Na sequência, Federoff respondeu a comentários de fãs na postagem afirmando que era algo que já pensava em fazer há algum tempo e que ela e o marido anunciariam futuramente a saída de ambos, negando boatos de suposta traição por parte dele.
“Alguns esclarecimentos já que muita gente decidiu especular nas piores formas possíveis:
–Ashok não está me traindo. Enquanto a turbulência de estar em uma banda teve um impacto em nós, continuamos muito certos de que nos amamos. Por favor, sejam gentis com meu marido. Ele é um bom homem.
– Nós já estávamos planejando sair da banda mais tarde nesse ano. Alguns eventos fizeram essa decisão ser adiantada para mim.
Neste momento não há nada mais a esclarecer, e eu apreciaria se deixassem os horríveis rumores fora da minha página e da minha caixa de mensagens.
Por favor, aproveitem os próximos shows nessa turnê, e deem muito amor à Kesley, que é uma das melhores cantoras que tive o privilégio de ouvir. Vocês a amarão.”
Após algumas horas, a banda, também através de seus perfis em redes sociais, confirmou a saída da musicista, desejando sorte na carreira e afirmando que a turnê continuaria com a cantora e o membro da equipe de apoio, Kesley Peters, assumindo os teclados e a voz das partes femininas para os shows subsequentes. Curiosamente, até então em momento algum foi dito oficialmente que o guitarrista Ashok sairia da banda, o que deixou tudo mais confuso.
“Olá, Filthlings,
Uma sequência estranha de eventos ocorreu aqui na turnê do Cradle of Filth na América do Sul.
Nossa tecladista/backing vocal, Zoë, escolheu deixar a banda no meio da turnê, com efeito imediato.
Nós, claro, desejamos a ela tudo de melhor para o futuro e nós como banda continuaremos em frente com a substituta Kesley Peters, membro da nossa equipe muito talentosa.
Na vida, não podemos prever o que o futuro nos guarda, mas nos manteremos sempre profissionais e continuaremos com os shows da The Screaming of Americas para nossos fãs sem permitir que nada disso prejudique nossa trajetória adiante.
Então, nossos irmãos das Américas do Sul e Central, nos vemos nos próximos shows.
Os shows já foram incríveis no Brasil e nós estamos excepcionalmente gratos por sua presença massiva, meus amigos e demônios.
Vida longa ao FILTH
Dani Filth, Buenos Aires, Argentina.”
O momento que tudo pareceu sair de controle foi quando Ashok postou um texto em apoio à sua esposa e confirmou que sairia da banda após o término do giro pelo continente, comprometendo-se a cumprir com os shows da turnê. Não apenas isso, ele também citou os motivos que os levaram a tomar tal decisão, citando, dentre outras coisas, má conduta da empresa de gerenciamento da banda, baixo cachê, muitas vezes com falta de pagamento, compromissos exaustivos de agenda e falta de cuidado para com o bem-estar dos integrantes por parte dos empresários. Até mesmo o cantor pop inglês Ed Sheeran foi citado como uma das razões para o rompimento com o grupo — a banda está gravando um EP em colaboração com o astro pop, algo que o agora ex-guitarrista chamou de “tolice”, e disse que avisou para que retirassem toda sua parte já gravada para o tal material. Por fim, ele pediu respeito à sua esposa.
“Caros fãs e amigos,
Peço que, por favor, respeitem a mim e a minha esposa nesse período de transição. Eu estou de fato saindo do Cradle of Filth no fim dessa turnê corrente, e as razões por trás disso são as conclusões que eu e minha esposa tiramos juntos bem antes dessa semana. Nós simplesmente não sentimos que o Cradle pode prover para nosso futuro, e, na verdade, (nos) prejudica.
Dentre outras razões isso é muito trabalho para um pagamento relativamente baixo, o estresse é muito grande, e nós não sentimos já há algum tempo que a banda prioriza/cuida dos membros. Foram anos de comportamentos não profissionais de pessoas acima de nós que nos levaram a essa decisão.
Eu também pedi para que todas as minhas contribuições para o EP que inclui colaboração com o Ed Sheeran sejam removidas. De qualquer forma, essa música me parece uma palhaçada besta neste momento – primeiro era um single de caridade para crianças, depois um single para ter lucro, e aí para o próximo álbum, e agora sabe-se lá o que é e eu não quero estar envolvido nisso mais, sem desrespeito ao Ed Sheeran.
E enquanto isso muitas mentes “brilhantes” na internet tentam especular sobre os assuntos pessoais entre mim e a Zoë – por favor, parem. Estamos tentando começar um novo capítulo.
E eu vou acabar essa turnê firme! Para os fãs e meus amigos da banda e equipe! É minha última jornada com o Cradle, e sou orgulhoso de dar meu melhor. Eu estou muito triste de não dividir o palco com minha esposa nessas últimas vezes, mas eu respeito o porque ela saiu e estou feliz que nossa amiga Kesley Peters tem sua chance de brilhar.
Isso é tudo que tenho a dizer por enquanto. Deixem minha esposa em paz. NUNCA insultem ela ou suas escolhas na minha presença… ou então (emoji de soco)
Em uma das postagens mais polêmicas e radicais possíveis, a ex-tecladista, pela primeira vez, citou diretamente o frontman Dani Filth, a quem acusou de ser conivente com a situação. Também disse que, embora as atitudes sejam da equipe de empresários, tudo é aprovado pelo vocalista e dono da banda.
Zoë seguiu acusando-os de comportamentos abusivos em questões trabalhistas, além de afirmar ter tido um aborto espontâneo durante turnê, sem dizer quando.
Mais que isso, na mesma publicação, ela expôs o contrato que havia assinado com a banda para prestação de serviços, chamando a si mesma e aos colegas de músicos contratados – exceto o vocalista – e expondo, dentre outras questões burocráticas, os valores pagos a ela: 200 libras por dia de shows e gravações, 150 por dias viajando, 1.000 anuais de direitos de imagem e 25 para outras atividades não especificadas relacionadas à banda; valores que, segundo ela, não eram suficientes sequer para pagar os custos básicos de vida a ela e sua família. Disse, inclusive, que tais valores supostamente não estavam sendo pagos conforme combinado.
“Uma nova declaração sobre a partida minha e do Ashok do Cradle of Filth e um aviso a nossos sucessores – LEIAM O CONTRATO.
Nós planejamos essa transição para fora do Cradle of Filth meses atrás. Empresariamento é desonesto, manipulador, e tenta tomar dinheiro que pertence a nós sem contrato entre os músicos e ele. Quando abordei eles sobre essa tentativa de roubo dos valores adiantados do álbum Screaming of the Valkyries (sic), fui chamada de “câncer” e “cavalo morto” e ameaçaram me demitir. O frontman não faz nada para pará-los e se esconde atrás deles enquanto eles abusam e roubam. Nós colocamos o frontman como responsável por contratar esse empresariamento e nunca defendendo o time, apenas ele mesmo. Outros ex-membros tentam ser cuidadosos quanto a isso e apenas culpam os empresários – os empresários trabalham para o frontman.
Ele pode não sujar as mãos, mas no fim, ele os dirige. A atmosfera que ele cria é ameaçadora e abusiva e constantemente nos explora por salários muito baixos e exige exclusividade à agenda do Cradle. Nós não ganhamos nem o mínimo para sobreviver, e ao mesmo tempo somos avisados para não fazer turnês com outras bandas para complementar esses ganhos. É loucura manter pessoas presas em pobreza pelo ego de uma pessoa.
Nós vamos colocar o contrato que eles tentam usar para prender todos os membros de sessão para um aumento de 25% (o primeiro em 7 anos). Nosso advogado chamou esse de o contrato mais psicopata que um músico de apoio já foi submetido. Nós não assinamos e tomamos a decisão de sair esse ano, em vez disso.
Então, saímos porque estávamos sendo usados e pagos menos que o custo de vida, o ambiente é tóxico e ameaçador…
…e o peso que isso estava tendo nas nossas vidas e no nosso casamento ficou grande demais. O peso na nossa saúde me levou a ter um aborto de nossa primeira gravidez durante turnê. Nós escolhemos sair para salvar a nós mesmos e criar um futuro melhor para nossa família. Agora que estamos fora, o sol está brilhando, nossa família tem esperança, e esperamos que todo músico de apoio que pense em entrar no Cradle leia esse contrato e fale com um advogado.
Boa sorte a quem quer que tente fazer isso funcionar na próxima vez. Nós conhecemos aquele cara que tenta falar que todos os “ex” são loucos – tem certeza que TODOS eles? Ou talvez o problema seja você, mais de 40 pessoas depois?
Adeus aos fãs e a nossos colegas músicos de apoio e à equipe. Eles são a única parte disso que nos deixou boas memórias.”
Pouco após a postagem, Dani Filth se pronunciou mais duramente sobre o caso: em publicação em seu perfil pessoal, compartilhada pelo canal oficial do Cradle of Filth, o frontman anunciou a demissão com efeito imediato de Ashok, chamando de “difamação” o que foi dito pelo casal e dizendo que tomará medidas judiciais contra os dois. Também confirmou que a turnê continuaria como agendado e que fariam alguns shows apenas com um guitarrista no palco, até que o substituto, sem citar quem seria, pudesse viajar para se encontrar com a banda.
Disse, ao final, que tudo seria esclarecido no devido tempo e que “a verdade sempre aparece”.
“É com coração quebrado que o Cradle of Filth anuncia a demissão do guitarrista Merek ‘Ashok’ Smerda da banda, com efeito imediato.
Apesar de todas as tentativas de ilegalmente difamar e prejudicar a banda, Cradle of Filth NÃO VAI cancelar nenhum dos nossos shows na América do Sul, embora os fãs tenham que aguentar conosco ser uma banda com apenas um guitarrista ao vivo, claro até o substituto temporário de Ashok conseguir pegar o voo para se juntar a nós em alguns dias.
Obrigado por sua compreensão, nessa questão horrível, estamos todos em estado de choque por conta desses acontecimentos e vamos mostrar nosso lado desses eventos em dado momento. Por favor, respeitem nossa decisão de separar de Ashok agora em vez de esperar o fim da turnê e evitem especulações já que mais explicações da situação serão dadas.
O resto da banda está bem, mesmo que atordoada, e as acusações contra nossos empresários, que trabalham bem próximos de mim e da banda são completamente injustas e infundadas.
Paciência é uma virtude, e a verdade sempre aparece.
Obrigado novamente meus caros Filthlings e estamos ansiosos para o resto da turnê “The Screaming of Americas” aqui no Uruguai e adiante.
Seu demônio, Dani.”
No dia 26 de agosto, em Montevidéu (URU), apenas três dias após o show em São Paulo, onde todo o caso começou, a banda se apresentou, pela primeira vez, com apenas um guitarrista. Confira aqui.
Na ocasião, ao postar as fotos e vídeos da apresentação, o baterista Marthus Škaroupka fez uma discreta referência indireta ao assunto, falando “Montevidéu, obrigado!!!! Nós NUNCA cancelaremos um show.”
Enquanto a banda se resumiu a fazer pronunciamentos oficiais sem maiores detalhes, Zoë Marie Federoff continuou com ataques diretos. Quando Dani Filth postou em seus stories no Instagram uma imagem com o texto “nunca entre em guerra contra uma bruxa”, a ex-integrante respondeu diretamente ironizando, dizendo ser católica, e que “Deus te ama e vê a beleza e verdade a que você foi feito para”. Logo após, postou uma foto de uma igreja com a frase “Viva Cristo Rei!” em espanhol (“¡Viva Cristo Rey!”). Em outra postagem, ela questiona o suposto processo sugerido por Dani Filth por difamação, dizendo que o ônus da prova, no caso, é de quem acusa, e que tudo que postou ali era verdade.
“Está tudo bem, Dan. Se vamos trazer crenças espirituais a isso, eu sou católica, e estou rezando para sua salvação. Deus te ama, e vê a beleza e a verdade a que você foi feito para. Ele quer que você seja uma pessoa melhor. Se arrependa e acredite no evangelho…
…ou ao menos pare de postar essas besteiras.”
“Nunca se esqueça que em processos de difamação, o ônus da prova é de quem acusa.
Tudo que eu disse é verdade.
Sua vez, Bradley.”
Nota: diferente do que a tecladista disse, difamação não significa uma mentira contada sobre tal pessoa ou caso (diferente de calúnia, que é imputar falsamente um fato criminoso a uma pessoa). Por definição, difamação se refere a imputar um fato que manche a honra de uma pessoa, seja ela verdade ou não. Exemplo: “Seu Antônio, meu chefe, trata mal os funcionários”. Mesmo que tal afirmação seja verdadeira, dizer isso publicamente com o intuito de prejudicar a imagem de seu Antônio, é classificado como difamação.
Em nova exposição de mensagens por parte da tecladista, foi divulgada uma mensagem do integrante e fundador da banda de metal industrial Fear Factory, Dino Cazares, em que ele demonstra apoio a Dani Filth, chamando a ex-tecladista de “bipolar”. Aparentemente, a mensagem que era para ser direcionada ao vocalista do Cradle of Filth, foi enviada por engano para Zoë Marie.
“Aquele momento constrangedor que o Dino Cazares apoia o cara roubando de seus membros de apoio (numa resposta errada ao story, além de tudo)”
A mensagem em questão enviada erroneamente para a própria Zoë, que supostamente era para ser enviada a Dani Filth, diz:
“Parece que ela copiou e colou aqueles textos tirados de contexto, e pelo que você falou sobre como viu ela agindo, parece que ela é bipolar.”
Por fim, Dani Filth finalmente respondeu, em outra publicação, a todas as acusações e apontou seu lado da história, com um longo texto explicativo.
O vocalista expôs brigas, inclusive físicas, do casal antes e depois de shows, atitudes rudes da tecladista com fãs e equipe no lobby do hotel após o show em São Paulo (algo que pudemos confirmar falando com quem estava presente), além de falar sobre o suposto alcoolismo dela e de seu marido, o que levava a brigas constantes em turnê. Também deu sua versão sobre o contrato exposto, expôs as conversas deles com os empresários, dentre outras respostas.
“Saudações a todos,
Acho que é hora de revelar o meu lado da história, agora que muitas acusações foram feitas à banda e aos empresários, e a mim pessoalmente. Peço desculpas pela pequena demora nessa declaração; é importante abordar isso da forma mais racional após a reflexão. O momento também era difícil, já que a banda está em turnê na América do Sul, com árduos dias de viagem, longos voos e os shows.
Eu não acredito em calúnias, mas quero esclarecer alguns pontos:
- Primeiro, o contrato em questão:
- Ninguém está proibido de tocar com outros grupos e complementar sua renda. Nós atualmente agendamos turnês para cerca de 40% do ano, e o resto está livre para outros compromissos. Muitos de meus colegas de banda estão com outros projetos, como pode ser visto em suas redes sociais. NÓS NÃO PROIBIMOS nossos músicos de terem compromissos com outras bandas, apenas pedimos para se organizarem e criarem seus cronogramas com antecedência conforme a situação permita.
- Estou triste em ver que a Zoë está pegando fatos para criar uma agenda, mas estou disposto a compartilhar a história completa, incluindo detalhar eventos que aconteceram nos primeiros três dias de nossa turnê na América do Sul, para mostrar uma imagem mais balanceada e as pessoas tirarem suas conclusões baseadas no contexto mais amplo.
- É importante para mim que artistas ao meu redor sintam que seus pedidos sejam vistos e valorizados. Eu acredito que seja assim na maioria dos casos, já que alguns dos membros remanescentes estão comigo há mais de 10 anos. Estamos sempre tentando melhorar, então estou aproveitando o momento para ter um melhor diálogo com a banda, criando um contrato mais elaborado, que deixe todos confortáveis e protegidos no futuro.
- Sobre o empresariamento:
“Sério, Ashok,
Quando sua esposa precisou de mim, e precisava falar sobre sobriedade, e que precisava entrar no Cradle of Filth, eu era o cara legal.
Estou expondo fatos.
Pare de pressionar o Dani em turnê repetidamente, pois ele está tentando conseguir dinheiro para pagar vocês”, Dez Fafara respondeu imediatamente depois.
Nota: Dez Fafara, o empresário citado no caso, é o vocalista e líder da banda de nu metal americana Coal Chamber.
Em resposta, Zoë Marie Federoff apenas postou um curto texto em suas redes sociais, chamando de “mentiras” o que foi dito na declaração de Dani Filth.
“É uma declaração falsa em múltiplos ângulos, e a resposta de nosso advogado está vindo.
Isso é tudo por enquanto.”
Zoë Marie Federoff ficou no Cradle of Filth de 2022 a 2025. Em três anos como tecladista e vocalista, gravou o disco The Screaming of the Valkyries (2025). Merek “Ashok” Šmerda foi guitarrista da banda durante mais de uma década, de 2014 a 2025. Durante sua passagem, registrou os álbuns Hammer of the Witches, Cryptoriana – The Seductiveness Decay, Existence is Futile e The Screaming of the Valkyries, além do ao vivo Trouble and Their Double Lives.
Merek e Zoë, ele tcheco e ela americana, se conheceram após a entrada dela na banda, e pouco tempo depois começaram o relacionamento amoroso. Em janeiro de 2025, se casaram oficialmente; continuaram na banda por mais oito meses após a oficialização da união.
O Cradle of Filth segue em sua turnê de divulgação de The Screaming of the Valkyries pela América Latina e já possui datas para os próximos meses na Europa. A banda segue com Dani Filth (vocal), Donny Burbage (guitarra), Daniel Firth (baixo), Marthus Škaroupka (bateria) e, provisoriamente, Kesley Peters (teclado e vocal). O substituto, mesmo que provisório, de Ashok na segunda guitarra ainda não foi anunciado.
Clique aqui para seguir o canal ROADIE CREW no WhatsApp




















