Por Leandro Nogueira Coppi
Depois de passar os últimos dois anos ao lado do irmão Iggor lançando regravações dos primeiros trabalhos do Sepultura, além de um novo disco com o Go Ahead and Die, Max Cavalera volta suas atenções ao Soulfly, que agora apresenta seu 13° álbum de estúdio.
Chama simboliza a força do espírito humano e dos ancestrais e da natureza, trazendo a narrativa de um garoto das favelas que descobre seu poder espiritual com tribos da Amazônia em meio ao colapso urbano.
Inspirado nos povos originários das Américas, o disco exibe na capa um dançarino navajo e, no encarte, Oxóssi, evocando rituais, tambores e fogo que representam a chama contra a escuridão. Zyon Cavalera, filho de Max, segue na bateria e estreia como produtor.
Também pela primeira vez, Mike DeLeon assume a guitarra e deixa o baixo, em grande parte das faixas, para Igor Amadeus, outro filho de Max.
Em pouco mais de meia hora, a banda entrega um retorno às raízes tribais e espirituais. A introdução Indigenous Inquisition relembra o extermínio dos povos originários da América, com uma narração sombria em que Max recita nomes de tribos esquecidas.
Entre os destaques estão a “fear factoriana” e melhor do disco No Pain = No Power – com participação do próprio Dino Cazares –, Storm the Gates, Black Hole Scum, a agressiva Favela/Dystopia e Nihilist, dedicada a L – G Petrov (ex-Entombed) e com vocais de Todd Jones (Nails). Michael Amott (Arch Enemy) também marca presença em Ghenna.
Apesar de ideias consistentes e da temática instigante, Chama não se consolida entre os melhores trabalhos do Soulfly. É um álbum sólido, mas que deixa a sensação de que poderia ter ido além.

