MATANZA RITUAL – SÃO PAULO (SP)

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Por Luiz Tosi

Fotos gentilmente cedidas por João Zitti (Big Rock n Roll)

Sexta de feriadão costuma derrubar qualquer agenda na cidade. Mas não o Matanza Ritual. E quem optou por ficar em São Paulo para conferir a banda no Carioca Club não se arrependeu. A casa recebeu um excelente público: fiel, animado e barulhento, pronto para cantar alto com uma cerveja na mão.

A noite começou com a Throw Me to the Wolves, banda que deixou claro, desde os primeiros acordes, que não estava ali apenas para cumprir protocolo. Experientes, Diogo Nunes (vocal), Gui Calegari (guitarra), Fabricio Fernandes (guitarra), Fábio Fulini (baixo) e Maycon Avelino (bateria) mostraram segurança, vibração e, acima de tudo, espontaneidade. O que se viu no palco foi um grupo que domina sua linguagem com naturalidade e entrega. Quando a apresentação é boa, até contratempos – como o banquinho da bateria que deixou Maycon na mão em An Hour of Wolves – rendem aplausos do público. O Throw Me to the Wolves está pronto para voos ainda mais altos.

Às 22h em ponto as luzes baixaram e o Matanza Ritual tomou o palco. Desde os primeiros versos de Jimmy London, a sensação era clara: ali estava um mestre de cerimônias pronto para guiar o público por uma noite de caos sonoro. Jimmy nunca foi sobre técnica – é sobre verdade, presença e convicção. Ele canta como se estivesse contando histórias em uma mesa de bar.

A banda, que surgiu em 2019 com cara de projeto solo para manter viva a tocha do Matanza (1996–2018), reúne um verdadeiro dream team do metal nacional: Felipe Andreoli (Angra) no baixo, Antônio Araújo (ex-Korzus) na guitarra e Amílcar Christófaro (Torture Squad) na bateria. A química entre eles é evidente e a coisa deu tão certo que a formação se consolidou como um grupo permanente, que não apenas se mantém ativo, como lançou neste ano o excelente debut de estúdio A Vingança É o Meu Motor.

Desfalcados de Andreoli, ocupado com compromissos paralelos, a banda escalou Renan Campos no baixo. Missão cumprida com louvor: Renan esbanjou segurança, movimentação e encaixe, provando que o grupo, além de uma formação titular sólida, também tem banco de qualidade.

Logo no começo, a pancada veio com Meio Psicopata, seguida por Remédios Demais e A Arte do Insulto, que já colocaram a plateia em movimento. Em Bom É Quando Faz Mal, a casa parecia um ringue.

O Chamado do Bar, Eu Não Gosto de Ninguém e Tudo Errado mantiveram a pressão alta, preparando o terreno para um dos grandes momentos da noite: a entrada da faixa-título do novo álbum, A Vingança É o Meu Motor. Já nos primeiros acordes, era perceptível que a música caiu nas graças do público. Os versos eram acompanhados com entusiasmo, como se já fizessem parte da velha guarda do repertório. Na sequência, vieram Assim Vamos Todos Morrer e Lei do Mínimo Esforço, outras duas faixas do novo disco que provaram ter vida própria nos palcos.

Logo depois, o clássico Clube dos Canalhas trouxe o coro uníssono, transformando o Carioca Club em uma taberna punk. O público já estava entregue.

A sequência com O Último Bar, Maldito Hippie Sujo, Pé na Porta, Soco na Cara e Tempo Ruim manteve a intensidade sem respiro. A essa altura, as rodas de mosh se multiplicavam.

E então veio Nascido num Dia de Azar, outra do novo álbum recebida com euforia. As músicas novas entraram com força no repertório, não só mantendo o DNA da banda, mas adicionando camadas de agressividade e maturidade. A sonoridade ao vivo amplifica tudo. O country sujo encontra o hardcore de bar e o metal direto num híbrido de caos coordenado. A performance é crua, mas elegante na precisão dos músicos.

A Casa em Frente ao Cemitério, Conforme Disseram as Vozes, Quando Bebe Desse Jeito e Melhor Sem Você surgiram como uma sequência e inegavelmente carismática. Já nos momentos finais, Mulher Diabo e Mesa de Saloon mantiveram a energia brutal. A trinca de encerramento foi matadora: Interceptor V-6, Todo Ódio da Vingança de Jack Buffalo Head e a explosiva Ela Roubou Meu Caminhão, talvez o maior clássico da fase original do Matanza, unindo gerações num último respiro coletivo.

Mas ainda havia tempo para o golpe final: Ressaca Sem Fim, que trouxe de volta, de forma simbólica e eletrizante, um trecho de Interceptor V-6.

O Matanza Ritual entregou muito mais do que um show. Foi um manifesto. Uma declaração de que o legado não apenas sobrevive, mas se reinventa com força e propósito. Foi uma pancada honesta, com suor derramado e cerveja na mão. No fim, quem abriu mão de viajar no feriado se deu bem em dobro: escapou do trânsito e ainda viu um baita show.

Setlist Matanza Ritual

Meio Psicopata

Remédios Demais

A Arte do Insulto

Bom É Quando Faz Mal

O Chamado do Bar

Eu Não Gosto de Ninguém

Tudo Errado

A Vingança É Meu Motor

Assim Vamos Todos Morrer

Clube dos Canalhas

O Último Bar

Maldito Hippie Sujo

Pé na Porta, Soco na Cara

Tempo Ruim

Lei do Mínimo Esforço

A Casa em Frente ao Cemitério

Conforme Disseram as Vozes

Quando Bebe Desse Jeito

Melhor sem Você

Mulher Diabo

Nascido num Dia de Azar

Mesa de Saloon

Interceptor V-6

Todo Ódio da Vingança de Jack Buffalo Head

Ela Roubou Meu Caminhão

Ressaca Sem Fim

Interceptor V-6

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