos animados para ir até o Brasil, fazer bons shows e celebrar esse marco com vocês. Vai ser ótimo. Já que você falou nisso, o que os fãs podem esperar do repertório desta turnê? Russell: Vamos tentar abranger todos os álbuns o máximo que pudermos, porque sentimos que provavelmente essa é a melhor forma de fazer isso. Alguns de vocês já ouviram certas músicas antes, obviamente, e outras não, então é mais ou menos por aí que vamos seguir. Existem algumas músicas que considero ‘clássicos’ e que o público quer ouvir. Vai ser um bom show. Definitivamente, temos como objetivo mostrar o maior número possível de álbuns. Estamos apenas tentando equilibrar como vamos montar os sets. Por exemplo, Michael (Romeo) tem muitas mudanças complexas de guitarra e coisas assim. Temos muitas coisas técnicas que os integrantes precisam fazer, então estamos montando esses sets agora e planejando a logística de quais músicas vão em quais shows. Esse é o plano. Teremos alguns sets diferentes para esses shows preparatórios, tanto para os cruzeiros quanto para quando descermos para tocar com vocês. Talvez até façamos algumas alterações. Fizemos isso na turnê dos EUA e foi muito divertido. Uma noite podemos tocar algumas músicas de forma diferente em São Paulo do que no Rio ou Curitiba. Isso também é algo que estamos considerando. Sempre é difícil fazer isso, porque algumas pessoas vão dizer: ‘Queria que tivessem tocado essa música aqui’ ou ‘queria que tivessem tocado aquela ali’.  

“Lembro bem da primeira vez em que tocamos aí. Eu senti, e acho que toda a banda sentiu, algo tipo: ‘Uau, realmente temos algo aqui! Isso é incrível!’”

  Em uma entrevista de 2025, o baixista Mike LePond mencionou que a banda vinha trabalhando em material novo por vários anos e que o álbum incluiria todos os elementos clássicos do Symphony X. Como está o progresso desse álbum agora, e o que os fãs podem esperar para 2026? Russell: Este é um processo que dura o ano todo. O motivo pelo qual leva tanto tempo é que Romeo não se dá bem com interrupções no processo criativo. Quando temos que fazer uma turnê, há muitos ensaios envolvidos, então ele precisa parar o que está fazendo cerca de um mês antes de qualquer coisa que façamos, incluindo vir tocar para vocês. É basicamente assim. Tivemos janeiro para revisar algumas coisas, e eu ainda estou trabalhando, como você pode ver estou no estúdio agora. Estou trabalhando no material que ele me passou e isso não vai parar. Não preciso de tanto tempo para me preparar para isso, mas essas interrupções sempre atrapalham. Claro, para ele o processo criativo se interrompe e fica difícil retomar de onde parou. Vocês basicamente são os únicos que vão ter algo de nós este ano, junto com os shows nos cruzeiros. Esses são compromissos grandes e uma vez que forem feitos, não faremos mais nada pelo resto do ano. Esse é o plano, para que ele possa realmente se concentrar e todos nós possamos focar nesse álbum. Quanto ao novo disco, há tanto material que eu sinto que, se conseguirmos fazer tudo, teremos muito material, até mesmo para álbuns futuros. Vamos ver. No momento, estamos na fase de montar as partes. Depois disso e quando tivermos uma direção para as letras, algo em que estou trabalhando com ele agora, decidindo onde as vozes vão entrar, as coisas vão realmente avançar. Ele já tem muito material pronto. Leva tempo porque as pausas dificultam manter o fluxo criativo. A música é muito exigente. Vamos ter aqueles elementos sinfônicos que vocês esperam da banda, mas não será nada suave nem amenizado. Você poderia argumentar que The Divine Wings of Tragedy (1996) foi um álbum de destaque, mas The Odyssey (2002) foi muito além disso. Depois lançamos Iconoclast (2011) e Underworld (2015). Mas não nos encaixamos realmente em nada disso. Somos meio que um animal próprio. Dito isso, a banda vai lançar material que eu sinto ser épico, para dizer o mínimo. As habilidades de orquestração do Romeo agora estão fora de série, nível Hollywood. Estou empolgado e orgulhoso dele porque o crescimento dele em orquestração e composição é fenomenal. Todo mundo sabe que ele é um ótimo músico, mas eu sempre soube que ele podia ir muito além disso. Estou super orgulhoso dele, e é muito divertido e uma honra trabalhar nesse material com ele. Já existe uma data definida para o lançamento do álbum? Russell: Não, nós não definimos datas porque isso é coisa da gravadora. Só precisamos terminar o produto, e este é o ano em que vamos fazer isso. Se eles vão lançar ainda este ano ou não, isso é realmente uma decisão da gestão e da gravadora. Tudo o que podemos fazer é entregar o álbum, e aí eles decidem qual será a janela de lançamento. Uma vez que isso esteja definido, todo mundo diz: ‘OK, é assim que vai ser.’ Então, vocês receberão uma comunicação da gravadora e, espero, eu estarei falando com vocês de novo em uns seis meses, fazendo uma nova rodada de entrevistas para divulgar e avisar todo mundo que o novo trabalho está chegando. Geralmente é assim que funciona.  

“Acho que é totalmente apropriado celebrar aí com vocês, e estamos animados para ir aí tocar de novo e apresentar algumas músicas que não tocamos há muito tempo.”

  Uma das coisas que mais admiro nas bandas do estilo do Symphony X é a habilidade dos vocalistas de cantarem músicas tão exigentes. Olhando para os álbuns do Symphony X, qual música você considera a mais desafiadora de cantar mesmo hoje, e por quê? Russell: Desafiador em termos de ser tecnicamente exigente? Sim, inclusive, essa é uma boa pergunta. Bato na madeira, mas na verdade eu melhorei com a idade. É meio estranho, algumas coisas ficaram mais fáceis para mim. Acho que muitos caras têm dificuldades conforme envelhecem porque, na juventude, tinham tanta força que podiam compensar técnicas incorretas. Eu mesmo já fiz isso. Quando estava em turnê com os caras e ficava no ônibus com um monte de cantores, eles conseguiam atingir notas incrivelmente altas que eu mal conseguia alcançar. Eles diziam: ‘Vamos, Russ, você consegue!’, e eu tentava, mas nunca fui realmente um estudante dessa disciplina. Sempre fui mais do tipo ‘faça você mesmo’, quase como um cantor de jazz. Agora realmente depende de como eu me sinto em cada noite. Perdi cerca de dezesseis quilos, estou em ótima forma e muitas das músicas não são mais um grande desafio para mim. Se eu tivesse que escolher uma, Kiss of Fire sempre foi difícil por causa das notas altas e da extensão vocal. Qualquer música com grandes saltos de tessitura sempre foi desafiadora para mim. Eu fiz uma turnê de clínicas vocais na América do Sul uma vez, o que foi muito legal. Adoro aprender com outros cantores e adoro compartilhar o que aprendi. Quais músicas você considera mais emocionantes de apresentar ao vivo, especialmente em momentos em que o público canta junto e você consegue sentir de verdade essa conexão? Russell: As emoções são diferentes. Without You é obviamente uma que eu realmente adoro cantar. É algo com que me identifico, as pessoas gostam e há uma conexão real ali. Nossas baladas também são um pouco diferentes. Em muitos shows de rock, quando toca a balada, todo mundo vai ao banheiro. Mas temos a sorte de que praticamente não vemos pessoas saindo do local em nenhum país quando estamos tocando esse tipo de música. Isso significa que as pessoas estão se conectando, e isso é ótimo. Quando descemos para tocar para vocês, obviamente músicas como Evolution ou Set the World on Fire, que todo mundo canta junto, trazem um tipo diferente de emoção. Essa grande energia coletiva é muito divertida. Sea of Lies é provavelmente uma das minhas favoritas porque todo mundo canta, e isso simplesmente faz você se sentir ótimo. Algumas palavras finais para os fãs do Symphony X no Brasil? Russell: Não temos palavras para agradecer o suficiente. Esta é a nossa pequena forma de ir aí para celebrar esse momento com vocês, especialmente porque estamos no meio da composição de um álbum. Realmente, queríamos fazer isso só para vocês. Fizemos uma coisinha nos Estados Unidos, mas a pandemia atrapalhou toda a comemoração de 25 anos, então sentimos que era importante ir até aí e ver vocês. Esperamos que todos se divirtam muito no show, que fiquem seguros e que todos nós nos divirtamos bastante. E também estamos realmente ansiosos para voltar ao trabalho e trazer novas músicas para vocês ainda este ano.   ? Clique aqui e siga o CANAL “Roadie Crew” no WhatsApp ? Clique aqui e faça parte do GRUPO da ROADIE CREW no WhatsApp