Influência do black metal norueguês, noite em dungeon de BDSM e participação de MARTY FRIEDMAN: conheça o WORM

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Uma sessão de fotos em um dungeon de BDSM, um empresário dormindo dentro de um caixão e uma capa que precisou ser cortada antes da divulgação oficial. O universo do Worm parece funcionar sob uma lógica própria — exagerada, teatral e alinhada à estética sombria que molda o quarto álbum da dupla, Necropalace, lançado pela Century Media.

O vocalista e fundador Phantom Slaughter conta que a imagem promocional do disco nasceu de uma noite de folga durante uma turnê em Detroit. Segundo ele, em entrevista ao Loudersound, o empresário da banda encontrou um espaço alternativo onde funcionava um dungeon, pertencente a conhecidos seus. “Passamos a noite lá e fizemos uma sessão de fotos icônica. Nosso empresário acabou dormindo em um caixão”, relatou com naturalidade.

Influência do black metal norueguês

O Worm surgiu em 2012 como projeto solo de Phantom, inspirado após assistir ao documentário Until The Light Takes Us, que retrata a cena norueguesa de black metal dos anos 1990. O impacto foi imediato.

“Aquele documentário mudou minha vida. Ele refletia emoções que eu sentia, mas que eu não sabia que podiam existir dentro da música”, afirmou. Ao ouvir o baterista Fenriz falar sobre Bathory, Celtic Frost e Venom, Phantom diz que desenvolveu uma obsessão pelo estilo.

Vivendo em Miami, distante da atmosfera fria associada ao gênero, ele criou seu próprio universo: corpse paint, composições longas e uma abordagem teatral que absorvia o lado mais dramático do black metal — sem repetir os crimes que marcaram a cena original.

Foto: Doomvana

O som de “Necropalace”

A faixa-título de Necropalace, com 12 minutos de duração, resume a proposta atual da banda. O clipe remete a uma mistura de filme exploitation com horror europeu, enquanto o guitarrista Wroth Septentrion entrega um solo expansivo que dialoga com o virtuosismo de Yngwie Malmsteen.

Outras faixas seguem a mesma linha dramática. The Night Has Fangs mergulha em atmosfera densa e arrastada, Dragon Dreams alterna momentos etéreos com peso crescente, e Blackheart amplia o caráter teatral das guitarras. O encerramento, Witchmoon: The Infernal Masquerade, ganha reforço especial com a participação de Marty Friedman.

Phantom relembra que recebeu uma mensagem direta do guitarrista. “Achei que fosse um robô. Quando vi que era ele mesmo dizendo que amava o EP Bluenothing, pensei que, quando tivéssemos um álbum pronto, não custaria perguntar”, contou.

Da adolescência turbulenta ao contrato com a Century Media

Antes do reconhecimento, Phantom descreve uma juventude conturbada, marcada por expulsões escolares e problemas disciplinares. Ele afirma que não se sentia integrado ao ambiente ao seu redor e acabou se envolvendo em situações que o afastaram do caminho convencional. “Eu não sou mais aquela pessoa. Eu não levava nada a sério”, reconheceu.

O direcionamento veio justamente após o contato com o black metal e a percepção de que existia uma comunidade global com a qual se identificava. Em 2017, o Worm lançou o álbum de estreia Evocation Of The Black Marsh, ainda com forte influência de doom e sludge. A partir de Foreverglade, de 2021, a ambição passou a ser criar um disco totalmente sinfônico dentro do espectro do black metal — meta que, segundo ele, foi alcançada agora com a formação consolidada ao lado de Wroth.

Além da participação de Marty Friedman, a banda já dividiu palco com o Gatecreeper e hoje integra o elenco da Century Media, selo que também abriga nomes como Lorna Shore, Arch Enemy e Fever 333.

Sem datas de shows confirmadas até o momento, Phantom afirma que futuras apresentações precisarão refletir o espírito grandioso do novo trabalho. “Você tem que continuar tentando. Se tem uma voz única, diga o que precisa dizer. Isso me deu força de muitas formas”, concluiu.

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