CEMETERY SKYLINE — SÃO PAULO (SP)

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Por Fernando Queiroz

Fotos: Andre Santos

É padrão, dentro desse nicho, chamar o Cemetery Skyline de “supergrupo” – não é para menos, afinal a banda conta com membros de grupos renomados do metal extremo, como Insomnium, Dimmu Borgir, Amorphis, Dark Tranquillity e Sentenced. E de contarmos as outras bandas de cada integrante, o céu é o limite! Apesar disso, não gosto desse termo; prefiro simplesmente chamá-los de um grupo de amigos de bar que resolveram fazer um som que gostam, mas que não fazem em suas bandas principais: tocam gothic rock/metal, algo na linha de Type O Negative, porém com aquela veia finlandesa e sueca, e tudo sai melhor quando começa nesse tipo de ambiente. Nesse caso, o fato de serem integrantes de bandas bem sucedidas e renomadas no meio é um mero detalhe.

Com apenas um disco gravado, o excelente Nordic Gothic, não havia muita dúvida sobre o que tocariam: o álbum na íntegra e singles avulsos que saíram posteriormente, incluindo um cover bem interessante. Como dito a nós da ROADIE CREW em entrevista, não haveria nenhuma música das outras bandas dos integrantes – e nem faria sentido tocarem, já que são de estilos completamente diferentes.

A escolha do Hangar 110 como palco do show foi claramente correta: uma casa relativamente pequena, que acomodaria bem o público que, no Brasil, ainda é um nicho. Falando com pessoas na fila antes do show, havia preocupação quanto à presença do público; alguns fãs tinham medo de que o show fosse muito vazio e isso impedisse uma possível volta deles no futuro. Por sorte, não foi o caso. Impossível dizer que estava cheio, mas havia gente suficiente para dar a sensação de que a banda tem seu público cativo – e ele fez barulho! Em especial para uma terça-feira, dia bem ruim para shows, era de se esperar talvez até um público menor.

Voltemos a elogiar a produtora Overload, aliás, pelo trabalho com horários. Às 19h em ponto, as portas abriram e o público entrou tranquilamente. Havia ainda mais 1h30 de espera para o show, marcado para às 20h30, mas não era um problema, visto que não teríamos banda de abertura. Dentro da casa, o que mais chamava atenção era o merchandising, em novo elogio à produtora – camisetas a preços honestos e até modelos de manga longa da banda, algo que não se vê com frequência nos dias de hoje, infelizmente.

Com nova pontualidade, exatamente no horário marcado, a banda subiu ao palco. Começaram com Behind the Lie, quarta faixa de seu álbum de estreia, e emendaram com Torn Away, a abertura do disco. Logo de cara, já se ouvia os fãs gritando “Cemetery, Cemetery”, e o vocalista Mikael Stanne se mostrava sorridente pela recepção do público. Outro ponto a se destacar: era a primeira vez que o baterista Vesa Ranta, ex-Sentenced, estava tocando no Brasil, então podemos considerar aquele um momento histórico. Destaco aqui, em especial, o quão interessante foi ver e ouvir Stanne cantando limpo um show inteiro. Por conta de ele ser um vocalista conhecido por seu trabalho com bandas como In Flames, The Halo Effect e, principalmente, Dark Tranquillity, estamos acostumados a ouvir seu fantástico gutural, mas ele levou tudo perfeitamente apenas cantando com sua voz plena e limpa – claro, no Dark Tranquillity, ele já mostrava sua qualidade cantando no estilo, mas apenas em trechos, nunca tínhamos presenciado uma apresentação completa dele cantando daquele jeito. O som, com qualidade excelente, ajudava, e ouvia-se cada nota perfeitamente, assim como era ótima a iluminação de palco: dava o clima soturno, mas sem deixar na penumbra, nem com aquela luz puramente azul.

Um dos momentos que mais animou o público foi quando tocaram Coldest Heart, um dos primeiros singles do álbum, assim como o excelente cover de I Drove All Night, de Roy Orbison. Mas foi em In Darkness, quando Mikael falou que um próximo álbum aconteceria inevitavelmente, que realmente houve comemoração! Aliás, essa música se tornou uma das queridinhas dos fãs, e todos cantaram junto a letra inteira.

O “cover do cover” (por assim dizer) de Konevitsan Kirkonkellot, tradicional canção finlandesa, que ficou mais conhecida pela versão do Sentenced, instrumental, serviu de introdução para o maior sucesso eles até agora, a primeira música que lançaram, Violent Storm. Significava que o show estava chegando ao fim. Mas não antes de um momento emocionante: no telão, apareceu uma foto de Tomas Lindberg, vocalista do At The Gates, que havia falecido naquele mesmo dia. Foi pedido, então, um minuto de silêncio em homenagem a ele, e esse minuto foi respeitado por todos – ouvia-se até mesmo o som da respiração das pessoas de tão silencioso que tudo ficou. Uma bonita e emocionante homenagem a um grande músico, um pioneiro do death metal melódico sueco, amigo pessoal dos músicos do Cemetery Skyline e um ídolo para muitos que ali estavam. Toda homenagem que ele venha a receber é pouco. Descanse em paz, Tomas! Você é gigante!

A saideira, após a homenagem, foi propícia para o momento: Alone Together, uma das músicas mais tristes de seu repertório. Saíram do palco ovacionados, sob gritos com o nome da banda. Após o show, o guitarrista Markus Vanhala e o baixista Victor Brandt ainda ficaram dando autógrafos aos fãs, e tirando fotos por mais quase uma hora.

O saldo final? Destaco e enfatizo, o Cemetery Skyline tem tudo para ser uma das grandes bandas do gothic metal, e esse show provou isso. Performances individuais impecáveis, um setlist ótimo – que só não foi perfeito por não terem tocado alguma do próprio Sentenced, que nunca veio ao Brasil –, uma qualidade de som excelente e iluminação boa, como vemos aqui nas fotos. A banda, que inicialmente seria apenas um projeto dos músicos e não faria shows, acabou sendo tão bem sucedida que já tem até mais apresentações marcadas e mostrou que veio para ficar. O sucesso desse show, com a quase certeza que crescerão ainda mais no futuro, só faz aumentar a possibilidade de voltarem para cá – de preferência num dia melhor, como um sábado, e em um mês que não esteja tão lotado de shows. Quem foi neste, porém, sabe que foi um dos melhores do ano.

Setlist

Behind the Lie

Torn Away

The Darkest Night

Anomalie

The Coldest Heart

Never Look Back

When Silence Speaks

Nothing From This World

I Drove All Night

In Darkness

Konevitsan Kirkonkellot

Violent Storm

Alone Together

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