Por Valtemir Amler
Chegando ao seu décimo-sexto álbum completo de estúdio e com a formação estabilizada com Mille Petrozza (vocal e guitarra), Sami Yli-Sirniö (guitarra), Frédéric Leclercq (baixo) e Jürgen “Ventor” Reil (bateria) desde 2019, o Kreator funciona como uma máquina muito bem regulada, daquelas que não apresentam irregularidades em seu funcionamento.
Atravessando uma época extremamente produtiva e popular, com todo o catálogo antigo relançado em versões remasterizadas, alcançando o topo das paradas alemãs com seu álbum de 2017 (Gods of Violence) e agora com uma biografia em livro (Your Heaven, My Hell, de Mille Petrozza e Torsten Gross) e um filme exibido nos cinemas alemães (Hate & Hope), o Kreator se prova como a força suprema do thrash metal germânico, muito embora sua música caminhe por territórios mais abrangentes há décadas.
Esse novo Krushers of the World não é uma inovação, um novo caminho, mas sim uma reafirmação de poder, uma continuação à altura do trabalho que eles vêm desenvolvendo com Gods of Violence (2017) e Hate Über Alles (2022), ou seja, existe heavy, thrash e speed metal aqui, tudo regado com muita melodia, cortesia da habilidade criativa de seu principal compositor.
Se Mille é o grande responsável pelos riffs cativantes, seu parceiro mais antigo, Ventor, é o motor da banda: é sua bateria que puxa o Kreator adiante, adicionando velocidade e cadências variadas que tiram a música do lugar comum – observe as ótimas transições em temas como Tränenpalast, Psychotic Imperator e Seven Serpents, todas com um toque melódico que garante o balanço ideal. Também não deixe de conferir Blood of Our Blood e Satanic Anarchy, duas das mais viscerais do álbum. Mais um ótimo passo de uma lenda que segue ampliando sua abrangência.
