Categoria: Roadie News

  • SUMMER BREEZE (DOMINGO)

    SUMMER BREEZE (DOMINGO)

    HOT STAGE 

    KRISIUN Por Daniel Dutra Se você está lendo esta resenha, provavelmente também já leu ou ouvir falar que o Krisiun é um dos grandes nomes do metal nacional em todos os tempos e, claro, um das maiores bandas do death metal mundial – senão a maior, acrescento. Para quem acha um exagero, é preciso lembrar que o público presente à abertura do segundo dia do Summer Breeze brazuca, exatamente para ver Alex Camargo (baixo e vocal), Moyses Kolesne (guitarra) e Max Kolesne (bateria) em ação, era consideravelmente maior do que o do dia anterior. E isso com um sol para cada um às 11h no Hot Stage, um dos dois palcos principais do festival, o que fez Alex agradecer a todo instante aos fãs que chegaram cedo, até mesmo com bom humor ao lembrar que o hábito dos paulistas de tomar café da manhã na padaria – na verdade, ‘padoca’ para os locais – deu lugar à ingestão de substâncias menos saudáveis, digamos assim.
    Krisun
    Alex Camargo (Foto: Diego Padilha)
    O show? Foi um massacre, obviamente, e com a louvável iniciativa de valorizar o trabalho mais recente – afinal, é por isso que as bandas devem lançam novos discos. O excelente “Mortem Solis” (2022) cedeu três músicas, a começar por “Swords Into Flesh”, que fez a ponte entre o passado – com “Ravager”, faixa de “Conquerors of Armageddon” (2000) que abriu a apresentação – e o presente. “Serpent Messiah” e a obra-prima “Necronomical” foram as outras duas mais recentes, sendo que esta última reforçou o lado mais cadenciado – ou mais metal ou menos death – do Krisiun, levando além o que o trio gaúcho havia mostrado já no início da apresentação, com a levada e os ótimos riffs de “Descending Abomination”, extraída de “The Great Execution”, álbum de 2011 que apareceu também com “Blood of Lions”, cuja recepção do público reforçou seu status de clássico.
    Krisiun
    Moyses Kolesne (Foto: Diego Padilha)
    Se em algum momento foi possível sentir falta de mais músicas de “Scourge of the Enthroned” (2018), porque apenas a faixa-título foi executada, ou de qualquer canção do magistral “Forged in Fury” (2015), isso logo caiu por terra por fatores bem específicos. Primeiro porque a banda teve somente 50 minutos para passar por cima de todo mundo e mostrar a força do metal nacional “doa a quem doer”, como bem frisou Alex repetidas vezes. Segundo porque foram 50 minutos de brutalidade com musicalidade e técnica – o vocal de Alex é um dos melhores do gênero; Moyses desfila uma quantidade absurda de grandes riffs e não poupa nos solos; e Max… Bem, esse cara toca daquele jeito absurdo com a leveza de quem está numa banda de jazz. E se você não entendeu, isso é um baita elogio.
    Krisiun
    Max Kolesne (Foto: Diego Padilha)
    Terceiro e último porque, meu amigo, o Krisiun mandou ver em mais uma execução primorosa de “Combustion Inferno”, uma de suas melhores músicas, e fez o cover de “Ace of Spades”, do Motörhead, com direito a coro de “Lemmy! Lemmy” puxado por Alex, soar com um hino hard rock de arena em meio ao material próprio. É para poucos. E é só para quem pode. H.E.A.T Por Daniel Dutra As primeiras horas do Summer Breeze no domingo foram o exemplo de como um festival europeu pode trazer para o Brasil uma mais do que necessária mentalidade: a da diversidade musical. A área principal começou com o Krisiun, passou pelo Grave Digger e chegou ao H.E.A.T, sem dramas e com o público ou curtindo ou mostrando o devido respeito a quem estava em cima do palco. Ponto para todo mundo, mas pontos especiais para Kenny Leckremo (vocal), Dave Dalone (guitarra), Jimmy Jay (baixo), Jona Tee (teclados) e Don Crash (bateria), que fizeram o que muitos consideraram o melhor da primeira edição brasileira do festival germânico. E não há exagero algum nisso, porque os suecos realmente fizeram uma apresentação irretocável em todos os sentidos, com músicas irresistíveis sendo a trilha sonora para uma recepção de gala por parte do público.
    H.E.A.T
    Kenny Leckremo (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    Tão de gala que os próprios músicos não escondiam feições que passaram de surpresa à alegria completa. Leckremo, que se enrolou com uma bandeira do fã-clube brasileiro, era só sorrisos e por vezes não escondeu estar emocionado. Também, pudera: mesmo as duas músicas do álbum mais recente, “Force Majeure” (2022), foram cantadas com entusiasmo pela grande e realmente surpreendente quantidade de fãs do H.E.A.T. Se “Back to the Rhythm” abriu o show escancarando que a banda tem muita moral no país, “Hollywood” ratificou o encantamento sueco com o público cantando uma canção nova de uma banda como não aconteceu em nenhum outro momento do Summer Breeze. Você pode até pensar que é fácil angariar fãs com músicas tão maravilhosamente grudentas, mas, veja bem, não é nada fácil criar músicas tão maravilhosamente grudentas. Estamos falando de algo superlativo.
    H.E.A.T
    Dave Dalone (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    Isso vale até mesmo para a surpreendente inclusão de “Redefined” no repertório, uma vez que se trata de uma faixa do experimental “Into the Great Unknown” (2017), ótimo álbum que fez alguns fãs torcerem o nariz. No passado, afinal, o refrão foi cantado com vontade no presente do Summer Breeze. E o H.E.A.T passeou por todos seus sete discos de estúdio, trazendo parte do início da banda com Leckremo – que, diga-se, deixou sua presença de palco ser tomada pela emoção: ajoelhou, deitou, rolou e distribuiu carisma. “Beg Beg Beg”, de “Freedom Rock” (2010), e a estupidamente contagiante “1000 Miles”, de “H.E.A.T” (2008), fizeram a festa de quem acompanha os suecos desde o início, mas foi a fase do ex-vocalista Erik Grönwall – que se apresentou com o Skid Row no dia anterior – que tomou conta do festival. O show atingiu seu ápice com as sensacionais “Living on the Run”, de “Address the Nation” (2012), e “A Shot at Redemption”, de “Tearing Down the Walls” (2014), que encerraram uma apresentação que Leckremo deixou claro em palavras que não queria que acabasse.
    H.E.A.T
    Parte do fã-clube brasileiro do H.E.A.T antes do show (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    Mas foi “H.E.A.T II” (2020) o trabalho que dominou o setlist. Não à toa, porque o último trabalho com Grönwall, um dos melhores do hard rock contemporâneo, gruda mais que chiclete em cabelo. Enquanto “One By One” foi uma viagem àquelas trilhas sonoras inesquecíveis de filmes dos anos 1980, “Come Clean”, “Dangerous Ground” e “Rock Your Body” foram momentos de puro êxtase do palco para o público, e vice-versa. Na verdade, você pode pensar em três momentos de catarse, graças aos largos sorrisos nos rostos de todos. Que show incrível, e que o H.E.A.T volte ao Brasil para ontem. TESTAMENT Por Heverton Souza

    É inevitável começar a falar do Testament no Summer Breeze sem duas reclamações: a primeira sobre a não vinda do baterista Dave Lombardo, que tudo indica que sequer seguirá com a banda após uma publicação do mesmo em tom de despedida, mas sem confirmar qual será seu destino com a banda thrash. E a segunda é quanto ao tempo do show. Dar apenas uma hora de palco para uma banda do porte do Testament chega a ser injusto!

    Alguns fãs também questionaram o set, e poderia ser mesmo diferente levando em conta principalmente o tempo curto da apresentação, mas a verdade é que não há show em se tratando de Chucky Billy, Eric Peterson e CIA. Aliás, que companhia!!! Não é segredo que o guitarrista Alex Skonick por si já vale a apresentação, mas ainda com Steve DiGiorgio em palco, temos mesmo um show à parte de estrelas do metal.

    Testament
    Alex Skolnick (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    Com o sol fritando em todos, a banda começou às 15h15 após a intro “Catacombs”, com “Rise Up”, faixa que abre o melhor disco da banda desde os anos 2010, falo de “Dark Roots of the Earth”. Em seguida, já fomos de volta ao ano de 1988 com os clássicos “The New Order” e “The Preacher” anunciada com toda a potencial vocal de Chuck Billy. E como não se arrepiar com o clássica frase de guitarra logo de cara. É bem verdade que o som da banda começou um pouco embolado, mas isso foi logo ajustado e é muito comum em festivais, já que não tem como todas bandas passarem o som antes de subirem pra valer.

    A cavalgada “Children of the Next Level” deu às vezes ao mais recente disco da banda, “Titans of Creation” (2020). E que sensação boa ver Steve DiGiorgio tocando. Sem palhetar, direto nos dedos, o cara toca se divertindo com sua maestria. E faz caras e bocas, interage com o público, um showman. E se acha que alguém fica pra trás, basta ver a o entrosamento das guitarras de Eric e Alex, chega a ser bonito!

    Testament
    Eric Petersen (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    “D.N.R.”  foi um dos melhores momentos de todo o show e seguida dos ‘Ôôôs’ de “3 Days in Darkness” elas deram vez ao álbum “The Gathering”, o que seria então o momento mais propício para a performance de Dave Lombardo, baterista que gravou o disco de 1999, mas a verdade é que seu substituto, o jovem Chris Dovas, de apenas 24 anos, não nos fez sentir falta alguma do ex-Slayer. O menino é preciso e toda com empolgação, apesar de um certo nervosismo, natural para a ocasião.

    A fantástica “The Formation of Damnation” foi a última ali do Testament “atual”, com direito à uma “wall of death” comandada por Chuck, e dela em diante, a sequência foi apenas de clássicos: “Over the Wall”, “Into the Pit”, a mais agitada por todos e a melódica “Alone in the Dark”, que fechou um dos melhores shows do festival. E sim, faltou muita, mas muita coisa, mas com uma hora de palco, só de ter a satisfação de ver o Testament ao vivo, é de lavar a alma de qualquer fã não apenas da banda, mas de thrash metal em si.

    Testament
    Chuck Billy (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    KREATOR Por Leandro Nogueira Coppi

    Lembro-me que a última vez em que assisti Kreator ao vivo, justamente na então mais recente visita do grupo ao Brasil, em um outro festival realizado em 2018, saí com o sentimento de que não só havia sido o melhor show da banda que presenciei, como também de que dificilmente o grupo alemão se superaria quando eu tivesse outra oportunidade de assisti-lo. Felizmente, ledo engano de minha parte. Dessa vez, já foi de arrepiar ver a cortina que cobria o palco com o logo da entidade alemã do thrash metal estampado, enquanto ouvia a introdução mecânica “Sergio Corbucci is Dead” que inicia o novo álbum do grupo, “Hate Über Alles”.

    Quando os fundadores Mille Petrozza (vocal e guitarra) e Jürgen “Ventor” Reil (bateria), mais o guitarrista Sami Yli-Sirniö e o (estreante em solo brasileiro) Frédéric Leclerq (baixo) começaram a tocar a própria “Hate Über Alles” sob muita fumaça e a cortina caiu revelando um cenário impactante com a capa do disco ao fundo, um enorme inflável da mascote Violent Mind atrás de Ventor dando a impressão de que estava segurando sua bateria com as duas mãos, e também diversos bonecos cobertos por panos vermelhos simulando pessoas enforcadas ou fincadas em lanças então, tive a certeza de que seria surpreendido com um show superior ao de 2018. Na verdade, todos ali foram arrebatados positivamente, como pude constatar durante o decorrer e após a apresentação do Kreator, que em vários momentos contou também grandes labaredas, e recebeu elogios.

    Kreator
    Frédéric Leclercq, Mille Petrozza e Sami Yli-Sirniö (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    A qualidade de som também foi outro fator impecável, tudo auditivamente muito cristalino e equilibrado, ao ponto de os bumbos de Ventor, por exemplo, soarem nítidos e bem timbrados como poucas vezes ouvi em qualquer show de metal – parabéns a quem assume os botões da mesa de som dos shows da máquina de trituração Kreator. Depois da primeira e única amostra do novo álbum, o quarteto alemão começou a apelar, mandando dois de seus clássicos dos anos 80. Iniciando pela indefectível “People of the Lie”, aquela que no breakdown tem uma das viradas de batera mais marcantes do metal. Essa foi responsável pelo primeiro circle pit dos fãs. Depois, a também visceral e extensa “Awakening of the Gods”.

    Após a dobradinha old school, o quarteto deu uma passada pelos anos 1990 e 2000, revisitando pedradas como “Enemy of God”, do disco de mesmo nome lançado em 2005, “Phobia”, uma das melhores de “Outcast” (1997) – um dos trabalhos do Kreator que até hoje divide opiniões -, “Satan is Real”, de “Gods of Violence” (2017), “Hordes of Chaos (A Necrologue for the Elite)”, de “Hordes of Chaos” (2009), e “666 – World Divided”, single de 2020.

    Kreator
    Mille Petrozza (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    Depois dessa rajada, Petrozza conversou com o público e brincou dizendo que tinha a impressão de que as pessoas ao fundo, dos lados e as que estavam no palco ao lado esperando pelo Avantasia não estavam participando alto como as que estavam ali na frente. Então, o frontman fez a tradicional provocação para arrancar do público o bloco que gritava mais alto e, empunhando a conhecida bandeira, fez, por duas vezes, o esperado anúncio: “It’s time, to raise, the Flag of Hate!” (É hora de erguer a bandeira do ódio!). Pronto: mais um circle pit garantido!

    O show já caminhava para o fim, quando a introdução mecânica “The Patriarch” evidenciou o que viria a seguir: “Violent Revolution”, hino do álbum homônimo de 2001. Para fechar em alta, o Kreator mandou um de seus maiores clássicos: “Pleasure to Kill”. Sob aplausos efusivos, Mille, Samy, Frédéric e Ventor deixaram o palco ao som da instrumental “Apocalypticon” rolando ao fundo. O que dizer? Simplesmente me rendi novamente ao Kreator, que provou a mim e a muitos que ainda é capaz de se superar ao vivo. Está explicado o por que de esse ser conhecido como os reis do teutonic thrash metal? Não à toa, o Kreator continua sendo meu favorito do chamado Big 4 alemão, que, para a maioria, é completado por Sodom, Destruction e Tankard.

    Kreator
    Sami Yli-Sirniö (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    PARKWAY DRIVE Por Ricardo Batalha

    O Hot Stage efetivamente pegou fogo com os australianos do Parkway Drive, que atualmente promovem o “Darker Still” (2022) e agora estão com status de headliners em grandes festivais, como no Wacken Open Air, Bloodstock, Resurrection, Hellfest e, claro, no Summer Breeze Open Air da Alemanha e agora na versão brasileira do evento. Vindo de participações no Knotfest do Japão e Austrália, Winston McCall (vocal), Jeff Ling e Luke “Pig” Kilpatrick (guitarras), Jia “Pie” O’Connor (baixo) e Ben “Gaz” Gordon (bateria) entraram em cena por volta das 20h com “Glitch”, do mais recente trabalho, o sétimo completo de sua discografia.

    De “Darker Still”, o grupo ainda tocou “Soul Bleach” e a faixa-título, mas bem que poderia ter incluído outras, principalmente “Land of the Lost”, que ainda não foi apresentada ao vivo pela banda e é um das melhores do disco. Seja como for, os fãs ficaram satisfeitos porque o set foi bem variado, seguindo com “Prey”, de “Reverence” (2018). A qualidade de som também merece elogios, pois estava tudo bem equalizado e com um punch desumano. Os riffs com palhetadas abafadas, tocados em conjunto com os bumbos, impressionaram pela precisão – “Dedicated” foi um exemplo.

    Parkway Drive
    Winston McCall (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    Sob comando de McCall, que estava vestindo uma roupa inteira branca, os australianos voltaram no tempo com “Carrion”, faixa do segundo álbum, “Horizons” (2007), seguida de “The Void”, mais uma de “Reverence”. “Vice Grip”, um dos destaques de “Ire” (2015), entrou em cena e mostrou o lado mais melódico da banda. Àquela altura, a palavra para quem ainda não conhecia a banda, que já havia passado pelo Brasil em outras ocasiões (2011 e 2014), foi surpresa.

    Se muita gente tinha rumado ao Sun Stage para ver o Stratovarius, os milhares que ficaram para o Parkway Drive sentiram o peso cavalar no peito. Assim, eles se juntaram aos seguidores da banda e pularam de forma instintiva ou quando McCall ordenava. O belo cenário combinou, pois em várias ocasiões labaredas de fogo surgiam e davam um efeito ainda mais brutal.

    Parkway Drive
    Jia “Pie” O’Connor, Winston McCall e Jeff Ling (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    O set seguiu com “Sleepwalker”, de “Deep Blue” (2010), e a variada “Idols and Anchors”, outra de “Horizons”, que tem riffs insanos e partes mais rápidas. Gaz Gordon deu início a mais uma porrada, “Karma”, conhecida como “a do clipe na praia”. A coisa acalmou com “Shadow Boxing” e, principalmente, na balada “Darker Still”, que funcionou ao vivo. “Bottom Feeder” fechou o set, mas os australianos voltaram para o bis com “Crushed” e “Wild Eyes”.

    Ovacionado, os músicos deixaram o palco e mataram a saudade dos seguidores que não os viam há quase dez anos. Mais que isso, conquistou muitos novos fãs, alguns que antes da apresentação estavam céticos de que o lugar de destaque para encerrar o evento no palco Hot Stage era mesmo merecido. Sim, era!

    Parkway Drive
    Winston McCall (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    ICE STAGE 

    GRAVE DIGGER Por Ricardo Batalha Se os “filhos” estavam na pista do Sun Stage curtindo os “pais” do Accept no sábado, pontualmente ao meio dia de domingo o Grave Digger entrou em cena com “Lawbreaker”, de “Healed by Metal” (2017). No início, a qualidade de som estava embolada e variando, mas foi sendo regulada depois. Felizmente, porque se temos algumas certezas no heavy metal, duas delas são exatamente as mesmas: não existem shows ruins do Grave Digger e nem do Accept. A tradição do heavy metal alemão se mantém intacta e Chris Boltendahl (vocal), Axel Ritt (guitarra), Jens Becker (baixo) e Marcus Kniep (bateria) seguiram, ainda com a qualidade do som sendo ajustada, com muito metal tradicional em “Hell Is My Purgatory”, do trabalho mais recente, “Symbol of Eternity” (2022), o 21º de estúdio da discografia.
    Grave Digger
    Jens Becker e Chris Boltendahl (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    A pegada mais épica da banda veio no comecinho da rápida “Ballad of a Hangman”, faixa-título do álbum de 2009. Como esperado, a mascote Reaper marcou presença no show na pesadíssima “Dia de los Muertos”, de “Return of the Reaper” (2014), E a música até serviu como um teste. Quem não agita e bate-cabeça instintivamente precisa de medicamento, pois para um fã de metal é impossível ficar inerte, assim como em “The House”, faixa de “The Grave Digger” (2001). A pegada Accept reapareceu na clássica “The Dark of the Sun”, do clássico “Tunes of War” (1996), relembrando a primeira passagem da banda pelo Brasil em abril de 1997, já que naquela ocasião ela abria os shows da turnê. Por sinal, a relação de amor do Grave Digger ao Brasil já rendeu um CD e DVD ao vivo, “25 To Live”, gravado em São Paulo na turnê de “The Last Supper” (2005).
    Grave Digger
    Chris Boltendahl e Axel Ritt (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    O set seguiu com “Highland Farewell” e “Healed by Metal” até chegar na parte mais épica, com a clássica “Excalibur” e o hino “Rebellion (The Clans Are Marching)”, cantada por todos os fãs e que contou novamente com a mascote Reaper na gaita de fole, após o solo. Como esperado, o encerramento veio com outro hino, “Heavy Metal Breakdown”. Se existisse uma versão heavy metal do reality show Big Brother (BBB) uma das provas do líder seria “quem conseguir ficar imóvel e estático vendo o Grave Digger ganha”. Eu e os milhares de fãs presentes embaixo do sol no Ice Stage perdemos. Orgulhosamente, registre-se.
    Grave Digger
    Axel Ritt (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    BURY TOMORROW Por Heverton Souza Assim como aconteceu no sábado com o Stone Temple Pilots tocando para o público do Blind Guardian, o Bury Tomorrow pegou a quente tarde de domingo com a ingrata missão de tocar seu metalcore para um público ensandecido por nomes clássicos do thrash metal, como Kreator e o Testament, que viria justamente a ser a banda seguinte no palco ao lado, o Hot Stage. Formado em 2006, o sexteto já divulga “The Seventh Sun”, seu sétimo disco de estúdio, lançado já em 2023. E seu set não poupou músicas novas, afinal, de um total de dez, três foram de “The Seventh Sun”: “Abadon Us”, “Begin Again” e “Boltcutter”, que abriu o show dos caras às 14h10.
    Bury Tomorrow
    Daniel Winter-Bates (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    Aliás, exceto por “Choke”, toda a apresentação dos caras foi feita de singles, o que deve ter deixado bem felizes os fãs brasileiros entre os 86 mil inscritos no canal da banda no YouTube. Fãs esses que se misturavam em meio aos do Testamente naquele momento, mas davam as caras quando o vocalista Daniel Winter-Bates gritava que eram uma banda de metal e queriam a movimentação da galera. Os demais apenas observavam com respeito ou agitavam por alguns riffs do metalcore com pitadas de industrial, advindas do teclado de Tom Prendergast, que por vezes lembrava algo do Fear Factory mais atual.
    Bury Tomorrow
    Ed Hartwell (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    A banda toda é bastante técnica e agitada, mas ainda falando do Tom, o músico também performa todos os vocais limpos da banda, lá atrás, fora dos “holofotes”, diferentemente de Daniel. E de todo seu show, claramente a música que teve mais reações positivas dos fãs foi “Cannibal”, faixa-título do sexto álbum dos ingleses, lançado em 2020. Mas é fato que, por mais agitada e tecnicamente boa, com um show impecável, tocar para uma maioria absoluta de um público que não é o seu e ainda sob um sol que derretia o Ice Stage e todos os presentes, com direito até a comentário do vocalista Daniel sobre tamanho calor, não foi mesmo das missões mais fáceis da vida do Bury Tomorrow.
    Bury Tomorrow
    Davyd Winter-Bates (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    THE WINERY DOGS Por Antônio Carlos Monteiro Se você olhar friamente, a presença de uma banda puramente setentista num festival que tem como foco principal o heavy metal poderia deixar o power trio americano mais deslocado do que Pilatos no Credo. Poderia se essa banda não se chamasse The Winery Dogs. Acontece que músicos do gabarito de Ritchie Kotzen (guitarra e vocal), Billy Sheehan (baixo e vocal) e Mike Portnoy (bateria e vocal) têm talento e experiência suficientes para se apresentar em qualquer ambiente. E não foi diferente no Summer Breeze, mesmo escalado entre shows de Testament e Kreator, que aconteceram no palco ao lado, respectivamente antes e depois da apresentação do trio. Com três discos lançados, a banda começou com Gaslight e Xanadu, ambas do mais recente e menos inspirado III (2023). E foi justamente nelas que apareceu o único problema de som do show: o bumbo de Portnoy estava excessivamente alto, cobrindo parte dos outros instrumentos e gerando certo desconforto por conta de sua frequência – especialmente na primeira música, em que ele usa e abusa do pedal duplo.
    The Winery Dogs
    Billy Sheehan e Richie Kotzen (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    Corrigido o problema, o que se viu foi uma aula não apenas de técnica, mas de como se levar um show de rock. Tudo bem que Kotzen mostra-se o tempo todo bastante compenetrado (algo mais que compreensível, afinal ele responde por voz e guitarra!), mas Sheehan e Portnoy estavam completamente relaxados em cena, tocando com a eficiência absurda que possuem e ao mesmo tempo rindo e interagindo entre si e com a plateia. O Winery Dogs é uma banda de monstros nos seus respectivos instrumentos, mas é impossível deixar de se impressionar com a técnica de Billy Sheehan. O baixista usa todos os recursos possíveis e imagináveis (harmônicos, tappings, acordes) sempre em favor da música e conseguindo um resultado que impressiona até quem está acostumado a acompanhar o trabalho de grandes músicos. Em determinado momento, quando fez um curto solo, Sheehan chegou a ser aplaudido no meio da execução.
    The Winery Dogs
    Richie Kotzen (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    Mike Portnoy, por sua vez, é um poço infinito de criatividade e não à toa se tornou influência para toda uma geração de bateristas ao redor do mundo – e no caso do Winery Dogs ainda contribui com backing vocals eficientíssimos. Já Kotzen é cérebro e alma da banda. Além de mostrar grandes atributos enquanto vocalista (alcançou agudos impressionantes em alguns momentos), toca com muito feeling e técnica refinada. O fato de usar apenas os dedos proporciona a ele toda uma série de recursos em que a palheta acaba funcionando como limitadora, além de escolher timbres que beiram a perfeição.
    The Winery Dogs
    Mike Portnoy (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    Com esses atributos, mais a competência individual de cada músico e, principalmente, um repertório agradabilíssimo, não demorou para a galera ser conquistada pela banda e até alguns que esperavam por Mille Petrozza & Cia. foram vistos aplaudindo o Winery Dogs com entusiasmo. Nada mais justo. AVANTASIA Por Daniel Dutra Impressionante. Talvez seja esta a melhor maneira de resumir a força do Avantasia no Brasil, e os momentos que antecederam a apresentação do mais que bem-sucedido projeto de Tobias Sammet foram sintomáticos. Situando: havia uma pista VIP nos dois palcos principais (Hot Stage e Ice Stage) – e realmente VIP, por se tratar de um espaço muito menor do que o normal – em que o público que adquiriu o Summer Lounge Card, obviamente pagando algumas taxas Selic a mais, podia assistir aos shows. Pois bem, antes mesmo de o Kreator terminar sua apresentação no palco ao lado, o local já estava completamente tomado. E estava tão abarrotado que várias pessoas sequer esperaram o show chegar a sua metade para conseguir respirar melhor num espaço mais aberto. Ainda assim, o local continuou uma catarse coletiva do início ao fim da apresentação de Sammet e companhia, formada por Sascha Paeth e Oliver Hartmann (guitarras), Michael “Miro” Rodenberg (teclados), André Neygenfind (baixo) e Felix Bohnke (bateria), além das backing vocals Chiara Tricarico e Adrienne Cowan e dos vocalistas convidados da vez: Ralf Scheepers (Primal Fear), Bob Catley (Magnum), Ronnie Atkins (Pretty Maids), Herbie Langhans (Firewind) e Eric Martin (Mr. Big) – este ainda deve ter escutado do fiscal da alfândega um “você de novo por aqui?”.
    Avantasia
    Tobias Sammet (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    E quando eu falo em catarse do início ao fim, tenha em mente que de “Twisted Mind”, que abriu o show apenas com Sammet nos vocais, ao combo “Sign of the Cross/The Seven Angels”, com a turma inteira no palco para fechar a noite de gala dos fãs de power metal melódico,  o entusiasmo – leia-se público cantando e/ou pulando como se não houvesse amanhã – foi sempre acima da média. Scheepers foi o primeiro a dar as caras, dividindo os vocais em “Reach Out for the Light” e “The Wicked Rule the Night”, esta a única oriunda do novo álbum, “A Paranormal Evening With the Moonflower Society” (2022), e cuja versão em estúdio já conta com o frontman do Primal Fear. Não à toa, Sammet jogou com o regulamento embaixo do braço ao privilegiar dois dos álbuns mais aclamados pelos fãs do Avantasia: “The Metal Opera” (2001), o pontapé inicial do que um dia foi apenas um projeto daquele jovem vocalista do Edguy, e “The Scarecrow” (2008). De fato, os dois trabalhos renderam alguns dos melhores momentos da noite, como “Farewell”, com a belíssima participação de Chiara – que já havia brilhado ao lado de Catley em “The Story Ain’t Over” – e, claro, a sempre aguardadíssima “Sign of the Cross”, emendada em “The Seven Angels”, do segundo disco, “The Metal Opera Part II” (2002).
    Avantasia
    Ralf Scheepers e Tobias Sammet (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    “The Scarecrow”, por sua vez, ganhou um ar ainda mais emocionante pela participação do sempre ótimo Atkins, que vem lutando desde 2021 contra um câncer estágio 4 no pulmão – a doença foi diagnosticada em 2019, e o vocalista do Pretty Maids se livrou dela no ano seguinte, depois de 33 sessões de radioterapia e quatro de quimioterapia, mas o câncer infelizmente voltou. Com Sammet fora do palco – “Eu preciso sair para dar uma mijada” –, “Shelter from the Rain” foi muito bem representada pelas vozes de Scheepers, Langhans e Catley, sendo que o veterano vocalista do Magnum ganhou uma justa reverência do anfitrião: “Sei que muitos garotos estão aqui para ver o Parkway Drive, e não tem nada de errado nisso, mas quero dizer que se não haveria Avantasia se não existisse o Magnum”. Que isso tenha servido para que muitos fãs de power metal melódico, especialmente os mais jovens, tenham chegado em casa e ido conferir a banda britânica em plataformas de streaming (porque é assim que funciona hoje em dia…). Claro, não foram apenas esses os destaques, até porque o Avantasia mostra que se sai muito bem – até melhor, eu diria – quando abandona os clichês do gênero, aqueles carregados por dois bumbos e que deixam as bandas todas soando de maneira genérica. A primeira prova disso foi a excelente “Book of Shallows”, na qual Atkins dividiu o brilho com Adrienne, responsável com louvor pelas partes cantadas originalmente pelo líder do Kreator, Mille Petrozza.
    Avantasia
    Sascha Paeth, guitarrista e também produtor do Avantasia (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    E teve, também, “a boca do Mr. Big”, como Sammet anunciou Martin. E o sempre simpático – e boa-praça, realmente – vocalista engrandeceu “Dying for an Angel”, cuja versão de estúdio tem Klaus Meine (Scorpions), ao emprestar seu carisma e, ainda melhor, e aquela voz hard rock embebida pelo blues rock. E isso valeu até para o ‘theme song’ “Avantasia”, outra que arrepiou os cabelos dos braços (ou da nuca) dos fãs. No fim das contas, Sammet estava certo. Havia garotos para assistir ao show do Parkway Drive, mas havia muito, mas muito mais gente para prestigiar o Avantasia. Enquanto o Hot Stage não ficou nem com metade do público que estava no local, uma massa de camisas pretas atravessa a passarela para o outro lado do Memorial da América Latina, onde o Stratovarius estava prestes a começar seu set no Sun Stage. Tipo uma sobremesa power metal melódico depois do prato principal.

    SUN STAGE 

    VELVET CHAINS Por Heverton Souza A banda Velvet Chains ganhou a missão de abrir o Sun Stage às 11h do domingo com seu som combinando grunge e hard rock, lembrando em muito um Nickelback antes de se entregar de vez ao pop. Com uma formação desde brasileiro, chileno a americano, o quinteto formado em Las Vegas, no ano de 2018, mostrou muita simpatia e muita energia em seu show, apresentando as músicas de seu álbum de estreia “Icarus” (2021) e do EP “Morbid Dreams”, lançado em 2022.
    Velvet Chains
    Burton Car, Ro Viper, Jason Hope, Larry Cassiano e Nils Goldschmidt (Foto: Rapha Garcia)
    Mas o Velvet Chains não contava com um gigante, ou melhor, com o maior obstáculo para dominar o público naquele momento: o sol! As temperaturas passavam dos 20 °C logo cedo, mas a sensação térmica chegava a até os 28 °C e muitos foram buscar sombras nos espaço do Memorial da América Latina, deixando parte do público distante do show. Ainda assim, a banda cumpriu seu papel não apenas divulgando seu trabalho, como agraciando os presentes com uma interessante versão de “Suspicious Mind”, clássico de Elvis Presley e um cover de “Even Flow”, dos grunges do Pearl Jam. Mas infelizmente o Sun Stage levou muito a sério seu título naquela manhã. PROJECT46 Por Heverton Souza Em se tratando de metal moderno e público rejuvenescido, chamar o Project46 para a edição brasileira de um festival como o Summer Breeze, que tem uma proposta que vai do clássico ao atual, é jogo ganho. Já é sabido como o show do “metal descarrego” da banda é intenso para seus fãs e não foi diferente nesse início de tarde de domingo no Sun Stage. O quinteto formado por Caio MacBeserra (vocal), Vinicius Castellari e Jean Patton (guitarras), Baffo (baixo) e Betto Cardoso (bateria), colocou toda sua experiência de 15 anos de estrada para mostrar que quando tem seu público presente, eles mandam e desmandam na p*rra toda!
    Project46
    Caio MacBeserra e Jean Patton (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    O set começou indo na história da banda, voltando em seu primeiro full length “Doa a Quem Doer” com as faixas “Atrás das Linhas Inimigas”, “Violência Gratuita” e “Dor”. Aqui, com os comandos de Caio, as rodas já estavam feitas. Aliás, é impressionante como o vocalista conduz “o caos”, seja convocando rodas ou a famosa “wall of death” outras interações com o público. Mas nem precisava de tanto, afinal, impossível o fã resistir a cair numa roda de moshpit ao ouvir pedradas como “Corre”. Mas não é apenas o vocalista que se destaca, seja pela performance ou por seus vocais que viajam facilmente entre os guturais e rasgados.
    Project46
    Baffo (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    Músicas como “Pode Pa” mostraram toda a técnica da banda, com destaque para o feeling em solo dos guitarristas Vinicius e Jean e à toda execução de arranjos do ninja drummer Betto Cardoso. E o que teve de gente batendo cabeça no riff final dessa música seria de causar inveja à muitas bandas gringas se estivessem ali assistindo. O mesmo pode ser dito de “Foda-se (Se Depender de Nós)” que tirava o refrão da garganta dos fãs. Talvez o momento menos interessante para os não fãs, que estava ali também curtindo o show, tenha sido o lado “bom moço” exposto em “Rédeas”, uma das músicas do álbum “Tr3s”. Mas não teve como não notar vários fãs catando o refrão melodioso sem pudor algum.
    Project46
    Caio MacBeserra e Jean Patton (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    Vale citar ainda que Caio deixou claro que a apresentação estava sendo filmada para um futuro registro. Vamos aguardar! Metalcore, deathcore, defina como quiser, pois o que vale é que a sessão de descarrego do show do Project46 é garantida. FINNTROLL Por Antônio Carlos Monteiro Os finlandeses do Finntroll podem ser considerados únicos por vários aspectos. E o principal talvez seja o fato de, a despeito da origem da banda, cantarem em sueco, ideia trazida pelo antigo vocalista, Jan “Katla” Jämsen, que é de uma região da Finlândia em que se fala esse idioma. Só que, independente disso, o que conta é que o black/death com muitas melodias folk que move o som do grupo tem seus seguidores por aqui, que foram conferir a apresentação do Finntroll debaixo de um sol inclemente – tanto que não demorou para boa parte do público procurar algumas das poucas sombras que havia no apropriadamente chamado Sun Stage para se abrigar.
    Finntroll
    Mathias “Vreth” Lillmåns (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    Veterana, a banda sabe exatamente o que fazer para agradar o público. As bases orquestrais se fundem com eficiência ao instrumental pesado, criando melodias, acredite, muito dançantes – tanto que tinha um punhado de gente se esbaldando na plateia. Com corpse paint e usando orelhas de elfos, os músicos entregaram um show de extrema competência, especialmente os guitarristas Samuli “Skrymer” Ponsimaa e Mikael “Routa” Karlbom – este último, além da cara de mau, ostentava um singelo coelhinho de pelúcia em cima do amplificador.
    Finntroll
    Mikael “Routa” Karlbom e Samuli “Skrymer” Ponsimaa (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    Mas o destaque mesmo vai para o vocalista Mathias “Vreth” Lillmans. Além da ótima presença de palco e de manter a plateia na mão durante todo o show, mostrou imensa versatilidade vocal: ia do drive ao gutural extremo, passando pela voz natural com grande eficiência, provando ser competente em todas as formas de cantar. Pena que no meio do show começava a apresentação do Testament em um dos palcos principais, o que fez com que boa parte da galera debandasse para lá. Mas a banda pouco se importou e manteve o mesmo pique até o final. Ótimo show de uma ótima banda.
    Finntroll
    Mathias “Vreth” Lillmåns (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    Beast in Black Por Leandro Nogueira Coppi Algo muito legal de se notar na edição de estreia do Summer Breeze foi que, ao menos no que diz respeito a shows, o radicalismo ficou no passado. Foi-se o tempo em que víamos, por exemplo, babacas praticamente expulsando um Skid Row da vida do palco do Monsters of Rock (edição de 1996), ou literalmente dando as costas para um Tristania em festival que no mais só teve banda mais agressiva. Tanto é que dessa vez o próprio Skid Row foi bastante respeitado e aplaudido pelo público. O Beast in Black, então, foi além, pôs muita gente na pista do Sun Stage para dançar, inclusive pessoas com camisetas de metal extremo. Apesar da pegada e do visual serem heavy metal, muitas músicas tocadas pela banda finlandesa formada pelo ex-guitarrista do Battle Beast, Anton Kabanen, ofereciam referências diretas de AOR, hard rock e certo viés retro-wave, soando dançantes e com refrãos chiclete. Até mesmo os músicos do Finntroll que haviam acabado de tocar no mesmo palco, estavam no meio do público curtindo o show dos conterrâneos.
    Beast in Black
    Máté Molnár, Kasperi Heikkinen e Yannis Papadopoulos (Foto: Wel Penilha)
    Atualmente, o grupo divulga o seu terceiro álbum de estúdio, “Dark Connection”, que, por acaso, foi lançado em 29 de outubro de 2021, dia do aniversário desse que vos escreve. Com uma temática inspirada no mangá Berserk, escrita e ilustrada pelo já falecido Kentaro Miura, além de jogos de RPG, o Beast in Black se mostrou uma banda muito mais interessante ao vivo do que em estúdio, onde soa exageradamente polida e não tão dançante. Confesso que, por isso, seus discos me passaram batido de audições mais apuradas. Já no show, não tinha como não abrir um sorriso vendo a banda agitar a pista com músicas como “Sweet True Lies”, “Moonlight Rendezvous”, “Hardcore” e, principalmente, as ótimas “From Hell with Love”, “Blind and Frozen” e “One Night in Tokyo”, curiosamente, uma de cada disco do grupo – “Berserker” (2017), “From Hell with Love” (2019) e o mencionado “Dark Connection”.
    Beast in Black
    Máté Molnár e Kasperi Heikkinen (Foto: Wel Penilha)
    Com muita simpatia, Yannis Papadopoulos, vocalista grego que lembra muito o saudoso ator e humorista Paulo Gustavo, e que trajava um visual estilo Pinhead, personagem principal da franquia de terror “Hellraiser”, roubou a cena. Em seu rosto, era nítida a felicidade com a receptividade do acalorado público brazuca que se divertiu do começo ao fim com o show do Beast in Black, grupo completado por Kasperi Heikkinen (guitarra), Mate Molnar (baixo) e Atte Palokangas – esse, um trator na bateria. Conversando com várias pessoas, era curioso que muitas delas nem sabiam que o Beast in Black já havia passado pelo Brasil em 2022 abrindo para o Nightwish. Bem, essa é uma das vantagens de um festival feito o Summer Breeze, conhecer o show de bandas que certamente passariam batidas de nossos interesses, mas que a partir de então despertam a vontade de vê-las numa próxima oportunidade. Isso vale para você que não esteve no festival mas que ficou curioso (a) lendo esse ‘review’, e que, acima de tudo, curte se divertir e é pré-disposto (a) a ampliar seus conhecimentos musicais. Se se identificou, anote o Beast in Black em sua agenda e não perca quando o grupo retornar ao Brasil.
    Beast in Black
    Kasperi Heikkinen, Yannis Papadopoulos e Anton Kabanen (Foto: Wel Penilha)
    Napalm Death Por Heverton Souza Muitos entre o público questionavam como o maior nome do grindcore mundial e um dos nomes clássicos de todo o festival, tocaria no Sun Stage, que se caracteriza como menor, mais intimista, e ficava distante dos outros palcos. Mas fato é que o show do Napalm Death pede por uma coisa mais underground até para o seu caos sonoro atingir a todos presentes na mesma medida. E convenhamos, para um repórter, uma apresentação dos caras é trabalho zero, pois o citado caos vai de ponta a ponta. Napalm Death Barney Greenway (Foto: Arthur Waismann)Pouco antes das 18h30, horário previsto para o show, era possível ver os músicos sobre o palco fazendo os últimos ajustes, sem qualquer estrelismo. Mas quando começou, uma estranheza de cara: a ausência da cabeleira de samambaia do vocalista Shane Embury. Ao microfone, Barney não deu muitos esclarecimentos, apenas citou que o músico não passou bem e não pode vir para o Brasil. Em seu lugar, o roadie da banda assumiu o baixo e, claro, não é o carisma do Shane, mas cumpriu a missão. E com John Cooke e Danny Herrera completando o time, tivemos um show de 20 musicas em uma hora de apresentação.
    Napalm Death
    Barney Greenway (Foto: Arthur Waismann)
    E mesmo com a banda ainda divulgando “Throes of Joy in the Jaws of Defeatism”, um de seus melhores discos, tivemos uma verdadeiro resumo da história musical de 36 anos do Napalm Death, contados desde o full length “Scum”, de 1987. Dentre os destaques, “Backlash Just Because”, single do já citado “Throes of Joy…”, “Contagion”, obviamente o clássico “Scum”, “Suffer the Children”, com direito a um discurso ácido de Barney contra as religiões, os divertidos “sustos” musicais de segundos “You Suffer” e “Dead”, com Greenway inclusive zoando que a segunda é muito diferente da primeira, “Nazi Punks Fuck Off”, o cover do Dead Kennedys que já é praticamente uma música do Napalm, e Siege of Power que encerrou o show.
    Napalm Death
    Barney Greenway (Foto: Arthur Waismann)
    Duas observações: diferente do que vemos no metal, as rodas do Grindcore do Napalm Death eram constantes e sem nenhum pedido/convocação pra elas. Todas aconteciam naturalmente como se fosse a coreografia obrigatória do show. E claro, a performance de Mark “Barney” Greenway, que mesmo com seus 53 anos, continua agitando como se tivesse formigas pelo corpo. Stratovarius Por Daniel Dutra Aconteceu no sábado, aconteceu no domingo. Apesar da saudável diversidade de estilos, uma prática comum nos festivais de verão na Europa, a verdade é que o público brasileiro, em sua maioria, deixou clara a sua preferência por um DNA não apenas 100% heavy metal, independentemente do subgênero, e, mais ainda, uma aptidão pelo mais clássico, digamos assim, em detrimento do mais moderno e/ou alternativo, digamos assim, também. No primeiro dia, na estreia da edição brasileira do Summer Breeze, o Accept tocou para um grande público no Sun Stage, palco secundário, enquanto o Stone Temple Pilots tinha uma recepção basicamente fria no Ice Stage, um dos dois palcos principais. No segundo, o Stratovarius quebrou o recorde de público do Sun Stage – sério, não cabia mais uma mosca sequer no local – enquanto o Parkway Drive estava no Hot Stage, o segundo dos palcos principais, diante de um público inversamente proporcional.
    Stratovarius
    Timo Kotipelto (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    A solução para o “problema” não é tão simples, com detalhes que fogem ao conhecimento do público, e como Timo Kotipelto (vocal), Matias Kupiainen (guitarra), Jens Johansson (teclados), Lauri Porra (baixo) e Rolf Pilve (bateria) não tinham nada a ver com isso, o Stratovarius cumpriu muito bem o seu papel, apesar de uma plateia visivelmente cansada da maratona de shows – leve em consideração que a esmagadora maioria do público presente foi aos dois dias do festival. Com um som muito bem equalizado, só que mais baixo do que deveria, o quinteto acabou pagando o preço por não abrir mão, numa aposta correta, do material pós-Timo Tolkki: sete das 14 músicas do set foram de 2009, sendo que quatro saíram do álbum mais recente, o agradavelmente surpreendente “Survive” (2022). Com os pés doendo, a voz já rouca e os braços pesados, os fãs queriam mesmo era ouvir as canções antigas.
    Stratovarius
    Matias Kupiainen (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    Uma pena, porque as recém-saídas do forno “Survive”, “Broken”, “Frozen in Time” e “World on Fire” – especialmente as duas primeiras – mereciam uma saudação mais calorosa do público, uma vez que mostram tanto a banda finlandesa saindo da zona de conforto quanto ratificam a melhor formação que o Stratovarius já teve, e que está junta desde 2012, quando Pilve substituiu Jörg Michael. E vou além: o medley instrumental com “Stratosphere”, de “Episode” (1996), e “Holy Light”, de “Visions” (1997), jogou mais uma vez na cara dos fãs xiitas como Tolkki é tecnicamente superestimado. Sim, o mérito é sempre maior para o criador, mas já em “Eagleheart”, que acendeu os ânimos da plateia, Kupiainen mostrou sua capacidade de melhorar o que hoje é clássico. Pode até tocar o original nota por nota, mas tem timbre e pegada muito melhores. Isso valeu para os grandes destaques da noite, “Speed of Light”, “Paradise”, “Father Time” e “Black Diamond”, enquanto “Forever” e “Hunting High and Low” tiveram um único dono: Kotipelto, um frontman cada vez melhor e cuja voz envelheceu realmente bem, ainda mais se tratando de um gênero em que tons altos são uma constante.
    Stratovarius
    Jens Johansson (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    Resumo da ópera, o Stratovarius fez um show correto, com um set muito bem equilibrado – especialmente para quem é fã de fato da banda, não apenas de determinada fase – e executado . Porém, ficou a sensação de que a energia do público para o palco teria sido melhor caso a banda estivesse num local fechado ou mesmo tivesse tocado mais cedo num dos palcos principais. Ainda assim, que tenha sido uma amostra de que o caminho seguido em “Survive” seja trilhado por mais tempo.

    WAVES STAGE 

    BITTENCOURT PROJECT Por Antônio Carlos Monteiro Rafael Bittencourt vem vivenciando um momento interessante em sua carreira. Assumiu um merecido e autêntico protagonismo no Angra, tornou-se youtuber de sucesso no canal Amplifica que, por sinal, estava com uma área no evento. Nesse contexto todo, nada mais natural que voltasse a atuar com seu Bittencourt Project, trabalho que funde rock, música regional, progressivo, erudito e o que mais lhe passar pela cabeça. Pode parecer uma salada de difícil digestão, mas não é. O talento de Rafael como compositor e a banda competentíssima que montou provaram isso no Waves Stage. O repertório foi baseado no único álbum de estúdio da banda até aqui, Brainworms I (2008) e Rafael (guitarra, violão e vocal), Amon Lima (violino), Fernando Nunes (baixo), Marcell Cardoso (bateria) e Davi Jardim (teclados) esbanjaram talento em cena.
    Bittencourt Project
    Rafael Bittencourt (Foto: Arthur Waismann)
    Apenas o percussionista Wellington Sancho ficou devendo porque, além de seus instrumentos desaparecerem sob a massa sonora promovida pelo restante do grupo, ele, empolgadíssimo, se afastava do microfone e perambulava pelo palco, interagia com os outros músicos e instigava a plateia. Um ótimo showman, pena que colocou sua performance musical em segundo plano. Por outro lado, muitos podem torcer o nariz para Amon Lima pelo trabalho com a Família Lima, mas é inegável atestar o músico fantástico que é. Um irritante ruído que acompanhou a segunda música, Nightfly, quase em sua totalidade foi um dos dois problemas enfrentados pela banda. O outro, no microfone de Rafael, acabou gerando um improviso rápido e muito interessante entre ele, Amon e Fernando Nunes.
    Bittencourt Project
    Wellington Sancho (Foto: Arthur Waismann)
    No mais, foi uma apresentação que valorizou principalmente o Rafael Bittencourt vocalista, função para a qual tem talento de sobra e vem mostrando isso cada vez mais no próprio Angra. Mas o Rafael “heavy metal” estava lá, é claro, como ficava evidente em cada solo de guitarra. O desfecho foi sensacional com War Pigs da Porteira, que nada mais é que War Pigs, do Black Sabbath, com a letra de Menino da Porteira – e é impressionante como a métrica cabe certinho! Além de ser bastante interessante conferir essa outra faceta de Rafael, foi um show extremamente agradável, daqueles que você curte e nem sente o tempo passar.
    Bittencourt Project
    Amon Lima e Fernando Nunes (Foto: Arthur Waismann)
    VIXEN Por Ricardo Batalha Para conferir a primeira aparição da banda americana de hard rock Vixen no Brasil, os fãs tiveram que deixar de lado shows de Bury Tomorrow, Finntroll e Testament, este último mais devido ao atraso para o começo da apresentação no Waves Stage. Lorraine Lewis (vocal), Britt Lightning (guitarra), Julia Lage (baixo) e Roxy Petrucci (bateria), além do tecladista Raymond Whitlock, estavam passando o som e fazendo os ajustes no palco já com a presença do público. Muitos, por sinal, fanáticos. Das meninas que prestam tributo ao Vixen a fãs de hard 80s, todos estavam aguardando este momento há tempos. Porém, precisaram de muita paciência, já que o soundcheck demorou um pouco. A brasileira Julia Lage, baixista e esposa de Richie Kotzen, que está na banda desde o ano passado, até falou em português com o público e brincou com Lorraine Lewis, quando a ex-vocalista do Femme Fatale arriscou algumas palavras. “Aprendi bem?”, disse ao olhar para Julia. Com o som “ajustado”, elas deixaram o palco e então começou “Yankee Rose” (David Lee Roth) nos PAs. Era a deixa para a entrada oficial da banda, que começou o show com “Rev It Up”, faixa-título do segundo álbum, de 1990.
    Vixen
    Lorraine Lewis (Foto: Diego Padilha)
    Lorraine Lewis estava usando uma espécie de casaco com a bandeira do Brasil e dava para ver a felicidade de todas no palco. O som, no entanto, ainda estava sendo ajustado. Como este que vos escreve já tinha visto a Vixen ao vivo no Monsters of Rock Cruise de 2020, sabia que o set teria a presença de músicas do Femme Fatale e então, logo em seguida, elas mandaram “Waiting for the Big One”. “How Much Love”, outra de “Rev It Up”, também agradou e foi seguida da acelerada “Cruisin’”. É interessante ver a postura de palco tipicamente rocker e a competência técnica. Não há samplers, efeitos e inteligência artificial por trás, tudo que se ouve está sendo executado, inclusive os muito bem colocados backing vocals. O hit “Cryin’”, faixa do debut “Vixen” (1988) e composta por Gregg Tripp e pelo tecladista Jeff Paris, fez os fãs voltarem aos bons tempos da MTV, pois o clipe passava com frequência.
    Vixen
    Britt Lightning e Julia Lage (Foto: Diego Padilha)
    Com Lorraine Lewis jogando seu microfone de uma mão para a outra e o jeitão Tommy Lee de Roxy Petrucci na batera, além de Britt Lightning detonando em riffs e solos, e Julia Lage classuda no baixo e mandando bem nos vocais, o repertório seguiu com um divertido medley com “Runnin’ with the Devil” (Van Halen), “I Want You to Rock Me” (Vixen), “What You’re Doing” (Beatles), “War Pigs” (Black Sabbath) e “Still of the Night” (Whitesnake). Depois foi a vez de “Love Made Me”, do debut, e a acelerada “Streets in Paradise”, de “Rev It Up”. Voltando ao debut veio “Hell Raisers”, seguida por outros covers, começando por “You Oughta Know By Now”, de Ray Kennedy e gravada pela Vixen em “Live Fire” (2018); “Falling in and Out of Love”, outro hit do Femme Fatale; e “Ain’t Talkin’ ‘bout Love”, do Van Halen. Deu para notar que Britt Lightning realmente curte o trabalho do saudoso Eddie Van Halen.
    Vixen
    Julia Lage e Lorraine Lewis (Foto: Diego Padilha)
    Todo mundo já estava mais que satisfeito e realizado, mas faltava alguma coisa. Claro, “Edge of a Broken Heart” veio para colocar números finais no show no Auditório Simón Bolívar. Contentes e atenciosas, Lorraine, Britt, Julia e Roxy atenderam fãs para fotos e autógrafos. Porém, elas ainda tinham uma missão extra muito importante no mesmo dia, pois a Vixen ainda faria a “After Party” do festival, tocando na Audio. Muitos que não foram ao Summer Breeze compareceram. Mas, de diferente, só o som cristalino em toda a apresentação e o fato delas terem incluído “Love is A Killer” no repertório noturno, com Julia no vocal principal das primeiras estrofes. “Valeu demais, foi muito massa! Já queremos voltar”, disse a baixista à ROADIE CREW, certa de que a passagem por aqui foi um sucesso. “Demorou demais pra elas irem (para o Brasil), mas agora espero ter desencantado”, brincou. SIMONE SIMONS Por Mayara Puertas (Torture Squad), especial para a ROADIE CREW “Foi um prazer imenso estar ao lado da Simone Simons no Summer Breeze. Vínhamos conversando há alguns dias, alinhando os detalhes da palestra. Eu estava muito nervosa, mas Simone foi simpática e todo o tempo me encorajava. Foi a primeira experiência de ambas em um formato como este. “Falamos sobre sua carreira de mais de 20 anos à frente do Epica, mas também sobre sua rotina como mãe e influencer de beleza. Trocamos experiências como vocalistas de metal e procuramos passar uma imagem positiva para novas cantoras que devem apoiar umas as outras. “Ela foi muito receptiva com as perguntas do público. Notava-se a presença de pessoas de diversos países, e ela foi além da palestra, tirando fotos com os fãs e distribuindo autógrafos.”
    Simone SImons
    Simone Simons e Mayara Puertas (Foto: Alessandra Tolc)
    ELECTRIC GYPSY Por Antônio Carlos Monteiro O concurso New Blood, que selecionou uma banda para se apresentar no Summer Breeze, mobilizou centenas de grupos de todo o país – e como integrante do júri posso garantir que a esmagadora maioria era da mais alta qualidade. A escolha, que após uma pré-seleção do júri foi decidida pelo voto popular, recaiu sobre os mineiros do Electric Gypsy – opção até certo ponto surpreendente por se tratar de uma banda que faz um som calcado no hard rock dos anos 70 e 80. O quarteto já tem três discos lançados (dois EPs e um álbum completo) e recentemente correu o país abrindo os shows da turnê que reuniu Paul Di’Anno e Noturnall. Com tudo isso, era de se esperar que uma considerável galera fosse acompanhar a apresentação de Guzz Collins (vocais), Nolas (guitarra), Pete (baixo) e Robert Zimmerman (bateria e que também faz uns backing vocals de qualidade).
    Electric Gypsy
    Nolas e Guzz Collins (Foto: Arthur Waismann)
    Não foi o que se viu. Um público bastante reduzido (mas animadíssimo, é bom salientar) acompanhou a apresentação do quarteto. Perdeu quem não foi. Pra começar, o grupo tocou como se o lugar estivesse abarrotado, não economizando em performance e comunicação com a galera, o que prova que profissionalismo não falta aos músicos. Com uma ótima qualidade de som desde o início, o grupo desfilou temas de seus três trabalhos, com destaque para todas as faixas de seu último e excelente EP, Stars. O Electric Gypsy é uma banda coesa e muito bem ensaiada, com uma cozinha firme e cheia de groove, um guitarrista talentoso e que conhece todos os truques do hard rock e um vocalista carismático, que tem ótimo alcance, afinação irrepreensível e boa comunicação com a plateia.
    Electric Gypsy
    Robert Zimmerman (Foto: Arthur Waismann)
    Lá pelas tantas, a banda tocou o cover de Hot for Teacher, do Van Halen, numa versão muito competente, mas que bota a gente pra pensar: para que tocar um cover se podiam apresentar outra música própria? Enfim, são opções pessoais e intransferíveis. GuGuzz, Nolas, Pete e Robert saíram de cena debaixo de merecidos aplausos – que, numa próxima oportunidade, tomara que venham de muitas mãos mais. SINISTRA Por Antônio Carlos Monteiro A história desta superbanda todo mundo conhece: Nando Fernandes (vocal) e Edu Ardanuy (guitarra) começaram a pensar em um projeto conjunto há alguns anos e em 2018 foi anunciada a criação da Sinistra – completa com Luis Mariutti (baixo) e Rafael Rosa (bateria). Alguns problemas, pandemia à frente, acabaram adiando o lançamento oficial do quarteto, que só veio a ocorrer no final do ano passado quando saiu, com direito a coquetel e pocket show, o excelente álbum que leva o nome da banda. De lá para cá, a Sinistra vem conseguindo mostrar em ótimos shows que é possível fazer heavy metal com letras em português, como aconteceu na noite do último dia do Summer Breeze. A banda foi escalada para o Waves Stage, local de acesso permitido apenas a quem havia adquirido um determinado tipo de ingresso, e rivalizou em termos de horário com Parkway Drive e Stratovarius, o que talvez explique o público razoável mas muito menor do que merecia a banda.
    Sinistra
    Luis Mariutti e Nando Fernandes (Foto: Alessandra Tolc)
    Após uma introdução em áudio e vídeo, a banda começou a desfilar o repertório, em sua totalidade composto por músicas de seu único disco. Nando, como sempre, explicou o conteúdo de cada uma das letras e assim foram apresentados temas como Mente Vazia, a ótima Viver, Santa Inquisição e O Amanhã, entre outros. No meio da apresentação, Nando comentou que estava com dengue, o que transformou sua performance em algo quase heroico. No final, uma “invasão” de palco: Ivan Busic (Dr. Sin) cumprimentou os músicos, pediu o microfone e disse que “esse foi o melhor show do Summer Breeze!” Bem, se não foi, ficou entre os melhores. E comprovou o que já se sabia: a Sinistra é uma banda para ser acompanhada de perto e com muita atenção.
    Sinistra
    Eduardo Ardanuy (Foto: Alessandra Tolc)
    EVERGREY Por Daniel Dutra Coube ao Evergrey oferecer a saideira da primeira edição brasileira do Summer Breeze, e o que a banda sueca fez foi dar uma saborosa palinha do que deve fazer em novembro próximo, quando retorna ao país para uma turnê – informação do próprio Tom S. Englund durante a apresentação no Waves Stage, ou seja, no Auditório Simón Bolívar, cujo acesso, lembremos mais uma vez, era restrito àqueles que gastaram algumas centenas de R$ a mais, em troca de certas benesses, e por isso fizeram a alegria da empresa administradora do cartão de crédito. Enfim, Henrik Danhage (guitarra), Johan Niemann (baixo), Rikard Zander (teclados) e Jonas Ekdahl (bateria) e o vocalista, guitarrista e líder Englund mostraram por que o Evergrey tem o mérito de, quase 30 anos depois de vir ao mundo, ainda se encontra em ascensão e vivendo seu melhor momento – uma fase que coincide com a volta de Ekdahl à banda, em 2014, e recentemente culminou no excelente “A Heartless Portrait (The Orphean Testament)” (2022).
    Evergrey
    Jonas Ekdahl e Tom S. Englund (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    E o novo álbum apareceu no repertório com três de suas faixas, “Call Out the Dark”, “Midwinter Calls” e “Save Us”, todas impecáveis ao vivo, mas com destaque absoluto para a grandiosa “Save Us”, que encerrou a apresentação colocando todo mundo para cantar o refrão – havia um público muito bom no local, sendo que boa parte ignorou as confortáveis cadeiras do teatro para ficar em pé na frente do palco. E aqueles que ficaram sentados ainda foram alvos do bom humor de Englund, que pediu que todos acordassem. Bom humor, diga-se, que sobrou também para quem estava grudando no palco – “Vejam só esse cara! Ele mal consegue ficar em pé!”, disse Englund, referindo-se não necessariamente ao cansaço do sujeito, e sim ao seu estado alcoólico – e até para a própria banda. “Voltaremos em novembro para tocar músicas bem melhores”, disse ele, ao anunciar também que o Evergrey já está trabalhando novo disco. “Acho que vocês vão gostar mais. Ou não… Bom, estou cansado e falando coisas sem sentido.”
    Evergrey
    Henrik Danhage (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    Humildade ou não, o fato é que se quinteto continuar subindo a escada da excelência que vem construindo desde “Hymns for the Broken” (2014), já dá para apostar que vem aí um dos melhores trabalhos de 2023. Até lá, fica a lembrança de um show tecnicamente impecável – do som, provavelmente o melhor de todo o festival, à performance dos músicos, com Englund, que está cantado demais, e Danhage à frente – em que o presente se apresentou em condições de igualdade com o passado. “A Touch of Blessing”, de “The Inner Circle” (2004), e “Recreation Day”, do homônimo álbum lançado em 2003, foram recebidas com enorme entusiasmos por fãs que sabem e, melhor, apreciam o fato de que o Evergrey é uma banda completamente renovada e ainda melhor desde “The Storm Within” (2016), especialmente. O setlist de 12 músicas teve nada menos que nove tiradas dos últimos quatro trabalhos. “Distance” – que abriu a noite escancarando qual é a desse Evergrey atual – e “My Allied Ocean” representaram “The Storm Within” (2016), e “A Silent Arc” e a grudenta “Weightless”, “The Atlantic” (2019). Todas ótimas, mas ouvir “Eternal Nocturnal” e “Where August Mourn” só alimentou a vontade de um dia assistir a um ‘An Evening with Evergrey’, com a banda tocando “Escape of the Phoenix” (2021) e “A Heartless Portrait (The Orphean Testament)” na íntegra. Mas deixemos a utopia de lado enquanto esperamos por uma noite completa com os suecos em novembro.
    Evergrey
    Jonas Ekdahl, Tom S. Englund, Henrik Danhage e Rikard Zander (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
  • SUMMER BREEZE (SÁBADO)

    SUMMER BREEZE (SÁBADO)

    HOT STAGE 

    VOODOO KISS 

    Por Leandro Nogueira Coppi

    Enfim, o Summer Breeze fincou sua marca no Brasil e quem cortou a fita de inauguração foi a banda alemã Voodoo Kiss, que deu início a edição brasileira de estreia. O grupo não é tão conhecido em nosso país, porém tem uma história curiosa. Na bateria, seu fundador, Achim Ostertag, simplesmente o criador do Summer Breeze. Foi por falta de oportunidades para o Voodoo Kiss tocar que há 25 anos Ostertag decidiu criar o festival na cidade de Abtsgmünd. Já o Voodoo foi criado em 1995 e cinco anos depois encerrou atividades. Somente em agosto do ano passado, na cidade medieval da Baviera, Dinkelsbül, a banda voltou a se reunir, como parte do 25° aniversário do Summer Breeze. Ainda em 2022, o grupo aproveitou o fato para também lançar seu homônimo primeiro álbum, gravado em maio do mesmo ano. Além de Ostertag, o Voodoo Kiss é completado pelos cofundadores Marin Beuther (guitarra) e Klaus Wieland (baixo), além do vocalista Gerrit Mutz (Sacred Steel, Angel of Damnation, Dawn of Winter) e da recém-admitida Steffi Stuber, frontwoman da banda Mission in Black e mais conhecida em seu país como caloura no programa The Voice of Germany.

    Achim Ostertag (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    O grupo fez um show curto de abertura do festival, apresentando uma sonoridade bem simples e direta, um ‘rockão’ pé-no-heavy em que os destaques foram os singles “The Beauty and the Beast” e “The Prisoner”. O que ficou nítido é que a função do grupo alemão no palco era algo bem descompromissado, mais como uma celebração e a realização de um sonho de seus integrantes em a banda poder estar em um festival de grande porte fora de seu continente. Fato é que os músicos performavam de modo bastante tímido, principalmente Mutz quando se comunicava com o público, bem como a própria Stuber, que mais olhava em direção aos seus companheiros de banda do que para a plateia.

    De todo modo, o público, em número ainda pequeno nesse primeiro show do dia, parece ter sido conquistado pela simpatia dos músicos. Prova disso é que a banda deixou o Hot Stage sendo bastante aplaudido. E olha que isso foi só uma amostra de que o público que compareceu nos dois dias de festival foi bem caloroso com todas as atrações que pisaram em cada um dos palcos do Summer Breeze. Ponto para o Brasil, que mostrou que o radicalismo (ao menos nos shows) é coisa do passado.

    Gerrit Mutz e Steffi Stuber (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
     

    MARC MARTEL 

    Por Heverton Souza 

    O sol já pegava pesado nessa tarde de sábado quando no Hot Stage a coisa esquentaria ainda mais com a encarnação canadense do Freddie Mercury batizada de Marc Martel. O cara que começou fazendo rock cristão no fim dos anos 1990, ganhou notoriedade na década de 2010 ao fazer covers do Queen na internet, justamente pela similaridade vocal. E depois de levar isso aos palcos ao lado da banda Queen Extravaganza, Martel sai solo pelo mundo com banda na tour One Vision of Queen. Ao som de “Baba O’Riley” (The Who) nos PAs, a banda entra em palco no exato horário das 13h05 com “Tie Your Mother Down” seguida de “Hammer to Fall”. Com sua camiseta do cantor George Michael (que por muitos anos foi apontado como o cara certo para substituir Freddie Mercury no Queen), Marc se apresenta e diz que será um show de hits, pergunta quem na platéia curte Queen e a banda dá início a “Under Pressure”, com o guitarrista Tristan Avakian assumindo a voz de originalmente de David Bowie.

    Marc Martel (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    Era possível notar entre o público que muita gente que iria apenas passar pelo espaço, ali parava e ficava. Comentários como “a voz é idêntica” eram ouvidos a todo momento e se fechassem os olhos, daria pra dizer que o próprio Freddie Mercury estava em palco. E não bastando a voz, Marc ensaiou todos os trejeitos de Mercury, mas não exatamente o imita em nada e carrega sim sua própria identidade, tem total domínio do público e ainda apresenta suas graças como fazer um perfeito moonwalker, do Rei do Pop Michael Jackson.

    Quanto ás músicas, ele não mentiu um show de hits, apesar de muitos mostrarem não conhecerem “Stone Cold Crazy”. E o show por ser curto, ainda deixou de fora uma penca de sucessos da banda. Mas todos puderam cantar com ele clássicos como “Radio Gaga”, “Crazy Little Thing Called Love”, “I Want to Break Free”, “Bohemian Rhapsody”. Em “Another One Bites the Dust” chega até a soltar um vocal gutural por breves segundos, já em “Somebody To Love” regeu um coral do público, inclusive separando as vozes para depois uni-lás. A despedida veio como num show do Queen, com “We Will Rock You” emendada por “We Are the Champions”. Uma experiência arrepiante para quem é fã de Queen e do maior frontman da história do rock.

    Tristan Avakian e Marc Martel (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
     

    SKID ROW

    Por Ricardo Batalha

    A relação do Skid Row com o Brasil já foi do amor ao ódio de 1992 a 1996, quando o grupo americano implodiu após ser massacrado por parte do público no Monsters of Rock. Agora, em mais um exemplo de ressurgimento de uma banda que estava quase esquecida e era lembrada por glórias do passado, a nova fase do Skid Row, com a presença do vocalista sueco Erik Grönwall (ex-H.E.A.T), não só agradou os antigos fãs como vem conquistando novos seguidores. Assim, logo após a homenagem a Andre Matos no Ice Stage, os hard rockers aguardavam ansiosamente a presença de Grönwall, Dave “Snake” Sabo e Scotti Hill (guitarras), Rachel Bolan (baixo) e Rob Hammersmith (bateria) no Hot Stage.

    O Skid Row, que veio ao Brasil pela primeira vez no festival Hollywood Rock em janeiro de 1992 e voltou naquele mesmo ano para fazer mais três apresentações em agosto, começou o set da mesma forma. Assim, como esperado, entraram com a acelerada, agressiva e clássica “Slave to the Grind”. Do mesmo álbum, lançado em 1991, veio “The Threat”.

    Erik Grönwall (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    Pronto, a dúvida estava sanada. Quem teve a chance de ver a performance de Grönwall no H.E.A.T, como no caso deste que vos escreve, já sabia do que ele era capaz. Porém, bastaram duas músicas no Summer Breeze para que todos comprovassem sua competência. Mais que isso, a de que o Skid estava realmente de volta, tocando com a mesma pegada, groove, peso, intensidade e, principalmente, a felicidade dos velhos tempos. E vou além, pois o clamor pelo retorno de Sebastian Bach, após a banda contar com o saudoso Johnny Solinger, Tony Harnell (TNT) e ZP Theart (Tank, Dragonforce), vai se esvaindo. Se naquele mesmo Hot Stage vimos Marc Martel reencarnando Freddie Mercury, Grönwall fez muito bem seu papel de entreter a plateia, agitar e cantar até as notas mais altas gravadas originalmente por Bach. Ele até brincou com o público em certo momento, dizendo em alto e bom som umas palavras que tinha aprendido em português: “Filho da puta”. Brincou também com seus parceiros quando revelou ao público a camiseta por baixo de sua jaqueta com os dizeres ‘Estou cercado de idiotas’.

    Dave “Snake” Sabo e Scotti Hill (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    O homônimo álbum de estreia, lançado em 1989, foi lembrado na sequência formada por “Big Guns” e pelo hino “18 and Life”, uma das mais saudadas do set. Depois, a faceta punk entrou em cena com “Riot Act”, também de “Slave to the Grind”, seguida por outro destaque do debut, “Piece of Me”. Se faltava algo do mais recente trabalho, “The Gang’s All Here” (2022), a faixa “Time Bomb” foi colocada à prova após “Livin’ on a Chain Gang”, mas acabou sendo recebida de forma morna. O panorama mudou com a execução da clássica “Monkey Business”, destacando a bela timbragem das guitarras de Sabo e Hill. Seguindo com outra de “Slave…” que fez muito sucesso no Brasil, nas rádios e na MTV, foi a vez da balada “In a Darkened Room”. Se quisesse, a banda até teria nas mãos outras para dar aquela acalmada no set, como “Wasted Time”“Quicksand Jesus” e “I Remember You”.

    O show estava caminhando para o final quando veio a faixa-título de “The Gang’s All Here”, esta com mais apelo e aquela velha malícia do hard americano. Mantendo a tradição, o encerramento em alta veio com “Youth Gone Wild”, a mais saudada de todo o repertório – entre os músicos, o baixista Rachel Bolan foi o mais ovacionado quando Erik apresentou a banda. Ninguém esperava, mas o Skid Row, que não tocava no Brasil desde 2009, finalmente renasceu e o hard rock mostrou que merece espaço em eventos como este.

    Rachel Bolan (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
     

    LAMB OF GOD

    Por Daniel Dutra 

    Não deixa de ser estranho ouvir que o Lamb of God é um dos grandes nomes da nova geração do heavy metal, uma vez que a banda completará 30 anos em 2024. No entanto, apesar de esse clichê ser eventualmente usado lá e acolá, a verdade é que um dos principais nomes – e talvez o principal – da New Wave of American Heavy Metal se tornou uma grande força também no Brasil, e não seria nada demais ver a banda fechando um dos palcos principais do festival.

    Se alguém duvida, basta dizer que os empolgados de última hora correram para o stand de merchandising e deram com os burros n’água. As camisas do quinteto esgotaram não muito depois do fim do show, com o detalhe de que no dia seguinte ainda havia material de todas as outras bandas disponível para venda. Pudera, Randy Blythe (vocal), Mark Morton e Phil Demmel (guitarras), John Campbell (baixo) e Art Cruz (bateria) passaram como um rolo-compressor pelo ótimo público que aguardava no Hot Stage, o palco principal à direita.

    Lamb of God
    Randy Blythe (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    Rolo-compressor e, também, um verdadeiro bate-estacas, uma vez que o som alto fazia com que cada batida do bumbo fosse uma estaca fincada no peito – entenda: o som estava realmente alto. E se você conhece a música do Lamb of God, sabe bem com os dois bumbos são (muito) utilizados… Antes, porém, o ‘wake up’ de “Memento Mori”, clássico instantâneo do grupo, acendeu o pavio de um show que só não explodiu a cada música porque nem todo material mais recente estava na ponta da língua dos fãs.

    Do homônimo álbum lançado em 2020, “Memento Mori” ficou com todos os holofotes, enquanto “Resurrection Man” serviu mesmo para manter as rodas em dia – rodas que alguns descerebrados acham que servem para sair distribuindo socos, como fez um rapazinho com a camisa do “Master of Puppets”, do Metallica, que botou o galho dentro depois de levar dois safanões muito bem dados.

    Lamb of God
    Mark Morton (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    De “Omens” (2022), o trabalho mais genérico do quinteto, muito em parte pela falta que faz a criatividade de Chris Adler, a faixa-título até causou alguma reação sonora durante o refrão, mas “Ditch” foi apenas mais uma num repertório que, no geral, se mostrou brilhante nos grandes clássicos e em algumas agradáveis surpresas, como “Ruin”, de “As the Palaces Burns” (2003), e “Contractor”, de “Wrath” (2009).

    Só que o melhor mesmo era ver que pouco importava qual música estivesse sendo apresentada para Blythe mostrar por que é um dos melhores frontmen do metal, e já há bastante tempo, enquanto o restante da banda assume com bom gosto o papel de coadjuvante para o vocalista – menção honrosa para Demmel (Vio-Lence), que tem substituído Willie Adler em shows fora dos EUA. Acostumado a quebrar o galho em bandas como Slayer e Overkill, o guitarrista engoliu o titular do posto, que não sai do país de origem porque, dizem as más línguas, não se vacinou contra a Covid.

    Lamb of God
    John Campbell (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    E a julgar pela reciprocidade entre banda e público, não fez falta alguma, principalmente em músicas que estão no rol do melhor do metal contemporâneo. “Walk With Me in Hell” foi recebida com tanto êxtase quanto “Now You’ve Got Something to Die for”, sem contar um desfecho absolutamente arrasador, que incluiu até mesmo uma homenagem ao Sepultura, “banda que todos nós já ouvíamos antes mesmo de sermos o Lamb of God”.

    Cruz, que usava uma camisa da maior entidade do metal brasileiro, ainda puxou “Refuse/Resist”, mas foram “512”, “Laid to Rest” e, especialmente, a espetacular “Redneck” que efetivamente enlouqueceram de vez a massa que estava lá principalmente ou também pelo Lamb of God. E o trecho da letra que diz ‘This is a motherfuckin’ invitation, the only one you could ever need’ mais uma vez fez todo sentido. Que show!

    Lamb of God
    Art Cruz (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
     

    BLIND GUARDIAN

    Por Ricardo Batalha

    De 1998, quando veio pela primeira vez ao Brasil, até a última, ocorrida em 2015, o Blind Guardian realizou shows memoráveis, mas esta ficará marcada como a primeira da banda alemã em um festival por aqui. Fechando o Hot Stage, por volta das 20h, Hansi Kürsch (vocal), André Olbrich e Marcus Siepen (guitarras), Johan van Stratum (baixo), Frederik Ehmke (bateria) e Michael Schüren (teclado) entraram em cena como gente grande e no lugar merecido com o hino “Imaginations From the Other Side”, tendo a belíssima arte de capa de Andreas Marschall ao fundo.

    Voltando mais um pouco no tempo veio “Welcome to Dying”, de “Tales from the Twilight World” (1990). O som estava muito bem equalizado e os fãs de power metal em sintonia receberam bem “Nightfall” e “Time Stands Still (At the Iron Hill)”, ambas de “Nightfall in Middle-Earth” (1998), especialmente porque estas remetem à primeira vinda da banda ao Brasil.

    (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    A acelerada faixa-título do álbum de 1992, “Somewhere Far Beyond”, mostrou que, embora sempre criticado pela performance mais estática, os vocais de Hansi Kürsch continuam com a mesma força e potência dos velhos tempos. E ele canta todas as partes mais rasgadas e agressivas de forma natural até hoje. Kürsch, por sinal, disse ao público que eles tinham preparado uma surpresa, mas que todos já sabiam.

    De fato, tempos antes do evento, algumas pessoas foram selecionadas para listar músicas que não poderiam ficar de fora do set. Porém, não ficamos sabendo o resultado final. Seja como for, a banda fez exatamente o que vinha fazendo no ano passado quando fizeram shows celebrando os 30 anos de “Somewhere Far Beyond”.

    Com a mudança do cenário de palco com a arte de capa todos os fãs sabiam até mesmo a sequência do que viriam: “Time What Is Time”, “Journey Through the Dark”, “Black Chamber”, “Theatre of Pain”, “The Quest for Tanelorn”, “Ashes to Ashes”, “The Bard’s Song – In the Forest”, “The Bard’s Song – The Hobbit”, “The Piper’s Calling” / “Somewhere Far Beyond”. Haja fôlego… E aqui valeu um adendo, pois os fãs cantaram a plenos pulmões “The Bard’s Song”. Era um prenúncio do que ocorreria depois com a clássica “Lord of the Rings”, de “Tales from the Twilight World”, foi a primeira após a parte especial do show e levou muitos fãs às lágrimas. A magia desta música pairou no ambiente e só foi encerrada com a chegada da porradaria “Violent Shadows”, a única do mais recente álbum, “The God Machine” (2022). Em contraste de épocas mandaram “Majesty”, música que abre o debut da banda, “Battalions of Fear” (1988).

    (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    Com a mudança do cenário de palco com a arte de capa todos os fãs sabiam até mesmo a sequência do que viriam: “Time What Is Time”, “Journey Through the Dark”, “Black Chamber”, “Theatre of Pain”, “The Quest for Tanelorn”, “Ashes to Ashes”, “The Bard’s Song – In the Forest”, “The Bard’s Song – The Hobbit”, “The Piper’s Calling” / “Somewhere Far Beyond”. Haja fôlego… E aqui valeu um adendo, pois os fãs cantaram a plenos pulmões “The Bard’s Song”. Era um prenúncio do que ocorreria depois com a clássica “Lord of the Rings”, de “Tales from the Twilight World”, foi a primeira após a parte especial do show e levou muitos fãs às lágrimas. A magia desta música pairou no ambiente e só foi encerrada com a chegada da porradaria “Violent Shadows”, a única do mais recente álbum, “The God Machine” (2022). Em contraste de épocas mandaram “Majesty”, música que abre o debut da banda, “Battalions of Fear” (1988).

    Nada a reclamar com a execução primorosa dos músicos, que deixaram o palco sob aplausos, como também era esperado. No retorno, a mais que esperada “Valhalla”, que é tipo “Princess of the Dawn” do Accept, pois você sabe que eles vão fazer a interação para o público cantar junto e depois ela gruda na mente. Para novamente remeter à primeira vinda, o set foi encerrado com “Mirror Mirror”, faixa clássica de “Nightfall in Middle-Earth”. Nada a reclamar.

    Blind Guardian (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
       

    PALCO ICE STAGE 

    BENEDICTION 

    Por Leandro Nogueira Coppi 

    Em pleno horário do meio-dia, um banho de death metal sobre o Summer Breeze. Era o veterano grupo britânico Benediction, uma das instituições do gênero, fundada em 1989 na mesma cidade operária de Birmingham, de onde surgira o todo poderoso Black Sabbath. Com a introdução mecânica rolando, os guitarristas fundadores Peter Rew e Darren Brookes, mais o baterista italiano Giovanni Durst e o estreante baixista Nik Sampson já estavam apostos e deram início a pancadaria com “Divine Ultimatum”, do clássico álbum de estreia do “Benê”, “Subconscious Terror”, de 1990. O lendário Dave Ingram entrou triunfante no decorrer dessa que pertence ao único disco gravado por seu antecessor, Barney Greenway, que no dia seguinte se apresentaria no Sun Stage com seu Napalm Death. De cara, Ingram, que é reverendo da Church of Satan, chamou atenção por seu vozeirão cavernoso influenciado por Kam Lee (Massacre) e Tom Warrior (Hellhammer/Celtic Frost). Com uma voz dessa e total domínio do palco e público, Ingram ia mostrando que, mesmo no alto de seus 54 anos, ainda é um dos grandes frontmen do death metal.

    Dave Ingram (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    O mais recente álbum do Benediction, “Scriptures”, foi lançado em outubro de 2020, ou seja, no primeiro ano da pandemia, e somente há um ano exatamente a banda inglesa está na estrada podendo divulgá-lo. Desse, a primeira do set foi “Scriptures in Scarlet”. Na sequência, veio “Vision in the Shroud”, música que abre o segundo álbum do Benê, “The Grand Leveller”, que marcou a estreia de Ingram no ano de 1991. Particularmente, achei de arrepiar a trinca seguinte, formada por “Unfound Mortality”, “Nightfear” e “I Bow to None”, músicas do meu álbum favorito do Benediction e um dos meus preferido do death metal, “Transcend the Rubicon”, lançado há 30 anos.

    Outra nova, “Progenitors of a New Paradigm” foi mais uma amostra de que “Scriptures” parece ter caído no gosto dos fãs. Porém nada como clássicos, e então vieram dois deles, “The Grotesque” e “Foetus Noose”, músicas que em suas épocas tiveram videoclipes bastante exibidos no Brasil. Mais duas que agradaram os fãs ‘old school’ foram “Jumping at Shadows” e “Subsconscious Terror”, que anteciparam outra das novas, “Stormcrow”. Para fechar, o Benediction mandou “Magnificat”, única de “Grind Bastard”, disco de 1998 que encerrou a primeira passagem de Ingram na banda. 

    Finalmente, o Benediction matou a saudade dos fãs brasileiros, que desde 2015 não viam a banda passar por nosso país. No Summer Breeze, o grupo fez um show coeso, beneficiado por uma boa qualidade de som. Como fã, só lamento o fato de a banda não incluir no set “Violation Domain”, do mencionado “Transcend the Rubicon”. Ouça e depois me diga se essa música tem ou não tem em seu decorrer um dos melhores riffs da história do death metal.

    Darren Brookes (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
     

    VIPER + SHAMAN + FELIPE E RAFAEL

    Por Luiz Tosi 

    O Summer Breeze Brasil marcou um golaço ao celebrar a vida, a arte e o legado de Andre Matos criando alguns dos momentos mais marcantes do final de semana. A primeira homenagem foi no Waves Stage, com a premiére exclusiva da segunda parte do documentário “Maestro do Rock”, filme de Anderson Bellini que estreia agora em maio nos cinemas. Mais tarde, com música no palco, no show conjunto do Viper e Shaman, que ainda contou com as participações de Felipe Andreoli e Rafael Bittencourt (Angra). O encontro aconteceu no palco Ice Stage e contou com grande presença do público. O pouco tempo disponível para o set não deixou muita brecha para discursos de homenagem, e nem precisava, as músicas de Viper, Angra e Shaman falam por si. A apresentação foi dividida em três partes e, apesar de alguns problemas técnicos no início, cumpriu a expectativa. Foi de arrepiar!

    A primeira parte foi um set de apenas três músicas do Viper, que “roubou no jogo” e iniciou com o recente single “Under The Sun”. Não deixou de ser uma homenagem a Andre, visto que a faixa tem todos os elementos dos clássicos “Soldiers of Sunrise” (1987) e “Theatre of Fate” (1989) – Andre aprovaria! As outras duas foram as indefectíveis “A Cry From the Edge” e “Living For The Night” – em minha opinião, o maior hino do metal nacional, além de sinônimo de Andre Matos. Musicalmente, nada que não tenha sido constatado: o Viper está voando. Destaques para os dois “meninos” da banda, Leandro Caçoilo e Kiko Shred.

    Leandro Caçoilo e Pit Passarell (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    Sai Viper, entra Shaman. Contando com os mencionados Rafael Bittencourt e Felipe Andreoli, além da ajuda do baterista Rodrigo Oliveira (Korzus e Oitão), a banda escolheu um set com cara e jeito de Andre, a começar pela abertura com duas semibaladas emendadas, as emocionantes “Lisbon” e “Make Believe”. Improvável, mas altamente eficiente. A seguinte foi outra com impressões digitais de Andre, “Turn Away”, do álbum “Reason (2005), uma das preferidas do maestro, desta vez com Luis Mariutti no baixo e Fabio Ribeiro nos teclados. Alirio Netto, frontman do Shaman, esbanjou carisma e presença, não só pela excelente performance vocal, mas pela habilidade em segurar o público durante algumas longas pausas para trocas de membros e instrumentos.

    Apostando apenas nos hits de Andre, mais duas clássicas, “For Tomorrow” e “Fairy Tale”. Então, Hugo Mariutti chama Felipe Machado, Rafael e Andreoli para o encerramento: “Carry On” (Angra), outra música que é sinônimo de Andre Matos.

    Em nome de todos, Alírio agradeceu a organização do Summer Breeze pela homenagem. O cantor levantou as mãos ao céu e direcionou seu recado ao encerrar a apresentação: “Andrezão, isso é pra você. Muito obrigado, meu irmão”.

    Viper (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
     

    SEPULTURA

    Por Leandro Nogueira Coppi

    Desfrutando de grande fase na carreira, o Sepultura não podia ficar de fora da edição de estreia do Summer Breeze. Divulgando o aclamado “Quadra”, álbum que foi lançado em 2020, exatamente um mês antes da pandemia, infortúnio esse que obrigou a banda a demorar para cair na estrada em divulgação do mesmo, Derrick Green, Andreas Kisser, Paulo Jr. e Eloy Casagrande entraram em ação após a introdução mecânica com “Polícia” (Titãs) – faixa consagrada também pelo próprio Sepultura -, tocando “Isolation”, música que abre o novo disco. Na sequência, o chão tremeu com o primeiro clássico do set, “Territory”, de “Chaos A.D.”, álbum que em setembro completará 30 anos.

    Derrick Green (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    Veja bem, desde os tempos de Max e Igor Cavalera (ainda com um “g” só) até os dias atuais, assisti inúmeros shows do Sepultura e posso garantir que esse está entre os melhores em qualidade de som, especialmente no que diz respeito a guitarra de Andreas. Falando em Andreas, não canso de dizer em minhas coberturas de shows do Sepultura o quanto lhe fez bem a entrada da “aberração” chamada Eloy Casagrande, pois o ‘playing’ do guitarrista tem soado mais técnico, raivoso e complexo. “Means to An End”, também de “Quadra”, foi mais um exemplo no set que deixou isso evidente.

    Derrick Green, Eloy Casagrande e Andreas Kisser (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    De tudo o que o Sepultura gravou com Derrick, uma das músicas mais explosivas ao vivo é “Kairos”, que considero um dos hinos compostos após a entrada do vocalista há 25 anos. Depois dessa e de outro clássico de “Chaos A.D.”, “Propaganda”, vieram mais duas novas, “Guardians of Earth” e “Ali”. Essa segunda, em que Paulo Jr. teve destaque, foi especial para o Summer Breeze, visto que era a primeira vez que estava sendo tocada ao vivo. Ainda sobre “Ali”, assim como em estúdio, o Sepultura teve a participação de Paulo Cyrino, conhecido como Babylons P, produtor de heavy dubstep com quem o próprio Derrick já havia colaborado na música “Everlasting Blood” do músico paulistano.  

    Outra das novas a fazer bonito foi “Agony of Defeat”, uma das melhores músicas da carreira do Sepultura e que torço para que seja sempre mantida no repertório. Para finalizar, quatro hinos que nenhum fã de metal no mundo consegue segurar o pescoço quando os ouve: “Refuse/Resist”, “Arise”, “Ratamahatta” e “Roots Bloody Roots”. Embora na internet o Sepultura seja sempre alvo de haters que ficaram relegados ao passado, ao vivo essas pessoas não se manifestam – ou se rendem ao som do grupo. O que se viu e o que se vê é o público sempre curtindo, agitando e bradando o nome dessa que, indiscutivelmente, ainda é a maior representante do metal feito no Brasil.

    Paulo Jr. (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    Stone Temple Pilots Por Heverton Souza

    O Stone Temple Pilots pode ser visto como a única banda com carreira no Mainstream em todo o festival, apesar de não ser mais tão lembrada após a morte do vocalista Scott Weiland, em 2015. Para ajudar, a banda tocou no Ice Stage, que tinha como show seguinte no vizinho Hot Stage, nada menos que o Blind Guardian, o headliner do sábado. Ou seja, a banda tocou seu grunge para fãs de Power Metal. Problema? Absolutamente nenhum! Trazendo ao Brasil pela segunda vez sua formação com o vocalista Jeff Gutt, que assumiu o lugar que vinha sendo ocupado ao vivo pelo também falecido Chester Bennington (Linkin Park), a banda apresentou um set impecável, cheio de feeling e sem se intimidar pelos headbangers presentes ali para assisti-los com certa curiosidade e muito respeito. A intro começo a soar nos PA’s ainda ás 18h28 quando os irmãos Dean e Robert DeLeo (guitarra e baixo, respectivamente), o baterista Eric Kretz e o já citado vocalista Jeff Gutt, começaram com a pesada “Wicked Garden”, seguida de “Vasoline” e “Big Bang Baby”, todas hits da era de ouro da MTV, mostrando a força que os dois primeiro álbuns “Core” e “Purple” ainda tem nos shows da banda.

    Robert DeLeo e Jeff Gutt (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    Quem queria riff, gostou mesmo de “Down”, uma das músicas de mais peso da banda, faixa que abre o quarto álbum da banda, intitulado apenas de Nº 4. E, inquieto, Gutt, desceu do palco e colou na grade pra cantar junto ao público. “Meadow” veio em seguida, lançada em 2018, já com os vocais de Jeff, serviu para mostrar como haviam fãs infiltrados cantando em meio à platéia “guardiana”. “Silvergun Superman” foi devidamente oferecida a Weiland, mas a melancolia de Big Empty fez os fãs sentirem mais aquele aperto no peito pelo velho ídolo da banda.

    E se até aqui, muitos estavam ali de curioso, sem reconhecer muito as músicas da banda, Plush mudou o jogo e colocou até mesmo os mais fervorosos fãs de Blind Guardian a cantar com a banda americana. E diferente do que muitos poderiam achar por terem presenciado a banda tocando seu maior hit, o show não acabou ali. Ainda tivemos outros clássicos como “Interstate Love Song”, “Sin”, “Crackerman”, “Dead & Bloated” (com direito a mais uma “invasão” de Gutt ao público para cantar com os fãs) e o encore finalizou quase uma hora e meia de show com a potente “Sex Type Thing”. Um show lindo para fãs da banda, principalmente aos que ainda não haviam visto os caras com Jeff nos vocais, que diga-se de passagem, incorpora até trejeitos de Weiland de forma bastante natural, sentindo as músicas. E para os não-fãs, com certeza uma apresentação de respeito!

    Jeff Gutt (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
     

    PALCO SUN STAGE 

    JOÃO GORDO – BRUTAL BREGA 

    Por Daniel Dutra

    Meia hora depois de o Voodoo Kiss ter iniciado os trabalhos musicais na primeira edição brasileira do Summer Breeze, a diversão tomou conta do Sun Stage, no outro lado da passarela que une o Memorial da América Latina. Sim, porque é preciso estar muito de mal com a vida para não curtir o Brutal Brega, projeto de João Gordo (Ratos de Porão) e Val Santos (ex-Viper) que conta com Rogerio Wecko (guitarra), Daniel Giometti (baixo) e Guilherme Martin (bateria; Viper).

    Bom, havia, sim, gente de mal com a vida assistindo ao show, como o sujeito que passou o tempo todo mostrando o dedo do meio e xingando João Gordo, que nada gentilmente o chamou para subir ao palco para um tête-à-tête – convite não aceito, obviamente. Houve, também, quem se incomodou com o fato de o vocalista ter à sua disposição as letras das músicas num suporte – e aí vale um exercício de imaginação: será que essas mesmas pessoas reclamam de Ozzy Osbourne usar há vários e vários anos um teleprompter?

    Brutal Brega
    Daniel Giometti e João Gordo (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    Enfim, quem não tinha o espírito de um cricri acabou se divertindo. E muito. E foi a grande maioria, felizmente, que curtiu uma apresentação além do “Brutal Brega”, CD lançado em 2022 como resultado de uma brincadeira de pandemia, como bem ressaltou João Gordo. Isso porque algumas das músicas do cancioneiro brega brasileiro no setlist (ainda) não foram registradas em estúdio pelo projeto.

    “Pavão Misterioso”, por exemplo, e João Gordo lembrou que se trata de parte da trilha sonora de “Saramandaia”, de 1976. E começou aí a comédia stand-up do vocalista, que revelou ter ganhado o apelido de Dona Redonda, personagem de Wilza Carla, exatamente por causa da novela da Rede Globo – lembre-se: ele tinha 12 anos à época. O bom humor foi do horário da apresentação, às 11h30, forçando o público a acordar cedo – “É uma merda, eu tô ligado” –, à reclamação pela quantidade de músicas de Sidney Magal no repertório (três).

    Pouco importou para a plateia, que foi se animando ao longo do show e soltou a voz (e dançou em forma de roda de pogo) em “Sandra Rosa Madalena”, numa versão tão boa quanto à de outro clássico, “Fuscão Preto”, e de duas das melhores canções revisitadas pelo Brutal Brega: as divertidíssimas “Pepino” e “Tô Doidão” – imortalizada por Reginaldo Rossi, um nome que não poderia mesmo faltar, esta última ainda serviu de trilha autobiográfica para aquele exato momento do vocalista no palco.

    Brutal Brega
    Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew

    “É tudo muito ruim. Bom mesmo é death metal”, disse João Gordo, ressaltando, porém, que são todas canções satânicas. “Qual é a próxima música? ‘Feiticeira’? Estão vendo? É tudo cruz invertida, 666!”. Justiça seja feita, também entre as músicas que não estão no disco se fizeram presentes obras de artistas que passam ao largo do brega, como “Atrás do Trio Elétrico”, Famosa na voz de Caetano Veloso, ela ganhou uma versão quase grindcore.

    E o melhor exemplo foi um dos maiores sucessos de Alceu Valença, “Tropicana”, que encerrou a apresentação pegando o público muito bem inserido no clima do Brutal Brega. Teve roda, teve pula-pula e teve refrão cantado com vontade por aqueles que já se faziam em bom número num Sun Stage pouco depois do meio-dia.

    Foi, de fato, o clímax de um show bem definido pelas palavras finais de João Gordo: “Satanás! 666! Cruz invertida! Bolsonaro filho da puta!”. Foi, acredite, o momento de maior êxtase do público. Por isso mesmo, que o metal nacional tenha mais projetos como o Brutal Brega. E que tenha sempre vozes como a de João Gordo.

    Brutal Breha
    Daniel Giometti e João Gordo (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
     

    CRYPTA

    Por Daniel Dutra

    Com um público que tomou conta do Sun Stage, parte dele bem aquecido pelo Brutal Brega, a Crypta subiu ao palco para mais do que um massacre sonoro. Foi um massacre sonoro revitalizado pelo fato de Fernanda Lira (baixo e vocal), Tainá Bergamaschi e Jéssica di Falchi (guitarras) e Luana Dametto (bateria) estarem em casa, especialmente de uma turnê tão emocional quanto a recente passagem pelos Estados Unidos ao lado de Morbid Angel, Revocation e Skeletal Remains.

    Recapitulando: no dia 31 de março, o teto do Apollo Theater, em Belvidere, Illinois, desabou logo após a apresentação da banda brasileira, resultado da forte tempestade e do tornado que passou pelo local – o serviço de meteorologia americano chegou a emitir um alerta, mas somente dez minutos antes do acidente. Havia 260 pessoas no local: 28 foram hospitalizadas, e uma morreu.

    Crypta
    Fernanda Lira, Luana Dametto (fundo) e Tainá Bergamaschi (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    Para a Crypta, a tragédia deixou óbvias marcas psicológicas – que você pode ter acompanhado pelos relatos das integrantes nas redes sociais – e um prejuízo felizmente apenas material: o problema com o motorhome destruído foi rapidamente superado com a ajuda da comunidade internacional do heavy metal, fundamental para o sucesso da vaquinha que arrecadou os US$ 60 mil necessários para cobrir os custos.

    Então, imagine voltar ao Brasil e ter como primeira recepção um Sun Stage bem cheio, especialmente num horário em que o sol fazia jus ao nome do palco, castigando um público que, mesmo assim, não arredou o pé do local… Assim, os agradecimentos de Fernanda a todo instante soaram tão especiais quanto as tradicionais (e sempre divertidas) caretas da baixista e vocalista.

    Crypta
    Fernanda Lira (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    Nem mesmo os problemas de som no início – na plateia, ninguém conseguiu ouvir a voz de Fernanda no início com “Death Arcana” – foram suficientes para apagar o brilho de um set que contou com a íntegra “Echoes of the Soul” (2021) e a agradável inclusão de “I Resign”, gravada nas sessões do álbum de estreia e lançada como single no ano seguinte.

    Todo e qualquer problema de som já estava corrigido na hora da excelente “Under the Black Wings”, que antecedeu outro grande destaque do primeiro disco, “Starvation” – e “nossa música mais rápida”, disse Fernanda antes de anunciá-la e pedir à plateia que participasse abrindo uma roda. Foi prontamente atendida.

    Apesar de o repertório ser óbvio – e felizmente óbvio, diga-se, pelo fato de a Crypta não cair no artifício dos covers ou de músicas da Nervosa, ex-banda de Fernanda e Luana –, os atrativos da música ficam ainda melhores quando ilustrados pelo que está em cima do palco. Isso porque não é apenas a performance única de Fernanda que chama a atenção, uma vez que Luana é uma impressionante máquina com as baquetas, e Tainá e Jéssica brilham não somente em riffs e solos, também na simbiose necessária às duplas de guitarristas.

    Crypta
    Jéssica di Falchi (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    O show mostrou, também, um setlist bem equilibrado dentro do próprio mundo da Crypta, deixando mais para o fim duas de suas melhores criações em “Echoes of the Soul”, álbum que merece audições atentas para ser corretamente assimilado: “Dark Night of the Soul” e, especialmente, “From the Ashes”, que fechou a apresentação depois de Fernando brincar dizendo que elas não tinham mais o que tocar: “Mas o novo álbum vem aí, muito em breve”.

    De qualquer maneira, a arrasadora “From the Ashes” provou que a banda conseguiu em seu primeiro trabalho – e com seu primeiro single – o seu primeiro hino. E a cumplicidade do público, agitando e cantando com vontade o refrão, concedeu com louvor o selo de verificação.

    Crypta
    Tainá Bergamaschi (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
     

    LORD OF THE LOST

    Por Heverton Souza

    Com uma carreira muita ativa, lançando materiais quase todo ano desde seu debut “Fears”, de 2010, o Lord of The Lost era uma atração esperada por parte do público do Sun Stage. O quinteto alemão de gothic/indudtrial liderado pelo vocalista Chris “Lord” Harms vem divulgando seu mais recente álbum Blood & Glitter, de 2022, mas em um set de 14 músicas, quase conseguiu abordar todos seus 11 discos de estúdio.

    No horário exato das 15h, a banda surgiu em palco com visuais que combinavam o estilo gótico com andrógeno e com um som tão perfeito, que parecia que estávamos ouvindo um disco se estúdio. Mas a alegria durou pouco, quando Lord começou a ter falhas em seu microfone sem fio ainda na segunda música da apresentação, a agressiva “Leave Your Hate in the Comments”, e se ver forçado a trocar por um convencional.

    Chris “Lord” Harms (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    O público que ia chegando no Sun Stage era tomado por fãs da banda, alguns góticos prontos para conhecerem os alemães e curiosos que vinham se espalhando por grande parte do festival. “The Future of a Past Life” conquistou a todos eles, lembrando muito bandas como Darkseed e Crematory. Lord agradece ao público e por fazer parte da edição brasileira do Summer Breeze e aproveita o momento de fala para se zoar com as falhas do microfone. Com certeza o set mostrou todas as nuances da banda, mas músicas como “Under the Sun” com trechos que remetem até mesmo ao New Metal, faz com que todos em palco agitem mais, com destaque para o tecladista Gared Dirge (que também se divide em guitarra e percussão), enquanto outras como “Full Metal Whore” colocava o público de vez na mão dos caras, que ainda sentiram o calor dos fãs ao tocarem “Loreley”.

    Mas sem dúvida, apesar de ainda relativamente nova “Blood & Glitter” foi o momento mais cativante da banda em palco com seu refrão simples e grudento. E claro, nada disso seria possível se Lord não fosse um excelente frontman e performer, que agita muito e canta na mesma proporção. Dentre as gracinhas dele, tentar (e falhar) tirar o cinto para acertar o guitarrista π foi das mais memoráveis. O show encerrou com as batidas latinas de “La Bomba”, com direito a uma coreografada dancinha horrorosa e divertida do guitarrista π com o baixista Class Grenayde. Um ótimo show que agradou a fãs não apenas do próprio Lord of the Lost, mas a fãs também de nomes como Deathstars, Rammstein e Pain.

    Lord of the Lost (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
     

    PERTURBATOR

    Por Heverton Souza

    Sem dúvida o duo francês Perturbator era um dos nomes com formato mais curioso e diferenciado de todo o festival, afinal, trata-se de uma banda de música eletrônica.

    Na ativa desde 2012, a One Man Band de James Kent combina trilhas de games, industrial, eletrônico e até metal num formato pouco convencional para um público roqueiro ou headbanger como do festival, mas ainda assim, ao lado do baterista Dylan (Hyard), Kevin teve um bom público. Alguns xingavam, outros apenas observavam a pegada de Dylan ou como Kent se dividia entre teclados, sintetizadores e guitarra e muitos outros apenas dançavam, fazendo dessa tarde do Sun Stage uma espécie de “rave para metaleiros”.

    James Kent (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    O show, que começou pontualmente às 16h45, foi ganhando mais clima perto do fim, por volta das 17h30, já com o sol baixando, pois aí as luzes começaram a mostrar as caras. Entre os destaques, Neo Tokyo, Future Club (que chegou a ser ovacionado logo nas primeiras batidas de Dylan) e a dark Dethroned Under a Funeral Haze. Vale citar aqui que James Kent começou sua carreira no Black Metal, então, por mais que seja uma banda eletrônica, é muito comum o músico se apresentar no meio metal europeu, o que então faz todo sentido em ser uma das atrações do Summer Breeze.

    Dylan (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
     

    ACCEPT

    Por Leandro Nogueira Coppi

    Uma semana antes de se apresentarem no Summer Breeze, os alemães do Accept passaram perrengue no Chile. Por lá, a banda tocou desfalcada do baterista Christopher Williams (substituído por seu técnico de bateria, Daniel Douchette) e do guitarrista e Philip Shouse. Ambos tiveram intoxicação alimentar e no voo do Equador para o Chile Shouse chegou a desmaiar. Felizmente, os dois músicos se recuperaram e juntos de Mark Tornillo (vocal), Wolf Hoffmann e Uwe Lulis (guitarras), mais o baixista Martin Motnik, marcaram presença na primeira edição do festival conterrâneo no Brasil. Baseado em todas as suas últimas apresentações no país, a expectativa era grande, pois a banda dispõe de um belo palco e faz um show visceral.
    Philip Shouse, Mark Tornillo e Wolf Hoffmann (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    Atualmente, o Accept ainda divulga o álbum “Too Mean to Die”, lançado em janeiro de 2021, e foi dele que vieram as duas primeiras rajadas da noite, “Zombie Apocalypse” e “Symphony of Pain”. As primeiras impressões sobre essa apresentação foi de que, por ser um palco de tamanho inferior aos principais, “Hot Stage” e “Ice Stage”, o “Sun Stage” ficou literalmente pequeno para a configuração em sexteto do Accept. A qualidade de som também foi aquém do esperado, um tanto quanto abafada. Em minha opinião, o Accept merecia estar em um dos palcos principais, embora no mesmo horário o Stone Temple Pilots estava tocando no Ice Stage. Mas o público não desanimou e ficou ainda mais empolgado com os dois primeiros clássicos do set, “Restless and Wild” e “Midnight Mover”. Após outra das novas, “Overnight Sensation”, última tocada de “Too Mean to Die”, o Accept mandou um medley com trechos de outros de seus clássicos old school.
    Wolf Hoffmann e Uwe Lulis (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
    E não faltaram hinos, “Princess of the Dawn”, “Fast As A Shark”, “Metal Heart”, “Balls to the Wall” e porque não incluir nesse quesito “Teutonic Terror”, música do ótimo “Blood of the Nations” (2010), a qual aponto sem pestanejar como um clássico absoluto do heavy metal dos anos 2000. Fechando a noite, a banda mandou aquela que tem total inspiração no punk rock, o cover do AC/DC para “I’m A Rebel”, que deu nome ao segundo álbum do Accept, de 1980: “I’m A Rebel”. Particularmente, não desmerecendo Martin Motnik que pela segunda vez esteve em solo tupiniquim, confesso que ainda sinto falta de Peter Baltes no baixo. No mais, foi outra aula de heavy metal teutônico oferecida pelo Accept, que já havia detonado no país em anos anteriores, principalmente quando abriu para o W.A.S.P. em 2019 e para o Anthrax em 2017.
    Martin Motnik (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    PALCO WAVES STAGE 

    TUATHA DE DANANN 

    Por Daniel Dutra

    Coube ao Tuatha de Danann inaugurar o Waves Stage, nome dado ao Auditório Simón Bolívar na primeira edição brasileira do Summer Breeze, mas seria mais cabível dizer que a banda mineira acabou servindo de cobaia num espaço cujo acesso era exclusivo àqueles que desembolsaram alguns bons reais a mais pelo Summer Lounge Card, que dava direito também à pista VIP nos dois palcos principais (Hot Stage e Ice Stage) e um bar com bebida e comida 0800 – quero dizer, pré-pagas.

    Mas por que cobaia? Porque os problemas de som que fizeram com que o início do show atrasasse dez minutos foram uma dor de cabeça até o fim para Bruno Maia (vocal, flauta, guitarra, bandolim e banjo), Edgard Britto (teclados), Giovani Gomes (baixo e vocal), Raphael Wagner (guitarra), Rick Dias (violino) e Rafael Delfino (bateria). Um exemplo? “Essa foi a nossa passagem de som”, disse Maia ao fim de “Believe: It’s True!”.

    Tuatha de Danann
    Raphael Wagner, Bruno Maia e Rafael Delfino (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    O tom foi bem-humorado, mas o fato é que a todo instante Maia reclamava do retorno, pedindo a quem estivesse na mesa de som que aumentasse esse ou aquele instrumento tanto para ele quanto para outros integrantes. Inegavelmente, foi um banho d’água fria, especialmente porque os shows do Tuatha são uma enérgica celebração da (boa) música. Assim, imagine que até uma canção do quilate de “Molly Maguires” não causou o efeito esperado.

    Na raça, a banda ainda mandou alguns clássicos, como “Tan Pinga Ra Tan” e mais uma das mais recentes, caso de “Guns and Pikes”, que encerrou um set encurtado por causa do atraso causado pelos problemas técnicos que permearam os 50 minutos em que o Tuatha ficou no palco – “The Last Words” e “Bella Natura”, que seria o desfecho de fato e de direito, tiveram de ser limadas.

    Ao fim de um show que tinha tudo para ser especial, fica o sentimento de que o maior nome do folk metal brasileiro – e um dos melhores do estilo no Planeta, senão o melhor – bem que poderia ser compensado por esse gostinho de quero mais com uma volta (em melhores condições) no Summer Breeze Brasil 2024. Ou seja, hashtag fica a dica.

    Tuatha de Danann
    Giovani Gomes, Raphael Wagner, Bruno Maia, Rafael Delfino, Rick Dias e Edgard Britto (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

     

    BRUCE DICKINSON (PALESTRA)

    Por Luiz Tosi

    Enquanto o Skid Row incendiava o Hot Stage (perdão pelo trocadilho), portadores de ingresso da modalidade Summer Lounge lotavam o lindo palco Waves Stage para uma palestra exclusiva com Bruce Dickinson, vocalista do… Bom, você sabe de quem!

    Falando sobre sua vida, carreira e empreendedorismo, Bruce baseou sua palestra “From Rock Star to Businessman” em sua autobiografia, “What Does This Button Do?”, de 2017. No cardápio apresentado pelo famoso palestrante, pitadas de humor, críticas sociais, autoajuda e, claro, autopromoção. Bruce arrancou boas risadas do público, como quando contou como, ainda na escola, descobriu o Deep Purple. Fã declarado de Ian Gillan, o vocalista soube naquele momento o que gostaria de ser para o resto da vida: baterista! Em alguns momentos, ele arrisca algumas imitações e interpretações bem convincentes, ao melhor estilo Monty Python.

    Com um texto muito bem amarrado e alguns ótimos ganchos, Bruce passou pelas suas múltiplas facetas: sobrevivente de um câncer, aviador, escritor, cervejeiro, empresário, empreendedor – caso da construção do Airlander, maior avião de carga do mundo, com zero emissão de carbono e apto a pousar em diferentes superfícies (como água e neve), e do qual Bruce foi investidor e idealizador.

    Salvo um breve trecho de poucos segundos onde cantou “Let It Be” (Beatles), ao contar sobre sua audição para a banda da escola, Bruce desta vez não fez aquela tradicional palhinha a capella que sempre circula na internet. Aliás, o final foi um tanto esquisito, com ele saindo do palco de modo abrupto e apressado, mal se despedindo do público. Entretanto, não sem antes confirmar para 2024 o lançamento do seu novo álbum solo, notícia exclusiva essa que arrancou aplausos efusivos dos fãs.

    Foi uma ótima iniciativa do Summer Breeze Brasil, esse formato de palestras dá sinais de que veio para ficar.

     

    APOCALYPTICA

    Por Daniel Dutra

    Para encerrar a maratona de shows no primeiro dia do Summer Breeze, aquele momento relaxante ao som de violoncelos… Bom, relaxante até certo ponto e apesar da maldada da hora: por ser no Auditório Simón Bolívar, um anfiteatro confortável, com cadeiras e ar-condicionado, a apresentação do Apocalyptica seria o momento para uma soneca antes da volta para casa ou para o hotel. Mas os finlandeses não deixaram que isso acontecesse.

    A turma que abriu a carteira para adquirir o Summer Lounge Card e garantir algumas benesses acabou presenteada com a empolgação de Eicca Toppinen (violoncelo), Paavo Lötjönen (violoncelo e contrabaixo), Perttu Kivilaakso (violoncelo) e Mikko Sirén (bateria), mais algumas boas surpresas. A começar pela montagem do palco, que causou estranheza logo na abertura com “Ashes of the Modern World”.

    Apocalyptica
    Eicca Toppinen, Perttu Kivilaakso e Mikko Sirén (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    A bateria e os postos dos três violoncelistas estavam de lado, o que foi explicado com bom humor por Toppinen: “Falaram para nós que haveria público dos dois lados, então foi montado dessa maneira esquisita e que agora parece ainda mais ridícula”. De fato, há cadeiras em ambos os lados do palco, mas o ótimo público que compareceu ao Waves Stage se concentrou apenas no lado da entrada principal, sobrando alguns gatos pingados do outro.

    Voltando à música supostamente relaxante, a verdade é que o Apocalyptica imprime um peso ainda maior ao vivo. E apesar de os três músicos de frente terem ótima presença de palco, além de um baterista que desce o braço e agita o tempo todo, a banda é inteligente o suficiente para usar um vocalista em momentos específicos para não deixar a peteca cair. No caso, Franky Perez.

    Apocalyptica
    Franky Perez (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)

    Oficialmente no Apocalyptica desde 2022, depois de fazer shows com o grupo entre 2014 e 2016, Perez comandou muito bem as ações em “I’m Not Jesus”, “Not Strong Enough”, “I Don’t Care” e “Shadowmaker”, que emendou em seu fim uma citação a “Killing in the Name of”, do Rage Against the Machine. Mas o principal momento da noite foi mesmo a participação surpresa de Simone Simons em “Rise”, em que a vocalista do Epica fez o que faz de melhor: cantar lindamente e atrair todas as atenções, ofuscando quem mais estiver no palco – Simone, aliás, subiu ao mesmo palco no dia seguinte para uma palestra.

    Para relembrar o passado do Apocalyptica como banda de covers, Toppinen Lötjönen, Kivilaakso e Sirén homenagearam o país anfitrião com “Inquisition Symphony” – instrumental do Sepultura presente em “Schizophrenia” (1987) e feita sob medida para um arranjo de cordas – e fizeram os fãs soltarem a voz em “Nothing Else Matters” e “Seek & Destroy”, do Metallica. Ou seja, jogaram direitinho para a galera.

    E ainda tinha um bis, que contou com a bonita “Farewell” e a brilhante “In the Hall of the Mountain King”, do compositor e pianista norueguês Edvard Grieg (1843-1907) – e sim, a obra que o Savatage transformou na instrumental “Prelude to Madness”, que antecede a faixa-título de “Hall of the Mountain King” (1987). Anunciado por Kivilaakso como “enfim uma pela clássica no show”, foi o encerramento de gala de um show que superou as expectativas.

    Apocalyptica
    Paavo Lötjönen, Eicca Toppinen, Perttu Kivilaakso e Simone Simons (Foto: Roberto Sant’Anna/Roadie Crew)
  • THE SISTERS OF MERCY se prepara para apresentação em São Paulo em junho

    THE SISTERS OF MERCY se prepara para apresentação em São Paulo em junho

    POR ASSESSORIA 

    Os britânicos do The Sisters of Mercy, uma das mais influentes bandas da década de 1980 estarão no Brasil para algumas apresentações de junho de 2023. O grupo apresenta uma sonoridade de rock gótico inconfundível, tendo mais de três décadas de carreira e muitos sucessos como: “Lucretia My Reflection”, “This Corrosion”, “More” e “Temple of Love”. O guitarrista da banda, Ben Christo convida os fãs para as apresentações: https://www.instagram.com/reel/CrhGIt8g7qy/?igshid=YmMyMTA2M2Y= O giro passará também por Guadalajara, Mexico City, Santiago e São Paulo. Em São Paulo: Quando: 18/06/2023 (domingo) Local: Tokio Marine Hall Demais datas: 11/06 – Guadalajara @ C3 Stage 13/06 – Mexico City @ Circo Volador 16/06 – Santiago @ Club Chocolate Assessoria Top Link Music Foto: Lara Aimee

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  • LOSS lança single ‘The Storm’ com ampla aprovação da cena rock

    LOSS lança single ‘The Storm’ com ampla aprovação da cena rock

    A banda mineira Loss, formada por Marcelo Loss (vocal e baixo), Adriano Avelar (guitarra e vocais) e Teddy Bronsk (bateria), apresenta seu novo single, “The Storm“. A música, gravada em Belo Horizonte (MG) no Analog Dream Studio e mixada pelo renomado produtor dinamarquês Tue Madsen (Rob Halford, Meshuggah, Vader, Sick Of It All, Behemoth, Dark Tranquillity, Alchemia, Kataklysm), já está disponível nas principais plataformas digitais.

    “A música fala de tempestades que afetam a vidas das pessoas, às vezes as levando à derrocada e noutras as tornando mais fortes. Musicalmente, seguimos nos inspirando nos clássicos, principalmente em Black Sabbath, mas ‘The Storm’ traz algo de Rush e Van Halen, principalmente nos dedilhados e harmônicos da guitarra. Já o vocal remete um pouco a Soundgarden e Alice in Chains”, analisa Marcelo Loss. “A música tem causado uma boa impressão entre representantes da cena rock. Recebemos diversas manifestações de pessoas importantes nos incentivando e essas opiniões nos fortalecem e nos mostram que estamos no caminho certo”, completa.

    Confira “The Storm” em https://youtu.be/f9OuDma-av0

    As boas impressões sobre “The Storm” vieram de influentes músicos mineiros, integrantes de bandas como Troops of Doom, Mutilator, The Mist, Chakal, Sarcófago, Eminence, Witchhammer, Overdose, Insulter, Kalabouço, Pathologic Noise, Sagrado Inferno, Holocausto e Concreto, além de renomados produtores musicais, como o baiano André T, o espanhol Nacho Barreña e o mineiro Maurício Atala (Mog Records). “The Storm” também teve o aval de Vinny Appice (Dio, Black Sabbath) e de representantes da mídia, como Terence Machado (Programa Alto Falante), Eliton Tomasi (Som do Darma, Roadie Crew Online Fest) e Daniel Seabra (Rock Master e jornal O Tempo).

    Ouça “The Storm” nas plataformas de streaming em https://hypeddit.com/ltgqlc

    Sites relacionados:
    https://www.lossband.com
    https://linktr.ee/Lossband

    E-mail: [email protected]

    CONFIRA OS DEPOIMENTOS ACERCA DE “THE STORM”

    “Grande banda, som perfeito. Em The Storm o Loss nos apresenta o melhor do metal pesado. Super banda!” – Ricardo Neves (Mutilator)

    “Um soco no peito de quem gosta de rock e metal! Peso do início ao fim, com um solo maravilhoso de guitarra, vocais super bem colocados numa métrica foda, que carrega a gente do início ao final, e uma bateria que trabalha com generosidade e agressividade junto do baixo o tempo inteiro, trazendo 90% desse peso que invade nosso cérebro. O Loss tem um caminho de muitas conquistas e Rock N’ Roll pela frente” – Jairo Guedz (The Troops of Doom)

    “Soa muito bem, com uma pitada funky nela!” – Vinny Appice (Black Sabbath,  Dio)

    “Peso e musicalidade na medida certa. Riffs matadores, cozinha criativa e os vocais do Marcelo sempre surpreendentes. Minas e o mundo agradecem pelo trabalho dessa grande banda!” – Mark (Chakal)

    “Algumas tempestades são especialmente poderosas. Poucas, como essa do Loss, fazem estragos do bem, apenas na atmosfera rock. Viva o hard rock universal da banda, com mais esse super lançamento de Minas pro mundo” – Terence Machado (Programa Alto Falante – Rede Minas/TV Brasil)

    “Composição muito boa, com base rítmica compacta e uma mistura entre hard rock e a sonoridade stoner. Eu gostei!” – Nacho Barrena (produtor cultural de Madrid/ESP)

    “Com o single ‘The Storm’, o Loss solidifica suas raízes hard rock, mas não abre mão de soar contemporâneo. Cada vez mais o Loss cunha uma identidade que, me parece, correrá por fora de tendências e sacadas fáceis” – Vladimir Korg (The Mist)

    “É impressionante a evolução criativa e musical do Loss ao longo dos últimos anos. ‘The Storm’ corrobora a favor disso e coloca a banda entre as minhas preferidas do Brasil!” – Eliton Tomasi (Som do Darma, Roadie Crew Online Fest)

    “Que porrada certeira! Excelente banda com excelentes músicos e um vocal matador. Faz tempo que não ouvia algo com tanta adrenalina!” – André T. (Estúdio T, Salvador/BA)

    “Loss: um harmonioso encontro de três talentos musicais diferenciados, unidos por um som pesado e visceral, com melodias sensíveis e incisivas, transformando a experiência do som numa verdadeira tempestade sensorial!” – Paulo Caetano (Witchhammer)

    “É uma pedrada sonora, com vigor e bom gosto. Batera pesadíssima e linhas de baixo impressionante. Pesado e assustador, essencial pra um rock pesado. A batera do Teddy é, como sempre, muito bem executada e produz uma massa sonora. Junto dessa cozinha muito bem fundamentada, vem a guitarra que produz um pesado distorcido muito bem tocado. Todos esses elementos não deixam nenhum buraco no espaço: a tempestade está armada. Pra quem curte música que o tira da zona de conforto, ‘The Storm’ vai atender. São bandas com essa mentalidade que fazem a diferença!” – Geraldo Minelli (Sarcófago)

    “Pesado, Stoner e melódico!” – Alan Wallace (Eminence)

    “Se eu recebesse a música The Storm nos anos 80, com certeza diria que ela é tão perfeita em sua sonoridade, arranjos, riffs, letra, execução e refrão que parece uma banda gringa. Mas estamos em 2023 e ‘The Storm’ é realmente tudo isso, mas é uma banda brasileira! A tempestade veio para ficar” – Valério Exterminator (Holocausto)

    “‘The Storm’ é uma verdadeira pedrada na orelha! Peso e melodia na medida certa, sem firulas ou virtuosismo, perfeita para os amantes do hard/heavy metal! Uma pegada Sabbáthica e uma identidade forte cunhada pelos membros ao longo de suas carreiras com bandas anteriores. Certamente o Loss se coloca como o grande nome do hard rock brazuca” – Tchescko Suppurator (Pathologic Noise)

    “A banda amadureceu nesse excelente trampo. Belo trabalho de guitarra e somando com esse vocal não tem erro. Tudo perfeito!” – Túlio de Paula (ex- Concreto)

    “Uma banda que definitivamente me dá prazer de sua audição” – Maurício Atala (Mog Records)

    “Assim que os primeiros acordes da guitarra começam, fica impossível não bater cabeça e curtir ‘The Storm’. O que se espera em boa música encontramos aqui: versos e refrão que desabam com eficiência e qualidade, fazendo grudar instantaneamente a melodia. E que orgulho saber que ainda se faz hard rock de qualidade nas nossas esquinas. Se bem que, continuando assim, a Loss vai para outras esquinas…Bem mais distantes” – Fernando Pazzini (banda Hard and Heavy, ex-Overdose)

    “Uma massa de som que bate no peito, invade nosso cérebro e faz querer mais” – Bomber (Kalabouço)

    “‘The Storm’ é uma tempestade sonora com um riff muito foda, um refrão que ecoa em nossas cabeças e gruda como chiclete na nossa mente, é música que a gente escuta uma vez e já sai cantando. Loss é isso, uma tempestade sonora” – Reinaldo Resan (Insulter)

    “Um hit forte, bem marcado, com um belo riff de guitarra. O vocal rasgado de Marcelo Loss é um capítulo à parte. Teddy Bronsky, como de costume, com muita força e seu estilo bem marcado, isso tudo aliado à guitarra bem posicionada de Adriano Avelar e embalado pelo baixo pujante, também empunhado pelo vocalista. Está aí o segredo do sucesso. Mais um ‘show’ muito bem gravado e produzido pela Loss!” – Daniel Seabra (Rock Master e jornal O Tempo)

    “Gravação e execução técnica perfeitas, Loss traz em ‘The Storm’ o hard rock pesado das Minas Gerais” – Marquinho (Sagrado Inferno)

    Assessoria de Imprensa – ASE Music:
    http://www.asepress.com.br/music/
    www.instagram.com/ase_press/
    [email protected]

  • PAULA CARREGOSA lança versão death metal de Star Wars no “MAY THE 4TH”

    PAULA CARREGOSA lança versão death metal de Star Wars no “MAY THE 4TH”

    POR ASSESSORIA 

    A guitarrista Paula Carregosa (ex Detonator & As Musas do Metal) lançou uma versão épica do tema ”Marcha Imperial” de Star Wars no dia do Star Wars, 04/05/2023.
    A música foi totalmente regravada com um som pesado e intenso, transformando o tema icônico em uma experiência brutal.
    A versão Death Metal de Star Wars é uma homenagem à série cinematográfica mais famosa de todos os tempos e promete encantar os fãs de música pesada e de Star Wars. 
    Com sua técnica excepcional e estilo inconfundível, Paula Carregosa criou uma versão única dando destaque a solos de guitarra, riffs poderosos, uma bateria vibrante característica do estilo e mantendo o clima épico da orquestra.
    A música “Imperial March Theme” está disponível em plataformas de streaming como o Spotify e o Apple Music. O vídeo também está disponível no YouTube e nas redes sociais da guitarrista.
    Confira essa versão incrível e inovadora de Star Wars com Paula Carregosa. Que a Força esteja com você!
    Canais oficiais:

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  • Abril Pro Rock potencializa artistas femininas em sua programação

    Abril Pro Rock potencializa artistas femininas em sua programação

    POR ASSESSORIA

    Para a sua 30ª edição da história, o Abril Pro Rock (APR) traz a presença das mulheres em 33% das atrações. Entre elas estão The Damnnation (SP) e Crypta (SP), compostas 100% por artistas femininas. Ambas se apresentam no APR pela primeira vez, no Clube Português, no mesmo dia, 13 de maio.

    A The Damnnation (SP), que surgiu em 2019, é composta pela vocalista e guitarrista Renata Petrelli, Aline Dutchi no baixo e Janaína Melo na bateria. Em 2022, o trio lançou o primeiro álbum “Way Of Perdition”. Antes, produziu o EP “Parasite”. Do metal nacional, a Crypta — fundada em 2019 — tem um quarteto em sua formação: Fernanda Lira (vocal e baixo), Luana Dametto (bateria), Jéssica di Falchi (guitarra) e Tainá Bergamaschi (guitarra). As duas primeiras são as criadoras do grupo, que iniciou oficialmente as atividades em maio de 2020. De lá pra cá, apresentou o álbum de estreia — Echoes of the Soul —, em junho de 2021, passando pela América Latina e Europa. No Brasil, realizou show no Rock in Rio 2022. Atualmente, está em turnê no exterior com Morbid Angel e prepara o seu segundo disco, com previsão de lançamento ainda este ano. Além da Crypta e The Damnnation, mais quatro bandas da grade do APR têm uma mulher como linha de frente no vocal – Torture Squad (SP) – Mayara Puertas; Hatefullmuder (RJ) – Angelica Burns; Surt (PE) – Dimitria; Corja! (CE) – Haru Cage. Há também outra banda da programação do festival que conta com uma mulher, a Gangrena Gasosa (RJ), agitada pela percussão de Gê Vasconcelos. A mulher que inventou o rock Sister Rosetta Tharpe (1915 -1973) é a criadora do gênero. Ela uniu o gospel ao blues e acelerou sua batida no final dos anos 30. Também guitarrista, foi roqueira antes mesmo de Little Richard ou Elvis Presley ficarem populares, levando consequentemente o ritmo para a massa. Confira a programação de bandas com mulheres 13.05 – Sábado CRYPTA (SP) TORTURE SQUAD (SP) THE DAMNNATION (SP) 14.05 – Domingo GANGRENA GASOSA (RJ) HATEFULLMUDER (RJ) CORJA! (CE) SURT (PE)
    The Damnnation | Foto: Jessica Marinho

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  • THE WINERY DOGS & STONE TEMPLE PILOTS – Rio de Janeiro (RJ)

    THE WINERY DOGS & STONE TEMPLE PILOTS – Rio de Janeiro (RJ)

    Enquanto entrada, prato principal e sobremesa seriam servidos em São Paulo, na primeira edição brasileira do festival alemão Summer Breeze, algumas poucas cidades do Brasil receberam o aperitivo chamado Summer Tours. No Rio de Janeiro, o público foi agraciado com o combo formado pela dupla Stone Temple Pilots e The Winery Dogs, que ganharam de última hora a companhia do Velvet Chains, numa adição à noite que serviu apenas para aumentar os casos de meritocracia sendo falácia.

    Formada por um brasileiro (o guitarrista Larry Cassiano), dois chilenos (o vocalista Ro Viper e o baixista Nils Goldschmidt) e dois americanos (o guitarrista Burton Car e o baterista Jason Hope), a banda radicada em Las Vegas, nos Estados Unidos, subiu ao palco quando ainda havia pouca gente na casa, mas quem chegou depois não perdeu nada. O Velvet Chains tem um som calcado no rock alternativo e, especialmente, no grunge, mas seria da Série D do movimento nascido em Seattle e que tomou conta da música nos anos 1990.

    Velvet Chains
    Burton Car, Ro Viper, Larry Cassiano e Nils Goldschmidt (Foto: Daniel Croce/Roadie Crew)

    Olhos mais atentos podem, sim, fazer a associação Velvet Revolver + Alice in Chains na composição do nome do quinteto, que reforça isso tanto na música – com as tentativas fracassadas de soar pesado – quanto no visual – Goldschmidt é um cosplay de Duff McKagan, por exemplo. Acredite, não é nada agradável escrever uma resenha como esta, mas as oito músicas do setlist foram um martírio auditivo, culminando numa versão de “Suspicious Minds” que deve ter feito a ossada de Elvis Presley se contorcer no túmulo.

    Vá lá que os músicos tenham mostrado animação e simpatia, mas isso no máximo minimizou a performance de Viper, cuja voz beirava o insuportável sempre que cantava com a voz mais rasgada – o que aconteceu na esmagadora maioria dos versos e refrãos das canções, daí para você tem uma ideia… Enfim, sempre tem quem goste, e pode ter tido quem curtiu a ponto de agora estar acompanhando o Velvet Chains. Mas tem até quem beba urina acreditando que faz bem para a saúde.

    The Winery Dogs
    Billy Sheehan e Richie Kotzen (Foto: Daniel Croce/Roadie Crew)

    Foi apenas uma coincidência, obviamente, mas parece que o The Winery Dogs quis começar a aplacar o sofrimento anterior antes mesmo de iniciar seu show, afinal, a dobradinha que rolou antes no PA – “We’re an American Band”, do Grand Funk Railroad, e “Atomic Dog”, de George Clinton – foram um colírio para os ouvidos. E quando Richie Kotzen (guitarra e vocal), Billy Sheehan (baixo) e Mike Portnoy (bateria) começaram com “Gaslight”, a expressão “sem dor, sem ganho” fez todo sentido. Mesmo com um som alto demais, que muitas vezes embolava os instrumentos, o trio fez uma apresentação impecável passando por todos seus três discos.

    Melhor ainda, fez o que toda banda deveria fazer: mostrar que o lançamento de um novo trabalho não é apenas pretexto para sair em turnê. “Gaslight” e “Xanadu” – que já virou um dos hits do Winery Dogs, vide a recepção do público – abriram os serviços mostrando o que todos que conhecem o grupo já sabem: no palco havia três dos melhores e mais criativos músicos do mundo, sendo que Kotzen está noutro patamar artístico. Um muito mais elevado que seus pares – toca, canta e compõe num nível de excelência para poucos.

    The Winery Dogs
    Mike Pornoy (Foto: Daniel Croce/Roadie Crew)

    É Kotzen quem serve de maestro para o trio, que faz jams de tirar o fôlego, exatamente o que aconteceu em “Breakthrough”, numa amostra de que os improvisos são tão improvisados que não há música específica para isso acontecer: basta o guitarrista olhar para Sheehan e Portnoy para começar o “e lá vamos nós!”. Neste caso, o que esses caras fizeram em cima do palco foi desumano, assim como em “Stars”, na qual o show foi particular de Kotzen, que estendeu a canção com um solo de cair o queixo até de quem tem ciência de sua genialidade.

    Mais duas das dez faixas de “III”, lançado em fevereiro deste ano, foram apresentadas: a maravilhosa “Mad Word”, que poderia facilmente estar em alguns dos melhores discos de Kotzen em carreira solo, e a empolgante “The Red Wine”, com cara mais de banda, mesmo. No total, seis músicas novas num repertório de 13, fazendo com que o trio escolhesse a dedo o que pinçar de “The Winery Dogs” (2013) e “Hot Streak” (2015).

    The Winery Dogs
    Richie Kotzen (Foto: Daniel Croce/Roadie Crew)

    Com seu groove irresistível, a faixa-título do segundo álbum mostrou mais uma ser um veículo para Portnoy brincar de tocar bateria, parecendo ser fácil os detalhes e licks tão bem encaixados no tempo da música. Isso logo depois de os três mandarem uma poderosa versão do delicioso hard rock “Captain Love”, com seu riff e linhas de baixo de primeira linha. E coube a “Oblivion”, um arregaço instrumental, se enfiar de modo especial na trinca que saiu do disco de estreia.

    A bonita “I’m No Angel” colocou os fãs para cantar o refrão antes de a já citada “Oblivion” voltar a, digamos, acelerar o ritmo para o desfecho até óbvio do show com os dois primeiros hits grudentos do The Winery Dogs: “Desire” e “Elevate”, principalmente esta última, uma obra-prima do hard rock que, ao vivo, ilustra como o trio tem o dom de colocar a técnica apurada a serviço da canção – Portnoy não poupa o uso de pedal duplo em licks com caixa, tom e surdo; e são de um talento ímpar as intervenções do Sheehan, com ou sem as partes dobradas com Kotzen, cuja inserção de uma guitarra funkeada antes do solo é cereja musical do bolo.

    The Winery Dogs
    Billy Sheehan (Foto: Daniel Croce/Roadie Crew)

    O deleite só não foi maior por causa do som alto além do necessário, mas o melhor da terceira passagem do The Winery Dogs pelo Rio de Janeiro foi o resultado: quem foi única e exclusivamente pelo trio saiu extasiado, enquanto os marinheiros de primeira viagem, aqueles que compareceram pelo Stone Temple Pilots, foram para casa impressionados com a novidade que presenciaram.

    Ainda havia um interseção no público, que aquela altura ocupada em bom número um Vivo Rio cuja parte de trás foi escondida por um grande pano preto – recurso para melhorar o visual da casa quando a venda de ingressos não foi a esperada ou a que deveria ter sido. Isso pouco importou para a audiência coluna do meio, a que curte tanto The Winery Dogs quando Stone Temple Pilots, que entregou exatamente o que ela esperava, que queria ouvir.

    Resumindo: das 16 músicos do repertório, nada menos que 12 foram dos dois primeiros discos, “Core” (1992) e “Purple” (1994), e somente uma representou a fase com o vocalista Jeff Gutt, “Meadow”, de “Stone Temple Pilots” (2018) e que serviu para que mesmo os fãs da banda californiana fossem ao bar pegar uma cerveja ou ao banheiro tirar água do joelho.

    Stone Temple Pilots
    Dean DeLeo (Foto: Daniel Croce/Roadie Crew)

    Ironicamente, o problema reside justamente aí. Apesar de os irmãos Dean (guitarra) e Robert DeLeo (baixo) e do batera Eric Kretz serem integrantes originais, o Stone Temple Pilots tem a aura de uma banda cover exatamente porque não consegue sair da sombra do falecido Scott Weiland. Não apenas musicalmente, o que não seria um problema, na verdade, mas principalmente no aspecto visual, já que Gutt encarna Weiland de uma maneira desnecessariamente teatral, afinal, não estamos falando da imagem de personagens como Spaceman ou Catman.

    Antes fosse apenas a voz, como fizeram Journey, com Arnel Pineda, e Kamelot, com Tommy Karevic. Não. Os trejeitos vocais são acompanhados dos movimentos corporais, da roupa, do cabelo descolorido… É tudo tão exageradamente copiado que Gutt transmite zero personalidade, e a impressão que fica é que o Stone Temple Pilots só existe para fazer aflorar num certo número de pessoas as lembranças dos anos 1990 que foram embaladas pela sua música.

    Stone Temple Pilots
    Jeff Gutt (Foto: Daniel Croce/Roadie Crew)

    No fim das contas, foi para isso que serviu “Plush”, o desejo do quarteto de soar como Pearl Jam que acabou se transformando na favorita da maioria dos fãs. Porém, sejamos honestos sempre: há material muito melhor que “Plush”, casos de “Big Bang Baby”, uma das duas canções representantes de “Tiny Music… Songs from the Vatican Gift Shop” (1996), e “Big Empty”, que rendeu uma rápida e justa homenagem de Dean a Tom Jobim – nem mesmo “Still Remains”, dedicada a Weiland, foi tão simbólica.

    Além disso, “Interstate Love Song” e “Sex Type Thing”, que acompanhou “Piece of Pie”, foram outros dos poucos momentos que se desvencilharam do clima protocolar da apresentação de uma banda que se acomodou com o passado a ponto de só olhar para trás ao dar qualquer passo para frente. E uma apresentação inesquecível ou incrível somente para o fã de Stone Temple Pilots que não assistiu ao grupo em 2010, no Circo Voador.

    Stone Temple Pilots
    Robert DeLeo, Eric Kretz (encoberto), Jeff Gutt e Dean DeLeo (Foto: Daniel Croce/Roadie Crew)

    Setlist Stone Temple Pilots
    Wicked Garden
    Vasoline
    Big Bang Baby
    Down
    Meadow
    Silvergun Superman
    Still Remains
    Big Empty
    Plush
    Interstate Love Song
    Sin
    Crackerman
    Dead & Bloated
    Trippin’ on a Hole in a Paper Heart
    Bis
    Piece of Pie
    Sex Type Thing

    The Winery Dogs
    Billy Sheehan, Mike Portnoy (encoberto) e Richie Kotzen (Foto: Daniel Croce/Roadie Crew)

    Setlist The Winery Dogs
    Gaslight
    Xanadu
    Captain Love
    Hot Streak
    Breakthrough
    Time Machine
    Stars
    Mad World
    The Red Wine
    I’m No Angel
    Oblivion
    Desire
    Elevate

    Velvet Chains
    Burton Car, Nils Goldschmidt e, ao fundo, Jason Hope e Ro Viper (Foto: Daniel Croce/Roadie Crew)

    Setlist Velvet Chains
    Wasted
    Back on the Train
    Pass the Disease
    Suspicious Minds
    Can’t Win
    Eyes Closed
    Last Drop
    Tattooed

  • KERNUNNA relança em CD remaster seu único álbum de estúdio, com faixas remixadas, bônus inédita e demos

    KERNUNNA relança em CD remaster seu único álbum de estúdio, com faixas remixadas, bônus inédita e demos

    POR ASSESSORIA 

    A banda brasileira de Folk Metal, Kernunna, formada em 2011 por três músicos remanescentes do Tuatha de Danann, quando a banda fez uma pausa entre 2011 e 2014, relançou em CD Digipack o seu único álbum de estúdio, “The Seim Anew”, com todas as músicas remasterizadas, uma faixa bônus inédita, “Down in the Road Ahead”, versões demos de algumas canções e versões remixadas de cinco das faixas originais do disco.

    Ouça o álbum original de 2013 abaixo:

    “The Seim Anew” foi lançado durante o Rock in Rio de 2013 e um ano depois foi licenciado no Canadá. Das nove músicas que integraram o álbum, seis foram compostas para o que seria o sucessor do “Trova di Danú” do próprio Tuatha de Danann, sendo que 4 delas já eram ensaiadas completamente pela banda (“Póg Mo Thóin”, “Ricorso”, “The Seim Anew” e ‘The Keys To. Given!”) e 2 delas já tinham demos gravadas (“Kernunna” e “The Seim Anew”).

    O Kernunna foi formado por Bruno Maia (Vocal, Guitarra, Violão, Bandolim, Bouzouki, Banjo, Flauta, Whistle e Whistle), membro fundador e ainda integrante da atual formação do Tuatha de Danann, Edgard Brito (Teclado) que também ainda integra o Tuatha de Danann, o até então baterista do Tuatha de Danann, Rodrigo Abreu (Bateria), além de Khadhu (Baixo, Cítara, Harpa Indiana e Vocais de Apoio), Diniz (Guitarra), Alex Navar (Flauta Irlandesa e Gaita de Fole Irlandesa) e Daiana Mazza (Violino).

    “As canções do disco apresentam uma faceta mais progressiva, aberta e representam o que seria o Tuatha de Danann se a banda não tivesse dado uma pausa naquele momento”, destaca Bruno Maia.

    A versão física em CD Digipack pode ser adquirida através do site: www.tuathadedanann.art.br/produto/kernunna-the-seim-anew-digipack

    O título do álbum é baseado em uma expressão cunhada pelo escritor irlandês James Joyce, do qual Bruno Maia é fã confesso. Além da faixa título, as músicas “The Keys to. Given!” e “Ricorso” também referenciam a obra “Finnegans Wake”, de James Joyce, enquanto a faixa “Snark” é uma alusão ao poema “The Hunting of the Snark”, de Lewis Carroll.

    Em outras duas músicas, o Kernunna explora o universo folclórico brasileiro. Em “The Last of the Seven Ears”, o tema versa sobre o personagem mineiro Sete Orelhas, um justiceiro dos tempos do Império. Já “Curupira’s Maze” é baseada no mito do Curupira, o personagem com os pés invertidos protetor das florestas e dos animais.

    Confira abaixo o vídeo para a inédita “Down in the Road Ahead”:

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  • Festival Setembro Negro comemora sua 15ª edição e realiza ‘Pre-Party’ no dia 07 de Setembro

    Festival Setembro Negro comemora sua 15ª edição e realiza ‘Pre-Party’ no dia 07 de Setembro

    POR ASSESSORIA

    É isso mesmo que você acabou de ler; em comemoração a 15ª edição do Festival Setembro Negro, haverá uma ‘pré-festa’ no dia 07 de Setembro (quinta-feira, feriado nacional) no Carioca Clube – os demais dias do festival continuam sendo: 08, 09 e 10 de Setembro (sexta, sábado e domingo), no mesmo local.

    As bandas que farão parte da ‘pré-festa’, são: Erasy (BR), Burn The Mankind (BR), Warshipper (BR), Leviaethan (BR), Primitive Man (EUA) e como headliner o lendário Voivod (CAN).

    ATENÇÃO: Aqueles que já compraram, ou irão comprar, o ingresso COMBO ganham o direito de acesso (sem custo adicional) a pré-festa. Basta apresentar o ingresso COMBO no dia da pré-festa para ter o acesso.

    Confira os valores dos ingressos da Pré-festa:

    PRÉ-FESTA XV SETEMBRO NEGRO FESTIVAL (07 de SET 2023)

    PISTA MEIA – R$ 150

    PISTA PROMO + 1kg – R$ 150

    PISTA INTEIRA – R$ 300

    CAMAROTE MEIA – R$ 250

    CAMAROTE PROMO + 1kg – R$ 250

    CAMAROTE INTEIRO – R$ 500

    INGRESSOS ONLINE PRÉ-FESTA: https://www.clubedoingresso.com/…/setembronegro-07-09

    INGRESSOS SEM TAXA DE SERVIÇO/CONVENIÊNCIA APENAS NA BILHETERIA DO CARIOCA CLUBE, EM DINHEIRO, DE 2A À 6A DAS 12H ÀS 18H.

    LOCAL: CARIOCA CLUB (R. CARDEAL ARCOVERDE, 2899 – PINHEIROS)

    CRONOGRAMA DE SHOWS:

    QUI 07.SET (PRE-FESTA)

    15:55 – 16:30 – ERASY

    16:50 – 17:25 – BURN THE MANKIND

    17:45 – 18:25 – WARSHIPPER

    18:45 – 19:30 – LEVIAETHAN

    19:50 – 20:40 – PRIMITIVE MAN

    21:00 – 22:00 – VOIVOD

    A 15a edição do festival traz bandas de vários estilos, como Heavy Metal, Death Metal, Thrash Metal, Black Metal, GrindCore, Gothic, Sludge e Doom Metal. Ao todo são 36 bandas, em 04 dias.

    Siga a página do evento no Facebook:

    https://www.facebook.com/events/582417270456029

    Acompanhe os canais oficiais da Tumba Productions para novidades:

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  • HÉIA: “Magnum Opus” é relançado em pró-tape na Argentina

    HÉIA: “Magnum Opus” é relançado em pró-tape na Argentina

    POR ASSESSORIA 

    Mesmo trabalhando na divulgação do atual álbum, “Ordeal Of The Abyss”, os goianos da HÉIA seguem colhendo bons frutos do trabalho antecessor, “Magnum Opus”. Devido a ótima repercussão na mídia especializada e no grande número de vendas, o full length acaba de ganhar mais um relançamento internacional em pró-tape, desta vez, pelo selo argentino Culto Nocturno Productions, que estará disponibilizando este material no próximo dia 23/05 em uma edição limitada de 66 cópias, confira: https://cultonocturnoprod.wixsite.com/circle/news Para mais informações, bem como adquirir este lançamento com exclusividade, escreva para [email protected] ou diretamente pelo site em www.cultonocturnoprod.wixsite.com/circle/copia-de-blasfemias. Em outras notícias, a HÉIA lançou recentemente seu mais novo lyric video, para a faixa “The Supreme Manifestation Of The Black Flame”, que visa também ampliar ainda mais o alcance da divulgação de “Ordeal Of The Abyss”, assista:

    Encontre a HÉIA e seus principais lançamentos em sua plataforma de streaming mais utilizada CLICANDO AQUIhttps://li.sten.to/Heia Contato: www.sanguefrioproducoes.com/contato Sites relacionados: https://www.facebook.com/hordaheiaoficial/ https://www.instagram.com/heia_oficial/ https://www.youtube.com/user/hordaheia https://li.sten.to/Heia Fonte: Sangue Frio Produções

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