Ao longo de seus 50 anos de carreira, o Iron Maiden dividiu o palco com alguns dos maiores nomes da história do rock. Para Steve Harris, porém, uma das lições mais importantes veio justamente nos primeiros anos da banda, quando ainda ocupava o posto de atração de abertura. Em entrevista à revista Classic Rock, o baixista afirmou que aprendeu cedo como uma banda principal deve tratar os artistas que a antecedem.
“A maior lição foi ser legal com as pessoas.”
Sem citar nomes, Harris revelou que encontrou grupos que viam as bandas de abertura como uma ameaça.
“Havia muitas histórias de bandas principais preocupadas porque a atração de abertura poderia fazer um show melhor do que elas.”
Para o líder do Iron Maiden, essa postura nunca fez sentido.
“Sempre achei que, se você está preocupado com a banda de abertura, talvez seja hora de desistir. Qualquer grupo que abra nossos shows tem a obrigação de subir ao palco, nos pressionar e tentar conquistar o nosso público.”
Harris também recordou um episódio marcante no Rock in Rio de 1985, quando o Iron Maiden se apresentou antes do Queen. Segundo ele, o guitarrista Brian May foi direto ao comentar a performance dos britânicos.
“Brian veio falar comigo antes de o Queen entrar no palco e disse que nós os tínhamos assustado de verdade.”
A resposta de Harris foi imediata.
“Pensei: ‘Ótimo. Fizemos o nosso trabalho’.”
O baixista faz questão de ressaltar, no entanto, que isso não abalou a apresentação da banda de Freddie Mercury.
“Claro que isso não fez diferença nenhuma. O Queen fez um show incrível. Mas é bom provocar um pouco os headliners.”
Cinquenta anos depois da fundação do Iron Maiden, Harris afirma que essa filosofia continua sendo seguida pela banda. Para ele, abrir espaço para novos artistas faz parte do espírito do rock e da responsabilidade de quem alcançou o topo.
