BOB DAISLEY diz ter sido demitido por OZZY após repreendê-lo por faltar aos ensaios e querer mudar músicas

Bob Daisley, baixista e letrista fundamental na fase clássica da carreira solo de Ozzy Osbourne, voltou a comentar sua turbulenta relação profissional com o cantor. Em entrevista à revista Guitar World, o músico relembrou episódios envolvendo créditos de composição, mudanças de formação e até uma demissão que durou apenas algumas semanas.

Responsável pelas linhas de baixo e pelas letras de álbuns como Blizzard of Ozz (1980) e Diary of a Madman (1981), Daisley afirmou que seu papel criativo permaneceu essencial mesmo quando deixou de ser considerado integrante oficial da banda. Segundo ele, também teve participação decisiva em discos como Bark at the Moon, The Ultimate Sin, No Rest for the Wicked e No More Tears.

Um dos temas abordados foi a polêmica envolvendo os créditos de Diary of a Madman. O baixista voltou a criticar o fato de o álbum trazer o nome de Rudy Sarzo nos créditos de baixo, apesar de ter sido gravado por ele e pelo baterista Lee Kerslake.

“Ver todo aquele trabalho creditado a alguém que não teve participação alguma foi devastador. Foi como levar um soco no estômago. Gostaria de ver os créditos corrigidos antes de partir desta vida”, declarou.

Ao falar sobre a preparação de The Ultimate Sin (1986), Daisley recordou um desentendimento com Ozzy durante os ensaios. Segundo ele, o cantor não vinha comparecendo às sessões e, quando chegou a hora de gravar algumas músicas, tentou alterar partes já definidas.

“Quando tivemos que registrar aquelas quatro músicas em apenas dois dias, ele começou a beber, fumar maconha e querer mudar algumas partes. Eu disse que ele deveria ter aparecido nos ensaios e que era tarde demais para começar a mudar tudo naquele momento.”

A reação veio rapidamente.

“No dia seguinte recebi um telefonema dizendo que eu estava fora da banda.”

A situação, porém, mudou pouco tempo depois. O músico contou que recebeu uma nova ligação de Ozzy algumas semanas mais tarde.

“Duas semanas depois ele me telefonou e pediu que eu escrevesse as letras de todo o álbum. Como eu já tinha investido muito naquele trabalho, aceitei.”

Durante a entrevista, Daisley também falou sobre os guitarristas que passaram pela banda após a morte de Randy Rhoads. Para ele, Jake E. Lee assumiu uma missão extremamente difícil, mas conseguiu imprimir sua própria identidade sem perder a essência deixada pelo antecessor.

Já sobre Zakk Wylde, que entrou em 1987, o baixista destacou o talento precoce do músico.

“Ele tinha apenas 20 ou 21 anos quando entrou, mas já era um bom compositor. Era jovem e inexperiente, mas amadureceu rapidamente.”

Questionado sobre a importância de sua participação na discografia de Ozzy, Daisley foi direto ao afirmar que a qualidade artística da parceria nunca voltou ao mesmo nível após o fim da colaboração entre os dois.

“Ozzy e eu éramos o núcleo daquela música, independentemente de qual guitarrista estivesse envolvido. Quando nossa relação terminou, aquela música terminou também. Nunca mais foi a mesma.”

A declaração reforça uma posição que o baixista mantém há décadas: a de que sua contribuição para a construção da sonoridade clássica de Ozzy Osbourne foi muito maior do que os créditos oficiais costumam indicar.

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Foto: Jet Records (domínio público)