NUCLEAR ASSAULT e a madrugada em que uma piada quase saiu do controle

Uma lembrança do início da trajetória do Nuclear Assault revela como uma brincadeira típica de estrada expôs tensões silenciosas entre irreverência e responsabilidade. O episódio foi relatado por Glenn Evans e posteriormente refletido por Maria Sherow, do Kind Talk Project.

No inverno de 1986, o Nuclear Assault ainda dava seus primeiros passos, sem contrato e com estrutura limitada. Após um show em Ohio, já na madrugada, a rotina era a de sempre: equipamentos recolhidos às pressas, merchandising guardado e todos embarcando em um antigo ônibus escolar adaptado.

Ao volante estava Glenn Evans, que além de baterista assumia a tarefa de conduzir a equipe por estradas cobertas de neve. Enquanto o motor aquecia, um integrante da equipe técnica resolveu transformar o letreiro da casa de shows em alvo de uma intervenção irreverente, reorganizando as letras para formar uma frase obscena.

A revelação veio quando o ônibus já deixava o estacionamento. O que para parte da equipe soava como humor típico de turnê, para quem estava dirigindo representava risco real: a possibilidade de problemas legais, abordagem policial e consequências que extrapolassem a intenção inicial.

O episódio foi contado pelo próprio Glenn Evans e depois analisado por Maria Sherow em texto publicado pelo Kind Talk Project, que abordou a situação sob a ótica das necessidades humanas em conflito.

De um lado, estavam impulsos comuns à vida na estrada — busca por leveza em meio ao desgaste, vontade de provocar, necessidade de pertencimento. De outro, pesava a responsabilidade concreta de garantir a segurança de todos e evitar complicações.

O thrash metal construiu sua identidade sobre intensidade e confronto. Mas a sobrevivência de bandas como o Nuclear Assault também dependeu de disciplina fora do palco. Ensaios rigorosos e improviso logístico caminhavam lado a lado.

Naquela madrugada, o ônibus seguiu viagem sem debate. A piada ficou para trás no letreiro, mas a tensão acompanhou o trajeto. Décadas depois, ao ser relembrado nas palavras de Glenn Evans e reinterpretado pelo Kind Talk Project, o episódio permanece como um retrato honesto dos bastidores: rebeldia e responsabilidade dividindo o mesmo espaço — nem sempre em harmonia.

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Nuclear Assault com sua formação clássica – Dan Lilker, John Connelly, Glenn Evans e Anthony Bramante | Foto: Frank White