
Por Leandro Nogueira Coppi
Foram longos cincos anos de espera desde Titans of Creation, mas, por se tratar de um grupo do porte do Testament, com uma trajetória marcada pela qualidade de seus álbuns, a confiança de que a recompensa virá sempre se mantém. E, mais uma vez, a espera valeu a pena.
Para Bellum (título em latim extraído da frase do autor romano do quarto ou quinto século, Flávio Vegécio, “Si vis pacem, para bellum” — se você quer paz, prepare-se para a guerra; ou, simplesmente, paz através da força) não é apenas mais uma grande obra do Testament: o disco reafirma a exuberância técnica da banda e, ao mesmo tempo, apresenta Chuck Billy (vocal), Eric Peterson (guitarra), Alex Skolnick (guitarra), Steve DiGiorgio (baixo) e o estreante Chris Dovas (bateria) explorando texturas mais agressivas e revisitando paisagens sonoras que há muito não apareciam na música do grupo.
Se em Demonic (1997) a banda flertou com o death metal, agora eleva a carga maligna em momentos em que se lança no black metal, como em Infanticide A.I. — primeiro single do álbum, a música foi composta em uma madrugada, logo após Peterson e Dovas assistirem ao filme “A Morte do Demônio” (2023), que os inspirou — e, sobretudo, em For the Love of Pain, que abre o disco com uma introdução intrincada de bateria seguida de um riff ‘thrashão’ na veia do Death Angel. Nessa faixa, Peterson, habituado ao metal extremo por meio de seu projeto Dragonlord, faz duo com Billy, e assume os vocais mais rasgados típicos do gênero.
A ousadia segue outro caminho em Nature of the Beast, evocando uma fusão de N.W.O.B.H.M. e a lendária banda Fastway, enquanto Witch Hunt apresenta uma pegada death/thrash. Já o thrash tradicional do Testament mantém seu vigor em Shadow People, que em algums momentos remete a Blacklist, do Exodus; High Noon — que começa com Billy vociferando “High noon, death soon” (em livre tradução, “ao meio-dia, a morte chega em breve” — no sentido de confronto), sobre o som de uma arma sendo engatilhada —, Room 117, a própria Para Bellum e Havana Syndrome. Nesta última, assim como em Witch Hunt, o destaque vai para os belíssimos solos, que são memoráveis.
E como é bom ver o Testament, que no passado se destacou por compor baladas de arrepiar, como The Ballad, The Legacy, Return to Serenity, Trail of Tears e Cold Embrace, oferecer agora Meant to Be, um épico de quase oito minutos, no qual surgem inspirados arranjos de cordas do convidado Dave Eggar e um crescendo cinematográfico. Para esta faixa, que tem um início ao violão que lembra Return to Serenity, Chuck Billy havia cogitado um duo com Floor Jansen; no entanto, por alguma razão não muito bem explicada, Eric Peterson, em entrevista, descartou a participação da vocalista do Nightwish. Fica a curiosidade de imaginar como soaria o trabalho em conjunto de dois vocalistas tão talentosos – embora Billy, como de praxe, tenha entregue uma ótima performance.
Quanto a estreia de Chris Dovas, o Testament acertou na escolha: sua performance é surpreendente e honra o legado de grandes músicos que passaram pela banda, como Gene Hoglan e Dave Lombardo. Além disso, ele colaborou de forma efetiva com Peterson na composição. Quanto a Billy, Skolnick, Peterson e DiGiorgio, eles mais uma vez dão aula!
E é isso: o Testament ressurge renovado e ao mesmo tempo fiel à sua sonoridade. Em suma, previsivelmente genial.
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