EXODUS – SÃO PAULO (SP)

Por Leandro Nogueira Coppi Fotos: Belmilson Santos Quarenta anos após Bonded by Blood, um dos pilares do thrash metal, o Exodus fez uma pausa nos preparativos de seu próximo álbum de estúdio e partiu para a América do Sul com a turnê “40 Years of Blood”. A celebração, que passou pelo Brasil no último dia 9 de outubro — um ano e meio após a banda se apresentar no Summer Breeze Brasil, hoje chamado Bangers Open Air — marcava não apenas o aniversário de seu disco de estreia, mas a própria gênese de um movimento que redefiniu o metal. Com o peso de uma história que antecede até mesmo a pedra fundamental Kill ’Em All do Metallica — afinal, as músicas de Bonded By Blood já eram tocadas antes mesmo de o grupo de James Hetfield e Lars Ulrich lançar seu debut em 1983 —, a banda liderada por Gary Holt (guitarra) e Tom Hunting (bateria) trouxe ao palco a fúria e a energia que moldaram a Bay Area no início dos anos 80, reafirmando por que Bonded by Blood permanece como um pacto sonoro eterno entre músicos e fãs.

Mais do que um simples título, Bonded by Blood sempre representou uma declaração de lealdade entre o Exodus e sua legião de seguidores. Desde os primeiros riffs ensaiados em 1979 nos porões da Bay Area, a banda expressava essa união feroz entre músicos e público, transformando cada show em um ritual de catarse coletiva. Quatro décadas depois, essa essência permanece intacta: o espírito de ruptura e liberdade que inspirou o nome Exodus segue pulsando com a mesma urgência de 1985, reafirmando que o vínculo selado pelo sangue do thrash jamais se desfez.

Gravado em 1984, mas lançado apenas no ano seguinte devido a entraves contratuais, Bonded by Blood chegou com atraso a um cenário que já havia sido incendiado por Kill ’Em All. Naquele tempo, um único ano fazia diferença na evolução do metal. Ainda assim, o impacto foi iminente (sem trocadilhos com o quarto álbum do Exodus, Impact is Imminent): mesmo sem o pioneirismo cronológico, o disco soava como a expressão mais crua e autêntica do thrash que florescia na Bay Area. Essa demora apenas reforçou seu caráter lendário — um registro concebido no auge da efervescência underground, cuja energia visceral o consagrou, com o passar dos anos, como um verdadeiro manifesto do gênero.

Da formação que gravou o disco, infelizmente já não temos mais o lendário e carismático frontman Paul Baloff, falecido em 2002, aos 41 anos, nem o guitarrista Rick Runolt, que ocasionalmente participa de shows do Exodus nos Estados Unidos, tampouco o hoje recluso baixista Rob McKillop. Além disso, do Summer Breeze para cá, o Exodus voltou a dispensar Steve “Zetro” Souza — que havia assumido o posto de vocalista quando Paul Baloff deixou o grupo antes da gravação do segundo álbum —, e trouxe de volta Rob Dukes, que pela quarta vez pisava em território brasileiro, desta vez 15 anos após sua última aparição. Como se não bastasse, antes de embarcar para a turnê comemorativa, o baixista de longa data Jack Gibson enfrentou um problema familiar e precisou se ausentar. Para seu lugar, a banda contou no baixo com Steve Brodgen, técnico de guitarra de Holt e titular das seis cordas na banda de thrash metal Nukem — além de ex-integrante dos grupos Cage, Deathevokation e Narsil. Semanas antes de o Exodus desembarcar no Brasil, foi confirmada a participação da banda paulistana Throw Me to the Wolves na abertura. Recentemente reformulada, a formação contou com a estreia do guitarrista Fabricio Fernandes (New Democracy), ao lado de Gui Calegari (guitarra), Maycon Avelino (bateria), Diogo Nunes (vocal) e Rodrigo Gagliardi (baixo). Quer prova de fogo maior do que estrear abrindo para uma banda do porte do Exodus, diante de um Carioca Club lotado? A resposta veio no palco: o grupo deu conta do recado e mostrou que o novo line-up já soa bem entrosado. O quinteto ainda superou algumas adversidades. Não sei se o som estava embolado no palco como parecia estar para quem, como eu, assistia de uma das laterais superiores, mas o fato é que a banda não demostrou qualquer dificuldade com o retorno ou com o andamento das músicas — tudo fluiu naturalmente. No caso de Maycon, em especial, ele tocou com um kit menor do que o habitual devido à limitação do espaço no palco, ocupada pela bateria de Tom Hunting, do Exodus. Mesmo com a redução de peças, ele não deixou de espancar com vigor o que tinha à disposição.  A banda agradou o público tanto pelo carisma do comunicativo Diogo Nunes quanto pelo deathcore melódico e técnico apresentado, assumidamente influenciado pelo metal sueco de bandas como In Flames, Soilwork e Arch Enemy.  Em pouco mais de meia hora, o grupo apresentou quase todas as músicas de seu álbum de estreia, Days of Retribution — lançado em maio —, com destaque para An Hour of Wolves, inspirada na saga O Senhor dos Anéis, e para a faixa-título, já conhecida pelo videoclipe dirigido e produzido pelo próprio Maycon Avelino (Starship Videos). Dando sequência à divulgação de seu primeiro disco, o Throw Me to the Wolves tem como próximo compromisso a abertura do show do Hammerfall, em São Paulo, em novembro.

Com o Carioca Club quase completamente tomado pelo público – de todos os shows que já vi no local, talvez apenas o que o Toy Dolls fez em 2018 tenha reunido mais gente -, o thrash metal americano voltou aos holofotes no recinto após a excelente apresentação do Testament, realizada em agosto (leia aqui como foi). Chegara a hora de celebrar 40 anos de Bonded By Blood, um dos álbuns mais influentes e imponentes da história do thrash metal, tão citado quanto Master of Puppets (você sabe de quem) e Reign in Blood (que também dispensa apresentações) — ambos lançados no ano seguinte, 1986. Se o enorme backdrop com a capa de Bonded By Blood já arrepiava os pelos, a espinha e a alma então congelaram quando, pontualmente às 21h, deu-se o ‘play’ no som mecânico: ecoou a inconfundível voz de Paul Baloff, extraída de um show do Exodus da época, falando por aproximadamente cinco minutos com os headbangers e anti-posers daqueles dias mais radicais. Passado o discurso inflamado do saudoso vocalista bonachão, algo inédito aconteceu naquele lugar: enquanto uma movimentação começava no palco ainda escuro, a pista se transformou em um mar revolto — primeiro, porque um verdadeiro tsunami humano empurrou as primeiras fileiras ainda mais para a frente; segundo, porque, antes de qualquer nota soar, um circle pit insano começou a rolar no meio da plateia com a casa ainda em absoluto silêncio. Nesse clima, o Exodus invadiu o palco, e a lição de violência começou justamente com a faixa-título Bonded By Blood. O que se viu naquele momento foi um ensaio aberto para o apocalipse. O frenesi na pista foi intenso, e a energia emanada refletiu diretamente nos rostos de Rob Dukes, Gary Holt, Lee Altus, Tom Hunting e Steve Brodgen. Seguindo a sequência do tracklist original de Bonded By Blood, a próxima do set foi a subestimada Exodus. Em seguida, Rob Dukes perguntou como todos estavam. A resposta veio em forma de coro, com a plateia gritando “Exodus, Exodus, Exodus…”, enquanto Tom Hunting providenciava o acompanhamento na caixa e no bumbo. Em retribuição, Dukes expressou sua satisfação por estar de volta após tantos anos: “Quero que vocês saibam que estou feliz pra caralho de estar de volta na frente de vocês!”. Logo depois, ele perguntou se todos ali estavam preparados para um pouco de diversão naquela noite e anunciou a música cuja letra inspirou o nome da gravadora Nuclear Blast, da qual a banda faz parte: And Then There Were None

Para a próxima do set, Dukes fez uma dedicatória especial: “A próxima vai para você, Baloff, porque nós viemos aqui para lhe ensinar uma lição”. Foi a deixa para a impiedosa A Lesson in Violence. O público aprendeu a lição rapidamente e, desde o primeiro acorde, manteve o moshpit fervendo do início ao fim. 

Aliás, para não me tornar redundante, já antecipo que até o final do show o que não faltou foram rodas se formando na pista. A plateia agitou como se não houvesse amanhã em todas as músicas executadas pela banda, tornando-se, disparadamente, um dos públicos mais selvagens dos últimos tempos em São Paulo. Com os riffs estupidamente agressivos da dupla Holt/Altus e a batida estrondosa, seca, veloz e desenfreada de Hunting — que, para alívio nosso, parece estar completamente curado do câncer de estômago diagnosticado em 2021 —, não há como sequer pensar em ficar parado. Em um show do Exodus, o corpo é instantaneamente bombardeado de adrenalina, e a cabeça começa a balançar descontroladamente. Quando você percebe, o punho já está em riste, e a mão da palheta (seja você guitarrista ou não) risca a perna como se estivesse tentando acender interminavelmente um um fósforo na coxa.

Antes da próxima, Dukes disse: “Vocês estão se divertindo, certo? Porque nós somos o Exodus!”. Em seguida, explicou a ausência de Jack Gibson: “Nosso irmão Jack teve uma emergência familiar e voou para casa. Todo o nosso amor vai para aquele filho da puta!” — ao final do show, Gary Holt nos contou que Gibson havia perdido a irmã e que, embora quisesse vir, a banda considerou melhor que ele permanecesse com a família. Continuando, Dukes apresentou o substituto: “Temos o garoto Steve Brodgen, do Nukem, no baixo. Foda!”.

Falando em Nukem, Altus estava tocando com uma camiseta da banda. E falando em camiseta, Holt, que sempre gosta de usar umas com estampas polêmicas (como a que ficou conhecida pelo trocadilho Kill the Kardashians), vestia uma com a imagem do serial killer americano Jeffrey Dahmer de quando ele era jovem (vendida na loja virtual do guitarrista).

Depois disso, anunciaram Metal Command. Para essa, Gary Holt e o ucraniano — também veterano do thrash americano — Lee Altus tocaram com novas guitarras, sendo a de Holt, de shape todo chapiscado em cores, uma das mais bonitas de sua coleção. Não há uma vez sequer que eu ouça Metal Command sem pensar automaticamente no extinto programa Comando Metal, apresentado pelo respeitado Walcir Chalas, proprietário da histórica loja de discos Woodstock, que esteve no ar até a primeira metade dos anos 1990, nas noites de domingo pela Rádio 89 FM. Ou seja, só pelos exemplos citados — o programa brasileiro Comando Metal e a gravadora alemã Nuclear Blast — já se tem uma ideia do impacto do álbum Bonded By Blood causado no cenário mundial da música pesada.

Os menos ansiosos, que não recorreram aos “setlist.fm” da vida e deixaram para descobrir o repertório durante o show do Exodus, foram surpreendidos com o que veio a seguir. Em vez de a banda prosseguir com Bonded By Blood, partiu para uma trinca de músicas de outros álbuns. Antes de começar, Dukes surpreendeu o público ao anunciar: “Vamos trazer um convidado muito especial hoje à noite”. Holt tomou a palavra e continuou: “Como Rob mencionou, nosso irmão Jack Gibson foi chamado de volta para casa no dia seguinte à nossa chegada na Cidade do México por uma emergência familiar. Ele realmente desejava estar aqui, ama São Paulo. Ele estava ao meu lado quando viemos para cá com Baloff em 1997 pela primeira vez, quando aprendemos sobre cachaça e todas essas merdas boas, certo? Ele não pode estar aqui agora, mas temos um convidado muito especial: o senhor Gerson Silva, do (tributo ao Exodus) Funeral Blood”. Algumas pessoas da plateia gritaram o nome de Gerson em coro e, em seguida, Rob Dukes disse que queria ver um “circle pit do inferno” e anunciou a longa Iconoclasm. Mesmo para quem tinha conferido os setlists anteriores divulgados pelo site de repertórios de shows, a adição dessa música do álbum The Atrocity Exhibition… Exhibit A (2007) — segundo de Dukes com o Exodus — foi surpreendente, pois não vinha sendo tocada desde antes da atual turnê. Gosto muito dela; no entanto, preferia que a banda tivesse mantido Deathamphetamine, do álbum anterior Shovel Headed Kill Machine, que considero a melhor da era Dukes. Emendadas à Iconoclasm, vieram, coincidentemente, as minhas duas favoritas da carreira do Exodus. A primeira delas foi a estonteante Blacklist, do ótimo álbum Tempo of the Damned (2004). Na hora do solo de Altus, Holt deu uma pausa da guitarra e ficou bebendo tranquilamente uma cerveja, mantendo o instrumento empunhado, enquanto Rob Dukes continuava as palhetadas e Steve assumia os acordes. Foi hilário quando Holt alertou Steve que a cerveja havia entrado pelo nariz. Os dois caíram na gargalhada; então Holt reassumiu a guitarra e entregou o resto do néctar dourado para Dukes finalizar. A segunda foi a faixa-título do clássico Fabulous Disaster (1989), música que, em minha opinião, tem no refrão as melhores rimas da história do thrash metal. Louros a Steve “Zetro” Souza por essa façanha! Antes de a banda tocá-la, porém, Lee Altus dirigiu-se ao microfone e pediu alguns seguranças no pit para ajudar os fãs a subirem no palco e curtirem os ‘stage divings’ sem se machucar. Dukes comprou a ideia e perguntou: “Podemos trazer seguranças aqui? Tipo, uns dois ou três caras, é só o que precisamos”. Em seguida, ele pediu aplausos a Gerson Polo, que vinha fazendo um ótimo trabalho nas músicas em que participou, o abraçou e perguntou o nome da banda que ele faz parte. O baixista não entendeu a pergunta e, de modo econômico, apenas agitou seus compatriotas da plateia. Enquanto isso, ainda preocupado com a integridade física dos fãs, Altus chamou um rapaz da produção e lhe explicou que precisava de alguns seguranças na frente do palco.

Depois de Fabulous Disaster, que terminou com Rob Dukes soltando um grito de rasgar as entranhas, Tom Hunting brincou na batera, tocando a introdução de Run to the Hills, clássico do Iron Maiden. No embalo, Dukes começou a reger a plateia como um Freddie Mercury do capeta — e foi impossível não lembrar do saudoso vocalista do Queen fazendo o mesmo durante a lendária apresentação da banda britânica no festival beneficente “Live Aid”, realizado no Wembley Stadium há exatos 40 anos.

Falando em Dukes, quando ele entrou no Exodus, há vinte anos, muita gente o criticou, alegando que com ele a banda estava soando mais ‘grooveada’, próxima do estilo do Pantera, comparando-o a Phil Anselmo. Com o tempo, porém, o barbudão careca conquistou respeito e, na visão de muitos, tornou-se o melhor frontman que já passou pelo grupo. Não é meu preferido em estúdio — admito que, na casinha, sou “Team Zetro” —, mas ao vivo Steve Souza vem ramelando miseravelmente nos últimos anos e, nesse quesito, Dukes é claramente mais competente. 

Para a sequência, o Exodus voltou a celebrar Bonded By Blood, mas dessa vez sem seguir a ordem original do disco. O que veio a seguir foi uma rajada de tirar o fôlego, começando pelos dedilhados de influência erudita da liricamente maquiavélica No Love, tocados por Holt após ser ovacionado, sob a regência da “batuta” do “maestro” Tom Hunting, que comandou a plateia com movimentos de suas baquetas antes de sentar no banquinho e dar início à destruição.

Ao final da música — que teve um solo inspiradíssimo de Holt, ao melhor estilo Dimebag (saudoso guitarrista do Pantera) —, o mesmo integrante da produção com quem Lee Altus havia conversado anteriormente foi ao microfone pedir ao Carioca Club o favor de colocar alguns seguranças na frente do palco, para que ninguém caísse e se machucasse. Enquanto eles não chegavam, Rob Dukes agradecia a um fã na pista que lhe havia arremessado um charuto, algo do qual ele é notoriamente apreciador.

A emoção tomou conta do local quando Rob Dukes pediu: “Quero que vocês gritem pelo único e incomparável, um dos filhos da puta mais loucos que já existiram, o senhor Paul Baloff! Quero ouvi-los!” —  e sim, Baloff era mesmo um folclórico louco varrido. Há relatos de que, quando esteve no Brasil com o Exodus, chegou a beber desinfetante no camarim, achando que na garrafa havia alguma bebida alcóolica.

Depois da homenagem, Dukes apresentou seus velhos parceiros, recebeu as boas-vindas de Altus e foi ovacionado pelos fãs. Ele retribuiu dizendo: “Isso significa o mundo para mim, caras, vocês não têm noção disso. Essa merda não passou despercebida por mim. Estou muito feliz de estar de volta e em frente a vocês, filhos da puta, tocando metal para vocês, São Paulo!”.

E bota metal nisso — logo após o momento “headbagers também se emocionam”, ele anunciou nada menos que Deliver Us to Evil, uma das músicas mais casca-grossa de Bonded By Blood. Vale lembrar que o moshpit estava rolando solto o tempo todo. A plateia entendia claramente o lema “Unidos Pelo Sangue” proposto no título do álbum de estreia do Exodus, e mostrou isso participando efetivamente do show durante toda a apresentação.

Foi engraçado quando no ‘break’ de Deliver Us to Evil Lee Altus foi tocar bem atrás de uma moça da segurança que, obviamente, estava contra o palco e de frente para o público. Ao virar de costas e se deparar com o músico praticamente quase em cima dela, a funcionária se assustou. Também ri ao perceber que ao final da música o mesmo Altus entregou uma bebida a um rapaz que estava colado na grade, mas que, talvez por medo da onda de adulteração com metanol que intoxicou e até mesmo matou algumas pessoas no Brasil recentemente, titubeou e passou o “goró” para outra pessoa. 

Com Steve Brodgen de volta ao baixo, Dukes anunciou Piranha, música que, vale lembrar, foi regravada pelo Sepultura em seu EP de covers Revolusongs, de 2002. No decorrer dessa, o vocalista passou o microfone para Fábio Seterval, parceiro de Gerson no Funeral Blood, que se saiu muito bem e inflamou o público, pedindo por um novo circle pit, enquanto o cantor americano o acompanhava nos backing vocals antes de retomar o posto.

Sem delongas, a próxima música foi Brain Dead, uma das mais conhecidas do álbum sucessor de Bonded By BloodPleasures of the Flesh (1987), que marcou a estreia de Steve “Zetro” Souza no lugar de Baloff. Em certo momento dessa, enquanto a banda tocava, Lee Altus, ainda bastante preocupado, deu um verdadeiro esporro nos seguranças que não estavam sabendo dar conta de proteger as pessoas para não se machucarem. Ele até ajudou uma garota que estava surfando sobre a plateia a conseguir descer sem cair. Nos refrãos finais de Brain Dead, Brodgen dividiu os vocais de apoio com Lucca Ferreira, que gerencia a fan page Exodus Brasil

Já caminhando para o fim do show, Rob Dukes anunciou Impaler, música que ficou de fora de Bonded By Blood e é de autoria de Paul Baloff, Gary Holt, Tom Hunting e do antigo guitarrista da banda, Kirk Hammett, que deixou o Exodus para fazer fama no Metallica. A faixa acabou sendo gravada posteriormente em Tempo of the Damned

Ainda restava um tempinho para mais algumas, então Dukes perguntou aos fãs se estavam cansados. Como a resposta foi empolgada, anunciou The Toxic Waltz, um dos hinos do Exodus. Segundos depois, porém, a banda parou a música e ameaçou se despedir. Novamente Dukes anunciou a faixa, mas o que tocaram foi o início de Reigning Blood, do Slayer, banda na qual Gary Holt entrou para substituir o saudoso Jeff Hanneman e por onde permanece até hoje, ostentando em seu antebraço os logotipos de ambos os grupos. Continuando a brincadeira, Toxic Waltz foi anunciada mais uma vez, mas o quinteto fez todo mundo agitar mesmo com o início de Motorbreath, do Metallica. Depois de tanta fanfarronice, finalmente a música de Fabulous Disaster foi tocada.

Antes de a banda se despedir de vez, Lee Altus improvisou um “olê, olê, olê, olê….” na guitarra, e o público completou com o coro “Exodus, Exodus…”. Virou uma jam session punk bem descontraída. Mas ainda havia tempo para a banda concluir seu show com aquela que faltava de Bonded By Blood, a aguardada e bem-recebida Strike of the Beast, que encerrou a noite com o peso e a energia que só o Exodus consegue entregar. 

Após o show, no camarim, Gary Holt nos atualizou sobre o esperado novo álbum do Exodus, que chega em março de 2026. Disse que terá 10 novas músicas, incluindo uma faixa-título que, segundo ele, soa quase como um doom, por seu andamento ser mais arrastado, e contém riffs compostos por Holt em 1988 que estavam engavetados. Ele ainda sacou o celular do bolso e compartilhou, em primeira mão, a (bela) capa do disco — claro que, por ética jornalística, não entraremos em detalhes quanto a arte. Holt também comentou que Kragen Lum, guitarrista que o substituiu temporariamente no Exodus enquanto ele cumpria compromissos com o Slayer, estava a caminho para assumir o baixo até o retorno de Jack Gibson.

O show terminou oficialmente com a versão do Cake para War Pigs (Black Sabbath) rolando no som mecânico, encerrando uma noite histórica, cheia de surpresas, emoção e thrash metal em sua forma mais pura. Para os fãs presentes, ficou a certeza de que o legado de Bonded By Blood e a energia do Exodus continuam mais vivos do que nunca.

Exodus – setlist: Bonded By Blood Exodus And Then There Were None A Lesson in Violence Metal Command Iconoclasm Blacklist Fabulous Disaster No Love Deliver Us to Evil Piranha Brain Dead Impaler The Toxic Waltz Strike of the Beast Throw Me to the Wolves – setlist: Chaos Tartarus Days of Retribution Fragments Awakening My Demons Gates of Oblivion An Hour of Wolves Gaia   Clique aqui para seguir o canal ROADIE CREW no WhatsApp