A transição para Up to the Limit e Midnight Mover reforçou a dinâmica perfeita entre peso e melodia, enquanto os fãs cantavam em uníssono, principalmente o refrão de Midnight Mover, mostrando o quanto essas faixas permanecem relevantes. Sem pausa, emendaram mais duas: Breaker e Living for Tonite. Ao final, o baixinho foi merecidamente ovacionado. Em seguida, a dupla de guitarristas assumiu o protagonismo e avançou no palco para a introdução de um dos maiores clássicos do Accept: era vez do hino Princess of the Dawn, com o público cantando o solo de guitarra tão alto que quase encobriu o som da banda. A interação entre banda e público foi de arrepiar.
O público não teve descanso: foi um clássico atrás do outro. Flash Rockin’ Man veio na sequência e, sem introdução, mandaram Metal Heart. O refrão foi acompanhado com intensidade por todos, e o solo, cantado até mais alto, chegou a emocionar. Andrey Smirnov fez um breve improviso antes de voltar ao tema original. Mais uma vez, a banda deixou que o público cantasse, enquanto Udo demonstrava satisfação com a recepção calorosa. É interessante perceber como essas músicas, que fazem parte da história do metal mundial, ainda emocionam décadas depois de seu lançamento.
Enfim, chegou a hora que todos aguardavam. Um breve anúncio introduziu a execução na integra do clássico Balls to the Wall, para delírio dos fãs. O riff da faixa-título iniciou a obra-prima, com o solo de guitarra recebendo a mesma paixão que o refrão. Durante as diversas repetições da melodia, um fã tentou cantar mais alto que a banda, rendendo gargalhadas de quem estava próximo.
Seguiram-se London Leatherboys, Fight it Back e Head Over Heels, nas quais a banda demonstrou uma precisão técnica impressionante. Em Losing More Than You’ve Ever Had, Udo destacou o fato de ser a primeira vez que a música era tocada ao vivo, tanto na história do Accept quanto em sua carreira solo. A recepção foi excelente, assim como para Love Child e Turn Me On. A velha conhecida Losers and Winners antecedeu outra estreia ao vivo: Guardian of the Night. A balada Winterdreams encerrou o set principal com um tom emotivo, quase melancólico, mas ainda assim poderoso.
No bis, o incansável Dirkschneider executou Burning, que veio como um golpe final. O público, já entregue à apresentação, vibrou intensamente com essa despedida incendiária. O vocalista, carismático e visivelmente satisfeito, agradeceu à plateia brasileira pelo apoio, reforçando seu vínculo duradouro com os fãs no Brasil.
O que dizer de Udo, agora sob a alcunha de Dirkschneider, que, aos 72 anos, entregou uma apresentação irreparável? O vocalista alemão envelheceu como vinho e essa apresentação veio para comprovar isso. Sem dúvidas, o grande vencedor foi o público, que pôde vivenciar uma noite inesquecível de clássicos atemporais, imortalizados na história do heavy metal mundial.
Dirkschneider setlist
Fast as a Shark
Up to the Limit
Midnight Mover
Breaker
Living for Tonite
Princess of the Dawn
Flash Rockin’ Man
Metal Heart
Balls to the Wall
London Leatherboys
Fight It Back
Head Over Heels
Losing More Than You’ve Ever Had
Love Child
Turn Me On
Losers and Winners
Guardian of the Night
Winterdreams
Burning
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