O Paradise Lost lançará em 19 de setembro, via Nuclear Blast Records – no Brasil, em parceria com a Shinigami – o aguardado Ascension, 17º disco da carreira e sucessor de Obsidian (2020). Produzido por Gregor Mackintosh e finalizado em parceria com o engenheiro Lawrence Mackrory, o álbum ganhou forma após um processo inesperado: a regravação de Icon, clássico de 1993.
Em entrevista ao site Rauta, Mackintosh comentou sobre o impacto dessa experiência: “Bem, já saíram dois singles até agora (na verdade, três), mas se você ainda não ouviu, algo que realmente mudou a abordagem deste disco foi… Faz uns anos que completou 30 anos do nosso álbum Icon, e tivemos que fazer uma regravação. Mas ter que fazer isso, reaprender aquelas músicas em tal profundidade e regravá-las me colocou no estado de espírito de 92, 93, época de Shades of God e Icon, e isso meio que influenciou a composição deste disco um pouco. Então provavelmente metade do álbum está bastante nesse estilo”.
O guitarrista também explicou a diferença entre se inspirar em trabalhos antigos e revisitar o estado mental da época: “Não foi inspirado pela nossa própria música. Foi meio que — eu já disse isso antes — é como se você entrasse no estado mental de onde estava naquele tempo, quais eram suas influências naquele tempo, como você se sentia. E naquela época, em torno de Shades of God e Icon, estávamos muito… Até o nome ‘Paradise Lost’. Voltamos a isso, é do livro. O que o livro significa? Sobre o que é? Quais são os temas? Essa imagem religiosa exagerada, mesmo sendo todos ateus. Então meio que seguimos por esse caminho. E com a música, foi mais um caso de… Eu nunca tocava a mesma coisa que qualquer outro… Cada um tocava sua parte e não havia muito riff pesado. Havia, mas eu sempre fui mais o cara das harmonias. Então exploramos isso neste disco. Foi mais sobre o estado mental. Não foi realmente ser influenciado pelo que fizemos antes. Foi mais tipo: ‘Humm, isso é interessante.’ Porque ao longo dos anos, gradualmente, seu estilo de tocar muda, seu estilo de compor muda, e você esquece certas coisas. E revisitar isso faz você pensar: ‘Ah, certo’… Quero dizer, você tenta não se repetir, obviamente, mas dá uma sensação boa… Então se você sente isso, deve ser uma coisa positiva”.
Sobre o processo de composição, Mackintosh revelou: “Eu tinha metade deste álbum escrita há três anos. Tinha seis ou sete músicas, e descartei tudo porque não estava satisfeito. Então desisti por um ano. Depois fizemos a coisa da regravação de Icon e pensei: ‘Ah, certo. É disso que se trata. É assim que deve ser’. Então nunca usei nada daquelas seis ou sete músicas. Se você não sente, não sente. E temos a sorte de não ter uma gravadora dizendo: ‘Você tem que lançar isso’. Fazemos no nosso tempo. Então, se você vai viver com algo, é melhor que esteja confortável com ele”.
- Leia a resenha completa de Ascension, publicada também na nova edição da ROADIE CREW, #287:
A capa de Ascension traz a pintura “The Court Of Death” (1870–1902), de George Frederic Watts, em exibição na Tate Gallery, em Londres. A obra retrata a Morte como um anjo entronizado, ladeado por figuras alegóricas de Silêncio e Mistério, enquanto personagens humanos entregam seus símbolos de poder. Segundo a banda, essa visão sombria dialoga com a atmosfera do álbum.
O vocalista Nick Holmes descreveu o trabalho: “Ascension é uma cavalgada de miséria incandescente, um passeio de tristeza vigorosa por um mundo perverso de triunfos e tragédias”.


