Na estreia da turnê “Run For Your Lives”, em Budapeste, Lzzy Hale mostrou porque se mantém como uma das vozes mais marcantes do rock contemporâneo. À frente do Halestorm, a vocalista enfrentou a difícil missão de abrir para o Iron Maiden diante de 12.500 fãs conhecidos por não aceitarem facilmente bandas de abertura — e saiu vitoriosa.
“É a minha coisa favorita, na verdade”, contou à Metal Hammer. “Me lembrou quando abrimos para o Megadeth em 2010 — fãs notoriamente exigentes! Eles não ligam para quem é a banda de abertura, e mesmo naquela época já era meio que um jogo para mim. Conversamos com a equipe do Iron Maiden e eles disseram: ‘Não conseguimos acreditar. Não houve dedos do meio, nem moedas ou sapatos sendo jogados.’”
Com quase três décadas de estrada, o Halestorm já tem status de atração principal em arenas, mas para Lzzy a necessidade de se provar diante de plateias hostis ainda é um combustível criativo. “É muito empolgante abrir para uma banda em que a maioria dos fãs provavelmente não sabe quem somos. Esse desafio de conquistá-los é o que nos move”, afirmou.
Esse espírito também guiou a gravação de Everest, novo álbum do grupo. O trabalho nasceu após um período de crise pessoal de Lzzy, que decidiu abandonar o álcool em dezembro de 2023. “Eu estava procurando uma fuga nos lugares errados. Vi em mim uma mulher que eu não queria me tornar. Se tivesse continuado, não sei o que teria acontecido com minha relação com meus companheiros de banda e comigo mesma. Aquilo foi o auge de tudo”, relembrou.
Ao lado de Joe Hottinger, Arejay Hale e Josh Smith, a cantora entrou em estúdio com o produtor Dave Cobb, que propôs uma abordagem radical: compor tudo do zero, registrando em tempo real. “Eu tinha uma pilha de músicas prontas e o Joe riffs de sobra, mas o Dave disse: ‘Não, não vamos usar nada disso. Quero começar todos os dias com uma ideia nova, gravar e compor ao mesmo tempo’”, contou.
A experiência levou a banda a revisitar suas origens e a repensar seu propósito. “Redescobrimos o nosso grande porquê: por que ainda fazemos isso? Por que ainda lutamos por isso? Descobrimos que o mundo poderia acabar, e mesmo assim nós amaríamos uns aos outros e o que fazemos. Não precisamos da opinião de mais ninguém”, disse Lzzy.
O título do álbum reflete bem essa escalada pessoal e coletiva. “Este disco não é de desespero nem de esperança. É de realidade”, explicou. Musicalmente, o material transita do peso inspirado no Metallica dos anos 90 à energia glam, passando por blues e até referências a System of a Down.
Mais do que um novo lançamento, Everest simboliza uma fase de reconstrução. “Acho que é o fim de uma era, mas também o começo de outra totalmente nova. Todos nós estamos animados com o que vem aí. Este álbum está lançando as bases para o que vai acontecer — e ainda não sabemos exatamente o que é, mas estamos nos olhando com novos olhos”, concluiu.
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