Eram pouco antes das 17h30 quando Ian Haugland surgiu no palco e a introdução começou a rolar no som mecânico. Não demorou para Joey Tempest (vocal), John Norum (guitarra), John Levén (baixo) e Mic Michaeli (teclado) se juntarem ao baterista e darem início à apresentação. Foi uma agradável surpresa ver a banda abrindo o show com uma música nunca antes tocada no Brasil: a acelerada On Broken Wings, lançada originalmente como lado B do maior single do grupo, The Final Countdown (1986). A faixa ressurgiu em 1993 na compilação 1982-1992 e, posteriormente, em edições especiais remasterizadas do álbum The Final Countdown, como a versão lançada pela Rock Candy Records em 2019.

O Allianz Parque não era um território estranho para o quinteto – em 2019, o Europe já havia se apresentado no mesmo estádio da Sociedade Esportiva Palmeiras durante o festival Rockfest. Naquela ocasião, em turnê de Walk the Earth (2017) – pasmem, ainda hoje o mais recente trabalho de estúdio da banda -, o som estava bem mais equilibrado no início. Diferente deste último show, que começou com áudio embolado e a voz de Joey Tempest oscilando entre baixa e quase inaudível em breves momentos. Sorte que no decorrer o som foi se acertando.
Por falar em Tempest, era visível no rosto dele a alegria de estar de volta ao Brasil. No início da música seguinte, ele até se arriscou com um simpático “Boa noite, São Paulo” em bom português. Foi no hit Rock the Night, do clássico The Final Countdown, que agitou a massa e fez todo mundo cantar junto. Aliás, ainda sobre Joey Tempest, o sueco realmente nasceu para ser um frontman, pois sabe cativar o público: brinca, sorri o tempo todo, gesticula, faz poses, deita na beira do palco para cumprimentar quem está lá embaixo… Fora que é sempre engraçado vê-lo gritando “caralio”! Após a execução de Walk the Earth, foi bem legal quando ele, bem feliz, exaltou cada uma das bandas que estavam dividindo palco com o Europe no Monsters of Rock.

Sign of the Times – que traz uma das mais belas introduções de teclado do rock and roll (méritos para Mic Michaeli) -, do álbum Out of This World (1988), quarto da banda e o primeiro sem John Norum, substituído na época por Kee Marcello, veio na sequência e foi uma das mais bem recebidas pelo público, como de costume em um show do Europe. Nessa, Tempest conquistou de vez a plateia ao se enrolar em uma bandeira do Brasil. O adereço ainda ficou um bom tempo pendurado no bolso de trás da calça do vocalista durante o show, até ser deixado em frente à batera de Haugland.
Uma novidade para o público brasileiro foi a inclusão de Hold Your Head Up, primeira música lançada pelo Europe desde Walk the Earth, em 2023. Segundo a banda revelou na época, essa faixa deve integrar o próximo álbum de estúdio do grupo, previsto para 2026.
Um dos pontos altos do show do Europe – e de todo o festival -, foi quando a banda tocou uma das baladas mais adoradas do hard rock: Carrie. O clima estava especial, com o início da noite chegando, as luzes dos celulares acesas e todo mundo cantando junto. Ficou ainda mais bonito quando a banda fez a tradicional paradinha para o público soltar a voz. Ao final, muitos aplausos coroaram o momento.

Com o telão exibindo a árvore do pecado, ficou claro que a música seguinte era a faixa-título do álbum Last Look at Eden, de 2009. Nessa, o teclado de Mic ficou alto demais. Com o som já mais equilibrado, Tempest surgiu empunhando uma guitarra, perguntou se todos estavam bem e cantou outra de Out of This World: Ready or Not. Na sequência, veio outra do mesmo álbum: a contagiante Superstitious – como de praxe, com o tradicional trecho de No Woman No Cry, de Bob Marley and the Wailers, intercalado.
Vale dizer o quanto é legal ver o Europe lançando mão de músicas da fase com Kee Marcello no setlist. Isso mostra que John Norum não tem a frescura que alguns músicos de outras bandas demonstram ao se recusarem a tocar material gravado por quem os substituiu em algum momento.

Sem olhar para o relógio e nem para o cronograma divulgado pela assessoria de imprensa do festival, tive a sensação – no puro feeling – de que o show do Europe foi o que passou mais rápido entre todos desta edição do Monsters of Rock. E já caminhando para a reta final, a banda reservou duas músicas do aclamado The Final Countdown. A primeira delas, Cherokee, começou com um breve solo de Ian Haugland – que nunca foi o tipo de baterista altamente técnico, mas também nunca comprometeu: sempre demonstrou muita pegada e precisão em seu ‘playing’. Particularmente, sempre curti mais sua performance ao vivo do que em estúdio.

O ‘grand finale’ não poderia ser outro senão com a música de maior sucesso da carreira do Europe: The Final Countdown. Como era de se esperar, todo mundo vibrou, cantou e pulou com essa. Mas ninguém passou incólume ao “pênalti” chutado por cima do gol por Mic Michaeli – logo na música que talvez tenha a introdução de teclado mais reconhecida da história do hard rock. Seja por desatenção, por alguma falha técnica, por não estar se ouvindo direito ou, quem sabe, por puro acaso, o fato é que algumas notas saíram discrepantemente “tortas”, o suficiente para virar assunto entre quem estava lá e, claro, depois na internet. Mas errar é humano – o músico que nunca pisou no tomate ao vivo que atire a primeira tecla – digo, pedra. Convenhamos: Michaeli deve ser capaz de tocar essa música com precisão até em estado de sonambulismo.

Pena que o Europe não teve mais tempo de palco e que o setlist continue enxuto, já que, como escrevi na resenha do Rockfest em 2019, o grupo tem um catálogo cheio de músicas que mereciam mais espaço ao vivo: Ninja, Danger on the Track, Time Has Come, Let the Good Times Rock, Open Your Heart, More Than Meets the Eye, Just the Beginning, Never Say Die, Halfway to Heaven, Prisoners in Paradise… Quem sabe na próxima visita, já com o novo álbum de estúdio lançado?

Confira a cobertura dos outros shows do Monsters of Rock
Scorpions | Judas Priest | Savatage (em breve) | Queensrÿche (em breve) | Opeth (em breve) | Stratovarius
Clique aqui para receber notícias da ROADIE CREW no WhatsApp.
