MEGADETH na capa da ROADIE CREW: DAVE MUSTAINE fala sobre o sentimento por trás da despedida

A nova edição da revista ROADIE CREW traz na capa o Megadeth e uma entrevista exclusiva com Dave Mustaine. Ao repórter Valtemir Amler, o líder da banda comentou o impacto emocional de anunciar o encerramento das atividades e revelou como a decisão foi amadurecida ao longo do processo de criação do novo álbum.

O disco está sendo anunciado como o capítulo final — consistente, forte e simbólico —, mas inevitavelmente carregado por uma sensação agridoce. Ao ser questionado sobre como lida com essa percepção, Mustaine foi direto ao explicar que a despedida não fazia parte do plano inicial.

“Eu não comecei esse álbum pensando que seria assim. Foi mais ou menos na metade do processo que conversei com nossa gerência. Disse ao Justis (Mustaine: filho, empresário e representante profissional de Dave Mustaine): ‘Não sei por quanto tempo conseguirei fazer isso, minhas mãos estão doendo muito’, e foi aí que tudo começou a evoluir.”

Segundo o músico, as dores físicas tiveram peso determinante. Após conversas com os empresários Danny Nozell, Steve Ross e Justis Mustaine, e também com os integrantes da banda, ficou decidido que o caminho mais coerente seria concluir o álbum, promovê-lo em turnê e, então, dar início a uma longa despedida.

“Vamos terminar o álbum, fazer a turnê dele e depois entrar em uma turnê de despedida, que provavelmente deve levar alguns anos. Queremos dizer adeus aos nossos fãs. Somos uma banda americana, mas fizemos turnês internacionais por tanto tempo que precisamos tocar em muitos lugares. Não queremos apenas as principais cidades.”

A ideia, portanto, não é um adeus apressado. Mustaine deixou claro que a intenção é visitar o maior número possível de países e cidades, em um processo que deve se estender por alguns anos.

Ao ser lembrado de que muitos fãs prefeririam não ouvir esse tipo de anúncio, ainda mais acompanhado de um novo trabalho de estúdio, o guitarrista reconheceu o peso emocional da situação.

“Eu entendo e lamento que esse álbum traga essa nota de tristeza. Gostaria que não fosse assim. Mas é uma questão física. Sinto que não conseguiria seguir adiante por muito mais tempo.”

A trajetória do Megadeth já havia sido colocada à prova no início dos anos 2000, quando Mustaine enfrentou sérios problemas físicos que quase o impediram de tocar novamente. A superação daquele período rendeu uma fase produtiva que incluiu discos como Endgame, Dystopia e The Sick, The Dying… And The Dead!, reforçando a relevância do grupo nas últimas décadas.

Ciente da carga simbólica que envolve o anúncio, Mustaine admitiu que a decisão está longe de ser leve.

“Tem sido uma honra levar adiante o Megadeth, criar essas canções e viajar pelo mundo ao longo de todos esses anos. Eu vejo o quanto isso entristece você — acredite, é o mesmo para mim. Não foi uma decisão fácil. É preciso muita força para admitir que a hora de parar está chegando.”

Mais do que um encerramento, o que se desenha é um processo gradual de despedida — planejado para respeitar a história construída e, principalmente, a base de fãs espalhada pelo mundo.

ROADIE CREW 290

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