Muito antes de alcançar projeção internacional, Alissa White-Gluz já acumulava experiências intensas dentro da cena alternativa. Em relato publicado nesta sexta-feira (20) em suas redes sociais, a cantora revisitou o início da própria trajetória e destacou que sua entrada na música aconteceu quase por acaso.
“Eu faço isso há mais de 20 anos. Comecei trabalhando em teatro como cenógrafa, construindo e pintando cenários enormes e realistas”, contou. Na adolescência, frequentava inúmeros shows de metal e punk no circuito underground e decidiu ajudar bandas locais nos bastidores. “Eu ia a tantos shows que resolvi tentar trabalhar como stage manager de bandas da minha região.”
O ponto de virada veio quando conheceu um grupo que precisava de vocalista. Por conhecer praticamente todos na cena, foi convidada a ajudar na busca. “Eu tinha certeza de que encontraria alguém, mas acabou sendo mais difícil do que imaginei”, relembrou.
Sem querer voltar de mãos vazias, resolveu gravar a própria voz. “Minha melhor amiga — que continua sendo minha melhor amiga até hoje — me gravou cantando Crazy Train (Ozzy Osbourne) no karaokê, no porão da casa dela, usando um Boss 8-track. Nós rapidamente gravamos um CD com aquilo.” No dia seguinte, apresentou o material à banda como se fosse de uma nova cantora.
“Eu precisei perguntar: ‘Tudo bem se for uma garota?’, porque praticamente não havia mulheres naquela cena. Eles ouviram a demo, adoraram e perguntaram quem era. Eu sorri e disse que era eu.”
A partir daquele momento, passou a assumir não apenas o microfone, mas praticamente todas as frentes possíveis dentro de uma banda independente. “Comecei a desenhar e criar o merch à mão, agendar casas de shows, compor músicas e letras, dirigir a van e o trailer pelo continente”, relatou. A rotina incluía dormir na estrada sob frio intenso ou calor extremo, dividir espaço apertado com os colegas, improvisar banhos e se trocar dentro do trailer antes das apresentações, iluminada por uma bateria adaptada pelo próprio pai.
Além disso, cuidava das vendas, organizava relatórios, acertava pagamentos com promotores, carregava equipamentos e ainda assumia trabalhos temporários quando voltava para casa, apenas para viabilizar a próxima turnê. “Eu dediquei mais da metade da minha vida à música e, ainda assim, sinto que estou apenas começando”, afirmou. A cantora também destacou a importância da equipe, amigos, familiares e fãs ao longo da caminhada.
O relato surge poucos meses após sua saída do Arch Enemy, anunciada em novembro do ano passado. Ontem, 19 de fevereiro, a banda confirmou oficialmente a entrada da vocalista Lauren Hart, marcando o início de uma nova fase (leia aqui). Enquanto o grupo segue adiante, Alissa White-Gluz demonstra que sua história na música começou muito antes da projeção internacional — e que, para ela, ainda está longe de terminar.

