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  • MAX AND IGGOR CAVALERA “RETURN BENEATH ARISE” – São Paulo/SP, 03 de novembro de 2018

    MAX AND IGGOR CAVALERA “RETURN BENEATH ARISE” – São Paulo/SP, 03 de novembro de 2018

    Os últimos dois finais de semanas foram inesquecíveis para os fãs paulistanos do Sepultura. No dia 27 de outubro (sábado), a formação atual da lendária banda brasileira se apresentou na Áudio, já na reta final da turnê mundial do bem sucedido Machine Messiah (2017). Sete dias depois, foi a vez de os icônicos Max e Iggor Cavalera retornarem ao Brasil para celebrar dois clássicos álbuns que forjaram com sua ex-banda: os mundialmente influentes e respeitados Beneath the Remains (1989) e Arise (1991). A ocasião histórica atraiu uma legião de fãs dos irmãos, que lotaram à Tropical Butantã. E nem a noite chuvosa e de fortíssima ventania – o que acarretou em queda de energia nas redondezas, que estavam perigosas para se andar -, e muito menos a mudança para o horário de verão (que aconteceria à meia-noite), afastaram o público. Apesar da baixa temperatura na capital, dentro da casa o calor beirava o insuportável. A falta de energia, que se estendeu durante toda a noite, resultou no não funcionamento dos aparelhos de ar condicionado, porém não interferiu na realização do evento, que contou ainda com a abertura de Endrah, Deaf Kids e Ultra Violent.

    Oriunda de Guarapuava (PR), a Ultra Violent foi quem deu início aos trabalhos. A banda garantiu sua participação após vencer um concurso online que era baseado em votação popular, concorrendo com outras catorze bandas, entre mais de 300 pré-selecionadas. O grupo, que em 2018 está completando 10 anos de existência, apresentou um thrash/core de responsa, cantado em português e baseado em muito peso fundamentado em andamentos arrastados, que valorizavam mais a cadência do que a velocidade. Na primeira música, Ansiedade, o microfone de Guilherme Rocha (vocal e guitarra) esteve bastante alto, mas a partir da segunda, I.N.E.R.T.E., tudo se ajeitou.

    Ao longo de curtos vinte e cinco minutos, o trio agiu certo ao abrir mão de falas ou discursos e passou bem seu recado através de fortes composições, que encontram nos riffs de Rocha e nos arranjos precisos do batera Rafael Pelete os seus pontos fortes. A cadenciada Um Passo Para Trás, de riffs hipnóticos, a citada I.N.E.R.T.E., com clara influência de Pantera, sob linhas grooveadas de Rudy Alves (baixo) e corrosivas de guitarra, e a moderna Centoenoventa, um metalcore que no decorrer ganhou belo clima com a pausa para o dedilhado denso e o curto e eficiente solo que surgiram, foram os destaques. Apesar de ter lançado um EP homônimo no ano de 2010 e alguns singles subsequentes, as novas músicas tocadas no show mostraram que já está na hora de os integrantes do Ultra Violent pensarem em um novo material de estúdio.

    Ultra Violent

    Em apenas 15 minutos, a equipe de palco deixou tudo pronto para os cariocas do Deaf Kids, que pouco antes das 21hs entraram em ação, proporcionando um clima desnorteante, que dava a impressão de estarmos diante da boca do inferno. Com o palco todo esfumaçado e intensa iluminação avermelhada, os experientes Dovglas Leal (guitarra e voz), Marcelo dos Santos (baixo) e Mariano de Melo (bateria) deram início com uma breve introdução, que culminou na caótica Limbo, música presente no split dividido em 2012 com a banda Timekiller, que reside no Vietnã. Com bastante rodagem pelo Brasil e algumas turnês europeias na bagagem, o que se viu do Deaf Kids foi uma apresentação fascinante. Quem assim como eu e até mesmo como o próprio Iggor Cavalera pira com sonoridades criativamente ‘non sense’, curtiu o experimentalismo da banda, que abrange influências de d-beat, punk, crust, metal industrial e afins alternativos e underground.

    Fazendo um trocadinho com o nome de uma das músicas tocadas pelo grupo de Volta Redonda, essa ‘espiral de loucura’ que é o som do Deaf Kids chamou a atenção até mesmo de quem não conhecia o seu trabalho. E apesar de causar estranhamento em alguns, o grupo ganhou o respeito do público ao executar músicas densas e viajantes, quase que instrumentais, construídas em cima de acordes pesados, dissonantes e diretos, e também em multiefeitos explorados por Leal tanto na guitarra, quanto em alguns vocais que eram inseridos por ele. Tudo isso resultava em uma atmosfera alucinógena. O set foi baseado, em sua maioria, no álbum Configuração do Lamento, que o grupo lançou no ano passado. Foi uma apresentação que vale destacar não só a performance de Leal, que tocava praticamente virado de lado, ora agitando, ora se abaixando pra comandar os efeitos em sua pedaleira, como também a de Mariano, que executava levadas criativas na batera.

    Sem atrasos no cronograma, o Endrah levou apenas dez minutos para entrar em ação. “Prata da casa”, por isso bastante conhecido do público paulistano, o veterano grupo, que em suas fileiras já teve no vocal e na guitarra base ninguém menos do que Billy Graziadei do Biohazard e também Fernando Schaefer (Worst, ex-Korzus / Treta / Rodox / Pavilhão 9 / Paura) na bateria, chegou agitando com seu thrash/death metal fortemente enraizado no hardcore. Se na primeira música, Worms of Envy, tudo parecia estar soando bem para os integrantes, para o público nada se ouvia do microfone do vocalista californiano que atende por Relentless. Com algumas manifestações da plateia em prol da banda, tudo foi resolvido durante o decorrer da música. Sem entender nada, os músicos ficaram surpresos vendo a reação dos headbangers, que na verdade estavam comemorando a resolução da falha técnica.

    Endrah

    A massa sonora despejada impiedosamente por meia dúzia de temas enfatizava o autointitulado álbum de estreia do Endrah, datado de 2006. A banda conquistou o público tanto musicalmente, quanto também pela presença de palco agressiva do grandalhão Relentless e pela qualidade técnica dos tarimbados César Covero (guitarra – Voodoopriest / ex-Nervochaos), Adriano Vilela (baixo – ex-Trator / Domained / Infects Humanity) e Henrique Pucci (bateria – Noturnall / ex-Project 46 e Paura). Os vocais furiosos de Relentless, os riffs e solos nervosos de Covero, as marteladas de Pucci e as linhas encorpadas de Vilela, que se destacou em Price Out of Paradise (do EP Shoot, Shovel, Shut Up, de 2016), em partes que lembravam o saudoso Death de seus álbuns mais intrincados, não deixaram pedra sobre pedra. Em Turns Blue, o público correspondeu ao pedido de mosh pit do frontman, mas foi na nova Your Life Deleted e em 61 Rounds que o bicho realmente pegou na pista. O Endrah foi visceral e instigou os ânimos da plateia, deixando-a com sangue nos olhos para o que viria a seguir.

    A partir daí, o show mais aguardado da noite demorou quase uma hora para começar. O calor era tanto, que durante o show do Endrah a produção resolveu abrir as duas portas laterais, para que ventilasse na casa. Eis que, por volta das 23h20, a famosa introdução que abre o álbum Beneath the Remains começou a ecoar nos falantes. A histeria foi geral, principalmente quando Max & Iggor Cavalera surgiram tocando a música que dá nome ao clássico álbum (com direito à paradinha mortal no decorrer). A pista se tornou um caos e ferveu ainda mais na sequência, assim que Max começou a narrar: ‘andando nessas ruas sujas’. Todos sacaram que era um gancho para o hino Inner Self e atenderam quando, estupefato com a recepção do público, Max apontou o microfone para que os fãs cantassem as primeiras estrofes. É impossível tentar descrever aqui o que se tornou o local naquele momento, especialmente na segunda parte da música, quando a banda parou e Max organizou a pista para o que chamou de “destruição”, antes de concluir o carro-chefe de Beneath the Remains.

    Max Cavalera

    Max e Iggor – que pra minha satisfação vestia uma camisa do Palmeiras, que horas antes havia vencido por 3 x 2 o clássico contra o Santos, disparando na liderança do Campeonato Brasileiro, faltando apenas seis rodadas para o encerramento da temporada de 2018 – estão muito bem amparados pelos mesmos músicos que acompanham o frontman em seu Soulfly. Se quando no Sepultura Max tinha em Andreas Kisser o par perfeito para a guitarra, não dá pra dizer menos do talentoso Marc Rizzo, seu fiel escudeiro há muitos anos. Quanto ao ex-Havok Mike Leon, provavelmente ele seja o tipo de baixista que Max Cavalera sempre sonhou em ter ao seu lado. O cara agita muito e toca um absurdo! Em Stronger Than Hate, por exemplo, Leon aproveitou a conhecida parte em que o baixo faz uma breve “firula” e mandou logo um solo, sendo bastante aplaudido. Ver os irmãos tocando a trinca seguinte formada por Mass Hypnosis, Slaves of Pain, que Max a apresentou dizendo que foi uma das primeiras músicas compostas para Beneath…, e Primitive Future, foi de cair lágrimas. Simplesmente emocionante!

    Passada essa primeira parte do show, em que as músicas foram tocadas numa pegada violenta e ainda mais velozes do que estamos acostumados ouvir nas versões originais de estúdio, era chegada a hora de celebrar agora o álbum que desde que foi lançado em 1991, tenho pra mim como o melhor disco do Sepultura: o inquestionável Arise. Foi de arrepiar quando Max, Iggor, Marc e Mike deixaram o palco e no som mecânico começou a rolar a introdução da própria Arise, a qual Max deu a deixa ao declamar: ‘under a pale grey sky / we shall arise’. E se as músicas de Beneath já estavam sendo tocadas de maneira acelerada, essa então nem se fala… Em Dead Embryonic Cells o chão literalmente tremeu, com todo mundo que estava na pista e nos camarotes pulando.

    E só melhorava: Desperate Cry, Altered State, que ganhou um final mais extenso, com uma atmosfera obscura ao melhor estilo Black Sabbath, tendo Max encerrando-a deitado no chão, Infected Voice… Cada uma com sua respectiva introdução sendo disparada no som ambiente. É importante ressaltar que nenhum dos dois álbuns têm sido tocados na íntegra. O que é uma pena, pois acho difícil termos outra oportunidade de vermos os Cavalera tocando Sarcastic Existence, Hungry e Lobotomy de Beneath the Remains e Murder, Meaningless Movements, Subtraction (uma de minhas favoritas do Sepultura) e Under Siege (Regnum Irae) de Arise. Para concluir o que restava de Arise no set, foi a vez de Orgasmatron, inesquecível cover que fez tanto sucesso no Brasil com o Sepultura, que na época chegou a tocar nas principais rádios especializadas do país. Foi legal que no meio dessa Max abandonou a guitarra e passou a cantar sob uma iluminação toda verde, remetendo ao que acontecia com Lemmy nos shows do Motörhead. Apesar de o objetivo do show ter sido concluído, com os dois álbuns do Sepultura tendo sido parcialmente revisitados, a banda só se retirou do palco após mandar outro cover do Motörhead, dessa vez para o hino Ace of Spades, com Max ainda apenas ao microfone.

    Ao reassumir seu kit, Iggor, que no auge do Sepultura era comumente apontando por muitos como o melhor baterista do mundo, foi ovacionado. E ele inflamou de vez o público quando deu início à uma das introduções mais aclamadas da história do thrash metal, sendo acompanhado por seus companheiros na bombástica Raining Blood. Mas a música pertencente ao Slayer foi abruptamente interrompida para dar lugar a Troops of Doom, uma das mais respeitadas do Sepultura – presente no lendário Morbid Visions, debut lançado há 32 anos. Na sequência, foi a vez de o quarteto avançar no tempo e relembrar do impactante Chaos A.D. (1993), álbum que cravou o nome do Sepultura entre as principais bandas do metal mundial. E não houve quem não agitasse com Refuse/Resist. Após rápida e estratégica saída do palco, Max Cavalera retornou também trajando uma camiseta do nosso Verdão e, evidenciando assim as suas ‘raízes’ palestrinas, anunciou a imortal Roots Bloody Roots, do álbum que influenciou toda uma nova geração de bandas, representantes dos novos estilos que surgiram a partir de então, como o metalcore e o new metal, por exemplo. Falo de Roots, álbum que marcou a despedida de Max no Sepultura.

    Para o encerramento, uma reprise estilo medley com trechos de Arise, Beneath the Remains e Dead Embryonic Cells. Um final apoteótico, com direito até a beijo da mãe Vania Cavalera (que assistia da lateral do palco) em seu filho Iggor.

    Passado tanto tempo desde que Iggor e, principalmente seu irmão, saíram do Sepultura, ainda existe muita polêmica em relação aos fãs. Porém, quem esteve na Tropical Butantã para prestigiar os Cavalera, certamente nutre muito respeito por eles – muitos também (inclusive este repórter), pela formação atual do Sepultura. Sem medo de errar, arrisco a dizer que quem compareceu à esse show, certamente o apontará como um dos melhores que aconteceram em São Paulo em 2018. Digo isso não apenas pelo fator técnico, mas também pela questão emocional. Se os fãs mais velhos da dupla puderam matar a saudade de ver Max e Iggor tocando clássicos que há muito tempo não presenciavam ao vivo, os mais novos tiveram a chance de sentir um pouco da emoção que sentíamos quando esses caras tinham o mundo do metal em suas mãos.

    MAX AND IGGOR – Setlist:

    Beneath the Remains

    Inner Self

    Stronger Than Hate

    Mass Hypnosis

    Slaves of Pain

    Primitive Future

    Arise

    Dead Embryonic Cells

    Desperate Cry

    Altered State

    Infected Voice

    Orgasmatron (cover do Motörhead)

    Ace of Spades (cover do Motörhead)

    Troops of Doom

    Refuse/Resist

    Roots Bloody Roots

    Arise / Beneath the Remains

    ENDRAH – Setlist:

    Worms of Envy

    Turns Blue

    Priced Out of Paradise

    A Lot of Blood

    Your Life Deleted

    61 Rounds

    DEAF KIDS

    Limbo

    As Mesmas Ferramentas, Os Mesmos Rituais

    In My Flesh

    Templo do Caos

    You’re Mine

    Propagação

    Pés Atados

    Lâmina Cortante

    Espiral da Loucura

     

    ULTRA VIOLENT – Set list:

    Intro

    Ansiedade

    Um Passo Para Trás

    I.N.E.R.T.E.

    Centoenoventa

    Lama de Sangue

    Quem É Você?

  • Dave Mustaine apresenta trecho de uma nova música do MEGADETH

    O líder do MEGADETH, Dave Mustaine, compartilhou um pequeno vídeo do baterista Dirk Verbeuren trabalhando em suas partes para uma nova música, a ser incluída no 16º álbum de estúdio da banda. Dave legendou o clipe: “The Cheshire Cat está sorrindo! Divirta-se. @Megadeth @VerbeurenDirk # Album16”. As sessões estão sendo co-produzidas por Chris Rakestraw, que trabalhou anteriormente no álbum Dystopia, de 2016.

    Em agosto passado, Mustaine confirmou à revista ‘Guitar World’ que o MEGADETH estava trabalhando em material para o sucessor de Dystopia. “Já estamos há algumas semanas”, disse ele. “Todos os membros da banda estão em casa escrevendo coisas e colocando-as no mesmo lugar, mantendo todos os riffs centralizados em um único lugar. Qualquer um de nós pode acessar as coisas de qualquer um de nós. E quando terminarmos, eu vou começar a montar tudo”.

    Perguntado se isso significa que veremos nova música do MEGADETH em 2019, Mustaine respondeu: “Absolutamente. Com certeza. Um álbum totalmente novo, eu diria que as chances são provavelmente de 95%. E pelo menos uma música nova, eu diria 100 por cento. Nenhuma dúvida”.

    O próximo trabalho do MEGADETH marcará o primeiro lançamento do grupo a apresentar Verbeuren, que se juntou oficialmente à banda há mais de dois anos.

    Dystopia foi o primeiro álbum do MEGADETH com o guitarrista Kiko Loureiro, anteriormente conhecido por seu trabalho com o ANGRA.

    O primeiro Megacruise do MEGADETH está agendado para o próximo outono (hemisfério norte). O barco partirá de Los Angeles em 13 de outubro de 2019 e visitará San Diego e Ensenada, no México, antes de retornar a Los Aangeles em 18 de outubro de 2019.

    Assista ao vídeo acessando o Twitter de Dave Mustaine, pelo link: Edições avulsas, assinatura física e digital. Conheça a nossa Roadie Crew Shop – acesse https://roadiecrew.com/roadie-shop
  • Holograma de DIO será levado para mais de 100 cidades em 2019

    Holograma de DIO será levado para mais de 100 cidades em 2019

    De acordo com a ‘Billboard’, a empresa de produção de hologramas Eyellusion, que criou o holograma de Ronnie James Dio, assinou com a Agency for the Performing Arts (APA), representada pelo sócio da agência Steve Martin.

    O holograma DIO retornará à estrada em abril, e deverá atingir mais de 100 cidades em 2019.

    O lendário cantor de heavy metal morreu em 2010, aos 67 anos, de câncer de estômago. Seu holograma estreou no festival Wacken Open Air em agosto de 2016, diante de mais de 75.000 fãs.

    A produção do holograma Dio usa áudio das performances ao vivo de Ronnie ao longo de sua carreira, com a banda DIO DISCIPLES tocando ao vivo – composta por Simon Wright na bateria, Craig Goldy na guitarra e Scott Warren nos teclados, juntamente com Bjorn Englen no baixo. Também aparecem com eles o ex-vocalista do JUDAS PRIEST, Tim “Ripper” Owens, e o ex-vocalista do LYNCH MOB, Oni Logan.

    Em abril deste ano, Wendy Dio, viúva do vocalista Ronnie James Dio, em uma entrevista para o podcast ‘Talking Metal’, falou sobre a turnê europeia Dio Returns, que traz o holograma do falecido vocalista para o palco.

    “Nós levamos o holograma para a Europa para testar as reações – basicamente para ver se havia uma audiência para ele”, disse ela. “Tudo é novo, e há muitas pessoas dizendo, ‘Oh, isso é apenas um vídeo’, ou ‘é só isso’. Então, queríamos ver se os fãs estariam lá para ver isso, e eles realmente estavam. Quer dizer, havia garotos que vinham até mim chorando, dizendo: ‘Obrigado por trazer Ronnie de volta ao palco’. E foi realmente uma viagem emocional. Foi ótimo. Nós vimos que os fãs estão definitivamente lá. Então isso foi apenas uma espécie de teste. Nós então trouxemos de volta. Há novas tecnologias aparecendo todos os dias, estamos preparando um show incrível, que sairá em 2019, e esperamos que aqui nos Estados Unidos também. Estamos fazendo algumas mudanças, estamos incorporando elas, então vai ser absolutamente incrível. Vai ser onde Ronnie canta junto com outros dois vocalistas ao mesmo tempo. E, claro, nós pegamos a banda de Ronnie, que tocou com ele nos últimos 17 anos. E é uma ótima experiência. Quer dizer, não há nada parecido. Há outros hologramas saindo, mas eles não são bandas de rock, para começar, e eles não estão saindo em turnê com uma banda. A banda toca ao vivo e depois toca junto com uma faixa ao vivo de Ronnie.

    De acordo com Wendy, as pessoas que viram o holograma na primeira parte da turnê europeia Dio Returns “acham que é real – pois parece realmente real. Não é um vídeo; é um holograma”, disse ela. “É em 3D e é como se ele estivesse no palco com uma banda ao vivo. E realmente, quando você está olhando para isso, você não pode dizer que não é Ronnie lá novamente”. Wendy continuou descrevendo o show Dio Returns como “uma experiência incrível”, ela diz. “Todo mundo que viu acabou se surpreendendo, e simplesmente adorou. Os pessimistas são sempre os que ainda não viram. E eu digo que todos têm o direito de opinar, mas vejam primeiro antes de dizer algo sobre isso.”

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  • A PALE HORSE NAMED DEATH lançará novo álbum em janeiro

    A PALE HORSE NAMED DEATH lançará novo álbum em janeiro

    A banda A PALE HORSE NAMED DEATH lançará seu novo álbum, intitulado When The World Becomes Undone, em 18 de janeiro de 2019.

    Liderado pelo fundador do TYPE O NEGATIVE e membro do LIFE OF AGONY, Sal Abruscato, o A PALE HORSE NAMED DEATH lançou sua estreia, And Hell Will Follow Me, em 2011 e implantou firmemente suas raízes na cena metal com o segundo álbum, Lay My Soul To Waste, em 2013. Ambos os registros foram selecionados como parte das listas “Top 20 Álbuns do Ano” da revista ‘Revolver’ nos anos em que foram lançados.

    Além de Abruscato na guitarra e vocal, a formação do A PALE HORSE NAMED DEATH inclui Joe Taylor e Eddie Heedles nas guitarras e Eric Morgan no baixo. Johnny Kelly (TYPE O NEGATIVE) também está de volta à banda, na bateria.

    When The World Becomes Undone será disponibilizado através da gravadora Long Branch Records, da SPV. O primeiro single, Love The Ones You Hate, será lançado em 16 de novembro.

    “É nossa assinatura a combinação de tons musicais aparentemente depressivos e escuros com melodias inesperadamente bonitas”, diz Abruscato. “Há um fenômeno hipnótico que acontece quando você pega riffs superpesados e adiciona uma sensibilidade harmônica”.

    When The World Becomes Undone foi masterizado por Maor Appelbaum (FAITH NO MORE, MEAT LOAF, YES, SEPULTURA, HALFORD) na Maor Appelbaum Mastering, enquanto a arte foi mais uma vez criada por Sam Shearon (ROB ZOMBIE, FEAR FACTORY, CRADLE OF FILTH).

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  • POISONOUS – …sem querer atrair holofotes desnecessários!!! Pelo DEATH METAL apenas!!!

    POISONOUS – …sem querer atrair holofotes desnecessários!!! Pelo DEATH METAL apenas!!!

    O Poisonous é uma banda que está na luta pelo verdadeiro underground por muitos anos e sua batalha travada com muita honestidade é reconhecida nos quatro cantos do planeta. Vivendo e se proliferando como uma praga no subterrâneo, essa horda vem se destacando mais e mais entre aqueles que realmente vivem nas trevas, com seu novo álbum a caminho e com título revelado, convidamos o seu mentor Alex Rocha para trazermos aos nossos leitores uma tomada geral de toda sua carreira. Essa é uma banda que já perpetuou seu nome e que honrosamente declara que a cada trabalho a responsabilidade aumenta e com os pés no chão, pois nada está ganho.

    Alex Rocha, Foto por: Divulgação

    O Poisonous foi formado por você quando sua outra banda o ImpetuousRage deu-se por acabado. A ideia de formar a banda já vinha mesmo antes do rompimento das atividades do Impetuous Rage? Como foi o início do Poisonous?

    Alex Rocha – Antes quero agradecer pelo espaço cedido ao Poisonous e o seu suporte a banda Éden!!! Nós nos conhecemos de longas datas e esse contato é uma honra para mim, que assim como você, transita no underground há um bom tempo nessa terra devastada!!!

    Bem, a resposta pra sua pergunta é sim e não. Vou explicar! A idéia de compor algo diferente do que já tinha sido feito antes no Impetuous Rage já existia, algo natural até levando-se em consideração que eram outras pessoas criando as novas músicas, e querendo ou não são novas perspectivas, influências e posturas. De início não era nossa intenção mudar o nome da banda, já vinhamos fazendo um bom trabalho e iniciar do zero seria uma etapa a mais para se superar, foi então que percebemos que estava ficando muito diferente tudo e ficou impossível não tomar essa decisão de matar uma banda estabelecida e reiniciar outra vinda do leito de morte da anterior! Aqui estamos nós dez anos depois!

    Falando um pouco no Impetuous Rage, essa banda também contava com o Alex Mendonça que passou por bandas renomadas como Carnified e Headhunter D.C., qual foi o motivo de uma banda tão promissora acabar depois do ótimo debut lançado “Inverted Redemption”?

    Alex Rocha – Na verdade a grande maioria daquelas músicas que estão no “Inverted Redenption” foram feitas pela primeira formação da banda, que tinha em sua line up além de mim, Bhruno, Daniel e Isaías, daí a diferença nas novas composições, o que levou ao término da mesma.

    2009 – Poisonous “Demo”

    Voltando ao nosso foco, o Poisonous, a banda em 2009 lançou uma demo que leva o mesmo nome da banda e que contou com a apoio da Genocide Productions. Como foi para vocês divulgarem o primeiro registro da banda? O suporte da Genocide Productions foi satisfatório?

    Alex Rocha – Foi algo fácil, pois já tínhamos experiência, o que não quer dizer que não tenha sido trabalhoso. Justamente por saber como funciona todo processo foi que dessa vez nos empenhamos mais ainda e os resultados foram alcançados. Fechamos parcerias com vários selos ao redor do mundo e a Genocide nos deu um apoio fundamental, não foi por acaso que o mesmo permaneceu ativo para que fosse possível continuar o trabalho no primeiro disco também.

    Essa demo foi fabricada em apenas 66 cópias, qual o motivo para este restrito número de materiais a serem distribuídos?

    Alex Rocha – 66 tapes é um número simbólico para nós, pelo formato tape em si ser de muita importância!!! O grande número de materiais espalhados foram em CD, quase 1000 cópias espalhadas pelo mundo, e nas mãos que nós julgamos como as certas.  

    A repercussão desta demo foi mesmo muito boa, tanto que no ano seguinte a banda lança também pela Genocide Productions o seu primeiro Full Length “Perdition’s Den” com uma belíssima produção. Como foi a repercussão deste debut álbum?

    Alex Rocha – Este álbum nos abriu portas, conseguimos lançá-lo em diversos formatos e até hoje ele tem sido re-editado constantemente. O lançamento da Genocide foi o primeiro e então depois disso não paramos, sentimos muito orgulho de toda dedicação e empenho empregado neste álbum. Fomos entrevistados por diversos zines de expressão mundial, falo do real underground e obtivemos bons reviews.

    Evil Tyrant, Foto por: Divulgação

    Quanto aos shows, houve muitos shows para divulgação deste álbum?

    Alex Rocha – Não foram muitos shows! Alguns em especial com o Queiron, Benediction, Assassin, Mystifier… Não costumamos tocar por tocar, tem que realmente valer a pena em todos os aspectos!

    Acredito que a tiragem desta vez foi bem maior, pois vejo que um material solicitado por bangers de todo o mundo. Nos fale sobre as re-edições…

    Alex Rocha – Sim! O “Perdition’s Den” foi liberado em LP pela Blood Harvest, com uma versão Die-Hard com nossa demo em um 7EP, na Bolívia saímos em tape pela Raw Blackult, digipack CD nos USA pelo Metal Hit, aqui fomos re-ditados pelo Soul Erazer, Tribulacion, Impaled, e recentemente na Europa pelo Caverna Abismal. Tudo isso nos deu possibilidade de criar uma base sólida e infernal em volta do nosso nome, o que nos deixa muito orgulhosos, mas com os pés no chão de que nada está ganho e que a responsabilidade só aumenta! Bom que seja assim!!!!

    Confesso que quando tive acesso a esse material fiquei de fato impressionado com a essência obscura que o álbum me transmitiu. Como foi toda concepção deste álbum? Qual a veia lírica por trás do “Perdition’s Den”?

    Alex Rocha – Foram tempos difíceis, mas vencemos. Esse álbum é 95% criação minha e muita gente não sabe disso. Não acredito que isso seja uma vantagem, mas é a verdade. Divido com Evil a letra de “Worthless Christ” e tem a participação de Michael com uns três ou quatro riffs no disco todo. Não quisemos chamar atenção no disco para isso, então colocamos que tudo foi feito pelo Poisonous, sem destacar um ou outro, e de certa forma acredito nisso porque por mais que eu tenha concebido a criação o resultado final são eles tocando, fomos nós três que demos vida a aquele ato de mortandade negra.

    2010 – Perditions Den “Debut Álbum”

    Nele realmente quisemos espalhar a peste negra em forma de música no mundo! Músicas como “Subterranean Rules” Fala do real espírito podre e negro de cultuar o verdadeiro metal extremo negro da morte e suas referências, “Creeping Impurity” é uma visão da idolatria louca da raça humana e foi baseada no filme “Seven”, “Under the Blessing of Death” eu a fiz assim que voltei de um funeral, é realmente um retrato daquela experiência… Tudo isso aliado à uma música podre, negra e pesada!!! Essa foi e é a nossa concepção!!!

    Falando de participações neste álbum, vi que o grande amigo Sérgio Baloff Borges participou da composição da letra de “Demons” e também participa deste trabalho cantando essa música. Como foi a experiência de tê-lo como parceiro na composição e na gravação?

    Alex Rocha – Baloff (Headhunter D.C.) é uma entidade, um combatente quando o assunto é Death Metal, e em se tratando desse cenário como um todo é um cara que está sempre antenado com as coisas, sejam elas novas ou antigas, então é um irmão, parceiro meu que nos ajudou muito, e ainda emprestou seu talento ao Poisonous, o que com certeza agregou um valor pesado ao disco!!! Agradecimentos eternos Nekro!!! Hails!!!

    A capa deste álbum foi feita por você e pintada pelo Fenriz, se trata do lendário Fenriz do DarkThrone?

    Alex Rocha – Não! O Fenriz em questão é um tatuador amigo de Evil que desenha muito bem. Eu criei a capa no computador e ele deu vida a ela no papel. Todo respeito aos dois Fenriz, mas esse não é o norueguês.

    Vi que a mixagem e masterização vocês contaram com um nome de peso, o Jera Cravo, a idéia de trabalhar com este renomado produtor partiu de você? Quais as suas impressões ao ouvir o trabalho finalizado por ele?

    Alex Rocha – Jera é um estudioso do assunto uma pessoa aplicada e competente, com experiência internacional. Tivemos referências dele por trabalhar com outras bandas locais e gostamos do que ouvimos. É um produtor que não nos deu dor de cabeça. Chegávamos pra ele com a proposta e obtínhamos o resultado! Nosso último trabalho, o “Coronation” tem a sua produção. Mesmo ele estando no Canadá nós captamos tudo aqui e ele deu o acabamento final!!!

    Poisonous, Foto por: Divulgação

    Recentemente tive a notícia que o Michael Hellriff deixou definitivamente a banda depois de ter se afastado algumas vezes no passado. O que de fato aconteceu para o seu desligamento por definitivo?

    Alex Rocha – Antes de tudo somos gratos a ele! Agora, relacionamento interpessoal humano é complicado. O que foi exposto sobre sua saída é baseado em fatos e se esses mesmos forem argumentados publicamente, se isso for possível, com certeza iremos promover a justiça regularizando todo e qualquer mal-entendido. Nosso comprometimento é com a verdade, e sempre será!!! Mas isso é passado e não existe mágoa, pelo contrário!

    Nós estávamos praticamente com o segundo disco 90% pronto, e chegamos a iniciar a gravação do mesmo, mas demos uma parada para rever alguns aspectos, foi então que todo planejamento foi interrompido de forma inesperada e com isso nos vimos na obrigação de ter que criar mais músicas novas, nada que o tempo e a dedicação de sempre não superem as barreiras criadas!!! Estamos vivos e apodrecendo com o Metal da Morte, fato!!!!

    Ao Vivo no Kill Again Metal Fest em 2017, Michael Hellriff à direita. Foto por: Divulgação

    Agora falando de futuro e planos, nós estamos com dois amigos como live session, enquanto não encontramos alguém em definitivo, mas se por caso aparecer algum show, são eles: Danilo Coimbra (Malefactor, Divine Pain) e George Lessa (Headhunter D.C., God Funeral), George até chegou a tocar com a gente no passado por um período breve e se lembra das músicas, isso não quer dizer que a banda terá dois guitarras ao vivo, não! Não é isso!!! Estou falando de possibilidades para honrar compromissos, será um ou outro, dependendo da agenda dos dois!

    Estamos bastantes e infernalmente motivados!!! Prova disso é que retomamos em julho, ao mesmo tempo do Poisonous, a nossa outra banda chamada CAIXÃO!!! Eu sobre o pseudônimo de Iron e Evil Tyrant, Only two guys band!!! Essa banda é mais na linhagem do Warfare Noise com algo de Bathory, Sodom, Hellhammer, é uma banda menos polida ou mais primitiva como queiram chamar, mas com a essência nos sete círculos do inferno. Acabamos de lançar uma demo com o título de “Black Coffin Entities” e a mesma estará disponível em breve no formato Pro-tape pelo selo Diabolous Productions da Bolívia, e ainda estamos em negociação com alguns selos europeus!!! Quem tiver curiosidade para escutar basta ir ao seguinte endereço e lá você terá sua alma possuída pelas entidades negras e seu corpo sem vida jogado em um caixão nos túmulos amaldiçoados da escuridão!!! Join us – https://caixao.bandcamp.com

    A banda já recrutou alguém para assumir os vocais e a guitarra?

    Alex Rocha – Ainda não! As pessoas que estão nos dando suporte agora como session members tem outras responsabilidades, mas mesmo assim estão empenhados em nos ajudar, e isso foi acertado de antemão. Somos eternamente gratos a eles!!! Com relação a um novo demônio em nosso círculo estamos sem pressa, pois tem que ser alguém compromissado com a causa de verdade! Não queremos apenas mais um e sim a pessoa certa. Não temos pressa se for para acertar na escolha. A voz Evil irá assumir!!!

    Como a banda encontra-se hoje?

    Alex Rocha – Estamos reorganizando as estruturas das músicas, fazendo algumas novas, criando e encaixando as letras, respondendo entrevistas…!!! Nesse meio tempo estamos mantendo contatos com pessoas, selos…, e dando seguimento ao Caixão também, que acabou de lançar sua demo, e muito provavelmente entrará no estúdio para um material novo no próximo ano!!! Estamos trabalhando muito!!!

    2014 – Death Apparitions Of The Damned Souls “Split”

    Voltando um pouco pra trás, em 2014 vocês participaram de um split produzido pelo selo peruano Crypts of Eternity onde também participou a banda americana Daemonic, em um LP limitado em 500 cópias. Como surgiu essa oportunidade de participar do split?

    Alex Rocha – Através de cartas! Ricardo, dono do selo, é um grande apoiador do cenário Death Metal mundial! O seu zine de mesmo nome do selo, é um dos melhores do mundo dedicado a esse estilo de vida. Da mesma forma se deu com o Daemonic! Nos reunimos com a proposta em mente e então começamos a planejar a capa, concepção e tudo mais. O resultado está aí, e no ano passado esse split teve sua versão em CD (Digipack/Regular) liberado pelo Crypts of  Eternity  e pelo Dark Recollections do México, que são os dois  selos por traz desse lançamento.

    Essa participação trouxe ainda mais visibilidade ao Poisonous fora do Brasil em sua opinião?

    Alex Rocha – Com certeza! Quando se está no meio certo com pessoas certas por mais que demore a resposta chega. Hoje não somos nem um grande nome, mas com certeza nós temos mundo a fora um certo alicerce que nos deixa em uma situação tranquila para poder focar nos novos trabalhos, e isso é necessário porque a cada trabalho que fazemos a responsabilidade aumenta.

    Neste mesmo ano, 2014, vocês são convidados para participar do volume 1 do grande tributo ao Headhunter D.C. Como você recebeu esse convite? Qual o seu sentimento ao participar deste tributo?

    Alex Rocha – Participamos com a música “Hallucinations” do álbum Punishment  At Dawn!!! O Headhunter D.C. é um ícone do metal nacional, assim como Vulcano, Sepultura, Genocídio, Impurity, Mystifier, Mutilator…, dentre tantas outras, e nós como brasileiros temos que valorizar quem realmente dá vida a música nacional extrema ou underground, sendo novos ou velhos atuantes ( zines, selos, metal webs, metal heads…) reais, porque são essas pessoas que caminham com a nossa bandeira sobre esse vale da morte que é o planeta terra! Somos nós quem jogamos aos quatro cantos do mundo a realidade nua e crua, somos como pesadelos para sociedade doente, então esse é nosso sentimento, o de satisfação de homenagear a todos que compartilham da mesma jornada!!! Sobre o convite, Baloff é meu amigo pessoal, e sabe do meu apoio!

    2017 – Coronation “EP”

    E em 2017 o selo Crypts Of Eternity lançou o 7” EP  “Coronation” contendo 2 músicas. Como foi lançado em apenas 300 cópias, não houve a idéia de lança-lo em versão nacional?

    Alex Rocha – Esse material teve uma ótima aceitação no cenário Death Metal e ficou sold out em pouco tempo. Ele foi liberado apenas na versão 7” EP, nasceu com esse intuito! Aqui no Brasil nenhum selo se interessou para liberar nesse formato, nós estamos aqui dispostos caso  alguém se interesse em viabilizar esse lançamento, podemos conversar.

    Este EP foi sold-out em muito pouco tempo no Peru, vocês tiveram a oportunidade de tocar em nosso país vizinho para celebrar este trabalho?

    Alex Rocha – Sim! Esgotou rapidamente!!! Não chegamos a tocar no Peru, fomos ao Chile em março de 2017 onde fizemos dois shows diabólicos com os hermanos!!! Um saludos ao Metal Chileno. Provavelmente o Peru será em breve, já temos algumas coisas acertadas nesse aspecto.

    Há possibilidade deste EP vir como faixas bônus de um próximo material ou mesmo uma repressagem?

    Alex Rocha – Não descartaria essa possibilidade, apesar de não existir nada de concreto sobre esse assunto.

    Cartaz do Kill Again Metal Fest Edição 2017

    Por falar em um novo material, agora em 2018 vocês entraram em estúdio para gravar o novo álbum que já tem nome “Doomed Pillars”. Como está sendo todo processo deste novo álbum?

    Alex Rocha – Tivemos que adiar nossos planos com relação ao novo álbum, mas nada que nos dê como vencidos, pelo contrário, estamos mais focados, determinados, e temos o tempo a nosso favor! Fazemos por devoção!!! Na hora certa irá acontecer, estamos empenhados nisso!!!

    Para o lançamento de “Doomed Pillars” a banda contará com apoio de qual selo?

    Alex Rocha – Nós recebemos um convite para uma avaliação de contrato de um grande selo norte americano, e se isso realmente acontecer será uma grande conquista! Por enquanto preferimos deixar em off para evitar especulações, fora esse, nós temos contatos na Polônia, Suécia, Itália, América do Sul!!! Costumo dizer que a sua música é quem irá abrir portas, pois é uma parceria! O selo quer qualidade musical dentro do campo do metal extremo e nós o suporte para propagar o caos!!! É assim que funciona!

    O que podemos esperar neste novo trabalho?

    Alex Rocha – DEATH METAL!!! Aliado com a escuridão, morte, teorias do caos, insanidade…, basicamente isso, com um som feito da forma mais honesta possível e com os pés no chão, sem querer atrair holofotes desnecessários!!!! Pelo DEATH METAL apenas!!!

    Cartaz do Eternal Hatred Festival

    Mudando de assunto, tenho uma pergunta que faço a todos aqui e você não vai ficar de fora. Como você vê a atual cena underground em nosso país?

    Alex Rocha – Vejo com um olhar crítico, o que não quer dizer que seja pejorativo! Já rodei esse mundo todo tocando e conheço outras realidades.  Nem tudo é ruim aqui, nós temos grandes bandas, um grande público que precisa de certa forma de apoio para poder apoiar mais. Precisamos mudar um pouco essa concepção de que a iniciativa principal tenha que vir do público, nós somos quem temos que dar o atrativo maior e fazer crescer o interesse e a procura e isso é possível investindo em qualidades básicas do tipo: Demonstrar respeito iniciando os shows nos horários previstos, por uma qualidade sonora para que as bandas possam desempenhar bem o seu papel, (Obs: Eu Já toquei em alguns eventos que o som da sala de ensaio tinha uma qualidade melhor do que o som do show). No início você vai deixando passar essas coisas pela devoção ao underground, mas com o passar do tempo começa a não funcionar mais porque existe empenho e dedicação no bagulho todo, as bandas não estão brincando. Promover parcerias também é outra boa iniciativa…, ou seja, agregar valor e estima aos eventos!

    Recentemente o Poisonous tocou em um festival, o Kill Again Metal Fest, e tudo isso foi respeitado!!! Resultado disso foi a casa cheia, vendas elevadas de merchandising, cerveja do lugar esgotada e por ai vai!!! Isso foi em 2017, o desse ano já aconteceu e foi vitorioso mais uma vez!!!! Que assim seja sempre!!!

    Cartaz do show em Santiago/Chile

    Importantíssimo também é valorizar a nova safra de bangers, lembre-se essa é a renovação, a manutenção do legado e um dia já fomos novos. Certo dizer que alguns dos novos ficaram pelo caminho, mas nós estamos aqui para provar que vale a pena apoiar quem está chegando!!! Tive apoio de muitas entidades do cenário aqui de Salvador quando novo e agradeço a eles por tudo!!! Hoje somos grandes amigos e lutamos juntos em prol da mesma causa!!! Metal Forever!!!!

    Não quero ser o dono da verdade, mas é apenas uma humilde opinião de quem já vive isso por mais de 20 anos. Discordando ou não toda e qualquer idéia é válida quando o resultado esperado é a manutenção do cenário como um todo, estamos aqui para evoluir enquanto existir o caminho da mão esquerda e do pé de lodo!!!

    Falando do lado ideológico e lírico, qual a posição que a banda adota perante ao underground? E falando da parte lírica, o que ou quem mais tem influenciado você nisso?

    Alex Rocha – Nossa conduta é a de maníacos metal-heads, vivemos isso!!! Nós falamos de pesadelos, medos, insanidades, destruição, genocídio, hecatombes, inferno, caos, multiverso e suas peculiaridades, temas científicos, enxofre fétido, doença espiritual e tudo isso influenciado por filmes, livros, textos, documentários, bandas, vivencias pessoais!

    Grande Alex Rocha muito obrigado pela entrevista cedida a este site e conte sempre com nosso apoio. As últimas palavras são suas…

    Alex Rocha – Nós que parabenizamos você irmão pelo empenho e iniciativa!!! Como dito antes, nos conhecemos há bastante tempo e hoje mais velhos, gordos, carecas, com filhos e família, mesmo assim ainda estamos aqui, com uma fome de Metal maior ainda, é isso irmão obrigado por tudo!!! “Subterranean Rules”!!!

    Abaixo segue o Lyric Video oficial da música Unmerciful Coronation faixa integrante do 7″ Vinyl EP lançado pela Crypts Of Eternity Productions: Ouça abaixo a primeira demo do Caixão “Black Coffin Entities”, atual projeto paralelo do Alex Rocha (Iron) e Evil Tyrant que em breve estará disponível em  K7:
  • MARDUK – 23 de setembro de 2018, São Paulo/SP

    MARDUK – 23 de setembro de 2018, São Paulo/SP

    Quando se fala em black metal, é quase impossível não mencionar aquela geração incrível de bandas que deu uma cara definitiva ao gênero nos anos noventa, na Noruega. Em contrapartida, quem de nós deixará de pensar na Suécia quando o assunto é o death metal? Pois os caminhos das duas nações estariam mais entrelaçados na música extrema do que se pode imaginar: enquanto os suecos se firmavam como grandes representantes do death europeu, a cena black norueguesa era formada basicamente por antigas bandas de death metal, que, revoltadas com aquilo que julgavam ser um caminho musical errado do estilo, se voltavam para uma sonoridade muito mais crua, esteticamente mais simples e notoriamente mais violenta do que a praticada anteriormente.

    Mas engana-se quem pensa que na Suécia não acontecia algo semelhante. Formado na Suécia em 1990 – justamente o ano em que o Entombed lançava Left Hand Path, talvez o álbum mais icônico do death metal sueco – por um Morgan Håkansson então com apenas 17 anos de idade, o Marduk passou por uma jornada musical em comum com a maioria das bandas norueguesas. O Marduk tinha fortes laços com o cenário death sueco, mas chegou ao seu primeiro álbum (Dark Endless, de 1992) já com a ambição de ser a mais extrema, blasfema e violenta banda do cenário black metal mundial. Quase trinta anos depois, com alguns álbuns clássicos na prateleira e visto como um dos gigantes do cenário, Morgan e o Marduk voltavam para São Paulo, para divulgar o 14º álbum completo de estúdio do grupo, o ótimo Viktoria, lançado em 2018.

    Com um álbum recém-saído do forno, é muito comum ver uma banda cuspindo fogo no palco, e a expectativa dos fãs paulistanos era enorme. Trajando suas vestes já tradicionais, recobertas de uma espécie de poeira que garante ao grupo o visual de um bando de soldados que marcha ao longo de uma cidade bombardeada, o Marduk atingiu forte já no primeiro golpe, tocando aquele que é talvez o seu maior clássico, Panzer Division Marduk. A recepção não poderia ser mais calorosa, e o grupo resolveu não baixar o clima, mantendo o foco no álbum que os colocou definitivamente entre os gigantes do black metal: Baptism by Fire manteve a sequência original do álbum Panzer Division Marduk (1999), e só então a primeira pausa da noite, uns poucos segundos necessários até para que voltássemos a respirar.

    Morgan empunhava sua guitarra com fúria, e via-se em seus olhos uma espécie de furor beligerante, uma gana que parecia contagiar os seus parceiros em busca de uma apresentação cada vez mais violenta e agressiva. O objetivo foi alcançado com sucesso em Wervolf, primeira do novo álbum a aparecer na noite. Of Hell’s Fire voltou a aproximar os fãs do passado glorioso dos guerreiros suecos, relembrando com terror e ódio o causticante Nightwing (1998), lançado na época em que ‘Legion’ ainda era o vocalista dos suecos.

    Alternando entre as eras ‘Mortuus’ e ‘Legion’, o Marduk continuou a apresentação com The Levelling Dust (Rom 5:12, 2007) e Cloven Hoof (World Funeral, 2003) e é apenas ser justo destacar a performance maníaca de Mortuus em ambas as canções. Aliás, aos bons leitores e fãs de black metal, vale o lembrete: Mortuus e o Funeral Mist lançaram um excelente novo álbum em 2018, Hekatomb, e quem ainda não conferiu, não deve perder a chance.

    Entrando na segunda parte da apresentação, as clássicas Throne of Rats (Plague Angel, 2004) e Burn My Coffin (Those of the Unlight, 1993) antecederam a explosão de mais um dos novos projéteis de Viktoria, a inspiradíssima Equestrian Bloodlust, uma das melhores composições do Marduk na última década. Aliás, diante de um show como este, é difícil não se perder em memórias, e recordar os dias em que o Marduk era ainda um nome novo no cenário, e cobria a Europa com chamas na turnê Sons of Northern Darkness, ao lado dos noruegueses do Immortal. Testemunhas daqueles primeiros tempos, Morgan e o reintegrado baixista Devo eram as atrações principais da noite, uma prova viva de que dedicação e trabalho duro podem sim garantir sucesso e prosperidade para um grupo de heavy metal, não importa quantos empecilhos lhe sejam impostos pelo tempo e pelos adversários.

    Assim, com o corpo no presente e a alma mergulhada no passado, o Marduk entoou mais um par de cânticos de fogo e treva, antes de dar fim a apresentação com o clássico sublime Wolves, uma canção concebida ainda nos tempos em que o black metal era o gênero musical mais perigoso e temido de que se tinha notícia. Finalizava-se mais uma passagem dos suecos por solo paulistano, e mais uma vez, vimos uma banda triunfante, segura de seu status e de sua importância. Os quase trinta anos de jornada nunca foram de paz para o Marduk, e dentre algumas baixas, eles sempre se mantiveram firmes no front. Que venham mais trinta anos, mais trinta anos sem paz para o Marduk, e mais trinta anos celebrando sua suprema vitória!

  • DREAM THEATER confirma título e capa do novo álbum

    DREAM THEATER confirma título e capa do novo álbum

    Os ícones do metal progressivo, DREAM THEATER, definiram Distance Over Time como o título de seu décimo quarto álbum de estúdio, previsto para fevereiro de 2019. A capa do álbum e um breve teaser podem ser vistos aqui.

    O DREAM THEATER dará início ao ciclo promocional de Distance Over Time com uma turnê norte-americana de seis semanas que será lançada em San Diego, Califórnia, em 20 de março. O pôster inclui o slogan “Comemorando 20 anos de Scenes From A Memory” uma referência ao aclamado álbum de 1999 do grupo, Metropolis Pt. 2: Scenes From A Memory, que a banda não apresentou ao vivo em sua totalidade em quase duas décadas. Não está claro neste momento se eles pretendem fazê-lo novamente em 2019.

    Para anunciar os detalhes de Distance Over Time, o DREAM THEATER contou com a ajuda de seus fãs para espalhar a notícia sobre o lançamento, e até mesmo para dar a notícia da data de lançamento do álbum, capa e compartilhar a primeira amostra do novo registro. Com este álbum, o DREAM THEATER esperava criar uma experiência de engajamento dos fãs diferente de qualquer outra previamente realizada.

    Recentemente o tecladista do DREAM THEATER, Jordan Rudess, confirmou que o próximo álbum da banda chegará no final de fevereiro de 2019. Ele disse ao ‘Metal Wani’ em uma nova entrevista: “Agora estamos mixando. Está sendo mixado enquanto falamos. Parece incrível, estou muito animado com isso. Há uma energia muito forte em torno da banda atualmente. Todos nos sentimos muito conectados e animados com o que está por vir. Mal podemos esperar para soltar a coisa toda em todo mundo. Isso tudo vai acontecer muito, muito em breve também, está bem na esquina”.

    Rudess já havia se mostrado animado sobre os resultados musicais do novo álbum do DREAM THEATER. Em setembro, quando a banda divulgou que havia terminado o processo de gravação do disco, ele declarou: “Este álbum vai ser incrível. Ele tem muita energia. Estou muito feliz com todas as partes de teclado. Ouvindo, tudo o que você pode fazer é sorrir”.

    O vocalista do DREAM THEATER, James LaBrie, declarou recentemente sobre o novo material: “Há um peso nele, há certa agressividade”, enquanto o guitarrista John Petrucci acrescentou: “Até agora, a música é pesada, é progressiva, é melódica, é esmagadora, e também é épico, então tem todos esses elementos, que… são os cinco pilares do DREAM THEATER, se você quiser chamar assim”.

    Petrucci insinuou em uma entrevista recente que o próximo álbum do DREAM THEATER será musicalmente inspirado pela turnê Images, Words & Beyond, em que o grupo pioneiro celebrou o 25º aniversário do seu álbum clássico Images And Words.

    O próximo álbum de estúdio do DREAM THEATER – seu 14º – será o primeiro da banda para o selo progressivo da Sony Music, o InsideOut Music. O grupo passou os últimos 25 anos gravando com várias gravadoras do sistema Warner Music Group, e mais recentemente a Roadrunner Records, que lançou cinco álbuns da banda entre 2007 e 2016.

    Eleito “Melhor tecladista de todos os tempos” pela renomada revista Music Radar, o virtuoso músico e compositor Jordan Rudess embarcará em uma turnê pelo Brasil realizando sua performance de piano solo: “FROM BACH PARA ROCK: A JORNADA DE UM MÚSICO”. A turnê, que começou nos EUA em março deste ano passou pela Europa e Ásia, chega ao Brasil em dezembro, nas cidades de São Paulo (07/12 – Teatro Opus), Belo Horizonte (09/12) e Rio de Janeiro (10/12).

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  • ROGER WATERS – Rio de Janeiro/RJ, 24 de outubro de 2018

    ROGER WATERS – Rio de Janeiro/RJ, 24 de outubro de 2018

    “Isso aqui também é uma família, quer eles gostem ou não.” Àquela altura do show no Maracanã, apenas os mais ingênuos acreditavam que Roger Waters não continuaria a fazer o que sempre fez: fazer da música uma plataforma para se posicionar social e politicamente. Antes do bis, ele puxou um recorte do The Independent e lembrou-se do momento em que leu no jornal britânico a notícia da morte da vereadora Marielle Franco, executada na noite de 14 de março. Foi a deixa para Waters chamar ao palco Anielle Franco, Luyara Santos e Mônica Benício – irmã, filha e viúva de Marielle, respectivamente – para um dos momentos mais marcantes da turnê Us + Them no Brasil. Um momento marcado pela frase de Mônica que abre este texto, pela lembrança de um caso que, quase oito meses depois, continua sem respostas e solução.

    E foi um momento que resumiu bem o efeito nefasto da polarização que tomou conta do atual momento político do país: as vaias de parte da plateia mostraram que questões partidárias já não importavam mais, porque a falta de compaixão foi um sinal alarmante de como o senso de humanidade está comprometido. “Marielle Franco ainda está conosco em nossos corações. De muitas formas, ela é a líder deste país”, disse Waters antes de vestir a camisa com os dizeres “Lute como Marielle Franco”. E à frente do telão com a foto de quatro amigas de Marielle – Talíria Petrone, nona deputada federal mais votada do Rio de Janeiro; e Renata Souza, Monica Francisco e Dani Monteiro, todas eleitas para a Assembleia Legislativa do estado –, Waters fez a arte final do próprio desenho: “Elas representam as sementes que Marielle deixou, porque Marielle acreditava nos direitos humanos. A maioria de vocês também, mas infelizmente nem todos”.

    Música? Sim, teve. E música de alta qualidade do início ao fim, como a dobradinha que encerrou a noite. E como se fosse uma continuação da homenagem a Marielle, “Mother” retornou ao espetáculo numa versão de arrepiar – o clássico presente em “The Wall” (1979) havia ficado fora do repertório em Belo Horizonte e Salvador –, com uma providencial resposta positiva da maioria do público ao “Nem fodendo” que surgiu no telão depois do verso “Mother, should I trust the government?”. Uma preparação à altura para a formidável “Comfortably Numb”, e a canção que carrega um dos solos mais bonitos criados neste e em qualquer outro universo – tocado com precisão por Dave Kilminster, apesar de o timbre de David Gilmour ser inimitável – emprestou a beleza necessária para finalizar uma noite com uma carga emocional poucas vezes vista e sentida num show. E numa turnê.

    Três horas e dez minutos antes, no entanto, a mesma noite teve início de maneira muito mais leve. Com conceitos retirados principalmente de três álbuns – “The Dark Side of the Moon” (1973), “Animals” (1977) e “The Wall” –, o show começou belíssimo com “Breathe”, “One of These Days” e “Time”, e nem mesma a chuva que, apesar de fraca, insistia em ir e voltar em intervalos irregulares esfriou os ânimos. A soberba performance conjunta das vocalistas Jess Wolfe e Holly Laessig em “The Great Gig in the Sky” fez cair o queixo de quem compareceu ao estádio – um público estimado de 47 mil pessoas –, enquanto “Welcome to the Machine” foi um excelente resgate da obra-prima “Wish You Were Here” (1975). Apesar da visibilidade ligeiramente prejudicada por causa da cobertura montada para proteger músicos e equipamentos da chuva, o impressionante telão prendia a atenção com imagens e, mais até aquele momento, animações espetaculares.

    A sequência de três músicas do álbum mais recente de Waters, “Is This the Life We Really Want?” (2017), serviu não apenas para destacar a banda – completada pelo ótimo Jonathan Wilson (vocal e guitarra), Gus Seyffert (guitarra, baixo e teclados), Bo Koster e Jon Carin (teclados), Ian Ritchie (saxofone) e Joey Waronker (bateria) –, mas principalmente para mostrar que o baixista e vocalista não é um ativista de ocasião. Não bastasse o sintomático título do disco, a emocionante “The Last Refugee” foi um espetáculo audiovisual à parte com a história das duas dançarinas no telão, separando o sonho da realidade, na representação de uma letra absolutamente tocante.

    Mas é verdade que boa parte presente no Maracanã queria hit. Principalmente aquela parte que aproveitou para ir e vir mais algumas vezes na busca por cerveja, e talvez ela tenha ficado parcialmente satisfeita com o que veio a seguir. “Wish You Were Here” é sempre muito bem-vinda, claro, ainda mais quando serve de entrada para “The Happiest Days of Our Lives” e, principalmente, “Another Brick in the Wall (Part 2)”, que contou no coral com a participação de alunos do Centro de Música Jim Capaldi, situado em Vicente de Carvalho, Zona Norte do Rio de Janeiro. Meninas e meninos que subiram ao palco vestidos de macacão laranja, e cada um com capuz preto cobrindo o rosto. Garotas e garotos que, aos poucos, se livraram das vestes de presidiário e mostraram camisas pretas com a palavra “Resist” escrita no peito, num momento de encher os olhos de lágrimas.

    Um tapa na cara antes do intervalo de 20 minutos repleto de mensagens sociais e políticas. Entre críticas pesadas (e justas) contra o fascismo, o racismo, a misoginia, o antissemitismo e o poder militar, sobrou também para personalidades como Mark Zuckerberg, não necessariamente por sua rede social, mas por acontecimentos como o vazamento de dados de 87 milhões de usuários para uso da Cambridge Analytica em propagandas políticas – o que levou o CEO a ter de se explicar durante cinco horas no Senado americano, o que também levou sua empresa a ser multada no Reino Unido. E, obviamente, o alerta que causou polêmica no Brasil: a inclusão do candidato de extrema direita à Presidência da República na lista de neofascistas em ascensão ao redor do mundo. Assim como aconteceu já no segundo show em São Paulo, o nome foi substituído pela frase “Ponto de vista político censurado”.

    Durante estes 20 minutos percebeu-se uma maioria favorável às mensagens de Waters, que voltou para ao palco para ampliar o espetáculo e distribuir respostas – afinal, não é papel do ministro da Cultura acusar publicamente o artista de estar sendo favorecido financeiramente, muito menos é o papel de qualquer veículo insinuar que Roger Waters cedeu ao que a produtora da turnê brasileira achava adequado. Isso é, no mínimo, ignorar a história do artista para taxá-lo de oportunista. E as respostas definitivas vieram com a usina termoelétrica Battersea – aquela da capa de “Animals”, cujo conceito é baseado em “A Revolução dos Bichos”, de George Orwell – se erguendo como parte de um dos cenários mais sensacionais da noite; e com a dobradinha “Dogs” e “Pigs (Three Different Ones)”, esta última muito mais do que um tapa na cara. Foi um soco no estômago.

    Resgatada para o repertório depois de uma ausência de quase três décadas, “Pigs (Three Different Ones)” mostrou aos brasileiros exatamente o que os americanos viram entre abril e setembro do ano passado. E não estou falando do porco inflável que sobrevoa a pista com os dizeres “Stay Human” e, em português mesmo, “Continue humano”. Estou me referindo ao manifesto contra o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ridicularizado de inúmeras maneiras com ilustrações no telão e no teatro montado no palco: Ao lado de figurantes usando máscaras de porco e empunhando taças de champanhe, Waters, também de máscara, passa a mensagem em três cartazes: “Porcos governam o mundo”, “Foda-se os porcos” e “Trump é um porco”.

    E você aí achando que o veterano músico inglês se curvou a interesses de terceiros. Lembremos todos: é o mesmo músico que, em 2012, homenageou Jean Charles, brasileiro assassinado no metrô londrino pela polícia britânica, que o confundiu com um terrorista. Lamentável mesmo, no entanto, foi a tentativa dos advogados do candidato de extrema direita de impugnar, junto ao Tribunal Superior Eleitoral (STE), a candidatura do adversário de esquerda não exatamente pelos mesmos motivos, mas… Bom, segue um trecho do documento: “Também afirma que Roger Waters age em consonância com o PT ao lamentar as mortes do capoeirista baiano Mestre Moa e da vereadora Marielle Franco, assassinada em março”. Você não leu errado. Não se pode lamentar a perda de uma vida. Duas, na verdade: a de uma vereadora eleita pelo voto, mas que foi executada, algo inconcebível num estado democrático de direito; e a de um senhor de 63 anos esfaqueado 12 vezes por causa de intolerância política. A ausência de compaixão é sintoma de uma assustadora falta de humanidade. É esta a vida que realmente queremos?

    Mas vida que segue, e o show chegou a outro dos momentos mais aguardados: o resumo de “The Dark Side of the Moon”. Com “Smell the Roses” – a quarta e última canção extraída de “Is This the Life We Really Want?” – no papel de intrusa, a suíte começou maravilhosamente com “Money” e, principalmente, “Us and Them”, com destaques para Ian Ritchie, cujas intervenções no sax foram sempre de tirar o chapéu, e Jonathan Wilson, dono de uma belíssima e suave voz. E o desfecho – antes do encerramento de fato, descrito no início deste texto – com “Brain Damage” e “Eclipse” ganhou contornos épicos quando, naquela última, lasers reproduziram tridimensionalmente o prisma da capa do icônico álbum. Um efeito impressionante e um deleite para quem, pouco antes, havia se emocionado cantando “And if the band you’re in starts playing different tunes, I’ll see you on the dark side of the moon”. Sem saber o que ainda viria pela frente…

    São Paulo (duas vezes), Brasília, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, Curitiba e Porto Alegre. Oito shows na quarta passagem de Roger Waters pelo Brasil – recordando: as três primeiras aconteceram em 2002, 2007 e 2012 –, mas definitivamente a mais emblemática de todas. Waters foi o cara certo no momento certo, mas não precisava driblar, mesmo que com elegância e maestria, uma ameaça velada de detenção como a que aconteceu em Curitiba; e não precisava ter sua integridade e o seu ativismo de toda uma vida questionados – pelo menos, mais gente agora sabe que “The Wall” não fala de construção civil, que “Pigs” não é trilha sonora de “Babe, O Porquinho Trapalhão” e que “Dogs” não é uma ode ao melhor amigo do homem. Portanto, que o eterno Pink Floyd possa voltar daqui a cinco anos e ver que, diante das nuvens negras que se avizinham, a lição foi aprendida. Resist.

    Nota do autor: assim como é importante ressaltar o óbvio, ou seja, que este artigo é de inteira responsabilidade do repórter, não representando necessariamente a opinião da ROADIE CREW; é necessário esclarecer que o mesmo artigo foi propositadamente elaborado ao fim das oito datas de Roger Waters e sua Us + Them Tour no Brasil.

  • SOCIALMASK: Assista vídeo clipes de revelação do Heavy gaúcho

    SOCIALMASK: Assista vídeo clipes de revelação do Heavy gaúcho

    No fim de 2014 e início de 2015 nascia na cidade litorânea de Torres/RS, ainda sem nome, um projeto que num futuro próximo viria a se tornar o SOCIALMASK, com músicos visando fazer um trabalho de extrema qualidade. Luiz Negrini (bateria) então convidou Douglas Bittencourt (guitarra, ex-colega de banda) para se juntar ao line-up. Juntos criaram os primeiros rabiscos e então Enoir Junior (baixo) foi convidado para fazer parte do projeto, pois sabiam que dali não viria nada menos do que o esperado. Juntos os três deram continuidade às composições e sem seguida, acrescentaram Max Lima (ex-Desolate Ways) para as guitarras e Gabriel Lima para os vocais.

     Com o time fechado, era hora de focar nas composições e gravações do primeiro trabalho, o EP “SocialMask”, que contém quatro composições 100% originais, lançado em agosto de 2018. Desde então o quinteto tem se empenhado em divulgar o material ao máximo, inclusive lançando dois vídeo clipes, para as músicas “How to Love Again” e “Glorious King”. Ambos contaram com a produção de Renato Chama, e primam pelo bom gosto e qualidade. Nas palavras do guitarrista Douglas Bittencourt, a parceria com o Renato da Chama Video Independente, “foi perfeita, com uma ótima sincronia na linha de trabalho, com uma linguagem direta e franca”. 

     Sobre o clipe de “How to Love Again”, Douglas explica: “A letra narra a experiência comum entre os membros da banda, que foi a de viajar por outros ramos da música e de trabalho, mas agora todos estão de volta a casa, novamente fazendo o som com muita verdade e vitalidade. Queríamos algo claro, verdadeiro, direto, preto no branco e assim aconteceu! Seguindo a tendência da arte do encarte e da capa do disco. A satisfação foi plena”.

     Assista o clipe de “How to Love Again”:

    https://youtu.be/-E_n_Fzmkj8

     Assista o clipe de “Glorious King”:

    https://youtu.be/VS_lE0X_dkY

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  • ARCH ENEMY convoca fãs brasileiros para prestigiarem aos cinco shows da Liberation Tour Fest 2018 pelo País

    ARCH ENEMY convoca fãs brasileiros para prestigiarem aos cinco shows da Liberation Tour Fest 2018 pelo País

    Apesar de já ter protagonizado shows impressionantes na Colômbia, Bolívia, Chile, México e Costa Rica, a banda sueca Arch Enemy, um dos nomes mais cultuados e respeitados do atual cenário do heavy metal mundial, parece que está mesmo é ansiosa para encontrar logo os fãs brasileiros. Alissa White-Gluz (vocal), Michael Amott (guitarra), Jeff Loomis (guitarra), Sharlee D’Angelo (baixo) e Daniel Erlandsson (bateria) enviaram recado especialmente para que o público prestigie aos shows da Liberation Tour Fest 2018, que passará por Porto Alegre (09/11 – Opinião), Fortaleza (11/11 – Armazém), Manaus (14/11 – Studio 5), Rio de Janeiro (16/11 – Circo Voador) e São Paulo (17/11 – Audio). A excursão tem a companhia do Kreator (ALE) e ambos vão promover os seus mais recentes álbuns e executar sets completos em formato co-headlining. Confira a mensagem em https://www.youtube.com/watch?v=Iiswy_jx6tY. Assista a um trecho da poderosa performance do grupo no Chile em https://www.facebook.com/49373264983/posts/10151241312314984. Após histórica edição de estreia reunindo cast invejável e trazendo com exclusividade nomes como King Diamond, Lamb of God, Carcass e Heaven Shall Burn, no Espaço das Américas, em São Paulo, este ano, o evento cresceu e estabeleceu bases para a concretização de um festival itinerante, que vai estremecer cinco capitais do País. A programação da Liberation Fest Tour 2018 é a seguinte: 09/11 – Opinião – Porto Alegre (Kreator/Arch Enemy) 11/11 – Armazém – Fortaleza (Kreator/Arch Enemy) 14/11 – Studio 5 – Manaus (Kreator/Arch Enemy/Shaman) 16/11 – Circo Voador – Rio de Janeiro (Kreator/Arch Enemy/Walls of Jericho/Excel) 17/11 – Audio – São Paulo (Kreator/Arch Enemy/Walls of Jericho/Excel/Genocídio) Ainda há ingressos à venda em todas as capitais. Mais informações nos serviços abaixo. Fãs do gigante do thrash metal alemão poderão ver pela primeira vez em nosso país a execução do aclamado “Gods of Violence”, 14º álbum de estúdio do Kreator, além das faixas clássicas que a banda conseguiu cristalizar ao longo de sua longa carreira como verdadeiros hinos do metal.

    Já o Arch Enemy retorna ao Brasil para apresentar o seu 10º álbum “Will To Power”, o segundo com a sua imponente nova vocalista Alissa White-Gluz. Desafiando todos os limites do metal combinando agressividade, peso e melodia de maneira profícua, “Will To Power” vem sendo exaltado como uma verdadeira obra épica do death metal melódico.

    Formado em 1998, na cidade de Detroit, o Walls of Jericho é um dos nomes mais respeitados do cenário do metalcore. Atualmente é formado por Candace Kucsulain (vocal), Chris Rawson (guitarra), Mike Hasty (guitarra), Aaron Ruby (baixo) e Dustin Schoenhofer (bateria) e seguem na estrada promovendo o álbum “No One Can Save You From Yourself” (2016).

    A grande surpresa do line-up e uma das atrações mais aguardadas deste ano é o grupo norte-americano Excel, tradicional representante do crossover mundial, que retorna a São Paulo e estreia no Rio de Janeiro. Formada em 1983 pelo vocalista Dan Clements e o guitarrista Adam Siegel, a banda gravou três álbuns, excursionou ao lado de No Mercy, Beowülf, Suicidal Tendencies, Cryptic Slaughter, Testament, Overkill, Megadeth, entre outros. Em 1991, o Excel despertou interesse após processar o Metallica por considerar que a música “Enter Sandman” era plágio de “Tapping into the Emotional Void”,  disco “The Joke’s on You” lançado dois anos antes do clássico “Black Album”, no entanto, a ação não avançou devido a uma assessoria jurídica imprópria. Em 1996, deram uma pausa nas atividades e voltando à ativa apenas em 2012. Desde então, Dan Clements (vocal), Alex Barreto (guitarra), Shaun Ross (baixo) e Michael Cosgrove (bateria) se mantem constantemente na estrada e conquistando novos fãs em shows pelos EUA, Japão e Europa. Exclusivamente em Manaus, os fãs terão a oportunidade de conferir o show de retorno do Shaman com a sua clássica formação original, após 12 anos longe dos palcos. Andre Matos (vocal), Luis Maruitti (baixo), Hugo Mariutti (baixo) e Ricardo Confessori (bateria) vão executar um verdadeiro best of dos álbuns “Ritual” e “Reason”.

    O representante brasileiro em São Paulo será o Genocídio. Com mais de 30 anos de estrada, Murillo Leite (guitarra/vocal), Rafael Orsi (guitarra), Wanderley Perna (baixo) e Gil Oliveira (bateria) prometem não ser meros coadjuvantes e  vão aproveitar a oportunidade para seguir divulgando o álbum “Under Heaven None” (2017).

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