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  • UNHOLY OUTLAW – Dark Wings [8,0/10]

    UNHOLY OUTLAW – Dark Wings [8,0/10]

    Este trabalho tem uma energia fantástica, um ótimo Heavy/Doom Metal de altíssima qualidade. Com sua pegada pesada e vocais que chega a nos remeter ao god Ronnie James Dio em sua magnifica passagem pelo glorioso Black Sabbath.

    O Unholy Outlaw conseguiu aqui dosar na medida certa o peso, ritmo, cadencias e melodia. E por falar melodias, elas não são pegajosas e maçantes, tudo feito com extrema competência.

    Esses músicos de Mogi das Cruzes vão longe, todos eles são excelentes em suas funções e fizeram um álbum para nos deixar boquiabertos. Impossível não balançar nossas cabeças escutando este ótimo trabalho.

    A produção gráfica apesar de ser bastante simples, é muito bem-feita, senti falta das letras apenas. Pois com estas músicas soberbas dá muita vontade de cantar junto.

    Já a produção no que se refere a gravação está com altíssimo nível, eles acertaram em cheio. É uma qualidade que dá gosto de ouvir, todos os instrumentos estão claramente audíveis e mixados de forma primorosa.

    Me pergunto como essa banda ainda não explodiu, eles estão definitivamente prontos para ganhar o mundo e nos brindar com ótimos álbuns, Dark Wings é a prova do que estou falando.

    As músicas Torture Circus e Truck inicia este CD com muita energia eletrizando e headbanger, aquela pegada que é inevitável agitar. Além de sua composição pesada e totalmente cativante, essas músicas nos tomam de assalto.

    Mas quando vem Eternal Gardens Of Pleasures aí a consagração é absoluta, definitivamente uma das melhores músicas desse álbum e a que se destaca pela cadencia e pelo clima mais Doom Metal.

    Este álbum apesar de ter sido lançado em 2016 merece ser comentado e recomendado para aqueles que procuram ouvir uma banda com muita originalidade e que faz um trabalho digno das melhores bandas do estilo.

    E para finalizar em meio a essa viagem sensacional que esta obra nos traz, destaco aqui a faixa que dá título a este álbum, Dark Wings que é uma música belíssima e nos remete demais aos gloriosos tempos do Candlemass em sua melhor fase.

  • EZOV – Cerca Trova [8,0/10]

    EZOV – Cerca Trova [8,0/10]

    Dor, sofrimento e uma angustia tão profunda que torna esse lançamento uma obra feita para os verdadeiros amantes da misantropia.

    O teor sombrio deste material é muito intenso, estes suecos parecem terem emergidos do inferno absoluto. E aqui também encontramos ódio em letras muito bem escritas e com muita profundidade, as letras são uma viagem entre a metafísica, filosofia e teologia.

    Não estamos falando de garotos e sim, de membros com intelecto muito aguçado e que de uma forma muito inteligente conseguiu musicar seus pensamentos em uma sonoridade única.

    Bom, o estilo aqui assemelha-se muito com o Dark Metal e muitas passagens Black Metal, até mesmo passando pelo Raw. E notei também claras influências dos velhos mestres como Hellhammer.

    Este CD é uma obra que não é de fácil assimilação, não é algo que você ouça de primeira e já possa exprimir uma opinião. É um artefato que tem de ser entendido e para isso ouvirmos mais vezes para que possamos nos sintonizar, entrarmos espiritualmente na mesma atmosfera maligna e densa.

    Dadas as premissas acima, o Ezov é uma banda oriunda da Suécia em 2015 e realmente tem uma proposta muito diferenciada e esta obra intitulada Cerca Trova é o seu primeiro material e que para nossa felicidade ganhou uma excelente versão nacional.

    O material gráfico deste lançamento está realmente à altura que merece, contém todas as letras e imagens muito interessantes e ao mesmo tempo perturbadoras. A Nuktemeron está de parabéns por trazer ao publico brasileiro algo além do trivial.

    Dentre as seis faixas posso destacar aqui as ótimas e viajantes músicas “Vestitures”, “Heed My World” e “Apotheosis Denied” que são composições que nos faz imergir em uma fria plaga infernal com seus riffs frios, vocais caóticos e odiosos.

    E destaco também as maravilhosas “Cerca Trova” e “Zarathustra Beckons (Forth Prometheus Second Coming)” pelos seus fortes sentimos misantrópicos e conhecimentos filosóficos. Onde vemos claramente que estes membros são amantes do ceticismo do inigualável Friedrich Nietzsche, o maior filósofo de todos os tempos.

  • FLESH HUNTER AND THE ANALASSAULTERS – The Plague [8,0/10]

    FLESH HUNTER AND THE ANALASSAULTERS – The Plague [8,0/10]

    Saindo nacionalmente o segundo álbum da banda Flesh Hunter and the Analassaulters batizado de “The Plague”. Um trabalho calcado na extrema violência. As músicas apresentadas são verdadeiras tormentas caóticas que vão agradar em cheio os amantes do estilo Black Metal com um toque Thrash Metal old school.

    E também notamos o legado que o mestre Tom Warrior perpetuou com seus famosos “Uhhhh” nas músicas. Já as guitarras combinam muito com as levadas enlouquecidas do baterista Vaginal Rapist, que neste CD demonstra todo seu talento nas baquetas. E este trabalho definitivamente mostra que a cena chilena está com ótimas bandas, apesar dos brasileiros sempre focarem mais na Europa e Estados Unidos. Bom, a América do Sul está repleto de ótimas bandas extremas e esta banda é prova disso.

    A música “The Entity” inicia com uma introdução muito mórbida e logo a destruição e o caos mostram sua força infame, “Born To Be Rat” com seus riffs a lá Hellhammer nos transmite muita energia e é impossível não destacar essa faixa como uma das melhores deste álbum.

    Também destaco aqui as músicas “On The Path Of The Burning Ground”, “A Rising Flood Of Perpetual Chaos” e “Warriors Prophecy” que são composições que notamos muita criatividade em meio a toda bestialidade brutalmente incorporada, ouvimos claramente desde o mais cru Raw Black Metal até riffs que nos rementem às clássicas bandas do passado como Possessed, Slayer, Celtic Frost e Sodom.

    Nesta versão nacional a gravadora adotou pelas cores vermelho e preto em todo material gráfico que combinou perfeitamente com as características desse álbum.

  • KURGAALL – Satanization [8,0/10]

    KURGAALL – Satanization [8,0/10]

    Essa é uma banda formada em 2005 na Itália pelo conhecido Lord Astaroth que já foi membro de muitas bandas como Provocator, Nagark, Bowel Stew, Horrid e Vulgaris. Ou seja um músico com muita experiência e knowhow no que faz. Satanization é o quarto álbum da carreira do Kurgaall que executa um black metal bem distinto da sonoridade das tradicionais bandas italianas como Evol e Opera IX por exemplo. O Kurgaall faz um som muito mais rápido e energético, os vocais do Lord Astaroth expressam a verdadeira maldade em seus rasgados tradicionais ao estilo, só que aqui feito com uma magnifica eficiência.

    Os outros membros que compõem esta ótima banda também não ficam para trás, são ótimo músicos e que conseguiram trazer a este álbum uma sonoridade muito cativante. Este álbum tem climas muito interessantes, com suas guitarras muito bem trabalhadas cheios de riffs que vão do tradicional black metal até fraseados com melodias intensas que nos faz perceber uma certa influência do Heavy Metal.

    É um trabalho muito mórbido e penetrante e suas letras proferem palavras da mais absoluta maldade em sua música que soam como hinos de guerra. Um banho de sangue cristão em uma pálida noite mistica.

    Para este lançamento a gravadora Hammer Of Damnation fez um trabalho excepcional, produziu um digipack luxuoso e muito bonito e nos chama a atenção pela alta qualidade em toda sua composição. Traz um encarte muito rico contendo letras, informações e muitas fotos. Falando das fotos, as mesmas são imagens que mostram o lado sodomítico do Lord Astaroth, isso mesmo, confira!

    Entre suas músicas empaladoras, sanguinárias e blasfemas destaco aqui a ótima “Satanization”, música que nomeia este álbum e que inicia uma suave execução de piano e que logo o caos diabólico anunciado pela voz do Lord Astaroth toma conta de tudo, pois vem uma tormenta destruidora fazendo dessa música logo de cara uma das melhores deste álbum.

    “Demystification Of Christ” também não soa muito diferente no que se referente ao caos, essa música remove qualquer esperança cristã referente a sua pseudo salvação em um instrumental impiedoso.

    “Nox Diaboli” não se trata de uma música e sim de um hino em louvor as negras entidades que habitam entre o inferno e este mundo, ouvindo este hino além das letras ritualísticas sentimos a paixão e amor ao oculto nas asseverações proferidas pelo seu membro fundador, “…Nox Diaboli, Lucifer Rex Mundi…”.

    “Widow’s Son” é uma música bem diferenciada de tudo que vinhamos escutado até aqui, seus vocais limpos e muito bem encaixados combinaram perfeitamente com todo instrumental e para minha surpresa essa música tem a participação de uma lenda, o Mortiis, que deu seu toque todo especial nessa composição.

    Dadas as premissas acima, você vai encontrar neste excelente lançamento um black metal envolvente e muto bem feito, uma gravação muito profissional e hinos arrebatadores que vão de declarações de guerras até a mais oculta adoração aos cultos profanos em louvor a Satanás. Um trabalho feito com muito esmero que contou com o grande talento do Kurgaall e a extrema competência da Hammer Of Damnation para materializar este artefato.

  • BAPTISM – The Devil’s Fire [8,0/10]

    BAPTISM – The Devil’s Fire [8,0/10]

    Este é o quinto álbum desta banda finlandesa que faz um Black Metal muito bem produzido. A gravadora My Dark Desires Records trouxe aos seguidores desta suprema arte uma produção impecável, um CD que logo de cara nos desperta curiosidade apenas por ver a belíssima capa. A música encontrada aqui não fica atras, uma obra maligna muito bem executada.

    As músicas, além de serem muito bem construídas, estão em um nível altíssimo de qualidade da gravação. Posso dizer que este trabalho do Baptism é de longe o melhor de sua carreira.

    Como mencionado acima, a capa é de fato um trabalho artístico extraordinário que foi assinado pela Misanthropic Art Illustrations e o encarte muito bem acabado contendo todas as letras ficou a cargo do Artem Grigoryeu.

    Destaco aqui a intro “Natus Ex Ignis” que tem um clima sombrio, uma atmosfera muito negra e, ao mesmo tempo, angustiante. “Satananda” começa uma incursão de bateria de nos deixar boquiabertos que logo se funde as suas guitarras extremamente pesadas e empaladoras, com seus riffs muito bem construídos exalando a verdadeira essência do obscuro Black Metal.

    “The Sacrament Of Blood And Ash” já começa numa pegada tipica do estilo, rápido, frio e avassalador, uma música empolgante que nos cativa por definitivo. As partes com vocais limpos combinam muito bem com o vocal extremamente blasfemo do Lord Sargofagian, que fez um trabalho muito competente aqui.

    “Devil’s Fire” é uma faixa que que definitivamente se destaca neste material, não é atoa que o mesmo nomeia este álbum. Riffs impregnantes executados com primor. Dá pra sentir ouvindo essa música o alto nível técnico destes integrantes e posso dizer que eles conhecem de fato o que se propõem a fazer.

    Destaco aqui também as ótimas músicas “Abyss”, “Cold Eternity”, “Malignant Shadows” e a faixa que fecha este opus maligno “Buried With Him” que demonstram o potencial desde trabalho que está sendo espalhado por todo planeta e agora aqui no Brasil. São músicas que gravitam entre o brutal e o melancólico em uma sinfonia majestosa e infernal

  • AD ASTRA PER ASPERA – Volume Two (Compilation) [9,0/10]

    AD ASTRA PER ASPERA – Volume Two (Compilation) [9,0/10]

    Este CD é uma ótima compilação de bandas que fazem parte do cast da gravadora Hammer Of Damnation. Neste trabalho a gravadora apresenta aos fãs do metal extremo de todo o mundo um pouco das bandas que estão sendo apoiadas pela HOD.

    Logo quando recebemos o material, a apresentação gráfica nos chamou atenção por sua capa muito bem feita e apesar do encarte ser simples, todas as informações necessárias estão aqui para aqueles que se interessarem em conhecer mais das bandas presentes.

    Esta gravadora vem se destacando pelo ótimo trabalho e por estar sempre atuante no cenário brasileiro e do exterior, assim promovendo as bandas de forma muito profissional e honesta. Ao iniciar nossa audição já nos deparamos com grandes bandas que vamos deixar aqui nossas impressões.

    1 – ETERNAL SACRIFICE – The Three Mashu’s Seals, The Conquest Of The Ganzir and Arzir Gates (Hazred Area): O CD inicia com esta banda oriunda de Salvador e que já fincou definitivamente sua bandeira entre os maiores nomes do black metal nacional. A música aqui apresentada faz parte do seu novo trabalho recém lançado pela HOD e que está tendo excelentes criticas ao redor do mundo, afinal estamos falando de uma banda que detém muito conhecimento musical e lírico. Uma faixa digna de estar abrindo essa compilação e mostrando todo seu poder. O Eternal Sacrifice realmente se destaca e abrilhanta de forma honrosa esta compilação. “The Three Mashu’s Seals…” é uma música que nos faz viajar entre seus climas majestosos, apresentando trabalhos de guitarras maravilhosamente bem executadas, teclados soberbos, bateria muito bem encaixada e os vocais do Naberius que é um show a parte, entre seus rasgados e vocais limpos podemos dizer que essa banda tem de fato uma sonoridade única.

    2 – EXTERMÍNIO – Alcateia Macabra: A faixa abre com uma introdução no mínimo perturbadora e que logo é seguido por uma música ríspida e crua em uma velocidade absurda que combina com suas partes mais lentas. Dá pra notar que essa banda é influenciada pelos mestres do grande Sarcófago. Sua música é realmente fria, crua, obscura e brutal com vocais que passam a sensação do caos absoluto que se encaixa com perfeição à sua proposta musical. Banda oriunda do Mato Grosso do Sul que está na ativa desde 2004.

    3 – EVIL – Uralter Hass: Está faixa é bem crua e essa música foi tirada do K7 “The Fall From Endless Grave”. Uma sonoridade direta, um trabalho simples e perfeita para os amantes do Black Metal subterrâneo.

    4 – GOAT PRAYERS – Bringdown The Celestial Lair: Ótima banda que faz um Black Metal muito bem executado. O seu inicio nos remete aos gloriosos e antigos trabalhos do Mayhem. No decorrer da música, vem partes cadenciadas que tornam essa música de fato muito empolgante e em meio a frieza de suas guitarras com riffs cortantes, notamos um clima muito mórbido com seus teclados. E também encontramos aqui belos dedilhados em meio a trovões que logo o caos toma conta de tudo e o torna uma excelente participação nesta compilação.

    5 – HAMMERGOAT – The Black Death, The Bubonic Plague: A participação desta banda trás um peso absurdo a está compilação, um som brutal e altamente recomendado para fãs do Blasphemy. Direto e reto em sua mensagem, fazem um som devastador, uma faixa curta porém muito expressiva.

    6 – SULPHURIS OBLIVIO – Endvra: Essa música quando inicia ficamos bem surpresos, contrasta com tudo que vinhamos ouvindo até aqui. O trabalho apresentado é um som depressivo e com uma melodia muito soturna. Os amantes do Doom Metal vão gostar muito desta participação. Confesso que achei a música um pouco repetitiva, mas não deixa de ser uma ótima música e é uma banda de fato interessante.

    7 – TOTEMTABU – Caixão De Lotus: Essa banda executa um som que se assemelha muito o Dark Metal e nos remete demais ao Bethlehem. Pois flutua entre o brutal e o depressivo, com vocais enlouquecidos e desesperados que dá uma sensação de muita angustia e dor. Realmente recomendo para amantes do Dark Metal feito no passado.

    8 – WALSUNG – Ashes To Ashes: Essa faixa foi uma participação primorosa, um pesadíssimo Pagan Black Metal com muita influencia de velho Doom Metal envolto em muita melodia mórbida e um clima muito negro. Essa música é muito bem feita e sua execução é impecável.

    9 – OPUS BELICO – Opening The Wargates Of Ares: Essa participação já inicia com guitarras extremamente contantes e depois a banda mistura partes cadenciadas com blastbeats ultra rápidos,. A musica em si não fica só nisso. Tem muitas passagens diferenciadas e dá pra sentir que é uma banda com muito conhecimento musical. A gravação deixou um pouco a desejar, pois com certeza se fosse gravada com um pouco mais de esmero, seria uma das melhores músicas apresentadas aqui. O vocal é muito forte e potente entre seus guturais e rasgados, o ponto fraco é que a voz está muito alta e por isso fica um pouco fora de tudo. Não deixa de ser uma boa participação, espero ouvir mais dessa banda em breve, pois essa música é bem construída apesar da gravação.

    10 – RAVENDARK’S MONARCHAL CANTICLE – Holocausto Manicomial: A música inicia com muita melancolia e depois vem uma brutalidade bestial que toma conta de tudo. O ódio com certeza é um dos fatores que faz parte desta composição e o torna revoltoso. Gostei muito desta faixa, me remeteu as várias vertentes do metal extremo em uma só música como Grind, Death Metal, Black Metal com uma pegada dos clássicos dos anos 90.

    11 – CARPATUS – From a Dreadful Past: Introspectivo, misantrópico e gélido. Foram essas as sensações ao ouvir esta ótima música. Essa banda consegue unir a rispidez do Black Metal com melodias intensas e obscuras, como uma forte névoa em uma noite fria e muito escura. Essa é uma participação que se destaca aqui, música muito bem feita e bem executada por todos os membros que formam essa grande banda.

    12 – DETHRONED CHRIST – Wolves: Trovões e Lobos sedentos por sangue uivando sob a luz da lua que anuncia o caos, de fato é o que essa música nos trás, o caos em um som completamente negro e sanguinário. O CD fecha aqui com uma demonstração do poderio bélico que compõe o Cast da gravadora. Essa banda fecha com honra a compilação, com muita maldade, brutalidade e um som que não foi feito para os fracos. Nota-se aqui a influencia do extremo feito em nosso país nos anos 80 e 90 por bandas como Sexthrash e Sarcofágo.

    Considerações finais: Esta compilação é uma demonstração de que o subterrâneo nacional está mais vivo do que nunca e com grandes bandas.

    O próprio material já nos alerta em seu encarte: BLACK METAL FOR PASSION – NOT FOR FASHION!

  • HERETIC EXECUTION – Chaos Aura [9,5/10]

    HERETIC EXECUTION – Chaos Aura [9,5/10]

    Chaos Aura é o titulo que descreve de forma muito clara o que encontramos neste ótimo trabalho, banda oriunda de um dos berços mais promissores do metal extremo nacionais, Salvador, essa banda veio para deixar a sua marca no underground nacional. O Death metal executado aqui é muito sombrio e brutal, tem momentos que notamos que essa banda com certeza é muito influenciada pelos mestres do Incantation. Com uma sonoridade miasmal e muito impregnante, faz com essa banda se destaque de fato na cena, suas músicas são muito bem construídas e estudadas para soar soturno e obscuro com suas partes hora rápidas, hora melancólicas e nos faz viajar em sua introspecção misantrópica. Uma banda que tenho certeza que ainda vamos ouvir falar muito. A Kill Again Records acertou em apostar neste lançamento, uma banda com um incrível nível técnico e muito conhecimento em sua proposta musical. O Heretic Execution é formada por quatro membros entre eles o renomado Eucini Santy que foi de outra ótima banda, o Escarnium que é muito reconhecida fora de nosso país. Neste trabalho o Eucini acumulou duas funções distintas, guitarra e bateria, que posso afirmar que os executou com extrema competência. Os vocais do Disgracedeath dá um toque muito especial às músicas, pois é um vocal de uma essência muito negra. O Leonardo Reis fez um trabalho muito bom nas quatro cordas, o seu baixo é muito latente em todo o CD, impossível  de não ser notado. E as guitarras do lead Israel Ferrão além de formar um par perfeito com o Eucini, seus solos são demasiadamente caóticos e cortantes, também melódicos como na faixa “Necrotic Trinity”… Death Metal até os ossos! A apresentação gráfica do CD é muito boa, uma capa que nos chama a atenção e só de olhar já percebemos que se trata de uma banda brutal e extrema, o mesmo foi assinado pelo conhecido artista Andrey Faley da Kroms Art, já todo ótimo layout deste álbum ficou a cargo do multi-instrumentista Eucini Santy que mostrou ter muito talento gráfico. O encarte trás todas as letras e informações além de ótimas fotos da banda, vale à pena conferir. Este trabalho nos trás nove faixas de pura maledicência, um tracklist que foi pensado em fazer deste CD um trabalho para nos cativar e nos fazer querer ouvir ainda mais, não sendo um material massante e enjoativo. As faixas de fato se completam com muita perfeição. A primeira faixa “From The Degraded Side” inicia com uma intro atormentadora e que logo entra um instrumental cadenciado e pesadíssimo que se encaixa com o vocal de forma impressionante, depois essa música toma muita energia com partes rápidas com blastbeats impecáveis dentre as partes lentas e cadenciadas… Death Metal como deve ser… Mais tradicional impossível. E destaco aqui as ótimas faixas que vão te fazer bater cabeça onde você estiver, “Deadly Vociferetions” que p… q… p… é uma música que me fez ouvi-la repetidas vezes, sua pegada e seus riffs que nos remete ao melhor do estilo nos anos 90 e começo de 2000 nos arrebata de imediato. “Deluded By The Christ Coming” já começa destruindo tudo, decepando cabeças e eliminando qualquer esperança cristã referente ao seu deus, um teor lirico forte e blasfemador que faz dessa música uma desgraça para os fracos. “Sepiternal Anguish” inicia com guitarras limpas que logo uma aura negra e diabólica toma conta da música, os harmônicos artificiais aplicados nos riffs que nos remete aos trabalhos do já mencionado aqui Incantation. “Necrotic Trinity” começa com intro que traduz bem o que o cristianismo nos trouxe até os dias de hoje, guerras, mortes, discórdias e alienação… ao invés de sua ilusória salvação. A sétima faixa nos deixa boquiabertos com a sua composição, uma execução de violão clássico maravilhosamente muito bem executada dentro de uma clima enevoante e noturno. Death Metal feito para quem realmente ama Death Metal, não são músicas para modistas e simpatizantes. Música para verdadeiros cultuadores do não sagrado Death Fucking Metal.

  • DISGRACE AND TERROR – Age Of Satan [9,0/10]

    DISGRACE AND TERROR – Age Of Satan [9,0/10]

    Este álbum é uma obra conceitual muito bem escrita, totalmente baseada nos poemas heréticos do colombiano Héctor Escobar Gutierrez, poeta conhecido como “El Papa Satánico” e falecido em 2014 aos 74 anos. Suas obras são muito cultuadas e respeitadas no mundo inteiro. Age Of Satan é um trabalho impressionante desde seu conteúdo lírico até nas composições das músicas, um Death Metal maravilhosamente bem executado cheio climas brutais e obscuros que nos cativa e nos arrebata logo na primeira audição. A capa é muito bem feita, com imagens cabalísticas muito bem desenhadas pelo Diogo Ferreira e toda composição gráfica do encarte também ficou muito boa, trazendo as letras e todas informações pertinentes a este trabalho. Estou falando de fato de um grande lançamento onde os integrantes se preocuparam em todos aspectos para esta realização. As músicas são muito bem construídas e nos trazem com certeza uma banda madura e pronta pra conquistar o mundo, estes paraenses estão de parabéns. O CD inicia com a música que nomeia este artefato, “Age Of Satan”, que começa num clima tenebroso com o poema “Aleister Crowley: Maestro Therion” escrito e recitado pelo próprio Héctor que aguçou ainda mais a minha curiosidade de ouvir o que vem a seguir, e como sempre essa banda nunca decepciona, logo vem a violência e brutalidade que são identidades próprias do Disgrace And Terror. Este é um material que foi muito difícil destacar quais as melhores faixas, pois todas vem numa sequencia que se completam. As músicas “Secret Abyss”, “Samael” e “Satanic Emancipation” são faixas empolgantes e que nos trazem o melhor do Death Metal, sim, muito peso e trabalhos fantásticos nas guitarras com riffs esmagadores, os vocais guturais do Rot se encaixou perfeitamente nas composições e que além de brutalizar nos passa o sentimento de quem realmente acredita no que está cantando, o que eu acho essencial. Outra musica que me chamou a atenção foi a instrumental “Gnosis Infernum” que começa nos remetendo ao melhor do Black Metal com riffs frios e que logo é acompanhado por riffs de muita técnica que nos remete aos antigos trabalhos do Mercyful Fate e os solos são de tirar o folego. Ao final dessa música o Frater Aiwass (Papa negro da America do Sul) recita algumas palavras como uma missa negra com direito a um clima verdadeiramente satânico. Você que está agora lendo minha humilde resenha à respeito deste trabalho, tenha certeza que esta é uma obra essencial em sua coleção, pois se trata de um artefato forjado no fogo e no enxofre com extrema competência.

  • MORDETH – The Unknow Knows [7,0/10]

    MORDETH – The Unknow Knows [7,0/10]

    Depois nove anos sem lançamentos o Mordeth volta a atacar e desta vez veio com o intrigante “The Unknow Knows”. Trazem neste lançamento um som bem diferente e muito original, um Death Metal progressivo recheado de climas obscuros e bem interessantes, entre as guitarras que flutua entre o brutal e o psicodélico fazem deste álbum uma para aqueles que curtem experimentos, é um trabalho que você precisará sentar e prestar muita atenção para assimilar a proposta musical. Ainda encontramos uma influência do metal atmosférico com teclados soando em timbres frios que dão um clima ainda mais denso nas músicas, estes caras apesar de fazer um extremo, devem ser muito fãs dos antigos álbuns do Pink Floyd. A capa do álbum reflete bem o que você vai encontrar aqui, é muito misteriosa em sua essência e traduz bem o título. Este CD é composto por sete faixas muito mórbidas e como já tinha dito psicodélicas, a primeira faixa que dá nome a este trabalho “The Unknow Knows”, uma intro com teclados em clima gélido e que logo é seguida por “Monolith” que começa com riffs brutais e uma bateria que alterna entre o cadenciado e blastbeats, no decorrer da música notamos que riffs cheios psicodelia que dão um clima misterioso, os vocais do Vladimir Matheus é um gutural que exprime maldade e brutalidade que incrivelmente combinou com esse e as outras composições. Outras faixas que destaco aqui são “The Gray Man” que traz também uns elementos industriais, “Blank Share” uma música que é um belo destaque deste material e “Beyond” que traz vocais limpos nos moldes das bandas de Doom e Gothic Metal. Para este lançamento a Heavy Metal Rock incluiu como Bonus o EP “Robotic Dreams” originalmente lançado em 2009. Este álbum é altamente indicado para os amantes de música experimental.

  • ACID TREE – Arkan [9,0/10]

    ACID TREE – Arkan [9,0/10]

    Investir no prog metal hoje, depois de quase quatro décadas em que o estilo vem amadurecendo, ou é loucura, ou é paixão. Ou ambas as coisas, envoltas em um mesmo manto e passeando juntas sob as estrelas. A julgar pelo caminho quase que etéreo trilhado Arkan, faixa que abre este EP de mesmo nome do Acid Tree, a loucura assume o nome de criatividade, e a paixão, a forma da própria música. Mesclando com maestria elementos que poderiam tanto provir do velho rock psicodélico, do moderno stoner rock e do clássico prog rock dos anos 70, a música ainda evoca elementos brasileiros, equilibrados por uma destreza musical que soa sempre bela, e nunca exibicionista. Linhas de guitarra calmas e bem postadas, bateria intrincada e vocais perfeitos são também a marca principal de Same Face, uma música que depois de conhecida, não é mais possível parar de ouvir. As seis canções são belas, mas a curta (menos de dois minutos) Milestones e a longa Caged Sun (mais de dez minutos) ameaçam roubar a cena. Imagine um híbrido do velho ELP com o novo Opeth. Você já pode amar essa banda!

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